Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sábado, 20 de dezembro de 2025
Em espírito
O presente perfeito. Fácil de embrulhar, não quebra, não tem problema de ficar curto ou apertado, não estraga fora da geladeira e, ainda por cima, vem numa faixa enorme de preços, que cabe em todos os bolsos: livro! Vamos à nossa lista.
Martha Batalha: Carta ao Papai Noel
Joaquim Ferreira dos Santos: Aqui ninguém vai falar mal do Rio, mas...
O mais inesperado: Em maio, recomendei “Orbital” (DBA, tradução de Antonio Scandolara), de Samantha Harvey, para o Dia das Mães. Fiquei em dúvida se recomendava de novo agora, mas pais, primos, irmãos, amigos e todo mundo que não é mãe também merece a chance de ler essa extraordinária meditação sobre a fragilidade humana e a beleza do mundo.
O mais terno: Uma família de imigrantes italianos se instala em Mar del Plata na virada do século passado e ali inventa um tipo de massa que faz o sucesso da sua trattoria. Romance da argentina Virginia Higa (Autêntica Contemporânea, tradução de Sílvia Ornelas), “Os Sorrentino” é enxuto, delicado e surpreendentemente afetuoso, uma daquelas leituras que ficam na memória (e no coração) durante muito, muito tempo.
O mais intenso: Num intervalo de oito meses, Diogo Mainardi perdeu pai, mãe e irmão — e transformou o luto numa fotonovela, “Meus mortos” (Record). As imagens o acompanham por Veneza em passeios com o cão e dialogam com reflexões sobre arte, vida e morte. Polêmico quando escreve sobre política, Mainardi é um dos autores brasileiros mais originais e desassombrados ao observar a própria vida. Ele merece ser lido por gente de todos os quadrantes ideológicos.
José Eduardo Agualusa: Manual de desorientação
O mais comovente: Edmund de Waal escreveu “Cartas para Camondo” (Intrínseca, tradução de Alessandra Esteche) como um conjunto imaginário de cartas ao barão Moise de Camondo, um dos grandes colecionadores da Belle Époque. O projeto não tem a ambição de “A lebre com olhos de âmbar”, mas é igualmente tocante. Mais uma vez o autor parte de objetos para reconstituir o esplendor e a fragilidade das grandes famílias judaicas europeias, e o seu sonho frustrado de assimilação pela arte e pela filantropia. O tom sereno do início engana — sob a elegância da memória preservada emerge a longa e persistente história do antissemitismo francês.
O mais engraçado: Não sei se “A patroa”, de Hannelore Gayre (Dublinense, tradução de Diego Grando), é noir ou fábula moral ao contrário; seja o que for, é um policial deliciosamente fora do padrão. Patience Portefeux traduz escutas em árabe para a Justiça francesa, paga as contas das filhas adultas e sustenta a mãe num asilo caro — até o dia em que descobre, antes de todo mundo, o caminho de uma carga de haxixe. Ela não pensa duas vezes e vira uma mulher de negócios.
O mais lindo: Ler mangás não é do gosto de todo mundo, a começar pelo fato de que se abre o livro ao contrário; este, porém, é um detalhe menor diante do encanto de “Gatos do Louvre”, de Taiyo Matsumoto (JCB, tradução de Naguisa Kushihara), que acompanha um grupo de felinos mágicos pelos corredores do museu. A narrativa é contida, a arte espetacular.
O mais cosmopolita: “Geografia do tempo”, de Ary Quintella (Andrea Jakobsson Estúdio), é um livro sobre leitura, viagem e curiosidade como modo de estar no mundo. Diplomata e leitor voraz, ele escreve a partir de uma biblioteca muito pessoal, em que os livros se relacionam uns com os outros — e com cidades, museus, teatros e cemitérios. Com erudição e sem exibicionismo, Quintella transforma a alta cultura em conversa contínua, guiada pelo prazer de ler, olhar e seguir adiante.
Mais livros na semana que vem.
Cora Rónai
Livros para o Natal
Aqui vão algumas sugestões de presentes que são fáceis de embrulhar, não quebram e não estragam quando ficam fora da geladeira
Livros para o Natal
Há 3 diasCora Rónai
“Eu prefiro esse daqui, que ninguém conhece.”
