domingo, 13 de setembro de 2026

Edificação do Reino

“O Reino de Deus está no meio de vós.” — Jesus. (LUCAS, 17.21)
Mundo Vasto Mundo - Vista Noturna das Américas 17 O Reino Divino não será concretizado na Terra através de atitudes extremistas. Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Miucha, Toquinho - Berimbau / Chega de Saudade / Canto Ossanha RSI Musica Berimbau / Chega de Saudade / Canto Ossanha Vinicius de Moraes, voce Antônio Carlos (Tom) Jobim, piano e voce Toquinho, chitarra e voce Miucha, voce Mutinho, batteria Azeitona, basso Roberto Sion, flauto e sax Georgiana de Moraes, percussioni Rivedi il concerto del 18 ottobre 1978: https://www.rsi.ch/archivi/rivediamol... Scopri tutti i contenuti di RSI Musica su: https://www.rsi.ch/musica #rsimusica #tomjobim #vinicius #viniciusdemoraes #toquinho #rsiarchivi “O Maestro, Poetinha, Miucha e Toquinho, pura historia recheada com muita qualidade!” 👆"Mas confiei!"Vininha batendo cabeça em reverência aos guias protetores da Bahia Longe da pátria em tempos de assombro, o Poetinha fez do palco na Itália o seu terreiro sagrado. No gesto profundo de bater cabeça aos guias, Vinicius transformou o sufoco em oração e a dor do exílio em pura reverência e esperança. A força da Bahia protegendo o mundo. ✨📿 [1] (https://casaditaliajf.com.br/2021/06/28/revista-casaditalia-o-encontro-feliz-do-poeta-brasileiro-vinicius-de-moraes-com-a-italia/), [2] (https://piaui.uol.com.br/web/a-hora-da-refazenda/) Alvoradas do Reino do Senhor - Artur Valadares NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo 31 de ago. de 2024 Palestra realizada no dia 31/08/2024 no Centro Espírita Missionário da Luz, em Pirassununga/SP, durante o 10º A.M.O. Cap 177 de 180 - EDIFICAÇÃO DO REINO - Estudo do Livro Vinha de Luz - Emmanuel e Chico Xavier Rabi Raboni “O Reino de Deus está no meio de vós.” — Jesus. (LUCAS, 17.21) 1 Nem na alegria excessiva que ensurdece. 2 Nem na tristeza demasiada que deprime. 3 Nem na ternura incondicional que prejudica. 4 Nem na severidade indiscriminada que destrui. 5 Nem na cegueira afetiva que jamais corrige. 6 Nem no rigor que resseca. 7 Nem no absurdo afirmativo que é dogma. 8 Nem no absurdo negativo que é vaidade. 9 Nem nas obras sem fé que se reduzem a pedra e pó. 10 Nem na fé sem obras que é estagnação da alma. 11 Nem no movimento sem ideal de elevação que é cansaço vazio. 12 Nem no ideal de elevação sem movimento que é ociosidade brilhante. 13 Nem cabeça excessivamente voltada para o firmamento com inteira despreocupação do valioso trabalho na Terra. 14 Nem pés definitivamente chumbados ao chão do Planeta com integral esquecimento dos apelos do Céu. 15 Nem exigência a todo instante. 16 Nem desculpa sem fim. 17 O Reino Divino não será concretizado na Terra através de atitudes extremistas. 18 O próprio Mestre asseverou-nos que a sublime realização está no meio de nós. 19 A edificação do Reino Divino é obra de aprimoramento, de ordem, esforço e aplicação aos desígnios do Mestre, com bases no trabalho metódico e na harmonia necessária. 20 Não te prendas excessivamente às dificuldades do dia de ontem, nem te inquietes demasiado pelos prováveis obstáculos de amanhã. Vive e age bem no dia de hoje, equilibra-te e vencerás. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 177 Edificação do Reino Tema principal Poema de sete faces (Carlos Drummod de Andrade)
O mundo de cabeça virada
domingo, 13 de setembro de 2026 A eleição na Alemanha, a crise do Supremo e a desesperança na democracia, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A insegurança jurídica adia investimentos, interrompe decisões empresariais, contamina as expectativas econômicas e aumenta a frustração social e política A vitória da extrema direita na Saxônia-Anhalt, estado da antiga Alemanha Oriental, é mais um sinal de que a democracia liberal enfrenta uma crise que ultrapassa fronteiras. A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve cerca de 44% dos votos, mais do que o dobro da União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, e ficou próxima da maioria absoluta. O partido continuará afastado do governo pelo Brandmauer — o “muro corta-fogo” que impede alianças das forças democráticas com extremistas —, mas já condiciona toda a política alemã. A contradição é evidente: a barreira político-partidária protege as instituições, mas