sábado, 12 de setembro de 2026

E tanta coisa me interessa

“É a mais grave crise do STF” Prof. Dr. Sérgio Abranches Cientista político Marco Antonio Villa
sábado, 12 de setembro de 2026 A Corte à beira do abismo, por Thaís Oyama O Globo Se o inquérito das fake news se tornar público, virão à luz procedimentos mantidos há quase oito anos em sigilo Ao emergir de sua meditação profunda, Edson Fachin tomou nesta semana uma série de medidas para suspender o bangue-bangue do STF — a última delas, a determinação para que André Mendonça levante integralmente o sigilo dos procedimentos do caso Master. As ações do presidente do Supremo se provaram tão tardias quanto vãs. Na quarta-feira, quando foram divulgadas, a Corte já parecia terra sem lei; e até ontem o tiroteio entre os ministros não dava mostra de arrefecer. Duas das providências anunciadas por Fachin, porém, ainda podem mudar os rumos do tribunal, caso sobrevivam à cortina de fumaça com que se pretende desviar o foco do que importa. A primeira foi a retirada das mãos de Alexandre de Moraes do inquérito das fake news. O UOL revelou ontem que a teratologia jurídica criada por Dias Toffoli e conduzida por Moraes deu origem, ou serviu de base, a mais de cem procedimentos, a maioria sob sigilo. Fachin agora considera torná-los públicos. Se fizer isso, virão à luz procedimentos mantidos em segredo ao longo de quase oito anos. Também se conhecerá a extensão das heterodoxias processuais empregadas por Moraes para conduzir casos formalmente públicos, como o processo ainda em curso contra um advogado por uma malcriação proferida há oito anos contra Gilmar Mendes num aeroporto de Madri. Será a oportunidade de o Supremo acertar as contas com um inquérito que nasceu para proteger ministros e seus familiares de investigações inconvenientes e cujos métodos foram tolerados por parte da sociedade e pela totalidade da Corte, sob o pretexto de defender a democracia. A depender de Fachin, o inquérito das fake news pode agora deixar a cena para entrar para a História como uma das páginas mais vergonhosas do STF. A segunda providência capaz de corrigir os rumos da instituição foi a promessa de levar o Supremo a enfrentar a questão de fato premente, por sua gravidade e por ter sido a origem da presente crise: as gritantes suspeitas de prática de crime por um de seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes. Sem enfrentá-la, o Supremo não sairá do atoleiro. E a pesquisa Meio/Ideia divulgada na quarta-feira mostra quanto ele é profundo. O levantamento apontou que quase metade dos brasileiros (49,7%) confia pouco ou nada no STF. A descrença atravessa praticamente na mesma proporção todos os segmentos demográficos: homens e mulheres, jovens e idosos, ricos e pobres, religiosos e sem religião. Não é uma desconfiança de nicho, mas descrédito generalizado. Há notícia pior. Segundo o levantamento, 51,6% dos brasileiros concordam com a ideia de que os ministros do STF decidem “mais por interesse próprio do que pela lei”. Isso significa que, quando os dez integrantes da Corte chegam ao plenário com suas togas negras e seus semblantes graves, sob a liturgia vetusta da instituição, mais da metade dos brasileiros os enxerga não como guardiões da Constituição, mas como magistrados que atuam em causa própria. A gravidade da situação está em a legitimidade do poder de julgar repousar justamente sobre a crença de que juízes atuam como terceiros imparciais: não integram o conflito, não têm interesse pessoal em seu desfecho e decidem segundo o Direito, ainda que contrariem maiorias. Uma Corte que consome sua reserva de legitimidade pode manter o poder de decidir, mas perde a autoridade. No próximo dia 15, o plenário poderá seguir o que diz a lei: diante de indícios, investigue-se, diante de uma investigação, afaste-se o investigado, diante de uma acusação, dê-se a ele o direito de defesa. Ou pode optar por esconder suas chagas atrás de pedidos de vista e de uma sessão a portas fechadas. Nesse caso, confirmará a percepção pública de que, entre a lei e a autoproteção, escolhe sempre o abismo.
No inquérito policial, o sigilo pode ser aplicado para esconder investigações que ainda estão acontecendo, mas ele nunca pode bloquear o acesso do advogado a provas que já foram juntadas no processo.A regra está no Artigo 20 do Código de Processo Penal (CPP) e na Súmula Vinculante 14 do Supremo Tribunal Federal (STF). O que PODE ser mantido sob sigilo (O que não pode ser aberto)Diligências em andamento: Investigações que ainda vão acontecer, como uma escuta telefônica autorizada, campanas ou mandados de busca que ainda não foram cumpridos.Fator surpresa: Ações da polícia que precisam de sigilo absoluto para não avisar o suspeito e atrapalhar a descoberta da verdade. O que NÃO PODE ser mantido sob sigilo (O que DEVE ser aberto)Provas já documentadas: Tudo o que a polícia já terminou de fazer e registrou no papel (como depoimentos colhidos, laudos periciais prontos e documentos apreendidos).Direito da defesa: O advogado do investigado tem o direito de ver todas essas provas já prontas para poder defender o cliente de forma justa.
