Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
E SE O SALÁRIO EVOLUIR?
E Se...
Chico Buarque
E se o oceano incendiar?
E se cair neve no sertão?
E se o urubu cocorocar?
E se o Botafogo for campeão?
E se o meu dinheiro não faltar?
E se o delegado for gentil?
E se tiver bife no jantar?
E se o carnaval cair em abril?
E se o telefone funcionar?
E se o pantanal virar pirão?
E se o Pão-de-Açúcar desmanchar?
E se tiver sopa pro peão?
E se o oceano incendiar?
E se o Arapiraca for campeão?
E se à meia-noite o sol raiar?
E se o meu país for um jardim?
E se eu convidá-la para dançar?
E se ela ficar assim, assim?
E se eu lhe entregar meu coração?
E meu coração for um quindim?
E se o meu amor gostar então
De mim?
Composição: Chico Buarque / Francis Hime.
Francis Hime "E Se" | Francis Hime Ao Vivo (Vídeo Oficial)
E Se...
Chico Buarque
E se o salário evoluir?
E se avançar pra sete mil?
E se o congresso não vetar?
E se o Lula não vetar?
E se o Gilmar embarrerar?
"segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Que tal um salário mínimo de R$ 7 mil? Por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
Políticas sociais bem-intencionadas podem, sim, causar desastres. É o caso da redução da jornada de trabalho
O salário mínimo sobe para R$ 1.621 a partir de janeiro próximo. Pode-se dizer que esse valor é inconstitucional. Cabe alguma ação junto ao STF para obrigar os empregadores brasileiros, inclusive o governo, a pagar um mínimo de R$ 7.067,18.
Está na Constituição, artigo 7º, inciso IV, que todo trabalhador tem direito a um salário mínimo “capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.
Família-padrão é o casal com dois filhos. E está na cara que os R$ 1.621 não atendem àquelas necessidades. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é a fonte do cálculo que fixa o mínimo naqueles R$ 7.067. O leitor pode perguntar: como é que ninguém teve a ideia de apelar ao STF?
Muitos já tiveram essa ideia. Não funcionou. A Corte rejeita todos os pedidos para que o valor do mínimo seja fixado pelo Judiciário, mesmo quando entende que o valor oficial não atende às necessidades listadas na Constituição. Para o Supremo, o mínimo deve ser definido em lei, sendo, portanto, atribuição política do governo e do Congresso. E, no exercício dessa política pública, considera-se que a norma constitucional é limitada. Limitada a quê? Obviamente, à realidade da economia nacional.
Tem mais. Quando alguma entidade reivindica o “mínimo constitucional” para servidores públicos, o STF considera outro limite, o fiscal, a capacidade do governo de pagar mais. Faz sentido. Considerem as prefeituras do interior, que não conseguem pagar nem o mínimo oficial de hoje. Vai daí uma primeira conclusão: para os servidores que ganham o mínimo, o STF coloca a limitação fiscal. Mas não quando se trata dos supersalários pagos à elite do serviço público.
Suponhamos que o Congresso aprovasse o mínimo do Dieese e que o governo impusesse a norma a todos os empregadores. Muitas empresas não conseguiriam pagar. O custo de produção ou prestação do serviço tornaria o negócio inviável. Resultado: desemprego em massa. E as empresas que conseguissem repassar ao consumidor o mínimo de R$ 7 mil? Provocariam uma baita inflação, tão elevada que levaria à desvalorização da moeda e, pois, do salário real. O trabalhador ficaria na pior, ganhando nominalmente mais, porém comprando até menos do que comprava antes do surto inflacionário. Quanto ao setor público, basta lembrar que a atual regra de correção do mínimo, com ganho real, tem provocado déficits seguidos nas contas públicas.
Eis aí: políticas sociais bem-intencionadas podem, sim, causar desastres. É também o caso da redução da jornada de trabalho, conforme várias propostas em tramitação no Congresso. A riqueza de um país vem do capital e do trabalho. Aqui, a produção depende do número de horas trabalhadas e da produtividade do trabalhador.
É muito baixa a produtividade do trabalhador brasileiro. No essencial, trata-se de consequência da baixa qualidade do ensino. Reduzir a jornada de trabalho por lei, sem levar em consideração a realidade da economia e as diferenças entre as empresas, provocará efeitos parecidos aos que surgiriam caso se adotasse um salário mínimo “constitucional”.
As empresas que conseguissem contratar mais trabalhadores teriam custo maior, repassado para o consumidor. Inflação. Se não conseguirem contratar, produzirão menos. O negócio fica mais caro e, no limite, inviabilizado. Desemprego. Finalmente, há o problema da automação: robôs substituindo humanos.
Sim, sabemos que, na origem da era industrial, os trabalhadores eram massacrados com 12 ou mais horas diárias. Mas também sabemos que a evolução dos métodos de produção, as máquinas e a tecnologia permitiram ganhos de produtividade e, pois, a redução progressiva das jornadas. Nosso problema é que não criamos as boas escolas e perdemos o bonde da produtividade. Uma lei não resolve isso."
Traduzir-se
Nara Leão
Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Composição: Fagner / Ferreira Gullar
Livro e seminário sobre democracia ajudam a pensar a lógica da política nacional
Resumo sucinto, com densidade e intensidade argumentativa
O artigo sustenta que a política brasileira foi progressivamente capturada pela lógica da guerra, em detrimento da lógica democrática da política, e que a esquerda governista hoje reproduz, com novos meios, um impulso antipolítico antigo. Ao atacar o Congresso como “inimigo do povo”, reatualiza um desejo autoritário de cancelamento institucional, semelhante ao da extrema-direita, apenas com estética e narrativa invertidas.
O autor distingue duas tradições históricas da esquerda:
a esquerda democrática e agregadora, que construiu a transição política dos anos 1970–80 por meio de alianças, anistia, institucionalidade e pluralismo (com papel central do MDB e de setores responsáveis da esquerda);
a esquerda adversativa, herdeira do desprezo pela política, que trocou a guerrilha armada por uma guerra simbólica permanente, mantendo o antagonismo como método.
Essa segunda tradição, derrotada militarmente, venceu no plano simbólico ao revisar a memória democrática, obscurecendo o artesanato institucional da redemocratização e exaltando uma narrativa belicosa que reduz a política a amigo versus inimigo. Esse ethos contaminou o PT ao longo do tempo (voto nulo, recusa da Constituição de 1988, demonização do Congresso) e reapareceu com força no impeachment de Dilma, na retórica do “golpe” e na polarização extrema que abriu espaço ao bolsonarismo.
O texto argumenta que PT e extrema-direita se alimentaram mutuamente ao substituir a política plural pela guerra eleitoral. O resultado é um sistema congelado entre dois mitos: um no poder, outro preso, ambos mobilizados simbolicamente como se definissem o destino nacional — uma ficção que paralisa alternativas democráticas no centro e à esquerda.
Conclusão: embora o governo atual seja ambíguo e heterogêneo, Lula governa sem horizonte, apoiado mais na força simbólica do passado do que em um projeto capaz de recompor a política como espaço de mediação institucional. O passado não retorna; e a persistência da guerra simbólica aprofunda a doença política do país.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Esquerdas, política e guerra. Por Paulo Fábio Dantas Neto*
"Antes que governistas atentos tentem me alcançar com críticas morais para mudarem de assunto, concedo-lhes uma palavra explicativa, embora, de tão óbvia, seja desnecessária a quem lê de modo isento o que escrevo. Penso que a composição do atual Congresso é ruim e não tenho a menor disposição de me comprometer com seus erros e trapalhadas coletivas, muito menos com transgressões éticas e delitos de parlamentares individualmente, não importa a facção política a que pertençam, nem se eles seguem script de herói ou de vilão. Mas tenderei a me indispor com tentativas de desqualificar a instituição. É exatamente isso o que faz o slogan “Congresso, inimigo do povo”. Sejam bons ou maus - a meu juízo, ou até mesmo a juízo coletivo de numerosos cidadãos - são todos eles seus representantes."
