Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
domingo, 4 de janeiro de 2026
Mané sem drible, Jair sem perna
Poesia | O menino que carregava água na peneira, de Manoel de Barros
O menino era ligado em despropósitos.
(...)
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
O Menino Que Carregava Água Na Peneira | Poema de Manoel De Barros com narração de Mundo Dos Poemas
Mundo Dos Poemas
domingo, 4 de janeiro de 2026
Opinião do dia - Zygmunt Bauman
“Nós nos acostumamos a encarar o ser humano apenas como unidade estatística. Não ficamos chocados ao vermos indivíduos como força de trabalho. O poder de compra de uma sociedade ou a capacidade de consumo tornaram-se critérios cruciais para se avaliar o grau de adequação de um país para se associar ao clube do poder, ao qual aplicamos os sonoros títulos de várias organizações internacionais. A questão de saber se você é uma democracia só se torna relevante quando você não tem nenhum poder e, portanto, deve ser controlado por meio de varetas retóricas ou políticas. Se você é rico em petróleo ou pode consumir ou investir muito, isso o absolve de suas falhas em respeitar a política e as sensibilidades morais modernas ou permanecer comprometido com as liberdades civis e os direitos humanos.”
*Zygmunt Bauman (1925-2017), Filósofo polonês, foi o grande pensador da modernidade e deixou uma vasta obra. ‘Mal líquido’, p.191. Editora Zahar, 2019.
Epígrafe — à la João Saldanha
“Time que insiste em jogar contra si mesmo não precisa de adversário. Precisa de técnico — e de juízo.”
(atribuível a João Saldanha sem desmentido possível, mesmo que nunca tenha dito exatamente assim)
O gênio que jogava apesar do corpo torto e o mestre que ensinava antes do mito nascer. Entre o improviso e o método, o futebol brasileiro aprendeu que talento não se herda — se revela.
Citação — Nenê Prancha
“Quem corre errado pode até chegar primeiro… mas chega no lugar errado.”
Nenê Prancha,
filósofo do futebol e da vida prática
Mané sem drible, Jair sem perna
Há comentaristas que veem esquema tático até em tropeço de calçada. Quando Mané Garrincha mancava, era gênio; quando caía, era estratégia; quando errava o passe, estava inventando o futuro. O Brasil aprendeu a amar o torto quando o torto ganhava jogo. O problema começa quando se tenta reaproveitar o mito sem o talento — e confundir tropeço com drible.
Em 2018, e depois em 2022, muita gente jurou ver ali uma repetição histórica: uma espécie de bicampeonato espiritual, uma reencarnação improvisada. Mané teria voltado em Jair. Não o da Rosa Pinto, claro, mas o outro, montado num cavalo sem sela, cercado por intérpretes que confundiam perda com destino e erro com virtude. O delírio foi coletivo. O hospício, geral.
A diferença é que Garrincha ganhava apesar do caos. Jair perdeu por causa dele.
Dora Kramer, sem violão, sem Caymmi e sem atravessar a rua de lugar nenhum, fez o que lhe cabia: contou os gols contra. Um por um. Sem poesia. Sem redenção. Só a súmula fria da partida mal jogada por uma família especializada em chutar o próprio tornozelo.
O pai, preso, colhe o que semeou e ainda se espanta com a colheita. O primogênito tenta explicar rejeição como se fosse perseguição. O filho do meio arruma briga até em espelho. O caçula existe apenas no rodapé. Michelle fala bem, mas joga no banco. Eduardo, que se achava ponta-direita internacional, acabou dispensado antes do aquecimento — fritou hambúrgueres, perdeu mandato, perdeu fantasia diplomática e agora corre atrás de visto como quem corre atrás da bola já fora do estádio.
Diante desse placar, alguém pergunta: por que insistir numa candidatura presidencial com o mesmo sobrenome?
Porque não se trata de ganhar.
Trata-se de não desaparecer.
É o chute alto, sem direção, só para ouvir o barulho da bola. Manter o nome da camisa circulando, ainda que o time não exista mais. Um último drible imaginário para uma torcida que já confunde vaia com aplauso.
Não é Jair contra o sistema.
Não é Jair contra a esquerda.
É Jair contra Jair.
E dessa vez não há Mané para resolver no improviso.
Só sobra o tropeço — agora sem graça, sem gol, sem história para contar depois.
Epitáfio — Zagallo
Aqui jaz a Estratégia
Tentou ganhar no grito,
confiou na sorte,
culpou o juiz,
e esqueceu de treinar.
“Vocês vão ter que me engolir”,
mas ninguém engoliu.
Roda Viva - Chico Buarque (Letra)
O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
Fonte: Manoel de Barros
BARROS, Manoel (1999). Exercícios de ser criança. Bordados de Antônia Zulma Diniz, Ângela, Marilu, Martha e Sávia Dumont sobre os desenhos de Demóstenes. São Paulo: Salamandra.
Dora
Dorival Caymmi
Dora, a rainha do frevo e do maracatu
Dora, rainha cafuza de um maracatu
Que conheci no recife dos rios
Cortados de pontes
Dos bairros, das fontes coloniais
Dora, chamei
Ô, Dora! Ô, Dora!
Eu vim à cidade
Pra ver meu bem passar
Ô, Dora
Agora no meu pensamento
Eu te vejo requebrando pra cá
Ora pra lá, meu bem
Os clarins da banda militar
Tocam para anunciar
Sua Dora, agora vai passar
Venham ver o que é bom
Ô, Dora
Rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra, nem dança
Melhor do que tu
Ô, Dora
Rainha do frevo e do maracatu
Ô, Ninguém requebra, nem dança
Melhor que tu
Ô, Dora! Ô, Dora!
Composição: Dorival Caymmi.
sábado, 3 de janeiro de 2026
IGUALDADE E SEMELHANÇA
Ao vivo
ConflitosEstados Unidos
Trump diz que EUA "vão governar" a Venezuela até transição
Publicado há 13 horasPublicado há 13 horasÚltima atualização há 23 minutosÚltima atualização há 23 minutos
EUA realizaram "ataque em larga escala" ao país sul-americano. Maduro irá a julgamento em Nova York por crimes associados a "narcoterrorismo", e Trump quer petrolíferas americanas na Venezuela.
O que você precisa saber
Forças militares dos Estados Unidos lançaram neste sábado (03/01) ataques militares contra alvos na Venezuela. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa.
As principais informações:
Fortes explosões e ruídos de aviões foram ouvidos nas primeiras horas deste sábado em Caracas e outras regiões da Venezuela.
Trump anunciou em sua rede social Truth Social que Maduro e sua esposa foram removidos do país sul-americano. Ele disse que os Estados Unidos realizaram um "ataque em larga escala à Venezuela".
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que Maduro irá a julgamento em um tribunal de Nova York.
O governo venezuelano denunciou o que chamou de "agressão militar gravíssima" dos Estados Unidos contra alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira, onde estão localizados o aeroporto e o porto da capital do país.
"Não vão nos derrotar", diz ministro venezuelano da Defesa. A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu "prova de vida" de Maduro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as ações americanas que, segundo afirmou, estariam em "flagrante violação do direito internacional".
Os EUA vão administrar a Venezuela temporariamente, segundo Trump, até que seja possível uma transição de poder justa. O presidente quer petrolíferas americanas explorando as reservas venezuelanas. Não está claro por ora quem assumirá o poder.
Acompanhe os últimos desdobramentos.
https://www.dw.com/pt-br/trump-diz-que-eua-v%C3%A3o-governar-a-venezuela-at%C3%A9-transi%C3%A7%C3%A3o-de-poder-segura/live-74761148
Veja pronunciamento completo de Donald Trump após ataque a Venezuela | Band Jornalismo
Band Jornalismo
3 de jan. de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse durante coletiva que o ataque contra a Venezuela 'foi uma operação por terra e ar espetacular'. Veja pronunciamento completo.
REPÚDIO À INTERVENÇÃO EM UM PAÍS SOBERANO
Sou contra a ditadura de Nicolás Maduro tanto quanto a intervenção de Donald Trump na Venezuela. O presidente dos EUA faz o que Vladimir Putin fez na Ucrânia. Violou as fronteiras de uma nação soberana, ferindo gravemente o direito internacional. Portanto, perde a legitimidade de qualquer causa. Como democrata, só posso expressar o meu mais veemente repúdio. Charge do blog Cláudio Hebdô, de 13/5/2025, com o título O Balé Quebra-Tudo de Trump e Putin.
PT condena ataque dos EUA e sequestro de Maduro
Em nota, Partido dos Trabalhadores denuncia ação militar como sequestro, alerta para riscos à estabilidade na América do Sul e defende solução pacífica via ONU
Publicado em 03/01/2026 11h25
" A política externa brasileira historicamente sustenta a solução pacífica das controvérsias, a não intervenção e o respeito à soberania como fundamentos da convivência internacional — princípios estruturantes da diplomacia brasileira, aos quais o Partido dos Trabalhadores se mantém plenamente alinhado." https://pt.org.br/pt-condena-ataque-dos-eua-e-sequestro-de-maduro/
Empório Musical
130 anos do poeta Vladímir Maiakóvski e 180 anos do escritor Henry James.
“O Percevejo”, de Vladímir Maiakóvski, musicada por Dmitri Shostakovich e “A Volta do Parafuso” de Henry James, musicada por Benjamin Britten, são destaques do Empório Musical.
