sábado, 31 de outubro de 2026

Antes Que Os Rios Sequem

Pausa para meditação… 👇
Brechas à gastança eleitoral têm de ser fechadas desde já Por O Globo Lula lançou mão de medidas eleitoreiras como nunca. Não foi o primeiro, mas deveria ser o último A classe política precisa desde já começar a rever as brechas legais que permitem a profusão de medidas e benesses em série às vésperas de eleições. Embora haja regras contra abusos, o pleito deste ano deixou claro que não têm sido suficientes para deter o ímpeto de políticos que recorrem à caneta para conquistar votos. O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi pródigo nessas iniciativas, especialmente neste ano. À medida que a popularidade de Lula enfrentava dificuldades, mais pacotes de bondades saíam da linha de montagem. No fim de setembro, o Palácio do Planalto chegou a anunciar uma benesse a cada quatro dias, como mostrou reportagem do GLOBO. Nunca antes houve tantas medidas populistas em ano eleitoral. A lista é interminável: subvenção a combustíveis, múltiplas versões do Desenrola para endividados, ampliação das faixas do Minha Casa, Minha Vida para a classe média, crédito para compra de veículos por taxistas, motoristas de aplicativo e entregadores, crédito agrícola e industrial, ajuda a microempreendedores individuais (MEIs), além do reajuste de 15% no Bolsa Família a apenas 17 dias do pleito — Lula alegou não saber que ele estava sem correção. Contando financiamentos, despesas primárias e renúncias fiscais, a conta beira R$ 300 bilhões, segundo a Instituição Fiscal Independente. E outros mimos estão a caminho, caso do Pé-de-Meia para universitários e da tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. Lula não foi o primeiro a gastar sem freio às vésperas do pleito. Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL) recorreram ao mesmo expediente de modo despudorado. Em 2022, quando concorria à reeleição, Bolsonaro anunciou aumento de 50% no Auxílio Brasil. O reajuste começou a ser pago dois meses antes do primeiro turno. Na época, Lula e o PT acusaram o adversário de usar indevidamente a máquina pública. Antes disso, Dilma já torrara 3,1% do PIB para se reeleger, como mostrou estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). A prática não tem coloração partidária ou ideológica. O uso abusivo da máquina desequilibra a disputa. O político que tem a caneta na mão leva vantagem sobre os adversários, pois pode distribuir benesses com recursos públicos para se beneficiar. Além disso, qualquer gasto tem impacto inexorável no Orçamento. Evidentemente, não se podem coibir promessas ou projetos apresentados, ao alcance de qualquer candidato. Nem medidas emergenciais justificáveis por eventos externos, como uma pandemia ou tragédia climática. Mas é preciso mais rigor para vetar o que estiver ao alcance apenas de quem tem a caneta. O artigo 73 da Lei das Eleições já veda diversas condutas, como uso de bens públicos; ceder servidor para comitês de campanha; contratar funcionários antes da eleição; e, sobretudo, distribuir bens, valores ou benefícios em ano de eleição. Mas tais vedações são genéricas e, como se viu, não têm bastado. É preciso fechar as brechas aos abusos, e a Justiça também precisa ser mais rigorosa na interpretação das leis. Qualquer mudança deve ser debatida com antecedência, para não sofrer contaminação do calendário eleitoral. Mas a hora de começar é agora. Se nada for feito, o descalabro poderá ser ainda pior nas próximas campanhas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2026 O perigoso legado de Janones, por Pablo Ortellado O Globo Deputado dá ideia de que só é possível vencer eleições com centralização, obediência e uma moral flexível A surpreendente vitória de Lula, revertendo a derrota no primeiro turno, tem sido atribuída à estratégia digital de André Janones. Mas uma análise do canal de WhatsApp “Exército do Lula” sugere que a centralização da campanha pode ter limitado sua eficácia e, sobretudo, deixado um legado preocupante para a política brasileira. Janones conseguiu um feito de expressão mundial: reuniu mais de 10 milhões de pessoas (6% de todos os eleitores!) num canal de WhatsApp, a partir do qual coordenou uma campanha de atuação nas redes sociais — principalmente no Instagram. A estratégia é um desdobramento de um plano que ele havia parcialmente executado em 2022 e que analisou no livro “Janonismo cultural” (Civilização Brasileira, 2023). No livro, conta que em 2022 tentou copiar a estratégia dual da campanha de Jair Bolsonaro: — Jair Bolsonaro tem um grupo com mais de 3 milhões de membros no