sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O brasileiro comum é irredutível a uma concepção genérica e abstrata de brasileiro, como a que equivocadamente se supõe protagonizar em pesquisas desse tipo.

Esse ato revelou no candidato agressor aquilo que Mário de Andrade chamava de “herói sem nenhum caráter”. Para ele, a suposta margem de erro a seu favor nas pesquisas de opinião terminou ali, antecipou sua derrota.
Avenida Paulista, 24 de outubro de 2026. sexta-feira, 30 de outubro de 2026 O quarto mandato de Lula, por José de Souza Martins* Valor Econômico As pesquisas de opinião eleitoral lidam insuficientemente com a complexidade sociológica da realidade política e suas determinações antropológicas e, em grau menor, econômicas e mesmo políticas A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de 25 de outubro, às 9 horas da noite, para um quarto mandato presidencial, envolveu um conjunto de fato extenso de surpresas e revelações de natureza histórica. Pendências, irracionalidades e injustiças acumuladas desde o golpe militar de abril de 1964 agravaram-se durante a ditadura e emergiram aos poucos durante o cansativo regime de Jair Messias Bolsonaro, foram se depositando na consciência social e explodiram em atitudes do seu governo durante a pandemia. As pesquisas eleitorais não levaram em conta o que é próprio da realidade política que não aparece nelas, mas aparecem no resultado das eleições. Mesmo com o recurso preventivo do chamado cálculo do erro amostral. O adversário do atual presidente aparecia ligeiramente atrás de seu opositor nas investigações de vários e diferentes institutos, cada qual com seu método e suas identificações com os candidatos. As certezas dos cálculos e das amostras estatísticas ficavam à mercê das regras imprecisas da realidade. Os acertos dos resultados de pesquisas desse tipo, no que diz respeito à realidade social, dependem do desacerto eventual do que é provável em casos assim. A realidade não é métrica nem probabilística. Eventualmente e até acidentalmente pode sê-las. Mas não necessariamente. Há um conjunto de ocultações que não podem ser medidas nem estimadas. A sociedade é uma construção social que pode envolver, como neste caso, milhões de atores, dotados de uma consciência cambiante do que estão vivendo e do que estão compreendendo. A consciência social é expressão de uma pluralidade de percepções compartilhadas, no mais das vezes superficiais, com extensa gama de invisibilidades “armazenadas” na consciência social profunda de cada um. Numa extensa pesquisa de mais de 2 mil casos de linchamentos e tentativas de linchamentos no Brasil, apesar de repetições de alguns padrões de conduta, o conjunto de cada ocorrência envolvia peculiaridades e singularidades que explicavam o único e também o todo. As pesquisas de opinião, sobretudo de opinião eleitoral, lidam insuficientemente com a complexidade sociológica da realidade política e suas determinações antropológicas e, em grau muito menor, econômicas e mesmo políticas. Em países atrasados e diversificados como o Brasil, nelas se lida mal com o conhecimento cotidiano e de senso comum e seus mistérios. O brasileiro comum é irredutível a uma concepção genérica e abstrata de brasileiro, como a que equivocadamente se supõe protagonizar em pesquisas desse tipo. A propósito, isso ocorre também com os candidatos. No Brasil há uma espécie de boçalidade endêmica distribuída entre as diferentes categorias sociais, especialmente das elites, cujo conhecimento social se limita ao diálogo cotidiano com suas empregadas domésticas. Devido às diferenças culturais, os trabalhadores, mulheres e homens, crianças e adultos, são no geral falantes de uma dupla linguagem e portadores de uma dupla identidade, o que lhes permite compreender o outro, aquele que julga neles mandar e a eles dominar, sem no entanto os compreender. As verdadeiras elites são educadas, e como pessoas educadas conhecem regras de civilidade, regras para respeitar e ser respeitadas. O candidato que, em consequência, acabaria derrotado, como o pai dele e outros membros da família, revelou-se apenas malcriado e sem respeito pelos outros, sem reconhecimento da condição humana do outro, também pelos ouvintes, isto é, eleitores, os diferentes, e não só pelo destinatário do insulto. O brutal equívoco do candidato de extrema direita, nesta eleição, foi a postura de supor-se maior do que é, no deboche sobre o defeito físico de Lula, o do dedo que lhe falta numa das mãos, decorrente de acidente de trabalho, no fim da adolescência, às 3 horas da madrugada, quando era operário numa metalúrgica na região da Vila Carioca, em São Paulo, e teve que esperar 4 horas para ser levado a um hospital ali perto. No mundo do trabalho, o ato destes dias do candidato que veio a ser derrotado é ato indevido de humilhação intencionalmente dirigido à vítima das adversidades da vida. É inútil fingir-se de evangélico porque esse ato de explícito e maldoso desrespeito anula numa fração de momento todos os “cristianismos” de aluguel, aqui abundantes, que se compra nos supermercados da fé, reduzidos aos fingimentos rituais e treinamentos para enganar eleitores e crentes. Esse ato revelou no candidato agressor aquilo que Mário de Andrade chamava de “herói sem nenhum caráter”. Para ele, a suposta margem de erro a seu favor nas pesquisas de opinião terminou ali, antecipou sua derrota. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte). mão do comunista? CAUBY PEIXOTO - MPB ESPECIAL (ENSAIO) - 1972 O homem por trás do tri Em 1969, João https://youtube.com/shorts/IEAx8J5Uy0Y?is=k39DHxXOw_sXJxuG "Não gostei", diz Valdemar sobre carta de teor golpista de Flávio | LIVE CNN CNN Brasil 29 de out. de 2026 #CNNBrasil #política O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou quinta-feira (29) não ter gostado da carta de teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência. O dirigente da sigla se reúne nesta manhã com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). #CNNBrasil #política Leia mais: https://www.cnnbrasil.com.br/politica... "Eu também não sabia. Desculpe!" html
A Marcha dos Mortos-Vivos e o Ocaso dos Patriarcas
Crônica de Finados sobre as chaves de cadeia, os boys de outrora e os barões de agora
"Não, ninguém sabia." O esbravejar da mão direita, que tentava conter os microfones comprimidos contra a janela do carona, e o gesto contido da mão esquerda, que cortejava a gravata, desmentiam a afirmação barítona de Valdemar Costa Neto.