https://gilvanmelo.blogspot.com/2025/12/esquerdas-politica-e-guerra-por-paulo.html
👆"4. Síntese
O trecho não absolve o Congresso, mas também não aceita sua demonização. Ele se posiciona contra dois extremos igualmente estéreis:
a defesa acrítica do status quo;
o discurso antipolítico que transforma a política em inimiga da sociedade.
Trata-se de uma crítica que exige responsabilidade dupla:
dos parlamentares, por seus atos;
dos cidadãos, por compreenderem que a democracia não funciona por slogans, mas por confronto institucional, participação e escolha.
Em última instância, o texto afirma que destruir simbolicamente a representação não corrige seus vícios — apenas prepara o terreno para algo pior."
"👆 **Do Farol da Barra a Copacabana:
Ibsen Revolvido, o Povo Invocado e a Política Reduzida a Slogan**
Em 14 de dezembro de 2025, do Farol da Barra à Avenida Atlântica, passando pela Avenida Paulista e pisando — sem cerimônia — nas calçadas de pedrinha portuguesa, um velho fantasma europeu foi convocado de maneira ruidosa e imprópria. Henrik Ibsen, dramaturgo norueguês do século XIX, teve sua obra Um Inimigo do Povo arrancada do contexto trágico e ético que a sustenta para servir de rótulo barato e inflamável: “Congresso inimigo do povo” .
A cena é exemplar do nosso tempo. Um conceito literário complexo, nascido como crítica à manipulação da maioria, à corrupção econômica e ao conformismo social, é reduzido a palavra de ordem. O que em Ibsen era conflito moral e político vira slogan de megafone. O que era drama se converte em adesivo."
👆" 5. Conclusão: quando o povo vira álibi
Invocar Ibsen para atacar o Congresso é usar a literatura como verniz para o ressentimento. É transformar um alerta contra a tirania da maioria em justificativa para ela. É confundir crítica com demolição.
Se há algo que Um Inimigo do Povo ensina é que a verdade raramente marcha em bloco , raramente grita em coro, raramente cabe em faixas. Quando isso acontece, convém desconfiar.
Do Farol da Barra a Copacabana, passando pela Paulista, o que se viu não foi Ibsen em ação — foi sua caricatura. E caricaturas, como sabemos, fazem barulho, mas não iluminam."
O futuro de uma comunidade depende menos da figura que a governa e mais da força das instituições e da clareza moral que sustentam sua existência.
Bibliografia sugerida
• Cícero – Da República, Dos
Em suma, o mito ainda protege o governo. Mas, sem horizonte, o mito governa olhando para trás — e o tempo político não costuma conceder esse luxo por muito tempo.
Understanding Salary Progression: Key Factors Influencing Pay Growth in the Workplace
Purity Kajuju
Publicado em 2 de set. de 2024
Salary progression refers to the systematic increase in an employee’s salary over time, often tied to performance, skills, experience, and other key factors. It is an essential component of a company’s total rewards strategy, influencing employee motivation, retention, and overall satisfaction.
For organizations, an effective salary progression strategy can help attract and retain top talent, foster a performance-driven culture, and ensure equity within the workforce.
Key Factors Influencing Salary Progression
🎶 E SE O SALÁRIO EVOLUIR?
Constituição, economia e canção num país que pergunta demais
1. O artigo — o ponto de partida
Que tal um salário mínimo de R$ 7 mil?
Carlos Alberto Sardenberg — O Globo, 15 de dezembro de 2025
O salário mínimo brasileiro sobe para R$ 1.621 a partir de janeiro.
À luz da Constituição, esse valor pode parecer insuficiente — até inconstitucional.
O artigo 7º, inciso IV, estabelece que todo trabalhador tem direito a um salário mínimo capaz de atender às necessidades vitais básicas e às de sua família: moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.
Segundo o DIEESE, para cumprir esse mandamento constitucional, o mínimo deveria girar em torno de R$ 7.000 para uma família padrão (casal e dois filhos).
Por que, então, o salário não é esse?
Sardenberg explica:
o STF entende que essa norma constitucional é programática, dependente da realidade econômica. Cabe ao Congresso e ao Executivo, não ao Judiciário, fixar o valor — levando em conta limites fiscais, produtividade, capacidade das empresas e do Estado.
Fixar um mínimo muito acima da realidade produtiva poderia gerar:
fechamento de empresas
desemprego
inflação
desvalorização do salário real
O mesmo raciocínio vale para propostas como a redução da jornada de trabalho por lei, sem ganho prévio de produtividade.
Boa intenção, sem base econômica, pode produzir o efeito oposto ao desejado.
📄 Artigo original (pode exigir assinatura):
O Globo — Carlos Alberto Sardenberg
2. A música — o espelho simbólico
Poucas parcerias traduziram tão bem o Brasil entre promessa e frustração quanto Chico Buarque & Francis Hime.
🎵 “Vai Passar” (1984) nasceu como samba de esperança na redemocratização, mas carrega algo mais profundo:
a ideia de que o país vive ciclos de promessa, euforia, choque com a realidade — e recomeço.
▶️ Ouça a canção (vídeo oficial):
https://www.youtube.com/watch?v=IKKLQ3XL9h4
📚 Contexto histórico e análise:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vai_Passar_(canção)
Essa estrutura — o sonho anunciado, a multidão animada, a conta que chega depois — ecoa perfeitamente no debate do salário mínimo.
3. Resumo declamado do artigo (introdução musical)
(voz falada, sobre acordes sustentados)
Segunda-feira.
Dezembro pesa no bolso e na pergunta.
Alguém olha o contracheque
como quem lê uma partitura torta
e pergunta — sem ironia, quase em oração:
e se desse pra viver?
A Constituição responde bonito,
em tom maior, bem escrito:
casa, comida, escola, remédio,
lazer, transporte, dignidade.
No papel, tudo cabe.
Na vida real, não fecha a conta.
Dizem que o justo seria sete mil.
Dizem que está na letra da lei.
Dizem também: cuidado —
boa intenção, sem base,
desafina a economia inteira.
Entre o sonho prometido
e o orçamento possível,
o país segue nesse compasso instável.
E é daí que nasce a canção.
4. Paródia — fechamento musical do texto
E SE O SALÁRIO EVOLUIR?
(Canção em três partes)
PARTE I — IRÔNICA
E se o salário evoluir?
E se pular pra sete mil?
Tá na letra da Constituição,
Assinada em papel Brasil
E se a conta for tão clara
Que até dói de explicar?
Casa, escola, saúde, feira,
Tudo num mínimo legal
E se o Dieese fez a soma
Sem poesia, só razão?
Casal, dois filhos, pão na mesa,
Não fecha a conta no balcão
E se alguém bater no Supremo
Com o artigo na mão?
“Tá escrito, Excelência,
É direito do cidadão”
Mas o juiz coça a cabeça,
Olha o teto, olha o chão:
“Isso é norma programática,
Depende da situação”
PARTE II — DRAMÁTICA
E se a firma não aguentar?
E se a porta não abrir?
O salário sobe no papel,
Mas o emprego deixa de existir
E se o custo virar peso
Que ninguém consegue erguer?
Ou repassa pro consumidor
Ou aprende a fechar e sofrer
E se o preço subir calado
Mais ligeiro que o contracheque?
O ganho cresce no holerite
E morre na fila do supermercado
E se a inflação fizer justiça
Com a frieza de um juiz?
Corrige tudo pra cima
E condena quem sempre quis
Não foi lei que fez o progresso,
Foi escola, máquina e chão.
Foi trabalho bem ensinado
Virando produtividade e pão
PARTE III — BARGANHA (política)
(entra outra voz)
E se acabar o seis por um?
Quem é que vai dizer que não?
Descanso vira promessa
Em época de eleição
Não falo em custo nem planilha,
Isso não dá voto, não
Eu falo em gente cansada
E voto é coisa do coração
E se a conta ficar pra depois,
Depois que a gente vencer?
Primeiro vem a promessa,
Depois… a gente vê
CODA FINAL
E se o sonho virar voto?
E se o voto virar poder?
E se a conta ficar pra depois,
Depois que a gente vencer?
5. Encerramento
Entre a Constituição que promete,
a economia que limita,
e a política que seduz,
o Brasil segue perguntando:
E se…?
Como num samba que nunca acaba,
a harmonia depende menos da vontade
e mais do compasso certo
entre sonho, trabalho e realidade.
S
Hoje
MOMENTO POLÍTICO - PREFEITA SIMONE RIBEIRO
O HOJE
Estreou em 26 de nov. de 2025
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
O que seria chamado de escândalo institucional em qualquer outro contexto vira “detalhe irrelevante” quando envolve ministros alinhados à causa certa. A régua moral muda conforme o réu, o juiz e a ideologia.
Justiça ética e transparente não pode operar por exceções convenientes. Quando a coerência é seletiva, o problema já não é político — é moral.
7:07 AM · 15 de dez de 2025
de São Paulo, Brasil·
Leonard Clérel
@LeonardBLco
·
11 h
O fim da previsibilidade das leis, de fato, é característica básica de todo e qualquer regime de exceção.
O STF e a esquerda. Por Diogo Schelp
O Estado de S. Paulo
Com notórias exceções, a esquerda prefere ignorar ou justificar os conflitos de interesse na Corte
Milhares de pessoas foram às ruas de diversas capitais neste domingo, 14, convocadas por organizações de esquerda. A maior fonte de indignação dos manifestantes, conforme expresso nas faixas e nos cartazes, era o Congresso Nacional — principalmente por causa do PL da Dosimetria, cujo intuito é reduzir o tempo de cadeia de Jair Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado. Foram atos mais minguados do que os de 21 de setembro passado, contra a infame PEC da Blindagem, que pretendia proteger deputados e senadores de processos.
Não têm faltado na nossa República razões para a revolta da população. As notícias das últimas semanas foram especialmente ultrajantes. Esquemas bilionários para distribuição de emendas parlamentares, acordos para livrar deputados da cassação e chantagens da cúpula do Senado contra o Poder Executivo, entre outros temas, estavam na pauta dos manifestantes. “Congresso inimigo do povo” era o slogan preferido.
Algumas personalidades até mencionaram, em discursos e em postagens de convocação nas redes sociais, outra reivindicação urgente: mais ética e transparência na atuação do Supremo Tribunal Federal. Mas foi pouco, muito pouco, diante dos escândalos que vêm afetando a corte máxima do país. São histórias como a do ministro que resolveu impedir os cidadãos de solicitar o impeachment de membros do STF, voltando atrás apenas depois de uma promessa do Legislativo de discutir uma mudança na lei para atender sua exigência. Ou do juiz supremo que, de maneira voluntariosa, interveio em uma investigação sobre fraudes financeiras, favorecendo com sigilo e outras perfumarias um banqueiro cujo advogado viaja de jatinho com esse mesmo ministro. E de outro todo-poderoso integrante do STF, cuja esposa advogada tem contratos milionários com o tal banqueiro. Se não há nada de errado com essas relações pessoais e financeiras, o que custa prestar contas sobre elas?
O campo da esquerda, com notórias exceções, prefere ignorar ou até mesmo justificar esses conflitos de interesse. Tudo por causa da lógica binária da polarização: se o STF colocou Bolsonaro e outros golpistas na cadeia, deve ser aplaudido cegamente até a morte — da democracia, se for preciso. Além disso, identificar abusos de ministros da corte é uma pauta da direita. E se é assim, só pode estar errada. Ora, que estupidez. Uma Justiça ética e transparente deveria ser uma agenda apartidária.
INTERFERÊNCIAS
Censura, apagamento e outros temas contemporâneos
DIRCE WALTRICK DO AMARANTE
Resumo com densidade e intensidade argumentativa
Diogo Schelp critica a postura da esquerda, que, com exceções notáveis, ignora ou justifica os conflitos de interesse no STF, preferindo apoiar cegamente a Corte por suas ações contra Bolsonaro e outros golpistas. Apesar dos escândalos envolvendo ministros, como interferências em investigações e conexões questionáveis com interesses financeiros, a esquerda segue silenciosa, adotando uma lógica binária onde a defesa do STF se sobrepõe à ética e à transparência.
Schelp ressalta que, embora a polarização política tenha levado à justificativa desses abusos, a busca por uma Justiça ética e transparente deveria ser uma agenda apartidária, e não um tema exclusivo da direita.
5 sem
liliprata
3 anos e 1 mês, muito cedo para aprender a meditar? 😅❤️
Há 3 anos 1 mês e 4 dias
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Opinião do dia - Luiz Werneck Vianna*
“O horizonte que se revela para o governo Lula-Alckmin, diante dessa cultura antidemocrática que germinou entre nós, reclama por ações ainda mais inventivas e audaciosas do que as mobilizadas na vitoriosa disputa eleitoral. Nesse objetivo, o raio de ação da frente política a dar sustentação ao governo deve sondar, sem qualquer limitação, todas as possibilidades de expandir seu âmbito no sentido de incorporar todo aquele que recuse o fascismo como ideologia política. Nesse sentido, o agrupamento político conhecido como o Centrão e demais forças representativas do conservadorismo brasileiro, inclusive as que na disputa eleitoral se alinharam à candidatura Bolsonaro, devem ser objeto de interpelações em pautas específicas por parte do governo democrático.”
“(...)Remover raízes tão fundas leva tempo e exige coragem, sabedoria e prudência, virtudes presentes nos articuladores, Lula à frente, que souberam nos levar à vitória sobre as hostes fascistas na sucessão presidencial. O mesmo caminho deve guiar o nascente governo democrático, pautando cada passo no sentido de devolver ao país os rumos de que fomos desviados em busca do reencontro com os ideais civilizatórios de que um governo criminal tentou nos afastar.”
*Luiz Werneck Vianna (1938-2024) Sociólogo, “Remover as raízes do fascismo”. Blog Democracia Política e novo Reformismo, 5.11.22
Resumo sucinto, com densidade e intensidade argumentativa
Werneck Vianna afirma que a vitória eleitoral não basta para enfrentar a cultura antidemocrática enraizada no país. O governo Lula-Alckmin precisa ir além da disputa eleitoral e agir com audácia política, ampliando a frente democrática sem restrições ideológicas, desde que haja recusa explícita ao fascismo. Isso inclui dialogar pragmaticamente com o Centrão e setores do conservadorismo, inclusive aqueles que apoiaram Bolsonaro, em pautas específicas.
A erradicação do fascismo é descrita como um processo longo, que exige coragem, prudência e sabedoria, as mesmas virtudes que permitiram a derrota eleitoral da extrema-direita. O governo democrático deve manter esse método: reconstruir o país passo a passo, restaurando rumos civilizatórios desviados por um governo de natureza criminal, por meio de amplas alianças e ação política responsável.
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