quinta-feira, 30 de abril de 2026

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará. Dia Branco O que será - À Flor da Pele (Chico Buarque) - Luiza Lara canta Chico Buarque Se você vier Pro que der e vier Comigo Eu lhe prometo o Sol Se hoje o Sol sair Ou a chuva Se a chuva cair Se você vier Até onde a gente chegar Numa praça, na beira do mar Num pedaço de qualquer lugar Nesse dia branco Se branco ele for Esse tanto, esse canto de amor, oh Se você quiser e vier Pro que der e vier Comigo Se você vier Pro que der e vier Comigo Eu lhe prometo o Sol Se hoje o Sol sair Ou a chuva Se a chuva cair Se você vier Até onde a gente chegar Numa praça, na beira do mar Num pedaço de qualquer lugar E nesse dia branco Se branco ele for Esse canto Esse tão grande amor Grande amor Se você quiser e vier Pro que der e vier Comigo Comigo Comigo Geraldo Azevedo Composição: Geraldo Azevedo, Renato Rocha. Poesia | Antônio Abujamra declama Mário Quintana Música | Luiza Lara - O que será (Chico Buarque) - https://youtu.be/XLMKDtU_dkQ Congresso analisa veto ao projeto da dosimetria – 30/4/26 30/04/2026, 10h19 Fonte: Agência Senado Transmissão ao vivo realizada há 5 horas "Congresso Nacional analisa nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas em casos ligados à trama golpista. A proposta pode ter impacto direto sobre condenados e é apontada como potencialmente benéfica ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação ocorre em meio a um clima de tensão entre governo e Congresso, um dia após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF. Deputados e senadores decidem se mantêm ou derrubam o veto presidencial, em sessão conduzida por Davi Alcolumbre." Aqui está o verbete atualizado com os dados históricos e contextuais da sessão do Congresso Nacional: hos.pi.ci.o.so (hos-pi-ci-o-so) adj. Neol. Pol. Qualidade do que é próprio ou digno de um hospício; diz-se do discurso, argumento ou comportamento considerado desconexo, irracional ou delirante no contexto de um debate parlamentar. Pejor. Que evoca a atmosfera de um manicômio; confuso ou desprovido de lógica. Ling. Vocábulo resultante de contaminação fonética entre as palavras hospício e auspicioso, empregado com intenção ofensiva para desqualificar opositores. Exemplo de uso: "O discurso de vocês é hospicioso!" (Deputado Zé, durante análise do veto à dosimetria das penas dos atos de 8 de janeiro, em sessão conjunta do Congresso Nacional em 30/04/2026). [Etim.: hospício + -oso] 🔍 Notas de Contexto Local: Sessão do Congresso Nacional (Câmara e Senado). Pauta: Debate sobre o veto presidencial (VET 3/2026) ao projeto da dosimetria para condenados por tentativa de golpe de Estado. Ocorrência: O termo foi proferido para acusar o som emitido pelo adversário de ser um "eco de hospício", intensificando o clima de polarização da sessão. 💡 Curiosidade: Ao usar o sufixo -oso, o parlamentar acabou criando uma palavra que, sonoramente, se assemelha a "auspicioso" (favorável), gerando uma ironia linguística involuntária no plenário.
Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias Publicado em 30/04/2026 - 06:05 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política O resultado abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear ministros de cortes superiores é exercício de poder A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá. A indicação ao STF sempre foi tratada como prerrogativa presidencial de alto prestígio, cuja aprovação dependia mais de rituais políticos do que de disputas abertas. Ao romper essa tradição, o Senado deixou de ser uma instância homologatória e assumiu protagonismo político explícito, com capacidade de veto efetivo sobre o Executivo. Desde quando Lula rejeitou o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o cargo, desconsiderando um pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e indicou Messias, o advogado-geral da União, as relações do Palácio do Planalto com o Senado ficaram estremecidas. Lula retardou ao máximo a indicação formal de Messias por causa disso, mas resolveu fazê-lo mesmo sem um acordo com Alcolumbre, por pressentir o perigo com a aproximação do processo eleitoral. Pagou para ver e perdeu a aposta. O dado mais relevante, porém, não está apenas no resultado, mas na engenharia política que o produziu: a convergência entre Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinaliza a formação de um novo eixo de poder dentro do Congresso. Alcolumbre, que até então operava como mediador e, em muitos momentos, como anteparo institucional contra iniciativas mais agressivas da oposição, deslocou-se para uma posição de maior autonomia — ou mesmo de alinhamento tático com forças oposicionistas. Esse movimento rompe uma lógica de contenção que vinha permitindo ao governo administrar crises sem sofrer derrotas frontais. A partir de agora, cada votação relevante exigirá negociação real, concessões concretas e maior capacidade de