Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Uma foto que pode mudar o rumo do hemisfério
O paradoxo do caçula democrático
Há uma simbiose indissociável entre a solidez das instituições republicanas e o livre exercício do escrutínio público, uma engrenagem viva que se moveu com precisão na recente entrevista do ministro Gilmar Mendes à jornalista Renata Lo Prete, no g1. O diálogo, travado sob a habitual voltagem das crises de Brasília, evoca uma máxima fundamental para os dias correntes: "É legítimo que se faça a pergunta.E que se esclareça.E que as pessoas respondam." Nessa tríade reside o oxigênio de qualquer sociedade aberta.
Historicamente, o Brasil acostumou-se a buscar bombeiros institucionais nos momentos em que o tecido institucional esgarça. Evoca-se, quase por instinto, a mítica conciliação mineira sintetizada no clássico brado: "Chamem o Tancredo!". No entanto, na complexa paisagem política contemporânea, onde o Supremo Tribunal Federal se equilibra entre o papel de guardião da estabilidade democrática e o de vidraça sob severo questionamento, a necessidade de mediação mudou de endereço. O imperativo de conciliação hoje passa, obrigatoriamente, pela prestação de contas à sociedade, sem o filtro protetor dos bastidores.
É nesse ponto que sobressai a natureza do fazer jornalístico. Se, por um lado, o Judiciário se vê obrigado a calibrar as fronteiras de sua atuação — enfrentando críticas legítimas sobre a transparência e os limites de inquéritos excepcionais —, por outro, a imprensa cumpre seu papel de fricção necessária. Afinal, como lembra o adágio popularizado, "o jornalismo é filho caçula da democracia". Não há um sem o outro. A legitimidade da Corte não se fragiliza pela contundência das perguntas; ao contrário, é na capacidade de responder a elas que o tribunal se fortalece.
As notícias que consumimos em ritmo frenético não nascem no vácuo; são herdeiras diretas dos desdobramentos de ontem e anteontem. Diante de um cenário em que as tensões institucionais se renovam a cada ciclo de vinte e quatro horas, a busca por respostas claras deixa de ser um mero exercício retórico para se tornar uma exigência de sobrevivência republicana. Quando a dinâmica do poder exige esclarecimentos e a sociedade demanda clareza, a ordem velada que ecoa nas redações e nas consciências cidadãs é uma só: chamem a fiscalização, façam a pergunta e exijam o esclarecimento.
Escudo de Trump mira ponto fraco de Lula e cerca as fronteiras do Brasil, por Luiz Carlos Azedo
Correio BrazilienseO crime organizado virou uma patologia no Brasil. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) já não são somente quadrilhas dedicadas ao tráfico
O beabá da sociologia moderna começa com uma grande provocação de seu criador, Émile Durkheim, sociólogo, antropólogo e filósofo francês, que forma a santíssima trindade dos pensadores clássicos das ciências sociais com Karl Marx e Max Weber. O seu principal mérito foi emancipar a sociologia como disciplina autônoma, elaborando um método científico próprio e diferenciando-a da psicologia e da filosofia. A provocação foi afirmar que o crime é um fato social normal, em As Regras do Método Sociológico (Martins Fontes).
Durkheim não pretendia justificá-lo. Ao contrário, assinalava que nenhuma sociedade conhecida havia eliminado as transgressões e que a reação a elas reafirmava as regras coletivas. Para o sociólogo, o “normal” é todo fenômeno recorrente em sociedades de um mesmo tipo e estágio de desenvolvimento. O “patológico” aparece quando esse fenômeno ultrapassa certos limites e compromete a vida coletiva. A fronteira, portanto, não separa sociedades com crime daquelas sem crime, mas sociedades capazes de fazer valer suas regras diante do crime daquelas em que o poder criminoso passa a disputá-las.
CONTINUAR LEITURA
Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:26:00 Nenhum comentário:
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
Compartilhar com o Pinterest
Renata LoPrete entrevista Gilmar Mendesg123 de abr. de 2026#notícias #g1HÁ CINCO MESESAqui está a transcrição completa do texto manuscrito contido na imagem:
"É legítimo que se faça a pergunta.E que se esclareça.E que as pessoas respondam."Chamem a Renata!
Palavra de ordem em Minas quando a democracia se sente ameaçada:Chamem o Tancredo!
O jornalismo é filho caçula da democracia.