não impede o crescimento eleitoral da AfD. A extrema direita não precisa negociar, moderar suas propostas nem prestar contas pelos resultados de um governo. Denuncia a todos, promete soluções impossíveis e responsabiliza àqueles que lhe impedem o acesso ao poder. O fenômeno possui causas econômicas, sociais e culturais. A estagnação, a desigualdade entre o Leste e o Oeste alemães, a imigração, a transição energética, a guerra da Ucrânia e a perda de referências comunitárias criaram um contingente de eleitores que não se sente representado. Continuam votando, mas já não acreditam que as instituições tradicionais sejam capazes de melhorar suas vidas. Existe um ambiente semelhante de desesperança em grande parte do Ocidente. A globalização integrou mercados e multiplicou riquezas, mas também desorganizou comunidades, concentrou renda e reduziu a capacidade dos Estados nacionais de proteger seus cidadãos. Ao mesmo tempo, os êxitos econômicos de regimes iliberais do Oriente são utilizados como argumento contra a democracia, como se seus Poderes fossem obstáculos à eficiência. O Brasil não está fora desse contexto. Nossos problemas podem ser agravados por fatores internacionais, entre os quais as pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as guerra do Irã e da Ucrânia, mas suas saídas são nacionais. A resposta não está na substituição da democracia pelo autoritarismo, e sim na recuperação da capacidade de governar para todos, oferecer serviços públicos de qualidade, gerar prosperidade para os mais pobres e submeter todos à mesma lei. O Estado democrático precisa se reformar para atender às expectativas do povo. É nesse ponto que o caso alemão se encontra com a crise brasileira. As diferenças históricas são enormes, mas o mecanismo político é parecido. Aqui, a grande rejeição aos principais candidatos à Presidência mostra que a maioria do eleitorado já não se reconhece nas alternativas oferecidas. A polarização mobiliza bases fiéis, mas também produz fadiga, ressentimento, medo e sensação de aprisionamento. Milhões de brasileiros imaginam que, qualquer que seja o resultado eleitoral, o país continuará submetido aos mesmos conflitos e incapaz de enfrentar seus problemas concretos. A crise do Supremo Tribunal Federal acrescenta um componente explosivo a esse ambiente. O STF deveria ser o ponto de estabilidade do regime, o guardião da Constituição e o árbitro dos conflitos entre os Poderes. Entretanto, decisões monocráticas contraditórias, disputas entre ministros e o caso Banco Master transformaram a Corte no epicentro da insegurança institucional. Paralisia econômica O problema ultrapassa os nomes de Alexandre de Moraes e de André Mendonça, estão além da força de Flávio Dino ou de Gilmar Mendes. Quando os julgadores parecem envolvidos nos fatos que deveriam julgar, a confiança no devido processo legal é inevitavelmente abalada. As providências de Fachin foram suspender decisões conflitantes, preservar o comando da Polícia Federal, quebrar o sigilo das investigações já concluídas, retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news e submeter ao plenário a abertura de investigação. São medidas necessárias, mas talvez insuficientes. É preciso esclarecer integralmente os fatos, definir responsabilidades e demonstrar que nenhum ministro está acima da Constituição. Manifestos de entidades empresariais, associações civis e ex-integrantes do Supremo sobre a crise possuem, nesse contexto, dois significados. O primeiro é positivo: revelam que as elites do país procuram uma saída dentro das instituições. Seus signatários não pedem a destruição do STF, mas sua recuperação. O segundo é um alerta: quando setores responsáveis pela produção e pelos empregos do país se mobilizam para denunciar uma crise institucional, sinalizam que a instabilidade já ultrapassou os limites do mundo político e jurídico, paralisou a economia. A insegurança política e jurídica adia investimentos, interrompe decisões empresariais e contamina as expectativas econômicas. Em consequência, por sua vez, aumenta a frustração social e oferece combustível aos discursos antissistema. Nenhuma muralha institucional será suficiente se, aos olhos da população, aqueles que estão dentro dela abusarem do poder, protegerem aliados ou se recusarem a prestar contas. A extrema direita cresce e captura o centro quando consegue convencer as pessoas de que todas as instituições fazem parte de um único sistema voltado para a própria preservação. A crise do Supremo não favorece apenas um candidato ou campo ideológico. Fortalece as narrativas dispostas a apresentar a democracia como fraude, o equilíbrio entre os Poderes como conspiração e as garantias constitucionais como obstáculos à vontade popular. A História nos ensina que a desesperança na democracia é a antessala do autoritarismo.