Telegram. E a diferença entre fazer parte dessa comunidade e segui-lo no Facebook é brutal. Quem faz parte de um grupo como esse está alistado para uma guerra. É um fanático. Vai espalhar fake news todos os dias, horas, minutos e segundos. Em 2022, Janones montou o “André Janones Telegram” e em 2026 o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com o propósito de coordenar a ação de militantes para amplificar mensagens, segmentar conteúdos (para diferentes plataformas e diferentes tipos de público) e controlar a atenção — atraindo o foco do público para temas da campanha ou o desviando para longe dos ataques do campo adversário. O exército de Janones conseguiu engajar quem buscava contribuir com a campanha, porém amplificou o erro de juízo que considera a centralização mais eficaz que a descentralização na comunicação digital. No livro, ele apresenta assim a ideia: — A centralização funciona como uma teia em que um ponto central distribui uma orientação única, para que seja repassada até as extremidades. Analisando o primeiro turno [de 2022], percebi que cada perfil [que apoiava Lula] publicava uma coisa diferente. Um falava da importância do Samu, outro do Bolsa Família, um terceiro do Luz Para Todos. Com tanta dispersão, nada ganhava relevância para despertar o interesse do algoritmo. Janones identificou corretamente o problema da dispersão temática, mas, ao tentar resolvê-lo, acabou centralizando também a escolha das abordagens que deveriam circular. Na comunicação digital, a descentralização é mais eficaz porque, com ela, múltiplos emissores experimentam simultaneamente abordagens diferentes para difundir a mesma mensagem: uns fazem memes, outros argumentos curtos em vídeo, outros análises mais detalhadas. Essas diferentes abordagens são lançadas e testadas nas redes sociais e, por tentativa e erro, as mais eficazes são premiadas com viralização. A militância então identifica a abordagem que “pegou” e pode fazer um esforço militante de compartilhamento adicional daquilo que já funciona bem. É esse mecanismo natural de teste de mensagem por tentativa e erro que Pablo Marçal estimulou com os campeonatos de cortes nas eleições de 2024. A estratégia que Janones adotou no “Exército do Lula” substituiu o teste distribuído em rede por uma escolha inteiramente centralizada, bem menos eficaz. Na campanha, era Janones quem decidia que abordagem de uma determinada mensagem era distribuída. O resultado foi uma enorme concentração em vídeos da conta oficial de Lula e da própria conta de Janones. Dos 228 links do Instagram compartilhados no canal, 81 foram da conta de Janones, 45 da conta de Lula e 17 da conta do “Exército do Lula”. Janones perdeu a oportunidade de incentivar que os milhões de inscritos do canal de WhatsApp compartilhassem vídeos que haviam passado pelo teste de tentativa e erro e obtido performances excepcionais no Instagram, como o de Ana Paula Renault voltado a indecisos (29 milhões de visualizações) ou o da série “Revelando”, com Wagner Moura (23 milhões de visualizações). Ele tratou seus seguidores como retransmissores de decisões centralizadas, e não como indivíduos capazes de experimentar, selecionar e produzir conteúdos. A linguagem militar deixou de ser uma analogia acidental. Dezessete por cento de todas as mensagens no canal empregam vocabulário militar que incentiva a obediência irrefletida: soldados, tropa, batalha, território invadido e ocupado, desertores. Apenas 2% das mensagens falam de políticas públicas. Janones também incentivou a difusão de insinuações não comprovadas, como a de que Flávio tinha vínculos com o Comando Vermelho. A derrota de Lula no primeiro turno despertou um enorme esforço militante para impedir a volta do bolsonarismo. Janones recolheu essa energia difusa e a canalizou numa estrutura que conseguiu mobilizar milhões de pessoas, mas limitou sua autonomia e sua capacidade de experimentação, estimulando uma cultura de obediência sem limites morais claros. O legado de Janones é a ilusão de que, na política contemporânea, só é possível vencer eleições com centralização, obediência e uma moral flexível. Próx "Se você ver" ou "Se você vir"?
A confusão quanto ao uso dos verbos 'ver' e 'vir', no futuro do subjuntivo, é bastante comum. Lembre-se de que a conjugação adequada do verbo 'ver', nesse caso, ocorre conforme o exemplo abaixo: Se você vir o resultado da eleição, avise-me. Já para o verbo 'vir' , a forma correta é: Para o infinitivo do verbo ver: Se você vier me 'ver', ficarei muito feliz!
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"Se você vir" ou "Se você vier"?