articulação política. O governo perde não apenas votos, mas previsibilidade. E, em política, a perda de previsibilidade costuma ser mais grave do que a perda episódica de maioria. Há também implicações diretas para o próprio STF. A rejeição de um indicado presidencial reabre o debate sobre os critérios de escolha e sobre o grau de politização da Corte. Nos últimos anos, consolidou-se a percepção de que o tribunal passou a desempenhar papel central na arbitragem de conflitos políticos, o que elevou o custo das indicações. Leia também: Após derrota, governo Lula atribui rejeição de Messias à articulação política Ao barrar Messias, o Senado envia um recado ao Executivo, de que não aceitará indicações automáticas, e ao Supremo, de que sua composição passou a ser objeto de disputa política aberta. Lula tenta assimilar a derrota como um revés parlamentar e não uma ruptura definitiva. A seus auxiliares, disse que tinha o direito de indicar Messias e o Senado, de rejeitar. Liturgia do cargo Mas não é essa a leitura da oposição e dos aliados do Centrão que traíram o governo. Do ponto de vista histórico, o episódio é raro. Desde o início da República, ainda sob Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, não se registrava uma rejeição dessa natureza com impacto político comparável. Isso confere à derrota de Lula um caráter simbólico poderoso: ela representa não apenas um revés e quebra de um padrão institucional que atravessou diferentes regimes e conjunturas, mas fragilidade do projeto de reeleição, ou seja, perda de expectativa de poder. Politicamente, o impacto é profundo. Lula construiu seu terceiro mandato com base em uma estratégia de recomposição de alianças amplas com o Centrão, buscando apoio nos estados para garantir governabilidade. A derrota expõe os limites dessa estratégia. Mostra que o chamado “centrão ampliado” não opera como base orgânica, mas como um conjunto de forças voláteis, que respondem a incentivos específicos e a correlações de força momentâneas. Além disso, a articulação que levou à rejeição fortalece a oposição liderada por Flávio Bolsonaro, que passa a demonstrar capacidade de influenciar decisões estratégicas mesmo sem maioria formal. Isso já é resultado da expectativa de poder gerada pelos reiterados empates técnicos com Lula nas pesquisas de intenção de votos. Esse dado tem implicações diretas para o cenário eleitoral de 2026, pois indica que a oposição não apenas resiste, mas consegue impor derrotas relevantes ao governo no terreno institucional. Ou seja, passou à ofensiva no Congresso. Leia mais: Senado vira palco de festa bolsonarista após derrota de Jorge Messias Outro aspecto é o enfraquecimento da autoridade de Lula. O resultado da votação abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade presidencial. Em sistemas presidencialistas, a capacidade de nomear ministros de cortes superiores é um dos instrumentos mais relevantes de poder. Ao ver sua indicação rejeitada, Lula sofre um desgaste que transcende o episódio específico e atinge sua imagem de liderança política de forma irremediável neste mandato. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Alcolumbre, #Bolsonaro, #Messias, #Senado, #STF, Lula
“A resposta curta é sim. Os discursos na sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em 29 de abril de 2026, reforçaram a percepção de que sua indicação está profundamente mergulhada na identidade ideológica do PT, o que a oposição chama de "mar vermelho". Abaixo, os pontos que explicam como esses aliados influenciaram sua trajetória: O Papel dos Aliados na Sabatina Rogério Carvalho (PT-SE): Atuou como um dos defensores mais enfáticos, focando na lealdade de Messias ao projeto de governo. No entanto, essa defesa explícita acabou alimentando as críticas de que o indicado seria um "ministro militante" em vez de um magistrado isento. Renan Filho (MDB-AL): Como parte da base governista, tentou dar um ar de "frente ampla" à indicação. Contudo, seu apoio foi lido como uma chancela política tradicional, o que não ajudou a dissipar a imagem de que Messias é uma escolha puramente política. Randolfe Rodrigues (PT-AP): Como líder do governo, foi o articulador principal. Sua mudança de tom — de uma previsão de vitória fácil para a admissão de dificuldades — expôs a fragilidade da indicação diante da resistência no Senado. Camilo Santana (PT-CE): O ex-ministro da Educação e senador cearense adotou um discurso firme contra o "fascismo" e em defesa do campo progressista. Essa retórica, embora unificadora para a esquerda, serviu de munição para a oposição, que acusou o grupo de aparelhar o STF. A Deriva pelo "Mar Vermelho" A expressão "mar vermelho petista" refere-se à forte marca partidária que Messias carrega desde o episódio do "Bessias" no governo Dilma. Os discursos dos seus aliados: Reforçaram a bolha: Em vez de pontes com o centro e a direita, as falas focaram em valores caros apenas à esquerda. Dificultaram a aprovação: A oposição, liderada por nomes como Marcos Rogério (PL), usou justamente essa proximidade excessiva para questionar a independência de Messias. Geraram desgaste: O recuo de Randolfe Rodrigues, admitindo que o resultado poderia ser negativo, mostrou que o apoio ideológico não foi suficiente para garantir os votos necessários na CCJ e no Plenário. 🚩 Ponto chave: A estratégia de defesa baseada na militância e na identidade partidária acabou isolando Messias, transformando sua sabatina em um embate ideológico que mais dificultou do que facilitou.”