Se o desgaste político abre caminho para as crises, a resposta do Judiciário pode tanto estancar quanto agravar a paralisia.
domingo, 13 de setembro de 2026 Democracia e ideal republicano, por Pedro S. Malan O Estado de S. Paulo A visão política surge do encontro oportuno entre uma nova realidade social, ideias aptas a captá-la e líderes capazes de estabelecer a ligação entre ideia e realidade A mais bela defesa do ideal democrático que conheço é aquela de Norberto Bobbio: “Apenas em um regime democrático são possíveis a aceitação e o elogio da diversidade; o reconhecimento da legitimidade e da fecundidade dos conflitos de razão e de interesse; a absoluta liberdade de opinião; o ideal da tolerância; o ideal da não violência. Apenas em democracias é possível livrar-se de governantes sem derramamento de sangue e resolver conflitos sem o recurso à força. Apenas em democracias é possível a renovação gradual da sociedade pelo livre debate de ideias e pela mudança de mentalidades. Apenas em democracias é reconhecida a necessidade de antepor limites ao poder, mesmo quando esse poder é o da maioria que o conquistou pela força do voto”. Dito isto, uma democracia digna deste nome deve também incorporar a virtude cívica dos cidadãos e o ideal republicano. Isso se revela não apenas no voto: exige o acompanhamento atento da atuação dos representantes eleitos, das ações e eficácia dos Três Poderes da República e da interação entre eles. José Murilo de Carvalho caracterizou com propriedade, por meio de exemplos, o que é ou deveria “ser republicano”: “É crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza; é crer na lei como garantia de liberdade; é saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros; é repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas e corporativistas; é acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte; é saber que quem rouba o dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos; é considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu”. No mundo real, o ideal republicano é tão ou mais difícil de alcançar do que o ideal democrático. Há mais de 250 anos, o decano dos “pais fundadores” dos EUA, Benjamin Franklin, assim respondeu sobre qual sistema político os constituintes estariam propondo: “Uma República, se vocês conseguirem preservála”. Não é fácil. Afinal, constituições, e as instituições por elas criadas, são tão fortes ou fracas quanto o grau de consenso a elas subjacente. Como notou a historiadora Linda Colley em seu belo Guerra, Constituições e a Construção do Mundo Moderno, constituições são criações frágeis, feitas no papel, concebidas por seres humanos falíveis. No livro The Once and Future Liberal, publicado no primeiro ano do primeiro governo Trump, Mark Lilla apontou: “Há duas gerações a América vive sem uma visão política de seu destino. Não existe uma visão conservadora; não existe uma visão liberal. Existem apenas duas ideologias individualistas, cansadas e intrinsecamente incapazes de discernir o bem comum e de unir o país em torno de sua realização nas circunstâncias atuais. Somos governados por partidos que já não sabem o que querem em um sentido amplo, apenas o que não querem em um sentido restrito. (...) Que espécie de imagem do futuro orienta suas ações? Parece que já não sabem. Portanto, dificilmente se pode esperar que o público saiba.” A visão política surge do encontro oportuno entre uma nova realidade social, ideias aptas a captá-la e líderes capazes de estabelecer, na mente do público, a ligação entre ideia e realidade, de modo que as pessoas sintam essa conexão. O surgimento de líderes dotados desse talento, como Roosevelt, John F. Kennedy e Reagan, é impossível de prever. Não existem laboratórios capazes de formular o ideal republicano ou candidatos com currículos alinhados para serem entrevistados para o cargo. Tudo o que