A confusão entre as conjugações dos verbos ver e vir no futuro do subjuntivo é bastante comum. Veja a regra correta para não errar mais:

  • Verbo VER (enxergar): A forma correta é vir.
    Exemplo: Se você vir o resultado da eleição, avise-me.
  • Verbo VIR (deslocar-se): A forma correta é vier.
    Exemplo: Se você vier me ver, ficarei muito feliz!

💡 Resumo rápido:

  • Quando indicar o ato de olhar, use vir (Se ele vir...).
  • Quando indicar o ato de chegar/ir, use vier (Se ele vier...).
Use o código com cuidado.
Aquela avenida, que lhe bloqueara o caminho do céu para o inferno, projetou em sua mente um corte cinematográfico da Avenida Paulista, na véspera de seu cadafalso, marcado para 25 de outubro de 2026. Na vertigem daquela passagem, sobrepôs-se a imagem de seu retorno àquela assembleia de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, que já não reunia apenas os operários de outrora, premidos pela míngua e pela intervenção do Ministério do Trabalho — o mesmo ministério então ocupado pelo Dr. Luiz Marinho, um de seus sucessores na presidência daquele sindicato. Algum Joaquim Pedro de Andrade, perdido numa dobra do tempo, deve ter congelado aquele instante da história — uma história que, afinal, não terminou na Consolação. Fado Biscaia Fado Biscaia · Filipa Biscaia · André Dias Antes Que Os Rios Sequem Basta não querer Basta não querer que a verdade Seja memória perdida Possa render—se à saudade Do que seria outra vida Basta não querer que a verdade Seja memória perdida Basta não querer que a tristeza Volte a fazer—se alimento À noite sentam—se à mesa E fazem dela o sustento Basta não querer que a tristeza Volte a fazer—se alimento Basta não querer que o amor Pese em nós como um defeito E se pareça com a dor Que temos dentro do peito Basta não querer que o amor Pese em nós como um defeito Basta não querer que a verdade Seja memória perdida Source: LyricFind Songwriters: lyrics © A letra acima pertence à canção "Fado Biscaia", interpretada pela fadista Filipa Biscaia em seu álbum Antes Que Os Rios Sequem. A composição poética desta faixa foi escrita por Dulce Pontes a convite da fadista, com melodia composta por André Dias.
A imagem mostra a edição especial em capa dura do livro Afirma Pereira, do escritor italiano Antonio Tabucchi, lançada no Brasil pela TAG Curadoria. O projeto gráfico e o significado imagético dessa capa dialogam de forma inteligente e profunda com a própria narrativa do romance. 1. Os Limões e a Dieta de Pereira O elemento visual predominante são os limões. No livro, o protagonista, o jornalista Dr. Pereira, vive na Lisboa de 1938 sob a ditadura de Salazar. Ele é um homem solitário, nostálgico, obeso e com problemas cardíacos. Como reflexo do seu estado de espírito apático e rotineiro, Pereira passa os dias consumindo quase que exclusivamente omeletes de ervas finas e limonadas com muito açúcar no Café Orquídea. O limão, portanto, sintetiza visualmente a sua rotina repetitiva e a sua melancolia inicial. 2. Os Azulejos Portugueses A imagem do fundo não é contínua; ela é dividida por linhas pretas simulando uma grade de azulejos. Essa escolha é uma referência direta à cultura visual de Portugal e à cidade de Lisboa, onde a história se passa. Além do aspecto de localização geográfica, os azulejos sugerem uma superfície fria, rígida e fragmentada — uma metáfora para a própria barreira emocional em que Pereira se encontra isolado e o mosaico político estilhaçado da Europa no final dos anos 1930. 3. O Céu Azul e a "Cura de Limão" (A Tomada de Consciência) O fundo traz um azul celeste brilhante, que remete à luz solar de Lisboa, frequentemente mencionada na narrativa. Embora o limão represente sua dieta pacata, a fruta também tem um sabor ácido, cítrico e despertador. A quebra da inércia de Pereira ocorre quando ele conhece dois jovens revolucionários antifascistas (Rossi e Marta). O sabor amargo da realidade política invade sua vida, forçando-o a sair de sua "doce" alienação açucarada para tomar uma atitude corajosa. Você gostaria de saber mais sobre a Cauby Peixoto com a participação da cantora Celeste - Ave Maria - Vicente de Paiva / Jaime Redondo Renato Tôrres 26 de dez. de 2012 Trecho extraído do Programa Contra Luz. Cauby interpreta com a participação da cantora Celeste a famosa Ave Maria(dos seus andores) de Vicente Paiva e Jaime Redondo, eternizada na voz da Rainha da Voz, Dalva de Oliveira, e popularizada devido a belissíma e emocionante interpretação de Fafá de Belém, na homenagem feita a João Paulo II na sua última visita ao Brasil...

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