Cleitinho sobe o tom em sabatina de Jorge Messias: “STF está desmoralizado!” Jovem Pan News 29 de abr. de 2026 #JovemPan #3em1 Durante a sabatina na CCJ, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) subiu o tom contra o indicado ao STF, Jorge Messias, afirmando que a Suprema Corte está "desmoralizada" perante os brasileiros. Em resposta, Messias defendeu a imparcialidade e o "bom senso" como requisitos fundamentais para o cargo. O indicado buscou se distanciar de polêmicas, reforçando seu compromisso com a Constituição e o diálogo entre os Poderes. https://x.com/i/status/2049597700048388395 Assista à íntegra: https://youtube.com/live/neTj4PxAnSk
- Senador Cleitinho fala de “fogo no rabo” em sabatina de Jorge Messias para o STF “Escolha meu amigo para onde vê quer ir! Quer o céu ou inferno? (…) desceu o elevador e foi para o inferno ministro! Chegou lá não tinha nada, só tinha o fogo queimando no rabo dele”
Lula sofre derrota histórica Por O Estado de S. Paulo Senado rejeita indicado do presidente ao STF, o que não acontecia desde o século 19, mas não o fez porque se tratava de um despreparado, e sim porque decidiu escancarar a crise com Lula Fez muito bem o Senado ao recusar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Como já dissemos neste espaço, o advogado-geral da União não possuía notável saber jurídico, um dos mais importantes pré-requisitos constitucionais para vestir a toga no STF, e só foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque devota lealdade canina ao demiurgo petista. Mas é preocupante que o Senado tenha tomado tão grave decisão não em razão do óbvio despreparo do postulante, e sim porque algo não funcionou nas negociações entre Lula e os parlamentares, sobretudo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Messias pagou a conta de um governo com imensas dificuldades na articulação política e cada vez mais acuado diante da perspectiva de derrota de Lula na eleição. É preciso ter a real dimensão do fato histórico ocorrido na noite de ontem: Lula é o primeiro presidente a ter uma indicação ao STF rejeitada desde Floriano Peixoto, no final do século 19. De lá para cá, todos haviam sido aprovados pelo Senado, inclusive os mais escandalosamente despreparados, como Dias Toffoli, cujo “saber jurídico” era seu notório trabalho como advogado do PT e que levou bomba nos dois concursos que prestou para a magistratura. Perto dele, Messias é um Moreira Alves. Por ora, a sociedade pode respirar aliviada por não ter sido vítima de um erro cujas consequências nefastas para o País seriam muitíssimo duradouras, considerando que o jovem Messias, se aprovado, ficaria no Supremo até meados deste século. Mas o alívio há de ser, a um só tempo, cauteloso e vigilante. O acerto do Senado não decorreu de um juízo rigoroso sobre a capacidade técnica de Messias, mas sim de um cálculo político rasteiro, que provavelmente ficará mais claro nos próximos dias. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, como se viu, mais uma vez esteve longe de cumprir sua finalidade. Não se discutiram com a seriedade devida as credenciais jurídicas de Messias, tampouco se exigiu dele a demonstração inequívoca dos atributos requeridos pela Lei Maior para ingresso na mais alta corte do País. O que se viu, ao contrário, foi a repetição de um teatro medíocre, esvaziado de espírito público, cujo desfecho acabou sendo definido, a bem da verdade, não no plenário, mas nos conchavos de gabinete. A rejeição de Messias, ao que tudo indica, resultou da incapacidade do governo Lula de satisfazer as demandas do grupo político que ora comanda o Senado. No nível em que foram oferecidos pelo Palácio do Planalto, cargos em órgãos estratégicos da alta administração pública, emendas bilionárias e espaços de influência política parecem não ter bastado, o que prenuncia uma crise muito maior. O episódio expõe a profunda deterioração das relações entre o Executivo e o Legislativo. A recusa inédita de um indicado ao STF não importa por si só, mas sobretudo como sintoma de uma turbulência institucional muito mais ampla, cujas consequências tendem a se estender para muito além das eleições de 2026. Ao impor uma derrota dessa magnitude ao presidente da República, o Senado sinaliza uma disposição de confronto que pode comprometer a governabilidade e tensionar ainda mais o já cambaleante equilíbrio entre os Poderes – incluindo, claro, o Judiciário. Não assistimos, portanto, a um surto de zelo republicano por parte dos senhores senadores. Fosse o Senado mais cioso de seu papel constitucional e menos covarde, o Supremo certamente não estaria coalhado de ministros despreparados para o cargo e, consequentemente, não estaria imerso na pior crise de credibilidade de sua história. O que mudou desta vez foi apenas o desfecho da barganha que ainda rege as relações entre os Poderes, com o evidente enfraquecimento de Lula – e, por tabela, do próprio Supremo, cujos principais integrantes fizeram campanha por Messias. E tudo isso se dá debaixo de pesadas nuvens que anunciam tempestade.
quinta-feira, 30 de abril de 2026 Duas transparências, por Eugênio Bucci O Estado de S. Paulo Autoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis. Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência. Fora isso, é bom tomar cuidado com a palavra. Há malversações de sentido em torno dela. Basta ver que os mesmos agentes que viabilizam os penduricalhos também se declaram campeões da transparência. Não podem ver um microfone na frente que já começam a escandir o substantivo feminino mais amado da temporada. Sim, é uma contradição. A transparência aberta pelo bom jornalismo os constrange, mas eles não passam recibo. Quando pegos no contrapé, emudecem no casulo de suas sacrossantas privacidades. Nenhuma vírgula sobre dinheiros vultosos que acumulam e regalias de que desfrutam. Logo em seguida, recompostos, desfiam sermões sem fim à causa sonora, pomposa e melíflua da transparência. Nessas horas, parece que alguém estatizou o cinismo. Repito: é bom tomar cuidado. Na raiz dessa contradição mora um embaralhamento semântico. Há duas acepções de transparência se enroscando e se confundindo. De um lado, existe o significado republicano da palavra. Aí, a expressão “dar transparência” significa “dar publicidade” e “dar publicidade” quer dizer abrir os gabinetes do Estado para que a sociedade possa ver melhor o que se passa lá dentro. As divisórias, os biombos e os muros da máquina pública não podem ocultar o destino dos recursos públicos. Ao contrário, devem ser transparentes. Foi a isso que Rui Barbosa se referiu quando escreveu, lá se vai um século, que “aqueles que se consagram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro”. O sentido republicano da palavra é o que vale tanto para a prática do jornalismo quanto para o conceito de democracia. Quanto mais forte é o regime democrático, mais os palácios dos Poderes da República têm “paredes de vidro” – e mais a intimidade dos cidadãos é respeitada. Quando o totalitarismo leva a melhor, o Estado fica opaco e a intimidade dos cidadãos, exposta. (Na década de 1980, Mikhail Gorbachev criou a Glasnost para varrer o totalitarismo da União Soviética e desativar o Estado opaco do stalinismo, que violava a privacidade de todo mundo. Deu errado, você sabe. Gorbachev caiu e a carcaça stalinista ficou. Putin que o diga. Em tempo: Glasnost, em russo, quer dizer transparência.) Passo agora à segunda acepção da palavra. Eu a chamo de acepção demagógica. Agora, a transparência deixa de ser um meio racional para garantir que os assuntos públicos sejam expostos ao público na justa medida e se converte em virtude absoluta. Pessoas, empresas, igrejas, times de futebol, partidos políticos ou tribunais só vão para o céu se pregarem a transparência com fervor. O que vale é a propaganda. O que vale é o melodrama. Só é bom quem não esconde nada, nem de si, nem de ninguém. Por óbvio, estamos diante de uma empulhação. Ninguém é transparente por inteiro. Não há como ser transparente por inteiro. Nelson Rodrigues tinha razão: “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”. O convívio social exige alguma opacidade exterior, assim como a saúde psíquica exige um pouco de opacidade interior. A transparência demagógica ignora o óbvio. Vive de montar circos e de encenar atrações vazias e pirotécnicas. Ser supostamente “transparente” vale mais do que ser íntegro, respeitoso ou decente. Trump e Bolsonaro se beneficiam dessa mentalidade: pronunciam atrocidades e são aplaudidos porque são “sinceros” e “autênticos”. A língua solta, chula e estúpida vira um trunfo moral. A propósito, acaba de sair um livro que é uma aula preciosa sobre a matéria: Contra a transparência, do jornalista Hamilton dos Santos (Editora Iluminuras). Erudito, elegante e didático, o autor ensina: “Fazemo-nos sujeitos no mundo escondendo o que há por trás da máscara – segredo para os outros, mistério para nós mesmos. Nós existimos porque nosso rosto é opaco.” Pobre de quem não sabe disso. As autoridades que validam penduricalhos (com rebotalhos), ocultam negociatas (com mamatas) e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência do Estado Democrático de Direito – a gente conhece o estilo – estão nos enganando. A transparência deles suja a democracia. site ou Blogger:

🌿 Reflexão

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


🎵 Dia Branco

Geraldo Azevedo

Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu lhe prometo o sol
Ou a chuva, se a chuva cair...

Composição: Geraldo Azevedo e Renato Rocha


🎶 O que será – À flor da pele

Chico Buarque | Interpretação: Luiza Lara

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📜 Poesia

Antônio Abujamra declama Mário Quintana


🏛️ Congresso Nacional – 30/04/2026

Resumo:

O Congresso Nacional analisou o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas em casos ligados à tentativa de golpe. A sessão ocorreu em clima de tensão entre Executivo e Legislativo, com impacto direto sobre condenados e repercussão política relevante.


🧠 Linguagem & Política

hos.pi.ci.o.so (adj.)

Neologismo político que descreve discurso ou comportamento considerado irracional ou desconexo em debates parlamentares. Deriva da junção de “hospício” com “auspicioso”, sendo usado de forma pejorativa.

Contexto: termo utilizado durante sessão do Congresso em 30/04/2026, refletindo o clima de polarização.


📰 Análise Política

Rejeição de Jorge Messias ao STF

A rejeição do nome indicado ao Supremo Tribunal Federal marca um momento histórico e evidencia fragilidade na articulação política do governo. O episódio reposiciona o Senado como protagonista e altera a dinâmica entre os Poderes.

  • Derrota política relevante para o governo
  • Perda de previsibilidade no Congresso
  • Fortalecimento da oposição
  • Aumento da tensão institucional

⚖️ Sabatina e Polarização

A sabatina foi marcada por forte embate ideológico. Discursos de aliados reforçaram a identidade partidária do indicado, enquanto opositores questionaram sua imparcialidade.

Conclusão: a estratégia política dificultou a aprovação.


🔥 Momentos de Tensão

Durante a sabatina, houve discursos duros e linguagem provocativa, refletindo o nível de polarização no cenário político atual.


🗞️ Editorial

Lula sofre derrota histórica

A rejeição de um indicado ao STF, fato raro desde o século XIX, expõe a crise na articulação política do governo e evidencia o desgaste na relação entre Executivo e Legislativo.


✍️ Opinião

Duas transparências – Eugênio Bucci

O artigo distingue dois tipos de transparência:

  • Republicana: ligada à exposição legítima do poder público
  • Demagógica: usada como discurso vazio e ferramenta de autopromoção

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