quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O QUE ROLA E O QUE ANDA “ENROLANDO” POR AÍ

Um raio-X das tendências e das falsas promessas da Inteligência Artificial. Evocação do Recife | Manuel Bandeira
CULTURA Roberto DaMatta
Roberto DaMatta Nossa máquina do tempo é a saudade Nara Leão - Manhã de Carnaval
Wilson Gomes interpreta confrontos em universidades públicas como espetáculos digitais, onde conflitos presenciais são instrumentalizados para produzir narrativas polarizadoras nas redes sociais. A dinâmica, explorada por atores de direita e esquerda para ganho político e visibilidade, transforma a instituição em um cenário de disputas que enfraquece sua reputação, subordinando o ensino e a pesquisa à lógica da militância. Para uma análise completa, visite o texto original de Wilson Gomes.
Por que candidatos de direita buscam confronto no campus? Por Wilson Gomes Folha de S. Paulo Denúncia, provocação, reação e vídeo compõem um método político moldado pelas redes A guerra cultural encontrou nos campi um cenário ideal para gerar indignação e engajamento Na quinta-feira, dia 20, o deputado estadual Diego Castro, do PL, entrou na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia com o kit básico desse tipo de ação política: seguranças, alguém encarregado de filmar e um roteiro na cabeça. Filmou, retirou adesivos eleitorais, fez discursos, encenou sua revolta diante da câmera e de estudantes que correram para o espetáculo. E, como se diz no futebol, "esperou o contato, o contato veio", na sequência prevista: berros, dedos na cara, empurrões, boletins de ocorrência, notas de repúdio, reportagens e vídeos para as redes. No dia seguinte, um influenciador que se apresenta como Heitor Bolsonaro voltou ao local, também com o celular ligado, à procura de adesivos, placas de banheiro e reação. CONTINUAR LEITURA
O artigo de Marcelo Godoy, publicado n'O Estado de S. Paulo, elogia o candidato Ronaldo Caiado por manter a civilidade e o respeito no debate presidencial de 2026, contrastando-o com a agressividade e a "estética de coach" adotadas por outros, como Renan Santos. O texto utiliza referências clássicas para lamentar a falta de modos e educação na política atual, destacando a postura de Caiado como única exceção. O comentário de Ademar Amancio, por sua vez, ironiza a valorização da oratória em detrimento do conteúdo político. Você pode encontrar mais análises de opinião no site oficial de O Estado de S. Paulo.
Caiado e os bons modos, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Único a mostrar no debate o respeito e a civilidade que a política exige em vez da estética de coach Plutarco conta em sua Vida de Demóstenes que o orador grego atribuía uma importância capital à entonação e à atitude das pessoas que falam para persuadir. Certa vez, quando um homem que fora espancado pediu-lhe que o defendesse em juízo, Demóstenes disse: “Ora, não recebeste um só dos golpes de que falas!”. O homem, levantando a voz, gritou: “Eu, Demóstenes, não recebi os golpes?!”. “Agora, sim, ouço a voz de um homem maltratado”, respondeu. Hannah Arendt viu na ratio et oratio de Cícero, o outro orador tratado por Plutarco no quinto livro de suas Vidas Paralelas, um último vestígio dessa antiga conexão entre a fala e o pensamento, “ausente de nossa noção de exprimir o pensamento por meio de palavras”. CONTINUAR LEITURA
Luiz Carlos Azedo analisa a acirrada disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, destacando que o equilíbrio nacional dependerá do desempenho de ambos no "Triângulo das Bermudas" (SP, MG e RJ). A análise aponta que o Sudeste, especialmente São Paulo, pode neutralizar as vantagens de Lula no Nordeste e de Flávio no Sul, tornando a eleição altamente dependente das assimetrias regionais. Mais detalhes podem ser lidos no texto original do Correio Braziliense.”
Perigos do “Triângulo das Bermudas” (SP, MG e RJ) desafiam campanhas de Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Os três estados concentram parcela decisiva do eleitorado e podem engolir qualquer vantagem construída no restante do país. O equilíbrio nacional está assentado em grandes assimetrias “Um dia de cada vez”, máxima consagrada pelos Alcoólicos Anônimos, aplica-se sob medida às campanhas dos dois candidatos que polarizam a eleição presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, e Flávio Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sucessão de fatos negativos produz oscilações nas pesquisas e obriga os marqueteiros das duas campanhas a ter menos ansiedade com o futuro e mais atenção aos problemas do presente, sobretudo àqueles aparentemente pequenos, mas capazes de assumir grandes proporções. CONTINUAR LEITURA
Bernardo Mello Franco analisa no O Globo que candidatos presidenciais como Lula e Flávio Bolsonaro têm evitado confrontos e perguntas incômodas durante a campanha, preferindo ambientes controlados a debates e sabatinas. A tática de fugir do escrutínio, que inclui o boicote a debates e a preferência por influenciadores, reflete uma tentativa de evitar temas sensíveis antes das entrevistas no Jornal Nacional. Você pode ler a coluna completa no O Globo.”
Candidatos no olimpo, por Bernardo Mello Franco O Globo Candidatos fogem de confronto e encerram entrevistas ao ouvir questões incômodas Flávio Bolsonaro estava à vontade. Escoltado por Paulo Skaf, desfilou pelos salões da Fiesp como novo escolhido do empresariado paulista. O senador esbanjou bom humor até se deparar com um grupo de repórteres. Mudou de semblante ao ouvir uma pergunta sobre o caso “Dark horse”, que revelou suas relações com Daniel Vorcaro. “Gente, olha só... vocês vão parar no tempo?”, reagiu, sem disfarçar a irritação. “Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara. Hoje o governo Lula é que deve explicações. Vão cobrar explicações dele”, ordenou, antes que uma assessora encerrasse a entrevista. CONTINUAR LEITURA Dóris Monteiro canta "Mudando de Conversa" 1977 “O artigo de Vera Magalhães, publicado em "O Globo" (na simulação), analisa a queda na aprovação da campanha de reeleição de Lula em 2026, impulsionada por escândalos de corrupção e alta rejeição pessoal [1]. A estratégia petista, focada em "boas notícias" como o fim da escala 6x1, busca reverter o cenário de empate técnico e o alto custo dos alimentos, que frustrou a promessa de "picanha e cerveja" [1]. O comentário de Ademar Amâncio traz ironia ao afirmar que o churrasco e a cerveja voltaram em sua cidade, mas lamentando o fato por razões pessoais de saúde e estilo de vida [1].”
Lula tenta mudar de assunto, por Vera Magalhães O Globo Os conselheiros da campanha petista sabem que o presidente não tem muito de onde buscar votos na segunda etapa da corrida O vento virou, e o favoritismo que vinha sendo atribuído a Lula desde o escândalo “Dark Horse” e os entreveros na família Bolsonaro se esvaiu diante das revelações das andanças de Lulinha por gabinetes estrelados de Brasília. Levado de volta ao incômodo tema da corrupção às vésperas do início da campanha na TV, e sem ter mais como se esquivar de debates e sabatinas como fez até aqui, o petista busca desesperadamente mudar de assunto. O irônico é ter de contar com o Congresso, que já está em ritmo de letargia eleitoral, para ter alguma boa notícia para apresentar ao eleitor. CONTINUAR LEITURA
“O jornalista Elio Gaspari aponta que o governo ignora sinais de deterioração econômica, evidenciados pela alta inadimplência de grandes empresas como Casas Bahia e Braskem, que buscam recuperação judicial [1]. Com a taxa Selic elevada e o déficit fiscal duplicado, a crise se estende a 9,1 milhões de empresas, afetando varejo, infraestrutura e agronegócio [1]. O artigo argumenta que o governo falha em controlar gastos e juros, repetindo padrões de negação de crises anteriores [1]. Leia o artigo completo no blog de Elio Gaspari.”
Lula ignora sinais de uma economia doente, por Elio Gaspari O Globo Grandes empresas estão na chuva Num espaço de duas semanas, a grande rede varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão em recuperação judicial ou extrajudicial. Querem repactuar suas dívidas com bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente. Antes delas, foi a vez da varejista Marabraz. Noutro grupo, ficaram a Raízen, produtora de açúcar e distribuidora de combustíveis, mais o grupo Pão de Açúcar. Em outros tempos, ele teve 800 lojas e mostrava-se como modelo de expansão e vitalidade do empresariado brasileiro. Até em Angola se meteu. Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital. As Casas Bahia, como a Braskem, foram vítimas de encrencas com que conviveram, julgando-se onipotentes. CONTINUAR LEITURA

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Gelo no plenário

terça-feira, 25 de agosto de 2026 Quando a Câmara censura a história e resgata o passado colaboracionista, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Em outubro de 1966, Castello Branco decretou o recesso do Congresso. Em dezembro de 1968, Costa e Silva editou o AI-5 e fechou o Legislativo. Em 1977, Ernesto Geisel fez o mesmo Há uma ironia inquietante na decisão da Câmara dos Deputados de impedir que uma obra acadêmica utilize a expressão “ditadura militar” para caracterizar o regime instaurado em 1964. A Casa, que teve 173 deputados e oito senadores cassados, foi fechada três vezes pelos generais, mesmo tendo legitimado o golpe militar de 1964. Ao suavizar a linguagem empregada para caracterizar o regime militar, não apenas contraria a pesquisa histórica: renega a própria memória. A contradição emerge em decorrência da coletânea Independências do Brasil, organizada por historiadores vinculados à Associação Nacional de História, à revista Almanack e à Sociedade de Estudos do Oitocentos. Cerca de 50 autores assinaram cessões de direitos, e o livro já estava revisado e diagramado quando uma comissão especial responsável pelas comemorações dos 200 anos do Congresso Nacional e o Conselho Editorial da Câmara passou a exigir alterações. Presidido pelo deputado Lafayette de Andrada (PL-MG) — tinha que ser um bolsonarista — o colegiado recomendou substituir “ditadura militar” por “regime militar” ou “governo militar” em pelo menos 13 passagens. Também propôs alterações em referências à tortura, aos direitos indígenas, ao marco temporal, à Guerra do Paraguai, ao Haiti e até ao samba-enredo da Mangueira de 2019. Como os autores, em defesa do rigor acadêmico e da liberdade de expressão, recusaram mudanças que adulteravam suas interpretações, a Câmara informou que a obra não será publicada, o que representa um endosso da Mesa da Casa à censura instaurada e uma agressão ao estado democrático de direito. Não se trata de simples preferência vocabular. “Governo militar” informa quem exercia o poder. “Ditadura” identifica a natureza de um regime que suprimiu direitos políticos, censurou a imprensa, perseguiu opositores, tolerou prisões, sequestros, torturas, assassinatos e “desaparecimentos”. Subjugou as instituições representativas. Substituir uma expressão pela outra, não esclarece, mascara a violência brutal e mais inominável da política de segurança do regime. E revela obscurantismo e falta de compromisso da Câmara com a Constituição que seus integrantes juraram defender. A história brasileira oferece exemplos suficientes de obscurantismo e submissão do Parlamento. Em 1823, Dom Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte na chamada Noite da Agonia e, no ano seguinte, outorgou uma Constituição de feição liberal garantindo-lhe forte Poder Moderador. Em 1891, Deodoro da Fonseca fechou o Congresso. Getúlio Vargas dissolveu o Legislativo em 1930 e voltou a fazê-lo em 1937, ao instaurar a ditadura do Estado Novo. O Congresso permaneceu sem funcionar até janeiro de 1946. O fechamento foi acompanhado pela suspensão das garantias constitucionais, pela censura e pela concentração de poderes no Executivo. A alegação de que as instituições representativas atrapalhavam o governo serviu para justificar o arbítrio. Nos seus anais, a própria Câmara registra que o Parlamento brasileiro foi fechado ou dissolvido repetidamente e reconhece, expressamente, que durante a “ditadura militar” isso ocorreu em três ocasiões. Tolice politica Em outubro de 1966, Castello Branco decretou o recesso do Congresso. Em dezembro de 1968, Costa e Silva editou o AI-5 e fechou o Legislativo, depois que a Câmara recusou autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves. Em abril de 1977, Ernesto Geisel repetiu a medida para impor mudanças políticas e eleitorais. O Pacote de Abril alterou as regras da representação parlamentar e criou os chamados senadores biônicos, escolhidos indiretamente. Não foram meros acidentes de percurso. O regimes admitia a existência do Congresso desde que ele não ameaçasse a autoridade dos generais. Mas a relação do Parlamento com a ditadura não se resumiu à condição de vítima. Houve resistência, mas também muito colaboracionismo, cuja recidiva estamos vendo agora. Na madrugada de 1º para 2 de abril de 1964, o presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República, embora João Goulart estivesse em território nacional, no Rio Grande do Sul. A manobra ofereceu uma aparência de legalidade à deposição de um presidente constitucional. Nas décadas seguintes, maiorias parlamentares chancelaram eleições indiretas, aceitaram cassações, aprovaram mudanças constitucionais ditadas pelo Executivo e ajudaram a preservar a fachada institucional do regime. A ditadura não dispensou o Parlamento: procurou enquadrá-lo, utilizá-lo e, quando necessário, silenciá-lo. Em 2013, o próprio Congresso anulou simbolicamente a sessão que declarou a vacância da Presidência em 1964. Ao corrigir aquela decisão, reconheceu que João Goulart fora deposto ilegalmente. A maior reparação foi reconhecer a participação parlamentar na ruptura democrática. Antes disso, em 2012, a Câmara devolvera simbolicamente os mandatos de 173 deputados cassados entre 1964 e 1977. Na mesma ocasião, inaugurou uma exposição e lançou um livro intitulado Parlamento Mutilado: Deputados Federais Cassados pela Ditadura de 1964, publicado justamente pela Edições Câmara. A contradição da Câmara salta aos olhos: o vocabulário que antes permitiu reconhecer a violência cometida contra a instituição tornou-se inconveniente para seus atuais dirigentes. É revelador que a censura alcance indígenas, escravidão, Haiti e cultura popular. O objetivo é higienizar a narrativa oficial, o “apagamento” de conflitos, violências e personagens que desafiaram preferências ideológicas da atual maioria parlamentar. Como diria Homero, o futuro dirá a verdade do que foi feito: “até o homem tolo aprende depois que o evento já aconteceu”(Ilíada, Canto XVII
“Gelo no plenário: Agildo Barata cruza os braços e aguarda a lista de Adauto Lúcio Cardoso sob o eco poético de Lorca." html

Sangue na Caserna, Gelo no Plenário:

O Dia em que o Capitão Exigiu a Lista

“Uma imensa faixa com a conhecida estrofe de um poema de Lorca fez parte do cortejo:
_Quiero dormir un rato,
Un rato, un minuto, un siglo;
pero que todos sepan que no he muerto._

Recapitulando. Bom dia!👆”

O Rio de Janeiro de 1947 não era para amadores. Na recém-instalada Câmara de Vereadores do Distrito Federal, a política nacional se digeria entre o café frio e o calor tropical das ideologias. De um lado do ringue, com a sobriedade cortante de quem trocara a farda pela foice e pelo martelo, estava o ex-capitão Agildo Barata, eleito pelo PCB. Do outro, brandindo a espada moral da UDN, o udenista de escol Adauto Lúcio Cardoso.

O embate histórico que se seguiu é um monumento à retórica parlamentar — e, nas coxias do tempo, ganhou contornos de uma comédia de costumes digna do filho de Barata, o futuro e impagável humorista Agildo Ribeiro, o "Capitão do Riso".

A Acusação Adormecida

Tudo começou quando Adauto Lúcio Cardoso, inflamado pelo fantasma do anticomunismo, resolveu chacoalhar o esqueleto da Intentona Comunista de 1935. Da tribuna, acusou Barata de um crime imperdoável para os manuais de cavalaria militar: o de ter comandado o massacre de oficiais legalistas enquanto estes dormiam, indefesos, nas casernas do 3º Regimento de Infantaria. Era o mito fundador do rancor das Forças Armadas, servido em bandeja de prata parlamentar.

Agildo Barata, cujo temperamento passava longe da galhofa que o filho mais tarde institucionalizaria na televisão, aplicou o mais gelado dos contragolpes: a burocracia dos fatos. Interrompeu o par e exigiu a autópsia da denúncia. "Dê-me os nomes", desafiou. Adauto, pego no contrapé do calor do discurso, prometeu a lista para o dia seguinte.

Dez Dias de Silêncio

O que se sucedeu foi um espetáculo de tortura gota a gota. Por dez sessões consecutivas, Agildo Barata subia à tribuna com a pontualidade de um relógio suíço e a crueza de um auditor fiscal. Ele não discursava sobre a revolução proletária; apenas cobrava os nomes dos defuntos. Adauto Lúcio Cardoso, jurista brilhante, via-se obrigado a praticar uma ginástica de esquivas digna de um contorcionista de circo. A lista, naturalmente, nunca apareceu, evaporando-se na falta de registros históricos que sustentassem o infame "assassinato no sono" naquele regimento específico.

É aí que a crônica política ganha seu verniz anedótico. Conta o folclore das bancadas que um pacificador de bastidores, apavorado com o constrangimento diário do udenista, tentou costurar um armistício, apelando para o bom tom. Adauto teria lamentado a falta de fair play do implacável Barata. Uma ironia fina: o capitão de 1935 guardara toda a sua flexibilidade e espírito de jogo para a genética, legando ao filho Agildo Ribeiro a capacidade de fazer o Brasil rir das mesmas tragédias que o pai tratava com a seriedade de um pelotão.

Ao fim e ao cabo, a UDN perdeu o debate factual, mas ganhou a guerra política logo depois, com a cassação do PCB. Barata saiu de cena com sua honra militar defendida na base do gogó, deixando para a história o registro de que, no parlamento brasileiro, quem não tem os nomes dos mortos acaba virando a piada da paróquia.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Da Indisciplina Militar à Urna Eletrônica

Debate na Band: Acompanhe a íntegra do primeiro debate à Presidência de 2026 Rádio BandNews FM 23 de ago. de 2026 #DebateNaBand2026 #BandEleicoes2026 #ronaldocaiado Acompanhe a íntegra do debate presidencial 2026 na Band com os candidatos Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Tal Vez Omara Portuondo Composição: Juan Formell.
Com Caiado, Renan e Cury, primeiro debate presidencial é marcado por críticas às ausências de Lula e Flávio Púlpitos de Lula (PT), Flávio (PL) e Romeu Zema (Novo) ficaram vazios em debate na Band. Por Hadass Leventhal, Paula Paiva Paulo, Caetano Tonet, Isabella Calzolari 23/08/2026 21h35 Atualizado há 10 horas
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O Paradoxo da Caserna: Da Indisciplina Militar ao Topo do Poder pelo Voto Eletrônico

Análise densa sobre a ascensão de Jair Bolsonaro, a cooptação de militares no Estado civil e os desafios da democracia frente ao saudosismo autoritário no Brasil.

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A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 representou um fenômeno político inédito: a ascensão ao topo do poder civil de um capitão reformado que, nos anos 1980, havia sido investigado e afastado dos quadros ativos do Exército por atos de indisciplina. A ironia histórica consolidou-se quando um crítico ferrenho do sistema eleitoral foi alçado à presidência por meio das próprias urnas eletrônicas que contestava, estruturando seu governo com uma maciça cooptação de militares para a máquina pública.


🔎 Da Indisciplina Militar à Urna Eletrônica

  • Afastamento por indisciplina: Em 1986, o então capitão Jair Bolsonaro foi preso por assinar um artigo na revista Veja pleiteando reajustes salariais sem autorização superior.
  • Plano de bombas: Em 1987, nova reportagem revelou o plano "Beco sem Saída", que previa a explosão de bombas em quartéis para pressão do comando.
  • Julgamento no STM: O Conselho de Justificação considerou-o culpado, mas o Superior Tribunal Militar (STM) o absolveu por insuficiência de provas em 1988, resultando em sua ida compulsória para a reserva (reforma).
  • O paradoxo do voto: Em 2018, após quase três décadas como deputado do "baixo clero", capitalizou o sentimento antipetista e o cansaço com a corrupção institucional.
  • Chancela democrática: Elegeu-se democraticamente por meio do voto secreto e digitalizado, o mesmo sistema eletrônico implantado em 1996 que ele e seus aliados repetidamente acusaram de fraude, sem apresentar evidências.

📊 A Cooptação e o Espelho de 1964

  • Ocupação civil por militares: O governo iniciado em 2019 distribuiu mais de 6 mil cargos civis a membros das Forças Armadas, tanto da ativa quanto da reserva.
  • Inversão ideológica: Em 1964, os golpistas justificavam o fechamento político alegando a necessidade de extirpar o "aparelhamento do Estado" e a "quebra de hierarquia" promovida pelas esquerdas.
  • Aparelhamento à direita: A gestão bolsonarista operou uma cooptação institucional idêntica à que os militares do passado criticavam, vinculando o prestígio das Forças Armadas à sobrevivência de um projeto político personalista.
  • Politização dos quartéis: O envolvimento de generais da ativa em ministérios políticos e em manifestações partidárias tensionou a tradicional neutralidade institucional da farda.

💡 Análise: O Desejo do Retorno vs. O Estado de Direito

A persistência do "saudosismo de caserna" no Brasil alimenta-se de uma memória seletiva e mítica sobre a ditadura militar, frequentemente retratada por seus defensores como um período de suposta ordem, segurança e ausência de corrupção. Esse revisionismo histórico ignora a supressão das liberdades individuais, a censura, a tortura institucionalizada e o endividamento econômico do país na década de 1980.

