Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Lei de retorno
Humildade e Liberdade de Pensamento: Homilton expressa sua modéstia diante da tarefa de falar sobre a vida de Eurípedes, afirmando que não busca revelar fatos que dificilmente se escreveriam tal qual foram na realidade. Ele destaca que seu principal título — e que lhe pertence por direito divino — é o da liberdade de pensamento e de ação concedido por Deus, permitindo-lhe falar livre de preconceitos e do convencionalismo social, seguindo apenas a sua consciência.
“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” — Jesus. (JOÃO, 5.29)
O versículo João 5:29 traz um ensinamento de Jesus sobre a responsabilidade das escolhas humanas e o destino após a morte:
A ressurreição da vida: Destinada àqueles que praticaram o bem e creram na mensagem do Mestre.
A ressurreição da condenação: Referente àqueles que persistiram de forma consciente na prática do mal.
O Contexto da PassagemA voz do Filho do Homem: Pouco antes, no versículo 28, Jesus afirma que virá a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz.
O critério do julgamento: O texto aponta para a universalidade da ressurreição, abrangendo tanto justos quanto injustos, tendo as obras e a atitude do coração como reflexo do caráter de cada pessoa.
Diferentes correntes religiosas interpretam o trecho de formas particulares:
No Cristianismo Tradicional: Vê-se a passagem como a confirmação de um juízo final onde os salvos (pela fé demonstrada em frutos de justiça) herdam a vida eterna, e os perdidos enfrentam a separação de Deus. Você pode acompanhar reflexões devocionais sobre o tema na Bíblia Online.
No Espiritismo: O trecho é frequentemente associado à lei de causa e efeito e à reencarnação, onde o espírito colhe em novas experiências aquilo que construiu em jornadas anteriores, conforme abordado em comentários literários como no Livro Pão Nosso.
Passagens relacionadas na BíbliaDaniel 12:2 – Fala sobre os que dormem no pó da terra despertarem para a vida eterna ou para a vergonha eterna.
Mateus 25:31 – Descreve a vinda do Filho do Homem em sua glória para o julgamento.
Atos 24:15 – Menciona a esperança da ressurreição tanto dos justos quanto dos injustos.
Pão Nosso #127 - Lei de retornoNEPE Paulo de Tarso | Evangelho e EspiritismoTransmitido ao vivo em 14 de set. de 2023Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.1 Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação.
2 Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível?
3 As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. 4 Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz.
5 Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.
6 É a volta à lição ou ao remédio.
Não lhes surge diferente alternativa.
7 A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.
8 Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas.
9 Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina muito mais rica e magnânima que parece.
10 Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos.
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.127Lei de retorno
Creia no seu poder interno.A energia positiva que há
dentro de você é a
felicidade em ação.Cuidar do corpo e do Espírito - O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Item 11Canal CEICVocê está em: O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVII — Sede perfeitos > Instruções dos Espíritos. > Cuidar do corpo e do Espírito. > 11
11. Consistirá na maceração do corpo a perfeição moral? Para resolver essa questão, apoiar-me-ei em princípios elementares e começarei por demonstrar a necessidade de cuidar-se do corpo que, segundo as alternativas de saúde e de enfermidade, influi de maneira muito importante sobre a alma, que cumpre se considere cativa da carne. Para que essa prisioneira viva, se expanda e chegue mesmo a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar são, disposto, forte. Façamos uma comparação: Eis se acham ambos em perfeito estado; que devem fazer para manter o equilíbrio entre as suas aptidões e as suas necessidades tão diferentes? Inevitável parece a luta entre os dois e difícil achar-se o segredo de como chegarem a equilíbrio.
Dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma quanto a outra. Ao lado desses dois grandes partidos, formiga a numerosa tribo dos indiferentes que, sem convicção e sem paixão, são mornos no amar e econômicos no gozar. Onde, então, a sabedoria? Onde, então, a ciência de viver? Em parte alguma; e o grande problema ficaria sem solução, se o Espiritismo não viesse em auxílio dos pesquisadores, demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma e dizendo-lhes que, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa. Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso: está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito. Dobrai-o, submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: esse o meio de o tornardes dócil à vontade de Deus e o único de alcançardes a perfeição.
Jorge, Espírito Protetor.
Paris, 1863.
O texto da imagem é o início do capítulo "15 - Testemunho e Definição", pertencente ao livro "Eurípedes - o Homem e a Missão" (página 173).
Abaixo está o resumo dos pontos principais do trecho:
Elogio à obra de Homilton Wilson: O texto se inicia com uma reflexão sobre os escritos de Homilton Wilson (irmão consangüíneo e discípulo de Eurípedes Barsanulfo), destacando como ele define com brilhantismo e fidelidade a posição de Eurípedes como um verdadeiro Espírita consciente de seus deveres perante a Doutrina de Salvação e o Cristo.
