Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sábado, 24 de maio de 2025
Rios de Vida: Entre o Sofrimento, a Memória e o Cotidiano
Do embate político à função redentora do sofrimento, da linguagem à poesia: um percurso pela história, pela filosofia e pela cultura brasileira.
📸 Sebastião Salgado
Fonte: Instituto Terra
Hermeto Pascoal | Programa Instrumental Sesc Brasil
Instrumental Sesc Brasil
"Caso houvesse menos desinteligência e se confiasse, de fato, nas instituições guardiãs da liberdade e da democracia, no verdadeiro Estado de Direito, talvez percebessem que há mais estrelas e planetas no firmamento, e enxergassem a estrela solar de Sebastião por trás da lente, com suas duas contas contra a luz, passando como um cometa Halley, à busca de luz."
"E a vida só é possível reinventada."
— Manuel Bandeira
Epitáfio:
"Aqui jazem os gestos que forjaram a liberdade,
Os nomes que recusaram o silêncio,
E as palavras que, mesmo frágeis, sustentaram a memória."
Ponte Maurício de Nassau
A Ponte Maurício de Nassau localiza-se na cidade do Recife e interliga os bairros do Recife e Santo Antônio. Foi a primeira ponte de grande porte do Brasil.[1]
Rios que afundam a memória
sob lajes partidas,
sobre lajes erguidas,
um corpo suspenso,
como andaime ou travessia,
ergue o estuque do tempo
— e da palavra.
Vem o verbo em pedra,
seca, incisiva,
como traço arquitetônico,
mas pulsa, ainda,
como carne e afeto,
como pão e café,
como lençol de manhã,
em cheiro e fome
— e ausência.
Assim se represa o rio,
assim se despeja a vida.
Gravura do Recife, Johann Moritz Rugendas — Domínio Público
Venda em Recife, Pernambuco. Ilustração de Johann Moritz Rugendas, (1822-1825). Durante sua viagem pelo Brasil, Rugendas descreveu a Capital de Pernambuco como a mais limpa e organizada cidade do País.
Introdução: roteiro do percurso
Este artigo propõe um itinerário que atravessa as fronteiras entre a memória histórica, o sofrimento como experiência formadora, a linguagem como estrutura de interação humana, e a cultura como expressão máxima do cotidiano. O fio condutor parte da narrativa de encontros políticos e acadêmicos, atravessa a história de resistência democrática no Brasil, reflete sobre a função filosófica do sofrimento, esmiúça o funcionamento do imperativo na linguagem e encerra-se na celebração da simplicidade, através da música e da poesia.
Como um grande rio, essas águas se confluem, criam margens e atravessam campos diversos do saber, sempre em movimento.
Mapa holandês de 1665 mostrando a ponte original, antecessora da atual, que ligava o Recife (Reciffo) à Cidade Maurícia (Stadt Mauritius).
Texto Integrado: Reflexões sobre História, Linguagem, Sofrimento e Cultura
No ambiente acadêmico e político brasileiro, algumas trajetórias se cruzam de forma significativa. Eduardo Bolsonaro e Chico Alencar, respectivamente aluno de Direito e professor no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), foram contemporâneos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mais tarde, encontraram-se novamente, desta vez como pares na Câmara dos Deputados, compartilhando, ainda que por visões distintas, a arena política nacional.
Essas relações institucionais e humanas, que transpassam o tempo e os espaços institucionais, remetem a episódios marcantes da nossa história recente, como a crise estrutural das universidades federais. A precarização das condições de ensino e pesquisa não é um fenômeno novo. Há mais de vinte anos, o vice-reitor e professor da UFRJ, Joel Teodósio, foi vitimado pelo desabamento de uma laje em deterioração no Hospital Universitário. Após permanecer em coma por cerca de dois anos, faleceu na casa da família, no Recife (PE). Joel era filho de Naide e Bianor Teodósio, médicos e professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ambos presos durante o golpe militar de 1964. Naide, enquanto médica, chegou a realizar o parto de outra prisioneira política durante sua detenção.
A família Teodósio integra o rol das personalidades comprometidas com o campo socialista democrático em Pernambuco. Marta, filha do casal, seguiu a tradição familiar, atuando como médica e professora da UFPE, com mestrado e doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Outro filho, Manoel Teodósio, o “Mano”, destacou-se como militante do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), assessorando figuras públicas como Jarbas Vasconcelos, que foi prefeito do Recife, senador e governador de Pernambuco. A matriarca, Naide, participou do governo de Miguel Arraes (1963-1964), deposto e preso por um ano na Ilha de Fernando de Noronha após o golpe militar.
Assim, a memória da família Teodósio — composta por médicos, engenheiros e professores universitários — permanece viva entre todos que batalharam pela democracia, pela legalidade e pelo progresso social em Pernambuco e no Brasil.
A trajetória humana, marcada por desafios e superações, encontra no sofrimento uma função paradoxalmente redentora. A astrologia sugere que, sob a influência estelar de um trígono entre Sol e Plutão e a conjunção entre Mercúrio e Urano, evidencia-se o pressentimento de uma dimensão maior, capaz de nos amparar e proteger. Toda vez que, impotentes, nos vemos diante de desafios que fogem ao nosso controle, tendemos a buscar essa dimensão superior, seja pela via da fé ou da ciência.
Independentemente do nome que lhe damos, o essencial é compreender que o sofrimento nos impele a transcender o autocentramento e nos reconectar com os rios maiores da Vida, nos quais nos movimentamos e experimentamos a existência. Embora fosse desejável que essa conexão se fizesse pela alegria, é ainda o sofrimento — reflexo de nossa ignorância empedernida — que amplia nosso entendimento e nossa sensibilidade ao essencial.
No campo da linguagem, a proposição imperativa desempenha papel fundamental ao expressar diversas intenções comunicativas. Trata-se da estrutura que exerce funções típicas do modo imperativo: exortar, ordenar, invocar, postular ou convidar.
Exortar: consiste em dar uma ordem, buscando convencer.
Exemplo: Dá-me um pedaço de pão, porque estou com fome.
Ordenar: implica exprimir uma ordem direta.
Exemplo: Olívio! Vá pegar a patativa.
Invocar: refere-se ao ato de chamar ou convocar.
Exemplo: Vem, criança, vem comigo.
Postular: caracteriza-se por pedir com insistência.
Exemplo: Levante-se; não é respeitoso sentar quando outros de pé estão.
Convidar: corresponde a solicitar o comparecimento, estimulando o interesse do convidado.
Exemplo: Vem ao estudo, porque o estudo engrandece.
Esses recursos, ao estruturarem comandos, convites ou apelos, revelam a riqueza funcional da linguagem e sua importância na interação humana.
Por fim, a arte, enquanto expressão sensível da experiência humana, materializa-se também na música popular. Em “Café com Pão”, de João Donato, celebra-se a simplicidade cotidiana, evocando imagens de afeto e naturalidade entre dois seres que se amam:
Café Com Pão
João Donato
Coisas tão simples de nós dois
Pão com manteiga no café
Coisa com coisa que somou mais
Coisas tão poucas, tão banais
Coisas com coisas tão iguais
Coisa que homem e mulher faz
Coisas de quem sabe o que quer
Somos assim tão naturais
Como o amor dos animais...
É coisa que a gente nem deu nome
E de manhã aquela fome
O nosso cheiro nos lençóis
Nós.
A música, com sua delicadeza poética, reafirma a beleza das coisas simples, das experiências partilhadas, e da harmonia espontânea, lembrando-nos que, para além das lutas e dos sofrimentos, reside também a ternura do cotidiano.
Esse texto, ao articular memórias históricas, reflexões filosóficas, análises linguísticas e manifestações culturais, evidencia a complexidade e a beleza da condição humana em suas múltiplas dimensões.
Síntese final / Conclusão
A presente travessia pelas memórias, ideias e expressões culturais brasileiras revela como as estruturas humanas — sejam elas políticas, filosóficas, linguísticas ou artísticas — estão intrinsecamente ligadas aos processos históricos e às experiências de vida.
O sofrimento emerge, paradoxalmente, como força de reconexão com a Vida maior, enquanto a linguagem se faz instrumento essencial para organizar e transmitir essa experiência. Por fim, a arte, seja na música ou na poesia, transforma o ordinário em sublime, selando nossa condição de seres que vivem, sofrem, resistem, e amam.
Este percurso não apenas revisita a memória e o conhecimento, mas reafirma a potência da cultura como alicerce e testemunho da humanidade.
Referências e fontes:
Eurípedes — o Homem e a Missão, pp. 114-116 — Conceito de proposição imperativa.
Memórias: Família Teodósio do Recife-Pe. — Antônio Fausto Nascimento.
Data estelar: Sol e Plutão em trígono, Mercúrio e Urano em conjunção — reflexão filosófico-astrológica.
Letra da música “Café com Pão” — Composição: João Donato.
Gravura: Johann Moritz Rugendas, domínio público — Wikimedia Commons.
Poetas referenciais: Joaquim Cardozo, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira.
Música-tema:
🎵 “Café com Pão” — João Donato
Escolhida por simbolizar a celebração das coisas simples e cotidianas, que transcendem o sofrimento e se convertem em poesia e afeto, encerrando o artigo com leveza e beleza.
✅ Resumo final
Este artigo articula memórias políticas e familiares, reflexões filosóficas sobre o sofrimento, explicações sobre estruturas linguísticas e a apreciação da arte na música e na poesia, compondo uma visão ampla e integradora da cultura brasileira. Como um rio que se alonga e encontra afluentes, o texto conecta e celebra a diversidade de expressões humanas que fazem do Brasil um território de resistência, criatividade e esperança.
O IOF encrenca nossa vida, não importam fofocas e fogueira das vaidades no governo
sexta-feira, 23 de maio de 2025
Lula vai apanhar mais com IOF - Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Novo IOF encarece crédito para empresa, custo de 'brusinhas' e tapa buraco do arcabouço fiscal
Os economistas do governo disseram que vão fazer o arroz com feijão para cumprir o "arcabouço fiscal". No meio desse caldo, vieram uns caroços grandes de azeitona, aumentos de IOF, que anualmente renderiam R$ 40 bilhões. Isto é, a fim de respeitar a meta de déficit primário, Lula 3 vai cobrar um dinheiro extra.
Foi assim o anúncio da revisão bimestral das contas do governo federal, nesta quinta (22). Um arrochozinho inesperado, por meio de aumento de imposto. Quebrou uns dentes.
O prato-feito da revisão bimestral de gastos não muda a economia e a política econômica, mas vai encarecer operações financeiras e ser politicamente indigesto. Para a maioria das pessoas, mesmo as de renda mais alta, não vai fazer lá grande diferença. Mas o crédito para empresas ficará mais caro, por exemplo, com algum aumento de custo, perda de produção e produtos mais caros. O "mercado" vai pagar mais. Até as "brusinhas" vão custar mais caro.
Em suma, com mais IOF, o governo contribuiria para o arrocho da Selic alta e das taxas de juros altas no atacadão do mercado de dinheiro.
Na política, ainda mais na política viral e epidêmica das redes, vai se bater mais no ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que será xingado de Taxad. Para começar.
Vai ter mais imposto sobre operações de crédito, sobre empréstimos para empresas, fora as que estão nos Simples —as taxas de juros desses financiamentos vão aumentar, em português claro. Vai ter imposto sobre planos de previdência VGBL e seguros de vida de "ricos", com contribuições mensais de R$ 50 mil ou mais.
Tributo maior sobre gastos em compras internacionais (com cartão de crédito, pré-pago e débito), compras de moeda estrangeira (em dinheiro vivo), remessas para o exterior e empréstimos externos de curto prazo (um ano), cooperativas maiores.
Quanto à revisão de gastos, em si, o que mudaria para a atividade econômica (PIB, emprego, inflação) e para a política macroeconômica (aumento da dívida pública, taxas de juros)? Nada. O IOF aumenta o arrocho em um tico.
Se o governo não suspendesse despesas, poderia dar nalguma besteira depois do anúncio do que é oficialmente chamado de "Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias". Seria assim se ignorasse o gasto maior do que o previsto com Previdência e outros benefícios sociais e ignorasse que a receita pode não vir na quantidade planejada (por arrecadação menor com petróleo, estatais, negociação de pagamento de dívidas de empresas com a Receita Federal).
No essencial, os ministérios da Fazenda e do Planejamento disseram que devem evitar gastos em quantidade bastante para manter a despesa no limite do teto do "arcabouço" e o suficiente para evitar que o déficit primário seja maior do que 0,25% do PIB (uns R$ 30 bilhões), a outra meta maior do "arcabouço". Vai ser por um triz e por IOF.
A quantidade de dinheiro que, por ora, deixará de ser gasta veio mais ou menos no tamanho esperado por economistas e gestores do dinheiro grosso.
Houve uns siricuticos do mercado, quando ainda se especulava se o governo ainda poderia inventar outro aumento de receita e porque, até o fim dos negócios do dia, não se sabia quem pagaria o IOF extra e quanto.
Vai ficar um gosto amargo na praça financeira pelos próximos dias. No essencial, na economia, ficamos na mesma. Na política, Lula vai apanhar mais.
JORNAL DA CULTURA | 24/05/2025
Jornalismo TV Cultura
Transmissão ao vivo realizada há 2 horas #JC #TVCultura #JornalismoTVCultura
No Jornal da Cultura deste sábado (24), você vai ver: oposição reage às novas regras do IOF e à recusa da Fazenda; Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho são premiados em Cannes; Quase 650 mil estudantes estão em escolas sem água potável, segundo o Censo Escolar; Reims recebe exposição sobre Rodrigo, filho de Sebastião Salgado; Prouni registra 85% de ociosidade no segundo semestre de 2024.
Esses e outros destaques você confere agora no Jornal da Cultura!
CRUZ E DISCIPLINA
Confie em si.
A crença em si mesmo vai na
frente e abre caminhos para a
felicidade.
Trabalhador recebe um spray químico para proteção contra o calor da queima de petróleo, Kwait, 1991
“E constrangeram um certo Simão Cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.” — (MARCOS, 15.21)
O trecho de Marcos 15.21 descreve um homem chamado Simão, de Cirene, que foi forçado a carregar a cruz de Jesus. Simão era pai de Alexandre e Rufo, e passava pelo local vindo do campo quando os soldados o obrigaram a ajudar a carregar a cruz.
Pão Nosso #103 - Cruz e disciplina
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 11 de mai. de 2023
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
1 Muitos estudiosos do Cristianismo combatem as recordações da cruz, alegando que as reminiscências do Calvário constituem indébita cultura de sofrimento.
2 Asseveram negativa a lembrança do Mestre, nas horas da crucificação, entre malfeitores vulgares. Somos, porém, daqueles que preferem encarar todos os dias do Cristo por gloriosas jornadas e todos os seus minutos por divinas parcelas de seu ministério sagrado, ante as necessidades da alma humana.
3 Cada hora da presença dele, entre as criaturas, reveste-se de beleza particular e o instante do madeiro afrontoso está repleto de majestade simbólica.
4 Vários discípulos tecem comentários extensos, em derredor da cruz do Senhor, e costumam examinar com particularidades teóricas os madeiros imaginários que trazem consigo.
5 Entretanto, somente haverá tomado a cruz de redenção que lhe compete aquele que já alcançou o poder de negar a si mesmo, de modo a seguir nos passos do Divino Mestre.
6 Muita gente confunde disciplina com iluminação espiritual. Apenas depois de havermos concordado com o jugo suave de Jesus-Cristo, podemos alçar aos ombros a cruz que nos dotará de asas espirituais para a vida eterna.
7 Contra os argumentos, quase sempre ociosos, dos que ainda não compreenderam a sublimidade da cruz, vejamos o exemplo do Cireneu, nos momentos culminantes do Salvador. 8 A cruz do Cristo foi a mais bela do mundo, no entanto, o homem que o ajuda não o faz por vontade própria, e, sim, atendendo a requisição irresistível. E, ainda hoje, a maioria dos homens aceita as obrigações inerentes ao próprio dever, porque a isso é constrangida.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
103
Cruz e disciplina
Ângulo da Sala de Eurípedes, no Lar de Eurípedes, em Sacramento. Parte de volumosa correspondência de Eurípedes está exposta nestas estantes do vidro.
Outro ângulo da Sala de Eurípedes. Aqui se vêem a mesa e a cama usadas pelo missionário sacramentano.
PROPOSIÇÃO IMPERATIVA é a que exerce as funções do imperativo, isto é, exorta, ordena, invoca, postula, convida.
Exortação é dar uma ordem, convencendo. Exemplo: Dá-me um pedaço de pão, porque estou com fome.
Ordenar é exprimir uma ordem. Exemplo: Olívio!, vá pegar a patativa.
Invocar é chamar. Exemplo: Vem, criança, vem comigo.
Postular é pedir com insistência. Exemplo: Levante-se, não é respeitoso sentar, quando outros de pé estão.
Convidar é pedir o comparecimento, motivando o interesse do convidado. Exemplo: Vem ao estudo, porque o estudo engrandece.
Eurípedes - o Homem e a Missão
pp. 114-116
Sebastião Salgado – A fome em preto e branco | Mel no Tacho
Exortação é dar uma ordem, convencendo. Exemplo: Dá-me um pedaço de pão, porque estou com fome.
Ordenar é exprimir uma ordem. Exemplo: Olívio!, vá pegar a patativa.
Sebastião Salgado – A fome em preto e branco | Mel no Tacho
Invocar é chamar. Exemplo: Vem, criança, vem comigo.
Sente-se, levante e avalie sua pontuação de acordo com a sua idade
O método simples que revela se você está envelhecendo bem
Postular é pedir com insistência. Exemplo: Levante-se, não é respeitoso sentar, quando outros de pé estão.
Confira o legado do fotógrafo Sebastião Salgado | Jornal da Noite
Band Jornalismo
Convidar é pedir o comparecimento, motivando o interesse do convidado. Exemplo: Vem ao estudo, porque o estudo engrandece.
Café Com Pão
João Donato
Coisas tão simples de nós dois
Pão com manteiga no café
Coisa com coisa que somou
Mais
Coisas tão poucas, tão banais
Coisas com coisas tão iguais
Coisa que homem e mulher
Faz
Coisas de quem sabe o que quer
Somos assim tão naturais
Como o amor dos animais...
