terça-feira, 22 de setembro de 2026

OS MODERADOS DECIDIRÃO

"Aos vitoriosos, os espólios da guerra." Donald "de Assis" Trump começou na ONU perdendo de 2 a 0: o primeiro gol foi de Portugal e o segundo do Brasil. "Ao vencedor, as batatas."
Em resposta a @profFelipeNunes 14/ A crise do banco Master começa a produzir mudanças de percepção. O eleitorado deixa de criticar todo mundo e passa a ver efeito negativo sobre Bolsonaro (21%), o STF (16%) e Lula (11%). 21:20 · 21 de set. de 2026 · 88,8 mil Visualizações
html

Marília de Dirceu e o Neto de Tancredo nas Eleições ao Senado

Oh, Minas Gerais!

Em Minas, o Dirceu da candidata ao Senado evoca a própria história mineira. Em outubro de 2026, quem decidir votar no neto de Tancredo para o Senado também poderá contar com o Dirceu de Marília na outra vaga.

São as regras do jogo. Como as coligações hoje são permitidas apenas para os cargos majoritários — e totalmente proibidas nas proporcionais —, o xadrez político permite essas composições peculiares. Para o Senado, o Governo do Estado e a Presidência, a conversa é outra. São outros quinhentos tostões, ou mil-réis... Quem vai saber!

✦ ✦ ✦

Corolário Inconfidente: Marília em Campos e Ouro

I Por entre as pedras de Vila Rica,
passam homens, brasões, bandeiras...
O neto do mito na estrada fica,
trocando a herança por sesmarias estrangeiras.
Volta-se os olhos ao mar de outrora,
onde o consórcio do poder se desfaz:
quem se aliou ao vento de fora,
perdeu o rumo das Minas Gerais.
II Vede o herdeiro de antiga glória,
que a São Paulo entrega o seu destino,
andando à margem da própria história,
feito emboaba, feito peregrino.
Atado ao laço de um pernambucano,
em solo paulista busca o seu porto;
mas no xadrez de um destino humano,
quem deixa a terra, já colhe o horto.
III Porém na terra dos desmandos,
onde o ouro se esconde sob o chão bruto,
fica Marília, firme em seus Campos,
colhendo o voto, lavrando o fruto.
Não precisa do vulto que se ausenta,
nem do fantasma que virou poeira;
sua raiz é que a sustenta,
dona e senhora da sua trincheira.

Corolário: Se a fresta do tempo separa os amantes e os partidos, a lição que se extrai do destino de outubro é clara como a água dos ribeirões mineiros: as posses mudam, os impérios caem e os homens se tornam forasteiros da própria terra quando dela se apartam. Mas Marília de Dirceu, senhora de si em seus Campos e fincada nas Minas do Ouro, não carece de consortes idos. Ela segue só, pois compreendeu, no silêncio das montanhas, que em Minas o poder não se transfere por herança: ele pertence a quem guarda o território e não deserta de sua própria província.

Ai, ai, ai! Está chegando a hora! Outubro já vem chegando, meu bem...
Quem parte leva saudades, quem fica lavra o ouro nos quintos do inferno.