sábado, 12 de setembro de 2026 Sobre como se blinda, por Carlos Andreazza O Estado de S. Paulo A sessão do Supremo marcada para 15 de setembro tem como fundamento uma mentira: a de que seria competência exclusiva do plenário autorizar investigação contra ministro. Isso inexiste na Lei e no Regimento do STF – invenção destinada a tornar ainda mais difícil o impossível. Este artigo parte de um pressuposto: o de que o Supremo não autorizará investigação contra Alexandre de Moraes; consultor de Vorcaro sobre se o banqueiro com ordem de prisão expedida contra si – sabedores ambos dessa informação sigilosa, que discutiam – deveria fugir do País. O cronista quer estar errado. Nunca um ministro do STF foi investigado. Não será esta composição do tribunal a fazê-lo. Em fevereiro, numa reunião clandestina, os ministros pactuaram por proteger Dias Toffoli. Tinham diante de si um relatório da PF que esmiuçava a relação do colega com Vorcaro e uma arguição de suspeição contra ele. Optaram, todos sabendo do que se tratava, por classificar o documento como “lixo jurídico”. Foi nessa ocasião que Dino declarou que só por motivo de estupro ou pedofilia admitiria arguição contra um par. Naquela ocasião, o Supremo de Fachin decidiu pela solução puxadinho em que Dias Toffoli renunciaria à relatoria do caso Master; que passaria a Mendonça, desde então omisso sobre o que a PF apresentara relativamente ao amigo. Um relatório formal, da mesma natureza daquele sobre Moraes, assinado pelos mesmos delegados, merecedor de atenção nenhuma. Isso será instrumentalizado para catimbar. As prioridades de Mendonça – e a facilidade como se pode fazer de Dias Toffoli um boi de piranha – já ofertando condições para que a imparcialidade do relator seja questionada. Haverá uma blitz por suspeição generalizada. E haverá Gonet, confrade no clube do uísque de Vorcaro, que não viu razão para a prisão preventiva do obstrutor de Justiça, mui à vontade para se manifestar pela nulidade do relatório da PF que documenta a saudade que o PGR sentia do banqueiro “matador”. O pressuposto pode ser refinado: o Supremo nem sequer chegará a deliberar sobre se investigação contra Moraes deveria ser aberta. A questão sendo como a Corte constitucional procederá para que não investigado seja um dos seus. Os termos da blindagem são negociados agora, articulando-se todos os zanins, tentada a embolação xandônica de julgamentos. As preliminares – as barragens de fachada processual – estão erguidas e se avolumam. Fachin pode ter ofertado mais uma senha à suspensão. Ao solicitar a Mendonça que remetesse aos ministros todos os procedimentos contidos na investigação sobre o Master, estabeleceu conexão entre esses milhares de arquivos e a petição que será julgada. O imenso volume, associado à escassez de tempo, forjaria o pretexto para pedido de vista. Visto está o jogo. Será inflexão na história do Brasil se se superar o teatro dos vícios. • Entrevista Exclusiva Dr. Walter Maierovitch “É o pior STF da história”. Marco Antonio Villa
Toffoli mandou BC ignorar decisões de outras instâncias sobre o Master O documento aparece no relatório da PF que se tornou público na 5ª feira (10.set.2026), depois de o ministro André Mendonça levantar o sigilo do casoredistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. Na decisão, Toffoli argumentou que, para preservar a estabilidade, a credibilidade e a eficiência do sistema financeiro nacional, era necessário blindar as instituições envolvidas Sérgio Lima/Poder360 – 19.ago.2026 PODER360 11.set.2026 (sexta-feira) - 2h21 O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli determinou em dezembro de 2025 que o Banco Central se abstivesse de cumprir qualquer decisão judicial relacionada às instituições investigadas na operação Compliance Zero que não tivessem sido proferidas pela Corte. A decisão consta de despacho liminar do relator na Reclamação 88.121. O documento aparece no relatório da PF que se tornou público na 5ª feira (10.set.2026), depois de o ministro André Mendonça levantar o sigilo do caso. “É imprescindível que o Banco Central do Brasil se abstenha de cumprir quaisquer decisões judiciais relativas às instituições bancárias envolvidas na operação ‘Compliance Zero’ que não provenham deste Supremo Tribunal Federal”, diz um trecho do despacho de Toffoli. Na decisão, Toffoli argumentou que, para preservar a estabilidade, a credibilidade e a eficiência do sistema financeiro nacional, era necessário blindar as instituições envolvidas de decisões vindas de instâncias que, segundo ele, não teriam competência para tratar do caso. O caso Master chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o banco, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Vorcaro. Em fevereiro, Toffoli deixou a relatoria do caso depois que veio a público a sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mendonça assumiu o processo. OUTRAS DETERMINAÇÕES Na mesma decisão, Toffoli: suspendeu as investigações em curso na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal e em instâncias antecedentes, determinando o envio de toda a matéria ao STF; manteve a continuidade das apurações sob supervisão direta da Corte, até o julgamento final da reclamação; preservou todas as decisões administrativas, cíveis e criminais já tomadas contra os investigados, inclusive bloqueios de bens e valores; autorizou o acesso aos autos ao deputado federal João Carlos Bacelar, com base na Súmula Vinculante nº 14; oficiou o Banco Central para que enviasse ao STF a documentação sobre os procedimentos administrativos em curso contra as instituições e pessoas investigadas; determinou à Polícia Federal o envio, em sigilo, de todos os procedimentos investigatórios da operação; comunicou a decisão ao diretor-geral da PF, à 10ª Vara Federal do DF, ao TRF-1 e ao STJ. Leia mais: Festa de Vorcaro teve 120 mulheres e exigência: “Só menina nova” PF diz que Vorcaro soube de operação antes de prisão PF suspeita que Vorcaro tentou influenciar voto de Toffoli Há 7 meses, PF ligava Toffoli a pagamento de R$ 35 mi de Vorcaro Leia a íntegra do contrato da mulher de Moraes com o Master Fachin pede e Mendonça tira sigilo de processos do Master o Poder360 integra o autores PODER360 enviar e-mail... Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/poder-justica/toffoli-mandou-bc-ignorar-decisoes-de-outras-instancias-sobre-o-master/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas.