As notícias de hoje são as caçulas das de anteontem.
Futuro nunca passou tanto pelo Senado quanto agora, por Maria Cristina FernandesValor EconômicoPoder dos senadores sobre o mandato dos ministros do STF e sobre a reforma dos tribunais superiores despertou interesse inaudito na disputa
A disputa pelo Senado sempre foi a que menos mobilizou o eleitor. Desta vez, é diferente. Não há exatamente entusiasmo pela disputa porque o desalento grassa em todas as campanhas e para todos os cargos. Mas os desatinos do Supremo Tribunal Federal despertaram o interesse pela disputa na Casa que não apenas sabatina e vota os indicados à Corte como também pode definir sua degola.
Medir este interesse em pesquisa não é fácil por conta das duas vagas. Nomes que aparecem como segunda ou terceira opções do entrevistado podem acabar aparecendo na liderança pela soma das menções. Ainda que se dê o malefício da dúvida às pesquisas que circulam por aí, há convergência de que este basta ao STF não será suficiente para garantir uma maioria bolsonarista ao Senado. As projeções mais confiáveis indicam um equilíbrio entre Centrão e PL, ficando os partidos mais à esquerda como a terceira força da Casa. A renovação dará, ainda, um peso maior às mulheres.
CONTINUAR LEITURA
Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:10:00 Nenhum comentário:
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
Compartilhar com o Pinterest
O STF e as eleições, por William WaackO Estado de S. Paulo.Qualquer que seja o resultado eleitoral deste ano, a crise no Supremo vai se ampliar
O quatriunvirato que se vê dono do STF provocou a fusão da crise dessa instituição com as eleições, transformadas por eles mesmos em questão existencial quando aberta e publicamente apostaram as fichas em Lula. Trouxeram uma luta pelo poder disputada nas urnas para dentro do STF.
A Corte acabou sendo levada pelo mesmo quatriunvirato à condição de símbolo de proteção do patrimonialismo, isto é, quando grupos privados se apropriam do Estado em defesa de interesses próprios. É completa bobagem acreditar que uma derrota de Lula significaria o fim do patrimonialismo, ou do “sistema”, mas é desse jeito que uma enorme parcela do público “sente” a atmosfera política, fulanizada nas figuras dos ministros.
CONTINUAR LEITURA
Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:54:00 Um comentário:
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
Compartilhar com o Pinterest
STF tem encontro com código de ética, por Carolina BrígidoO Estado de S. PauloA depender das decisões tomadas, Corte poderá evitar ou acelerar interferência externa
Passadas as eleições, dois assuntos que foram empurrados para debaixo do tapete vão pautar o Supremo Tribunal Federal. O primeiro é decidir o que fazer com indícios de que ministros receberam vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Em paralelo, Cármen Lúcia anunciou a pessoas próximas que vai apresentar o texto de um código de ética para os integrantes do tribunal.
Hoje, a probabilidade de um código ser aprovado no tribunal é mínima. Ainda assim, o presidente Edson Fachin insiste no projeto. A estratégia não é teimosia, mas uma espécie de redução de danos. Para ele, apontar desvios éticos ou indícios de cometimento de crimes dos pares não tira credibilidade do tribunal – ao contrário, mostraria que a Corte tem mecanismos internos capazes de resolver as próprias crises.
CONTINUAR LEITURA
Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferioEl 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina.
🇧🇷 Tradução para o PortuguêsUma foto que pode mudar o rumo do hemisférioNo dia 23 de setembro, quando a ditadora Delcy Rodríguez foi fotografada sorrindo com Donald Trump em Nova York, muitos viram isso como puro espetáculo político. A foto chamativa, a reviravolta inesperada, a curiosidade de ver uma chavista com sua zona de conforto estendida aos EUA. E a apenas alguns quilômetros de onde seu antecessor, Nicolás Maduro, permanece trancado em uma cela. Entender isso como uma excentricidade divertida é um erro. Essa foto não é apenas mais uma imagem. É uma mensagem cifrada com várias camadas, e cada uma delas afeta uma liberdade que, até agora, considerávamos garantida na América Latina.