podemos fazer é nos preparar. É preciso resistir, em particular, a certa visão que ora encontra ampla acolhida entre extremos do espectro político brasileiro. Aquela visão baseada na formulação de Carl Schmitt, para quem “a distinção política específica à qual ações e motivos políticos podem ser reduzidos é a distinção entre amigo e inimigo”. Como mostrou Mark Lilla, para Schmitt, tudo é potencialmente político: costumes morais, religião, economia, arte, cultura podem se tornar questões políticas, encontros com o inimigo, e transformar-se em fonte de deliberado, e sempre renovado, conflito. Confrontações entre extremos, voltadas a manter mobilizadas e excitadas as redes digitais em torno de fatos alternativos e realidades paralelas. Creio que o Brasil está a tentar preservar, ou resgatar, o ideal republicano, como mostram as reações da sociedade civil aos eventos recentes, que evidenciam o grau de fadiga e degradação institucionais a que chegamos nas disfunções intra e inter Poderes da República. Agravadas neste conturbado ano eleitoral de 2026, que tem ares de um replay de 2022. A história rima, ensina – e a muitos desatina. Mais do que nunca, é preciso lembrar as palavras de Umberto Eco em seu Cinco Escritos Morais (1997), que reúne textos, como diz, “de caráter ético, ou seja, referem-se àquilo que seria justo fazer, àquilo que não se deveria fazer ou àquilo que não se deve fazer em hipótese alguma”. Na teoria parece óbvio, na prática não o é.
👆Mais do que nunca, é preciso lembrar as palavras de Umberto Eco em seu Cinco Escritos Morais (1997), que reúne textos, como diz, “de caráter ético, ou seja, referem-se àquilo que seria justo fazer, àquilo que não se deveria fazer ou àquilo que não se deve fazer em hipótese alguma”. Na teoria parece óbvio, na prática não o é. Um jovem engenheiro eletricista formado na PUC-Rio, autor do artigo em tela, tentou cumprir na prática ser idealismo republicano jovem com visão humanista e universal do mundo em movimento! 👆A escolha ideal:"Um jovem engenheiro eletricista formado na PUC-Rio, autor do artigo em tela, tentou viver na prática o seu idealismo republicano, demonstrando uma visão humanista e universal do mundo em movimento."
domingo, 13 de setembro de 2026 Narcisismo patológico de Trump é um perigo, por Dorrit Harazim O Globo Uma das fantasias mais recorrentes e irrealizáveis do 47° comandante em chefe é apresentar-se como herói militar Peter Baker não é um jornalista qualquer. Correspondente-chefe do New York Times junto à Casa Branca, ele traz no currículo a cobertura diária de seis presidentes dos Estados Unidos. É autor de vários livros sobre o poder e a história política moderna e, vez por outra, produz ensaios situando determinados mandatos em contextos mais amplos. Raramente se ocupa de temas amenos do métier. Daí a relevância da reportagem intitulada “60 postagens em 10 horas”, em que Baker se debruça sobre um surto quase psicótico de publicações digitais por parte de Donald Trump no fim de semana passado. No início, escreveu o jornalista, o feed do presidente americano nas redes sociais era visto como espelho de seu “id”. Mas, desde a incorporação de recursos de IA às postagens, elas passaram também a expressar como Trump deseja ser visto pelo mundo: um guerreiro, um conquistador, uma figura histórica, uma versão mais jovem, mais magra e mais musculosa de si mesmo. Elas servem, sobretudo, de termômetro de seu estado mental aos 80 anos. Uma mente movida a delírios, vaidade e violência. Os fins de semana e feriados, quando Trump dispõe de menos assessores e mais tempo ocioso, parecem despertar seus fantasmas interiores. As 60 postagens analisadas foram disparadas em rajadas intermitentes de seu clube de golfe em Bedminster, estado de Nova Jersey. Nelas, há muito de (Trump esmaga o Irã com um martelo gigante, subjuga o primeiro-ministro do Canadá com um taco de beisebol) e uma montanha de infantilidades, como o redesenho do mapa-múndi em versões cada vez mais vorazes. Uma das fantasias mais recorrentes e irrealizáveis do 47° comandante em chefe é apresentar-se como herói militar. Como é sabido, Trump evitou o alistamento militar durante a Guerra do Vietña graças a um diagnóstico de esporões ósseos assinado por um médico que era inquilino de seu pai. Ainda que nunca tenha servido ao país, surge num uniforme militar para