Foto: Fellipe Sampaio/STF Clara Nunes-Tristeza pé no chão (com letra) 5 PÉS SOBRE A PEDRA COM SEUS REFLEXOS
STF vai decidir se crise humanitária pode dispensar visto para reunião familiar no Brasil
Opinion Guest Essay Trump Has This Influential Theorist of Democracy Very Worried Sept. 11, 2026 An illustration of Donald Trump’s face made up of sections of a photo. Credit...Illustration by Shoshana Schultz/The New York Times Listen · 13:24 min Share full article 239 By Adam Przeworski and John Guida Mr. Przeworski is a professor emeritus of politics at New York University. Mr. Guida is an editor in Times Opinion. See more of our coverage in your search results. Add The New York Times on Google The Trump administration’s effort to restrict voting by mail is the latest in a series of challenges to how midterm elections are run. Is this hardball politics or a crisis of democracy? Adam Przeworski, a professor emeritus of politics at New York University, is an authoritative theorist of democracy. He is known for this theory: “Democracy is a system in which parties lose elections,” he wrote in 1991. He assessed the state of democracy in America and elsewhere in the world in a written conversation with John Guida, an editor in Times Opinion. It has been edited for length and clarity. John Guida: Your view of what makes a democracy a democracy stresses the integrity of elections. In light of the Trump administration’s interjections and various court rulings, how are you thinking about the U.S. midterm elections? Adam Przeworski: I must preface all my responses by emphasizing that I am not a specialist on U.S. politics. But some aspects of the current situation are glaring. The Trump administration is dismantling agencies, discontinuing services, reducing spending and deregulating. It uses the language of “the enemy within,” attacking political opponents and their sources of financing, intimidating the news media, universities and law firms, building a new police force, putting troops on the streets. The big question, which I take seriously, is whether all these measures are putting democracy in danger. This very possibility was just inconceivable before 2020, but the stakes in elections are high and, as a prominent political scientist, Seymour Martin Lipset, observed long ago, “If loss of office means serious losses for major power groups, they will seek to retain or secure office by any means available.” Fachin decide que julgará Moraes e Mendonça separadamente e marca nova sessão para 23 de setembro Edson FachinCrédito,Reuters Article Information Author,
Julia BraunRole,Da BBC News Brasil em Londres e Author,Mariana SchreiberRole,Da BBC News Brasil em Brasília e Londres Published Há 2 horas Tempo de leitura: 4 min O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou neste sábado (12/09) o pedido do ministro Alexandre de Moraes para que o plenário da Corte julgasse em conjunto as denúncias contra ele e o ministro André Mendonça. Fachin convocou uma sessão plenária extraordinária para a próxima terça-feira (15/9) para tratar da petição 16.662, procedimento no qual Mendonça tornou públicas, em 1º de setembro, as conversas suspeitas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Moraes havia solicitado que, no mesmo dia, também fosse analisada a petição 16.704, em que apresentou questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos Master e INSS. O ministro Alexandre de Moraes usou relatórios da inteligência da Polícia Federal para acusar André Mendonça de, "em tese", ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com quebra da "imparcialidade judicial" e "favorecimento a determinados grupos políticos" ao atuar como relator dos casos. Em sua resposta, porém, Fachin negou o pedido e marcou para 23 de setembro o julgamento do pedido de investigação contra Mendonça. Moraes havia apresentado o requerimento à presidência alegando o "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual" caso os processos fossem apreciados separadamente. O ministro Gilmar Mendes também havia protocolado um pedido para que a Corte avaliasse, em conjunto, as acusações contra Mendonça e Moraes. Como será sessão do dia 15? As sessões extraordinárias do plenário são reuniões convocadas fora dos dias e horários em que normalmente ocorrem — nas tardes de quarta e quinta-feira — para a apreciação de temas urgentes ou de grande volume processual. Pule Mais lidas e continue lendo Mais lidas Peter Birle Trump tenta interferir na eleição brasileira e o preocupante é que muitas vezes isso funciona, diz cientista político alemão Os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do STF O celular de Vorcaro: os pedidos de ministros do STF para acesso a conteúdo — e a reposta de Mendonça Caro Claire Burke 'Influenciadoras que fingem submissão aos maridos são as mesmas que gerenciam impérios multimilionários', diz autora de best-seller sobre tradwives Imagem mostra as fotos dos candidatos à presidência em fundo roxo, com uma urna eleitoral ao centro Lula e Flávio Bolsonaro voltam a empatar no 2º turno no Agregador de Pesquisas para presidente da BBC News Brasil Fim do Mais lidas Pule Promoção Agregador de pesquisas e continue lendo O agregador de pesquisas da BBC News Brasil Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil Clique aqui Fim do Promoção Agregador de pesquisas Na sessão da próxima terça, é esperado que, além dos elementos trazidos contra Moraes nos diálogos