É
Coisa que a gente nem deu nome
E de manhã aquela fome
O nosso cheiro nos lençois
Nós
Composição: João Donato.
Afabilidade e doçura - O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. IX - Item 6 - ENL 23/03/2024
Canal CEIC
No contexto da Doutrina Espírita, afabilidade e doçura são consideradas virtudes essenciais que, quando praticadas de forma genuína, atraem a simpatia e a benevolência dos outros e, por conseguinte, contribuem para o progresso espiritual.
A afabilidade e a doçura.
6. A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são as formas de manifestar-se. Entretanto, nem sempre há que fiar nas aparências. A educação e a freqüentação do mundo podem dar ao homem o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior, de uma roupagem cujo talhe primoroso dissimula as deformidades interiores! O mundo está cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno; que são brandas, desde que nada as agaste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro quando falam pela frente, se muda em dardo peçonhento, quando estão por detrás.
A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que, tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como a quererem desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem a si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que os chamariam à ordem, acham que pelo menos devem fazer-se temidos daqueles que lhes não podem resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: “Aqui mando e sou obedecido”, sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: “E sou detestado.”
Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são tingidas nunca se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.
Lázaro.
Paris, 1861.
Dindi
Sylvia Telles
Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão?
Ai, eu não sei, não sei
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias que são de ninguém
Mas que são minhas
E de você também
Ai, Dindi
Se soubesses o bem que eu te quero
O mundo seria Dindi
Tudo Dindi
Lindo Dindi
Ai, Dindi
Se um dia você for embora
Me leva contigo, Dindi
Fica, Dindi
Olha, Dindi
E as águas deste rio
Onde vão? Eu não sei
A minha vida inteira esperei
Esperei por você, Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
Ah, você não existe, Dindi
Olha, Dindi
Adivinha, Dindi
Deixa, Dindi
Que eu te adore, Dindi
Composição: Aloysio de Oliveira / Tom Jobim.
Sebastião Salgado: do contraluz do sertão aos confins da fotografia
África, 2006
por Homero Nunes
Viva os 70 anos de Sebastião Salgado!
*8 de fevereiro de 1944
Desmonte de navios na maré baixa, Chittagong, Bangladesh, 1989.
Do contraluz de Aimorés, no vale do Rio Doce, Minas Gerais, Sebastião Salgado herdou a luz de suas fotografias.
Henrique Cazes — Duas contas, de Garoto
Choro e Poesia
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22 de jun. de 2015
Henrique Cazes interpreta aqui em solo de cavaquinho, sem qualquer acompanhamento, "Duas contas" é um samba-canção em mi maior, com letra e música de Garoto, ou Aníbal Augusto Sardinha, que completaria 100 anos em 2015 e é uma unanimidade entre os músicos brasileiros. Admirado quer seja por chorões, quer seja por bossa-novistas e jazzistas, o grande músico deixou este clássico da música romântica que se notabiliza por não ter rimas. Cazes declarou na época do lançamento do disco "A Música de Garoto", lançado em parceria com o violonista Marcelo Gonçalves em 2007, que gravar "Duas contas" em solo de cavaquinho era uma "provocação" aos jazzistas e bossa-novistas, visto que esse lindo samba-canção quase sempre é gravado com essa levada.
Segundo o pesquisador Ronoel Simões, apesar de ser em mi maior, a melodia principal de "Duas contas" se inicia no segundo grau de tom fá sustenido maior, formando acordes de sétima e nona, que se repetem no segundo grau de mi maior.
Duas Contas
João Gilberto
Teus olhos
São duas contas pequeninas
Qual duas pedras preciosas
Que brilham mais que o luar
São eles
Guias do meu caminho escuro
Cheio de desilusão
E dor
Quisera que eles soubessem
O que representam pra mim
Fazendo
Que eu prossiga feliz
Ai, amor
A luz dos teus olhos
Composição: Garoto.
Sabado Em Copacabana / Duas Contas
Lúcio Alves - Tema
Crianças no orfanato do campo de refugiados de Goma, no Zaire, 1994.
Mensagem da Luz: Duas Contas a Contraluz
No dia 23 de maio de 2025, Sebastião Salgado, homem de imagens, cruzou a última fronteira — não como quem parte, mas como quem prossegue. Seu caminho, eternamente desenhado pela luz filtrada, pelas sombras densas e pelas almas resilientes que fotografou, agora segue além da matéria, na contraluz infinita.
Ao atravessar esse umbral, ecoa no espaço iluminado o timbre delicado das "Duas Contas" de Garoto — não apenas música, mas respiração, sopro, harmonia. Como se as notas se desprendessem do corpo do violão, as duas contas flanam pelo espaço, diáfanas, com a leveza dos olhos pequenos, preciosos, que Guimarães Rosa chamaria de "miúdos, mas poderosos".
Inicia-se, então, a música da travessia: um segundo grau em Fá sustenido maior, com acordes de sétima e nona, um acorde aberto, suspenso, vibrante, que paira no ar como o instante da fotografia antes do clique — aquela hesitação cheia de presença, o limiar entre o visível e o invisível.
A progressão segue para Mi maior, também no segundo grau, repetindo a estrutura: acordes de sétima e nona, como quem sugere continuidade, não fim. Assim como nas imagens de Salgado, que nunca encerram, mas prolongam as histórias que contam — rostos marcados pela vida, corpos que resistem, terras que ardem.
Salgado, homem da contraluz, agora integra-se à própria luz. Sua estética sempre buscou o claro-escuro, o limite do que se vê e do que se sente — agora, ele mesmo é parte da tessitura luminosa do mundo, acompanhando Garoto e suas notas em suspensão.
Essa passagem não se dá em silêncio, mas em harmonia rarefeita, onde o som das "Duas Contas" guia o fotógrafo na sua nova jornada: não mais através das lentes, mas através da eternidade que existe entre as imagens e os sons, entre as sombras e a luz.
E assim segue Salgado:
— Não mais o homem que captura a luz.
— Mas a própria luz, que flutua, pulsa e se repete, a cada acorde, a cada imagem, a cada história ainda não contada.
Duas Contas
Sylvia Telles
Composição: Garoto.
Zé Ramalho - A Terceira Lâmina - (Com Letra Na Descrição) - Legendas - (CC) - ORIGINAL 1981
JC Pasquini
24 de nov. de 2018
A TERCEIRA LÂMINA
É aquela que fere
Que virá mais tranquila
Com a fome do povo
Com pedaços da vida
Como a dura semente
Que se prende no fogo
De toda multidão
Acho bem mais
Do que pedras na mão
Dos que vivem calados
Pendurados no tempo
Esquecendo os momentos
Na fundura do poço
Na garganta do fosso
Na voz de um cantador
E virá como guerra
A terceira mensagem
Na cabeça do homem
Aflição e coragem
Afastado da terra
Ele pensa na fera
Que o começa a devorar
Acho que os anos
Irão se passar
Com aquela certeza
Que teremos no olho
Novamente a ideia
De sairmos do poço
Da garganta do fosso
Na voz de um cantador
E virá como guerra
A terceira mensagem
Na cabeça do homem
Aflição e coragem
Afastado da terra
Ele pensa na fera
Que o começa a devorar
Acho que os anos
Irão se passar
Com aquela certeza
Que teremos no olho
Novamente a ideia
De sairmos do poço
Da garganta do fosso
Na voz de um cantador"
Música
1 músicas
A Terceira Lâmina
Zé Ramalho
A Terceira Lamina
João Cabral de Melo Neto
ou Serventia das idéias fixas
Para Vinícius de Morais
UMA FACA SÓ LÂMINA
(ou: serventia das idéias fixas)
Assim como uma bala
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;
assim como uma bala
do chumbo mais pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado;
qual bala que tivesse um vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo
igual ao de um relógio
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,
relógio que tivesse
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;
assim como uma faca
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;
qual uma faca íntima
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto
de um homem que o tivesse,
e sempre, doloroso
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.
A
Seja bala, relógio,
ou a lâmina colérica,
é contudo uma ausência
o que esse homem leva.
Mas o que não está
nele está como bala:
tem o ferro do chumbo,
mesma fibra compacta.
Isso que não está
nele é como um relógio
pulsando em sua gaiola,
sem fadiga, sem ócios.
Isso que não está
nele está como a ciosa
presença de uma faca,
de qualquer faca nova.
Por isso é que o melhor
dos símbolos usados
é a lâmina cruel
(melhor se de Pasmado):
porque nenhum indica
essa ausência tão ávida
como a imagem da faca
que só tivesse lâmina,
nenhum melhor indica
aquela ausência sôfrega
que a imagem de uma faca
reduzido à sua boca;
que a imagem de uma faca
entregue inteiramente
à fome pelas coisas
que nas facas se sente.
(Uma faca só lâmina / ou: serventia das idéias fixas/, 1955)
João Cabral de Melo Neto
A JOAQUIM CARDOZO
Com teus sapatos de borracha
seguramente
é que os seres pisam
no fundo das águas.
Encontraste algum dia
sobre a terra
o fundo do mar,
o tempo marinho e calmo?