Abordado por repórteres na saída da mansão-prisão, ele falava em nome de um ex-presidente frustrado em sua tentativa de permanecer no Palácio — uma aspiração agora transferida ao príncipe herdeiro que se supôs em autoproclamação; tal como a Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
"Tu marchas, José? José, para onde?" A marcha inexorável galopa pela noite escura dos que quase foram, mas já se encontram a caminho de celas sem palácios.
O Boy Virou Barão
(Ritmo Caipira Punk-Rock — Viola distorcida com bumbo acelerado)
[KID VINIL] Acordava sete horas
Num sufoco desgraçado
Corria pro Congresso
Pra não chegar atrasado
Era boy, ele era boy!
O office-boy do Mensalão! [VALDEMAR - Voz Barítona] Atendia o telefone
Lá no fundo da garagem
Mas pisei na Papuda
Sem piar, sem chantagem!
Fiquei firme, aguentei
Cumpri pena com o Dirceu!
Não sou boy, não sou mais boy...
Quem diria, o mundo deu volta e eu sou o rei! [KID VINIL] Andava pela rua
Carregando mala preta
Pagava conta alheia
Apanhando da imprensa!
Era boy, office-boy...
Batalhando o mensalinho! [VALDEMAR] Na hora do almoço
Antigamente era marmita
Hoje abro o cofre do PL:
É lagosta com champanhe na travessa bonita!
Abro a conta partidária
E o que vem? Bilhão! [DUETO - Coro Caipira-Punk] Chegou o fim do mês
Com toda aquela euforia
O fundo eleitoral jorrando
E a oposição na mixaria!
Fugi das vacas magras
Das emendas de tostão!
O boy virou barão!
O boy virou barão! [VALDEMAR] E logo chega a tarde
Tô com pressa de ir embora
O Flávio fugiu pra Miami
E o Jair tá de tornozeleira agora!
Os calos deles tão pra fora...
Mas a maior bancada é minha! [KID VINIL] Bate cinco e meia
O STF abre a guarita
Valdemar sai de carona
E cai no chão a marmita!
Ninguém sabia de nada!
Nem o pai, nem o herdeiro, nem a vizinhada!
Ele era boy, ele era boy...
Hoje ele manda no terreiro!
Kid Vinil - Sou Boy
O portão de ferro da mansão-prisão bate com um estrondo seco. O silêncio da eternidade consome o eco dos microfones e as falsas majestades desbotam como decorações de papel picado deixadas à chuva. No grande teatro político dos vivos e dos mortos insepultos, as máscaras caem mais rápido do que as folhas de outono.
Mas enquanto o cinismo palaciano desfila suas ambições tardias neste Dia de Finados, os olhos limpos encontram o verdadeiro significado da ausência. Longe do barulho dos comícios e das delações, a saudade real não veste gravata nem carrega fundos partidários. Ela tem asas discretas, uma auréola singela e a pureza de quem partiu deixando um vazio absoluto que nenhum poder é capaz de preencher.
Yorkshire Terrier Anjo
Use o código com cuidado. AMIZADE SINCERA - Renato Teixeira /com Dominguinhos html
A Marcha dos Mortos-Vivos e o Ocaso dos Patriarcas
Crônica de Finados sobre as chaves de cadeia, os boys de outrora e os barões de agora
"Não, ninguém sabia." O esbravejar da mão direita, que tentava conter os microfones comprimidos contra a janela do carona, e o gesto contido da mão esquerda, que cortejava a gravata, desmentiam a afirmação barítona de Valdemar Costa Neto.
Abordado por repórteres na saída da mansão-prisão, ele falava em nome de um ex-presidente frustrado em sua tentativa de permanecer no Palácio — uma aspiração agora transferida ao príncipe herdeiro que se supôs em autoproclamação; tal como a Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
"Tu marchas, José? José, para onde?" A marcha inexorável galopa pela noite escura dos que quase foram, mas já se encontram a caminho de celas sem palácios.