🇺🇸 Tradução para o Inglês (English Translation)A photo that could change the course of the hemisphereOn September 23, when the dictator Delcy Rodríguez was photographed smiling with Donald Trump in New York, many saw it as political showbiz. The flashy photo, the unexpected twist, the curiosity of seeing a Chavista with her comfort zone extended to the US. And just a few miles away from where her predecessor, Nicolás Maduro, remains locked in a cell. Understanding it as an entertaining eccentricity is a mistake. That photo is not just another image. It is a coded message with multiple layers, and every single one of them touches upon a freedom that, until now, we took for granted in Latin America.A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas
html
A Teoria da Ferradura (Horseshoe Theory), formulada pelo filósofo e escritor francês Jean-Pierre Faye, é um conceito da ciência política que serve para explicar por que a extrema-esquerda e a extrema-direita muitas vezes se comportam de maneira idêntica, apesar de estarem em lados opostos do espectro ideológico.
🧲 O Conceito Visual e Estrutural
A metáfora é simples e visual:
O modelo tradicional: Imagina a política como uma linha reta, onde a esquerda está em uma ponta, o centro no meio e a direita na outra ponta. Quanto mais você se afasta do centro, mais distante fica do lado oposto.
O modelo de Faye: Imagina a política como uma ferradura. As duas pontas continuam existindo, mas a linha se curva de tal forma que as extremidades se aproximam e quase se tocam.
[ CENTRO ]
/ \
[ESQUERDA] [DIREITA]
| |
| |
[EXTREMA] <----> [EXTREMA]
ESQUERDA DIREITA
(Pontas quase se tocam)
🌐 O Significado Contextual no Texto do Autor
No texto publicado por Nacho Montes de Oca, a teoria é usada para ilustrar a convergência dos extremos. O autor contextualiza o conceito através de três características principais:
Nutrição Mútua e Aliança Oculta: O autor afirma que os extremos "não brigam mais, eles se nutrem". Na prática, a extrema-esquerda e a extrema-direita precisam uma da outra para existir, pois usam o medo do "inimigo" para engajar seus seguidores. O texto sugere que, no cenário latino-americano, eles chegaram a um ponto de convergência tão grande que formaram uma "parceria política" para uma "festa populista em estéreo".
Aversão ao Pensamento Crítico: Ambos os extremos convergem na rejeição ao debate democrático tradicional, à moderação e à reflexão. Para entrar nessa "festa", o autor diz que é preciso "se agachar para cruzar a entrada", significando que ambos exigem a submissão intelectual e a perda da dignidade dos indivíduos.
Métodos Idênticos para Fins Parecidos: Embora os discursos teóricos sejam diferentes (um foca na classe social, o outro no nacionalismo/costumes), na prática, ambos convergem no uso do populismo, do autoritarismo, do ataque às instituições democráticas e no alinhamento com regimes ou elementos criminosos (como sugere um dos comentários do post).
Em resumo, Nacho Montes de Oca utiliza Jean-Pierre Faye para alertar que, ao extremar o discurso, a política deixa de ser um debate de ideias e passa a ser um jogo de espelhos, onde o radical de esquerda e o radical de direita se tornam faces da mesma moeda totalitária.
Use o código com cuidado.
Nacho Montes de Oca no X: "Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio
El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. El punto de partida es entender que Delcy Rodríguez, la dictadora interina, llega a Estados Unidos invitada por la Casa Blanca. Hace un año era una rea de la justicia acusada de delitos aberrantes contra los venezolanos y de ser la segunda y lavandera de dinero sucio de un régimen corrupto hasta la médula. Ahora es la jefa del chavismo. Sigue siendo la administradora de un régimen brutal. Pero igual es recibida con todos los honores. El primer mensaje que esconde es el más obvio y el más brutal: se acabó la condición democrática. Durante treinta años, desde que terminó la Guerra Fría, la regla no escrita fue: se puede ser de izquierda o de derecha, se puede caerle mejor o peor en Washington, pero si se necesitan dólares, préstamos del FMI y una foto en la Casa Blanca, tiene que haber una elección que, al menos, parezca creíble. No hacía falta que fuera perfecta. Alcanzaba con que hubiera oposición, con que la prensa pudiera informarla. Esa ficción obligaba a los gobiernos a no cruzar del todo la línea. Ese foto le puso fecha de defunción a esa regla. En marzo, la administración Trump les dio a petroleras norteamericanas acceso a una quinta parte de los más de 300 mil millones de barriles en reservas probadas de Venezuela y a cambio levantó sanciones y la sacó de la lista negra antinarcóticos. No pidió elecciones, ni liberar a todos los presos políticos, ni garantías reales para la prensa independiente. Como dijo el propio Trump ese día, "Venezuela no está preparada para votar". Traducido: no me interesa si votan. Me interesa que cumplan con barriles, con frenar la droga y con frenar migrantes. El segundo mensaje es más técnico, pero más erosivo para la soberanía al sur del Río Grande. Es la tutela sin tropas. La Orden Ejecutiva 14373, firmada en enero, no le devuelve la plata del petróleo a Venezuela. Crea, y cito textual, una "cuenta de custodia" en Washington que administra el Departamento de Estado. Es decir, el gobierno venezolano pone la cara, pero la billetera la maneja otro. No es una invasión. Es más sofisticado: es un contrato donde, para seguir siendo presidente de un país con el apoyo de Estados Unidos, sus recursos vitales pasan a ser administrados por el socio más fuerte. Si esto funciona en Venezuela, ¿por qué no en el futuro en Bolivia con el litio o en Ecuador con el cobre? El tercer mensaje es el que más debería preocuparnos a los periodistas y a cualquier ciudadano. Toca directamente nuestras libertades. Porque la foto blanquea que se puede apretar a la prensa y salir premiado. Mientras Delcy es recibida, Venezuela ocupa el puesto 159 sobre 180 en el ranking de libertad de prensa de Reporteros Sin Fronteras. Es uno de los peores lugares del mundo para hacer periodismo. Y sin embargo fue admitida sin condiciones. El mensaje que baja a la región es devastador: perseguir periodistas ya no te cierra puertas, te las puede abrir. Y ya se está viendo el efecto contagio. En su informe de abril, Reporteros Sin Fronteras habló de la peor caída global en 25 años y puso a cuatro países latinoamericanos en alerta roja. Argentina, que bajo el gobierno de Javier Milei cayó 69 puestos desde 2022, después de que en abril se prohibiera el ingreso de periodistas acreditados a la Casa Rosada -un gesto imitado por Trump con medios disidentes días atrás-. En El Salvador, Nayib Bukele usa la nueva Ley de Agentes Extranjeros para abrir causas penales a medios independientes. En Ecuador, donde Daniel Noboa adelantó elecciones municipales y dejó afuera a la principal fuerza opositora, se denuncia un hostigamiento similar. No es que copiaron a Delcy. Es que aprendieron que ahora pueden hacerlo sin pagar costo en Washington. El problema es que se trata de un mismo método que, cuando es usado por el mismo chavismo o sus aliados cubanos, nicaragüenses o un gobierno de izquierda como el mexicano, despierta críticas entre muchos de los que, cinco minutos después, minimizan esos incidentes o se hacen parte de la horda anti-periodistas cuando se cometen desde la derecha. Y lo hacen ante una prensa que, un rato antes, decían no odiar lo suficiente. O piden certificados de veracidad y pureza al periodismo por encargo de líderes que hacen de la mentira y la promesa rota un canto cotidiano. El cinismo de ambos extremos de la militancia política suena en estéreo. Y ese enervante, demencial y, por sobre, todo hipócrita. Pero no es solo la libertad de prensa. Es la libertad de elegir o de que un juez defienda al ciudadano del abuso del poder y la prerrogativa de que cada voto valga. Cuando se legitima a alguien como la dictadora venezolana que, según la encuestadora Delphos de junio, tiene 61% de rechazo y 24% de apoyo, y al mismo tiempo se deja afuera a María Corina Machado, que ganó una primaria con 92% de los votos y que hoy mide más de 70% contra menos de 4% de Rodríguez según Datanálisis, le estás diciendo a todo el continente que la legitimidad ya no viene de abajo, de la gente, sino de arriba, de tener algo para transar. Por eso esa imagen de la dictadora y su tutor modifica la historia del hemisferio. No es como otros giros de Trump. No se trata de aranceles, no es un insulto predecible en Twitter. Es el momento en que Estados Unidos deja de ser, con todos estándares flexibles acostumbrados, el garante de que la democracia era el peaje para entrar al sistema, y pasa a ser el aval de que la estabilidad y los negocios son suficientes. En el siglo XX tuvimos la Doctrina Monroe: América para los americanos. Después tuvimos la doctrina de la promoción democrática: América para las democracias. Lo que nace es una tercera doctrina: América para quien garantice