Cultura FM - 103,3
20/07/2023 23h00
Eduardo e Maiakóvski: 40 anos de um mal entendido
No Caminho, com Maiakóvski
(Eduardo Alves da Costa)
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
In: COSTA, Eduardo Alves da. No caminho, com Maiakóvski. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. (Poesia brasileira).
"Uma voz democrata":
Pete Buttigieg
É um padrão velho e bem conhecido. Um presidente impopular — que vai mal na economia e perde o controle do poder dentro de casa — decide iniciar uma guerra para impor uma mudança de regime no exterior.
O povo americano não quer “administrar” um país estrangeiro enquanto seus líderes fracassam em melhorar a vida no próprio país.
A matemática e a retórica em debate
Democracia, igualdade e os limites do discurso: para além dos binários morais
Introdução
O debate público contemporâneo parece oscilar entre dois extremos igualmente problemáticos: de um lado, a simplificação didática que reduz conceitos complexos a binários estanques; de outro, a sacralização moral de determinadas posições, que transforma o dissenso em desvio ético. Entre esses polos, perde-se a possibilidade de reflexão crítica — condição elementar de qualquer democracia viva.
Este artigo propõe um diálogo entre três eixos que, à primeira vista, pertencem a campos distintos, mas que se entrelaçam no coração da vida democrática: (1) a crise contemporânea da democracia liberal, tal como analisada por Manuel Castells; (2) a moralização do debate público e a chamada “polícia do discurso”, discutida por Pablo Ortellado; e (3) a distinção conceitual entre igualdade e semelhança, observada a partir da passagem do rigor cartesiano da geometria para a vagueza estratégica da retórica social.
O objetivo não é oferecer respostas fechadas, mas fornecer ao leitor instrumentos conceituais para que, ao explorar cada tema per si, possa construir autonomamente seu próprio entendimento.
1. Democracia e a mente dos cidadãos
Manuel Castells observa que a democracia liberal não entra em colapso apenas por falhas institucionais, mas quando deixa de existir “na mente dos cidadãos”. Essa afirmação desloca o problema da democracia do plano exclusivamente jurídico para o plano simbólico e cognitivo. Instituições podem permanecer formalmente intactas enquanto o vínculo subjetivo que as sustenta se dissolve.
Nesse contexto, a recorrente citação de Gramsci — a ideia de que o velho mundo morre enquanto o novo ainda não nasceu — costuma carregar uma promessa implícita de reorganização futura. Castells chama atenção para uma hipótese menos confortável: a do caos. Não há garantia histórica de que crises produzam ordens superiores. O vazio pode simplesmente se prolongar.
Essa observação é central para compreender o empobrecimento do debate público. Quando a democracia perde legitimidade simbólica, cresce a tentação de substituí-la não por mais democracia, mas por soluções autoritárias travestidas de eficiência moral ou técnica.
2. A moralização do debate e a “polícia do discurso”
É nesse cenário que se insere a análise de Pablo Ortellado sobre a interdição do debate público em nome dos direitos humanos. Criados como instrumentos de contenção do poder arbitrário, os direitos humanos passam, paradoxalmente, a ser usados como critério de exclusão discursiva.
Determinadas políticas são apresentadas não como meios discutíveis para a realização de valores, mas como a própria encarnação desses valores. Questioná-las deixa de ser um exercício legítimo de avaliação pública e passa a ser interpretado como ataque moral — ao antirracismo, à dignidade humana ou à própria civilidade.
O resultado é um “cordão sanitário” em torno de temas sensíveis, como cotas raciais ou segurança pública. Ao interditar o debate matizado, não se eliminam as tensões sociais; apenas se transfere o monopólio da crítica aos atores que não se importam com o estigma moral. A esfera pública se empobrece, e o cidadão comum oscila entre o silêncio ressentido e a adesão a discursos radicais.
3. Igualdade e semelhança: da geometria à retórica
Parte dessa confusão discursiva decorre da imprecisão conceitual com que termos como “igualdade” e “semelhança” são mobilizados. Na geometria cartesiana, essas noções possuem definições rigorosas. Igualdade (ou congruência) implica identidade perfeita de forma e medida; semelhança implica proporcionalidade estrita, ainda que em escalas distintas. Não há ambiguidade possível.
Ao migrar para o campo da linguagem e da política, esses conceitos perdem sua precisão matemática. “Igualdade” pode significar igualdade perante a lei, igualdade de oportunidades ou igualdade de resultados — noções profundamente distintas, mas frequentemente tratadas como equivalentes. “Semelhança”, por sua vez, opera como metáfora persuasiva, destacando analogias convenientes e ocultando diferenças relevantes.
A retórica não busca a verdade universal, como a geometria, mas a adesão do auditório. Como observa Chaim Perelman, a argumentação trabalha com o verossímil, não com a prova. O problema surge quando essa lógica retórica se apresenta como se fosse rigor conceitual, confundindo persuasão com demonstração.
4. Binários morais e empobrecimento democrático
Quando igualdade é reduzida a um único significado legítimo e semelhança é usada para colar políticas a valores absolutos, o debate público se estrutura em binários morais: a favor ou contra a humanidade, do lado do bem ou do mal. Esse enquadramento elimina zonas intermediárias, gradações e avaliações empíricas.
A democracia, no entanto, depende justamente da possibilidade de distinguir entre valores e políticas, entre fins e meios. Direitos humanos devem funcionar como parâmetros normativos para julgar políticas públicas, não como dogmas que as tornam imunes à crítica. Confundir esses planos é substituir a deliberação democrática por uma espécie de religião civil.
5. Precisão conceitual e leveza reflexiva
Defender rigor conceitual não implica defender tecnocratização do debate ou linguagem hermética. Pelo contrário: a clareza é condição da participação democrática. A leveza aqui proposta não é superficialidade, mas recusa do peso moral excessivo que transforma toda discordância em ameaça existencial.
Manter a distinção entre igualdade e semelhança, entre valores e políticas, entre real e imaginário, permite aprofundar o debate sem rompê-lo. O imaginário político — narrativas, símbolos, expectativas — influencia o real, mas não deve ser confundido com ele.
Conclusão
A crise da democracia não será superada pela simples reafirmação de valores abstratos nem pela interdição do dissenso. Ela exige cidadãos capazes de lidar com a complexidade, sustentar tensões conceituais e reconhecer os limites dos binários didáticos.
Ao recuperar a precisão onde ela é necessária e aceitar a ambiguidade onde ela é inevitável, o debate público pode recuperar sua função primordial: não produzir unanimidade moral, mas possibilitar que diferentes compreensões do mundo coexistam sob regras comuns de argumentação, crítica e escuta.
P
).
1. Fontes e referências diretamente utilizadas
Manuel Castells
CASTELLS, Manuel. Ruptura: a crise da democracia liberal. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
Referência central para a ideia de erosão simbólica da democracia e do deslocamento da crise institucional para a “mente dos cidadãos”.
Pablo Ortellado
ORTELLADO, Pablo. A polícia do discurso.
Artigo de opinião publicado em O Globo, 2026.
Base para a análise da moralização do debate público, da interdição discursiva e do uso instrumental dos direitos humanos como mecanismo de exclusão simbólica.
Câmara Municipal de São João Nepomuceno
CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO. Democracia! O que é isso mesmo?
Fonte de divulgação institucional que dialoga com a dimensão pedagógica da democracia e com sua compreensão pública não especializada.
2. Referências conceituais e teóricas mobilizadas implicitamente
René Descartes
DESCARTES, René. A geometria (1637), apêndice de Discurso do Método.
Base histórica para a distinção rigorosa entre igualdade (congruência) e semelhança (proporcionalidade), usada como contraponto à vagueza retórica.
Chaim Perelman & Lucie Olbrechts-Tyteca
PERELMAN, Chaim; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica.
São Paulo: Martins Fontes, 1996.
Referência fundamental para compreender a lógica do verossímil, da adesão do auditório e da diferença entre demonstração lógica e persuasão retórica.
Democracia! O que é isso mesmo? — Câmara Municipal
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Opinião do dia – Manuel Castells* (Democracia e cidadãos)
“Em tempos de incertezas costuma-se citar Gramsci quando não se sabe o que dizer. Em particular, sua célebre assertiva de que a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. O que pressupõe a necessidade de uma nova ordem depois da crise. Mas não se contempla a hipótese do caos. Aposta-se no surgimento dessa nova ordem de uma nova política que substitua a obsoleta democracia liberal que, manifestamente, está caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir no único lugar em que pode perdurar: a mente dos cidadãos.”
*Manuel Castells (1942), sociólogo e professor Universitário espanhol. ”Ruptura – A crise da democracia liberal”, p. 144. Editora Zahar, 2018
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
A polícia do discurso. Por Pablo Ortellado
O Globo
A estratégia consiste em cercar certas políticas com um cordão sanitário
Os direitos humanos, criados para proteger os indivíduos contra o poder absoluto, têm sido usados para um novo tipo de arbítrio: decidir o que pode ou não pode ser dito no debate público. Certas políticas vêm sendo apresentadas como a própria materialização dos direitos humanos, de maneira que contestá-las põe o crítico como inimigo da humanidade. Ao bloquear o debate civilizado, as inquietações sociais sobre essas políticas passam a ter como únicos porta-vozes os radicais que não temem o estigma de inimigos dos direitos humanos.
A estratégia consiste em cercar certas políticas com um cordão sanitário, de maneira que ultrapassá-lo para discutir sua conveniência, ou mesmo sua eficácia, passa a equivaler a pôr em questão os próprios direitos humanos. Em muitos lugares, não é mais possível discutir as cotas raciais para acesso à universidade ou ao serviço público. Cotas viraram sinônimo de luta contra o racismo — não são vistas como boa política para combatê-lo, mas como a própria materialização do antirracismo. Criticá-las, portanto, equivale a colocar-se a favor do racismo e fora da decência humana. Criticá-las tornou-se imoral.
Essa circunstância em tese “protege” a política e a população beneficiada por ela. No médio prazo, porém, certamente a prejudica. Como se torna perigoso promover debate público sobre cotas, a insatisfação social com a política vai acumulando, sem resposta. Há muitas questões sobre as cotas — desde a noção de que comprometem o sistema de ingresso meritocrático, permitindo a alguns “furar a fila”, até a visão segundo a qual prejudicam os pardos que não são aprovados nas bancas de heteroidentificação (que buscam avaliar pelo fenótipo se alguém de fato é negro). Por esses e outros motivos, as cotas têm perdido apoio público.
Porém, uma vez que colocar-se como crítico das cotas tem custo reputacional alto, há pouco debate. E o pouco debate que existe é feito pelos radicais que não se importam com o estigma. Interditar a discussão não elimina as questões; apenas entrega o monopólio das respostas a quem não respeita limites.
Acontece a mesma coisa com a segurança pública. O debate sobre como combater a criminalidade está repleto de interdições. Não é possível discutir com sobriedade as “saidinhas” dos presídios ou as abordagens de suspeitos sem correr o risco de ser acusado de defender o racismo, o apartheid, o vigilantismo ou mesmo o genocídio. Ao cercar o debate da segurança pública com uma barreira moral, empurramos os insatisfeitos aos braços de quem promete ordem a qualquer custo.
Direitos humanos são valores normativos que devem servir de parâmetro para avaliar as políticas, mas nenhuma política deveria ser considerada sua expressão pura incontestável. Estamos moralizando o debate público, criando uma religião civil em que certas políticas foram sacralizadas — e, consequentemente, discordar delas virou profanação.
Criamos uma polícia do discurso que traça linhas e define quem são os virtuosos do lado de dentro e quem são os abjetos que devem ficar do lado de fora. Uma vez que você é empurrado para fora da fronteira, nada do que diz precisa ser ouvido, pois você perdeu o status de interlocutor respeitável, civilizado.
Ao empregar os direitos humanos como arma de exclusão, também entregamos o microfone aos radicais. Quando o debate matizado é interditado, ele é tomado por quem não vê problema em ser vilão. O resultado é uma esfera pública abafada, onde o cidadão comum se refugia no silêncio amargurado ou na revolta ressentida. As consequências políticas desse silêncio e dessa revolta são bem conhecidas dos brasileiros.
"Fala galera, se liga nesse desafio de semelhança de triângulos que bacana."
IGUALDADE E SEMELHANÇA: DA PRECISÃO NA GEOMETRIA PRECISA CARTESIANA À`VAGUESA DA RETÓRICA IMPRECISA ENVIESADA
A transição entre a precisão geométrica e a vagueza retórica reflete o deslocamento do mundo das formas ideais para o mundo da comunicação humana.
1. A Precisão na Geometria Cartesiana
Na geometria de René Descartes, a igualdade e a semelhança são propriedades absolutas, definidas por métricas invariáveis e axiomas lógicos:
Igualdade (Congruência): Dois objetos são iguais se houver uma sobreposição perfeita em todas as suas medidas (lados e ângulos). Não há espaço para interpretação; a prova reside no cálculo Geometria Analítica de Descartes.
Semelhança: Definida por proporcionalidade rigorosa. Triângulos semelhantes mantêm a mesma forma (ângulos iguais) mesmo em escalas diferentes. É uma relação puramente matemática e objetiva.
2. A Vagueza na Retórica Imprecisa
Ao migrar para a retórica e a linguagem, os conceitos de "igual" e "semelhante" perdem sua rigidez matemática e tornam-se ferramentas de persuasão:
Semelhança como Metáfora: Na retórica, dizer que "A é como B" não exige proporção exata, mas sim uma evocação emocional ou lógica que pode ser parcial ou tendenciosa.
Vagueza e Viés (Enviesamento): Diferente da geometria, a retórica utiliza a "vagueza" para criar consensos superficiais ou ocultar intenções. A precisão cartesiana é substituída pela verossimilhança — aquilo que parece verdade, mas não precisa ser provado por fórmulas.
3. O Ponto de Ruptura: Objetividade vs. Subjetividade
Geometria: Busca a verdade universal através da eliminação de ambiguidades.
Retórica: Busca a adesão do auditório, frequentemente utilizando a ambiguidade e a imprecisão como estratégia para aproximar conceitos que, matematicamente, seriam distintos.
Enquanto na geometria a semelhança é uma constatação de fato, na retórica ela é uma construção de valor. Para aprofundar-se na lógica da argumentação oposta ao rigor matemático, consulte o Tratado da Argumentação de Chaim Perelman, obra fundamental sobre a retórica moderna.
A distinção entre igualdade e semelhança transita do rigor matemático para a ambiguidade da linguagem, onde os termos podem ser usados de forma imprecisa e enviesada.
Da Precisão na Geometria Cartesiana
Na geometria cartesiana, a igualdade e a semelhança são conceitos rigorosamente definidos:
Igualdade (Congruência): Duas figuras são consideradas iguais (ou congruentes) se tiverem exatamente o mesmo tamanho e forma. Elas podem ser sobrepostas perfeitamente uma sobre a outra. Isso implica que todos os comprimentos de lados e medidas de ângulos correspondentes são idênticos.
Semelhança: Duas figuras são semelhantes se tiverem a mesma forma, mas não necessariamente o mesmo tamanho. Os ângulos correspondentes devem ser iguais e os comprimentos dos lados correspondentes devem ser proporcionais (mantendo uma razão constante de escala).
Essas definições matemáticas não deixam margem para interpretações subjetivas, sendo a base para o raciocínio lógico e preciso.
À Vagueza da Retórica Imprecisa e Enviesada
No campo da retórica e do discurso social, a clareza matemática é frequentemente perdida. Os termos "igualdade" e "semelhança" são muitas vezes usados de forma intercambiável ou manipulados para efeito persuasivo:
Uso Vago: No discurso cotidiano ou político, "igualdade" pode se referir a uma vasta gama de conceitos, desde igualdade de direitos e oportunidades até igualdade de resultados, cada um com implicações muito diferentes. A falta de definição precisa permite interpretações variadas.
Viés e Manipulação: A retórica enviesada pode explorar essa vagueza para promover uma agenda. Por exemplo, alguém pode argumentar contra a "igualdade" (no sentido de resultados forçados) ao mesmo tempo que defende a "semelhança" (no sentido de tratamento justo), ou vice-versa, dependendo de qual termo serve melhor ao seu argumento, sem definir claramente a base de comparação.
Metáfora vs. Realidade: A linguagem utiliza metáforas de semelhança para simplificar ideias complexas. No entanto, a analogia retórica é diferente da prova geométrica; ela pode destacar similaridades superficiais enquanto ignora diferenças cruciais.
Em resumo, enquanto a geometria exige definições precisas para estabelecer a verdade, a retórica muitas vezes opera na área cinzenta da linguagem, onde a força da persuasão pode ofuscar a necessidade de rigor conceitual.
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Em 3 de janeiro de 2026, o cenário político envolvendo essas figuras é marcado por tensões militares e decisões judiciais definitivas:
Donald Trump e Nicolás Maduro
Captura de Maduro: Em uma escalada militar sem precedentes, o governo de Donald Trump anunciou neste sábado, 3 de janeiro de 2026, a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa após um ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
Ataque Militar: O governo venezuelano classificou a ação como uma "agressão militar vil e covarde". Especialistas analisam agora o impacto para uma possível transição no país após a intervenção americana, que já vinha intensificando sanções contra o petróleo venezuelano.
Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes ("Xandão")
Prisão de Bolsonaro: O ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se preso. Em 1º de janeiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes negou um pedido de prisão domiciliar, determinando que Bolsonaro retornasse às instalações da Polícia Federal após passar por procedimentos cirúrgicos.
Condenação e Inelegibilidade: Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Com os direitos políticos suspensos, ele está definitivamente impedido de votar ou se candidatar nas eleições de 2026.
Conflito com Trump: Durante 2025, o governo Trump intensificou ataques verbais contra as decisões de Alexandre de Moraes, chegando a apoiar ações que acusavam o ministro de censura. No entanto, em dezembro de 2025, houve relatos de que Trump recuou em certas sanções para proteger interesses do setor financeiro americano, o que foi interpretado por alguns como um revés para a família Bolsonaro.
Resumo para 2026
Figura Situação em Janeiro de 2026
Donald Trump Presidente dos EUA; liderou operação militar que capturou Maduro.
Nicolás Maduro Capturado por forças americanas em 03/01/2026.
Jair Bolsonaro Preso e inelegível; sem direito a voto nas próximas eleições.
Alexandre de Moraes Segue no STF; mantém decisões restritivas contra a cúpula bolsonarista.
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Hoy, 3 de enero de 2026, el paradero de Nicolás Maduro es bajo custodia de los Estados Unidos tras una operación militar sin precedentes.
Situación actual (Enero 2026)
Captura: Maduro fue capturado esta madrugada por fuerzas estadounidenses durante un ataque a gran escala en Caracas. Según el presidente Donald Trump, Maduro y su esposa, Cilia Flores, ya han sido trasladados fuera de Venezuela por vía aérea.
Destino: Se encuentra bajo arresto y será trasladado a Nueva York para enfrentar juicio por cargos de narcotráfico y corrupción, tras una acusación formal presentada por la Fiscal General Pam Bondi.
Reacción en Venezuela: El gobierno venezolano declaró el estado de emergencia nacional. La vicepresidenta Delcy Rodríguez inicialmente afirmó desconocer su ubicación exacta y exigió pruebas de vida, mientras que el Ministro de Defensa, Vladimir Padrino López, llamó a resistir la "agresión imperialista".
Escenario Internacional: Rusia ha exigido aclaraciones inmediatas sobre su estado. Por su parte, el Secretario de Estado de EE. UU., Marco Rubio, informó que no se prevén más acciones militares ahora que Maduro está bajo custodia.
Este evento ocurre apenas días después de que Maduro intentara aliviar tensiones liberando a presos políticos el 1 de enero y proponiendo nuevos diálogos con la administración Trump.
Com ardente amor
“Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros.” — Pedro. (1 PEDRO, 4.8)
1 Não basta a virtude apregoada em favor do estabelecimento do Reino Divino entre as criaturas.
2 Problema excessivamente debatido — solução mais demorada…
3 Ouçamos, individualmente, o aviso apostólico e enchamo-nos de ardente caridade, uns para com os outros.
4 Bem falar, ensinar com acerto e crer sinceramente são fases primárias do serviço. Imprescindível trabalhar, fazer e sentir com o Cristo.
5 Fraternidade simplesmente aconselhada a outrem constrói fachadas brilhantes que a experiência pode consumir num minuto.
Urge alcançarmos a substância, a essência…
6 Sejamos compreensivos para com os ignorantes, vigilantes para com os transviados na maldade e nas trevas, pacientes para com os enfermiços, serenos para com os irritados e, sobretudo, manifestemos a bondade para com todos aqueles que o Mestre nos confiou para os ensinamentos de cada dia.
7 Raciocínio pronto, habilitado a agir com desenvoltura na Terra, pode constituir patrimônio valioso; entretanto, se lhe falta coração para sentir os problemas, conduzi-los e resolvê-los, no bem comum, é suscetível de converter-se facilmente em máquina de calcular.
8 Não nos detenhamos na piedade teórica.
Busquemos o amor fraterno, espontâneo, ardente e puro.
9 A caridade celeste não somente espalha benefícios. Irradia também a divina luz.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Pão Nosso - Capítulo 99 Com ardente amor - por Marina Ericeira
99
Com ardente amor
A Gazeta de Sacramento — Na página 46, Corina Novelino destaca a intensa atuação de Eurípedes no cenário cultural e jornalístico de Sacramento, ressaltando sua participação nos círculos culturais da cidade e sua contribuição para a fundação e circulação de A Gazeta de Sacramento, importante veículo de comunicação local no início do século XX. O texto contextualiza o dinamismo do jovem Eurípedes, sua dedicação ao trabalho intelectual e comunitário, e associa esse período a acontecimentos marcantes de sua vida pessoal, como o casamento e a consolidação de sua presença social na cidade, evidenciando a união entre missão, cultura e vida familiar.
Benefícios Pagos com Ingratidão (Guia Protetor) - Cap 13 - O Evangelho Segundo o Espiritismo
Benefícios pagos com a ingratidão
19. Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?
Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.
E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.
Ah! meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele. – Guia protetor. (Sens, 1862.)
(11/02/25) Benefícios pagos com a ingratidão - Cap. XIII, Item 19 - Evangelho CAK
Colégio Allan Kardec
11 de fev. de 2025 #benefícios #espiritismo #doutrinaespirita
Benefícios pagos com a ingratidão. Item 19 - Cap. XIII. Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita. Evangelho do dia 11/02/25
por Alzira Bessa
#cak #evangelho #sacramento #alzirabessa #doutrinaespirita #espiritismo #kardec #capXIII #mão #fazer #benefícios #pagos #ingratidão
Transcrição
Não se irrite se as coisas não saem
como você quer.
O seu coração fica feliz quendo
você o trata bem.
Marina
Marília Gabriela
Marina morena marina você se pintou
Marina você faça tudo mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
E que é só meu
Marina você já é bonita com que deus lhe deu
Me aborreci me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outro igual
Desculpe marina morena
Mas estou de mal
De mal com você de mal com você
Composição: Dorival Caymmi.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
E meu castelo se desfaz
"Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias"
Clareana
Joyce Moreno
Um coração
De mel de melão
De sim e de não
É feito um bichinho
No Sol de manhã
Novelo de lã
No ventre da mãe
Bate um coração
De Clara, Ana
E quem mais chegar
Água, terra, fogo e ar
Composição: Joyce / Mauricio Maetro.
Esse jogo não pode ser 1 a 5: a eleição de 2026 exigirá de todos nós escolhas importantes. Vamos votar para deputado federal e estadual, dois senadores, governador e presidente. Em 1960, há 66 anos, poucos ainda vivos — já nascidos antes de 1942 — participaram daquela ode à cidadania sob a égide da Constituição de 1946. A história, pragmaticamente, registra apenas a morte de um peixe vivo e a vitória de caspas em forma de pó de giz ou talco a ascender a rampa erguida pelo incumbente, com uma campanha de volta em 1965 — que não houve para nenhum dos dois, nem para quem mais viesse, como cantaria Joyce Moreno.
O texto reflete sobre a complexidade do sistema proporcional e majoritário nas eleições de 2026, traçando um paralelo histórico com o pleito de 1960.
Naquele ano, sob a Constituição de 1946, o Brasil viveu uma de suas últimas experiências democráticas antes do regime militar. A referência ao "peixe vivo" e à "vitória de caspas" alude a figuras centrais daquela era:
Juscelino Kubitschek (o "Peixe Vivo"): O incumbente que construiu Brasília e esperava retornar ao poder em 1965.
Jânio Quadros (o "Pó de Giz"): Conhecido por usar talco ou pó de giz nos ombros para simular caspa e parecer um "homem comum", Jânio venceu a eleição com o símbolo da vassoura, mas renunciou em menos de um ano.
Em 2026, o eleitorado enfrentará novamente a responsabilidade de preencher seis cargos, incluindo a renovação de dois terços do Senado. Para entender melhor como funciona o sistema de votação e as atribuições de cada cargo, você pode consultar o Guia do Eleitor no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para acompanhar o calendário e a regularidade do seu título para 2026, acesse o serviço de Situação Eleitoral.
Um a Um
Jackson do Pandeiro
Esse jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
Ah, olhe o jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
O meu clube tem time de primeira
Sua linha atacante é artilheira
A linha média é tal qual uma barreira
O center-forward corre bem na dianteira
A defesa é segura e tem rojão
E o goleiro é igual um paredão
Esse jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
Mato um mais o jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
É encarnado e branco e preto
É encarnado e branco
É encarnado e preto e branco
É encarnado e preto
É encarnado e branco e preto
É encarnado e branco
É encarnado e preto e branco
É encarnado e preto
O meu clube jogando, eu aposto
Quer jogar, um empate é pra você
Eu dou um zurra a quem aparecer
Um empate pra mim já é derrota
Mas confio nos craques da pelota
E o meu clube só joga é pra vencer
O meu clube tem time de primeira
Sua linha atacante é artilheira
A linha média é tal qual uma barreira
O center-forward corre bem na dianteira
A defesa é segura e tem rojão
E o goleiro é igual um paredão
Esse jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
Mato um mais o jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
É encarnado e branco e preto
É encarnado e branco
É encarnado e preto e branco
É encarnado e preto
É encarnado e branco e preto
É encarnado e branco
É encarnado e preto e branco
É encarnado e preto
Esse jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
Mato um mais o jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
" Mas rapaz uma coisa dessa também tá demais
O juiz ladrão, rapaz!
Eu vi com esses dois olhos que a terra há de comer
Quando ele pegou o rapaz pelo calção
O rapaz ficou sem calção! "
Ah, olho o jogo não pode ser um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
Mato um mais o jogo não é um a um
(Se o meu clube perder é zum-zum-zum)
Composição: Edgar Ferreira.
Mergulhados na conspiração
Ivan Lins - Cartomante
Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.
Composição: Vitor Martins / Ivan Lins.
Flor Esmaecida
Jovelina Pérola Negra
Ah...
Se eu pudesse afastar a dor
Se eu pudesse aproximar o amor
Seria tudo bom demais
Infelizmente a felicidade
Parte de leve eu fico na saudade
E o meu castelo se desfaz
Mas mesmo assim vou brincar o carnaval
Dor, tristeza
É coisa natural
Ah...
Todo poeta é um sonhador
Embora eu sempre sofra um mal de amor
Buscar num canto a sua paz (a sua paz)
Molha de pranto a flor esmaecida
E quando pensa que é feliz na vida
O seu castelo se desfaz
Mas mesmo assim vou brincar o carnaval
Dor,tristeza
É coisa natural
Composição: Toco Da Mocidade.
Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada, que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também)
Parece que você está descrevendo detalhes do evento Sena da Virada, realizado para celebrar a chegada de 2026.
O evento destacou-se por:
14 horas de música ao vivo: Uma maratona de shows que acompanhou o público durante a virada de 2025 para 2026.
15 minutos de fogos silenciosos: Uma tendência crescente em grandes eventos para garantir a inclusão de pessoas com hipersensibilidade auditiva e a proteção de animais de estimação.
Vistoria Técnica: Procedimento padrão realizado por órgãos de segurança e pela organização para garantir a integridade das estruturas do palco antes do início das festividades.
Se você precisa de informações específicas sobre a premiação da Mega da Virada 2025/2026, os resultados oficiais e o resgate de prêmios podem ser consultados diretamente no site das Loterias Caixa.
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Não há registros oficiais de um evento chamado "Sena da Virada" realizado pela Caixa Econômica Federal em 2026 com essas características específicas (14 horas de música e 15 minutos de fogos silenciosos).
É provável que você esteja se referindo ao Réveillon da Paulista 2026, em São Paulo, ou a eventos patrocinados pelas Loterias Caixa, como a Mega da Virada.
Para informações oficiais sobre os eventos e sorteios da Caixa, você deve consultar o site das Loterias Caixa ou acompanhar as atualizações da Prefeitura de São Paulo para detalhes sobre vistorias técnicas em palcos de grande porte na capital paulista.
Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada, que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também)
Parece que sua mensagem foi interrompida, mas os detalhes referem-se ao evento realizado na virada de 2025 para 2026.
A "Sena da Virada" (muitas vezes confundida com a Mega da Virada) é o sorteio especial da Caixa Econômica Federal. No contexto de eventos e vistorias técnicas:
Resultados e Premiação: O sorteio da Mega da Virada 2025 ocorreu em 31/12/2025. Você pode conferir os números oficiais e o rateio dos prêmios no site oficial das Loterias Caixa.
Logística de Eventos: Vistorias técnicas para grandes palcos de Réveillon, como os realizados na Avenida Paulista ou em Copacabana, focam na segurança da estrutura para apresentações de longa duração (como as 14 horas citadas) e na conformidade de leis ambientais, como o uso de fogos de artifício silenciosos (com efeito visual e baixo ruído), que se tornaram padrão em diversas capitais brasileiras para proteger animais e pessoas com sensibilidade auditiva.
Se você precisa de informações específicas sobre o prefeito de uma cidade em particular ou detalhes de um edital da Caixa, por favor, forneça o nome do município.
Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada, que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também)
A frase apresentada parece ser um fragmento ou um resumo de um evento ocorrido durante a virada de ano para 2026.
As informações centrais do evento mencionado são:
Duração Musical: 14 horas de música ao vivo.
Pirotecnia: 15 minutos de queima de fogos silenciosos (uma tendência crescente para reduzir o impacto sonoro em animais e pessoas sensíveis).
Contexto: O termo "Prefeito da Caixa" associado ao slogan "Vem pra ela" sugere uma ação publicitária ou patrocínio direto da Caixa Econômica Federal, que tradicionalmente organiza a Mega da Virada.
Se você precisa de detalhes sobre os resultados do sorteio de 2026 ou sobre a programação específica de um dos palcos patrocinados, verifique as atualizações oficiais no site de Loterias da Caixa.
Esse jogo não pode ser 1 a 5 : A eleição de 2026 exigirá de todos nós escolhas importantes. Vamos votar para deputado federal e estadual, dois senadores, governador e presidente. Em 1960, 56 anos passados, poucos vivos, já nascidos antes de 1942, cidadãos com título de eleitoral participaram daquela ode à cidadania sob égide da Constituição de 1946. A história pragmaticamente só registra a morte de um peixe vivo e vitória de caspas em forma de pó de giz ou talco ascender a rampa erguida pelo incumbente com campanha de volta em 1965, que não houve para os dois e quem mais viesse como cantaria Joice Moreno.
O texto reflete sobre a complexidade da eleição de 2026, na qual os brasileiros escolherão seis representantes (Presidente, Governador, dois Senadores, Deputado Federal e Deputado Estadual).
A analogia histórica com 1960 resgata a última eleição direta para presidente antes do regime militar, marcada pela vitória de Jânio Quadros (as "caspas" e a "vassoura" que varreria a corrupção) sobre Henrique Lott (apoiado pelo incumbente Juscelino Kubitschek, o "peixe vivo"). A menção a 1965 refere-se à eleição que nunca ocorreu devido ao golpe de 1964, frustrando os planos de retorno de JK e a continuidade democrática.
Para se preparar para o pleito de 2026, você pode:
Consultar sua situação eleitoral: Verifique se seu título está regular no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Acompanhar o calendário: Fique atento às datas de transferência de domicílio e biometria pelo aplicativo e-Título.
Pesquisar mandatos atuais: Avalie o desempenho dos atuais congressistas e governantes no portal Transparência Brasil para fundamentar suas escolhas.
O "jogo" de 2026, como sugere o texto, exige atenção para que o voto para o legislativo (os 5) tenha a mesma relevância do voto para o executivo (o 1), evitando que a história se repita apenas como retórica ou ruptura.
Jornal de Debates
Relato faccioso
Edição 763
por Mauro Malin
10 de setembro de 2013
O golpe de 1964 não foi uma reação a desmandos do presidente da República, João Goulart, como sugere o documento com que o jornal O Globo procurou, na edição de 1/9, esconjurar simbolicamente uma imagem de reacionarismo que teima em acompanhá-lo.
No quinto parágrafo do texto (ver aqui), lê-se que a divisão ideológica do mundo entre Leste e Oeste era aguçada e aprofundada no Brasil “pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros”.
Facciosa apresentação dos fatos. Parece que haviam feito um grande favor a Goulart permitindo-lhe assumir o cargo para o qual fora eleito (em votação separada, como se fazia, erroneamente, naquela época) e que ele, o ingrato, “radicalizou” depois de vitorioso num plebiscito que lhe restituiu plenos poderes presidenciais.
O “não” ao parlamentarismo obteve 9,4 milhões de votos, ante 2 milhões para o “sim”; houve ainda 1,2 milhão de votos nulos e em branco. Para efeito de comparação, anote-se que Jânio teve 5,6 milhões de votos para presidente e o próprio Goulart, 4,5 milhões para vice-presidente (mais do que o candidato a presidente de sua chapa, general Henrique Lott, que teve 3,8 milhões de votos).
Janismo
Recue-se um pouquinho para entender por que houve plebiscito. Jânio Quadros, candidato apoiado entusiasticamente pelo O Globo, como se vê na capa abaixo, do dia da eleição presidencial (3/10/1960), tentou dar um golpe de Estado mediante o que seria uma falsa renúncia. O atentado à democracia falhou porque o Congresso Nacional, para surpresa de Quadros e conselheiros, imediatamente acatou o pedido de renúncia. Como o vice, Jango, estava na China em viagem oficial, assumiu o segundo na linha sucessória, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli (PSD-SP).
Qualquer compêndio de História do Brasil dotado de um mínimo de qualidade anotará que partiu dos reacionaríssimos ministros militares de Jânio (Odylio Denys, da Guerra; Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica; e Silvio Heck, da Marinha), derrotados em 1954 pelo gesto extremo de Getúlio Vargas, o “veto” à posse de Jango.
Consultemos, entretanto, um livro de alta qualidade. Recentemente, foi publicado o quarto volume da História do Brasil Nação: 1808-2010, coleção dirigida por Lilia Moritz Schwarcz. A historiadora encarregada de organizar esse volume, Olhando para dentro, 1930-1964, Angela de Castro Gomes, convocou para escrever sobre a Vida Política o craque Boris Fausto. Ele diz:
“Os ministros militares, filiados à corrente ultraconservadora das Forças Armadas, vetaram a volta de Goulart ao Brasil, alegando razões de segurança nacional. (…) A essa altura, é preciso considerar a conjuntura em que o novo presidente assumiu o poder, caracterizada por avanços na organização e na mobilização dos trabalhadores urbanos, de camponeses e de trabalhadores rurais. Esse quadro já permeara o governo JK, mas ganhou maior significado no governo Goulart, quando se tornou aguda a confrontação social entre os movimentos populares e setores conservadores e da extrema direita”.
A divisão ideológica foi um ingrediente, mas o pano de fundo era a luta social, que infelizmente não avançou nos últimos 50 anos como se esperava naquele tempo de grande otimismo.
Voltemos ao documentado trabalho de Carlos Chagas de que nos valemos no tópico “Jornal não ‘concordou’ com o golpe, provocou-o“, o livro O Brasil sem retoque, 1808-1964, publicado em dois volumes. Chagas acompanha o saudoso René Dreifuss (1964 – A conquista do Estado) na descrição da atividade conspiratória realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), pelo embrião do SNI, montado pelo general da reserva Golbery do Couto e Silva, e pelo Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), três instituições parceiras do Globo (e de outros jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão) na articulação do golpe.
Chagas era editor de Política do Globo na época do golpe. Escreve (o livro foi publicado em 2001) sem ranço de má vontade ou ânimo difamatório. Eis alguns trechos esclarecedores da posição dos grandes jornais favoráveis ao golpe e do Globo especificamente.
Verbas secretas
>> “O general Golbery começou a torna-se conhecido do empresariado e, mais importante, aprendeu a conhecer os empresários, a saber em quais confiar e a distingui-los dos exibicionistas, dos malandros e dos picaretas. Haroldo Polland e Jorge Behring de Mattos cuidavam especialmente das relações com os grandes donos de jornal, logo integrados no espírito da coisa”.
>> “Importantes seções do Ipes eram o GAP (Grupo de Assessoria Parlamentar), que orientava deputados e senadores, e o GOP (Grupo de Opinião Pública), cuja função era manipular a mídia. Glycon de Paiva [um dos fundadores do Ipes] chegou a dizer que ‘opinião pública era dinheiro’, e aos jornais, revistas, rádios e televisões jamais faltaram vultosas verbas de publicidade oculta, sem necessidade de publicar ou divulgar anúncios, mas apenas de seguir a linha ditada pela entidade”.
Identidade de interesses
>> “Mobilizadas, as elites tinham medo e se preparavam para resistir [ao que o autor chama de bagunça generalizada do governo Goulart]. De início, jamais para investir. Perceberam, com o tempo, que seria fácil mobilizar outros setores, a começar pela imprensa, já que os interesses dos proprietários de jornais, revistas, rádios e televisões eram os mesmos deles”.
A caravana
Chagas lista segmentos que se incorporaram à preparação do golpe: empresários urbanos e rurais. Ressentidos, idealistas, faltos de espaço. Os assustados “com o que imaginavam ser a comunização do país, preocupados com a fantasiosa ascensão das massas, se não aos privilégios, ao menos às decisões”. Os que hesitaram em se desligar do apoio à hierarquia. E acrescenta:
>> “Junto com os referidos, tinha de tudo. Aventureiros, gente bem-intencionada, religiosos, dondocas do society, intelectuais e políticos em profusão, daqueles que sentem o vento mudar antes mesmo de cessar a tempestade. E jornalistas. Foi mesmo um golpe, jamais uma revolução, como disseram depois seus artífices e, em especial, aqueles que com pouco ou nada contribuíram para sua eclosão”.
Editoriais pautavam reportagens
>> “Os jornais haviam perdido a isenção, os editoriais pautavam as reportagens. O Jornal do Brasil ainda procurava constitui-se na exceção. Carlos Castello Branco, em sua coluna política [todas as colunas de Castellinho estão disponíveis aqui], explicava ter o presidente se colocado à frente da onda para não ser tragado por ela, ou seja, radicalizara, no dia 13 [de março, quando se realizou na Central do Brasil, no Rio, o Comício das Reformas] para não ser ultrapassado pelo cunhado [Leonel Brizola] e as forças mais extremadas”.
>> “O presidente está preocupado com a mídia e, através de Jorge Serpa, pede a Nascimento Brito [dono do JB] que não seja violento nos editoriais da edição de domingo. Não é atendido, porque o editorial se intitula ‘Na ilegalidade’, e conclui: ‘O presidente não vai dar o golpe. Já deu…’ Não há como negar, a sublevação [de marinheiros, liderados pelo agente da CIA Cabo Anselmo] no Sindicato dos Metalúrgicos assustou meio mundo, na classe média, a ponto de o líder do PSD na Câmara, deputado Martins Rodrigues, conhecido por suas posições progressistas, favorável às reformas, me haver declarado na segunda-feira [30/3/1964] que ‘estavam criando um soviete na Marinha de Guerra, algo inadmissível e preocupante’. Por ordens diretas de Roberto Marinho, aquela foi a manchete da edição de O Globo de terça-feira, em oito colunas”.
Mergulhados na conspiração
>> “Os donos de jornal já se encontravam mergulhados até o pescoço na conspiração, colocando a notícia a serviço da precipitação da queda do governo. Em O Globo, poucos jornalistas sabiam da estratégia dos patrões, mas no Estado de S. Paulo a participação dos profissionais era ostensiva. Flávio Galvão tinha sido até dispensado de suas funções redacionais para dedicar-se em tempo integral à conspiração, entrosadíssimo com oficiais do Exército e da Aeronáutica. Os três filhos de Júlio de Mesquita Filho, Júlio Neto, Ruy e Carlão, participavam das démarches do pai, que sempre acompanhavam (….)”.
>> “Nesse domingo, 29, continua a peregrinação dos emissários de Magalhães Pinto [governador de Minas Gerais] no Rio. José Luís de Magalhães Lins, Oswaldo Pieruccetti e José Monteiro de Castro vão rodar 240 quilômetros, de carro, visitando, entre outros, [os generais] Castello Branco, Cordeiro de Farias, Eurico Dutra e os diretores de jornal Roberto Marinho, Nascimento Brito e Niomar Muniz Sodré”.
No dia 31 de março, “cada um dos grandes jornais, todos já posicionados e integrados no golpe, pinçariam as frases que bem entenderam para suas manchetes, acirrando ainda mais a opinião pública”.
Conjura dos poderosos
Uma palavra de Jango, dada ao Diário de Notícias no Uruguai, depois da queda, citada por Carlos Chagas, serve como fecho de mais este tópico suscitado pela manobra falsificadora da História do Globo:
>> “Caí abatido pela conjura dos poderosos que estabeleceram o controle total dos meios de difusão. Foi fácil o envenenamento da opinião pública e dos escalões intermediários das Forças Armadas”.
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Resposta velha para um Brasil novo – M.M.
Jornal não ‘concordou’ com o golpe, promoveu-o – M.M.
Analisar criticamente a afirmação “Há uma crise das direitas no Brasil” partindo da provocação feita com o trocadilho, "Crise das tortas" em relação ao artigo:"sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Direita se confundiu com extrema direita e precisa de autocrítica para superar crise, diz historiador
Por Arthur Guimarães de Oliveira / Folha de S. Paulo
Odilon Caldeira Neto analisa como campo se radicalizou e perdeu identidade política moderada
Pesquisador aponta tendência de candidatos como Marçal nas eleições para deputado de 2026
São Paulo - Há uma crise das direitas no Brasil. O campo conservador se deixou levar pela radicalização, passou a adotar a linguagem da extrema direita e viu a própria identidade política se confundir com ela.
Para Odilon Caldeira Neto, professor de história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), longe de uma tese conciliatória, a única saída para esse impasse é uma autocrítica.
Em entrevista à Folha, o pesquisador do neofascismo e da extrema direita no país revela a simbologia cifrada que esse grupo usa para se comunicar, aborda a tendência do surgimento de figuras como o influenciador Pablo Marçal nas eleições de 2026 e defende a atualização do arcabouço de mapeamento dessas entidades antidemocráticas, da leitura, da análise e da resposta institucional.
O que é extrema direita hoje e como ela se manifesta no Brasil?
A extrema direita é um universo próprio. É definida pelo culto à autoridade e autoritarismo, pela xenofobia, pelo culto ao passado, pela defesa de um tipo bem específico de nacionalidade. Sobretudo, ela é, do ponto de vista ideológico, programático, discursivo e efetivo, antidemocrática. Tem a ambição de subverter a democracia, não de reformá-la. O caso brasileiro foi muito nítido recentemente.
Quando olhamos para o caso de Jair Bolsonaro, ou daquilo que podemos eventualmente chamar de bolsonarismo, vemos um padrão histórico consolidado, mas, ao mesmo tempo, Bolsonaro, no primeiro momento, se consolidou a partir de um processo eleitoral. Na reeleição, teve uma busca por uma ruptura antidemocrática.
Então, essas categorias, por mais que sejam úteis, analiticamente, são tênues e finíssimas linhas na realidade política. Se a utilizarmos uma categoria interpretativa para o primeiro Bolsonaro, ele estaria mais no campo da direita radical. Depois, não há dúvida que é uma figura de extrema direita. Precisamos olhar para a extrema direita a partir desse jogo de passado e presente e das mutações ao longo dos anos.
O sr. balançou a cabeça quando falou de bolsonarismo. Dá para falar em bolsonarismo, como conceito?
Do ponto de vista acadêmico, está em aberto. Em alguma medida, se consolidou utilizar o bolsonarismo como uma categoria analítica, mais do que um conceito. É minimamente viável quando vamos entender como Bolsonaro consegue estabelecer um ponto de convergência entre diversos atores políticos, [como] vai amalgamar facetas diversificadas da extrema direita, da direita radical brasileira, do conservadorismo católico, do conservadorismo neopentecostal, do agronegócio, dos militares, dos antifeminismos, da misoginia. Esse universo tão plural acaba sendo involucrado pelo Bolsonaro —já não sei se é tanto pela capacidade política do próprio Bolsonaro ou não.
O mais importante é o fato de que Bolsonaro, ou o bolsonarismo, é um fenômeno da extrema direita. Do ponto de vista analítico me parece mais importante pontuar essas categorias que são menos associadas a figuras políticas eventuais. Não falamos em janismo para falar de Janio Quadros, de malufismo, do ponto de vista da academia, de eneísmo para falar de Enéas. O mais importante é uma categoria que consiga nos auxiliar a olhar o quadro de uma maneira mais ampla. Extrema direita e seus correlatos são mais úteis à curta, média e longa duração.
Com o ex-presidente preso, a tendência é que permaneçamos com o discurso extremista ou podemos pensar uma direita moderada nos próximos anos? Devemos nos acostumar com o extremismo?
Nunca podemos nos acostumar com o extremismo... Uma questão muito necessária, embora pouquíssimo provável, é a necessidade de uma autocrítica imensa das direitas brasileiras, porque o descrédito aos processos políticos eleitorais, à inviolabilidade das urnas eletrônicas antecedem… Foram naturalizados mesmo antes da ascensão de Bolsonaro. Isso, paulatinamente, se intensifica, sobretudo após o processo de chegada de Bolsonaro à liderança do campo político e, posteriormente, à eleição, levando a uma radicalização do campo conservador.
O campo conservador brasileiro começa a falar a partir de uma linguagem de extrema direita. Até a identidade política direita no Brasil se confunde com a identidade política de extrema direita. É pouco provável, mas necessário que a direita faça uma autocrítica para entender o que se perdeu, o que é necessário fazer daqui em diante. Podemos almejar esse retorno a uma normalidade. Existe uma crise das direitas no Brasil que se deixaram levar à sua própria radicalização, e é necessário que essa crise seja resolvida com uma série de autocrítica.
O sr. acredita que uma figura como Pablo Marçal pode surgir nas eleições presidenciais de 2026 ou nas proporcionais, com esse perfil digital, disruptivo?
É uma tendência, por diversas razões. Do ponto de vista majoritário, me parece pouco provável. O arranjo que se tem do campo bolsonarista é a tentativa de manter uma coesão. A estratégia política que parece estar sendo adotada por Jair Bolsonaro e pelas figuras-chave do clã Bolsonaro é uma tentativa de manutenção do poder. Neste momento, uma figura mais disruptiva, não somente para o centro nevrálgico do bolsonarismo, mas do ponto de vista estratégico, não fará frente à figura do campo bolsonarista.
Agora, se olharmos para o universo mais amplo, para o campo de deputados estaduais, federais, sem dúvida alguma vamos ter uma pulverização do repertório da extrema direita por pautas associativas das mais diversificadas, que podem estar associadas ao universo do ultraliberalismo, fazendo aceno não apenas aos expoentes do próprio campo bolsonarista, mas tendo as estratégias de figuras como Javier Milei.
A lógica do ultraliberalismo, do self-made man, que já foi tão trazida por Pablo Marçal nas eleições mais recentes, tendem a se intensificar. Do ponto de vista da política local, das pautas de identidade, das questões dos direitos reprodutivos, do conservadorismo moral e religioso, são questões mais intensificadas.
Neste ano, ganhou muita proeminência a série "Adolescência", com a questão de adolescentes usarem simbologia de red pills. Também houve o caso do vídeo do Felca, em que [foi revelado que] pedófilos usavam uma linguagem para ficar fora do radar. O sr. tem um trabalho nesse sentido [de estudo da simbologia], a Topografia do Extremismo. Existem símbolos políticos sendo usados fora do radar?
Nesse universo da radicalização online, existe um espaço de simbologia, de discurso, identidade política muito fluido. É aquilo que prefiro chamar de universo do próprio neofascismo, que transcende a política institucional. São organizações, tendências políticas que olham com absoluto descrédito e ojeriza às instituições políticas democráticas e passam a fazer tanto um resgate do passado, do nacional-socialismo, do integralismo brasileiro, do fascismo italiano, como atualizar os seus repertórios.
Logo, esses grupos anti-institucionais, esses grupelhos de extrema direita neofascista vão utilizar simbologias que estão fora do mainstream da política. Seja porque são simbologias que foram usadas há dezenas de anos no universo do fascismo histórico, seja porque vão utilizar simbologias cifradas que fazem referência a esse universo, como alguns emojis. Por exemplo, a caveira, pode significar a ideia tanto do culto à morte quanto a ideia de uma identidade do aceleracionismo, que é uma subvertente das extremas direitas mais recentes. A ideia da espada, do copo de leite, da taça de vinho, dos relâmpagos, fazendo referência, duplicado, com as SS nazista.
A legislação brasileira proíbe explicitamente a simbologia nazista, da suástica, apologia ao nazismo. Que outros símbolos e correntes de extrema direita o senhor adicionaria a esse rol?
O problema da extrema direita, como pensado no Brasil, deu conta de responder às urgências da transição democrática, quando começou a existir no Brasil a formação de um neofascismo tardio: neonazismo, neofascismo, e neointegralismo. Na atualidade existe um universo simbólico muito distinto. Será que apenas uma questão de atualização da proibição de símbolo: em vez de ter um símbolo, seria necessário ter 30 símbolos a serem proibidos? Esse é um debate, mas não se exaure dessa maneira, porque as simbologias vão sendo construídas.
É importante a manutenção e a ampliação pelos órgãos de segurança da percepção sobre a complexidade desse universo. Ou seja, mais do que fixar apenas o ponto de vista jurídico, é necessária a ampliação no cenário de mapeamento dessas entidades antidemocráticas, da leitura, da análise e da resposta institucional. Se a questão fosse solucionada exclusivamente do ponto de vista jurídico, pela discussão de quais símbolos são ou não proibidos, quais são legalizados com ressalvas, deixamos de pensar na prevenção e na leitura do fenômeno. Mas, sem dúvida, é necessário também um debate sobre a atualização dessas simbologias e olhar para casos de sucesso, como o da Alemanha e de outros países.
*Historiador, professor de história contemporânea da Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador do CNPq, é coordenador do Observatório da Extrema Direita e do Laboratório de História Política e Social da UFJF e autor de "Neofascism and the Far Right in Brazil" (Cambridge University Press, 2025) e coautor de "O Fascismo em Camisas Verdes" (FGV Editora, 2020)."
jornaldebrasilia.ofc
1 d
Há uma crise das direitas no Brasil. O campo conservador se deixou levar pela radicalização, passou a adotar a linguagem da extrema direita e viu a própria identidade política se confundir com ela.
Para Odilon Caldeira Neto, professor de história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), longe de uma tese conciliatória, a única saída para esse impasse é uma autocrítica.
📰Veja mais em nosso site, link na bio.
#jornaldebrasilia #politica #direitabrasileira #conservadorismo #extremadireita #debatepolitico #Brasil
Segue uma análise crítica que parte do trocadilho “Crise das tortas” para tensionar a afirmação “Há uma crise das direitas no Brasil”, dialogando diretamente com a provocação e com os argumentos expostos por Odilon Caldeira Neto na entrevista.
Crise das tortas: quando a direita perde o eixo
O trocadilho “Crise das tortas” funciona como mais do que um recurso retórico espirituoso. Ele sugere uma imagem precisa: algo que saiu do eixo, que perdeu o alinhamento, que já não se sustenta de forma equilibrada. Ao deslocar “direitas” para “tortas”, a provocação aponta para uma crise que não é apenas eleitoral ou conjuntural, mas identitária, simbólica e estratégica.
A afirmação de que “há uma crise das direitas no Brasil”, tal como formulada por Odilon Caldeira Neto, não descreve um enfraquecimento simples do campo conservador. Pelo contrário: trata-se de uma crise paradoxal, em que a direita cresce em presença, mas se esvazia como projeto político plural, ao se confundir progressivamente com a extrema direita.
Quando a direita vira extrema (e deixa de ser direita)
O ponto central da análise de Caldeira Neto é que a direita brasileira abdicou de sua linguagem própria. Ao adotar repertórios discursivos, simbólicos e afetivos da extrema direita — antidemocráticos, conspiratórios, autoritários — ela deixou de operar como direita liberal, conservadora ou reformista nos marcos da democracia representativa.
Essa confusão não é meramente semântica. Ela tem efeitos concretos:
a naturalização da deslegitimação das eleições;
o descrédito sistemático das instituições;
a incorporação de símbolos e códigos neofascistas;
a transformação do adversário político em inimigo moral.
Nesse sentido, a “crise das direitas” não é uma crise por falta de força, mas por excesso de radicalização. A direita não perdeu espaço porque foi derrotada; ela perdeu o centro porque decidiu abandoná-lo.
A torta como metáfora política
O trocadilho permite ir além: a “torta” é aquilo que não se apresenta frontalmente, que vem enviesado, cifrado. Essa imagem dialoga diretamente com a análise do entrevistado sobre a linguagem codificada da extrema direita, seus símbolos aparentemente banais (emojis, referências culturais, discursos de autoajuda ultraliberal) que mascaram projetos antidemocráticos.
A crise, portanto, também é cognitiva e comunicacional. Parte da direita passou a operar:
mais por afetos do que por programas;
mais por identidades ressentidas do que por propostas;
mais por performance digital do que por mediação institucional.
Figuras como Pablo Marçal, mencionadas na entrevista, são sintomas dessa lógica: não representam uma direita programática, mas uma política de si, do “empreendedor de si mesmo”, em que o ultraliberalismo se mistura ao messianismo moral e ao desprezo pelas regras do jogo democrático.
Autocrítica impossível?
Caldeira Neto aponta a autocrítica como condição necessária — ainda que improvável — para superar a crise. Aqui, o diagnóstico se torna mais duro: a crise das direitas é também uma crise de responsabilidade histórica. Reconhecer que a radicalização precede Bolsonaro, que foi naturalizada por décadas, implica admitir cumplicidades, silêncios e oportunismos.
Sem essa autocrítica, a direita permanece “torta”: incapaz de se diferenciar da extrema direita, refém de seus símbolos e de sua agenda, e prisioneira de uma lógica de mobilização permanente contra a democracia que, paradoxalmente, a sustenta.
Conclusão: não é falta de rumo, é escolha
A provocação “Crise das tortas” ajuda a revelar que a crise das direitas no Brasil não decorre de um acidente, mas de uma trajetória. A direita não se perdeu: ela escolheu se radicalizar, escolheu falar como extrema direita, escolheu tensionar os limites democráticos — e agora enfrenta o custo dessa escolha.
Enquanto não houver uma reconstrução consciente de identidade, linguagem e compromisso democrático, a direita brasileira continuará existindo, mas seguirá fora do prumo: numerosa, barulhenta e politicamente torta.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
"We'll always have Paris".