Tuas refeições de peixe;
teus nomes
femininos: Mariana; teu verso
medido pelas ondas;
a cidade que não consegues
esquecer
aflorada no mar: Recife,
arrecifes, marés, maresias;
e marinha ainda a qrquitetura
que calculaste:
tantos sinais da marítima nostalgia
que te fez lento e longo
(O engenheiro, 1942-1945)
Portal conta história dos mortos por Covid-19
por: José Jance Marques Postado em: 18/05/2020 - 08:46 Atualizado em: 18/05/2020 - 08:46
sábado, 24 de maio de 2025
Memórias: Família Teodósio do Recife-Pe. - Antônio Fausto Nascimento*
A propósito da crise financeira das universidades federais, o problema não é novo. Há mais de vinte anos, o vice-reitor e professor da UFRJ, Joel Teodósio, foi vitimado pelo desabamento de uma laje em deterioração, no Hospital Universitário. "Em coma", veio a falecer após cerca de dois anos, na casa da família, na cidade do Recife-Pe. Era filho de Naide e Bianor Teodósio, médicos e professores da Universidade Federal de Pernambuco. Presos por ocasião do golpe militar de 1964, Naide, enquanto médica, chegou a fazer parto de outra prisioneira da ditadura militar. Personalidades do campo socialista democrático em Pernambuco. A filha do casal, Marta, também foi médica e, igualmente, professora da UFPE, mestrado e doutorado pela Universidade Federal de São Paulo.
Outro filho, Manoel Teodósio, o Mano, foi destacado militante do MDB de resistência à ditadura de 1964, assessor do ex-prefeito do Recife, senador e governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcellos.
A mãe Naide participou do governo de Miguel Arraes (1963/1964), deposto e preso durante um ano, na Ilha de Fernando de Noronha, por ocasião do golpe militar.
A família Teodósio, de médicos, engenheiro e professores universitários, viverá para sempre na memória de todos batalhadores e seus descendentes, que viveram tempos heroicos da luta pela democracia, a legalidade e o progresso social em Pernambuco e no Brasil.
*O autor é administrador aposentado, foi dirigente sindical e secretário do trabalho de Pernambuco.
sexta-feira, 23 de maio de 2025
FORA DA ORDEM
Sebastião Salgado Gold: Serra Pelada Gold Mine / Goldmine Serra Pelada / Mine d'or Serra Pelada Capa dura – Livro de fotos, 17 novembro 2019
Edição Multilíngue por L�lia Wanick Salgado (Ilustrador), Alan Riding (Contribuinte, Autor), & 1 mais
Roda Retrô | Sebastião Salgado | 1994
Roda Viva
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O Roda Viva recebeu em 1994 o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.
Pós-graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Salgado trabalhou no Ministério da Economia em 1968 durante a ditadura. Após o asilo político, o mineiro retornou ao Brasil nos anos 70 e teve seu primeiro contato com a fotografia durante uma viagem à África.
Como fotógrafo, Salgado conquistou dezenas de prêmios internacionais e se consagrou um dos principais profissionais na área.
Título provisório:
Sebastião Salgado: O Olhar do Quarto Poder — Imagens que constroem e denunciam a ordem do mundo
Introdução: A Morte Anunciada de um Imortal
De repente, não mais que de repente, Paris anuncia ao mundo: Sebastião Salgado, aos 81 anos, encerra sua travessia humana, mas deixa uma herança infinita — imagens que escancaram a beleza e a tragédia da existência, que denunciam a violência e a desigualdade, e que celebram a dignidade humana mesmo em meio à ruína.
Neste roteiro, sua obra será o fio condutor, a lente pela qual revisitamos e reinterpretamos os grandes temas aqui apresentados: o papel da mídia como Quarto Poder, a crítica da modernidade, a ruína social expressa na canção “Fora da Ordem” e na tragédia de uma telenovela, e, finalmente, o pensamento filosófico e político que busca caminhos possíveis.
Sebastião Salgado não é só fotógrafo: é cronista visual da condição humana, é testemunha ética, é o artista que capturou, como poucos, a tensão entre a beleza da vida e a violência estrutural.
1. O Quarto Poder em Ação: Entre Imagem e Poder
A trajetória de Sebastião Salgado sempre desafiou a superficialidade midiática. Em um mundo onde a imagem se banalizou, ele repolitizou o ato de ver. Sua fotografia não é mero espetáculo: é denúncia, é documento, é apelo.
Salgado, portanto, expande o conceito do Quarto Poder: não é apenas a mídia tradicional, mas a imagem com responsabilidade ética, a fotografia que incita reflexão e ação, que molda consciências e interfere diretamente na esfera pública.
Se a mídia de massa frequentemente mascara a realidade, Salgado a desvela. Seu olhar, rigoroso e compassivo, refaz o pacto entre estética e verdade.
2. A Poética da Desordem: Fora da Ordem, Dentro do Quadro
Ao contemplarmos a fotografia de Salgado — por exemplo, imagens de mineiros de Serra Pelada, ou de refugiados — somos tragados pela mesma sensação que Caetano Veloso traduziu em sua canção:
“Aqui tudo parece que era ainda construção e já é ruína.”
Salgado captura a precariedade e a força. Seu trabalho é a materialização do verso “alguma coisa está fora da ordem”: um mundo desigual, espoliado, marcado pela exploração.
Mas, como na música, a arte de Salgado é também resistência: revela a dignidade onde só se via miséria, a beleza onde a ordem dominante via apenas ruína.
Assim como Caetano, Salgado nos obriga a olhar, a não desviar os olhos.
3. Entre Ficção e Tragédia: O Real Mais Forte que a Telenovela
A tragédia da morte de Daniella Perez, misturando vida e ficção, expôs a violência e a vulnerabilidade humanas — temas que também são núcleo do trabalho de Salgado.
Se a telenovela, como “De Corpo e Alma”, dramatiza conflitos e paixões, a fotografia de Salgado revela a dramaturgia real e brutal da existência: crianças-soldado, trabalhadores escravizados, povos indígenas ameaçados.
A diferença? Salgado não encena, não cria roteiro: ele testemunha. Sua lente é o palco onde o humano se exibe sem máscaras, em sua crueza e em sua transcendência.
A fotografia torna-se, assim, mais poderosa que a ficção, porque nos impede de negar a realidade.
4. Habermas e Salgado: Comunicação Ética na Esfera Pública
Se para Habermas a democracia depende de uma comunicação orientada pela razão e pela ética, então a obra de Salgado é uma das maiores expressões dessa utopia.
Salgado reconfigura a esfera pública: suas imagens são atos comunicativos, que exigem respostas, que interpelam consciências e que, muitas vezes, provocam mudanças políticas reais.
Em tempos de fake news e espetacularização, Salgado oferece uma alternativa: a imagem como compromisso ético, como discurso público legítimo.
Em suas fotos, cada rosto, cada corpo, cada paisagem é uma peça de resistência contra a manipulação e o silenciamento.
5. A Marcha Solitária do Estado: A Contradição Registrada pela Lente
O diagnóstico de Fernando Gabeira, sobre a “marcha solitária do Estado”, sem controle social, ressoa profundamente nas imagens de Salgado.
Ele nos mostra os abandonados pelo Estado: trabalhadores migrantes, vítimas de guerra, refugiados climáticos. A lente de Salgado captura essa ausência, essa marcha sem rumo, mas também o potencial de resistência dos indivíduos e comunidades.
Se o Estado falha, a sociedade — através da arte, da comunicação e da ação política — pode e deve restabelecer vínculos.
Salgado é um mediador desses vínculos: mostra o que está escondido, aproxima o distante, humaniza o outro.
6. O Legado de Sebastião Salgado: Entre Luz e Sombra
Com a sua partida, Sebastião Salgado torna-se ainda mais eterno. Seu legado é muito mais que um arquivo de imagens: é um convite ético, uma proposta política e uma poética da existência.
Assim como na canção de Caetano Veloso, Salgado parece nos dizer, a cada clique:
“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem.
Apenas sei de diversas harmonias bonitas, possíveis sem juízo final.”
Salgado nos ensinou a olhar com respeito, a denunciar com beleza e a esperançar com imagens.
Sua arte conecta tudo o que tratamos aqui: o poder da comunicação, o risco da manipulação, a necessidade de uma esfera pública vibrante, a urgência da ação social e política.
Ele é, por excelência, o artista do Quarto Poder, mas também o crítico e o redentor desse mesmo poder.
Epílogo: A Imagem que Persiste
Sobre imagens de Salgado, o roteiro se encerra, mas a sua mensagem permanece:
➡️ A beleza é política.
➡️ O olhar é poder.
➡️ A imagem pode ser denúncia ou disfarce.
Com Salgado, aprendemos que a imagem consciente é a mais potente das intervenções.
De repente, não mais que de repente, ele partiu.
Mas, felizmente, não mais que de repente, ele também permanece.
Frase final:
"O mundo é a sua imagem. Escolha bem como quer vê-lo."
A morte de Sebastião Salgado, anunciada em 23 de maio de 2025, reverberou globalmente, com diversos veículos de comunicação destacando sua trajetória e legado. O fotógrafo brasileiro, conhecido por suas imagens em preto e branco que capturam a essência da condição humana e a beleza da natureza, faleceu aos 81 anos devido a uma leucemia decorrente de uma malária contraída em 2010 durante o projeto "Gênesis" .
The Guardian
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ElHuffPost
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Cadena SER
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Salgado iniciou sua carreira como economista, mas encontrou na fotografia uma forma de expressar sua visão sobre as injustiças sociais e ambientais. Projetos como "Trabalhadores", "Êxodos" e "Gênesis" são testemunhos de seu compromisso com a documentação de realidades muitas vezes negligenciadas .
El País
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ElHuffPost
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Além de seu trabalho fotográfico, Salgado e sua esposa, Lélia Wanick Salgado, fundaram o Instituto Terra, uma organização dedicada à restauração ambiental no Brasil . Seu legado permanece não apenas em suas imagens, mas também em suas contribuições para a preservação do meio ambiente e a conscientização global sobre questões sociais.
AP News
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El País
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The Guardian
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Para aprofundar o entendimento sobre sua visão e trajetória, recomenda-se a entrevista concedida por Salgado ao programa Roda Viva em 1994, disponível no link a seguir:
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Observatório da Imprensa
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Neste programa, Salgado discute sua transição da economia para a fotografia, suas motivações e os desafios enfrentados em seus projetos.
Sebastião Salgado deixa um legado indelével na fotografia e na luta por justiça social e ambiental. Sua obra continua a inspirar e provocar reflexões sobre o mundo em que vivemos.
Fontes
"Opinião do dia – Jürgen Habermas* (Eleições)"
“Eleições e referendos devem não só reproduzir um espetro de preferências existentes, mas também juízos sobre os programas e sobre as pessoas que se encontram em eleição.
Eles não podem expressar irrefletidamente a vontade da população, pois têm também um sentido cognitivo. O governo precisa elaborar problemas urgentes com base nessas decisões sobre diretrizes. Em uma democracia, eleições políticas não satisfazem sua determinação sistêmica se meramente registram a distribuição de preferencias e de prejuízos. Os votos eleitorais alcançam o peso institucional de decisões civis de um colegislador somente porque procedem de um processo público de formação da opinião e da vontade, no que esse processo é controlado pelos prós e contras públicos de opiniões, argumentos e tomadas de posição livremente flutuantes. As opiniões dos cidadãos devem primeiramente se constituir a partir da maré dissonante das contribuições, a luz de uma troca de opiniões publicamente articulada.
De maneira ideal, a política deliberativa se enraíza em uma sociedade civil que faz um uso anarquista de suas liberdades comunicativas. Mas, em nossas esferas públicas espaçosas, produzidas primeiramente pela rede comunicativa de mídias de massa, carece-se não só de informações e impulsos da parte de uma imprensa espontânea e independente, mas, em primeira linha, da iniciativa, do esclarecimento e da capacidade de organização dos partidos políticos.”
*Jürgen Habermas (1929), filósofo e sociólogo alemão que participa da tradição da teoria crítica, membro da Escola de Frankfurt. Dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias do agir comunicativo, da política deliberativa e da esfera pública. “Na esteira da tecnocracia”, p.172-3. Editora Unesp, 2014."
"Opinião do dia -Jürgen Habermas* (O discurso democrático)"
“O Estado democrático de direito se tornou um projeto, ao mesmo tempo resultado e acelerador de uma racionalização do mundo da vida que vai muito além do aspecto político. O verdadeiro conteúdo deste projeto é a institucionalização gradualmente melhorada dos procedimentos de formação coletiva racional da vontade, os quais não podem prejudicar os objetivos concretos dos participantes. Cada passo nesse caminho tem repercussões sobre a cultura política e sobre as formas de vida. Porém, por outro lado, sem a contrapartida de uma cultura política e de formas de vida racionalizadas, não poderiam surgir formas de comunicação adequadas à razão prática.”
*HABERMAS, Jürgen (1929). Facticidade e Validade: contribuições para uma teoria discursiva do direito e da democracia. Trad: Felipe Gonçalves Silva e Rúrion Melo. p.651, São Paulo: UNESP, 2020."
sexta-feira, 23 de maio de 2025
A marcha solitária do Estado sem controle – Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
A realidade é que marchamos para uma nova eleição presidencial num contexto de distância entre a sociedade e seus representantes
Nos últimos tempos, tenho a impressão de que o Estado brasileiro se liberou completamente das amarras sociais e navega livremente pelo oceano de seus próprios interesses.
O Congresso é o lugar onde a liberdade de cuidar de si passou ater maior dimensão. Para começar, temos ocaso não resolvido das emendas. Não há controle social sobre ela se, em alguns casos, apenas a esperança de que, no sistema de pesos e contrapesos, o Supremo Tribunal Federal (STF) consiga frear o avanço dos congressistas. Rosa Weber tentou deter o orçamento secreto. Houve inúmeras escaramuças, masa Constituição não prevaleceu.
Da mesma forma, as tentativas do ministro Flávio Dino para determinara transparência esbarram em grandes obstáculos. Como foi um ministro indicado por Lula, o esforço para conter o Congresso acaba repercutindo nos municípios. Deve estar aí a causa das vaias que o presidente recebeu na marcha dos prefeitos em Brasília. Se foi esse o motivo, é sinal de que o corpo político brasileiro não aceita mais a ideia de um Orçamento nacional controlado pelo Executivo para realizar as promessas de uma campanha presidencial.
Os resultados são conhecidos hoje: fragmentação no uso dos recursos, irracionalidade, assim como uma corrupção difusa e incontrolável.
Mas o barco navega por outras ondas. Na semana passada, a Câmara aumentou o número de deputados, de 513 para 531, com um impacto estimado, por baixo, de R$ 65 milhões ao ano. Não houve repercussão social. Se fizermos uma pesquisa, certamente a maioria reprovaria este aumento. Mas ela já não se dá mais ao trabalho de protestar, por cansaço.
Resta a esperança de que o Supremo detenha esta manobra. Afinal, o que foi autorizado é apenas um reajuste nas bancadas, proporcional ao número de habitantes por Estado. Alguns perderiam, outros ganhariam, mas o número final não seria alterado.
Mas será que o STF vai enfrentar mais essa? Há outras frentes no litígio entre as instituições. Uma delas foi aberta com a suspensão do processo contra o deputado Alexandre Ramagem. O STF aceita não processá-lo por crimes realizados depois da diplomação, mas os cometidos antes estão de pé.
O caso é apenas um balão de ensaio destinado a criar uma espécie de blindagem para os deputados. Fala-se em anular, da mesma forma, o processo contra o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho, e a própria Carla Zambelli deposita suas esperanças, depois de uma condenação a dez anos de prisão.
Tudo isso enfraquece a democracia, como se ela estivesse morrendo ao longo desses anos, com pequenos espasmos de resistência.
O próprio Judiciário, em certos momentos, também navega em águas turvas. É muito grande o número de altos funcionários da Justiça que ganham salários acima do teto. Há investigações sobre venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça e nos tribunais de Tocantins e Mato Grosso.
Não se pode projetar no STF o papel de salvador. Sua atuação contra o golpe de Estado foi elogiada de um modo geral, mas logo alguns excessos surgiram a ponto de motivarem reportagens de veículos internacionais como The Economist e The New York Times. O contraargumento é o de que esses órgãos compraram as versões da extrema direita, mas não são precisamente simpáticos a essa corrente política.
Resta o Executivo, sem condições de estabelecer um equilíbrio.
Também se debate com notícias de corrupção no INSS, embora estejamos tratando de um processo antigo, fraco demais para confrontar o Congresso e dependente do STF.
No meu entender, está criada uma situação semelhante à anterior a 2013, com a diferença de que as revoltas daquele ano se desdobraram numa experiência que terminou com a vitória de um suposto outsider, em 2018. Bolsonaro se dizia contra tudo o que está aí.
Apesar dessa experiência traumática, a possibilidade do aparecimento de outsiders nas campanhas eleitorais continua de pé, sobretudo porque eles podem tomar outras formas, criar novos discursos, como aconteceu com Pablo Marçal na eleição municipal de São Paulo. Excluído do processo por sua própria inexperiência e fragilidade política, ele acabou revelando que uma parte da juventude buscava novos rumos, mais próximos do universo cotidiano.
A realidade é que marchamos para uma nova eleição presidencial num contexto de distância entre a sociedade e seus representantes.
Grande parte dos deputados considera sua reeleição tranquila com uma grande fatia do Orçamento para garantir sua volta. No longo prazo, é apenas um sintoma da crise, porque isso anuncia que no nível do Congresso não teremos novidade e o barco continuará seguindo suas rotas.
E o presidente que surgir do processo? Terá força para impor sua posição, vai remar a favor da corrente, na esperança modesta de preservar o poder?
O único problema nesta aprazível viagem é o fato de que a sociedade é dinâmica e dificilmente vai aceitar essa pasmaceira ao longo dos anos. Em algum momento, um iceberg vai se colocar no caminho deste incontrolável barco estatal.
Por enquanto, é difícil definir os contornos do desastre. Mas a possibilidade de que aconteça aumenta na medida em que o barco se distancia da costa, onde vivem as pessoas com seus problemas e sonhos.
"Quarto Poder em Ação" refere-se à influência e atuação da imprensa e dos meios de comunicação de massa na sociedade, além da divulgação de notícias. Este conceito, que se inspira nos três poderes clássicos (Legislativo, Executivo e Judiciário), destaca a capacidade da mídia de moldar a opinião pública, influenciar decisões e impactar a agenda política.
Academia de Mia. Maputo de Puto. Democracia de Cia.
Caetano Veloso - Fora da Ordem
A célebre frase "alguma coisa está fora da ordem", eternizada por Caetano Veloso, sintetiza de forma poética uma disfunção que exige resposta concreta e urgente dos formuladores de políticas públicas e dos agentes do setor.
Caetano Veloso - Fora da Ordem (Cd De Corpo e Alma, Nacional 1992) Tema de Reginaldo (Eri Jonhson)
Composição: Caetano Veloso
Vapor barato
Um mero serviçal
Do narcotráfico
Foi encontrado na ruína
De uma escola em construção...
Aqui tudo parece
Que era ainda construção
E já é ruína
Tudo é menino, menina
No olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto
Ganindo prá lua
Nada continua...
E o cano da pistola
Que as crianças mordem
Reflete todas as cores
Da paisagem da cidade
Que é muito mais bonita
E muito mais intensa
Do que no cartão postal...
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial...(4x)
Escuras coxas duras
Tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna moderna
A trupe intrépida em que fluis...
Te encontro em Sampa
De onde mal se vê
Quem sobe ou desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa
É quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova
Parece fogo, parece
Parece paz, parece paz...
Pletora de alegria
Um show de Jorge Benjor
Dentro de nós
É muito, é grande
É total...
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial...(4x)
Meu canto esconde-se
Como um bando de Ianomâmis
Na floresta
Na minha testa caem
Vem colocar-se plumas
De um velho cocar...
Estou de pé em cima
Do monte de imundo
Lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio
No esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela
Do garoto de frete
Do Trianon
Eu sei o que é bom...
Eu não espero pelo dia
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final...
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial...(várias vezes)
01. CONTRATO ASSINADO – Sandra de Sá (tema de Simone)
02. MINHA TENTAÇÃO – Wando (tema de Helena)
03. SONHO TRISTE (UNO) – Julio Iglesias (tema de Diogo)
04. BATE CORAÇÃO (TEU OLHAR) – José Augusto (tema de Caíque)
05. ALGUÉM NO CÉU – Trem da Alegriae Roupa Nova (tema de Júnior)
06. BETINA – André Sperling (tema de Betina)
07. TEU OLHAR – Hay Kay (tema de Tavinho)
08. ROMANCE ROSA (BACHATA ROSA) – Juan Luiz Guerra (tema de Yasmin)
09. FORA DE ORDEM – Caetano Veloso (tema de Reginaldo)
10. ATRÁS DA PORTA – Elis Regina (tema de Antônia)
11. POR ESCRITO – Pery Ribeiro (tema de Stella)
12. HOMEM DE RUA – Erasmo Carlos (tema de Bira)
13. RAIO DE LUZ – Simone (tema de Paloma e tema de abertura)
14. SOFRENDO POR AMOR – André Sperling (tema de Bia)
De Corpo e Alma é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 3 de agosto de 1992 a 5 de março de 1993 em 185 capítulos. Substituiu Pedra Sobre Pedra e foi substituída por Renascer, sendo a 46ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Gloria Perez e dirigida por Fábio Sabag e Ivan Zettel, teve direção geral e núcleo de Roberto Talma
Contou as participações de Tarcísio Meira, Cristiana Oliveira, Victor Fasano, Beatriz Segall, Carlos Vereza, Betty Faria, Fábio Assunção e Vera Holtz.
A telenovela ficou marcada pela morte de Daniella Perez, filha da autora e interprete da personagem Yasmin, que foi assassinada pelo colega de elenco Guilherme de Pádua e Paula Thomaz (atualmente assina Paula Nogueira Peixoto), então esposa de Pádua. Na trama, Pádua vivia o personagem Bira, com quem Yasmin tinha um romance. Durante o período em que o crime estava sendo elucidado, os autores Leonor Bassères e Gilberto Braga assumiram a responsabilidade de escrever os capítulos e apresentar uma alternativa para o desaparecimento dos dois personagens. Depois do crime elucidado, Gloria Perez retomou o trabalho e conduziu a novela até o fim. A autora incluiu mais dois assuntos polêmicos na trama: a morosidade da Justiça e a inadequação do Código Penal.
Cotejo analítico entre os casos
EDITORIAL: Universidades federais à míngua – Discurso progressista de Lula em defesa da educação não resiste ao confronto com a asfixia financeira das instituições federais de ensino causada por seu próprio governo (via
@opiniao_estadao
) > https://bit.ly/3Ha0CkU
📷 Pedro Kirilos/Estadão
"(...)A despeito de eventuais exageros retóricos, não há dúvida de que, sem o devido financiamento, as universidades públicas não produzirão aquilo que delas se espera: ensino e pesquisa qualificados. No entanto, é incontornável o fato de que parcela expressiva da responsabilidade por esse quadro de penúria das universidades federais cabe aos governos lulopetistas, que se empenharam em espalhar câmpus Brasil afora sem condições materiais e financeiras para seu funcionamento e manutenção, uma política concebida apenas para satisfazer aos interesses político-eleitorais do PT.
A promessa de Lula da Silva de implementar uma expansão universitária de excelência nunca passou disso, de uma promessa. Ademais, em claro sinal de que nunca se preocupou genuinamente com a formação de jovens estudantes, os governos lulopetistas jamais deram a devida atenção ao desenvolvimento de outros polos de ensino, como os centros de ensino técnico-profissional.
Para ser crível, o discurso progressista do governo federal, que se apresenta ao País como defensor da ciência, da educação e da inclusão social, precisa vir acompanhado de coerência orçamentária e administrativa. Não basta exaltar a importância da universidade pública para o País, um truísmo, se, na prática, Lula da Silva opera um estrangulamento financeiro que compromete aulas, interrompe pesquisas, prejudica a manutenção dos estudantes de baixa renda e ameaça a reputação institucional das universidades federais."
Universidades federais à míngua
O Estado de S. Paulo
Discurso progressista de Lula da Silva em defesa da educação não resiste ao confronto com a asfixia financeira das instituições federais de ensino superior causada por seu próprio governo
Concentração de massa pode ser uma das justificativas de alteração da rotação. (Foto: Pexels)
Ciência
Como a maior usina hidrelétrica do mundo pode afetar a velocidade da Terra?
Fatores internos e externos ao planeta impactam na rotação do globo
Por: Túlio Daniel
Publicado em 25/05/2023 às 10:48 - Atualizado em 05/09/2023 às 18:47
Imagine que o homem, tão diminuto frente ao universo, mas tão avançado intelectualmente e tecnologicamente, fosse capaz de alterar a velocidade ou a rotação de um planeta. Recentemente, voltou a circular nas redes sociais que a maior hidrelétrica do mundo, a usina de Três Gargantas, localizada na China, estaria afetando a rotação da Terra. Isso porque a gigante chinesa reserva cerca de 39,3 quilômetros cúbicos de água, que podem chegar a 175 metros de altura.
A maior hidrelétrica do mundo é a Usina de Três Gargantas (Three Gorges Dam), localizada na China, no rio Yangtze. Ela tem uma capacidade instalada de 22,5 GW, o que a torna a maior em termos de potência gerada. A usina foi construída em 2008 e possui 2,335 metros de comprimento.
Características Principais da Usina de Três Gargantas:
Capacidade: 22.500 MW (22,5 GW).
Localização: Rio Yangtze, China.
Comprimento: 2.335 metros.
Período de Construção: Aproximadamente 14 anos.
Reservatório: Armazena cerca de 39,3 km³ de água.
Impactos e Considerações:
A Usina de Três Gargantas teve um grande impacto na economia da China e na geração de energia. No entanto, a construção também gerou impactos ambientais e sociais significativos, como o deslocamento de 1,3 milhão de pessoas e a alteração da biodiversidade da região. Além disso, o grande reservatório da usina pode ter um impacto na rotação da Terra.
Como a maior usina hidrelétrica do mundo pode afetar a velocidade da ...
25 de mai. de 2023 — Recentemente, voltou a circular nas redes sociais que a maior hidrelétrica do mundo, a usina de Três Gargantas,
Comunica UFU
Conheça as 5 maiores usinas hidrelétricas do mundo
1° lugar: Usina de Três Gargantas – China Atualmente, a maior usina hidrelétrica do mundo está localizada no rio Yang Tsé, na Chin...
Pramac Brasil
China planeja construção da maior hidrelétrica do mundo no Tibete
26 de dez. de 2024 — Veja as cinco maiores hidrelétricas do mundo * 1 de 5. 1ª - Hidrelétrica de Três Gargantas. Construída no Rio Y...
O Globo
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Arkady Shaikhet / russiainphoto
Lénine e a eletricidade
Por Demétrio Alves
Domingo, 17 de Maio de 2020
Durante o VIII Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, foi avançada a importante e muito divulgada tese: «O comunismo é o Poder Soviético mais a eletrificação de todo o país»
Em 1920, num período crucial para a transição russa em direção a um Estado socialista, a segunda revolução industrial, ou, numa nomenclatura preferível, a segunda fase da revolução industrial, encontrava-se num período de crescimento exponencial.
