Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Linguagem, ética e responsabilidade institucional
"A questão suscita questionamentos éticos em relação aos ministros do STF envolvidos no caso e desgasta a mais alta Corte do país. Isso fragiliza o coração dos sistemas jurídico e financeiro do país: o Supremo e o Banco Central."
Ética, Responsabilidade social e Governança corporativa
" Linguagem, ética e responsabilidade institucional
O artigo “Master, ameaça sistêmica à superestrutura financeira e jurídica do país” suscita — no sentido rigoroso e correto do verbo — um debate que ultrapassa o caso concreto e alcança o modo como a sociedade brasileira enfrenta temas sensíveis que envolvem o Estado de Direito, a democracia, a ética pública e a estabilidade institucional.
Convém destacar, desde logo, a importância da precisão linguística nesse contexto. Suscitar não é forma intercambiável com sucitar , nem deriva de súscia . Trata-se de verbo consagrado, oriundo do latim suscitāre , que significa provocar, fazer emergir questionamentos no plano abstrato. Essa distinção não é mero preciosismo vocabular: ela delimita com clareza o alcance do debate e impede que o discurso público se torne impreciso, inflamado ou instrumentalizado.
Ao analisar a decisão do Supremo Tribunal Federal no caso Banco Master, o artigo cumpre papel relevante ao demonstrar que, embora processualmente defensável, a atuação do STF desloca a Corte para o epicentro de uma crise bancária ainda em investigação, com potenciais efeitos corrosivos sobre dois pilares centrais da ordem institucional brasileira: o próprio Supremo Tribunal Federal e o Banco Central. O desgaste institucional, nesse sentido, não decorre necessariamente de ilegalidades, mas da percepção pública de sobreposição entre investigação criminal, regulação financeira e protagonismo político-jurídico.
Em tempos nos quais proliferam “jornalismos de guerra”, frequentemente conduzidos por profundos conhecedores da linguagem, mas nem sempre comprometidos com sua função pacificadora, o texto se destaca por adotar um tratamento analítico, histórico e institucionalmente responsável. Ao recuperar a experiência do Proer e contextualizar o maior resgate já realizado pelo Fundo Garantidor de Créditos, o artigo reafirma que a estabilidade do sistema financeiro e a credibilidade das instituições dependem de discrição técnica, previsibilidade regulatória e separação clara de funções.
Mais do que informar, o artigo contribui para um debate público desarmado, no qual a crítica não se confunde com ataque, e a análise não se converte em espetáculo. Em uma democracia madura, temas que afetam a sociedade como um todo devem ser enfrentados com limpidez de linguagem, sobriedade institucional e compromisso com a verdade — não como trincheiras discursivas, mas como espaços de reflexão orientados à preservação da paz social e da confiança nas instituições."
Lero Lero
Edu Lobo
Sou brasileiro de estatura mediana
Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer
Porque no amor quem perde quase sempre ganha
Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder
Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém
Sou descansado, minha vida eu levo a muque
Do batente pro batuque faço como me convém
Eu sou poeta e não nego a minha raça
Faço versos por pirraça e também por precisão
De pé quebrado, verso branco, rima rica
Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução
Sou brasileiro, tatu-peba taturana
Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor
Quatro vez sete vinte e oito nove´s fora
Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor
Não entro em rifa, não adoço, não tempero
Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás
Por onde passo deixo rastro, deito fama
Desarrumo toda a trama, desacato satanás
Brasileiro de estatura mediana
Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer
Porque no amor quem perde quase sempre ganha
Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder
Diz um ditado natural da minha terra
Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá
Desacredito no azar da minha sina
Tico-tico de rapina, ninguém leva o meu fubá
Composição: Edú Lobo / Cacaso.
TRANSCRIÇÃO DO ARTIGO (conforme enviado pelo leitor)
Master, ameaça sistêmica à superestrutura financeira e jurídica do país
Publicado em 26/12/2025 – 08:20
Luiz Carlos Azedo – Brasília
Comunicação, Economia, Ética, Justiça, Memória, Política
Ao entrar no coração de uma crise bancária ainda em investigação, o STF corre o risco de ser associado não à solução, mas à amplificação do problema.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para suspender a acareação determinada no caso do Banco Master e manteve a audiência entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Esse procedimento é utilizado em investigações policiais e processos judiciais para confrontar pessoas que apresentaram versões diferentes sobre os mesmos fatos.
A PGR concordou que a acareação até poderia ser feita, em momento que pudesse, de fato, ser útil às investigações. Não é um caso trivial. O Banco Master é um iceberg que coloca em risco a estabilidade e a confiança no sistema financeiro brasileiro, fundamental para a estabilidade da economia desde a adoção do Proer. A questão suscita questionamentos éticos em relação aos ministros do STF envolvidos no caso e desgasta a mais alta Corte do país. Isso fragiliza o coração dos sistemas jurídico e financeiro do país: o Supremo e o Banco Central.
A acareação, apesar da resistência da PGR, projeta seus efeitos sobre dois pilares centrais da ordem institucional brasileira: a imagem do Supremo Tribunal Federal e a confiança no sistema financeiro regulado pelo Banco Central. Pela envergadura do problema, que envolve bilhões e bilhões e as principais instituições financeiras do país, o caso se tornou um risco sistêmico. De ofício, sem provocação da Polícia Federal ou da PGR, a acareação envolve os dois investigados centrais, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, e um alto funcionário da autoridade supervisora, Ailton de Aquino, que não é investigado.
Do ponto de vista estritamente processual, a decisão é defensável. Do ponto de vista institucional, porém, ela desloca o Supremo para o epicentro de uma crise na qual se cruzam investigação criminal, regulação financeira e expectativas de estabilidade sistêmica. O caso Master já produziu um abalo no sistema financeiro ao consumir cerca de R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Cerca de 1,6 milhão de investidores deverão ser ressarcidos. O FGC tem R$ 122 bilhões em recursos líquidos. Foi o maior resgate de sua história, superando episódios emblemáticos como Bamerindus, Banco Nacional e Banco Econômico. O artigo recupera o papel do Proer nos anos 1990 e alerta para o risco de desgaste institucional quando o Supremo se coloca como protagonista de uma crise que exige discrição técnica e coordenação institucional, reafirmando que sua função constitucional é a de guardião das regras, não de ator central do conflito.
RESUMO (PORTUGUÊS)
A precisão conceitual do verbo suscitar, derivado do latim suscitāre (provocar, fazer emergir), é fundamental para delimitar o debate proposto. À luz dessa distinção, o artigo analisa o caso Banco Master e sustenta que a decisão do STF de manter a acareação, embora processualmente defensável, suscita questionamentos éticos e contribui para o desgaste institucional da Corte. Ao deslocar-se para o centro de uma crise bancária ainda em investigação, o Supremo passa a impactar também a credibilidade do Banco Central. O resgate de cerca de R$ 41 bilhões pelo FGC evidencia que o risco deixa de ser apenas financeiro e assume caráter institucional. A experiência do Proer é retomada para defender a separação clara entre investigação, regulação e protagonismo político-jurídico, condição essencial para a preservação da confiança democrática.
ABSTRACT (ENGLISH)
Conceptual precision regarding the verb suscitar, derived from the Latin suscitāre (to provoke or bring forth), is essential to frame the argument. Based on this clarity, the article examines the Banco Master case and argues that the Brazilian Supreme Federal Court’s decision to uphold a confrontation hearing—while procedurally defensible—raises ethical concerns and contributes to institutional erosion. By positioning itself at the center of an ongoing banking crisis, the Court affects not only its own credibility but also that of the Central Bank. The approximately R$ 41 billion bailout by the Credit Guarantee Fund transforms the episode into an institutional risk. Drawing on the 1990s Proer experience, the article defends a clear separation between criminal investigation, financial regulation, and political-judicial protagonism as essential to preserving democratic trust.
CARTA AO LEITOR
Linguagem, ética e responsabilidade institucional
O artigo sobre o caso Banco Master suscita — no sentido rigoroso do termo — um debate que ultrapassa os fatos imediatos e alcança o Estado de Direito, a ética pública e a estabilidade institucional. Ainda que processualmente defensável, a decisão do STF projeta a Corte para o centro de uma crise bancária em investigação, com efeitos potenciais sobre a credibilidade do próprio Supremo e do Banco Central.
Em tempos de “jornalismos de guerra”, é especialmente relevante a adoção de uma linguagem analítica, sóbria e desarmada. A crítica institucional não deve se converter em ataque, nem a investigação em espetáculo. Temas que afetam toda a sociedade exigem clareza conceitual, separação de funções e compromisso com a verdade — não para inflamar conflitos, mas para preservar a democracia e a paz social.
Assina:
Um cidadão brasileiro, de estatura comum, que acredita que, nos afetos e na vida pública, perder disputas pode significar ganhar consciência — ainda que isso pareça estranho.
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Salvador e Belo Horizonte de luto por duas mulheres de luta
Salvador e Belo Horizonte despedem-se de duas mulheres cuja trajetória marcou profundamente a vida cultural, religiosa e social do Brasil: Mãe Carmen de Oxalá, ialorixá do Terreiro do Gantois, e Teuda Bara, atriz e fundadora do Grupo Galpão. Suas mortes recentes deixam um legado de resistência, arte, espiritualidade e compromisso com a comunidade.
Mãe Carmen de Oxalá
Morreu na madrugada de sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, aos 96 anos, em Salvador, Mãe Carmen de Oxalá (Carmen Oliveira da Silva), filha caçula de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências do candomblé no Brasil. Ela estava internada no Hospital Português, em decorrência de complicações de saúde após um quadro gripal.
Mãe Carmen foi a sexta sacerdotisa a liderar o Terreiro do Gantois, função que exerceu por mais de duas décadas, desde 2002. Sua atuação foi marcada pelo cuidado com a comunidade, pela preservação da memória do terreiro e pela firme defesa das tradições ancestrais do candomblé. Guardiã de uma linhagem histórica, dedicou sua vida à continuidade espiritual, cultural e social do Gantois, símbolo de resistência religiosa e identidade afro-brasileira.
Teuda Bara
Em Belo Horizonte, faleceu na quinta-feira, 25 de dezembro de 2025, aos 84 anos, a atriz Teuda Bara (Teuda Magalhães Fernandes), uma das fundadoras do Grupo Galpão, referência nacional e internacional do teatro brasileiro. Internada desde o dia 14 de dezembro, Teuda morreu em decorrência de complicações infecciosas.
Figura central da cena teatral mineira e brasileira, Teuda Bara construiu uma carreira marcada pela entrega artística, pela pesquisa cênica e pela relação direta com o público. Além do trabalho no Galpão, participou de produções para o cinema e a televisão, com destaque para o filme O Palhaço e a novela Meu Pedacinho de Chão. O velório foi realizado no Palácio das Artes, espaço emblemático da cultura mineira.
Um legado comum
Embora atuassem em campos distintos, Mãe Carmen de Oxalá e Teuda Bara compartilharam uma mesma essência: a dedicação à coletividade, a valorização da tradição e a coragem de sustentar, cada uma à sua maneira, espaços de identidade, criação e pertencimento. Salvador e Belo Horizonte se unem no luto por duas mulheres de luta, cuja presença seguirá viva na memória cultural e espiritual do país.
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