orden y recursos, se vote o no. Y acá viene el último mensaje, el más irónico y el más difícil de digerir. El chavismo, que durante 25 años dijo que venía a enterrar a la derecha, le terminó enseñando cómo quedarse en el poder. Y da cátedra sobre cómo pasar de un tutelaje chino y ruso a uno de Estados Unidos sin caerse. Pero que siempre hay que ser tutelado. Y algunos gobiernos latinoamericanos ya rindieron examen al abrazarse a la dictadrua venezolana a la que hace un año repudiaban. O al callarse ahora esas mismas críticas, aunque contradigan el pensar de quienes los votaron o lo que ellos mismo decían respecto al chavismo. Allí hay otro residuo político, en la caída de las ideologías. La dictadora que militó el desprecio a Trump, al que llamó "terrorista de Estado" y "criminal". Hoy, se encuentra con el mismo que llamó al chavismo un "régimen narco", "ladrones", "sucios" y "repugnantes". Socialismo y conservadurismo, fundidos políticamente. No es una anomalía, es un golpe re realidad. Ese transformismo político mutuo es un ejemplo didáctico que cae como una lección hacia sus respectivas sociedades, sus líderes y sus ciudadanos. Vale todo, lo que importa es el líder, el negocio y mantenerse en el poder. Y tiene un efecto imitativo que no está disociado del origen real de muchos de los “nuevos dirigentes”, que surgieron del final del intestino de aquellos partidos e ideologías a las que luego declararon sus adversarios a muerte. Y a su vez achata el debate de ideas para trasladarlo al de las conveniencias transaccionales que lleva el discurso público, a un nivel de retórica sobreactuada de obediencia al líder, en un grado que hasta hoy se creía que era solo una excentricidad norcoreana. O chavista. Y la tristeza del "por algo el líder pide que matemos a los gorriones", pero replicado en un discurso de miles de personas que deja en manos de una figura política su futuro sin cuestionar ni corroborar la factibilidad de cada propuesta. Para eso está el posteo, no se necesita mas texto. La hambruna intelectual promete ser épica. Esta contorsión es caracterizada en la neolengua como "realpolitik", que es una forma poco elegante de acomodarse y justificar una renuncia a valores para intentar validar al líder y emparenta a derecha e izquierda en una misma escuela política. Y de paso frivoliza el debate para pasar de las ideas argumentadas a una emocionalidad que acude con más frecuencia al grito que a la reflexión conjunta. No es solo la ideología, es el método donde convergen los polos opuestos de la política. El chavismo inventó una forma de gobernar: un líder que encarna al pueblo, un enemigo interno que es traidor y no rival —antes el imperialismo, ahora el Estado profundo—, el Estado usado como botín para premiar leales y un vínculo directo por redes sociales saltándose a los medios. Observen hoy a Buenos Aires, a San Salvador, a Quito. Luego a Caracas, a La Habana y a Managua. Vuelvan la vista a Washington. ¿No es exactamente la misma tecnología de poder, pero con otro color político? Por eso Trump se entiende mejor con Delcy que con Machado. Delcy no tiene un proyecto de país que la obligue a pelearse con él. Solo quiere sobrevivir administrando el aparato que le dejó Maduro. Es predecible. Machado, en cambio, tiene un mandato real de la gente y si la reconocés, tenés que ayudarla a hacer lo que prometió: contar los votos y meter presos a los corruptos. Y eso incomoda al nuevo socio petrolero. La imagen de Delcy Y Donald no es farándula. No es una foto curiosa para el archivo. Si este precedente queda en pie, dentro de diez años quizás vamos a mirar este 23 de septiembre como miramos hoy la caída del Muro de Berlín o la firma del Consenso de Washington: el día que entendimos que las reglas habían cambiado y no nos habíamos dado cuenta. La pregunta ya no es si Delcy es democrática o no. La pregunta es si la región está dispuesta a aceptar que a partir de ahora la democracia es un asunto opcional. Y comprender que, una vez que bajaron los estándares democráticos, los próximos gobiernos, sean de derecha o de izquierda, encontrarán una democracia cada vez más magullada y al sistema de garantías republicanas ajado. Destruir una república, muestra la experiencia venezolana, lleva muy poco tiempo. Recuperarla es una tarea titánica. El chavismo que hoy se pasea tutelado por la tierra de su viejo adversario es una invitación y una advertencia al mismo tiempo. Tampoco se trata de enfocarlo todo como una oposición o defensa de Trump, porque a fin