Robertinho Silva — percussionista internacional brasileiro, no Retiro dos Artistas.
“A piedade é a irmã mais velha que sensibiliza, educando sua irmã mais nova: a caridade.”
De imperador e imperatriz.
Aprenda tocar pandeiro com Robertinho Silva - www.batuke.com.br
Roberto de Moura
1 de abr. de 2013
O músico Robertinho Silva demonstra toda sua técnica de tocar pandeiro em seu site dedicado a percussão brasileira.
Junto com a vídeo aula mais de 5 videos complementares com exercícios para o desenvolvimento de uma forma singular de tocar.
Transcrição
“Mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.” — Paulo. (ROMANOS, 8.13)
1 Quem vive, segundo as leis sublimes do Espírito, respira em Esfera diferente do próprio campo material em que ainda pousa os pés.
2 Avançada compreensão assinala-lhe a posição íntima.
3 Vale-se do dia qual aprendiz aplicado que estima na permanência sobre a Terra valioso tempo de aprendizado que não deve menosprezar.
4 Encontra, no trabalho, a dádiva abençoada de elevação e aprimoramento.
5 Na ignorância alheia, descobre preciosas possibilidades de serviço.
6 Nas dificuldades e aflições da estrada, recolhe recursos à própria iluminação e engrandecimento.
7 Vê passar obstáculos, como vê correr nuvens.
8 Ama a responsabilidade, mas não se prende à posse.
9 Dirige com devotamento, contudo, foge ao domínio.
10 Ampara sem inclinações doentias.
11 Serve sem escravizar-se.
12 Permanece atento para com as obrigações da sementeira, todavia, não se inquieta pela colheita, porque sabe que o campo e a planta, o sol e a chuva, a água e o vento pertencem ao Eterno Doador.
13 Usufrutuário dos bens divinos, onde quer que se encontre, carrega consigo mesmo, na consciência e no coração, os próprios tesouros.
14 Bem-aventurado o homem que segue vida a fora em Espírito! Para ele, a morte aflitiva não é mais que alvorada de novo dia, sublime transformação e alegre despertar!
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Pão Nosso #082 - Em espírito
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 14 de fev. de 2023
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Transcrição
82
Em espírito
A Proposição Imperativa como Educação do Bem
Linguagem, ética e formação humana inspiradas em Pestalozzi e Eurípedes Barsanulfo
No campo da educação, há momentos em que a gramática ultrapassa o domínio técnico da língua e se transforma em instrumento de formação moral. É nesse horizonte que se insere a aula sobre a proposição imperativa, trabalhada não apenas como conteúdo linguístico, mas como prática viva de valores, especialmente na íntima relação entre piedade e caridade, compreendidas como espécies elevadas do bem.
O imperativo, enquanto gênero de proposição, é aquele que orienta a ação. Tradicionalmente associado à ideia de comando, ele revela, quando observado com maior profundidade, uma diversidade de espécies funcionais: ordenar, invocar, postular e convidar. Cada uma delas corresponde a uma forma distinta de chamar o outro à ação, variando em intensidade, intenção e abertura ao diálogo.
Quando aplicado à educação ética, o imperativo deixa de ser imposição e passa a ser convite à consciência. Assim, a aula propõe compreender a piedade como a capacidade de perceber o sofrimento alheio, acolhendo a fragilidade humana com sensibilidade e respeito, e a caridade como a ação concreta que transforma essa percepção em gesto solidário. Piedade vê; caridade age. Uma prepara o caminho da outra.
Nesse contexto, as espécies do imperativo ganham sentido formativo:
Ordenar, quando necessário, orienta para o bem comum com responsabilidade ética: Respeite quem sofre. Proteja os mais vulneráveis.
Invocar apela à consciência e desperta empatia: Olhe com atenção para quem precisa.
Postular propõe ações de forma reflexiva e respeitosa: Considere ajudar. Avalie como pode colaborar.
Convidar engaja livremente o sujeito na prática do bem: Participe. Venha cuidar.
A proposta pedagógica culmina em atividade prática, na qual estudantes identificam situações reais de necessidade em seu meio e formulam imperativos adequados a cada contexto. Desse modo, a linguagem deixa de ser abstrata e se torna experiência ética aplicada, unindo reflexão, sentimento e ação.
Avaliada à luz de uma pedagogia humanista e espiritualizada — como a que marcou a trajetória de Eurípedes Barsanulfo, no Colégio Allan Kardec, inspirada nos ensinamentos de Pestalozzi — a aula revela méritos significativos. O método parte da vida concreta para alcançar o conceito, educando simultaneamente a inteligência, o coração e a vontade. Respeita-se a diversidade das almas, reconhecendo que nem todos respondem ao mesmo tom de imperativo, e que educar é discernir a palavra justa para cada momento.
Destaca-se, ainda, o clima dialógico e fraterno que a proposta favorece. O estudante não é constrangido, mas chamado à reflexão e à escolha consciente do bem. A palavra que convida educa mais profundamente do que a que apenas ordena, embora a ordem justa também tenha seu lugar quando inspirada pelo amor e pela responsabilidade coletiva.
Como síntese, pode-se afirmar que a proposição imperativa, assim trabalhada, deixa de ser apenas um tópico gramatical e se converte em instrumento de formação humana. Ensina-se, ao mesmo tempo, a estrutura da língua e o imperativo maior da vida moral: perceber o outro com piedade e agir com caridade.
Educar, nesse sentido, é ajudar cada consciência a reconhecer que o verdadeiro imperativo não se impõe de fora, mas nasce de dentro, quando a linguagem se alia ao bem e a palavra se transforma em ação solidária.
Ao final, compreende-se que o imperativo mais formador nem sempre se anuncia em voz alta. Muitas vezes, ele se revela em gestos simples e escolhas discretas, como na fala do percussionista brasileiro Robertinho Silva, no Retiro dos Artistas:
“Eu prefiro esse daqui, que ninguém conhece.”
Sem ordenar, a frase convida. Sem impor, educa. Há nela um imperativo implícito que valoriza o que é pequeno, esquecido ou silencioso, despertando a sensibilidade antes da ação.
É nesse mesmo movimento que se inscreve a afirmação:
“A piedade é a irmã mais velha que sensibiliza, educando sua irmã mais nova: a caridade.”
A piedade reconhece; a caridade realiza. Entre ambas, a linguagem cumpre sua função mais alta: transformar percepção em gesto, palavra em prática do bem.
De imperador e imperatriz — metáfora que encerra este percurso — nasce o imperativo entendido não como domínio, mas como responsabilidade moral. Assim, a educação revela seu sentido mais profundo: formar consciências capazes de ouvir o chamado do bem e responder a ele com liberdade, lucidez e cuidado.
MPB Compositores CD30 Geraldo Pereira
Acervo da Música Brasileira
26 de ago. de 2020
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Música
Ao fim, o imperativo que verdadeiramente educa não grita: convida. Ele se manifesta em escolhas discretas, como na afirmação do percussionista brasileiro Robertinho Silva, hoje residente no Retiro dos Artistas, ao preferir “esse daqui, que ninguém conhece”. Sem ordenar, a frase orienta; sem impor, forma. Há nela um imperativo implícito que valoriza o invisível e desperta a consciência para o bem silencioso, confirmando que a piedade reconhece e a caridade realiza. Assim, de imperador e imperatriz nasce um imperativo ético que não domina, mas responsabiliza, transformando linguagem em gesto humano e educação em prática solidária. Fonte e contexto: Retiro dos Artistas — instituição dedicada ao cuidado de profissionais da cultura — e depoimento público de Robertinho Silva, referência internacional da percussão brasileira (retirodosartistas.org.br; robertinhosilvaoficial). Vídeo disponível para busca e acesso em: https://www.instagram.com/reel/C71d-Gdg6ji/
A piedade
17. A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que vos conduz a Deus. Ah! deixai que o vosso coração se enterneça ante o espetáculo das misérias e dos sofrimentos dos vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que lhes derramais nas feridas e, quando, por bondosa simpatia, chegais a lhes proporcionar a esperança e a resignação, que encanto não experimentais! Tem um certo amargor, é certo, esse encanto, porque nasce ao lado da desgraça; mas, não tendo o sabor acre dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio que estes últimos deixam após si. Envolve-o penetrante suavidade que enche de júbilo a alma. A piedade, a piedade bem sentida é amor; amor é devotamento; devotamento é o olvido de si mesmo e esse olvido, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o divino Messias e ensinou na sua doutrina tão santa e tão sublime.
