sexta-feira, 18 de setembro de 2026

"... ao seu alvedrio!"

"O problema é que a República está à venda, independentemente de qual filósofo seja citado." STF Filosófico: Pondé comenta citações de ministros durante sessão histórica sobre Master e Moraes Folha de S.Paulo 17 de set. de 2026 Afinal, Aristóteles realmente afirmou que a ironia serve para descontrair o ambiente, como colocou o ministro Flávio Dino? Citado cinco vezes pelo ministro, o filósofo da Grécia Antiga não esteve sozinho ao longo da sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça (15), que discutiu se Alexandre de Moraes deve ser investigado. Foram diversas as referências culturais movimentadas pelos ministros do Supremo que, em meio a bate-bocas, citaram Thomas Hobbes e Dieter Grimm, e também Fábio Porchat, Chico César e Clarice Lispector. Para falar do uso da filosofia por parte dos ministros ao longo da sessão tanto histórica quanto tensa, a TV Folha convidou o colunista Luiz Felipe Pondé para comentar esses momentos filosóficos e e mostrar o que estas citações e referências nos contam a respeito da crise do STF, do caso Master e da corrida eleitoral. Johann Sebastian Bach - Toccata e Fuga em Ré Menor Fábio Fidelix
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AO SEU ALVEDRIO

Um Esquete de Debate Farsesco


PERSONAGENS:

FLÁVIO: Magistral, expansivo, usa uma toga ou terno impecável. Utiliza a erudição jurídica e citações clássicas como um escudo de otimismo institucional. (O "Branco"/Sério).

PONDÉ: Sarcástico, veste um paletó desalinhado, toma um café expressivo e observa o mundo com um tédio filosófico e realista. (O "Augusto"/Subversivo).

CENÁRIO: Uma mesa de debate dividida simetricamente. Do lado de Flávio, pilhas de livros de direito constitucional e uma balança da justiça. Do lado de Pondé, uma xícara de café, livros de Schopenhauer e um cinzeiro vazio.


[CENA 1]

(O debate está no ápice. FLÁVIO gesticula com as mãos, projetando a voz como se estivesse no plenário.)

FLÁVIO

(Imponente)

...Porque a higidez do tecido democrático, meu caro colega, não suporta o império das vontades miúdas! Como bem vaticinou Rui Barbosa em réplica histórica: "A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras". Não podemos deixar o destino da pólis ao sabor do capricho hermenêutico de quem não compreende a liturgia do cargo! Portanto, a decisão final deve ser devolvida à sacralidade do rito, e não... ao seu alvedrio!

(FLÁVIO bate com a mão na mesa, triunfante, e ajeita os óculos, esperando o peso da erudição esmagar o oponente.)

PONDÉ

(Não se move. Dá um gole lento no café, suspira com um tédio quase existencial e olha diretamente para Flávio)

Flávio, a sua profissão de fé na burocracia iluminada seria quase tocante, se não fosse perigosamente ingênua. Você cita Rui Barbosa como se o mercado da vaidade humana se importasse com a gramática constitucional. O homem público não quer a pólis; ele quer o privilégio. Como dizia o velho Thomas Hobbes no Leviatã, o homem é o lobo do homem e o desejo de poder só cessa na morte. Portanto... A República está à venda, independentemente de qual filósofo seja citado.

FLÁVIO

(Escandalizado, põe a mão no peito)

Ora, Pondé! Isso não é realismo, é niilismo de galocha! Hobbes estava superado no momento em que Montesquieu calibrou os freios e contrapesos! Se a República estivesse à venda, o balcão de negócios já teria falido por excesso de regulação! A moldura normativa existe justamente para conter o lobo!

PONDÉ

(Sorri de canto, irônico)

Montesquieu desenhou os freios, mas esqueceu que quem dirige o carro adora uma propina institucional. O que você chama de "moldura normativa", o brasileiro médio chama de "despesa de cartório". O otimismo jurídico é o ópio dos intelectuais que têm motorista particular.

FLÁVIO

(Avançando o corpo na mesa, professoral)

O direito não é ópio, é o amparo dos desvalidos! Prefiro errar com a esperança de San Tiago Dantas ao cinismo de quem assiste ao colapso social saboreando um ristretto! A história é um processo de emancipação!

PONDÉ

(Coloca a xícara na mesa com um clique seco)

A história, meu caro, é apenas um ensaio geral para o próximo desastre. Schopenhauer já matou essa charada: o mundo é vontade e representação. Você representa muito bem a dignidade do Estado, mas a vontade lá fora continua sendo a de sempre: levar vantagem em tudo. A República não é um templo, Flávio. É um feirão de usados de terno e gravata.

(FLÁVIO abre a boca para citar a Constituição de 1988, mas PONDÉ apenas levanta a xícara em um brinde silencioso. A luz foca nos dois em posições congeladas: a esperança da toga contra o ceticismo do café.)


[FIM DO ESQUETE]

Use o código com cuidado. O Fortuna ~ Carmina Burana - Better With Metal (metal cover) Better With Metal A Igreja do Diabo (Audiolivro), de Machado de Assis poeteiro 33.788 visualizações 19 de fev. de 2019 Caros amigos: Embora nosso trabalho não tenha fins lucrativos, sua manutenção exige tempo, gente e dinheiro. Se puder apoiá-lo, Gratidão! "Então no final das contas..." eu não sei, não, se em algum momento o Flávio Dino não vai acusar o Mendonça de estar praticando um enorme sofisma nesse processo." Dom de Iludir (Com Caetano Veloso) Hebe Camargo Não me venha falar Na malícia de toda mulher Cada um sabe a dor E a delícia De ser o que é Não me olhe Como se a polícia Andasse atrás de mim Cale a boca E não cale na boca Notícia ruim Você sabe explicar Você sabe Entender tudo bem Você está Você é Você faz Você quer Você tem Você diz a verdade A verdade é o seu dom De iludir Como pode querer Que a mulher Vá viver sem mentir Composição: Caetano Veloso.
Ao Professor José Luiz Ribeiro e a Maria Lúcia Campanha da Rocha Ribeiro (in memoriam), no 60º aniversário do Grupo Divulgação, por eles criado.

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