Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
ACORDO UMBILICAL ENTRE PODERES
FELIZ TRAVESSIA 2026-2027
Elis Regina - Travessia
Elis Regina Montreux 1979 '' Rebento ''
Rebento (Alternative Version)
Elis Regina
Um Dia
ACORDO UMBILICAL, OU: COMO O BRASIL ATRAVESSA O ANO SEM ROMPER O CORDÃO
Epígrafe
“A vida não é para ser entendida, é para ser atravessada.”
— João Cabral de Melo Neto (paráfrase conceitual)
Resumo
Este artigo propõe uma leitura da política brasileira na transição de 2025 para 2026 a partir da metáfora do “acordo umbilical” entre antagonismos políticos. Sustenta-se que a democracia brasileira não sobreviveu apesar da polarização, mas por meio dela, ainda que ao custo de exaustão simbólica, empobrecimento programático e dependência estrutural do orçamento como centro gravitacional do poder. A partir da noção de simbiose por antagonismo, o texto articula análise política, metáfora biológica e herança literária pernambucana para refletir sobre governabilidade, medo eleitoral e a dificuldade histórica de romper ciclos sem trauma. O texto encerra com sugestões para 2026 e projeções críticas para 2027, entendida como gestação política pós-parto eleitoral.
Abstract (EN)
This article analyzes Brazil’s political transition from 2025 to 2026 through the metaphor of an “umbilical agreement” sustaining antagonistic forces. It argues that Brazilian democracy has survived not despite polarization, but because of it—at the cost of political fatigue, narrative impoverishment, and fiscal centrality as the true locus of power. Drawing from political analysis and Brazilian literary tradition, the text reflects on governance, fear-driven elections, and the challenge of achieving rupture without institutional trauma. It concludes with forward-looking considerations for 2026 and structural risks gestating toward 2027.
Samenvatting (NL)
Dit artikel onderzoekt de Braziliaanse politieke overgang van 2025 naar 2026 via de metafoor van een “navelstreng-overeenkomst” tussen antagonistische machten. Het betoogt dat de democratie niet ondanks, maar dankzij polarisatie standhield—tegen de prijs van institutionele vermoeidheid en begrotingsafhankelijkheid. Politieke analyse wordt gecombineerd met literaire verwijzingen om vooruit te kijken naar de verkiezingen van 2026 en de risico’s die zich richting 2027 vormen.
Résumé (FR)
Cet article analyse la transition politique brésilienne de 2025 à 2026 à travers la métaphore d’un « accord ombilical » reliant des forces antagonistes. Il soutient que la démocratie a survécu grâce à la polarisation, mais au prix d’une fatigue institutionnelle et d’un appauvrissement du débat public. L’analyse mêle politique et héritage littéraire pour envisager les défis de 2026 et les tensions déjà en gestation pour 2027.
1. 2025 NÃO TERMINA: APENAS MUDA DE MÃO
Não é um fim de ano — é uma passagem de bastão sem fogos.
O Brasil atravessa 2025 como quem cruza um canavial ao amanhecer: nada ruiu, nada se assentou. A democracia segue viva, mas cansada; respira curto, apoiada mais em fricção institucional do que em consenso político.
[Link sugerido]
Artigo de Luiz Carlos Azedo – “2025: Democracia mostra resiliência em meio à fricção entre Poderes” (Correio Braziliense)
A tentativa de ruptura institucional de 8 de janeiro de 2023 fracassou não por harmonia, mas por desalinhamento. Executivo, Legislativo, Judiciário e Forças Armadas não atuaram em bloco. A democracia resistiu porque o sistema funcionou em desacordo.
2. O ACORDO UMBILICAL: UMA METÁFORA FUNCIONAL
O chamado “acordo umbilical” não é pacto, nem conspiração. É estrutura.
Assim como o cordão umbilical:
não depende de afeto
não exige consciência
rompe apenas quando há maturidade suficiente para sobreviver fora dele
Na política brasileira atual:
a polarização é o elo
o orçamento é a placenta
o Congresso é o mediador material da sobrevivência
A placenta é o orçamento.
O orçamento é o buraco negro dos Poderes.
3. SIMBIOSE POR ANTAGONISMO
Lula e Bolsonaro não operam como aliados, mas como condições recíprocas de existência política:
Lula governa melhor contra Bolsonaro do que a favor de um projeto estruturante
Bolsonaro mantém relevância como ameaça simbólica, mesmo inelegível
Não se trata de intenção, mas de efeito sistêmico:
o medo substituiu o programa
a defesa substituiu a escolha
o eleitor vota para evitar, não para construir
4. O CONGRESSO: A PLACENTA QUE NÃO AMA
O Centrão não modera a polarização.
Ele a administra.
[Ilustração sugerida]
Charge política já circulante nas redes mostrando Executivo e Oposição em cabo de guerra, enquanto o Congresso segura o cofre ao centro.
Não é órgão neutro:
extrai
pressiona
negocia sob urgência permanente
Daí a frase que paira como ironia histórica:
Chamem o Centrão para dar governabilidade nesta polarização.
Não como celebração — como registro de época.
5. RECIFE COMO LENTE: OS HERDEIROS DO ENGENHO
Manuel Bandeira ensinou a dignidade do cotidiano sem ilusões.
Joaquim Cardozo desconfiava das estruturas que se dizem eternas.
Ascenso Ferreira sabia que o povo dança mesmo com o chão quente.
João Cabral lembrou que viver é trabalho seco, sem metáfora excessiva.
O Brasil de 2025 é mais Cabral do que épico:
vive porque insiste
governa porque negocia
resiste porque não sabe parar
6. SUGESTÕES PARA 2026 (SEM FOGUETES)
Reduzir o protagonismo do medo como estratégia eleitoral
Reconstruir a mediação política fora do Judiciário
Recolocar programa acima de personagem
Tratar governabilidade como projeto, não como transação
Nada disso é simples.
Mas nada disso é impossível.
7. CONCLUSÕES PARA 2027 (GESTAÇÃO EM CURSO)
Se 2026 é o parto, 2027 será o pós-parto:
ou a política aprende a respirar fora do cordão
ou seguirá ligada a uma placenta exaurida
O risco não é o rompimento.
O risco é adiar indefinidamente o rompimento, até que ele ocorra por colapso.
Sugestão de imagem final
Ilustração pictórica:
Uma figura inspirada em Morte e Vida Severina: um corpo coletivo caminhando, carregando urnas, livros e ferramentas, sob um céu sem fogos — apenas luz difusa de amanhecer.
Referências e fontes (armas assinaladas)
Utilizadas
Azedo, Luiz Carlos. Correio Braziliense, 2025
Aggio, Alberto. A Construção da Democracia no Brasil (1985–2025)
Constituição Federal de 1988
Dados e análises do TSE e do Congresso Nacional
A utilizar / aprofundar
Séries históricas de emendas parlamentares (LOA / LDO)
Pesquisas de comportamento eleitoral (Datafolha, Ipec, Quaest)
Literatura política comparada sobre polarização (EUA, Europa)
Ensaios de João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardozo, Manuel Bandeira
S
ACORDO UMBILICAL ENTRE PODERES
O termo "acordo umbilical" não é um conceito médico ou científico padrão. Geralmente, as pessoas que o utilizam estão se referindo a uma conexão forte, vital e inseparável entre duas pessoas, de forma metafórica, comparável à ligação física e nutricional entre a mãe e o feto através do cordão umbilical.
O cordão umbilical conecta o bebê em desenvolvimento à placenta
A PLACENTA É O ORÇAMENTO DO BEBÊ
O ORÇAMENTO É O BURACO NEGRO DOS PODERES.
A PLACENTA É O PODER DA VIDA.
2025: Democracia mostra resiliência em meio à fricção entre Poderes
Publicado em 29/12/2025 - 06:36 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Política, Política
Tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 não prosperou porque não houve adesão do Congresso, chancela do Judiciário e apoio das Forças Armadas, apesar dos atritos entre Executivo, Legislativo e Judiciário
Sem grandes ilusões, o Brasil irá às urnas em 2026, provavelmente polarizado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com sua “economia do afeto”, como diria o historiador Alberto Aggio (A Construção da Democracia no Brasil 1985-2025, editora Annablume e Fundação Astrojildo Pereira-FAP), e o candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que está convalescendo de uma cirurgia e deve voltar a cumprir pena em regime fechado.
Segundo as pesquisas, a maioria dos eleitores está com cansaço, desconfiança e tédio, mas não deixará de votar. Isso não é pouco: a democracia brasileira hoje não promete felicidade cívica, promete apenas evitar o pior pelo simples fato de que existe. Essa polarização parece inexorável, mesmo que as forças de centro-direita consigam remover a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e/ou lançar um candidato de direita que empolgue os eleitores.
Talvez seja pouco para entusiasmar; no mundo em que vivemos, porém, é muito para preservar. Diante desse cenário, nos resta compreender melhor como foi que chegamos até aqui. O ano de 2025 nos deixa em estado de perplexidade. De um lado, o regime democrático não colapsou, graças à Constituição de 1988, apesar de ter sido submetido a choques sucessivos que, em outros momentos de nossa história, teriam resultado em golpes de Estado. De outro, há evidente mal-estar social, fadiga eleitoral e descrença na política como espaço de participação da sociedade e solução dos problemas do país.
A resiliência
Esse paradoxo se explica, também, pelo funcionamento imperfeito, conflitivo e frequentemente disfuncional do sistema de freios e contrapesos entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Um sistema que não produziu harmonia neste ano, mas fricção renitente. Essa fricção é visível a olho nu, mas impediu a captura integral do Estado por um único ator, partido, facção ou liderança carismática. A democracia brasileira não se salvou apesar do conflito entre os Poderes; por ironia, salvou-se por causa dele. Os principais fatos ocorridos no decorrer deste ano mostram isso.
A tentativa de ruptura institucional associada ao 8 de Janeiro não prosperou porque as instituições não se alinharam. Não houve adesão do Congresso, não houve chancela do Judiciário, não houve apoio formal das Forças Armadas enquanto instituição. A democracia resistiu porque o sistema não funcionou em bloco, mas em desacordo, por todo o governo Bolsonaro. E graças a isso, depois, os envolvidos no golpe foram processados, condenados e já estão cumprindo pena.
Nesse aspecto, a condenação de oficiais de alta patente por crimes contra a ordem democrática é um marco histórico. Pela primeira vez desde a redemocratização, rompeu-se a lógica da tutela militar informal sobre a política. Sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), com amplo direito de defesa, o processo fortaleceu o Estado democrático.
Leia também:
Bolsonaro é condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista
Cármen Lúcia em rede nacional: ‘O voto é o gesto maior da vida democrática’
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O mal-estar
Agora, o maior problema é que essa fricção, que explica o equilíbrio desarmonioso entre os Poderes, pode ser tornar um fator de risco sistêmico da ordem democrática, que somente sobreviveu pela resiliência das suas instituições, principalmente o Supremo e o Congresso, que agora estão sob desgaste “desde dentro”. Vem daí o grande mal-estar da sociedade com a política brasileira. Se a resiliência explica a sobrevivência do regime, a fricção explica esse mal-estar. Alguma coisa está fora da ordem: presidentes recentes, sobretudo Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, tiveram quase metade de seus vetos derrubados, contra índices residuais em governos anteriores, como os de Fernando Henrique Cardoso.
Não se trata apenas de presidentes minoritários, houve uma mudança estrutural no equilíbrio de forças, com o Legislativo institucionalizando a ampliação momentânea de poder que obteve em momentos de crise. Há uma crise de liderança política, fratura do tecido social e falta de consenso político amplo sobre o caminho a seguir pelo país. O Executivo governa sem programa consistente, sustentado por alianças fragmentadas e negociações ad hoc. O presidente Lula é forte contra a extrema-direita e fraco como articulador de consensos estruturantes, o que aprofunda a dependência do Executivo ao fisiologismo parlamentar.
Outro fator de fricção permanente é o exagerado protagonismo do STF na cena política. A Corte salvaguardou a ordem constitucional, no entanto gerou um efeito colateral: a transferência recorrente de decisões políticas para o foro judicial. Isso enfraquece a representação, vicia o processo político e alimenta a narrativa antipolítica que corrói o sistema democrático a partir da descrença nas suas instituições.
As eleições
A verdade é que o bolsonarismo permanece como força política ativa, é um fenômeno do nosso tempo, que reflete um ciclo longo de fortalecimento da extrema-direita no mundo, sobretudo após a volta do presidente Donald Trump à Casa Branca. Mesmo com Jair Bolsonaro condenado e preso, o campo político que lidera segue mobilizado, cria fatos, tensiona instituições e mantém viva a lógica plebiscitária do “inimigo interno”. A democracia resiste, mas paga o preço da radicalização permanente do “nós contra eles”, retroalimentado pela “cultura de rechaço” do PT, que cresce nesses confrontos, como assinala Aggio em sua síntese sobre os 40 anos de redemocratização.
Entretanto, é inegável que a maioria do eleitorado derivou à direita nas questões ambiental, distributiva e ética. Mesmo com a leviandade com que se aprovam emendas constitucionais no Congresso, a Constituição de 1988 permanece progressista. Temos uma democracia de massas. Esse descompasso gera um desconforto constitucional. Por isso, estamos entrando num novo processo eleitoral, com uma ordem política exausta e simbolicamente empobrecida, apesar de sua estratégica resiliência como sistema.
Será difícil o eleitor entrar em 2026 com entusiasmo e convicção, pois é movido por um medo binário, de retorno do autoritarismo e do colapso institucional. Esse binarismo se retroalimenta e é paralisante. Cada movimento de um dos polos legitima o outro. Programas importam menos que narrativas. A política deixa de ser escolha e passa a ser defesa. Ainda assim, o sistema aguenta. “E la nave va!”.
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#2025, #Bolsonaro, #congresso, #governo, #Polarização, #Supremo, Lula
Resumo sobre Cordão Umbilical: formação, importância e mais!
Para analisar a relação entre o atual presidente (Lula) e seu antecessor (Bolsonaro) sob a ótica de um "acordo umbilical" que sustenta o poder de ambos, é necessário observar o fenômeno da Simbiose por Antagonismo.
Embora não existam provas de um pacto formal assinado, a ciência política e a análise de dados sugerem que ambos operam em um regime de dependência mútua estruturado nos seguintes pilares:
1. O Acordo da Polarização (Justificativa)
O principal "elo" entre os dois é a manutenção do cenário binário. Para o atual governo, a figura do ex-presidente é o "espantalho" necessário para manter a coesão de uma frente ampla heterogênea; para o ex-presidente, a crítica sistemática ao governo atual é o que mantém sua base mobilizada e impede o surgimento de novas lideranças na direita.
O fator "Centrão": O verdadeiro acordo operacional ocorre via Congresso Nacional. O atual governo depende de partidos que eram a base do governo anterior (como o PL e o PP). Essa transição de apoio é mediada por verbas e cargos, criando uma continuidade administrativa invisível sob a retórica de oposição.
2. A Inelegibilidade e a Preservação do Espólio
A manutenção de Bolsonaro como o "líder da oposição", mesmo sem direitos políticos, é funcional para o atual governo, pois impede a ascensão de nomes da direita com menor rejeição. Simultaneamente, Bolsonaro utiliza essa perseguição narrativa para se vitimizar e garantir que nenhum aliado o atropele.
3. Consequências do Rompimento
Se esse antagonismo for rompido — seja pela pacificação real do país ou pelo surgimento de uma alternativa que rompa a bolha de ambos — a "Era do Medo" acaba. Sem o risco do "retorno do outro", o eleitorado passa a exigir resultados pragmáticos (economia, segurança e saúde) em vez de posicionamento ideológico.
Conclusão
O acordo que os une "umbilicalmente" é o Pacto de Exclusividade do Debate Público. Se um dos dois deixar de ser o "vilão" na narrativa do outro, o sistema de polarização colapsa. A sobrevivência política de Lula e a relevância de Bolsonaro dependem da retroalimentação do conflito. Se a sociedade deixar de enxergar o "ex" como uma ameaça ou o "atual" como um inimigo absoluto, ambos perdem a capacidade de pautar o país, encerrando a era em que o poder é exercido apenas pelo contraste com o antecessor.
Para acompanhar a movimentação das bases e dados oficiais sobre governabilidade, você pode consultar o portal do Congresso Nacional ou as análises de tendências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A seguir está uma versão final organizada, publicável e coerente de tudo o que foi elaborado até aqui — sem clichês, com continuidade simbólica, lastro analítico e respiração literária. O texto está formatado como artigo de passagem de ano, com indicações claras de título, epígrafe, seções, links, imagens, além de resumo, abstracts multilíngues, sugestões prospectivas e referências.
ACORDO UMBILICAL, OU: COMO O BRASIL ATRAVESSA O ANO SEM ROMPER O CORDÃO
Epígrafe
“A vida não é para ser entendida, é para ser atravessada.”
— João Cabral de Melo Neto (paráfrase conceitual)
Resumo
Este artigo propõe uma leitura da política brasileira na transição de 2025 para 2026 a partir da metáfora do “acordo umbilical” entre antagonismos políticos. Sustenta-se que a democracia brasileira não sobreviveu apesar da polarização, mas por meio dela, ainda que ao custo de exaustão simbólica, empobrecimento programático e dependência estrutural do orçamento como centro gravitacional do poder. A partir da noção de simbiose por antagonismo, o texto articula análise política, metáfora biológica e herança literária pernambucana para refletir sobre governabilidade, medo eleitoral e a dificuldade histórica de romper ciclos sem trauma. O texto encerra com sugestões para 2026 e projeções críticas para 2027, entendida como gestação política pós-parto eleitoral.
Abstract (EN)
This article analyzes Brazil’s political transition from 2025 to 2026 through the metaphor of an “umbilical agreement” sustaining antagonistic forces. It argues that Brazilian democracy has survived not despite polarization, but because of it—at the cost of political fatigue, narrative impoverishment, and fiscal centrality as the true locus of power. Drawing from political analysis and Brazilian literary tradition, the text reflects on governance, fear-driven elections, and the challenge of achieving rupture without institutional trauma. It concludes with forward-looking considerations for 2026 and structural risks gestating toward 2027.
Samenvatting (NL)
Dit artikel onderzoekt de Braziliaanse politieke overgang van 2025 naar 2026 via de metafoor van een “navelstreng-overeenkomst” tussen antagonistische machten. Het betoogt dat de democratie niet ondanks, maar dankzij polarisatie standhield—tegen de prijs van institutionele vermoeidheid en begrotingsafhankelijkheid. Politieke analyse wordt gecombineerd met literaire verwijzingen om vooruit te kijken naar de verkiezingen van 2026 en de risico’s die zich richting 2027 vormen.
Résumé (FR)
Cet article analyse la transition politique brésilienne de 2025 à 2026 à travers la métaphore d’un « accord ombilical » reliant des forces antagonistes. Il soutient que la démocratie a survécu grâce à la polarisation, mais au prix d’une fatigue institutionnelle et d’un appauvrissement du débat public. L’analyse mêle politique et héritage littéraire pour envisager les défis de 2026 et les tensions déjà en gestation pour 2027.
1. 2025 NÃO TERMINA: APENAS MUDA DE MÃO
Não é um fim de ano — é uma passagem de bastão sem fogos.
O Brasil atravessa 2025 como quem cruza um canavial ao amanhecer: nada ruiu, nada se assentou. A democracia segue viva, mas cansada; respira curto, apoiada mais em fricção institucional do que em consenso político.
[Link sugerido]
Artigo de Luiz Carlos Azedo – “2025: Democracia mostra resiliência em meio à fricção entre Poderes” (Correio Braziliense)
A tentativa de ruptura institucional de 8 de janeiro de 2023 fracassou não por harmonia, mas por desalinhamento. Executivo, Legislativo, Judiciário e Forças Armadas não atuaram em bloco. A democracia resistiu porque o sistema funcionou em desacordo.
2. O ACORDO UMBILICAL: UMA METÁFORA FUNCIONAL
O chamado “acordo umbilical” não é pacto, nem conspiração. É estrutura.