recuperados no celular de Vorcaro pela Polícia Federal, o plenário também discuta o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o procedimento de Mendonça contra Moraes na petição. Ou seja, se Mendonça poderia ter solicitado a produção do relatório que obteve as conversas de Moraes com Vorcaro. Para a PGR, o ministro teria que ter submetido a questão ao plenário da Corte antes de determinar a apuração sobre a relação entre o colega de toga e o banqueiro. A procuradoria sustenta ainda que Mendonça extrapolou sua atuação como juiz ao "mirar" as investigações contra um alvo determinado. Quando convocou a sessão do dia 15, Fachin apontou que o fez para que haja uma deliberação unificada do caso e que essa possa pacificar o cenário de decisões monocráticas sobrepostas. Fachin justificou que há no STF um "quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal", com "decisões monocráticas sucessivas, proferidas por integrantes desta Corte em incidentes distintos, mas entrelaçados pelos mesmos fatos e autoridades". "Há especial dever de se assegurar a integridade e a adequada direção dos trabalhos desta Corte", diz. O presidente do STF também anunciou, entre outras coisas, que retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News. Mendonça e Moraes Crédito,Getty Images Legenda da foto,Mendonça e Moraes são pivôs da crise sem precedentes no Supremo As outras decisões de Fachin que podem ir ao plenário Quando anunciou pela primiera vez a convocação da sessão extraordinário do dia 15, Fachin paralisou o andamento da petição de Mendonça questionando a conduta de Moraes até que o plenário delibere sobre o processo na terça-feira. Ele também suspendeu qualquer procedimento ou investigação que envolva ministros do STF sem a prévia remessa e avaliação pela Presidência da Corte. O presidente ainda suspendeu os efeitos da liminar de Mendonça que atendeu a um pedido do Partido Novo, determinando o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência policial, Leandro Almada da Costa. Também suspendeu a decisão do ministro Flávio Dino, que havia determinado a reintegração de Andrei e Almada aos cargos. Ele argumentou que a deliberação é de "competência exclusiva da presidência do STF". Por fim, o presidente do STF ainda retirou da relatoria do ministro Moraes o chamado inquérito das fake news, que foi usado pelo ministro para acusar Mendonça de, "em tese", ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade. Segundo Moraes, houve quebra da "imparcialidade judicial" e "favorecimento a determinados grupos políticos" de Mendonça ao atuar como relator dos casos do escândalo do INSS e do Banco Master. Com a retirada de Moraes da relatoria, Fachin assumirá o polêmico inquérito das fake news — salvo as ações penais já instauradas em decorrência do inquérito, que continuarão a cargo de Moraes. O inquérito foi criado em 2019 por decisão do ministro Dias Toffoli, então presidente do STF, que escolheu Moraes como relator. O objetivo era apurar ameaças contra ministros do Supremo e "ataques à democracia". Desde então, o inquérito foi renovado e ampliado por Moraes — abarcando desde fraudes em cartões de vacinação de autoridades do governo Jair Bolsonaro aos ataques do 8 de Janeiro. Os anúncios de Fachin vieram após ministros aposentados do STF, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e lideranças empresariais cobrarem, nos últimos dias, que ele convocasse o plenário com urgência para deliberar sobre a crise. Descubra mais Edson Fachin Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes André Mendonça Banco Master Edson Fachin Fachin decide que julgará Moraes e Mendonça separadamente e marca nova sessão para 23 de setembro Há 2 horas André Mendonça Mendonça libera sigilo de inquéritos sobre 'Dark Horse', que envolve Flávio Bolsonaro, e sobre Jaques Wagner, aliado de Lula; o que se sabe 11 setembro 2026 Gilmar Mendes de perfil Os argumentos de Gilmar Mendes para que sessão do dia 15 também analise acusações contra Mendonça 11 setembro 2026 Fachin com olhar sério no Plenário do STF Fachin pede e Mendonça anuncia fim do sigilo de parte do caso Master 11 setembro 2026 Mais sobre Edson Fachin Pular Assista e continuarAssista Drones formam Torres Gêmeas em NY 00:36 Play Vídeo,Drones 'recriam' Torres Gêmeas nos 25 anos do 11 de Setembro, Duration 0,36 Filme Dark Horse 02:16 Play Vídeo,Dinheiro de Vorcaro e quem mais? 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Entenda a 'trend' de fotos de IA que viralizou 10 Mendonça libera sigilo de inquéritos sobre 'Dark Horse', que envolve Flávio Bolsonaro, e sobre Jaques Wagner, aliado de Lula; o que se sabe O RARÍSSIMO Fusca Pé-de-Boi 1965: A História Real por Trás do Modelo ‘Pelado’ da VW Movidos Por Motores 11 de jan. de 2026 #CarrosAntigos #Fusca #CarrosClássicos Neste vídeo apresento não apenas um raríssimo VW Fusca Pé-de-Boi 1965, mas sim 3 exemplares de um dos modelos mais simples e emblemáticos já produzidos pela Volkswagen no Brasil. Conto como surgiu a ideia do famoso “Fusca pelado”, por que a VW decidiu lançar um carro extremamente minimalista e quais eram suas principais diferenças em relação aos outros Fuscas da época. Além da história, mostro todos os detalhes desses exemplares, incluindo interior, acabamento, motor, características originais e curiosidades que pouca gente conhece. Se você gosta de carros antigos, história automotiva ou é apaixonado por Fusca, este vídeo vai te surpreender!