de cuentas es una figura que resalta pero que no deja de ser una circunstancia pasajera, al igual que su dictadora asociada de Venezuela. La cuestión es mirar más allá del circo político y pensar sin fanatismos lo que va a quedar establecido. Es mucho más que una foto. Es un sinceramiento de un cambio que se propone y que se acomoda por derecha o por izquierda para legitimar una lógica de poder transideológica. Para el momento en que se consolide, puede que ya no haya dónde quejarse una vez muerto el mensajero y el resto de los canales para expresar la disidencia. El fin de los medios se justifica para los que creen que el fin justifica los medios. Parece un trabalenguas, pero es una alarma cifrada para el que pudo llegar hasta aquí al conservar la capacidad de leer en un texto de mas de dos párrafos. Los extremos ya no pelean, se nutren y expulsan el pensamiento critico y reflexivo del debate. Esa es el bonus de una relación en la que la teoría de la herradura Jean-Pierre Faye terminó por develar que errar es humano, pero sumarse a los extremos es para equinos. Ahora sí, un aplauso para la pareja política y su invitación al resto del continente para su fiesta populista en estéreo. Están todos invitados, siempre y cuando accedan a agacharse para cruzar la entrada. PS: es una editorial escrita desde la alarma y el enojo. La indignación a veces obliga a salirse del periodismo de datos para expresar lo que, si se queda guardado dentro, se pudre."
@nachomdeo
Nacho Montes de Oca
@nachomdeo
Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio
El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina.
El punto de partida es entender que Delcy Rodríguez, la dictadora interina, llega a Estados Unidos invitada por la Casa Blanca. Hace un año era una rea de la justicia acusada de delitos aberrantes contra los venezolanos y de ser la segunda y lavandera de dinero sucio de un régimen corrupto hasta la médula. Ahora es la jefa del chavismo. Sigue siendo la administradora de un régimen brutal. Pero igual es recibida con todos los honores.
El primer mensaje que esconde es el más obvio y el más brutal: se acabó la condición democrática. Durante treinta años, desde que terminó la Guerra Fría, la regla no escrita fue: se puede ser de izquierda o de derecha, se puede caerle mejor o peor en Washington, pero si se necesitan dólares, préstamos del FMI y una foto en la Casa Blanca, tiene que haber una elección que, al menos, parezca creíble. No hacía falta que fuera perfecta. Alcanzaba con que hubiera oposición, con que la prensa pudiera informarla. Esa ficción obligaba a los gobiernos a no cruzar del todo la línea.
Ese foto le puso fecha de defunción a esa regla. En marzo, la administración Trump les dio a petroleras norteamericanas acceso a una quinta parte de los más de 300 mil millones de barriles en reservas probadas de Venezuela y a cambio levantó sanciones y la sacó de la lista negra antinarcóticos. No pidió elecciones, ni liberar a todos los presos políticos, ni garantías reales para la prensa independiente. Como dijo el propio Trump ese día, "Venezuela no está preparada para votar". Traducido: no me interesa si votan. Me interesa que cumplan con barriles, con frenar la droga y con frenar migrantes.
El segundo mensaje es más técnico, pero más erosivo para la soberanía al sur del Río Grande. Es la tutela sin tropas. La Orden Ejecutiva 14373, firmada en enero, no le devuelve la plata del petróleo a Venezuela. Crea, y cito textual, una "cuenta de custodia" en Washington que administra el Departamento de Estado. Es decir, el gobierno venezolano pone la cara, pero la billetera la maneja otro. No es una invasión. Es más sofisticado: es un contrato donde, para seguir siendo presidente de un país con el apoyo de Estados Unidos, sus recursos vitales pasan a ser administrados por el socio más fuerte. Si esto funciona en Venezuela, ¿por qué no en el futuro en Bolivia con el litio o en Ecuador con el cobre?
El tercer mensaje es el que más debería preocuparnos a los periodistas y a cualquier ciudadano. Toca directamente nuestras libertades. Porque la foto blanquea que se puede apretar a la prensa y salir premiado. Mientras Delcy es recibida, Venezuela ocupa el puesto 159 sobre 180 en el ranking de libertad de prensa de Reporteros Sin Fronteras. Es uno de los peores lugares del mundo para hacer periodismo. Y sin embargo fue admitida sin condiciones. El mensaje que baja a la región es devastador: perseguir periodistas ya no te cierra puertas, te las puede abrir.