posar entre os generais históricos George S. Patton e Douglas MacArthur — cortesia da inteligência artificial. Para os apoiadores de Trump, essa forma de comunicação direta e sem filtros é considerada “autêntica” e eficaz, pois consegue desencadear horror e alarme nas hostes democratas. Há um deleite ostensivo em ver o adversário levar a sério o que seriam meros trolls bem-humorados. Na verdade, o que precisa, sim, ser considerada é a capacidade mental, física, intelectual e moral de Trump no comando da grande potência em declínio. — Chega. Nada disso é normal ou aceitável — escreveu Chellie Pingree, democrata do Maine citada por Peter Baker. Um narcisista patológico no poder — com apenas 30% de aprovação popular, atolado até a cintura na guerra que desencadeou contra o Irã, sem solução para as guerras na Ucrânia e em Gaza, e às vésperas de uma eleição de meio de mandato em que arrisca perder maioria na Câmara e no Senado — é um perigo real. E mundial. Um indivíduo que se utiliza do dantesco atentado terrorista múltiplo de 2001 contra as Torres Gêmeas para se vangloriar de proezas pessoais, inventadas, não pode ser considerado pessoa equilibrada. Na sexta feira, 11 de setembro, Trump não se perfilou junto aos ex-presidentes dos Estados Unidos reunidos no local da hecatombe de 25 anos atrás para a sempre pungente homenagem aos mortos na tragédia. A cerimônia anual não abre espaço a discursos de políticos, e comove precisamente por isso. A leitura do nome e sobrenome de cada uma das 3 mil vítimas — feita por algum pai, mãe, avô, irmão, filha, neto ou amigo da família — basta. São centenas de origens, etnias, naturalidades e procedências unidas pela morte. Trump preferiu comparecer à cerimônia realizada em Washington, pelo Pentágono, cujo prédio também foi atingido por um dos voos suicidas de 25 anos atrás. Ali, pôde falar à vontade. E Narciso falou. Descreveu com requintes uma cena de que não existe a mais remota comprovação: ele teria se deslocado ao local das Torres Gêmeas logo depois do atentado e sido carregado para fora da zona de perigo por dois bombeiros: — Dois caras grandes e fortes — recordou com nostalgia. Tampouco existe qualquer evidência de outra alegação feita por Trump, de ter ajudado na limpeza da área e testemunhado cenas horríveis de corpos espalhados pelos escombros. Tem mais: nenhum bombeiro, socorrista ou policial jamais viu os 100 ou 200 operários que Trump alega ter despachado para o local em ruínas. O único fato concreto é que ele acompanhou o 11 de Setembro do alto da Trump Tower, localizada na Quinta Avenida em Midtown Manhattan, a seis quilômetros de distância do horror. O atentado que fez desmoronar certezas consolidadas desde o final da Segunda Guerra emociona a família humana até hoje — à exceção dos terroristas islâmicos e de Donald Trump. TRUMP PROMETE CHEQUES DE US$ 5 MIL; 11 DE SETEMBRO E GUERRA NO ORIENTE MÉDIO | FORA DA ORDEM CNN Brasil Transmitido ao vivo em 11 de set. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎 Donald Trump promete cheques de US$ 5 mil por adulto caso os republicanos vençam as eleições de novembro, em uma tentativa de mobilizar a base diante da baixa aprovação do presidente. Mas a proposta é viável e legal? A medida poderia custar mais de US$ 1 trilhão aos Estados Unidos. No Fora da Ordem desta sexta-feira (11), o programa também analisa os 25 anos dos atentados de 11 de Setembro, as novas declarações de Trump sobre a guerra, a escalada dos Houthis no Oriente Médio e os impactos dos ataques sobre o preço do petróleo. A edição aborda ainda as novas sanções relacionadas aos assentamentos na Cisjordânia e os desafios para a unidade do Brics diante da guerra no Irã, com Putin, Xi Jinping e Narendra Modi reunidos na cúpula em Nova Délhi. Assista AO VIVO ao Fora da Ordem, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília), com apresentação da correspondente da CNN em Nova York Priscila Yazbek, do analista de Internacional Lourival Sant’Anna e do analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres. O público também poderá enviar dúvidas e comentários, que serão incorporados ao debate. Participe com a gente! _________________________________________________________________________
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A Rima e a Solução: Crises, Instituições e os Ecos do Vasto Mundo