O Fusca mais básico que o básico, feito em 1965 pra crise: sem retrovisores, sem cromados, painel só velocímetro. Relíquia raríssima hoje! Você conhecia esse Fusca?
Obra registrada na época de sua criação, em 1959. A conexão poética e histórica une a sofisticação da arquitetura monumental e a realidade crua dos trabalhadores que ergueram a nova capital brasileira. O Contraste de Brasília: O Mármore e o Barro Os Cinco Pés sobre a Pedra (A Elite Arquitetônica): Inaugurado na esteira da nova capital (1960), o Palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) exibe os traços de Oscar Niemeyer. Seus apoios curvos de mármore branco — os "pés" sobre a pedra polida — criam a ilusão de leveza, flutuação e o ápice do modernismo institucional. O Pé de Boi sobre o Barro (A Força Candanga): No lado oposto da pirâmide social, os candangos trabalhavam como "bois" na terra, moldando a infraestrutura de Brasília em apenas 5 anos. O codinome "Pé de Boi", posteriormente herdado pelo Fusca despojado e focado no trabalho bruto, reflete a ausência de adornos e a pura resistência exigida daqueles que pisavam no barro vermelho do Planalto Central. A Homenagem Póstuma e o Orgulho Candango A epopeia de construir uma capital em tempo recorde cobrou vidas em acidentes e jornadas exaustivas. A marca dos pés deixados sobre as superfícies e monumentos de Brasília serve como uma homenagem póstuma silenciosa a esses operários. Longe de ser um termo pejorativo, o título de Candango transformou-se em sinônimo de orgulho e dignidade: o reconhecimento definitivo de que a beleza flutuante do mármore de Niemeyer só existe porque foi sustentada pela força de quem cravou os pés no barro. Se quiser aprofundar nessa homenagem histórica, posso detalhar: A história por trás do Monumento aos Candangos (escultura "Os Guerreiros" de Bruno Giorgi) na Praça dos Três Poderes. O cotidiano e as vilas operárias temporárias, como a Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante).
Os Candangos
Os Candangos' Autor Bruno Giorgi Data 1957 Gênero escultura pública Técnica bronze Dimensões 8 metro Localização Praça dos Três Poderes [edite no Wikidata] Supremo anula lei municipal que proibia seguradoras de comprar peças de reposição de veículos Norma de São José do Rio Preto (SP) contrariava a regulamentação federal sobre mercado de seguros 11/09/2026 16:05 - Atualizado há 17 horas atrás O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade de uma lei municipal de São José do Rio Preto (SP) que proibia seguradoras de comprar diretamente peças de reposição de veículos. A decisão foi tomada no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1258, na sessão virtual encerrada em 4 de setembro. A norma previa que somente oficinas poderiam comprar os produtos para serviços de funilaria e pintura. Na ação, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSEG) alegava que o município teria invadido a competência da União para regular o setor de seguros privados. O relator, ministro Gilmar Mendes, acolheu os argumentos. O decano ressaltou que cabe à União regulamentar os seguros, como já fez por meio do Decreto-Lei 73/1966, que estrutura o Sistema Nacional de Seguros Privados. O ministro lembrou ainda que está em vigor uma circular que trata justamente da aquisição dessas peças para veículos sinistrados. “A regulamentação federal já disciplina de maneira minuciosa e suficiente a forma como devem ser realizados os reparos, incluindo a possibilidade de aquisição direta de peças por parte das seguradoras, bem como o uso de peças novas ou usadas, desde que observados os critérios legais e técnicos definidos”, afirmou. A decisão foi unânime. (Paulo Roberto Netto//CF) Bíblias, psicanálise, Zéfiro e Trotsky: Eugênio Bucci mostra o que guarda em sua biblioteca; veja Kid Abelha - Grand' Hotel (clipe original - 1991) andrefbr 7 de nov. de 2007 Música do álbum "Tudo é permitido", de 1991. Clipe gravado em Veneza (Itália), em abril de 1991. Diretor: Lui Farias. Vídeo por Marcos Augusto. Nada tanto assim Kid Abelha Só tenho tempo pras manchetes no metrô E o que acontece na novela Alguém me conta no corredor Escolho os filmes que eu não vejo no elevador Pelas estrelas que eu encontro Na crítica do leitor Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Só me concentro em apostilas Coisa tão normal Leio os roteiros de viagem Enquanto rola o comercial Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Só me concentro em apostilas Coisa tão normal Leio os roteiros de viagem Enquanto rola o comercial Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Composição: Bruno Fortunato, Leoni. Bíblias, psicanálise, Zéfiro e Trotsky: Eugênio Bucci mostra o que guarda em sua biblioteca; veja Estadão Estreou em 3 de set. de 2026 #Notícias #Estadão Eugênio Bucci usa um trecho da canção 'Nada tanto assim' do Kid Abelha para definir sua biblioteca pessoal: “Eu tenho pressa. E