Quando esta doutrina for restabelecida na sua pureza primitiva, quando todos os povos se lhe submeterem, ela tornará feliz a Terra, fazendo que reinem aí a concórdia, a paz e o amor.
O sentimento mais apropriado a fazer que progridais, domando em vós o egoísmo e o orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade! piedade que vos comove até às entranhas à vista dos sofrimentos de vossos irmãos, que vos impele a lhes estender a mão para socorrê-los e vos arranca lágrimas de simpatia. Nunca, portanto, abafeis nos vossos corações essas emoções celestes; não procedais como esses egoístas endurecidos que se afastam dos aflitos, porque o espetáculo de suas misérias lhes perturbaria por instantes a existência álacre. Temei conservar-vos indiferentes, quando puderdes ser úteis. A tranqüilidade comprada à custa de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do mar Morto, no fundo de cujas águas se escondem a vasa fétida e a corrupção.
Quão longe, no entanto, se acha a piedade de causar o distúrbio e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Sem dúvida, ao contacto da desgraça de outrem, a alma, voltando-se para si mesma, experimenta um confrangimento natural e profundo, que põe em vibração todo o ser e o abala penosamente. Grande, porém, é a compensação, quando chegais a dar coragem e esperança a um irmão infeliz que se enternece ao aperto de uma mão amiga e cujo olhar, úmido, por vezes, de emoção e de reconhecimento, para vós se dirige docemente, antes de se fixar no Céu em agradecimento por lhe ter enviado um consolador, um amparo. A piedade é o melancólico, mas celeste precursor da caridade, primeira das virtudes que a tem por irmã e cujos benefícios ela prepara e enobrece. – Miguel. (Bordéus, 1862.)
A Piedade na visão de Jean-Jacques Rousseau
A piedade é um sentimento natural, que, moderando em cada indivíduo a atividade do amor de si próprio, concorre para a conservação mútua de toda a espécie.
É ela que nos leva sem reflexão em socorro daqueles que vemos sofrer; é ela que, no estado de natureza, faz as vezes de lei, de costume e de virtude, com a vantagem de que ninguém é tentado a desobedecer à sua doce voz; é ela que impede todo o selvagem robusto de arrebatar a uma criança fraca ou a um velho enfermo a sua subsistência adquirida com sacrifício, se ele mesmo espera poder encontrar a sua alhures; é ela que, em vez desta máxima sublime de justiça raciocinada, faz a outrem o que queres que te façam, inspira a todos os homens esta outra máxima de bondade natural, bem menos perfeita, porém mais útil, talvez, do que a precedente: faz o teu bem com o menor mal possível a outrem.
Em uma palavra, é nesse sentimento natural, mais do que em argumentos sutis, que é preciso buscar a causa da repugnância que todo o homem experimentaria em fazer mal, mesmo independentemente das máximas da educação.
Embora possa competir a Sócrates e aos espíritos da sua têmpera adquirir a virtude pela razão, há muito tempo que o gênero humano não mais existiria se a sua conservação tivesse dependido exclusivamente dos raciocínios dos que o compõem.
(Jean-Jacques Rousseau - Fonte: http://www.citador.pt/textos/a-piedade-jean-jacques-rousseau)
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Postado por Berenice Ribeiro às 19:01
Marcadores: Comportamento, Opinião
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
A piedade - O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XIII - Item 17 - ENL 26/06/2023
Canal CEIC
Transmitido ao vivo em 26 de jun. de 2023 Evangelho no Lar Online
"Um momento de reflexão e oração para harmonizar nosso lar.""
Esse é o EVANGELHO NO LAR ONLINE do Centro Espírita Ildefonso Correia! 🙌🏡🙏
Esperamos você e sua família para nos unirmos em pensamento.
Todo dia às 21:50h no CanalCEIC no YouTube e Facebook."
Capítulos
Sua capacidade é fantástica.
O seu entendimento progride
com o exercício da mente.
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