Por: Redação do Blog
Análise transdisciplinar reunindo literatura, geopolítica fictícia, história brasileira e crises institucionais contemporâneas.


1. A Ilusão da Rima e a Realidade Concreta

Em seu célebre Poema de Sete Faces, publicado originalmente no livro Alguma Poesia (1930), o poeta modernista Carlos Drummond de Andrade imortalizou uma das reflexões mais profundas sobre o descompasso entre o formalismo estético (ou o mero acaso) e as angústias reais da existência:

“Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução.”

O eu lírico joga com o fato de a palavra "mundo" estar contida em "Raimundo". No entanto, o encaixe poético perfeito ("a rima") não altera a realidade concreta nem soluciona os impasses do indivíduo diante do "vasto mundo". Essa imensidão física e a pequenez humana diante das engrenagens globais ganham contornos visuais nítidos na representação contemporânea do nosso planeta.

Mundo Vasto Mundo - Vista Noturna das Américas
"Mundo mundo vasto mundo / Mais vasto é meu coração" — O contraste entre o gigantismo do espaço e a complexidade interior.

Análise em Vídeo: Poesia e os Impasses da Vida

Assista abaixo a uma análise detalhada sobre a relação entre construções de linguagem, interpretação e contextos históricos em exames nacionais:

2. A Inversão Geopolítica e as Sátiras Críticas

Quando as estruturas socioeconômicas falham, o mundo parece virar de "ponta-cabeça". O humor gráfico e as charges políticas costumam captar esse momento de transição através da ironia extrema. Um exemplo clássico ocorreu nos desdobramentos da Crise Econômica Global de 2008.

Em charges de sátira política daquele período (como as publicadas em meados de 2009), operou-se uma completa inversão dos fluxos migratórios históricos. Em vez de cidadãos cubanos fugindo em balsas para a costa da Flórida, passava-se a retratar cidadãos norte-americanos tentando entrar ilegalmente em Cuba, fugindo da recessão capitalista. Sob o olhar de figuras caricatas que remetem a Raúl e Fidel Castro, a crítica deixava claro que as potências econômicas ocidentais não estavam imunes ao colapso de seus próprios mercados.