tanta coisa me interessa. Mas nada tanto assim”. Quando a faixa do álbum 'Seu Espião' foi lançada, em 1984, o jornalista era recém-formado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). “Eu sou um curioso. Vou passando pelas coisas sem conhecê-las o suficiente”, ele define. Em seu escritório, na região de Pinheiros, em São Paulo, Bucci guarda parte da sua coleção de livros. “Essa é uma biblioteca mais árida, uma biblioteca de pensamento”, explica. As obras de literatura e poesia, por exemplo, estão guardados em sua casa em Orlândia, a cerca de 300 km da capital, onde nasceu. Bucci é mais um escritor que topou participar do Coleção de Livros, série do Estadão que vasculha as estantes literárias de diferentes personalidades. ASSISTA A TODOS OS EPISÓDIOS: • Coleção de livros - OS LIVROS E AUTORES CITADOS POR BUCCI: As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (coleção Clássicos Jackson) O processo da comunicação: introdução à teoria e à prática, de David K. Berlo Dicionário Oxford de literatura clássica, de Paul Harvey Dicionário infernal: repertório universal, de Collin de Plancy O capital, de Karl Marx (edição da Ubu Editora, em três volumes) A Bíblia de Jerusalém (selo Edições Paulinas) Bhagavad-Gita, de Krsna Dvaipayana Vyasa Alcorão (texto sagrado islâmico) Autobiografia de um iogue, de Paramahansa Yogananda O erotismo, de Georges Bataille Marquês de Sade (político e filósofo francês) Max Weber (sociólogo alemão) Carlos Zéfiro, quadrinista brasileiro Juca Kfouri, jornalista brasileiro Ética, de Baruch Spinoza Marilena Chauí (filósofa brasileira) Ensaios e conferências, de Martin Heidegger Capitalismo superindustrial, de Fernando Haddad A superindústria do imaginário, de Eugênio Bucci A vida simbólica, de Carl G. Jung Sigmund Freud (psicanalista austríaco) O seminário, de Jacques Lacan O avesso da psicanálise, de Jacques Lacan Escritos, de Jacques Lacan Suplemento cultural (seção de O Estado de S. Paulo) Antonio Candido (crítico literário brasileiro) Johannes Gutenberg (gráfico alemão) The World on Sunday: Graphic Art in Joseph Pulitzer's Newspaper, de Nicholson Baker Joseph Pulitzer (jornalista húngaro) 200 anos de Correio Braziliense (fac-símiles organizados por Alberto Dines) Fernando Henrique (sociólogo e ex-presidente) Elio Gaspari (jornalista brasileiro) Notícias do Planalto, de Mario Sérgio Conti Lucia Santaella (professora brasileira) Charles Sanders Pearce (filósofo norte-americano) A história da Revolução Russa, de Leon Trotski Drummond frente e verso: fotobiografia de Carlos Drummond de Andrade The final days, de Bob Woodward e Carl Bernstein Jorge Luis Borges (escritor argentino)
Flávio é um candidato sob suspeita Por O Estado de S. Paulo Com autorização de André Mendonça, Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pela PF por sua relação financeira com Daniel Vorcaro e segue devendo explicações convincentes ao País O País acaba de tomar conhecimento de que Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL, é oficialmente investigado pela Polícia Federal (PF) por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, apura se Flávio cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Como se sabe, Flávio pediu de viva voz R$ 134 milhões a Vorcaro, tendo recebido mais de R$ 60 milhões, segundo a PF. O candidato, inclusive, esteve pessoalmente com o banqueiro vigarista no curto interstício em que ele esteve livre, condicionado ao uso de tornozeleira eletrônica, entre uma prisão e outra. É gravíssimo o fato de um candidato favorito, de acordo com as pesquisas de intenção de voto, concorrer à Presidência da República na condição de investigado – e sob tão sérias suspeitas. Isso só reforça que Flávio Bolsonaro não reúne condições morais nem sequer para disputar cargos eletivos, quanto mais para ser chefe de Estado e de governo. Ao que tudo indica, o financiamento do tal filme pode ter sido apenas um meio de obtenção de dinheiro sujo da rede de operações de Vorcaro para bancar uma série de gastos de figuras de proa do bolsonarismo – desde a produção do filme propriamente dita até o sustento da vida de playboy que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, leva nos Estados Unidos. Um fundo de investimentos no Texas, cujo titular é um advogado amigo de Eduardo, recebeu dinheiro de sócios de Vorcaro para, supostamente, cobrir despesas da produção de Dark Horse, uma transação inusual no setor audiovisual. Ademais, há suspeita, ainda a ser investigada, de que parte dos milhões recebidos por Flávio de Vorcaro possa ter sido usada no financiamento de sua própria campanha eleitoral, o que caracterizaria “caixa dois”. Louve-se aqui a iniciativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de pedir a Mendonça, relator do caso Master na Corte, que levantasse o sigilo das investigações, pedido este atendido, ainda que parcialmente. Por mais graves que sejam as