O contexto de incompreensão: É mencionado que, em uma época de desmandos religiosos em que a pureza da Codificação Kardequiana enfrentava velhas fraudes, era natural que os adeptos do Espiritismo enfrentassem as sanções e a incompreensão do cotidiano.
O testemunho de Homilton (1945): É citado o trecho de uma palestra proferida por Homilton Wilson em 28/06/1945, no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Ribeirão Preto (SP). Nela, ele afirma categoricamente: "Eurípedes foi Espírita" e que ele realizou diante de todos tudo o que é ressaltado no estudo e na meditação da Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec.
Humildade e Liberdade de Pensamento: Homilton expressa sua modéstia diante da tarefa de falar sobre a vida de Eurípedes, afirmando que não busca revelar fatos que dificilmente se escreveriam tal qual foram na realidade. Ele destaca que seu principal título — e que lhe pertence por direito divino — é o da liberdade de pensamento e de ação concedido por Deus, permitindo-lhe falar livre de preconceitos e do convencionalismo social, seguindo apenas a sua consciência.
Na canção popular brasileira, a palavra lenitivo carrega seu significado literal e poético mais puro: um bálsamo, um alívio ou consolo para as dores do corpo, da mente e da alma. Como a música popular é um dos campos mais sofisticados da nossa literatura, esse termo erudito é frequentemente usado por compositores para ilustrar aquilo que abranda o sofrimento diante das durezas da vida.
O uso dessa palavra e o seu conceito aparecem na música brasileira de três formas principais:
1. A música e a arte como o próprio "lenitivo
"Em muitas composições, o próprio ato de cantar, sambar ou ouvir música é colocado como o remédio para as frustrações cotidianas.
Meu LenitivoManu Dias
Um exemplo claro está no samba "Meu Lenitivo", interpretado por Manu Dias, onde a letra diz abertamente: "Somente o samba / Ameniza as dores que a vida nos traz / Eterniza amores que não temos mais / Quando as dificuldades me tiram a paz / Vou sambar". Aqui, o samba assume o papel de um fomento curativo para a falta de paz.
2. Elementos do cotidiano operando como alívio
Os compositores costumam transformar elementos da cultura e do dia a dia no lenitivo necessário para suportar a realidade.
Sem a cachaça, ninguém segura esse rojão | LITERATURA BRASILEIRA & CACHAÇAOutras PalavrasChico Buarque: Na clássica música "Meu Caro Amigo" (composta com Francis Hime), Chico narra a situação difícil do Brasil da década de 1970. Na letra, a cachaça é descrita poeticamente por analistas e críticos como o lenitivo da dureza — uma válvula de escape e um conforto físico e emocional contra o sufoco do período.
BonançaGrupo MalíciaArt Popular: No pagode "Bonança" (composição de Tauã Paiva Alves), a palavra aparece explicitamente para falar de superação amorosa: "Mas quem espera alcançar, pode confiar / A bonança irá despertar / Trazendo lenitivo pra dor / Renascendo um amor de raiz".
O livro dos Espíritos Parte 2 Capítulo 6 P 320 329 Comemoração dos mortos FuneraisEstudos EspíritasVocê está em: O Livro dos Espíritos > Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos > Capítulo VI — Da vida espírita > Comemoração dos mortos. Funerais.Comemoração dos mortos. Funerais.
320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra?
“Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade. Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.”
321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias?
Prestam-se para ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?
“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”
a) – Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?
“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”
b) – Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis?
“Sob a que tinham quando encarnados.”
322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles?
“Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o universo inteiro.”
323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?
“Aquele que visita um túmulo pode manifestar, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior desse pensamento. Já vos disse que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que seja feita com o coração.”
324. Os Espíritos das pessoas a quem se erigem estátuas ou monumentos assistem à sua inauguração, e experimentam algum prazer nisso?
“Muitos comparecem a tais solenidades, quando podem; porém, menos os sensibiliza a homenagem que lhes prestam do que a lembrança que deles guardam os homens.”
325. Qual a origem do desejo que certas pessoas exprimem de ser enterradas antes num lugar do que noutro? Será que preferirão, depois de mortas, vir a tal lugar? E essa importância dada a uma coisa tão material constitui indício de inferioridade do Espírito?
“Afeição particular do Espírito por determinados lugares; inferioridade moral. Que importa este ou aquele
pedaço de terra a um Espírito elevado? Não sabe ele que sua alma se reunirá às dos que lhe são caros, embora fiquem separados os seus respectivos ossos?”
a) – Deve-se considerar futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família?
“Não; é um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os Espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.”
326. Comovem a alma que volta à vida espiritual as honras que lhe prestem aos despojos mortais?
“Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o Espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade de todas essas coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que nos primeiros momentos que se seguem à sua morte material experimentam grande prazer com as honras que lhes tributam, ou se aborrecem com o pouco caso que façam de seus envoltórios corporais. É que ainda conservam alguns dos preconceitos desse mundo.”
327. O Espírito assiste ao seu enterro?
“Frequentemente assiste, mas algumas vezes não percebe o que se passa, se ainda está perturbado.”
a) – Lisonjeia-o a concorrência de muitas pessoas ao seu enterro?
“Mais ou menos, conforme o sentimento que as anime.”
328. O Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros?
“Quase sempre. Para seu ensinamento e castigo dos culpados, Deus permite que assim aconteça. Nessa ocasião, o Espírito julga do valor dos protestos que lhe faziam. Todos os sentimentos se lhe patenteiam e a decepção que lhe causa a rapacidade dos que entre si partilham os bens por ele deixados o esclarece acerca daqueles sentimentos. Chegará, porém, a vez dos que lhe motivam essa decepção.”
329. O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura?
“É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.”
Paciência - Lenine | LETRA3. A associação poética com o nome de batismo
É impossível falar de "lenitivo" e canção popular sem pensar na figura de Lenine. Embora o nome do cantor pernambucano seja uma homenagem direta ao líder político russo Vladimir Lenin, a sonoridade de seu nome evoca imediatamente os verbos lenir e o adjetivo lenitivo.
Essa coincidência poética se reflete perfeitamente na sua obra. Músicas como "Paciência" (onde ele canta "mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma...") funcionam exatamente como um lenitivo para a velocidade e o caos do mundo moderno.
Uma mulher, uma loira e os mortos que ainda tocam
Música, poesia, memória e democracia para passar a régua — sem jamais fechar a conta
E agora podemos, enfim, passar a régua.
Mas não fechar a conta.
Porque certas contas — sobretudo as da música — continuam abertas depois da morte dos seus autores. Talvez seja esse o único espiritismo em que vale acreditar: aquele em que os mortos voltam não para assombrar os vivos, mas para serem novamente interpretados.
Imagine-se a cena.
No escuro, um violão.
A voz de uma mulher gaúcha.
E Una Mujer reaparece.
Não é Agustín Lara, como a memória apressada poderia sugerir. A canção vem de outro lugar, e justamente por isso a viagem fica ainda mais extraordinária. Paul Misraki, nascido em Constantinopla, em família judaica, tornou-se em Paris compositor, pianista e arranjador ligado ao jazz e à canção francesa. Sua obra atravessou França, América do Sul, Estados Unidos e cinema.
A canção atravessou ainda outra fronteira quando João Gilberto a gravou em João, de 1991, ao lado de um repertório que misturava samba, bolero, música italiana, Cole Porter, Noel Rosa e Charles Trenet.
E então, décadas depois, aparece Adriana Calcanhotto.
A loira gaúcha.
O violão.
A voz.
E a canção volta a respirar.
Não como relíquia, mas como matéria contemporânea.
É aí que a história fica maior do que uma simples genealogia musical. Não estamos diante de uma brasileira copiando uma francesa, nem de uma gaúcha imitando um mexicano, nem de João Gilberto reproduzindo uma canção estrangeira. Estamos diante daquela coisa misteriosa que a música popular faz melhor do que qualquer tratado cultural: ela incorpora o estrangeiro até que ele deixe de ser estrangeiro.
Misraki atravessou o Atlântico. João Gilberto o trouxe para dentro da gramática da bossa. Adriana o devolveu ao mundo com outra respiração.
E, ao lado dessa mulher, pode perfeitamente surgir uma loira.
A Uma Loira de Hervê Cordovil — compositor mineiro, parceiro de Noel Rosa em canções como Triste Cuíca e Não Resta a Menor Dúvida.
E então a brincadeira fica séria.
Porque Cordovil também pertence a esse estranho clube dos compositores que parecem continuar compondo depois de mortos. Basta Noel Rosa entrar pela porta.
Não é preciso imaginar uma sessão espírita.
É só colocar o disco para tocar.
Noel chega primeiro.
Cordovil responde.
João Gilberto aparece com aquele violão que parece ter inventado uma nova maneira de fazer silêncio.
E, de repente, lá está Adriana Calcanhotto, sozinha com seu instrumento, retomando Una Mujer.
O próprio percurso de Adriana confirma essa vocação para fazer a tradição conversar com o presente: seu trabalho com poesia inclui Mário Quintana, e Quintana pertence às suas memórias de infância em Porto Alegre.
É aqui que o Rio Grande do Sul entra — não como folclore, mas como atitude.
Adriana não precisa vestir o gaúcho como fantasia regional. Não precisa de bombacha, chimarrão ou monumento. Seu gaúcho está em outra parte: na independência, na desconfiança diante do óbvio, na capacidade de atravessar o Brasil sem pedir autorização a nenhum centro cultural.