3. Simulações do Avesso: Cenários de Conflito Global

A instabilidade internacional contemporânea frequentemente alimenta simulações geopolíticas e fóruns de debates acadêmicos (como os modelos de simulação da ONU - MUNs), que projetam cenários de crise aguda para desafiar a diplomacia mundial:

  • A Retórica da Guerra: Discursos que utilizam marcos históricos (como o 11 de Setembro) para justificar novas intervenções militares, a exemplo de tensões contra o Irã.
  • Rotas de Comércio Estranguladas: Movimentações táticas de grupos rebeldes (como os Houthis no Iêmen) tomando ilhas estratégicas e ameaçando o acesso logístico ao Mar Vermelho e ao Golfo de Áden.
  • Mudanças no Tabuleiro Global: Disputas de influência asiática entre gigantes como China e Índia em cúpulas econômicas (como o bloco dos BRICS), reconfigurando alianças em momentos de ausência de lideranças latino-americanas.

4. O Ideal Republicano e as Fragilidades Constitucionais (Pedro S. Malan)

Em artigo publicado em setembro de 2026 no jornal O Estado de S. Paulo, o economista e analista Pedro S. Malan resgata as premissas da democracia liberal a partir do pensamento de Norberto Bobbio e José Murilo de Carvalho. Malan adverte que uma democracia exige virtude cívica e a compreensão estrita de que o Estado não é extensão de interesses privados.

Evocando a célebre advertência de Benjamin Franklin sobre a fragilidade dos sistemas políticos ("Uma República, se vocês conseguirem preservá-la"), o autor traça pontes com o Brasil contemporâneo. Ele alerta para o risco da adoção do conceito de Carl Schmitt, que reduz a política à lógica binária e destrutiva de "amigo contra inimigo", gerando polarizações estéreis voltadas apenas para manter redes digitais mobilizadas em realidades paralelas.

A história brasileira demonstra que esse desgaste não é inédito. O convite para o almoço oferecido pela Aliança Liberal em 2 de janeiro de 1930, reunindo Getúlio Vargas e João Pessoa no Rio de Janeiro, representou o marco inicial da ruptura que sepultou a República Velha meses depois.

Menu do Almoço da Aliança Liberal - 1930
Documento histórico do acervo do CPDOC/FGV: O prenúncio da Revolução de 1930. Como aponta Malan, "A história rima, ensina – e a muitos desatina".

5. A Desesperança na Democracia e a Insegurança Jurídica (Luiz Carlos Azedo)

Se o desgaste político abre caminho para as crises, a resposta do Judiciário pode tanto estancar quanto agravar a paralisia. Em análise complementar publicada no Correio Braziliense, o jornalista Luiz Carlos Azedo expande a discussão para o cenário global e doméstico.

Azedo aponta para o avanço eleitoral da extrema direita na Europa (como a votação expressiva da AfD na Alemanha), onde as barreiras formais partidárias (o Brandmauer ou "muro corta-fogo") protegem as instituições no topo, mas não eliminam o sentimento de desamparo e exclusão do eleitorado na base. Quando as populações percebem que as lideranças tradicionais focam apenas na autopreservação, a desesperança se instala.

No Brasil, esse ambiente de fadiga e ressentimento ganha um componente explosivo com a crise de legitimidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Decisões monocráticas conflitantes, disputas internas expostas e o envolvimento de magistrados nos palcos políticos transformam o tribunal, que deveria ser o árbitro do regime, no epicentro da insegurança jurídica.

Estátua da Justiça diante do STF e Congresso
A alegoria da Justiça em sobressalto: a instabilidade institucional transborda o mundo jurídico e paralisa a economia real.

Conclusão: O Limiar do Autoritarismo

Os manifestos de setores da sociedade civil e de entidades empresariais carregam um duplo significado: ao mesmo tempo em que buscam pontes institucionais de salvação, acendem um alerta grave. A insegurança política e jurídica afasta investimentos, trava decisões de mercado e deteriora o tecido social.

Quando a sociedade passa a enxergar as salvaguardas constitucionais e o equilíbrio entre os poderes como meros arranjos de conveniência, abre-se espaço para narrativas extremas antissistema. Como assevera Azedo, a história deixa uma lição imutável: o descrédito nas regras do jogo democrático e a busca por meras "rimas" discursivas são, invariavelmente, a antessala do autoritarismo.

Use o código com cuidado. Vintage Evening Jazz Radio – 1930s 1940s Smooth Swing & Warmth Background Music

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