Assim como o cordão umbilical:
não depende de afeto
não exige consciência
rompe apenas quando há maturidade suficiente para sobreviver fora dele
Na política brasileira atual:
a polarização é o elo
o orçamento é a placenta
o Congresso é o mediador material da sobrevivência
A placenta é o orçamento.
O orçamento é o buraco negro dos Poderes.
3. SIMBIOSE POR ANTAGONISMO
Lula e Bolsonaro não operam como aliados, mas como condições recíprocas de existência política:
Lula governa melhor contra Bolsonaro do que a favor de um projeto estruturante
Bolsonaro mantém relevância como ameaça simbólica, mesmo inelegível
Não se trata de intenção, mas de efeito sistêmico:
o medo substituiu o programa
a defesa substituiu a escolha
o eleitor vota para evitar, não para construir
4. O CONGRESSO: A PLACENTA QUE NÃO AMA
O Centrão não modera a polarização.
Ele a administra.
[Ilustração sugerida]
Charge política já circulante nas redes mostrando Executivo e Oposição em cabo de guerra, enquanto o Congresso segura o cofre ao centro.
Não é órgão neutro:
extrai
pressiona
negocia sob urgência permanente
Daí a frase que paira como ironia histórica:
Chamem o Centrão para dar governabilidade nesta polarização.
Não como celebração — como registro de época.
5. RECIFE COMO LENTE: OS HERDEIROS DO ENGENHO
Manuel Bandeira ensinou a dignidade do cotidiano sem ilusões.
Joaquim Cardozo desconfiava das estruturas que se dizem eternas.
Ascenso Ferreira sabia que o povo dança mesmo com o chão quente.
João Cabral lembrou que viver é trabalho seco, sem metáfora excessiva.
O Brasil de 2025 é mais Cabral do que épico:
vive porque insiste
governa porque negocia
resiste porque não sabe parar
6. SUGESTÕES PARA 2026 (SEM FOGUETES)
Reduzir o protagonismo do medo como estratégia eleitoral
Reconstruir a mediação política fora do Judiciário
Recolocar programa acima de personagem
Tratar governabilidade como projeto, não como transação
Nada disso é simples.
Mas nada disso é impossível.
7. CONCLUSÕES PARA 2027 (GESTAÇÃO EM CURSO)
Se 2026 é o parto, 2027 será o pós-parto:
ou a política aprende a respirar fora do cordão
ou seguirá ligada a uma placenta exaurida
O risco não é o rompimento.
O risco é adiar indefinidamente o rompimento, até que ele ocorra por colapso.
Sugestão de imagem final
Ilustração pictórica:
Uma figura inspirada em Morte e Vida Severina: um corpo coletivo caminhando, carregando urnas, livros e ferramentas, sob um céu sem fogos — apenas luz difusa de amanhecer.
Referências e fontes (armas assinaladas)
Utilizadas
Azedo, Luiz Carlos. Correio Braziliense, 2025
Aggio, Alberto. A Construção da Democracia no Brasil (1985–2025)
Constituição Federal de 1988
Dados e análises do TSE e do Congresso Nacional
A utilizar / aprofundar
Séries históricas de emendas parlamentares (LOA / LDO)
Pesquisas de comportamento eleitoral (Datafolha, Ipec, Quaest)
Literatura política comparada sobre polarização (EUA, Europa)
Ensaios de João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardozo, Manuel Bandeira
Se quiser, no próximo passo posso:
adequar o texto para jornal, revista ou blog
reduzir para versão editorial
ou preparar uma versão acadêmica com notas e aparato teórico
Aqui, o caldo está espremido.
AO VIVO: WW ESPECIAL - BOLSONARO NA CADEIA: E AGORA? - 28/12/2025 VÍDEO
À GUISA DE FELIZ TRAVESSIA 2026-2027
Travessia
Milton Nascimento
Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou, mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não resisto
Muito tenho pra falar
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar?
Sonho feito de brisa
Vento, vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito o que viver
Vou querer amar de novo
E se não der, não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço
Com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar?
Sonho feito de brisa
Vento, vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito o que viver
Vou querer amar de novo
E se não der, não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço
Com meu braço o meu viver
Composição: Milton Nascimento / Fernando Brant.
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