Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 10 de abril de 2026
O circo do circuito no ar desmanchando
Resumo — “Tudo que era sólido desmanchou no ar”, por José Serra
O texto analisa as transformações profundas que marcam a segunda metade da década de 2020, destacando três grandes dimensões que reconfiguram a economia e a política global.
A primeira é a transição climática, que exige coordenação internacional para reduzir emissões de carbono, com regras comuns, financiamento e distribuição equilibrada de responsabilidades entre países. Trata-se de um desafio coletivo que redefine custos de produção e exige cooperação global.
A segunda é a revolução da inteligência artificial, que tende a aumentar a produtividade, mas também a desigualdade entre empresas, setores e trabalhadores. A IA pode eliminar empregos intermediários e exigir maior qualificação, tornando essencial o investimento em educação, requalificação e capacidade tecnológica.
A terceira dimensão é o reposicionamento geopolítico global, com o declínio relativo dos Estados Unidos e o surgimento de novas dinâmicas comerciais, financeiras e energéticas. Países passam a diversificar parcerias, moedas e cadeias de suprimento, buscando maior autonomia estratégica.
Diante desse cenário, o autor defende que o Brasil precisa de um Estado forte, porém eficiente, capaz de:
coordenar políticas públicas
enfrentar desigualdades
adaptar-se às transformações tecnológicas e ambientais
e atuar estrategicamente no novo cenário internacional
A principal tese é que soluções baseadas no “Estado mínimo” ou no alinhamento automático a potências externas não são suficientes para garantir o desenvolvimento e a coesão social no novo contexto global.
S
Clarice Lispector - Circuito da Poesia do Recife
Prefeitura do Recife
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Clipe
5.171 visualizações 3 de jul. de 2021
Olá! Que bom ter você aqui no Circuito da Poesia do Recife, junto com Clarice Lispector. Ela nasceu longe daqui, na Ucrânia, em 1920, mas o coração dela sempre foi recifense! Nossa cidade guarda as memórias que formaram a identidade da escritora. Não é à toa que ela cita o Recife em tantas das suas obras, principalmente quando escreveu lembrando a infância. No Recife que ela amou.
Clarice chegou aqui aos cinco anos acompanhada do pai, da mãe e de duas irmãs mais velhas. Morou na Boa Vista. A sua relação com a cidade foi tão intensa, como ela também era, e tão inspiradora, que, mesmo quatro décadas depois da sua morte em 1977, ela foi reconhecida como cidadã pernambucana, em novembro de 2020.
A gente sente um orgulho danado de poder ler as inesquecíveis lembranças de Clarice, que ajudaram a imortalizar o Recife na sua arte. Quanto cuidado! Bora cuidar também? O nosso Patrimônio Cultural é parte da nossa história. Então ele também é seu. E do mundo inteiro, feito a obra de Clarice Lispector. Eternizada.
Acesse https://circuitodapoesia.recife.pe.go...
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Música | O Circo - Sidney Miller
Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto
Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona
Pra que a lua de carona também possa ver a festa
Bem me lembro o trapezista que mortal era seu salto
Balançando lá no alto parecia de brinquedo
Mas fazia tanto medo que o Zezinho do Trombone
De renome consagrado esquecia o próprio nome
E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado
Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo
Sem juiz e sem juízo fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria
Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria
De chicote e cara feia domador fica mais forte
Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte
Terminando seu batente de repente a fera some
Domador que era valente noutra esfera se consome
Seu amor indiferente, sua vida e sua fome
Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina
Que o seu corpo é de senhora, que seu rosto é de menina
Quem chorava já não chora, quem cantava desafina
Porque a dança só termina quando a noite for embora
Vai, vai, vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira
Morre o circo, renasce na lembrança
Foi-se embora e eu ainda era criança
Composição: Sidney Miller.
Tudo que era sólido desmanchou no ar, por José Serra
O jogo dos próximos anos exige um Estado forte, não mastodôntico, que consiga navegar na nova realidade
O mundo dessa segunda metade da década de 2020 pode ser qualquer coisa, mas jamais poderemos dizer que é um palco para amadores. De fato, esta década está se caracterizando por jogar por terra a velha forma de produzir e de viver. Vamos tentar olhar três dimensões deste novo mundo.
Primeiro, algo que já estava no radar há alguns anos, mas só nesta década ganhou cores mais marcantes: a transição climática. Emissões lançadas por uma economia afetam, indistintamente, todas as demais. Por isso, esforços isolados, ainda que relevantes, são insuficientes diante da escala da questão. A redução conjunta de emissões exige metas compatíveis, mecanismos de monitoramento confiáveis e compromissos estáveis de longo prazo, para que a ação climática não seja comprometida por condições assimétricas entre países ou pela transferência de atividades intensivas em carbono para locais onde as exigências sejam menores.
Os mecanismos de redução das emissões de carbono têm por objetivo alterar os parâmetros de custo da produção, de modo a incorporar aos processos econômicos os efeitos ambientais. Ao precificar o carbono e incentivar tecnologias limpas, esses mecanismos afetam decisões de investimento, produção e consumo.
Efeitos positivos só podem ser conseguidos se as ações, nos mais diversos países, forem realizadas de forma coordenada internacionalmente. Mas é indispensável distribuir custos e responsabilidades considerando as diferenças de renda, estruturas produtivas e capacidades tecnológicas. Isso reforça a necessidade de cooperação financeira, difusão de conhecimento tecnológico e alinhamento regulatório. A transição climática não é uma soma de políticas nacionais. Ao contrário, é ação coletiva, marcada por previsibilidade institucional e compromisso compartilhado com a redução global das emissões.
A segunda dimensão é a revolução que a inteligência artificial (IA), que impõe desafios de grande magnitude, dado que sua adoção tende a ser desigual entre setores, empresas e regiões. Em ambientes produtivos marcados por baixa produtividade média, forte heterogeneidade empresarial e grande presença de pequenas firmas, a IA pode ampliar a distância entre segmentos mais capitalizados e aqueles com limitada capacidade de investir em tecnologia, dados e qualificação. A introdução das novas tecnologias cruzará segmentos do setor produtivo, desconstruindo o passado e instaurando uma nova realidade.
No mercado de trabalho, a IA tende a alterar a forma como ele é organizado, remunerado e distribuído setorialmente. Ocupações intermediárias, rotineiras ou intensivas em processamento de informação podem sofrer forte reconfiguração, enquanto cresce a demanda por trabalhadores com maior capacidade analítica, domínio tecnológico e capacidade de adaptação contínua aos novos ambientes. O risco é que a IA aumente a produtividade sem gerar, na mesma proporção, empregos de qualidade. Por isso, a nova configuração exige políticas de formação, requalificação profissional e fortalecimento da capacidade nacional de absorver tecnologia e ter um papel ativo na construção dos novos marcos produtivos.
A terceira dimensão é o declínio da posição americana na configuração geopolítica. A aventura tarifária de Trump já havia causado estragos na posição de centralidade no contexto do comércio mundial. Os países de médio desenvolvimento já buscam comerciar entre si. Segundo a The Economist, entre maio e o fim de 2025, o comércio entre a GrãBretanha, o Canadá, a União Europeia, o Japão, a Coreia do Sul e a Suíça aumentou 12% em comparação com os mesmos meses do ano anterior, mesmo com a queda de 6% nas exportações para os Estados Unidos. A guerra ampliou a percepção de fragilização da posição dominante para o campo militar, na diplomacia e no mundo financeiro.
Os próximos anos mostrarão um reposicionamento de todas as nações. Repensar as fontes energéticas para garantir suprimento nacional será um ponto de honra. Redesenhar o comércio, especialmente o de minerais e outros insumos da produção, numa ótica de segurança do abastecimento, será outro. Mas é nos fluxos financeiros que novas lógicas virão à luz de forma mais intensa. A desagregação de mercados ocasionada pela guerra abriu caminho para o comércio em outras moedas. A degradação da posição de poder americana acionou os mecanismos de proteção contra a concentração de posições em ativos denominados na moeda americana.
De fato, 2026 é o primeiro ano de uma nova configuração da economia e da sociedade. E tenho que dizer aos que acreditam que o alinhamento automático aos Estados Unidos ou às soluções do liberalismo “anti-Estado” produzirão a catástrofe do desenvolvimento brasileiro. O jogo dos próximos anos exige um Estado forte, não mastodôntico, que consiga navegar na nova realidade tomando decisões e compondo alianças que preservem ao País a capacidade de manter mínima coesão social frente a mudanças que irão do trabalho no mundo da IA à transição climática, passando pelo comércio e pelo sistema financeiro.
O Estado de S. Paulo
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