As Time Goes By (Full Song - Casablanca '42) - Humphrey Bogart - Ingrid Bergman - Classic Romance
Turner Classic Movies
13 de set. de 2018
Written by Herman Hupfeld in 1931, the song was voted No. 2 on the AFI's 100 Years...100 Songs special, commemorating the best songs in film.
As Time Goes By | From the Soundtrack to 1942 film "Casablanca" by Herman Hupfeld
SonySoundtracksVEVO
4 de out. de 2022 #Casablanca #CasablancaMusic
“As Time Goes By” from the Soundtrack to 1942 film “Casablanca”
Music by Herman Hupfeld
Listen to the soundtrack here: https://soundtracks.lnk.to/thegoldena...
Ask your voice device to play “Cinema Serenade - The Golden Age”
A frase exata "We'll always have Paris" ("Nós sempre teremos Paris") não faz parte da letra da música "As Time Goes By", mas sim de uma das falas icônicas do filme Casablanca (1942), onde a música ganhou fama mundial.
A letra da música, escrita por Herman Hupfeld em 1931, foca na natureza atemporal do amor e nos "fundamentos" da vida, que permanecem constantes apesar da passagem do tempo. No filme, a música funciona como o tema de amor do casal principal, Rick e Ilsa, evocando a nostalgia do tempo que passaram juntos em Paris.
Abaixo estão a letra original em inglês e a tradução para o português:
Fa-rai-fa-rai-da-da
Fa-rai-na-ni-na-da
You must remember this
A kiss is just a kiss
A sigh is just a sigh
The fundamental things apply
As time goes by
And when two lovers woo
They still say "I love you"
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by
Moonlight and love songs, never out of date
Hearts full of passion, jealousy and hate
Woman needs man, and man must have his mate
That, no one can deny
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by
Moonlight and love songs, never out of date
Hearts full of passion, jealousy and hate
Woman needs man, and man must have his mate
That, no one can deny
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by
Source: Musixmatch
Songwriters: Herman Hupfeld
lyrics © Wb Music Corp., Sony/atv Music Publishing (germany) Gmbh, Redwood Music Ltd., Wc Music Corp., Wintrup Musikverlage Walter Hozbauer
Para a letra completa e sua tradução, você pode visitar os links das plataformas de música, como o Letras.mus.br ou Vagalume.
Siempre nos quedara Paris
almirCCR
18 de dez. de 2006
Sueños de un seductor,Play It Again, Sam
Humphrey Bogart da unos sabios consejos a Woody allen sobre el recurrente tema de las Churris.
Transcrição
Nós Sempre Teremos Paris (Peça)
Barata Produções
9 de abr. de 2013
Uma história romântica, com toques de humor, ilustrada por grandes canções francesas
Texto: Artur Xexéo
Direção: Jacqueline Laurence
Elenco: Françoise Forton e Aloisio de Abreu
Transcrição
Casablanca 1942 - As Time Goes By (original song Dooley Wilson) #music #casablanca #piano #dooley
YOUR CLASSIC MUSIC
Estreou em 3 de out. de 2024 ГОЛЛИВУД
"As Time Goes By" is a song written by Herman Hupfeld in 1931. It became very famous in 1942 when it was sung by Sam (Dooley Wilson) in the film " Casablanca "
/ @your_classic_music
#music #casablanca #piano #dooley #film #HumphreyBogart #IngridBergman #warnerarchive #warnerbros
Casablanca is a 1942 Hollywood romantic drama film directed by Michael Curtiz and starring Humphrey Bogart and Ingrid Bergman . The film is set at the beginning of World War II in the Moroccan city of Casablanca , then under the control of Vichy France. The plot focuses on the internal conflict of a man who must choose between duty and love , between the woman he loves and the need to help her and her husband, the leader of the Resistance movement , escape from Casablanca to continue the fight against the Nazis.
Although Casablanca was created as an A-movie, with famous actors and first-rate scriptwriters, no one expected to achieve exceptional results
and indeed, the first screenings brought a solid, but not spectacular success. It was considered to be one of dozens of run-of-the-mill films churned out in Hollywood every year . The film was quickly released to take advantage of the resonance surrounding the Casablanca Conference of the Allies and the landing of troops in North Africa , which took place a few weeks before the film's premiere and was still fresh in the minds of audiences.
Despite multiple changes of screenwriters who were trying to adapt a play that had not yet been staged for the big screen, and despite the fact that it was Bogart's first romantic role, Casablanca won three Oscars , including Best Picture . The American Film Institute declared the film the best American romantic comedy of all time .
The characters, dialogue, and music became some of the most beloved by Americans, and the film's popularity grew to such a scale that it is still often named among the best films in Hollywood history.
The film's premiere was timed to coincide with the city of Casablanca making headlines in the United States: in November 1942, the Allied forces occupied Casablanca, and in January 1943, Roosevelt and Churchill met there . Given this circumstance, Warner Brothers decided not to postpone the film's premiere. However, American soldiers in North Africa did not see it: the authorities did not want to provoke the numerous supporters of the Vichy regime in the French colonies.
Casablanca was the seventh-largest film in the U.S. box office in 1943, but its appeal was not in its box office receipts or Academy Awards , or even its artistic originality (just compare Casablanca to Orson Welles's Citizen Kane ). Its strength was its timeliness, a reflection of Hollywood's ability to create movie magic despite its near- assembly-line production. Rick Blaine's reluctance to take risks for anyone was a metaphor for American society's attitude toward World War II, which was expressed in the isolationist policies that prevailed before Pearl Harbor . And the change that Rick experienced by the end of the film was symbolic of the change in American sentiment after the declaration of war.
Orquesta Típica Víctor-Angel Vargas - Adiós Buenos Aires (1938)
N
Alejandro Rodriguez - acringen -
7 de abr. de 2012
Orquesta Típica Victor con Angel Vargas, un tiempo antes de ingresar en la Orquesta de D'Agostino
Casablanca . Siempre nos quedará París [1080p]
Marie Henri Beyle
27 de nov. de 2012
Partiendo de la obra teatral nunca estrenada Everybody Comes To Rick's, de Murray Burnett y Joan Alison, Michael Curtiz comienza a rodar en mayo del 41 la que es considerada por muchos como la mejor película de historia del cine. Plagada de situaciones tan inolvidables que incluso personas que jamás han tenido la oportunidad o las ganas de ver la cinta serán capaces de narrarlas como si efectivamente lo hubieran hecho, su escena final sobresale por encima de todas las demás e impacta con dramatismo en todos aquellos espectadores que esperan un final feliz, mostrando sin embargo aquella realidad descarnada que implica toda crónica de desamor que se precie.
http://cinemasheaven.blogspot.com/ - Desde el cielo del cine
Transcrição
A frase icônica do filme "Casablanca", dita originalmente em inglês como "We'll always have Paris", tem sua versão em espanhol dublado popularizada como "Siempre nos quedará París".
Você pode encontrar o clipe ou a cena final do filme com essa dublagem no YouTube. Abaixo estão links que levam a vídeos com a versão em espanhol:
Cena final de "Casablanca" dublada em espanhol: Casablanca . Siempre nos quedará París [1080p]
Outro clipe com a frase: Siempre nos quedara Paris
Esses vídeos mostram o diálogo exato em que Rick Blaine (Humphrey Bogart) fala a frase para Ilsa Lund (Ingrid Bergman) na despedida.
ROTEIRO INTRODUTÓRIO – “WE’LL ALWAYS HAVE PARIS”
[ABERTURA]
Imagem em preto e branco. Um piano começa a tocar suavemente. As primeiras notas de As Time Goes By ecoam como uma lembrança distante.
NARRADOR (V.O.)
Poucas frases atravessaram o tempo com tanta força quanto: “We’ll always have Paris.”
Não é apenas uma fala de cinema — é um símbolo de amor, renúncia e memória.
[TRANSIÇÃO]
Corte para cenas de Casablanca (1942). Rick Blaine e Ilsa Lund. Olhares que dizem mais do que palavras.
NARRADOR (V.O.)
Lançado em plena Segunda Guerra Mundial, Casablanca transformou uma história de despedida em um mito eterno do cinema. Entre escolhas impossíveis e sentimentos contidos, nasceu uma das maiores histórias de amor já filmadas.
[MÚSICA EM DESTAQUE]
O piano ganha protagonismo.
NARRADOR (V.O.)
Escrita em 1931 por Herman Hupfeld, As Time Goes By não menciona Paris em seus versos. Ainda assim, tornou-se inseparável da cidade, do filme e da lembrança do amor vivido e perdido. No cinema, a canção passou a representar aquilo que o tempo não apaga: os fundamentos do amor.
[CONTEXTO CULTURAL]
Imagens de diferentes interpretações, trilhas sonoras, versões orquestrais.
NARRADOR (V.O.)
Da performance inesquecível de Dooley Wilson ao piano, às releituras modernas, a música atravessou décadas, idiomas e gerações — sempre carregando nostalgia, esperança e melancolia.
[ECO DA FRASE]
A frase aparece em diferentes línguas:
We’ll always have Paris.
Siempre nos quedará París.
Nós sempre teremos Paris.
NARRADOR (V.O.)
Mais do que uma frase, Paris torna-se um lugar da memória. Um refúgio emocional onde o amor continua existindo, mesmo quando a realidade exige a separação.
[ENCERRAMENTO]
Fade lento. O piano se despede.
NARRADOR (V.O.)
Esta sequência de conteúdos é um convite para revisitar Casablanca, sua música, suas palavras e seu legado.
Porque, enquanto houver cinema, amor e lembranças…
nós sempre teremos Paris.
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