E talvez seja justamente aí que Mário Quintana reconheceria a sua conterrânea.
Quintana, o poeta que gostava de deslocar o mundo alguns centímetros para que pudéssemos enxergá-lo melhor. Adriana, a cantora que faz operação semelhante com as canções: desloca-as um pouco, troca-lhes a luz, devolve-as ao público como se fossem recém-descobertas.
Ela não precisa ser apenas a intérprete de uma tradição.
É uma de suas continuadoras.
E isso vale reconhecer também por sua trajetória como mulher, compositora, cantora, instrumentista, artista e cidadã que assumiu posições públicas e políticas. Mas o mais interessante talvez seja que sua obra nunca precisou escolher entre o local e o universal.
O gaúcho, nela, não fecha portas: abre janelas.
Por isso a cena final poderia ser esta:
Hervê Cordovil sentado ao piano.
Noel Rosa encostado no balcão.
João Gilberto, silencioso, afinando o violão.
Paul Misraki chegando de Paris — ou talvez de Constantinopla, ninguém sabe mais.
Agustín Lara passando pela porta — porque, afinal, ele não pode faltar a este cabaré.
E, no palco, Adriana.
Uma mulher.
Uma loira.
Uma gaúcha.
Cantando uma canção que não é mexicana, não é brasileira, não é francesa, não é argentina — e, justamente por isso, é de todos nós.
Talvez seja essa a verdadeira vida eterna.
Não a permanência do corpo, mas a possibilidade de uma voz encontrar outra voz muitos anos depois. Um verso encontrar outro século. Um violão encontrar outro ouvido. Uma canção atravessar fronteiras, governos, modas, ideologias e mortes sem perder a capacidade de nos reunir.
Os mortos continuam vivos quando alguém ainda os canta.
Os poetas continuam entre nós quando seus versos ainda conseguem abrir uma janela.
E a democracia também é isso: o direito de continuar ouvindo, reinterpretando, discordando, criando e cantando juntos.
Porque nenhuma cultura permanece viva se for transformada em monumento. Ela permanece viva quando pode ser reinventada.
E talvez por isso a música seja uma das formas mais bonitas de liberdade: ela não exige que os mortos concordem com os vivos. Basta que os vivos tenham liberdade para fazê-los cantar novamente.
Pode passar a régua.
A conta não fecha.
A música ficou devendo.
E é exatamente por isso que amanhã alguém ainda vai voltar para ouvi-la.
Música. Poesia. Memória. Democracia.
Porque celebrar a vida eterna é também celebrar aquilo que continua vivo em nós.
Para o Blogger: cole esse conteúdo na aba HTML do editor, não na aba “Escrever/Compor”. Ele não contém page-break, iframe, CSS externo ou elementos que normalmente provoquem quebra artificial de páginas. O texto fica em fluxo contínuo, como uma crônica de blog, e o próprio Blogger fará a adaptação para celular.
E o último movimento, acho que ficou no tom certo: não é um epitáfio para os artistas mortos; é justamente o contrário — é uma celebração de que eles continuam trabalhando entre nós toda vez que alguém abre um piano, pega um violão, lê um poema ou canta uma canção.
Adriana Calcanhotto - Una Mujer (Ao Vivo)Una MujerAdriana CalcanhottoPaixão e identidade feminina em “Una Mujer” de Adriana Calcanhotto
“Una Mujer”, interpretada por Adriana Calcanhotto, questiona e provoca os conceitos tradicionais de feminilidade ao afirmar que uma mulher que não se entrega ao amor não merece ser chamada de mulher. A letra utiliza comparações diretas, como “una flor que no da aroma” (uma flor que não exala perfume) e “una leña que no sabe arder” (uma lenha que não sabe queimar), para reforçar a ideia de que a essência feminina estaria ligada à capacidade de viver e expressar a paixão. O texto destaca qualidades como ser sonhadora, coquete e ardente, sugerindo que a entrega ao amor é vista como uma característica fundamental da mulher idealizada na canção.
A canção também traz a metáfora do “idioma mágico” da paixão, que só pode ser aprendido “con besos” (com beijos), indicando que o amor e o desejo são experiências sensoriais e intuitivas, não apenas racionais. Ao manter a letra original em espanhol, Adriana Calcanhotto demonstra respeito à obra e sua habilidade de transitar entre culturas musicais, valorizando a intensidade e a entrega sugeridas na letra. “Una Mujer” pode ser entendida tanto como uma celebração da paixão feminina quanto como uma provocação aos padrões sociais, questionando o que realmente define uma mulher e sugerindo uma crítica à repressão dos desejos e sentimentos.
Identidade feminina
Intensidade do amor
Crítica social-política
Composição: Misraki, Roos Georges.
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