A possibilidade de um retrocesso autoritário real ou do retorno dos militares ao protagonismo político central enfrenta barreiras robustas, mas também alertas permanentes:

  • Resiliência institucional: As tentativas de subversão democrática culminadas nos atos de 8 de janeiro de 2023 demonstraram que os poderes da República (Legislativo e Judiciário) e a sociedade civil possuem mecanismos de contenção eficazes.
  • O perigo do esquecimento: O desejo de "esquecer o passado para pacificar o país" impede que o Brasil realize uma justiça de transição plena, ao contrário de vizinhos como a Argentina.
  • Falsa simetria: Tratar os anos de chumbo com neutralidade ou como um "mero detalhe" histórico abre margem para que discursos antidemocráticos sejam normalizados no debate público.
  • Defesa do Estado de Direito: A blindagem da democracia depende do fortalecimento dos direitos humanos e da firmeza jurídica na punição de atos golpistas, garantindo que as Forças Armadas permaneçam estritamente como instituições de Estado, e nunca de governo.
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domingo, 23 de agosto de 2026

Plataforma do Mestre

"O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General."
Entre o poeta, o músico e o estudante, o denominador comum foi a barbárie.
O Resedá é uma árvore ornamental muito apreciada por seu florescimento exuberante e prolongado, que ocorre principalmente no verão. Produz cachos de flores em cores que variam do rosa ao roxo, atraindo abelhas, borboletas e outros polinizadores. De crescimento rápido e porte médio, é indicada para paisagismo, jardins, calçadas e praças. A espécie é rústica, adaptável a diferentes tipos de solo e requer manutenção mínima, tornando-se ideal para quem busca beleza aliada à praticidade.
📸Wilton Junior/Estadão Opinião Estadão no X: "#EspaçoAberto | Luiz Sérgio Henriques Considerações sobre o ‘interregno’ - A reconstrução da sociedade civil é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva Opinião Estadão @opiniao_estadao 📸Wilton Junior/Estadão 7:00 · 23 de ago. de 2026
domingo, 23 de agosto de 2026 Considerações sobre o ‘interregno’, por Luiz Sérgio Henriques* O Estado de S. Paulo A reconstrução da sociedade civil, espaço de mediação entre indivíduo e Estado, é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva Como tudo na vida, palavras envelhecem, e talvez seja essa a sensação que nos assalta ao depararmos com o uso reiterado de “interregno” para indicar o atual estado das coisas. Na conhecida formulação de Gramsci, a velha ordem está morta e não mais regula corações e mentes, enquanto a nova ainda não consegue se afirmar. No intervalo entre ambas, o mundo se enche de sintomas mórbidos. Provocadora, a imagem parece explicar o caos ao redor, mas há quem nela observe a persistência de uma certeza anacrônica sobre a nova ordem que viria a se impor por meio da revolução. Admitida a observação, pode-se ainda teimar em que a metáfora ao menos chama a atenção para os riscos próprios de épocas de transição como a nossa. Não por acaso, circulam por aí ideias-zumbis e figuras extravagantes, que recusam comportamentos baseados em regras, ainda que imperfeitas, e proclamam a lei do mais forte. Os sintomas precisam ser pesquisados, assim como buscados os remédios, todos eles políticos, naturalmente. Essa procura incessante, sem prescindir de analogias, não pode se limitar a elas – os adversários da sociedade aberta não são os mesmos de 1930 nem liquidá-los como “fascistas” nos deixa necessariamente em posição mais segura. Pode ser que estejamos de novo em plena mudança estrutural do espaço público – mudança que, significativamente, Anton Jäger, pesquisador belga da Universidade de Oxford, descreve em termos de “hiperpolítica” (cf. Hyperpolitics: Extreme Politicization Without Political Consequences, Verso Books). Para onde quer que olhemos, pessoas comuns estão em meio a polêmicas ferozes e a contraposições intratáveis. Parecem se contentar com identidades fixas numa sequência interminável de guerras digitais. Algoritmos invisíveis confinam em guetos até quem, pouco antes da entronização das redes sociais, tocava em paz a vida, imerso no próprio mundo privado. Uma politização inflamada, sem dúvida, mas de modo geral sem engajamento em partido, sindicato ou associação “real”. De fato, essa não é a política de massas da alta modernidade. Para o bem e para o mal, os partidos eram como que a “nomenclatura das classes”. Partidos conservadores podiam ter uma base popular considerável ou, se fossem democratascristãos, inseriam uma dimensão solidária no liberalismo. Partidos trabalhistas ou comunistas enraizavam-se na vida sindical, buscando integrar institucionalmente os “de baixo” ou mobilizá-los para a utópica nova ordem anteriormente mencionada. Tudo somado, um processo amplo de incorporação política, abalado, de tempos em tempos, por choques ideológicos que levaram a sacrifícios enormes e a guerras de violência sem precedentes. A globalização neoliberal dos anos 1990 significa ruptura radical com este “mundo de ontem”. A revolução assim desencadeada, disseminando a mercantilização de todos ou quase todos os âmbitos da vida, teve uma característica singular: fez da economia o fator de ordenação tendencialmente total. Com Reagan e Thatcher, o capitalismo se reinventa e mais uma vez dissolve no ar tudo o que aparentava solidez. A administração das coisas predomina, as instituições se esvaziam, os partidos apresentam programas que mal se distinguem uns dos outros. Afinal, “não havia alternativa”, uma frase de rara soberba que se proclamava aos quatro ventos. O século 21, sobretudo a partir da grande crise de 2008, se encarregou de liquidar as ilusões economicistas da “póspolítica” – e aqui voltamos ao argumento mais original de Jäger sobre o “interregno”. Coletivamente não nos livramos da rarefação institucional anterior, até porque não se interrompeu a individualização frenética da vida. Movemo-nos como átomos, as mobilizações hiperpolíticas podem ser intensas, mas são também fugazes e instáveis. E o drama maior é que não há caminho de volta: impossível, ou inaceitável, voltar às formas organizacionais da maior parte do século passado, que não mais seriam vividas como vetores de liberdade. A reconstrução da sociedade civil, espaço de mediação entre indivíduo e Estado, é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva. No variado espectro do liberalismo, há gente disposta a experimentar formas inovadoras de mudança e recriação da vida social. E, felizmente, o mesmo pode ser dito dos socialistas que não se curvaram ao canto das sereias populistas e à sua recorrente desconfiança dos procedimentos democráticos. Fazer com que aqui e ali, e ainda que aos poucos, se estabeleçam nexos entre essas duas grandes áreas político-culturais é um objetivo permanente, não uma tática para circunstâncias críticas. O motor de tal convergência é a constatação de que, no presente “interregno”, o frenesi hiperpolítico e a pobreza institucional formam terreno propício para a recomposição dos poderes fortes e a afirmação dos homens providenciais. Tais processos negativos – é dispensável dizer – constituem o núcleo dos sintomas mórbidos que vêm corroendo por dentro as modernas democracias e o sistema de liberdades que lutas seculares nelas inscreveram. *Tradutor e ensaísta, é coeditor das obras de Gramsci no Brasil Aracy Côrtes - VERDE E AMARELO - samba de Orestes Barbosa e J Thomaz. Gravação de 1932. Verde e Amarelo - Brazilian Patriotic Song Sam! 10 de jul. de 2020 I'm not in a good mood to post anything today, but... here... Music composed in 1932 performed by Aracy Cortes, signs of a new time. To accentuate the Nationalist atmosphere in this song, it is interspersed with chords from the National Anthem. In the following verses: “Nesta terra de Palmeiras Onde canta o sabiá As almas das brasileiras São da flor do resedá, nothing is casual about it: the finish recalls the yellow color of the resedá flower.
domingo, 23 de agosto de 2026 Mesmo ausentes, Lula e Flávio são os protagonistas do debate na tevê, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Flávio condicionou sua presença à participação de Lula, porque perderia a oportunidade de confrontar diretamente o principal adversário e seria alvo de Caiado, Zema e Renan O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, marcado para hoje, às 20h, na Band, terá dois protagonistas invisíveis: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), representante do PL. Os líderes das pesquisas decidiram não comparecer, deixando o palco para Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A ausência expressa o cálculo político de ambos: evitar desgastes, reduzir o risco de surpresas e manter a disputa confinada à polarização que interessa aos dois. A resistência dos favoritos aos debates não começou agora. Em 1989, Fernando Collor evitou os confrontos do primeiro turno e apareceu somente nos dois encontros finais com Lula. O segundo debate ficou marcado pela controvérsia sobre a edição exibida no “Jornal Nacional”, episódio que expôs a influência da tevê sobre a percepção dos candidatos. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso recusou-se a participar dos debates, que acabaram não acontecendo, e venceu a eleição no primeiro turno. Em 2006, Lula também se ausentou dos encontros iniciais, comparecendo apenas no segundo turno, contra Geraldo Alckmin. Em 2018, Jair Bolsonaro participou dos primeiros debates, mas ficou afastado depois do atentado sofrido durante a campanha e não enfrentou Fernando Haddad na etapa final. Já em 2022, Lula e Bolsonaro participaram de confrontos televisionados, marcados pela intensidade da polarização. Os números do Datafolha divulgados na sexta-feira corroboram a decisão. Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Caiado registra 5%; Renan Santos, 4%; Zema, 3%; e Cury, 2%. Num eventual segundo turno, o presidente soma 47%, diante de 43% do principal adversário. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Lula mantém a dianteira, mas enfrenta uma disputa apertada, que pode transformar qualquer episódio inesperado em ameaça real à sua posição. Para Lula, preservar a liderança significa conservar a expectativa de poder, que atrai alianças, financia mobilizações políticas, estimula apoiadores e mantêm palanques estaduais organizados. Uma eventual ultrapassagem de Flávio, ainda que estatisticamente limitada, pode ser desastrosa, maior do que os próprios números, abrindo espaço para deserções, hesitações no centro e mudanças na percepção de quem reúne condições reais de vencer. Novas denúncias contra seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deixaram o petista na defensiva. Num debate com adversários à direita, seria o alvo principal de questionamentos sobre denúncias relacionadas ao INSS, investigações envolvendo pessoas do seu entorno político, dificuldades econômicas e o desgaste natural do governo. Em termos práticos, sua ausência evita exposição a vários ataques. Mas isso não significa que deixarão de existir. Congelamento Flávio condicionou sua presença à participação de Lula, porque perderia a oportunidade de confrontar diretamente seu principal adversário e seria alvo de Caiado, Zema e Renan, candidatos que disputam o eleitorado conservador, com objetivo de chegar ao segundo turno em seu lugar. Teria de responder a questionamentos sobre seu histórico político, suas relações com personagens investigados e o legado do bolsonarismo, enquanto seus concorrentes se apresentariam como uma direita menos vulnerável e mais confiável. Em eventual segundo turno, Flávio recebe votos de apenas parte do eleitorado dos demais candidatos à direita: 60% dos apoiadores de Zema, 54% dos eleitores de Caiado e 48% dos que preferem Renan. Confrontá-los diretamente poderia dificultar a reunião dessas forças na etapa seguinte. Sua prioridade é se apresentar como o único adversário viável contra Lula e esvaziar uma alternativa de centro-direita ou antissistema. Lula quer impedir que Flávio o ultrapasse e evitar que outro concorrente cresça a ponto de reorganizar a disputa. Flávio pretende consolidar sua condição de representante principal da oposição, bloqueando qualquer movimento de substituição dentro do campo conservador. Formam, assim, uma espécie de muralha na qual eles disputam a liderança na parte de dentro e os demais candidatos ficam do lado de fora. Mas essa tática pode resultar num cerco perigoso. Segundo o Datafolha, 72% dos eleitores afirmam estar decididos, enquanto 27% admitem mudar de voto. Entre os apoiadores de Lula, 82% se dizem convictos; entre os de Flávio, 78%. Há ainda 30% que declaram votar principalmente para impedir a vitória de outro candidato, ou seja, são eleitores voláteis, suscetíveis a acontecimentos novos, desempenho em debates e mudanças no ambiente político. Portanto, a segmentação do eleitorado ajuda a explicar a cautela. Num eventual segundo turno, Lula lidera entre as mulheres, por 51% a 38%; entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, por 55% a 35%; e no Nordeste, por 61% a 30%. Flávio predomina entre evangélicos, por 62% a 29%; e entre eleitores de renda mais alta. No Sudeste, região decisiva pelo tamanho do eleitorado, há empate técnico. O mau desempenho no debate poderia tornar-se uma armadilha, capaz de alterar percepções nesses segmentos e modificar o equilíbrio da disputa. A Tua Presença Morena Maria Bethânia - Tema
“Até o último homem” é bom, mas não é filme de Oscar João Paulo Lopes Tito 04 fevereiro 2017 às 10h03 Com uma violência que funciona praticamente como personagem autônomo, o longa, que marca o retorno de Mel Gibson à direção, foi salvo por Andrew Garfield A frase "ao soldado humílimo são defesos os planos do General" faz parte da mensagem espiritual "Plataforma do Mestre", psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier através do espírito Emmanuel, e publicada no livro Vinha de Luz. Vinha de luz — Emmanuel 174
Plataforma do Mestre Tema principal “Ele salvará seu povo dos pecados deles.” — (MATEUS, 1.21) 1 Em verdade, há dois mil anos, o povo acreditava que Jesus seria um comandante revolucionário, como tantos outros, a desvelar-se por reivindicações políticas, à custa da morte, do suor e das lágrimas de muita gente. 2 Ainda hoje, vemos grupos compactos de homens indisciplinados que, administrando ou obedecendo, se reportam ao Cristo, interpretando-o qual se fora patrono de rebeliões individuais, sedento de guerra civil. 3 Entretanto, do Evangelho não transparece qualquer programa nesse sentido. 4 Que Jesus é o Divino Governador do Planeta não podemos duvidar. O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General. 5 A Boa Nova, todavia, é muito clara, quanto à primeira plataforma do Mestre dos Mestres. Ele não apresentava títulos de reformador dos hábitos políticos, viciados pelas más inclinações de governadores e governados de todos os tempos. 6 Anunciou-nos a celeste revelação que Ele viria salvar-nos de nossos próprios pecados, libertar-nos da cadeia de nossos próprios erros, afastando-nos do egoísmo e do orgulho que ainda legislam para o nosso mundo consciencial. 7 Achamo-nos, até hoje, em simples fase de começo de apostolado evangélico — Cristo libertando o homem das chagas de si mesmo, para que o homem limpo consiga purificar o mundo. 8 O reino individual que puder aceitar o serviço liberatório do Salvador encontrará a vida nova. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Sinopse: Um estudo com enfoque em questões como: que princípios deveriam reger as relações presentes dos militares com o Estado? Pode uma democracia desfrutar de segurança militar sem sacrificar as instituições políticas? Quais os efeitos da crescente influência militar americana desde a década de 1940? A sua reedição é uma importante contribuição aos debates, ainda atuais, sobre o papel do militar na sociedade.
O soldado absoluto Uma biografia do marechal Henrique Lott Autor: Wagner William Sinopse " Wagner William resgata a trajetória do Marechal que é um dos mais esquecidos personagens da história política brasileira do século XX.
O SOLDADO HUMÍLIMO E O GENERAL Uma leitura para o mundo da geopolítica de 2026 “O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General.” Leitura para o mundo da geopolítica de 2026 dos dizeres de um senador do Império Romano, tendo em mente as disputas e guerras entre potências novas em ascensão, tentando dominar a hegemonia do mundo, e o Império resistindo nesse interregno. A frase pode ser lida de maneira particularmente fértil à luz da geopolítica de 2026 — desde que se preserve a distância entre o sentido original e a aplicação contemporânea. A imagem central é a de uma assimetria entre o combatente e o comandante. O soldado vê apenas o setor do campo de batalha que lhe foi confiado; o general conhece — ou pretende conhecer — o desenho maior da campanha. Aplicada à ordem internacional, a frase sugere uma postura de humildade epistemológica diante de um mundo em transição hegemônica: os atores que hoje disputam territórios, rotas, mercados, tecnologias e alianças talvez estejam participando de uma transformação histórica cujo resultado nenhum deles consegue enxergar integralmente. 1. O “mundo redimido” como uma ordem ainda não revelada “O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos” contém uma ideia poderosa: a superação de uma ordem antiga não determina automaticamente a forma da ordem nova. Isso se encaixa muito bem no atual interregno. A ordem construída sob predominância norte-americana depois de 1945 — e especialmente depois de 1991 — não desapareceu, mas tampouco possui a mesma capacidade de organizar o sistema internacional sem contestação. Ao mesmo tempo, a ascensão de China, Índia e outras potências, a recuperação estratégica da Rússia, a autonomia crescente de potências regionais e a maior capacidade de barganha do chamado Sul Global não significam que exista simplesmente um “novo império” pronto para substituir o anterior. Estamos diante de algo mais interessante: a antiga hegemonia ainda possui enorme poder, enquanto as forças capazes de modificá-la ainda não produziram uma nova arquitetura internacional. É precisamente aí que surge o interregno. 2. O “General” e o problema da hegemonia Se transportarmos a metáfora para 2026, o “General” poderia representar a força histórica que produz a transformação do sistema, e não necessariamente uma pessoa ou Estado específico. Os Estados Unidos continuam possuindo atributos extraordinários de poder: capacidade militar global, centralidade financeira, alianças, tecnologia, instituições e enorme capacidade de projeção. Mas enfrentam uma realidade diferente daquela do imediato pós-Guerra Fria. A China, por sua vez, não é simplesmente uma potência revisionista clássica. Ela está construindo capacidades econômicas, industriais, tecnológicas, financeiras e militares que permitem disputar partes fundamentais da ordem mundial. O ponto essencial é que nenhum desses movimentos garante antecipadamente quem será o “General” da próxima ordem. Pode haver uma hegemonia chinesa? Pode haver uma renovação da primazia americana? Pode haver uma bipolaridade? Pode consolidar-se uma multipolaridade competitiva? Ou pode simplesmente surgir uma ordem mais fragmentada, em que diferentes potências dominem diferentes dimensões do sistema? A frase romana é interessante justamente porque se recusa a fingir que o soldado sabe a resposta. 3. O soldado humílimo como metáfora dos Estados “O soldado humílimo” pode representar, no mundo contemporâneo, os próprios Estados e seus dirigentes, inclusive os mais poderosos. Os Estados Unidos formulam estratégias de contenção. Pequim formula estratégias de longo prazo. Moscou procura recuperar profundidade estratégica. Índia procura ampliar sua autonomia. Países europeus tentam reconstruir capacidade própria. Potências médias procuram não ficar subordinadas a nenhum dos grandes polos. Cada um age racionalmente segundo seus interesses. Mas existe um paradoxo: a soma das estratégias nacionais pode produzir um resultado que nenhum dos estrategistas pretendia. É talvez a melhor leitura geopolítica da frase. 4. As guerras como sintomas do interregno Sob essa interpretação, as guerras contemporâneas não precisam ser entendidas apenas como conflitos isolados. Elas podem ser vistas como zonas de fricção de uma transformação sistêmica. A guerra na Ucrânia, as tensões no Indo-Pacífico, a competição tecnológica sino-americana, as disputas pelo controle de cadeias produtivas, energia, semicondutores, inteligência artificial, rotas marítimas e minerais estratégicos têm uma característica comum: poder militar, poder econômico e poder tecnológico estão novamente se fundindo. A guerra deixa de ser apenas uma questão de fronteiras. Passa a ser também uma disputa pela arquitetura da ordem internacional. Nesse sentido, o “Império resistindo” não precisa ser entendido literalmente como Roma. Ele pode representar uma potência hegemônica que, diante da ascensão de competidores, procura preservar as estruturas que sustentam sua primazia. E aqui aparece uma diferença importante: impérios em declínio não necessariamente caem rapidamente. Às vezes, a fase mais perigosa começa justamente quando o império ainda é extremamente poderoso, mas percebe que sua superioridade relativa já não é garantida. 