informações que ora vêm a público, é incerto se elas prejudicarão a candidatura presidencial de Flávio. Mas isso pouco importa. O eleitor tem o direito de ir às urnas sabendo exatamente de tudo o que pesa contra quem pretende governá-lo. A decisão de voto diz respeito apenas à sua consciência. Diante dessa mixórdia entre interesse público e interesses privados, Flávio não só segue devendo explicações convincentes ao País, como chega a ser cínico ao insistir que tudo não teria passado de uma relação “privada”, envolvendo dinheiro “privado”. É uma dupla mentira. Em primeiro lugar, porque há fundadas suspeitas de que recursos de emendas ao Orçamento da União do deputado federal Mario Frias (PL-SP) tenham sido direcionados para o orçamento de Dark Horse, como revelou a Operação Make Up, deflagrada pela PF há poucos dias. Em segundo lugar, porque o dinheiro de Vorcaro não pode ser tratado naturalmente como recurso privado: trata-se de fruto da maior fraude financeira de que o País já teve notícia. O que Flávio trata como dinheiro “privado” é o prejuízo de milhões de correntistas, investidores, servidores públicos e aposentados, o maior rombo já coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos. Se Flávio Bolsonaro considera normal financiar uma hagiografia do pai – e sabe-se lá mais o quê – com recursos de origem tão gritantemente espúria, a fragilidade jurídica da defesa é o menor de seus problemas. Está-se diante, isso sim, de sua própria falência ética. Espera-se que um candidato à Presidência da República saiba distinguir entre o certo e o errado, o público e o privado, o lícito e o ilícito. Alguém que se perde entre essas noções elementares, evidentemente, não está qualificado para governar o Brasil. Pode não parecer, mas caráter ainda importa. E ele se revela nas escolhas feitas por um candidato. Flávio fez as suas: chamou Vorcaro de “irmão” no áudio em que lhe pediu R$ 134 milhões e não teve pudor em ignorar a origem do dinheiro. Que os eleitores se perguntem que espécie de irmandade é essa – e o que ela diz sobre quem aspira à Presidência da República.
A era da fricção Por O Estado de S. Paulo Estudo mostra que o mundo enfrenta hoje o maior número de conflitos militares desde o fim da 2.ª Guerra. Esse recorde reflete a precariedade perigosa da nova distribuição de poder O Uppsala Conflict Data Program, uma das principais bases sobre conflitos armados, registrou no ano passado 65 conflitos envolvendo ao menos um Estado, o recorde desde o final da 2.ª Guerra Mundial, em 1945. As mortes cresceram mais de 30% em um ano. Mas a violência não recrudesceu por igual. O Sudão respondeu pela explosão das mortes de civis, ao mesmo tempo que conflitos entre grupos não estatais recuaram. Por outro lado, em apenas dois anos, os conflitos entre Estados saltaram de dois para oito. Na Europa, a mudança ganhou contornos antes disso. A anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 mostrou que uma fronteira podia novamente ser alterada pela força. A invasão russa da Ucrânia em 2022 submeteu a teste muito maior a disposição do Ocidente de sustentar os agredidos. Moscou descobriu que europeus e americanos forneceriam armas, dinheiro e inteligência em escala, mas evitariam combater uma potência nuclear. Quatro anos depois, os limites continuam sendo apurados no campo de batalha. Logo após o fim da guerra fria, esses testes pareceram menos atraentes. A chamada Pax Americana esteve longe de ser uma era de paz, mas combinou uma excepcional superioridade dos EUA com a arquitetura de alianças, bases, instituições e compromissos que construíra desde 1945. Parte do êxito era invisível: uma garantia que dissuade um ataque não precisa ser acionada; uma fronteira que ninguém atravessa não vira manchete. A previsibilidade podia assim ser confundida com uma propriedade natural do sistema internacional. Essa arquitetura está sob pressão. A Rússia tenta rasurar a ordem territorial da Europa e testa seus nervos com provocações híbridas. A ascensão da China mudou a distribuição de poder sem arrancá-la de uma economia global que ajudou a enriquecê-la. No Oriente Médio, a guerra com o Irã rompeu limites que por décadas canalizaram a hostilidade para milícias aliadas e confrontos indiretos. Os EUA continuam sendo a potência militar preeminente, mas sua política também produz instabilidade. Ao questionar alianças e compromissos, o presidente americano Donald Trump deprecia ativos que multiplicaram o próprio poder de seu país. Redistribuir poder é mais rápido do que estabelecer regras que acomodem a nova distribuição. Nos anos 1930, sucessivos desafios expuseram a distância crescente entre as regras existentes e a disposição das potências para sustentá-las. Cada teste mal contido tornou o seguinte mais tentador. A guerra fria seguiu outra trajetória. Depois de crises que resvalaram na catástrofe, Washington e Moscou aprenderam