Y ya se está viendo el efecto contagio. En su informe de abril, Reporteros Sin Fronteras habló de la peor caída global en 25 años y puso a cuatro países latinoamericanos en alerta roja. Argentina, que bajo el gobierno de Javier Milei cayó 69 puestos desde 2022, después de que en abril se prohibiera el ingreso de periodistas acreditados a la Casa Rosada -un gesto imitado por Trump con medios disidentes días atrás-. En El Salvador, Nayib Bukele usa la nueva Ley de Agentes Extranjeros para abrir causas penales a medios independientes. En Ecuador, donde Daniel Noboa adelantó elecciones municipales y dejó afuera a la principal fuerza opositora, se denuncia un hostigamiento similar. No es que copiaron a Delcy. Es que aprendieron que ahora pueden hacerlo sin pagar costo en Washington.
El problema es que se trata de un mismo método que, cuando es usado por el mismo chavismo o sus aliados cubanos, nicaragüenses o un gobierno de izquierda como el mexicano, despierta críticas entre muchos de los que, cinco minutos después, minimizan esos incidentes o se hacen parte de la horda anti-periodistas cuando se cometen desde la derecha. Y lo hacen ante una prensa que, un rato antes, decían no odiar lo suficiente. O piden certificados de veracidad y pureza al periodismo por encargo de líderes que hacen de la mentira y la promesa rota un canto cotidiano. El cinismo de ambos extremos de la militancia política suena en estéreo. Y ese enervante, demencial y, por sobre, todo hipócrita.
Pero no es solo la libertad de prensa. Es la libertad de elegir o de que un juez defienda al ciudadano del abuso del poder y la prerrogativa de que cada voto valga. Cuando se legitima a alguien como la dictadora venezolana que, según la encuestadora Delphos de junio, tiene 61% de rechazo y 24% de apoyo, y al mismo tiempo se deja afuera a María Corina Machado, que ganó una primaria con 92% de los votos y que hoy mide más de 70% contra menos de 4% de Rodríguez según Datanálisis, le estás diciendo a todo el continente que la legitimidad ya no viene de abajo, de la gente, sino de arriba, de tener algo para transar.
Por eso esa imagen de la dictadora y su tutor modifica la historia del hemisferio. No es como otros giros de Trump. No se trata de aranceles, no es un insulto predecible en Twitter. Es el momento en que Estados Unidos deja de ser, con todos estándares flexibles acostumbrados, el garante de que la democracia era el peaje para entrar al sistema, y pasa a ser el aval de que la estabilidad y los negocios son suficientes.
En el siglo XX tuvimos la Doctrina Monroe: América para los americanos. Después tuvimos la doctrina de la promoción democrática: América para las democracias. Lo que nace es una tercera doctrina: América para quien garantice orden y recursos, se vote o no.
Y acá viene el último mensaje, el más irónico y el más difícil de digerir. El chavismo, que durante 25 años dijo que venía a enterrar a la derecha, le terminó enseñando cómo quedarse en el poder. Y da cátedra sobre cómo pasar de un tutelaje chino y ruso a uno de Estados Unidos sin caerse. Pero que siempre hay que ser tutelado. Y algunos gobiernos latinoamericanos ya rindieron examen al abrazarse a la dictadrua venezolana a la que hace un año repudiaban. O al callarse ahora esas mismas críticas, aunque contradigan el pensar de quienes los votaron o lo que ellos mismo decían respecto al chavismo.
Allí hay otro residuo político, en la caída de las ideologías. La dictadora que militó el desprecio a Trump, al que llamó "terrorista de Estado" y "criminal". Hoy, se encuentra con el mismo que llamó al chavismo un "régimen narco", "ladrones", "sucios" y "repugnantes". Socialismo y conservadurismo, fundidos políticamente. No es una anomalía, es un golpe re realidad.
Ese transformismo político mutuo es un ejemplo didáctico que cae como una lección hacia sus respectivas sociedades, sus líderes y sus ciudadanos. Vale todo, lo que importa es el líder, el negocio y mantenerse en el poder.
Y tiene un efecto imitativo que no está disociado del origen real de muchos de los “nuevos dirigentes”, que surgieron del final del intestino de aquellos partidos e ideologías a las que luego declararon sus adversarios a muerte. Y a su vez achata el debate de ideas para trasladarlo al de las conveniencias transaccionales que lleva el discurso público, a un nivel de retórica sobreactuada de obediencia al líder, en un grado que hasta hoy se creía que era solo una excentricidad norcoreana. O chavista.