5. O verdadeiro significado do “interregno” Há uma formulação famosa de Antonio Gramsci que ajuda a iluminar essa situação: “o velho está morrendo e o novo não pode nascer”. O intervalo entre ambos produz fenômenos particularmente perigosos. A frase romana oferece uma espécie de contraponto espiritual a essa ideia. Gramsci pergunta: o que acontece quando a velha ordem perde sua capacidade de organizar o mundo e a nova ainda não nasceu? A frase do senador responde, em outro registro: não sabemos o que virá depois. E essa incerteza não é fraqueza intelectual. É reconhecimento da escala histórica do processo. 6. A grande ironia de 2026 Talvez a leitura mais profunda seja esta: as grandes potências atuais podem estar lutando desesperadamente por uma ordem que nenhuma delas será capaz de controlar completamente. Os Estados Unidos podem tentar preservar a primazia. A China pode tentar estabelecer uma esfera de influência cada vez maior. A Rússia pode procurar impedir uma expansão estratégica que considera ameaçadora. A Índia pode buscar tornar-se um polo independente. A Europa pode procurar preservar autonomia. Países do Oriente Médio, África, América Latina e Sudeste Asiático podem explorar a rivalidade entre os grandes para ampliar sua margem de manobra. Mas o resultado final pode ser algo que não corresponde integralmente ao projeto de nenhum deles. É exatamente aí que a metáfora do soldado se torna extraordinariamente atual. 7. “São defesos os planos do General” Talvez esta seja a parte mais importante da frase. Ela não diz simplesmente: não sabemos o futuro. Ela diz algo mais forte: não nos é dado conhecer o plano inteiro enquanto estamos dentro da batalha. Para um analista de 2026, isso deveria funcionar como uma advertência contra três tentações. Primeira: declarar prematuramente o “fim do império americano”. Segunda: imaginar que a ascensão chinesa implica automaticamente uma substituição da hegemonia americana por uma hegemonia chinesa. Terceira: acreditar que as guerras atualmente em curso necessariamente produzirão a ordem desejada por qualquer uma das grandes potências. Talvez nenhuma dessas previsões esteja correta. 8. A leitura romana aplicada ao século XXI Há, portanto, uma espécie de estrutura paralela: Roma Geopolítica contemporânea Império Ordem internacional dominante Povos e potências em disputa Potências ascendentes e revisionistas General Dinâmica histórica maior que as estratégias individuais Soldado Estado, governo ou sociedade que atua no campo Batalha Guerras e disputas estratégicas atuais Mundo redimido Ordem internacional que surgirá do processo “Não sabemos” Incerteza estrutural do interregno E existe uma conclusão particularmente romana nisso tudo. Um império pode sobreviver às suas guerras e ainda assim perder o mundo que essas guerras pretendiam preservar. Da mesma maneira, uma potência ascendente pode vencer batalhas decisivas e ainda descobrir que a ordem resultante não é aquela que imaginava construir. Por isso, para 2026, eu leria a sentença não como uma profecia sobre quem vencerá, mas como uma advertência sobre a nossa incapacidade de enxergar o desenho completo enquanto participamos da transformação. O soldado vê a batalha. O Estado vê sua estratégia. A potência vê seu século. Mas a História vê algo maior. E talvez seja justamente essa a força da frase: no meio de um interregno, todos os protagonistas acreditam estar construindo o futuro — quando talvez estejam apenas fornecendo, sem saber, os materiais com que outro mundo será construído.
sábado, 22 de agosto de 2026 O que Odisseu pode ensinar ao liberalismo, por Fareed Zakaria* O Estado de S. Paulo Desafio é preservar dignidade humana enquanto recuperamos nossa capacidade de ambição heroica As nações ocidentais nos séculos 19 e 20 foram, em sua época, as sociedades mais liberais da história Finalmente fui assistir ao novo filme de Christopher Nolan, A Odisseia, para curtir um grande sucesso de bilheteria – e ele superou todas as expectativas. Não tinha a intenção de comentar as várias polêmicas em torno do filme, desde as críticas de que ele é “woke” até as alegações de que é historicamente impreciso (pelo amor de Deus, trata-se de uma história de quase 3 mil anos repleta de deuses e deusas, gigantes caolhos e magia!). Mas o comentário de Ezra Klein sobre o filme me levou a refletir sobre as questões mais amplas que ele levanta, as quais me parecem interessantes e importantes. Klein argumenta que, embora a crítica à Odisséia de Nolan como sendo “woke” – por ter escalado uma atriz negra para o papel de Helena – seja trivial e superficial, o filme é liberal em um sentido mais profundo. Nolan substitui fundamentalmente a moralidade do mundo antigo – em que a conquista e a vitória eram celebradas sem pudor – por uma moralidade mais matizada. Enquanto o Odisseu de Homero era constantemente elogiado por suas artimanhas inteligentes e astutas, o Odisseu de Nolan é assombrado pelas devastações da guerra e por seu próprio ardil, que esteve no centro da vitória: o cavalo de Troia. A partir do cristianismo, o Ocidente substituiu gradualmente a ética pagã da conquista e dominação descaradas por uma centrada na dignidade humana universal, na compaixão e na empatia. “Bemaventurados os mansos, porque herdarão a terra”, diz o Evangelho segundo Mateus – palavras que nenhum herói homérico jamais proferiria. HUMANIDADE. Os valores précristãos estão voltando à tona atualmente, à medida que a direita populista, muitas vezes acompanhada por um novo grupo de bilionários do setor de tecnologia, olha para trás com admiração para um mundo antigo em que força, dominação e vitória eram mais importantes do que empatia e igualdade. Para Donald Trump, “vencer” é tudo o que importa, justificando todos os meios. Ele usa essa palavra incessantemente. Em entrevista ao programa 60 Minutes, em 2018, quando questionado sobre seus comentários depreciativos a Christine Blasey Ford, a mulher que acusou Brett Kavanaugh de agressão sexual, Trump disse simplesmente: “Não importa. Nós vencemos.” Em seu livro Suicidal Empathy, Gad Saad – um dos escritores favoritos de Elon Musk – argumenta que o Ocidente está em declínio porque se preocupa demais com muitas pessoas: os marginalizados, as minorias e até mesmo seus inimigos. De fato, a maior conquista moral do Ocidente nos últimos dois milênios, e especialmente desde o Iluminismo, tem sido a ampliação do círculo de pessoas consideradas plenamente humanas, com igual dignidade e direitos iguais. Passamos a reconhecer a humanidade de pessoas antes rejeitadas como escravos, servos e cidadãos de segunda classe – estrangeiros, mulheres, minorias raciais, pessoas com orientações sexuais diferentes. Essas ideias se espalharam pelo mundo porque são, nas palavras da Declaração da Independência dos EUA, “evidentes por si mesmas”. Essa é uma das maiores conquistas do Ocidente, não uma doença decadente. Mas há uma crítica séria enterrada por trás dos ataques grosseiros do movimento trumpista. É uma crítica que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche formulou e está sendo retomada por alguns dos “tech bros” de hoje. Nietzsche temia que as ideias igualitárias do cristianismo nos tornassem menos propensos a ser extremamente ambiciosos, ávidos por riscos e temerários. Será que nos tornamos tão humanos a ponto de termos perdido os impulsos primitivos que nos tornavam heroicos? Não devemos romantizar civilizações construídas sobre sangue, violência e conquista simplesmente porque geraram heróis. Mas elas construíram mais do que isso. As pirâmides, as catedrais góticas, as viagens de descoberta, a Revolução Industrial – tudo isso surgiu de sociedades movidas pela ambição, pela confiança e pela disposição para o sacrifício. Muitas vezes, elas vinham acompanhadas de hierarquia e de um foco obstinado na grandeza. Parte do apelo do populismo hoje reside menos em políticas específicas do que na promessa de restaurar a grandeza nacional – de construir, de alcançar, de vencer. Mas será que precisamos escolher entre grandeza e bondade? Afinal, as nações ocidentais nos séculos 19 e 20 foram, em sua época, as sociedades mais liberais da história da humanidade. E elas não eram nada tímidas. Construíram ferrovias atravessando continentes, aboliram a escravidão, industrializaram o mundo, criaram a bomba atômica, reconstruíram a Europa e o Japão, levaram o homem à Lua e criaram a internet. Pense nos EUA de meados do século 20, o país que criou o moderno Estado de bem-estar social, derrotou o fascismo, construiu rodovias e aeroportos, combateu o comunismo e começou a desmantelar o legado da escravidão. Essas foram civilizações de imensa ambição. ROOSEVELT. Os liberais não devem se desculpar por acreditarem que todo ser humano possui igual dignidade. As grandes democracias liberais do mundo conseguiram ampliar nosso universo moral ao mesmo tempo que expandiram nosso universo físico. O desafio é recuperar essa tradição liberal mais antiga. Esse espírito será extremamente necessário à medida que desenvolvemos o que talvez seja a tecnologia mais transformadora de todos os tempos, a inteligência artificial, pois precisaremos garantir que seu incrível poder esteja enraizado em um sistema de ética e valores que valorize a dignidade humana e a igualdade – exatamente os valores que o cristianismo foi pioneiro em defender e o Ocidente fortaleceu de forma tão poderosa. Não precisamos voltar a Homero. Recuperar o espírito de Franklin Roosevelt já seria suficiente. *É colunista do ‘Washington Post’