limites, criaram canais de comunicação e pactuaram controles de armas. Continuaram inimigos, mas redigiram uma gramática de dissuasão que minimizou os riscos de colisão direta. O presente não reproduz nenhum desses períodos. Há mais centros de decisão do que na guerra fria e interdependência econômica muito maior do que nos anos 1930. A multiplicidade de arsenais nucleares desencoraja uma guerra entre potências – embora torne qualquer erro de cálculo incomparavelmente mais perigoso. Talvez “interregno” descreva esse intervalo: a velha arquitetura ainda existe, porém organiza as expectativas com menos segurança, enquanto nenhuma outra adquiriu autoridade para substituí-la. A Europa mostra como erosão e recomposição podem avançar juntas. A agressão russa levou a Finlândia e a Suécia à Otan e acelerou o rearmamento. Persistem, porém, carências militares e industriais, enquanto as incertezas plantadas por Trump abalam o coração da dissuasão transatlântica. Capacidade militar e credibilidade política nem sempre caminham juntas. Pequim observa essas respostas ao calcular seus riscos em Taiwan, onde o êxito da dissuasão depende de evitar o experimento que revelaria até onde cada lado está disposto a ir. O recorde de conflitos ocorre, portanto, num momento inquietante. A unipolaridade acabou, mas a distribuição de poder que emerge em seu lugar ainda não encontrou limites suficientemente reconhecidos e críveis. É nesse intervalo que potências medem compromissos, sondam adversários e calculam se devem recuar ou dobrar a aposta. Um sistema se torna especialmente perigoso quando a maneira mais confiável de descobrir onde termina a liberdade de ação de um país é avançar até que outro o detenha.
A ilusão da deflação Por O Estado de S. Paulo Energia derruba inflação em agosto, mas alívio é temporário e preços de maneira geral continuarão pressionados O índice oficial de inflação do País registrou queda de 0,32% na inflação em agosto, a maior desde 2022. Foi a primeira deflação desde agosto de 2025, o que é sempre uma boa notícia em um país que convive há anos com preços sob pressão. Mas é exatamente por isso que é importante avaliar os motivos por trás desses resultados para saber se são pontuais ou definitivos. E o resultado, desta vez, foi puxado sobretudo pela redução de 7,63% nos preços de energia elétrica, que caíram em razão do chamado bônus de Itaipu, um desconto extraordinário aplicado às faturas emitidas no mês passado. É verdade que não foi apenas o preço da energia que caiu em agosto. Passagens aéreas recuaram 13,17%, e o grupo Alimentação e Bebidas teve queda pelo terceiro mês consecutivo, desta vez de 0,34%, inclusive em itens relevantes para o consumo das famílias brasileiras, como tomate, batata-inglesa, cenoura, cebola, ovos e café moído. Mas a contribuição negativa da energia para o cálculo da inflação foi crucial, de 0,33 ponto porcentual. Ou seja, sem o bônus de Itaipu, não teria havido deflação no mês passado, mas uma pequena inflação de 0,01%. Sem o bônus, em setembro os preços de energia voltarão ao patamar em que estavam, e a perspectiva de efeitos do super El Niño no campo deve pesar nos alimentos a partir de agora. Houve redução, também, de 0,91% nos preços de combustíveis, entre os quais etanol (-3,95%), gasolina (-0,59%) e diesel (-0,80%). Mas isso não teria sido possível sem as medidas que o governo Lula tem adotado desde março para segurar preços após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã e a consequente escalada da cotação do barril de petróleo. Subsídios fiscais a combustíveis e subvenções a produtores e importadores já custaram R$ 25 bilhões aos cofres públicos e devem demandar mais R$ 12,5 bilhões somente até o fim deste mês. O consumidor pode até não perceber o efeito dessas ações na bomba, mas é esse tipo de política pública que explica o fato de a taxa básica de juros estar em 14% ao ano. Em 12 meses, a inflação acumulada está em 4,22%, acima do centro da meta (3%), mas abaixo do limite superior (4,5%). Bancos e consultorias como Bradesco, Suno Research e Warren Investimentos, no entanto, projetam que o IPCA deve encerrar o ano em 5%. Nada disso deve interromper o ciclo de redução da Selic. Para a maioria do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) provavelmente cortará os juros em mais 0,25 ponto porcentual na semana que vem, para 13,75% ao ano. Para o governo Lula, tanto a deflação quanto a queda dos juros a menos de um mês da eleição certamente serão exploradas por sua campanha, mesmo porque tudo de que sua equipe precisa neste momento são notícias positivas que se contraponham à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). O maior desafio, no entanto, será convencer a população de que sua percepção sobre seu custo de vida e a economia como um todo vale menos que os indicadores divulgados pelo IBGE.

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