O Boy Virou Barão
(Ritmo Caipira Punk-Rock — Viola distorcida com bumbo acelerado)
[KID VINIL] Acordava sete horas
Num sufoco desgraçado
Corria pro Congresso
Pra não chegar atrasado
Era boy, ele era boy!
O office-boy do Mensalão! [VALDEMAR - Voz Barítona] Atendia o telefone
Lá no fundo da garagem
Mas pisei na Papuda
Sem piar, sem chantagem!
Fiquei firme, aguentei
Cumpri pena com o Dirceu!
Não sou boy, não sou mais boy...
Quem diria, o mundo deu volta e eu sou o rei! [KID VINIL] Andava pela rua
Carregando mala preta
Pagava conta alheia
Apanhando da imprensa!
Era boy, office-boy...
Batalhando o mensalinho! [VALDEMAR] Na hora do almoço
Antigamente era marmita
Hoje abro o cofre do PL:
É lagosta com champanhe na travessa bonita!
Abro a conta partidária
E o que vem? Bilhão! [DUETO - Coro Caipira-Punk] Chegou o fim do mês
Com toda aquela euforia
O fundo eleitoral jorrando
E a oposição na mixaria!
Fugi das vacas magras
Das emendas de tostão!
O boy virou barão!
O boy virou barão! [VALDEMAR] E logo chega a tarde
Tô com pressa de ir embora
O Flávio fugiu pra Miami
E o Jair tá de tornozeleira agora!
Os calos deles tão pra fora...
Mas a maior bancada é minha! [KID VINIL] Bate cinco e meia
O STF abre a guarita
Valdemar sai de carona
E cai no chão a marmita!
Ninguém sabia de nada!
Nem o pai, nem o herdeiro, nem a vizinhada!
Ele era boy, ele era boy...
Hoje ele manda no terreiro!
O portão de ferro da mansão-prisão bate com um estrondo seco. O silêncio da eternidade consome o eco dos microfones e as falsas majestades desbotam como decorações de papel picado deixadas à chuva. No grande teatro político dos vivos e dos mortos insepultos, as máscaras caem mais rápido do que as folhas de outono.
Use o código com cuidado.
Fim da linha Por O Estado de S. Paulo Indiciamento de executivos do BRB é senha para que o Banco Central tome, enfim, uma atitude A conclusão do primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master resultou no indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e de outros 13 investigados. De acordo com a Polícia Federal (PF), houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões dos R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito que o Master vendeu ao BRB. A PF também transcreveu diálogos nos quais ex-diretores do BRB indicam ter ciência de que as carteiras oferecidas pelo Master eram frágeis. “Não tem condição de comprar nada”, afirmou um ex-diretor, de acordo com a PF. Em outra conversa entre ex-funcionários do banco público do Distrito Federal, um deles explica que, historicamente, o BRB adquiria carteiras com limite de inadimplência de 4%, mas que, no caso do Master, houve uma flexibilização que permitiu a aquisição de carteiras com inadimplência de até 12%. Uma verdadeira irresponsabilidade. Ora, se ainda havia dúvidas de que fosse um despropósito a tentativa do BRB de comprar o Master, felizmente barrada pelo Banco Central (BC) a despeito de enorme pressão em contrário, o inquérito da PF as desfez. Tudo indica que o BRB tenha sido usado para o cometimento de crimes financeiros bilionários. Não é por outra razão que a instituição brasiliense sangra em praça pública. Em um período de apenas um ano, o BRB perdeu quase 1 milhão de clientes. Abundam suspeitas de que o governo do DF esteja injetando recursos no banco para sustentar a liquidez diária, o que só corrobora o buraco sem fundo no qual a instituição pública se meteu ao escolher associar-se ao Master de Daniel Vorcaro. Como se não bastasse, faz mais de um ano que o BRB não divulga suas demonstrações financeiras. Durante a campanha eleitoral, a então candidata a governadora Celina Leão – agora eleita – inadvertidamente confessou que, se o banco divulgasse o balanço, seria liquidado. É bastante provável que, por conta do calendário eleitoral, o BC não tenha tomado ainda uma ação mais enérgica em relação ao BRB. A situação pede, no mínimo, a nomeação de um interventor para atuar no banco. Não deveria ser assim, mas, como o “impedimento” das eleições já não existe mais, é urgente que algo seja feito. O contribuinte, especialmente o do DF, tem o direito de saber qual a real extensão do rombo no BRB, rombo esse que só vai se agravando enquanto nada é feito, já que os ativos ainda valiosos que o BRB detém vão se desvalorizando enquanto a inação persiste. A governadora Celina Leão segue insistindo que a solução para o BRB passa pela União – ou seja, que o pagador de impostos de todo o País deve arcar com a fatura dos crimes supostamente cometidos por executivos da instituição de Brasília. Até agora, felizmente, a União mostrou-se firme na disposição de não usar dinheiro público para salvar o banco. Mas isso não basta: é preciso que o Banco Central saia da inércia. Infelizmente, não há solução sem dor para o BRB. Empurrá-la com a barriga, contudo, só agravará os problemas, como bem demonstra a perda de clientes e de depósitos.

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