domingo, 23 de agosto de 2026 A barbárie que une García Lorca, Victor Jara e Honestino, por Dorrit Harazim O Globo É sempre melhor quando a Justiça redemocratizada se alia à História, claro. Mesmo que tardiamente Três gerações depois do sombrio 18 de agosto de 1936, ainda é proibido esquecer. Passaram 90 anos desde o fuzilamento do poeta Federico García Lorca por falangistas de Granada. Seu corpo nunca foi encontrado. Segunda-feira passada, dia 17, a homenagem mais vibrante e desempoeirada ocorreu nas ruas de Madri, quando uma ruidosa centena de jovens artistas emergiu do Palácio de Velázquez carregando (com autorização do Ministério da Igualdade) uma pequena estátua de Lorca sorridente. Num misto de “procissão laica” com flashmob a que foram se juntando cidadãos comuns, o cortejo seguiu até a Plaza de Santa Ana, no Barrio de las Letras. Ali, cantaram, declamaram e dançaram aos pés da estátua oficial, em bronze e tamanho natural, do cultuado dramaturgo de “La Casa de Bernarda Alba”. Uma imensa faixa com a conhecida estrofe de um poema de Lorca fez parte do cortejo: Quiero dormir un rato,/Um rato, un minuto, un siglo;/pero que todos sepan que no he muerto. Recapitulando. Ao arrepio da ascensão do nazismo na Alemanha e do fascismo na Itália, o ano de 1936 começara na Espanha com a vitória eleitoral de uma Frente Popular que reuniu socialistas, comunistas, anarquistas e organizações operárias. Ficaram no poder por pouco tempo — menos de quatro meses. Em julho daquele ano, a efêmera República foi derrubada. A Guerra Civil de três anos que se seguiu, cujo horror foi imortalizado por Picasso em “Guernica”, causou a morte direta de cerca de 500 mil pessoas. A ditadura de Franco durou 36 anos, sua teia de cicatrizes ainda lateja, e a Espanha até hoje não conseguiu enterrar boa parte daqueles mortos. Lorca foi preso e assassinado logo no primeiro mês, apesar de não ser filiado a nenhum partido de esquerda. As acusações contra ele, extraídas dos arquivos públicos, dizem o essencial: — Se ignora sua filiação política, mas sua ideologia é francamente esquerdista [...] publicou várias poesias negando a existência de Deus [...] Conceitualização de sua vida privada: un invertido (homossexual). Foi esse o pecado capital do cultuado poeta nacional que, à época do fuzilamento, tinha 38 anos e se preparava para assumir uma relação com um jovem de 19. O paradeiro exato de seu corpo continua desconhecido, apesar das periódicas escavações nas montanhas entre Viznar e Alfacar, salpicadas de valas comuns do horror falangista. Mesmo decorrido quase um século, é proibido esquecer. À falta de justiça, cabe à memória atravessar o tempo para alcançar novas gerações. É sempre melhor quando a Justiça redemocratizada se alia à História, claro. Mesmo que tardiamente. Semanas atrás foi noticiada a captura do coronel reformado Nelson Haase Mazzei, um dos oito militares chilenos responsáveis pela morte sob tortura do cantor Victor Jara, 53 anos atrás. Haase integrava a notória Brigada Tejas Verdes quando os militares derrubaram o governo socialista de Salvador Allende, em 1973, inaugurando uma das ditaduras mais hediondas do hemisfério. Logo nos primeiros dias do golpe, o músico-ícone de 40 anos foi preso e submetido a torturas no Estádio de Chile (hoje rebatizado de Estádio Victor Jara). Seu corpo foi encontrado perto do principal cemitério de Santiago, com 44 perfurações de balas. Tinha as duas mãos quebradas e o crânio esmagado. A bailarina britânica e ativista Joan Jara, viúva do cantor, morreu aos 96 anos, em 2023, sem ter podido presenciar esse ato final de justiça. Haase Mazzei, de 80 anos, havia conseguido fugir para o sul do país após ser condenado a 25 anos de prisão em 2023 com os demais implicados. Um deles, Hernán Chacón, suicidou-se aos 86 anos quando a polícia foi prendê-lo em sua residência. Outro, Pedro Barrientos, havia fugido para os Estados Unidos, onde viveu por 34 anos até ser extraditado e preso três anos atrás. Sua sentença será proferida em dezembro de acordo com o Código Penal chileno específico para os 17 anos de crimes da ditadura militar. E o brasileiro Honestino? O estudante de geologia da UnB, militante da Ação Popular e líder da União Nacional dos Estudantes do Distrito Federal, tinha 26 anos em 1973 quando foi assassinado e “desaparecido” pelos órgãos da repressão militar brasileira. Foi “sumido” há 53 anos, portanto, com graus de crueldade não incomuns numa ditadura. No segundo mês sem notícias do filho, a mãe ouviu de militares que ele estava preso no Pelotão de Investigações Criminais da capital, ela poderia visitá-lo no dia de Natal. Família e amigos prepararam bolos, guloseimas. A mãe esperou seis horas em vão. Segundo depoimento do sobrinho de Honestino à Agência Brasil, “levaram-na para uma cela que estava cheia de sangue e disseram que o preso não estava mais lá”. Por que falar de Honestino agora? Porque é preciso. Porque no Brasil, ao contrário do Chile e da Argentina, os crimes da repressão militar foram anistiados. Porque a cinebiografia “Honestino” está em cartaz nos cinemas do país, e é desalentador ver apenas três cidadãs idosas numa das sessões. Porque o filme e o caso dos desaparecidos deveriam estar nas televisões e em sessões grátis nas universidades. Porque já são duas as gerações de brasileiros que podem ter esquecido. Porque dependemos da memória dos ainda vivos. Entre o poeta, o músico e o estudante, o denominador comum foi a barbárie. Αbertura Avenida Brasil (Oi oi oi) “O acadêmico da ABL propôs que a IA, assim como o IO, fossem substituídos pela II do Intangível; IM do Mágico: o que não tem resposta, nem nunca terá. AI, IO, IO, IO 🎼.” Linda Flor Yaya Araci Cortes Ai! Yoyô Eu nasci pra sofrê Fui oiá pra você Meus olhinho fechou! E, quando os olho eu abri Quis gritá, quis fugi Mais você, Eu não sei porque Você me chamou. Ai! Yoyô Tenha pena de mim Meu Sinhô do Bonfim Pode inté se zangá Se ele um dia soubé Que você é que é O Yoyô de Yayá! Chorei toda a noite, pensei Nos beijos de amô que eu te dei Yoyô, meu benzinho do meu coração Me leva pra casa! Me deixa mais não. Composição: Henrique Vogeler, Marques Porto, Luiz Peixoto.
Como dilapidar uma superpotência Por O Estado de S. Paulo Em poucos dias, Trump maltratou aliados e cortejou inimigos, arruinando de vez a capacidade dos EUA de converter sua superioridade militar e econômica em poder de fato O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã, um aliado dos americanos, no momento em que precisa do sultanato para mediar uma saída da guerra contra o Irã. Na Ásia, Trump reduziu a participação americana em exercícios militares com a aliada Coreia do Sul enquanto corteja o ditador norte-coreano Kim Jong-un, que recebeu prestígio sem entregar seu arsenal nuclear. Em poucos dias, para resumir, o presidente americano investiu contra um mediador de que necessita, enfraqueceu um aliado que o fortalece e afagou um adversário que não cede. Foi um capítulo especial da tragicômica série estrelada por Trump na qual ele, em um par de anos, arruína a política externa americana laboriosamente construída por seus antecessores ao longo de décadas. Os EUA dispõem das Forças Armadas mais poderosas, do mercado mais cobiçado e da moeda vital do planeta. Sua influência, porém, extrapola a soma desses recursos. Aliados oferecem bases e inteligência, e compromissos previsíveis os levam a correr riscos por Washington. Por décadas, essa rede permitiu transformar superioridade material em resultados políticos sem impor obediência a cada passo. Trump explora esse patrimônio como reserva para liquidação imediata. Alianças viram faturas, e dependência, ocasião para chantagem. As negociações servem de palco para vitórias pessoais. O método arranca concessões momentâneas, mas ensina cada interlocutor a reduzir a exposição à próxima ameaça. O ganho aparece no anúncio; o custo se acumula fora das câmeras. A ascensão da China, o cansaço com guerras prolongadas e a frustração com aliados alimentaram entre os americanos uma demanda legítima por prioridades mais claras. Trump respondeu à ansiedade de uma superpotência que teme perder posição com uma política de performance e humilhação. Sua necessidade patológica de exibir domínio oferece aos autocratas uma chave conveniente: deferência pessoal vale mais na Casa Branca que reciprocidade verificável. Trump tinha razão ao exigir que europeus gastassem mais na própria defesa, e sua pressão ajudou a produzir esse resultado. Uma Europa mais capaz, integrada a uma estratégia comum, repartiria o peso da segurança ocidental. Mas uma Europa que se arma por temer o abandono constrói uma apólice contra Washington. A distinção vale no Pacífico. Os exercícios com Seul compram prontidão e dissuasão. Reduzi-los para punir o aliado barateia a presença americana e debilita a defesa que evita custos maiores. Os adversários tomam nota. Pequim passou anos mapeando gargalos comerciais e tecnológicos, preparou instrumentos de retaliação e aprendeu a explorar a ansiedade de Trump por troféus. Pode oferecer compras, tréguas ou um retorno tático ao ponto de partida, permitindo que Trump anuncie triunfos enquanto usa a pausa para minimizar vulnerabilidades. A imprevisibilidade ainda intimida alvos frágeis. Repetida como método, revela os limites que pretendia ocultar. A guerra contra o Irã expõe a mesma distância entre força e resultado. Os EUA podem destruir instalações e infligir danos devastadores. Ainda assim, não controlam o compasso do conflito: ele depende da reação de Teerã, da vulnerabilidade de Ormuz e da disposição dos países do Golfo de ajudá-lo. Cada rodada militar estreita as opções de saída. Ameaçar Omã equivale a chutar a porta por onde se pretende escapar. Os efeitos se acumulam à medida que aliados diversificam parcerias, alvos das tarifas reorganizam cadeias produtivas e mediadores evitam riscos. Os rivais testam os limites já revelados. Pequim não precisa substituir Washington para lucrar. Basta que os parceiros dos EUA confiem menos neles e que a China já não pareça a única grande potência da qual é prudente se proteger. Washington continuará capaz de sancionar, bombardear e obter concessões. À medida que sua liderança perde legitimidade, porém, precisa recorrer mais à coerção em troca de cooperação. A ordem resultante será mais armada e fragmentada, com menos espaço para os EUA e mais oportunidades para seus rivais. Essa degradação é tanto mais trágica quanto é desnecessária. Nenhum rival poderia arrancar facilmente dos EUA sua rede de alianças e a confiança acumulada durante gerações. Trump faz esse trabalho por eles.
A maior proeza de Lula 3.0 "Numa entrevista à repórter Bela Megale, o brigadeiro disse que, durante a fervura, ele advertiu Bolsonaro: “Presidente, olha aqui o que está acontecendo. Depois de tudo isso, quem vai levar toda essa carga são as Forças Armadas”. Bingo. Pelo comportamento de Bolsonaro, o golpismo estava deslizando para o colo dos militares. Baptista Junior reconheceu que essa incerteza teve um preço: “As Forças perderam confiabilidade, talvez seja essa palavra”. Não é. A palavra é confiança. Felizmente a desconfiança durou pouco, graças a atitudes como a de Baptista Junior, Lula está no Planalto e 23 notáveis da trama estão presos, inclusive Bolsonaro. Pode-se achar que o governo de Lula não tem marca, mas ter retirado as Força Armadas da frigideira foi sua maior proeza, o que não é pouca coisa."

Porque, nas Arcadas, até a ironia precisava ter educação.

ELIANA CALMON, EX-MINISTRA DO STJ E CNJ RESPONDE: "E o professor Calmon de Passos lembrava sempre uma fala (frase) dita por um baiano - um político baiano, chamado João Mangabeira que estava para (eu até pensava que a frase era dele mesmo) do João Mangabeira, mas depois eu fui estudar e verifiquei, e ele falou o que Rui Barbosa disse: "olha, em toda a República, o poder que mais faltou a essa República foi o Poder Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal". Isso foi dito por Rui Barboa, né? E eu achei aquilo muito interessante à época. Mas faltou como? Casos isolados que podem ser ditos faltou à República.Mas quando nós vamos examinar o que foi o Supremo, que teve os seus erros, teve os seus equívocos, naturalmente, nós vamos encontrar pessoas que se mantiveram uma postura exemplar, sempre. Eu, levei muitos anos acreditando piamente nisso.Eu olhava para um minstro do Supremo. E eu baixava a cabeça. Eu reverenciava.E eu não sou assim tão humilde.Para entender e referenciar uma autoridade. Eu reverenciava aquele homem que pelo seu poder, pela sua discreção era possível referenciar. De forma que este era o sentidmento da Nação, com relação ao Supremo Tribunal Federal." https://x.com/Elisabete212046/status/2090129115244347754?s=48 https://x.com/Elisabete212046/status/2090129115244347754/photo/1 'Ministros do STF concentraram todo o poder do Judiciário', adverte Eliana Calmon
Relato de Belisário dos Santos Júnior (Visão do Aluno) A data marcante: O autor completou 20 anos no exato dia da ocupação, quando cursava o 3º ano da Faculdade de Direito.A senha da invasão: A senha para o início da ação foi a encenação de textos de Joana D'Arc pelo grupo de jograis "Segréis das Arcadas" na Aclimação.Ocupação pacífica: A entrada no prédio ocorreu perto da meia-noite, vinda do XI de Agosto, realizada apenas com escalada e destreza, sem danos ao patrimônio histórico.Espaço de reflexão: Durante um mês, o local virou um espaço de debates sobre a nova Universidade, reunindo alunos, filósofos e professores.Consequências políticas: Apesar da posterior desocupação policial e de processos administrativos (que acabaram arquivados), o ato gerou um movimento estudantil forte e vitorioso nas eleições acadêmicas seguintes.Relato de José Ignácio Botelho de Mesquita (Visão do Professor)O impacto do evento: Compara a ocupação a um tsunami sobre um dos símbolos mais venerados de São Paulo, algo impensável e impactante para a época.As motivações estudantis: Destaca que, influenciados pelo maio de 1968 na França, os alunos buscavam o fim dos defeitos do ensino jurídico, protestavam contra a ditadura militar e exigiam uma gestão paritária na Congregação.Divisão no corpo docente: A reação autoritária da Congregação (que pediu a reintegração de posse) dividiu os professores entre a minoria que apoiava as demandas e a maioria alinhada aos métodos da ditadura.Perseguição ideológica: Relata que qualquer opositor ao regime era falsamente tachado de comunista, mencionando o professor Alberto da Rocha Barros, que sofreu represálias do grupo extremista CCC por dar aulas aos alunos ocupantes.Importância da memória: Enfatiza que a história precisa ser contada porque houve uma forte pressão de setores poderosos para que esses fatos fossem esquecidos e sepultados. https://www.migalhas.com.br/quentes/63203/quarenta-anos-da-ocupacao-das-arcadas
wirapaye 16 sem Muito antes de 1500 e de qualquer contato europeu, a Amazônia era ocupada por sociedades indígenas numerosas e organizadas em larga escala. https://www.instagram.com/reel/DXkaPAGEWlx/
Esquete — “Discreção nas Arcadas” Cenário: uma sala austera do Supremo. Duas capas pretas sobre as cadeiras. De um lado, o NOVIÇO, ministro jovem, elétrico, satisfeito consigo mesmo. Do outro, o DECANO APOSENTADO, seu antigo professor nas Arcadas de São Francisco. Sobre a mesa, um exemplar da Constituição de 1988 e outro de Rui Barbosa. NOVIÇO: Professor, o senhor há de concordar comigo: discreção não existe. O correto é discrição. E convenhamos: usar “discreção” para falar do Supremo é um tanto... pitoresco. DECANO: Meu caro, Vossa Excelência descobriu a ortografia. É um começo. Só não a confunda com a História. NOVIÇO: Mas a senhora ex-ministra falou em “discreção”! Uma jurista daquele porte! DECANO: Justamente. E Vossa Excelência, que tanto aprecia o mérito, poderia começar praticando o seu. NOVIÇO: O senhor está dizendo que “discreção” está correto? DECANO: Estou dizendo que o mundo é um pouco maior que o seu dicionário de bolso. NOVIÇO: Mas, professor... DECANO: “Discrição” pode ser reserva, prudência, compostura. Já a tradição jurídica conheceu “discreção” para designar o poder de decidir dentro da autoridade conferida pela lei — aquilo que hoje Vossa Excelência chama, com ar de descoberta científica, de poder discricionário. NOVIÇO: Então ela não estava necessariamente errada? DECANO: Não. Mas Vossa Excelência estava muito seguro de que ela estava. NOVIÇO: Eu apenas fiz uma brincadeira. DECANO: Ah, sim. A velha e respeitável instituição da brincadeira feita por quem ainda não estudou o assunto. NOVIÇO: O senhor está sendo severo. DECANO: Estou sendo professor. A severidade é apenas a forma mais econômica da pedagogia. NOVIÇO: E o cavalheirismo? Não vale nada nesta Corte? DECANO: Vale. Sobretudo quando se fala de uma senhora que já ocupou esta Corte e o Conselho Nacional de Justiça com trajetória acadêmica e jurídica que Vossa Excelência ainda está construindo. NOVIÇO: Então devo pedir desculpas? DECANO: Não necessariamente. Primeiro, faça algo mais difícil: leia. (Pausa. O NOVIÇO olha para Rui Barbosa.) NOVIÇO: E o que Rui Barbosa diria disso? DECANO: Provavelmente escreveria quarenta páginas para dizer o que eu lhe digo em quatro palavras. NOVIÇO: Quais? DECANO: Tenha discrição, rapaz. (O NOVIÇO sorri.) NOVIÇO: Ou... discreção? DECANO: Agora está aprendendo. (Silêncio. O DECANO fecha o livro.) DECANO: E não se esqueça de Nabuco. NOVIÇO: Por quê? DECANO: Porque, nas Arcadas, até a ironia precisava ter educação. (Luzes baixam.) FIM

sábado, 22 de agosto de 2026

A porta

A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. "Estaremos em Recife." Voltei Recife Capiba VOLTEI RECIFE Cotovia, um lindo poema de Manuel Bandeira — Voei ao Recife, no Cais Pousei na Rua da Aurora. — Aurora da minha vida Que os anos não trazem mais! Manuel Bandeira Cotovia — Alô, cotovia! Aonde voaste, Por onde andaste, Que saudades me deixaste? — Andei onde deu o vento. Onde foi meu pensamento Em sítios, que nunca viste, De um país que não existe . . . Voltei, te trouxe a alegria. — Muito contas, cotovia! E que outras terras distantes Visitaste? Dize ao triste. — Líbia ardente, Cítia fria, Europa, França, Bahia . . . — E esqueceste Pernambuco, Distraída? — Voei ao Recife, no Cais Pousei na Rua da Aurora. — Aurora da minha vida Que os anos não trazem mais! — Os anos não, nem os dias, Que isso cabe às cotovias. Meu bico é bem pequenino Para o bem que é deste mundo: Se enche com uma gota de água. Mas sei torcer o destino, Sei no espaço de um segundo Limpar o pesar mais fundo. Voei ao Recife, e dos longes Das distâncias, aonde alcança Só a asa da cotovia, — Do mais remoto e perempto Dos teus dias de criança Te trouxe a extinta esperança, Trouxe a perdida alegria.
“Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.” — (JOÃO, 10.7) 1 Não basta alcançar as qualidades da ovelha, quanto à mansidão e ternura, para atingir o Reino Divino. 2 É necessário que a ovelha reconheça a porta da redenção, com o discernimento imprescindível, e lhe guarde o rumo, despreocupando-se dos apelos de ordem inferior, a eclodirem das margens do caminho. 3 Daí concluirmos que a cordura, para ser vitoriosa, não dispensa a cautela na orientação a seguir. 4 Nem sempre a perda do rebanho decorre do ataque de feras, mas sim porque as ovelhas imprevidentes transpõem barreiras naturais, surdas à voz do pastor, ou cegas quanto às saídas justas, em demanda das pastagens que lhes competem. 5 Quantas são acometidas, de inesperado, pelo lobo terrível, porque, fascinadas pela verdura de pastos vizinhos, se desviam da estrada que lhes é própria, quebrando obstáculos para atender a destrutivos impulsos? 6 Assim acontece com os homens no curso da experiência. 7 Quantos Espíritos nobres hão perdido oportunidades preciosas pela própria imprudência? Senhores de admiráveis patrimônios, revelam-se, por vezes, arbitrários e caprichosos. 8 Na maioria das situações, copiam a ovelha virtuosa e útil que, após a conquista de vários títulos enobrecedores, esquece a porta a ser atingida e quebra as disciplinas benéficas e necessárias, para entregar-se ao lobo devorador. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 115 A porta Pão Nosso #115 - A porta NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 6 de jul. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Aqui está a transcrição integral do texto visível na imagem:
O enigma da lâmpada que funciona desde 1901 8 – ACENDE-SE A LÂMPADA DA DÚVIDA Depoimentos merecedores do mais alto conceito dão-nos conta do zelo religioso de Eurípedes, desde a meninice, quando exercia com muito respeito as funções de "coroinha", nos rituais da Paróquia local. Co-fundador da Irmandade de São Vicente de Paulo, deteve por alguns anos o cargo de secretário dessa congregação. O vigário da época era o Padre Manoel Rodrigues da Paixão – muito estimado por suas virtudes e chamado carinhosamente por seus paroquianos de "Nosso Padrinho Vigário". Eurípedes afinizava-se bem com o bondoso pároco, também pelas manifestações usuais de dinamismo realizador do jovem, na extensão dos serviços religiosos. Assíduo nos cultos e sincero nas convicções, que o ligavam à Igreja, sempre fora alvo da confiança do Senhor Vigário e de seus assistentes: Pe. Augusto Teodoro da Rocha Maia e Pe. Pedro Ludovico Santa Cruz. Estes últimos antigos professores de Eurípedes. Um episódio marcante veio abrir novos horizontes, no entendimento espiritual de Eurípedes. Corria o ano de 1903. [Texto no bilhete sobreposto]: Reserve um cantinho para a felicidade dentro de você. Deus quer que você seja feliz porforça própria. [Continuação do texto da página, parcialmente oculto pelo bilhete]: ... paterna para uma visita ao Pe. Pedro ... doro da Rocha Maia, que após alguns ... sentou-lhe um compêndio e, em tom ... católico fervoroso e amigo das boas ... s, cuidado! – não o passe adiante. A ... reja a seus adeptos. (25) ... de Eurípedes um exemplar da Bíblia. (25) V. Dicionário de Ciências Eclesiásticas e Catholic Encyclopedia – art. Bíblia e G.P. Fischer, The Reformation, cap. 15, (ed. de 1873, págs. 530-532) a respeito da proibição da Igreja Católica Romana em relação à circulação das Escrituras Sagradas, em versões vernáculas, entre os leigos. (Apud o Grande Conflito, Ellen G. White, pág. 340) 71 Eurípedes – o Homem e a Missão A Parábola do Semeador | O Evangelho Segundo o Espiritismo IA Desenhos Espíritas 15 de nov. de 2025 A Parábola do Semeador, ensinada por Jesus e profundamente analisada por Allan Kardec no Capítulo XVII – “Sede Perfeitos”, itens 5 e 6 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, revela de forma clara como cada um de nós recebe, entende e aplica os ensinamentos do Evangelho em sua vida cotidiana. Nesta animação especial do canal Desenhos Espíritas, você vai conhecer os quatro tipos de terreno apresentados na parábola — o caminho, as pedras, os espinhos e a boa terra — e descobrir como cada um representa atitudes e níveis de maturidade espiritual diante do aprendizado moral. ✨ Por que tantos ouvem, mas poucos se transformam? ✨ O que realmente impede o crescimento espiritual? ✨ Como preparar o “solo interior” para florescer? Esta reflexão é essencial para quem estuda o Espiritismo e também para quem busca clareza espiritual, autoconhecimento e verdadeira transformação interior. Parábola do semeador. 5. Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; — em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. — Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim: Aquele que semeia saiu a semear; — e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. — Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. — Mas, levantando-se, o Sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. — Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. — Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. — Ouça quem tem ouvidos de ouvir. (S. Mateus, 13:1 a 9.) Escutai, pois, vós outros a parábola do semeador. — Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração. Esse é o que recebeu a semente ao longo do caminho. — Aquele que recebe a semente em meio das pedras é o que escuta a palavra e que a recebe com alegria no primeiro momento. — Mas, não tendo nele raízes, dura apenas algum tempo. Em sobrevindo reveses e perseguições por causa da palavra, tira ele daí motivo de escândalo e de queda. — Aquele que recebe a semente entre espinheiros é o que ouve a palavra; mas, em quem, logo, os cuidados deste século e a ilusão das riquezas abafam aquela palavra e a tornam infrutífera. — Aquele, porém, que recebe a semente em boa terra é o que escuta a palavra, que lhe presta atenção e em quem ela produz frutos, dando cem ou sessenta, ou trinta por um. (S. Mateus, 13:18 a 23.) 6. A parábola do semeador exprime perfeitamente os matizes existentes na maneira de serem utilizados os ensinos do Evangelho. Quantas pessoas há, com efeito, para as quais não passa ele de letra morta e que, como a semente caída sobre pedregulhos, nenhum fruto dá! Não menos justa aplicação encontra ela nas diferentes categorias espíritas. Não se acham simbolizados nela os que apenas atentam nos fenômenos materiais e nenhuma consequência tiram deles, porque neles mais não veem do que fatos curiosos? Os que apenas se preocupam com o lado brilhante das comunicações dos Espíritos, pelas quais só se interessam quando lhes satisfazem à imaginação, e que, depois de as terem ouvido, se conservam tão frios e indiferentes quanto eram? Os que reconhecem muito bons os conselhos e os admiram, mas para serem aplicados aos outros e não a si próprios? Aqueles, finalmente, para os quais essas instruções são como a semente que cai em terra boa e dá frutos? As virtudes e os vícios - Livro dos Espíritos - Questões 893 a 906 As virtudes e os vícios. 893. Qual a mais meritória de todas as virtudes? “Todas as virtudes têm seu mérito, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.” 894. Há pessoas que fazem o bem espontaneamente, sem que precisem vencer quaisquer sentimentos que lhes sejam opostos. Terão tanto mérito quanto as que se veem na contingência de lutar contra a natureza que lhes é própria e a vencem? “Só não têm que lutar aqueles em quem já há progresso realizado. Esses lutaram outrora e triunfaram. Por isso é que os bons sentimentos nenhum esforço lhes custam e suas ações lhes parecem simplíssimas. O bem se lhes tornou um hábito. Devidas lhes são as honras que se costuma tributar a velhos guerreiros que conquistaram seus altos postos. “Como ainda estais longe da perfeição, tais exemplos vos espantam pelo contraste com o que tendes à vista, e tanto mais os admirais, quanto mais raros são. Ficai sabendo, porém, que, nos mundos mais adiantados do que o vosso, constitui a regra o que entre vós representa a exceção. Em todos os pontos desses mundos o sentimento do bem é espontâneo, porque somente Espíritos bons os habitam. Lá, uma só intenção maligna seria monstruosa exceção. Eis por que neles os homens são ditosos. O mesmo se dará na Terra quando a humanidade se houver transformado, quando compreender e praticar a caridade na sua verdadeira acepção.” 895. Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição? “O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas, e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno. “O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferra aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.” 896. Há pessoas desinteressadas, mas sem discernimento, que prodigalizam seus haveres sem utilidade real, por lhes não saberem dar emprego criterioso. Têm algum merecimento essas pessoas? “Têm o do desinteresse, porém não o do bem que poderiam fazer. O desinteresse é uma virtude, mas a prodigalidade irrefletida constitui sempre, pelo menos, falta de juízo. A riqueza, assim como não é dada a uns para ser aferrolhada num cofre forte, também não o é a outros para ser dispersada ao vento. Representa um depósito de que uns e outros terão de prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que podiam fazer e não fizeram, por todas as lágrimas que podiam ter estancado com o dinheiro que deram aos que dele não precisavam.” 897. Merecerá reprovação aquele que faz o bem sem visar a qualquer recompensa na Terra, mas esperando que lhe seja levado em conta na outra vida e que lá venha a ser melhor a sua situação? E essa preocupação lhe prejudicará o progresso? “O bem deve ser feito caritativamente, isto é, com desinteresse.” a) — Contudo, todos alimentam o desejo muito natural de progredir, para forrar-se à penosa condição desta vida. Os próprios Espíritos nos ensinam a praticar o bem com esse objetivo. Será, então, um mal pensarmos que, praticando o bem, podemos esperar coisa melhor do que temos na Terra? “Não, certamente; mas aquele que faz o bem sem ideia preconcebida, pelo só prazer de ser agradável a Deus e ao seu próximo que sofre, já se acha num certo grau de progresso, que lhe permitirá alcançar a felicidade muito mais depressa do que seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não impelido pelo ardor natural do seu coração.” (894.) b) — Não haverá aqui uma distinção a estabelecer-se entre o bem que podemos fazer ao nosso próximo e o cuidado que pomos em corrigir-nos dos nossos defeitos? Concebemos que seja pouco meritório fazermos o bem com a ideia de que nos seja levado em conta na outra vida; mas será igualmente indício de inferioridade emendarmo-nos, vencermos as nossas paixões, corrigirmos o nosso caráter, com o propósito de nos aproximarmos dos Espíritos bons e de nos elevarmos? “Não, não. Quando dizemos fazer o bem queremos significar ser caridoso. Procede como egoísta todo aquele que calcula o que lhe possa cada uma de suas boas ações render na vida futura, tanto quanto na vida terrena. Nenhum egoísmo, porém, há em querer o homem melhorar-se, para se aproximar de Deus, pois que é o fim para o qual devem todos tender.” 898. Sendo a vida corpórea apenas uma estada temporária neste mundo e devendo o futuro constituir objeto da nossa principal preocupação, será útil nos esforcemos por adquirir conhecimentos científicos que só digam respeito às coisas e às necessidades materiais? “Sem dúvida. Primeiramente, isso vos põe em condições de auxiliar os vossos irmãos; depois, o vosso Espírito subirá mais depressa, se já houver progredido em inteligência. Nos intervalos das encarnações, aprendereis numa hora o que na Terra vos exigiria anos de aprendizado. Nenhum conhecimento é inútil; todos mais ou menos contribuem para o progresso, porque o Espírito, para ser perfeito, tem que saber tudo, e porque, cumprindo que o progresso se efetue em todos os sentidos, todas as ideias adquiridas ajudam o desenvolvimento do Espírito.” 899. Qual o mais culpado de dois homens ricos que empregam exclusivamente em gozos pessoais suas riquezas, tendo um nascido na opulência e desconhecido sempre a necessidade, devendo o outro ao seu trabalho os bens que possui? “Aquele que conheceu os sofrimentos, porque sabe o que é sofrer. A dor, a que nenhum alívio procura dar, ele a conhece; porém, como frequentemente sucede, já dela se não lembra.” 900. Aquele que incessantemente acumula haveres, sem fazer o bem a quem quer que seja, achará desculpa válida na ideia de acumular com o fito de maior soma legar aos seus herdeiros? “É um pacto com a consciência má.” 901. Figuremos dois avarentos, um dos quais nega a si mesmo o necessário e morre de miséria sobre o seu tesouro, ao passo que o segundo só o é para os outros, mostrando-se pródigo para consigo mesmo; enquanto recua ante o mais ligeiro sacrifício para prestar um serviço ou fazer qualquer coisa útil, nunca julga demasiado o que despenda para satisfazer aos seus gostos ou às suas paixões. Peças-lhe um obséquio e estará sempre em dificuldade para fazê-lo; imagine, porém, realizar uma fantasia e terá sempre o bastante para isso. Qual o mais culpado e qual o que se achará em pior situação no mundo dos Espíritos? “O que goza, porque é mais egoísta do que avarento. O outro já recebeu parte do seu castigo.” 902. Será reprovável que cobicemos a riqueza, quando nos anime o desejo de fazer o bem? “Tal sentimento é, não há dúvida, louvável, quando puro. Mas será sempre bastante desinteressado esse desejo? Não ocultará nenhum intuito de ordem pessoal? Não será de fazer o bem a si mesmo em primeiro lugar que cogita, muitas vezes, aquele em quem tal desejo se manifesta?” 903. Incorre em culpa o homem por estudar os defeitos alheios? “Incorrerá em grande culpa, se o fizer para os criticar e divulgar, porque será faltar com a caridade. Se o fizer para sua instrução pessoal e para evitá-los em si próprio, tal estudo poderá algumas vezes ser-lhe útil. Importa, porém, não esquecer que a indulgência para com os defeitos de outrem é uma das virtudes contidas na caridade. Antes de censurardes as imperfeições dos outros, vede se de vós não poderão dizer o mesmo. Tratai, pois, de possuir as qualidades opostas aos defeitos que criticais no vosso semelhante. Esse o meio de vos tornardes superiores a ele. Se lhe censurais o ser avaro, sede generosos; se o ser orgulhoso, sede humildes e modestos; se o ser áspero, sede brandos; se o proceder com pequenez, sede grandes em todas as vossas ações. Numa palavra, fazei por maneira que se não vos possam aplicar estas palavras de Jesus: Vê o argueiro no olho do seu vizinho e não vê a trave no seu próprio.” 904. Incorrerá em culpa aquele que sonda as chagas da sociedade e as expõe em público? “Depende do sentimento que o mova. Se o escritor apenas visa produzir escândalo, não faz mais do que proporcionar a si mesmo um gozo pessoal, apresentando quadros que constituem antes mau do que bom exemplo. O Espírito aprecia isso, mas pode vir a ser punido por essa espécie de prazer que encontra em revelar o mal.” a) — Como, em tal caso, julgar da pureza das intenções e da sinceridade do escritor? “Nem sempre há nisso utilidade. Se ele escrever boas coisas, aproveitai-as. Se proceder mal, é uma questão de consciência que lhe diz respeito, exclusivamente. Ademais, se o escritor tem empenho em provar a sua sinceridade, apoie o que disser nos exemplos que dê.” 905. Alguns autores têm publicado belíssimas obras de grande moral, que auxiliam o progresso da humanidade, das quais, porém, nenhum proveito tiraram para a própria conduta. Ser-lhes-á levado em conta, como Espíritos, o bem a que suas obras hajam dado lugar? “A moral sem as ações é o mesmo que a semente sem o trabalho. De que vos serve a semente, se não a fazeis dar frutos que vos alimentem? Grave é a culpa desses homens, porque dispunham de inteligência para compreender. Não praticando as máximas que ofereciam aos outros, renunciaram a colher-lhes os frutos.” 906. Será passível de censura o homem por ter consciência do bem que faz e por confessá-lo a si mesmo? “Pois que pode ter consciência do mal que pratica, do bem igualmente deve tê-la, a fim de saber se andou bem ou mal. Pesando todos os seus atos na balança da lei de Deus e, sobretudo, na lei de justiça, amor e caridade, é que poderá dizer a si mesmo se suas obras são boas ou más, que as poderá aprovar ou desaprovar. Não se lhe pode, portanto, censurar que reconheça haver triunfado dos maus pendores e que se sinta satisfeito, desde que de tal não se envaideça, porque então cairia noutra falta.” (919.)