Y la tristeza del "por algo el líder pide que matemos a los gorriones", pero replicado en un discurso de miles de personas que deja en manos de una figura política su futuro sin cuestionar ni corroborar la factibilidad de cada propuesta. Para eso está el posteo, no se necesita mas texto. La hambruna intelectual promete ser épica.
Esta contorsión es caracterizada en la neolengua como "realpolitik", que es una forma poco elegante de acomodarse y justificar una renuncia a valores para intentar validar al líder y emparenta a derecha e izquierda en una misma escuela política. Y de paso frivoliza el debate para pasar de las ideas argumentadas a una emocionalidad que acude con más frecuencia al grito que a la reflexión conjunta.
No es solo la ideología, es el método donde convergen los polos opuestos de la política. El chavismo inventó una forma de gobernar: un líder que encarna al pueblo, un enemigo interno que es traidor y no rival —antes el imperialismo, ahora el Estado profundo—, el Estado usado como botín para premiar leales y un vínculo directo por redes sociales saltándose a los medios. Observen hoy a Buenos Aires, a San Salvador, a Quito. Luego a Caracas, a La Habana y a Managua. Vuelvan la vista a Washington. ¿No es exactamente la misma tecnología de poder, pero con otro color político?
Por eso Trump se entiende mejor con Delcy que con Machado. Delcy no tiene un proyecto de país que la obligue a pelearse con él. Solo quiere sobrevivir administrando el aparato que le dejó Maduro. Es predecible. Machado, en cambio, tiene un mandato real de la gente y si la reconocés, tenés que ayudarla a hacer lo que prometió: contar los votos y meter presos a los corruptos. Y eso incomoda al nuevo socio petrolero.
La imagen de Delcy Y Donald no es farándula. No es una foto curiosa para el archivo. Si este precedente queda en pie, dentro de diez años quizás vamos a mirar este 23 de septiembre como miramos hoy la caída del Muro de Berlín o la firma del Consenso de Washington: el día que entendimos que las reglas habían cambiado y no nos habíamos dado cuenta.
La pregunta ya no es si Delcy es democrática o no. La pregunta es si la región está dispuesta a aceptar que a partir de ahora la democracia es un asunto opcional. Y comprender que, una vez que bajaron los estándares democráticos, los próximos gobiernos, sean de derecha o de izquierda, encontrarán una democracia cada vez más magullada y al sistema de garantías republicanas ajado. Destruir una república, muestra la experiencia venezolana, lleva muy poco tiempo. Recuperarla es una tarea titánica. El chavismo que hoy se pasea tutelado por la tierra de su viejo adversario es una invitación y una advertencia al mismo tiempo.
Tampoco se trata de enfocarlo todo como una oposición o defensa de Trump, porque a fin de cuentas es una figura que resalta pero que no deja de ser una circunstancia pasajera, al igual que su dictadora asociada de Venezuela. La cuestión es mirar más allá del circo político y pensar sin fanatismos lo que va a quedar establecido.
Es mucho más que una foto. Es un sinceramiento de un cambio que se propone y que se acomoda por derecha o por izquierda para legitimar una lógica de poder transideológica. Para el momento en que se consolide, puede que ya no haya dónde quejarse una vez muerto el mensajero y el resto de los canales para expresar la disidencia. El fin de los medios se justifica para los que creen que el fin justifica los medios. Parece un trabalenguas, pero es una alarma cifrada para el que pudo llegar hasta aquí al conservar la capacidad de leer en un texto de mas de dos párrafos.
Los extremos ya no pelean, se nutren y expulsan el pensamiento critico y reflexivo del debate. Esa es el bonus de una relación en la que la teoría de la herradura Jean-Pierre Faye terminó por develar que errar es humano, pero sumarse a los extremos es para equinos.
Ahora sí, un aplauso para la pareja política y su invitación al resto del continente para su fiesta populista en estéreo. Están todos invitados, siempre y cuando accedan a agacharse para cruzar la entrada.
PS: es una editorial escrita desde la alarma y el enojo. La indignación a veces obliga a salirse del periodismo de datos para expresar lo que, si se queda guardado dentro, se pudre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário