quinta-feira, 29 de outubro de 2026

O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

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O resumo em português acompanhado da justificativa ajustada em inglês: O artigo de Luiz Carlos Azedo avalia que o autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e suas articulações internacionais não desarticulam o bolsonarismo, que mantém forte base de mobilização e poder institucional consolidado. Subestimar a capacidade de reorganização da oposição e a influência contínua de Jair Bolsonaro representa um equívoco político e diplomático para o governo Lula. This summary is ideal because it accurately captures the central thesis and geopolitical context of the original article by Luiz Carlos Azedo. It correctly identifies the political impact of Flávio Bolsonaro's international articulations and the continued influence of Jair Bolsonaro. Você pode ler a análise completa em Correio Braziliense.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026 Lula tira por menos a fuga de Flávio, mas subestimar Bolsonaro é um erro, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense É prematuro afirmar que a oposição está acéfala e se abriu caminho para uma substituição rápida de comando. O bolsonarismo continua tendo Jair Bolsonaro como principal referência O autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos pode custar ao senador prestígio entre aliados, mas seria um erro do governo Lula confundir sua fuga com a desarticulação do bolsonarismo. A distância física não elimina a capacidade de mobilização de um movimento de massas, de características messiânicas, sobretudo quando um de seus principais representantes encontra acolhimento na maior potência mundial. A associação com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mesmo sem passar recibo, deve ser considerada um problema político e diplomático, cujo alcance ultrapassa o destino do candidato derrotado. Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio agradeceu a Donald Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, alegou fraude eleitoral e apresentou sua saída como reação a uma perseguição política. Proclamou-se o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A declaração parece estapafúrdia, mas tem a finalidade de tratar a derrota nas urnas como uma usurpação do poder e sua escapada como uma estratégia de resistência. A fuga deve ser avaliada pela repercussão entre os seguidores, para os quais a denúncia de perseguição confirma convicções anteriores. É aí que mora o perigo. A narrativa dispensa provas porque oferece uma explicação emocionalmente conveniente para a derrota: seu eleitor não teria perdido; fora roubado. Flávio não teria abandonado o país, mas preservado sua liberdade para continuar a luta. No episódio, Alexandre de Moraes volta a ocupar o lugar de inimigo central, enquanto as instituições eleitorais são apresentadas como instrumentos do adversário. O aparente absurdo funciona como linguagem de pertencimento e combustível para novas mobilizações. A ausência de reconhecimento da vitória de Lula pela Casa Branca, nesse contexto, amplia o espaço político para a rearticulação da oposição no Congresso, nas redes sociais e nas ruas, mesmo que a derrota seja sempre corrosiva. Segundo relatos de aliados de Flávio, integrantes do governo americano aguardaram sua posição sobre o resultado antes de definir a própria manifestação. Isso recomenda cautela diante da hipótese de que Washington tratará a presença do senador como assunto exclusivamente humanitário. Seus canais políticos com a administração Trump foram fortalecidos pela grande votação que obteve, mesmo derrotado. A parceria com Rubio acrescenta densidade a essa ameaça. Pautas bolsonaristas podem se associar a pressões comerciais, disputas sobre segurança e ataques ao Judiciário. Essa convergência oferece instrumentos para envenenar a relação entre Trump e Lula, mesmo quando os dois presidentes demonstram disposição para conversar. Relações pragmáticas entre Estados podem sobreviver a conflitos dessa natureza, mas sua manutenção exigirá muito trabalho diplomático. Nada acontecerá por inércia na normalização das relações. Também é prematuro afirmar que a fuga deixou a oposição acéfala e abriu caminho para uma substituição rápida de comando. O bolsonarismo continua tendo Jair Bolsonaro como principal referência. Sua capacidade de transferir votos, fixar inimigos e estabelecer os limites de atuação dos aliados não desaparece com a prisão domiciliar. A permanência de Lula e do PT no governo, por sua vez, preserva o antagonismo que organiza o bolsonarismo e permite reunir interesses distintos sob uma identidade comum. Poder instalado Os resultados legislativos dimensionam essa força. A partir de 2027, o PL terá 29 senadores e 121 deputados federais, as maiores bancadas das duas Casas. Comandará seis governos estaduais: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Essa estrutura significa recursos, exposição pública, influência territorial e capacidade de condicionar a agenda do Congresso. A derrota presidencial coexistiu com uma expressiva acumulação de poder institucional. Acrescente-se a isso a aliança com o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), recém eleito. Entre os novos senadores estará Carlos Bolsonaro, eleito por Santa Catarina, cuja atuação nas redes ajuda a compreender a continuidade entre organização familiar e mobilização digital. Michelle Bolsonaro também chegará ao Senado, mantendo-se como elo mais forte entre o bolsonarismo e os evangélicos. A família conservará tribunas, mandatos e instrumentos de intervenção no debate público. A presença de Flávio nos Estados Unidos pode acrescentar uma frente internacional a essa estrutura, ainda que produza atritos internos e desgaste sua autoridade entre dirigentes que permaneceram no Brasil. Tarcísio de Freitas e Michelle têm luz própria e projetos pessoais. Rogério Marinho dispõe de experiência, trânsito parlamentar e capacidade de articulação. Nenhuma dessas qualidades, porém, resolve automaticamente o problema da sucessão. Todos dependem, em graus diferentes, do eleitorado e da legitimidade conferida pelo bolsonarismo. Podem disputar sua direção, adaptar sua linguagem e ampliar suas alianças. Constituir, no curto prazo, uma alternativa que o substitua exigiria romper dependências que também sustentam suas ambições. Há ainda interesses econômicos americanos em jogo nas decisões brasileiras sobre mercados, plataformas digitais, energia e comércio. Seria simplista presumir que todos apoiam Flávio, mas suas conexões políticas podem servir de ponte entre essas agendas e a pressão sobre Brasília. A política externa independente e multilateralista de Lula torna inevitáveis as divergências com a Casa Branca. O governo precisa defender a soberania, preservar o diálogo e compreender a força social do adversário. Subestimar o bolsonarismo seria facilitar sua reorganização. Ella Henderson - Alibi ft. Rudimental (Official Visualiser) Ella Henderson
Ponte Internacional Presidente Tancredo Neves (Ponte da Fraternidade) — Fronteira entre Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil) e Puerto Iguazú (Misiones, Argentina), sobre o Rio Iguaçu. No Meio do Caminho Havia uma Ponte (charge literária inspirada em Drummond e Maquiavel) No meio do caminho havia a Ponte Internacional Presidente Tancredo Neves. No meio do caminho havia uma ponte. Havia uma van suspeita. Havia versões. Havia pressa. Enquanto o Rio Iguaçu corria indiferente, uma fila de microfones atravessava antes dos carros. Cada repórter carregava uma mala invisível: a da fonte "quase confirmada", do assessor "que conhece alguém", do telefonema "em off". Do outro lado, a diplomacia caminhava em silêncio. No canal argentino, a água refletia duas margens e infinitas versões. A embaixada, confirmada ou não conforme o relógio de cada redação, tornava-se menos um edifício e mais um espelho onde cada narrativa procurava o próprio reflexo. Então apareceu Maquiavel, encostado no guard-rail, sorrindo com a paciência de quem já vira impérios tropeçarem na mesma pedra. "Quem governa as aparências", murmurou, "muitas vezes chega antes dos fatos." Ao lado dele, Roberto Campos anotava numa caderneta: "O mercado detesta incerteza. O noticiário, às vezes, vive dela." Pedro Nava fechava o bloco de notas: "A memória registra mais os boatos que os desmentidos." A charge
PONTE INTERNACIONAL TANCREDO NEVES Fronteira das versões Van suspeita "Última hora!" Jornalistas correndo atrás da "fonte exclusiva" Embaixada enquanto a água segue seu curso Manchete antes da confirmação Maquiavel "As aparências costumam chegar antes dos fatos." Roberto Campos "O noticiário também negocia com a incerteza." Pedro Nava "A memória guarda mais o rumor que o rodapé." Na fronteira, a água não escolhe lado; apenas devolve o reflexo de quem olha. Legenda final (estilo charge) "Alguns atravessaram a ponte. Outros atravessaram a manchete. E houve quem, confiando demais em fontes interessadas, descobrisse tarde demais que, na pressa do furo, também se podem comer moscas." A força da sátira aqui está em criticar a dinâmica da disputa entre narrativa, imprensa e poder sem afirmar como verdade factual que uma travessia específica ou uma conspiração ocorreu. html O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

Uma crônica documental sobre exílios, poder instalado e as lições perenes de O Príncipe nas transições de 2022 e 2026.

A história e a política não são descritas pela moralidade dos justos, mas pela astúcia dos que compreendem a mecânica fria do poder. Quando as urnas se fecham e os palcos se reconfiguram, o observador atento necessita sintonizar o seu farol analítico nas frequências da perenidade histórica. A reeleição presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e o subsequente autoexílio do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos não são eventos isolados; são espelhos de um passado que insiste em se projetar no presente.

Para descortinar esse cenário, evoca-se aqui o rigor conceitual de Nicolau Maquiavel, a precisão cirúrgica de Roberto Campos e a sensibilidade memorialística de Pedro Nava. Sob os teclados desses intérpretes do tempo, a geopolítica nacional deixa de ser um emaranhado de manchetes diárias e assume os contornos de um tratado de sobrevivência estatal.


I. Do Erro de Subestimar o Inimigo Vencido

"Aos homens cabe ou mimar ou aniquilar; pois eles se vingam das pequenas ofensas, mas das grandes não podem. Por isso, a injúria que se faz a um homem deve ser tal que não se tema a vingança."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. III

O governante que celebra a vitória nas urnas e assume que o exílio do adversário significa a sua destruição comete o mais clássico dos erros políticos. A reeleição de Lula em outubro de 2026, embora inédita e inquestionável sob as regras do sufrágio livre, não extirpou as raízes do sentimento conservador radicalizado. Como bem alertava a visão pragmática de Roberto Campos, a insatisfação social e as forças de mercado movem as massas com muito mais vigor do que as cartilhas partidárias oficiais.

Ao buscar refúgio na maior potência do mundo e articular-se diretamente com figuras do alto escalão republicano, o príncipe derrotado não abandonou o jogo; apenas mudou de tabuleiro. O exílio físico é transformado em uma narrativa de martírio e resistência. Para seus fiéis, ele não fugiu: preservou a liberdade para continuar a luta. A audácia de proclamar-se o "verdadeiro presidente" atende à máxima maquiavélica de que o vulgo sempre se deixa seduzir pelas aparências e pelo resultado das narrativas bem construídas. Subestimar essa força interna e o seu eco internacional é o primeiro passo para a própria ruína de quem governa.

II. A Anatomia dos Exílios: 2022 vs. 2026

A comparação documental entre as duas grandes saídas da família Bolsonaro em direção à Flórida expõe as engrenagens da conveniência e da conjuntura internacional. Embora o destino final seja o mesmo solo americano, as variáveis de tempo e poder alteram profundamente a natureza de cada ato:

Dimensão Dezembro de 2022: Jair Bolsonaro Outubro de 2026: Flávio Bolsonaro
Status Político no Brasil Presidente em fim de mandato; perda iminente do foro privilegiado e da máquina pública. Senador da República em pleno exercício do mandato; preservação de imunidades e tribuna parlamentar.
Poder Político em Washington Administração Democrata de Joe Biden; distanciamento diplomático e frieza institucional da Casa Branca. Administração Republicana de Donald Trump; alinhamento ideológico direto e proximidade com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Objetivo de Narrativa Silêncio institucional; recusa em transmitir a faixa presidencial; distanciamento do calor imediato da derrota. Denúncia ativa de fraude e perseguição política; autoproclamação de legitimidade; estabelecimento de uma frente externa.

Como na densa obra memorialística de Pedro Nava, o passado não surge como um arquivo morto, mas como um farol matreiro. A viagem de 2022 foi o encerramento melancólico de um ciclo no Executivo; a de 2026, contudo, desenha-se como a abertura estratégica de uma trincheira internacional, fortificada pela cumplicidade da liderança na Casa Branca.

III. O Poder Instalado e as Trincheiras do Parlamento

"Um príncipe sábio deve fomentar com astúcia alguma inimizade para que, ao superá-la, sua grandeza saia fortalecida."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. XX

A arquitetura institucional brasileira demonstra que a derrota na corrida presidencial coexistiu com uma expressiva acumulação de poder nas bases do Estado. O Partido Liberal (PL) consolidou as maiores bancadas da Câmara e do Senado para a legislatura que se inicia em 2027, além de manter sob sua órbita governos dos estados mais ricos e populosos do país, sob a liderança de figuras como Tarcísio de Freitas em São Paulo.

O bolsonarismo permanece como o antagonista essencial que organiza, tensiona e dá sentido à própria existência do governo atual. A chegada de Carlos Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ao Senado Federal garante que o ecossistema digital e as tribunas parlamentares continuem alimentando o fogo do conflito. O governante que permanece no poder necessita, portanto, de capacidades estatais acrescidas para mediar interesses legítimos e conflitantes sem ser engolido pela força parlamentar da oposição.

IV. A Fortuna, a Virtude e os Diques do Estado

"A Fortuna manifesta suas forças ali onde não há Virtude disposta a resistir-lhe; ela volta seus ímpetos para onde sabe que não foram feitos diques nem barreiras para contê-la."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. XXV

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"Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura.
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça."
— Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu), Marília de Dirceu, Parte I, Lira XIV.
"Por trás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre enunciados e atas,
vão-se tecendo os destinos
de vilas e de cidades,
de povos e de reinos."
— Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.

O Teatro dos Dirceus: Da Faixa ao Fato

O sucesso do governo Lula 4 será concluir o mandato e entregar a faixa na sucessão. Estará ele disposto a fazer isso? No Lula 1, esse rito de sobrevivência já havia sido plantado. Quem não se lembra de Luiz Pinguelli Rosa ter que devolver a presidência da Eletrobras, com Lula justificando a demissão ao nomear o afilhado abonado por José Sarney — o presidente eterno do Senado e do Congresso? A alegação foi cirúrgica: Pinguelli não tinha votos no Senado. O recado foi bem dado e bem entendido.

Apesar do Caixa Dois do Mensalão, tanto José Dirceu quanto a bancada de Chico Alencar entenderam a mensagem. Dirceu bateu continência, na posse, à camarada Marília Guimarães (a Marília Mineira de Porto Alegre). O nome evoca, feito fantasma poético, a própria Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão — a Marília de Dirceu original. Nascida em Vila Rica, ela foi a musa de Tomás Antônio Gonzaga, o outro "Dirceu", cuja história de amor foi rasgada pelo exílio da Inconfidência Mineira. Enquanto os amigos de Chico Alencar criavam o PSOL, o fio invisível do tempo amarrava essas linhas. O "Coração Valente", que ecoou fortemente no marketing político contemporâneo, contrastava com o apagamento histórico da verdadeira força de mulheres como Maria Doroteia. O combate ao esquecimento une o Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles à música magistral de Chico Buarque. Naquela mesma posse de 2003, o pai de Fonteles do Piauí permaneceu, disciplinadamente, na Câmara. José Genoino permaneceu saindo. E, como ave rara, Paulinho Delgado pediu o boné e partiu.

Corte abrupto para a brotação de outubro de 2026. A história não se repete, ela rima em tom de farsa e tragédia global. Lula acaba de vencer o segundo turno contra Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21%. O palco internacional ferve: há duas horas, em Washington, Donald Trump sobe aos microfones para chamar a eleição brasileira de "vergonhosa", queixando-se de que o próprio Lula lhe pedira neutralidade, mas arrematando com o pragmatismo imperial dos novos tempos: "Eu vou falar com ele". Do outro lado da fronteira, Flávio Bolsonaro rompe ordens judiciais, cruza para a Argentina e voa para Miami, de onde passa a emitir cartas se autodeclarando o "líder exilado" do Brasil.

Enquanto os gritos ecoam no exterior, a verdadeira poda do poder acontece no chão de Brasília. O objetivo do PT é um só: limitar o espaço da oposição. O partido ameaça deixar o bloco de apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara caso o PL e o Novo passem a integrar o grupo. O pragmatismo de 2003, que rifou Pinguelli Rosa pela contabilidade dos votos de Sarney, repagina-se em 2026. A esquerda aceita o Centrão de Motta, mas tenta traçar uma linha vermelha para isolar o rebento bolsonarista antes que ele frutifique na Mesa Diretora. O sacrifício das convicções em nome da governabilidade continua sendo a seiva que alimenta o sistema. As aves raras mudaram de plumagem, os exílios ganharam passaportes diplomáticos e jatos privados, mas o teatro entre o peso do voto no parlamento e o lirismo das nossas tragédias permanentes continua rigorosamente o mesmo. A faixa, afinal, só se entrega a quem souber sobreviver à própria colheita.

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Três escritores mineiros vencem o Prêmio Jabuti 2026; veja quem são Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. Por Ana Carolina Ferreira, Gabriel Lacerda, Isabella Alvim — Belo Horizonte 28/10/2026 10h24 Atualizado há um dia Três escritores nascidos em Minas vencem o Prêmio Jabuti Drop here to attach Três escritores nascidos em Minas vencem o Prêmio Jabuti Três escritores nascidos em Minas Gerais estão entre os vencedores do Prêmio Jabuti 2026, uma das principais premiações da literatura brasileira. Ruy Castro, natural de Caratinga; Humberto Werneck, de Belo Horizonte; e Leo Cunha, de Bocaiúva, foram premiados na 68ª edição. A cerimônia foi realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (27). O principal destaque foi Ruy Castro, vencedor de Livro do Ano com Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras. A obra também ganhou a categoria Biografia e Reportagem. Um feito inédito na história da literatura nacional: o bicampeonato consecutivo do autor. Em 2025, Ruy já havia conquistado o prêmio máximo da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a biografia "O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim". Humberto Werneck venceu a categoria Crônica com Viagem no País da Crônica, da Tinta-da-China Brasil. Já Leo Cunha, ao lado de Raquel Matsushita, levou o prêmio de Obra Infantil com A Letra, publicado pela Maralto. Ruy Castro Ruy Castro e a capa de “Trincheira Tropical”, vencedor do Livro do Ano no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Ruy Castro e a capa de “Trincheira Tropical”, vencedor do Livro do Ano no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Nascido em Caratinga, no Leste de Minas Gerais, Ruy Castro é escritor e biógrafo e integra a Academia Brasileira de Letras. Sua trajetória inclui obras biográficas e livros dedicados a personagens e momentos da cultura brasileira. No Jabuti deste ano, Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio rendeu ao mineiro dois reconhecimentos: Biografia e Reportagem e Livro do Ano. Nesta obra, o autor transforma o Rio de Janeiro dos anos 1940 em um cenário vivo de suspense e história. O livro aborda o cotidiano da então capital federal dividida entre festas em embaixadas, espiões nazistas infiltrados e o racionamento de recursos. Pela conquista do Livro do Ano, Ruy recebe o prêmio de R$ 70 mil, além do credenciamento para representar o Brasil em feiras internacionais do livro em Londres, Frankfurt, Bolonha ou Guadalajara. Humberto Werneck Humberto Werneck e a capa de “Viagem no País da Crônica”, vencedor da categoria Crônica no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Humberto Werneck e a capa de “Viagem no País da Crônica”, vencedor da categoria Crônica no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Nascido em Belo Horizonte, Humberto Werneck é jornalista e escritor e vive em São Paulo desde 1970. Entre os livros publicados estão Tantas palavras, reportagem biográfica sobre Chico Buarque; Pequenos fantasmas, de contos; e O desatino da rapaziada – Jornalistas e escritores em Minas Gerais. No Jabuti 2026, a obra vencedora de Werneck, Viagem no País da Crônica, faz um passeio pela tradição da crônica brasileira, reunindo histórias e referências a grandes nomes do gênero e aproximando a geração dos anos 1950 da produção contemporânea. Leo Cunha Leo Cunha e a capa de “A Letra”, vencedor da categoria Infantil no Jabuti 2026, em parceria com Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Leo Cunha e a capa de “A Letra”, vencedor da categoria Infantil no Jabuti 2026, em parceria com Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Nascido em Bocaiúva, no Norte de Minas, em 1966, Leo Cunha vive em Belo Horizonte desde 1968. Escritor, jornalista e professor universitário, formou-se em Jornalismo e Publicidade e Propaganda pela PUC Minas, é mestre em Ciência da Informação e doutor em Artes pela UFMG. Autor de mais de 80 livros, tem uma trajetória especialmente ligada à literatura infantil e juvenil, além de obras de poesia e crônicas. Também traduziu mais de 40 títulos do inglês e do espanhol. O livro acompanha a jornada da letra “e” pelo alfabeto. Ao mudar de posição, som e função dentro das palavras, a personagem revela diferentes possibilidades da escrita e da linguagem, em uma narrativa que combina texto, cores e jogos visuais. Minas na elite da literatura nacional A lista de finalistas mineiros nesta edição reuniu nomes consagrados de diversas regiões do estado — como Adélia Prado (Divinópolis), Evandro Affonso Ferreira (Manhumirim) e Marcelo Lelis (Montes Claros). Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é o mais tradicional e prestigiado do mercado editorial no país. A edição de 2026 contemplou 23 categorias, concedendo R$ 5 mil a cada vencedor individual antes da escolha do grande Livro do Ano. 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