Como os EUA podem ficar para trás devido ao obscurantismo de Trump
Publicado em 23/05/2025 - 07:26 Luiz Carlos Azedo
China, Ciência, Educação, EUA, Inglaterra, Memória, Política, Política, Tecnologia, Universidade, Vaticano
A China, que formou muitos de seus executivos e cientistas em Harvard, agora também é um polo de atração de cérebros estrangeiros dedicados a ciência, inovação e tecnologia
Em mais uma surpreendente decisão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibiu a Universidade de Harvard de matricular estrangeiros. A determinação foi comunicada pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que ordenou o encerramento do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP) da universidade. Os estudantes internacionais devem se transferir ou perderão seu “status legal”. Um juiz federal sustou a medida.
Trump quer interferir na programação, nas contratações e nas admissões das principais universidades do país, ameaçando cortar benefícios federais. Harvard resiste e anunciou que vai receber estudantes e acadêmicos “que vêm de mais de 140 países e enriquecem a universidade — e esta nação — imensamente”. Trump e outros líderes de extrema direita no mundo, como aqui no Brasil, veem as universidades como irradiador do “marxismo cultural”. Harvard é um templo liberal, dedicado ao desenvolvimento da ciência e à pesquisa.
Leia também: Justiça impede governo dos EUA de proibir estudantes estrangeiros no país
Algumas das mais importantes personalidades norte-americanas passaram por lá: os presidentes John F. Kennedy (35º), Barack Obama (44º), Franklin D. Roosevelt (32º) e Theodore Roosevelt (26º), por exemplo. Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da ONU, e Michelle Obama, ex-primeira-dama dos EUA, também. Bill Gates, cofundador da Microsoft , e Mark Zuckerberg estudaram em Harvard, mas não concluíram a graduação.
Harvard é um celeiro de cientistas, como Steven Pinker, psicólogo e linguista; E. O. Wilson, considerado o “pai da sociobiologia”; e Neil de Grasse Tyson, astrofísico. A juíza Elena Kagan e o presidente da Suprema Corte dos EUA, John Roberts, são juristas formados em Harvard. Como o ator Tommy Lee Jones, o comediante Conan O’Brien, a atriz Natalie Portman e o poeta T. S. Eliot, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.
Passaram por lá o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e atual presidente da Corte, Luís Roberto Barroso; o ex-governador do DF Cristovam Buarque; o banqueiro Roberto Setúbal (Itaú); a empresária Luiza Helena Trajano (Magalu); o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles; o neurocientista Miguel Nicolelis; e a geneticista Lygia da Veiga Pereira, sem falar no filósofo Roberto Mangabeira Unger, que é professor de Harvard.
Leia também: O clima de apreensão dos alunos brasileiros de Harvard
Quem deve estar gostando da decisão de Trump é a China, que formou muitos de seus executivos e cientistas em Harvard, mas agora é um polo de atração de cérebros dedicados à inovação e à tecnologia. É uma situação parecida com o que aconteceu na Itália, apesar das obras de Leonardo da Vinci e Michelangelo, no Renascimento. A Revolução Industrial poderia ter começado em Florença, que já foi o principal polo de produção e comércio de tecidos da Europa, especialmente de lã e de seda.
Infinitesimal
A partir do século XVII, Florença perdeu sua liderança na indústria têxtil para outras cidades europeias, como Lyon, na França, e sobretudo Manchester, na Inglaterra, berço da Revolução Industrial. Uma das causas foi a Contrarreforma, que não aceitava as teses de Hipaso de Metaponto sobre os números irracionais incomensuráveis. Esse filósofo grego foi afogado no mar. Contrariara Pitágoras, para quem o mundo só poderia ser descrito por números racionais.
Cálculos infinitesimais servem para calcular os volumes de cones e cilindros. Arquimedes de Siracusa utilizou-os para calcular áreas e volumes. Eram uma alavanca para mover o mundo, porém contrariava a geometria de Euclides. O livro Infinitesimal, a teoria matemática que mudou o mundo (Zahar), de Amir Alexandre, conta essa história.
A Companhia de Jesus perseguiu os monges matemáticos italianos que se dedicavam ao cálculo infinitesimal, depois da tradução para o latim da obra de Arquimedes. Cristóvão Clávio (1538-1612), professor do Collegio Romano, alicerçou a antirreforma na geometria euclidiana, por acreditar que se aplicava a todos os campos de conhecimento. Galileu Galilei (1564-1642), Bonaventura Cavalieri (1598-1647), Evangelista Torriceli (1608-1647) e Stefano degli Angeli (1623-1697), notáveis matemáticos, foram perseguidos.
Os infinitamente pequenos ameaçavam o dogma de que o mundo é racional e todas as coisas, naturais e humanas, têm seu lugar determinável e imutável, da estrela no céu ao grão de areia. Para Euclides, uma reta era uma sequência de pontos, indivisíveis. Galileu, com base em Arquimedes, demonstrou que os pontos poderiam ser subdivididos infinitamente. Foi além de cones, triângulos e círculos, usou o cálculo herético na astronomia, na óptica, na cinemática, na dinâmica e na elasticidade.
Sufocada na Itália, a matemática renasceria na Inglaterra. Foi preciso que um dos teóricos do Estado moderno, Thomas Hobbes (1588-1679), autor de Leviatã (Edipro), fosse desmoralizado como matemático. Sua teoria do Estado autoritário também se fundamentava na geometria. Coube ao sacerdote puritano John Wallis (1616-1703), um dos fundadores da Royal Society de Londres, professor de geometria da Universidade de Oxford, defender os infinitesimais.
Com isso, Influenciou o jovem Isaac Newton (1643-1727) e sua Aritmética do infinito, que unificou a Mecânica do Céu e da Terra, com o monumental Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, publicado em 1687. O cálculo infinitesimal seria usado na análise estática, dinâmica e termodinâmica das máquinas industriais, das quais eram solicitadas maior potência e velocidade na Revolução Industrial.
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Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões – Uma análise do documento da PSR
Roberto D'Araujo
17/06/2016
16:09
4 Comments
O relatório foi preparado para um projeto da Abrace de 2014 chamado Visões do Setor Elétrico. Está disponível em
http://visoesdosetoreletrico.com.br/pdfsespecialistas/PSR.pdf.
"O setor elétrico brasileiro apresenta uma notável contradição: apesar de deter uma das matrizes de geração de energia mais baratas do mundo, com predominância de fontes renováveis — especialmente as hidrelétricas —, o custo final da energia para o consumidor figura entre os mais elevados em escala global.
Historicamente, o Brasil investiu maciçamente na construção de grandes usinas hidrelétricas, responsáveis por mais de 60% da geração de eletricidade do país. Essas unidades, especialmente as mais antigas, já amortizaram seus custos de implantação e operação, proporcionando atualmente um custo marginal de geração extremamente baixo, se comparado às fontes mais recentes, como as termelétricas a gás ou carvão, além das próprias hidrelétricas mais modernas que incorporam custos ambientais e sociais mais expressivos.
Entretanto, diversos fatores contribuem para que o consumidor final brasileiro pague um dos preços mais altos pela energia elétrica. Entre eles, destacam-se:
Carga tributária elevada: Impostos como ICMS, PIS e COFINS representam parcela significativa da tarifa final.
Subsídios cruzados: Mecanismos de compensação entre diferentes tipos de consumidores e regiões, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), oneram o preço para determinados perfis de usuários.
Encargos setoriais: Taxas destinadas ao custeio de políticas públicas e à manutenção da universalização do serviço, como a Reserva de Capacidade e o Proinfa.
Perdas técnicas e não técnicas: Problemas relacionados à eficiência do sistema, à qualidade da infraestrutura de distribuição e ao furto de energia (as chamadas “perdas não técnicas”).
Contratação de energia de reserva: Em momentos de escassez hídrica, há necessidade de acionamento de fontes térmicas, mais caras e poluentes, cujo custo é repassado ao consumidor.
Diante desse panorama, percebe-se um descompasso estrutural: embora o país disponha de uma matriz majoritariamente renovável e com potencial para oferecer energia a custos competitivos, o ambiente regulatório e tributário, somado às ineficiências do sistema, resulta em tarifas excessivamente elevadas.
Conclui-se, portanto, que há uma necessidade premente de revisão das políticas públicas e do modelo de tarifação do setor elétrico nacional, visando a compatibilizar o custo efetivo da geração com o preço pago pelo consumidor. A célebre frase "alguma coisa está fora da ordem", eternizada por Caetano Veloso, sintetiza de forma poética uma disfunção que exige resposta concreta e urgente dos formuladores de políticas públicas e dos agentes do setor."
Brasil vive contradição no setor elétrico, diz Nivalde de Castro
Professor da UFRJ diz que maioria das fontes de energia são de baixo custo, mas com uma das tarifas mais altas do mundo.
Rafaella Barros
2.jun.2022 (quinta-feira) - 11h31
O Brasil vive uma grande contradição no setor elétrico, segundo o professor da UFRJ, Nivalde de Castro. Essa contradição se deve ao fato de o país ter uma matriz com a maioria das fontes de energia de baixo custo – como hídrica, eólica e solar – mas com uma das tarifas mais altas do mundo.
As declarações foram dadas durante o webinar “Desafios do setor elétrico”, promovido pelo Poder360 e pela Abradee (Associação dos Distribuidores de Energia Elétrica). O evento acontece nesta 5ª feira (2.jun.2022).
Segundo Nivalde, que é coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico) da faculdade de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os elevados preços das tarifas são por causa dos diversos tributos e dos encargos setoriais que compõem a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), pagos por todos os consumidores. Em média, esses custos representam aproximadamente metade do valor das tarifas.
“Por que a energia no Brasil é muito cara? É muito cara porque tanto o Executivo quanto o Legislativo entendem que o consumidor de energia elétrica tem que pagar por uma série de itens de impostos, subsídios e encargos que não deveriam estar sobre este bem, que não é supérfluo. É essencial”, disse Nivalde.
Assista ao momento (4min10s):...
Assista à transmissão:
Segundo o professor, é preciso ter cuidado ao comparar o Brasil com os países que já têm mercado livre de energia, pois são nações desenvolvidas e que não têm essa carga tributária e de custos setoriais embutidas nas tarifas. Ele afirma que esses custos deveriam entrar para o orçamento da União e não na composição tarifária, como acontece atualmente.
“Então, o que a gente observa nos outros países é que essas questões dos encargos – alguns deles muito importantes, como o da tarifa social – isso é pago pelos contribuintes. E não pelos consumidores. Entra no orçamento da União e não na tarifa de energia elétrica, gerando complicações de subsídios cruzados”, disse Nivalde.
Segundo Ricardo Brandão, diretor de regulação da Abradee, de 2012 até este ano os encargos da CDE subiram de R$ 6 bilhões para R$ 32 bilhões ao ano. Um aumento de mais de 400%.
“Isso acaba se transferindo para a tarifa final do consumidor. A Abradee apoia iniciativas que buscam racionalizar e reduzir esses custos de tributos e encargos. Encargos que, essencialmente, são descontos, subsídios, políticas públicas, que são em grande parte meritórias, mas, à medida que se acumulam, esses custos vão ficando cada vez mais elevados para a população”, disse Brandão.
O WEBINAR
Participaram do debate, mediado pelo jornalista Paulo Silva Pinto, editor sênior do
Poder360: Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Abradee; Paulo Ganime, deputado federal (Novo-RJ); Nivalde de Castro, professor e coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro); e Anton Schwyter, economista e coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
autores Rafaella Barros Repórter
Resumo: A Contradição do Setor Elétrico Brasileiro
O setor elétrico brasileiro evidencia uma contradição marcante: apesar de possuir uma das matrizes de geração mais baratas e renováveis do mundo, com predominância das hidrelétricas (mais de 60% da geração), o custo final da energia para o consumidor está entre os mais altos globalmente.
As usinas hidrelétricas antigas, já amortizadas, oferecem custo marginal de geração muito baixo, mas fatores diversos elevam o preço pago pelo consumidor:
Elevada carga tributária, com destaque para ICMS, PIS e COFINS.
Subsídios cruzados, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), onerando tarifas de determinados perfis de usuários.
Encargos setoriais, financiando políticas públicas e universalização, como o Proinfa.
Perdas técnicas e não técnicas, causadas por ineficiências e furtos de energia.
Contratação de energia de reserva, especialmente térmica, necessária em períodos de escassez hídrica, mas mais cara e poluente.
Esse cenário evidencia um descompasso estrutural: embora o Brasil tenha potencial para uma energia renovável e barata, aspectos regulatórios, tributários e operacionais resultam em tarifas excessivamente elevadas.
O texto conclui apontando a necessidade de uma revisão urgente das políticas públicas e do modelo tarifário, para alinhar o custo efetivo de geração ao preço pago pelo consumidor. A frase de Caetano Veloso, “alguma coisa está fora da ordem”, é utilizada como metáfora dessa disfunção que requer resposta concreta dos formuladores de políticas e dos agentes do setor.
Apontamento do dispositivo legal violado
Recurso especial por divergência jurisprudencial
Thiago Cássio D'Ávila Araújo
Compete ao STJ julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados.
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
https://www.migalhas.com.br/depeso/334879/recurso-especial-por-divergencia-jurisprudencial
Perfeito! A seguir, apresento um cotejamento — ou seja, uma comparação analítica — entre os estados das artes das práticas tecnológicas, científicas e educacionais nos Estados Unidos e no Brasil, sob os seus atuais governos federais, segundo o contexto de 2025:
1. Estados Unidos (sob o governo de Donald Trump, segundo o contexto apresentado)
Política científica e educacional:
O governo Trump, em seu novo mandato, reforçou uma política de hostilidade às universidades, especialmente as de perfil liberal e científico, como Harvard.
Medidas como a proibição de matrícula de estrangeiros em Harvard e a tentativa de interferência na autonomia universitária representam uma clara inflexão no modelo tradicional norte-americano, que sempre valorizaram a atração de talentos globais e a liberdade de pesquisa.
A retórica contra o chamado “marxismo cultural” alimenta uma visão de que as universidades são focos ideológicos adversários, reduzindo investimentos públicos e ameaçando benefícios federais.
Esse movimento é visto como obscurantista, com potenciais impactos negativos na atração de cérebros e na produção científica de ponta, que historicamente posicionou os EUA na liderança global em inovação e tecnologia.
Estado da prática tecnológica:
Apesar das políticas restritivas, os EUA ainda mantêm um ecossistema tecnológico robusto, com gigantes como Google, Apple, Microsoft e centros de excelência como o MIT e a NASA.
O setor privado segue fortemente investido em inovação, mas há risco de que o ambiente menos acolhedor para talentos estrangeiros prejudique a capacidade de renovação e diversidade científica no médio e longo prazo.
Setores estratégicos como inteligência artificial, biotecnologia e aeroespacial seguem avançados, mas enfrentam crescente concorrência da China, que adota políticas estatais agressivas para atrair e reter talentos.
2. Brasil (sob o atual governo federal, em 2025)
Política científica e educacional:
O Brasil também vive um cenário de tensões entre governo e comunidade científica, ainda marcado por restrições orçamentárias e desvalorização das universidades públicas.
Apesar de alguns sinais de recomposição parcial de verbas para ciência e tecnologia em anos recentes, o sistema ainda enfrenta sucateamento de infraestruturas e evasão de cérebros, com muitos pesquisadores migrando para países que oferecem melhores condições.
A política educacional continua marcada por disputas ideológicas: setores do governo promovem a ideia de um combate ao “marxismo cultural” nas universidades, enquanto instituições públicas como a USP, UFRJ e Unicamp mantêm resistência e protagonismo científico.
A educação básica sofre com baixos indicadores internacionais, sobretudo no que tange à ciência, matemática e letramento tecnológico.
Estado da prática tecnológica:
O Brasil possui ilhas de excelência tecnológica, sobretudo em setores como:
Energia renovável (com destaque para a hidroeletricidade e o etanol);
Agronegócio tecnológico (uso intensivo de biotecnologia e monitoramento via satélite);
Aeronáutica (com a Embraer como símbolo de competência internacional).
Porém, o país ainda carece de políticas robustas de incentivo à inovação, com investimento em P&D abaixo de 1% do PIB, muito aquém de nações desenvolvidas.
Enfrenta limitações estruturais como burocracia, baixa segurança jurídica e desigualdade no acesso à educação tecnológica.
3. Elementos comuns e contrastantes:
Aspectos Estados Unidos (Trump) Brasil (atual governo)
Visão governamental sobre universidades Hostilidade ideológica; ataque ao "marxismo cultural" Desconfiança e crítica ideológica semelhante, mas com menor capacidade de execução
Política de atração de talentos Reversão histórica; fechamento para estrangeiros Poucos incentivos para retenção de cérebros; forte evasão científica
Investimento em P&D Ainda elevado no setor privado; redução no apoio público Baixo investimento; dependência de poucos centros de excelência
Sistema educacional Universidades de ponta sob ataque, mas com forte setor privado Universidades públicas resilientes, mas financeiramente frágeis; educação básica com deficiências graves
Tecnologia e inovação Liderança global ameaçada por políticas restritivas Potencial setorial (energia, agronegócio, aeronáutica), mas sem estratégia nacional integrada
Relação com ciência Politização e tentativa de controle estatal Politização e corte de verbas, mas resistência institucional significativa
4. Síntese final:
Ambos os países vivem um cenário de politização da ciência e da educação, com governos que promovem desconfiança sobre as universidades e impõem restrições ou cortes que ameaçam o desenvolvimento científico.
A grande diferença está na capacidade institucional: enquanto os EUA ainda possuem uma base sólida, fruto de décadas de liderança em ciência e tecnologia, o Brasil, com uma base mais frágil e investimentos historicamente insuficientes, corre maior risco de retrocesso e estagnação.
Em ambos os casos, o cenário aponta para a necessidade urgente de políticas públicas que valorizem a ciência e a educação, sob pena de perderem competitividade e comprometerem seu desenvolvimento social e econômico.
Se quiser, posso expandir esse cotejamento com mais dados estatísticos, gráficos comparativos ou transformar em uma apresentação. Quer que eu faça isso? Se sim, qual formato prefere?
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