sábado, 3 de outubro de 2026

OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS

Colégio Allan Kardec O Colégio Allan Kardec, criado com o nome Liceu Sacramento em 1902, é uma instituição de ensino na cidade de Sacramento, Minas Gerais, considerada a primeira instituição de ensino com fundamentos da pedagogia espírita. Wikipédia
Edgar Morin e o desafio de educar na complexidade “Educar é preparar para enfrentar a incerteza e a complexidade do mundo.” — Edgar Morin Vivemos tempos de mudanças rápidas, informações desencontradas e certezas frágeis. E é justamente nesse cenário que o papel do professor se torna ainda mais essencial: ser farol em meio à incerteza. Morin nos lembra que educar não é repetir fórmulas, mas formar mentes críticas, sensíveis e capazes de lidar com o inesperado. É ajudar cada aluno a pensar, sentir e agir com responsabilidade diante da complexidade da vida. 🌱 O professor é aquele que ensina a enxergar conexões onde outros veem caos — que prepara seus estudantes não apenas para responder, mas para perguntar. Interrogada sobre os métodos de ensino adotados no Colégio, ela adiantou-nos que "Eurípedes, sempre perseverante no trabalho, aplicava uma didática intuitiva própria, até certo ponto, bastante moderna para sua época. Ele nunca usou o castigo como forma de repressão, pois lhe bastava o olhar para acomodar tudo. Jamais exigia de um aluno aquilo que este não conseguiria dar." Corina NOvelino Eurípedes - o Homem e a Missão p. 206 96— O LIVRO DOS ESPÍRITOS — CAPÍTULO X — DAS OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS | Jorge Elarrat (RO) Web Rádio Fraternidade O Livro dos Espíritos » Parte Segunda - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos » Capítulo X - Das ocupações e missões dos Espíritos » Das ocupações e missões dos Espíritos OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS 558. Os Espíritos têm outra coisa a fazer além de se aperfeiçoarem pessoalmente? “Eles concorrem para a harmonia do Universo, executando as vontades de Deus, de quem eles são os ministros. A vida espírita é uma ocupação contínua, mas que nada tem de penosa como na Terra, porque não há a fadiga corporal, nem as angústias da necessidade.” 559. Os Espíritos inferiores e imperfeitos também desempenham um papel útil no universo? “Todos têm deveres a cumprir. O último dos pedreiros não concorre para construir o edifício, assim como o arquiteto?” (540) 560. Cada Espírito tem atribuições especiais? “Todos nós devemos habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas, presidindo sucessivamente a todas as partes do Universo. Mas, como diz o Eclesiastes, há um tempo para tudo; assim, um cumpre hoje seu destino nesse mundo, outro o cumprirá ou o cumpriu em outro tempo, na terra, na água, no ar, etc.” 561. As funções que os Espíritos desempenham na ordem das coisas são permanentes para cada um, e estão nas atribuições exclusivas de certas classes? “Todos devem percorrer os diferentes graus da escala para se aperfeiçoar. Deus, que é justo, não poderia dar a uns a ciência sem trabalho, enquanto outros não a adquirem senão com esforço.” Igualmente entre os homens, ninguém chega ao supremo grau de habilidade numa arte qualquer, sem ter adquirido os conhecimentos necessários na prática das partes mais ínfimas dessa arte. 562. Os Espíritos da ordem mais elevada, não tendo nada mais a adquirir, estão em repouso absoluto, ou eles também têm ocupações? “O que quererias que eles fizessem na eternidade? A ociosidade eterna seria um suplício eterno.” — Qual é a natureza de suas ocupações? “Receber diretamente as ordens de Deus, transmiti-las em todo o Universo e velar por sua execução.” 563. As ocupações dos Espíritos são incessantes? “Incessantes, sim, se com isso entendeis que seu pensamento está sempre ativo, pois eles vivem pelo pensamento. Mas não deveis assimilar as ocupações dos Espíritos às ocupações materiais dos homens; essa atividade mesma é para eles um prazer, pela consciência que têm de serem úteis.” — Isso se concebe com relação aos bons Espíritos; mas, dá-se o mesmo com os Espíritos inferiores? “Os Espíritos inferiores têm ocupações apropriadas à sua natureza. Confiais ao servente de pedreiro e ao ignorante os trabalhos do homem de inteligência?” 564. Entre os Espíritos há os que são ociosos, ou que não se ocupam de nenhuma coisa útil? “Sim, mas esse estado é temporário e subordinado ao desenvolvimento de sua inteligência. Certamente há, como entre os homens, os que só vivem para si mesmos; mas essa ociosidade lhes pesa, e cedo ou tarde o desejo de avançar lhes faz sentir a necessidade da atividade, e se sentirão felizes por poderem tornar-se úteis. Falamos dos Espíritos que chegaram ao ponto de terem consciência de si mesmos e seu livre-arbítrio; pois, em sua origem, eles são como crianças que acabam de nascer, e que agem mais por instinto do que por uma vontade determinada.” 565. Os Espíritos examinam nossos trabalhos de arte e por eles se interessam? “Eles examinam o que pode demonstrar a elevação dos Espíritos e seu progresso.” 566. Um Espírito que teve uma especialidade na Terra, um pintor, um arquiteto, por exemplo, se interessa de preferência pelos trabalhos que foram objeto de sua predileção durante sua vida? “Tudo se confunde num objetivo geral. Se ele for bom, tais trabalhos lhe interessam na medida em que deles possa ocupar-se em ajudar as almas a ascenderem para Deus. Ademais, esqueceis que um Espírito que praticou uma arte na existência que o conhecestes, pode ter praticado outra em uma outra existência, pois é preciso que ele saiba tudo para ser perfeito; assim, conforme seu grau de adiantamento, pode não haver nenhuma especialidade para ele; é o que eu entendia ao dizer que tudo isso se confunde num objetivo geral. Notai ainda o seguinte: o que é sublime para vós, em vosso mundo atrasado, não passa de infantilidade se comparado a mundos mais avançados. Como quereis que os Espíritos que habitam esses mundos onde existem artes desconhecidas para vós, admirem o que, para eles, não passa de trabalhos de colegiais? Eu o disse: eles examinam o que pode demonstrar o progresso.” — Nós concebemos que assim deva ser com relação aos Espíritos bem adiantados; mas falamos dos Espíritos mais vulgares e que ainda não se elevaram acima das ideias terrestres. “Com estes é diferente; seu ponto de vista é mais limitado, e eles podem admirar o que vós mesmos admirais.” 567. Alguma vez os Espíritos se intrometem em nossas ocupações e em nossos prazeres? “Os Espíritos vulgares, como tu dizes, sim; esses estão incessantemente ao vosso redor e às vezes tomam uma parte muito ativa no que fazeis, conforme sua natureza; é preciso que assim se dê para impulsionar os homens nos diferentes caminhos da vida, excitar ou moderar suas paixões.” Os Espíritos se ocupam das coisas deste mundo em razão de sua elevação ou de sua inferioridade. Os Espíritos superiores certamente têm a faculdade de considerá-las nos mínimos detalhes, mas só o fazem na medida em que isso seja útil ao progresso; somente os Espíritos inferiores ligam a essas coisas uma importância relativa às lembranças que ainda estão presentes em sua memória, e às ideias materiais que ainda não foram extintas. 568. Os Espíritos que têm missões a cumprir, realizam-nas no estado errante ou no estado de encarnação? “Eles podem realizá-las em ambos os estados; para certos Espíritos errantes, as missões são uma grande ocupação. 569. Em que consistem as missões de que os Espíritos errantes podem ser encarregados? “Elas são tão variadas que seria impossível descrevê-las; além disso, há algumas que não podeis compreender. Os Espíritos executam as vontades de Deus, e não podeis penetrar todos os seus desígnios.” As missões dos Espíritos têm sempre por objeto o bem. Seja como Espíritos, seja como homens, eles são encarregados de auxiliar o progresso da humanidade, dos povos ou dos indivíduos, num círculo de ideias mais ou menos amplo, mais ou menos especial, de preparar os caminhos para certos acontecimentos, de velar pela realização de certas coisas. Alguns têm missões mais restritas e de certo modo pessoais ou totalmente locais, como assistir os doentes, os agonizantes, os aflitos, velar por aqueles de quem são guias e protetores, dirigi-los por meio de seus conselhos ou pelos bons pensamentos que lhes sugerem. Pode-se dizer que há tantos gêneros de missões quanto tipos de interesses a vigiar, seja no mundo físico, seja no mundo moral. O Espírito progride segundo a maneira com que realiza sua tarefa. 570. Os Espíritos sempre compreendem os desígnios que estão encarregados de executar? “Não; há os que são instrumentos cegos, mas outros sabem muito bem com que objetivo agem.” 571. Somente os Espíritos elevados desempenham missões? “A importância das missões guarda relação com as capacidades e a elevação do Espírito. A estafeta que leva um telegrama cumpre também uma missão, mas que não é a do general.” 572. A missão de um Espírito lhe é imposta, ou depende de sua vontade? “Ele a pede, e fica feliz por obtê-la.” — Uma mesma missão pode ser pedida por muitos Espíritos? “Sim, com frequência há muitos candidatos, mas nem todos são aceitos.” 573. Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados? “Instruir os homens; auxiliar-lhes em seu adiantamento; melhorar suas instituições por meios diretos e materiais; porém, as missões são mais ou menos gerais e importantes; aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. Na natureza tudo se encadeia; ao mesmo tempo em que o Espírito se depura pela encarnação, ele contribui, sob essa forma, para a realização dos desígnios da Providência. Cada um tem sua missão nesse mundo, porque cada um pode ser útil em alguma coisa.” 574. Qual pode ser a missão das pessoas voluntariamente inúteis na Terra? “Há efetivamente pessoas que não vivem senão para si mesmas e não sabem tornar-se úteis ao que quer que seja. São pobres seres que devem ser lamentados, porque expiarão cruelmente sua voluntária inutilidade, e seu castigo quase sempre começa já na Terra pelo tédio e o desgosto da vida.” — Uma vez que tinham escolha, por que eles preferiram uma vida que não lhes podia ser proveitosa em nada? “Entre os Espíritos também há preguiçosos que recuam diante de uma vida de labor. Deus permite que assim façam; eles compreenderão mais tarde, às próprias custas, os inconvenientes de sua inutilidade e serão os primeiros a pedir para reparar o tempo perdido. Pode ser também que tenham escolhido uma vida mais útil, mas recuam diante da obra e se deixam arrastar pelas sugestões dos Espíritos que os encorajam a permanecer na ociosidade.” 575. As ocupações vulgares mais nos parecem deveres do que missões propriamente ditas. A missão, segundo a ideia ligada a essa palavra, tem um caráter de importância menos exclusivo e sobretudo menos pessoal. Sob esse ponto de vista, como podemos reconhecer que um homem tem uma missão real na Terra? “Pelas grandes coisas que ele realiza, e pelos progressos a que leva seus semelhantes a realizarem.” 576. Os homens que têm uma missão importante são a ela predestinados antes de seu nascimento, e têm dela conhecimento? “Algumas vezes, sim; mas quase sempre ignoram. Ao encarnar na Terra, eles têm apenas um vago objetivo; sua missão se deixa entrever após o nascimento e segundo as circunstâncias. Deus os impulsiona para a via que eles devem seguir para cumprir Seus desígnios.” 577. Quando um homem faz uma coisa útil, é sempre em virtude de uma missão a que fora anteriormente predestinado, ou ele pode receber uma missão não prevista? “Nem tudo o que um homem faz resulta de uma missão predestinada; com frequência ele é instrumento de que se serve um Espírito para fazer com que se execute algo que ele crê ser útil. Por exemplo, um Espírito julga que seria bom escrever um livro que ele mesmo escreveria se estivesse encarnado; ele busca o escritor que é mais apto a compreender seu pensamento e a executá-lo; ele lhe dá essa ideia e o dirige na execução. Assim, esse homem não veio à Terra com a missão de fazer essa obra. O mesmo se dá com certos trabalhos de arte ou de descobertas. Devemos acrescentar que, durante o sono de seu corpo, o Espírito encarnado se comunica diretamente com o Espírito errante e ambos se entendem com relação à execução.” 578. Pode o Espírito, por culpa sua, falhar em sua missão? “Sim, se não for um Espírito superior.” — Quais são para ele as consequências dessa falta? “Ele deverá recomeçar sua tarefa: eis sua punição; além disso, sofrerá as consequências do mal de que tenha sido causa.” 579. Uma vez que o Espírito recebe de Deus sua missão, como pode Deus confiar uma missão importante e de interesse geral a um Espírito que poderia vir a falhar? “Deus não sabe se seu general obterá a vitória ou será vencido? Ele o sabe, estai certos disso, e seus planos, quando são importantes, não repousam sobre aqueles que hão de abandonar a obra em meio ao trabalho. Toda a questão está, para vós, no conhecimento que Deus possui do futuro, mas que não vos é concedido.” 580. O Espírito que encarna para cumprir uma missão tem a mesma apreensão que aquele que o faz como prova? “Não; ele tem a experiência.” 581. Os homens que são o facho do gênero humano, que o esclarecem com a luz de seu gênio, certamente têm uma missão; mas entre eles há alguns que se enganam e que, ao lado de grandes verdades, espalham grandes erros. Como devemos considerar sua missão? “Como falseada por eles mesmos. Estão abaixo da tarefa que empreenderam. No entanto, deve-se levar em conta as circunstâncias; os homens de gênio precisam falar de acordo com os tempos, e tal ensinamento que parece errôneo ou pueril numa época avançada, podia ser suficiente para seu século.” 582. Pode-se considerar a paternidade como uma missão? “É, sem contradita, uma missão; é ao mesmo tempo um grandíssimo dever, que compromete, mais do que o homem pensa, sua responsabilidade para o futuro. Deus colocou a criança sob a tutela de seus pais para que estes a dirijam na via do bem, e lhes facilitou a tarefa dando a ela uma organização frágil e delicada que a torna acessível a todas as impressões; mas há pais que se ocupam mais em endireitar as árvores de seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância do que em endireitar o caráter de seu filho. Se este sucumbir por falta dos pais, eles suportarão a pena, e os sofrimentos da criança na vida futura recairão sobre eles, por não terem feito o que dependia deles para o adiantamento do filho na via do bem.” 583. Se uma criança se torna má, mesmo com os cuidados de seus pais, estes são responsáveis? “Não; mas quanto mais as disposições da criança forem más, mais a tarefa é pesada e maior será o mérito se eles conseguirem desviá-la da má via.” — Se uma criança se torna uma boa pessoa, apesar da negligência ou dos maus exemplos de seus pais, estes retiram disso algum fruto? “Deus é justo.” 584. Qual pode ser a natureza da missão do conquistador que visa apenas a satisfação de sua ambição e que, para atingir tal objetivo, não recua diante de nenhuma das calamidades que arrasta em seu caminho? “Na maioria das vezes ele é apenas um instrumento de que Deus se utiliza para o cumprimento de Seus desígnios, e às vezes essas calamidades são um meio de fazer com que um povo avance mais rapidamente.” — Aquele que é instrumento dessas calamidades passageiras é alheio ao bem que pode resultar daí, pois visava apenas um objetivo pessoal; apesar disso, ele tirará proveito desse bem? “Cada um é recompensado segundo suas obras, o bem que ele quis fazer e a retidão de suas intenções.” Os Espíritos encarnados têm ocupações inerentes à sua existência corporal. No estado errante, ou de desmaterialização, tais ocupações são proporcionadas ao grau de seu adiantamento. Uns percorrem os mundos, instruem-se e se preparam para uma nova encarnação. Outros, mais adiantados, ocupam-se com o progresso, dirigindo os acontecimentos e sugerindo pensamentos propícios para tal fim; eles assistem os homens de gênio que concorrem para o adiantamento da Humanidade. Outros encarnam com uma missão de progresso. Outros tomam sob sua tutela os indivíduos, as famílias, as reuniões, as cidades e os povos, dos quais são os anjos guardiões, os gênios protetores e os Espíritos familiares. Outros, enfim, presidem aos fenômenos da natureza, dos quais são agentes diretos. Os Espíritos vulgares se envolvem em nossas ocupações e em nossos entretenimentos. Os Espíritos impuros ou imperfeitos aguardam, em sofrimentos e angústias, o momento em que Deus queira conceder-lhes os meios de avançar. Se fazem o mal, é por despeito do bem de que eles não podem ainda gozar. Muitos os chamados, poucos os escolhidos - Artur Valadares NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo 8 de jan. de 2024 Palestra realizada no dia 07/01/2024 na Sociedade Espírita Casa do Caminho, em Patrocínio/MG. Você está em: O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVIII — Muitos os chamados, poucos os escolhidos > Parábola do festim de bodas. Parábola do festim de bodas. 1. Falando ainda por parábolas, disse-lhes Jesus: O reino dos céus se assemelha a um rei que, querendo festejar as bodas de seu filho — despachou seus servos a chamar para as bodas os que tinham sido convidados; estes, porém, recusaram ir. — O rei despachou outros servos com ordem de dizer da sua parte aos convidados: Preparei o meu jantar; mandei matar os meus bois e todos os meus cevados; tudo está pronto; vinde às bodas. — Eles, porém, sem se incomodarem com isso, lá se foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu negócio. — Os outros pegaram dos servos e os mataram, depois de lhes haverem feito muitos ultrajes. — Sabendo disso, o rei se tomou de cólera e, mandando contra eles seus exércitos, exterminou os assassinos e lhes queimou a cidade. Então, disse a seus servos: O festim das bodas está inteiramente preparado; mas, os que para ele foram chamados não eram dignos dele. Ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas todos quantos encontrardes. — Os servos então saíram pelas ruas e trouxeram todos os que iam encontrando, bons e maus; a sala das bodas se encheu de pessoas que se puseram à mesa. Entrou, em seguida, o rei para ver os que estavam à mesa, e, dando com um homem que não vestia a túnica nupcial — disse-lhe: Meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial? O homem guardou silêncio. — Então, disse o rei à sua gente: Atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores: aí é que haverá prantos e ranger de dentes, — porquanto muitos há chamados, mas poucos escolhidos. (S. Mateus, 22:1 a 14.) 2. O incrédulo sorri a esta parábola, que lhe parece de pueril ingenuidade, por não compreender que se possa opor tanta dificuldade para assistir a um festim e, ainda menos, que convidados levem a resistência a ponto de massacrarem os enviados do dono da casa. “As parábolas”, diz ele, o incrédulo, “são, sem dúvida, imagens; mas, ainda assim, mister se torna que não ultrapassem os limites do verossímil”. Outro tanto pode ser dito de todas as alegorias, das mais engenhosas fábulas, se não lhes forem tirados os respectivos envoltórios, para ser achado o sentido oculto. Jesus compunha as suas com os hábitos mais vulgares da vida e as adaptava aos costumes e ao caráter do povo a quem falava. A maioria delas tinha por objeto fazer penetrar nas massas populares a ideia da vida espiritual, parecendo muitas ininteligíveis, quanto ao sentido, apenas por não se colocarem neste ponto de vista os que as interpretam. Na de que tratamos, Jesus compara o reino dos céus, onde tudo é alegria e ventura, a um festim. Falando dos primeiros convidados, alude aos hebreus, que foram os primeiros chamados por Deus ao conhecimento da sua lei. Os enviados do rei são os profetas que os vinham exortar a seguir a trilha da verdadeira felicidade; suas palavras, porém, quase não eram escutadas; suas advertências eram desprezadas; muitos foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que se escusam, pretextando terem de ir cuidar de seus campos e de seus negócios, simbolizam as pessoas mundanas que, absorvidas pelas coisas terrenas, se conservam indiferentes às coisas celestes. Era crença comum aos judeus de então que a nação deles tinha de alcançar supremacia sobre todas as outras. Deus, com efeito, não prometera a Abraão que a sua posteridade cobriria toda a Terra? Mas, como sempre, atendo-se à forma, sem atentarem ao fundo, eles acreditavam tratar-se de uma dominação efetiva e material. Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. Se alguns homens superiores ao vulgo conceberam a ideia da unidade de Deus, essa ideia permaneceu no estado de sistema pessoal, em parte nenhuma foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados que ocultavam seus conhecimentos sob um véu de mistério, impenetrável para as massas populares. Os hebreus foram os primeiros a praticar publicamente o monoteísmo; é a eles que Deus transmite a sua lei, primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio de Jesus. Foi daquele pequenino foco que partiu a luz destinada a espargir-se pelo mundo inteiro, a triunfar do paganismo e a dar a Abraão uma posteridade espiritual “tão numerosa quanto as estrelas do firmamento”. Entretanto, abandonando de todo a idolatria, os judeus desprezaram a lei moral, para se aferrarem ao mais fácil: a prática do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo; a nação, além de escravizada, era esfacelada pelas facções e dividida pelas seitas; a incredulidade atingira mesmo o santuário. Foi então que apareceu Jesus, enviado para os chamar à observância da lei e para lhes rasgar os horizontes novos da vida futura. Dos primeiros a serem convidados para o grande banquete da fé universal, eles repeliram a palavra do Messias celeste e o imolaram. Perderam assim o fruto que teriam colhido da iniciativa que lhes coubera. Fora, contudo, injusto acusar-se o povo inteiro de tal estado de coisas. A responsabilidade tocava principalmente aos fariseus e saduceus, que sacrificaram a nação por efeito do orgulho e do fanatismo de uns e pela incredulidade dos outros. São, pois, eles, sobretudo, que Jesus identifica nos convidados que recusam comparecer ao festim das bodas. Depois, acrescenta: “Vendo isso, o Senhor mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas encruzilhadas, bons e maus.” Queria dizer desse modo que a palavra ia ser pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e estes, acolhendo-a, seriam admitidos ao festim, em lugar dos primeiros convidados. Mas não basta a ninguém ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem sentar-se à mesa para tomar parte no banquete celestial. É preciso, antes de tudo e sob condição expressa, estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter puro o coração e cumprir a lei segundo o espírito. Ora, a lei toda se contém nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Eis por que disse Jesus: Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos.

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