Use o código com cuidado. AO VIVO: LULA E TRUMP DISCURSAM EM INSTANTES NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU | LIVE CNN 22/09 Entrevista Completa: Lula na CNN, com Christiane Amanpour
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Os moderados decidirão as eleições no segundo turno entre Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense E quem são os que decidirão as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda entre dois e cinco salários-mínimos e, predominantemente, com ensino médio Há duas semanas, em Brasília, o movimento Direito Já organizou uma reunião em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estavam lá diferentes lideranças da sociedade civil, a esmagadora maioria já engajada na reeleição de lula, a começar pelo anfitrião, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Não houve nenhuma grande adesão no encontro, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães. Alckmin foi absolutamente enfático na sua intervenção quanto à necessidade de disputar os votos do centro, melhor dizendo, dos eleitores que ainda não estão engajados no pleito e que se pautam pela moderação. Foi um discurso no qual fez comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e reconheceu que não existe uma percepção de que a economia melhorou na atual administração, apesar de os indicadores dizerem o contrário. Mas foi enfático ao apontar a defesa do Estado Democrático de Direito como um grande divisor de águas para a conquista desses eleitores. Alckmin sabe das coisas, é um gato escaldado e já se deu conta de que a reeleição de Lula está escorrendo entre os dedos. A semana começou com as pesquisas BTG/Nexus e Quaest confirmando que a eleição está aberta e o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro será uma disputa por uma fatia estreita de eleitores: os moderados apontados por Alckmin. Na Nexus, Lula lidera o primeiro turno por 40% a 37% e, numericamente, vence o segundo por 46% a 45%. Na Quaest, Lula também lidera o primeiro, por 37% a 33%, mas Flávio aparece numericamente à frente no segundo, por 42% a 41%. Todas essas diferenças estão dentro das respectivas margens de erro. Lula e Flávio cresceram no primeiro turno em relação à rodada anterior, Lula de 36% para 37% e Flávio de 31% para 33%, enquanto os indecisos caíram de 10% para 8%. Augusto Cury aparece com 6%, Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 1%. A redução do número de indecisos reforça a ideia de que a disputa de corações e mentes dos eleitores moderados deve ser a principal preocupação dos dois candidatos. A pesquisa Nexus mostra que Lula e Flávio construíram coalizões eleitorais socialmente muito diferentes. No primeiro turno, Lula chega a 52% no Nordeste, contra 30% de Flávio; no Sul, Flávio vence por 43% a 27%. No Sudeste, entretanto, ocorre empate exato: 39% a 39%. No Norte/Centro-Oeste, Flávio lidera por 42% a 34%. São dois Brasis, profundamente divididos. Divisão profunda No segundo turno, esse mapa se torna ainda mais dramático: Lula vence no Nordeste por 58% a 35%, enquanto Flávio abre 57% a 30% no Sul. No Norte/Centro-Oeste, o placar é 49% a 43% para Flávio. E o Sudeste transforma-se no principal campo de batalha: 46% para Flávio e 45% para Lula. Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, pequenas oscilações representam milhões de votos. A divisão geográfica se encontra com a condição social dos eleitores: Lula marca 50% entre quem ganha até um salário-mínimo e 48% na faixa de um a dois salários; Flávio tem apenas 29% e 28%, respectivamente. A partir de dois salários, porém, a situação se inverte: Flávio vence por 41% a 36% entre dois e cinco salários, e por 46% a 33% acima de cinco salários. Essa clivagem se reproduz ainda no nível de escolaridade: Lula alcança 51% entre os eleitores com ensino fundamental, contra 26% de Flávio. O candidato do PL assume a dianteira no ensino médio, por 45% a 34%, e no superior, por 41% a 33%. Essa divisão coincide mais ou menos com os dados recentes da Quaest: na rodada anterior, Lula também dominava o eleitorado de menor escolaridade e renda, enquanto Flávio liderava nas faixas intermediárias e superiores. E quem é o moderado que decidirá as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda intermediária, especialmente entre dois e cinco salários-mínimos, e predominantemente com ensino médio. É, justamente, onde a vantagem estrutural de Lula entre os mais pobres começa a se desvanecer e a superioridade de Flávio entre os segmentos de renda mais alta ainda não é absoluta. Trata-se de um eleitor menos dependente do lulismo e do bolsonarismo e, por isso, potencialmente mais sensível à economia, ao custo de vida, aos serviços públicos e aos acontecimentos político da reta final. Entretanto, no contexto geral, é um contingente pequeno, com pouca margem para disputa. Na Nexus, 84% dos eleitores que escolheram candidato no primeiro turno dizem que não mudarão mais; entre os eleitores de Flávio, são 92%, e entre os de Lula, 90%. No segundo turno, 91% consideram a escolha definitiva e somente 7% admitem mudar. A Quaest acrescenta um dado que pode ser decisivo: Lula tem rejeição de 55% e Flávio, de 56%. Como os marqueteiros costumam falar, enquanto o primeiro turno é pautado pelo sim, o segundo é pelo não. A rejeição é um fator que não pode ser desconsiderado no voto desses eleitores mais moderados: 43% dizem temer mais um novo mandato de Lula, enquanto 42% temem o retorno da família Bolsonaro ao Planalto. A eleição também é uma disputa de rejeições. Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, não parece haver uma onda eleitoral em formação. Há dois grandes blocos praticamente consolidados e um corredor estreito entre eles. O vencedor será aquele que conquistar alguns pontos no Brasil dos moderados e, sobretudo, conseguir transformar intenção de voto em comparecimento efetivo às urnas. Numa eleição de 46% a 45% ou de 42% a 41%, mobilização valerá tanto quanto persuasão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário