Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
terça-feira, 21 de abril de 2026
A DANÇA DAS MÁSCARAS
Poesia | Trecho da obra "Romanceiro da Inconfidência" (Cecilia Meireles) por Antônio Abujamra
Música | Mônica Salmaso - Beatriz (Edu Lobo)
RODA VIVA | DANIEL MUNDURUKU | 20/04/2026
Roda Viva
Transmissão ao vivo realizada há 18 horas Roda Viva
Em uma edição que aprofunda o debate em torno do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, o Roda Viva recebe, nesta segunda-feira (20/4), o escritor e professor Daniel Munduruku.
Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Munduruku é autor de mais de 70 livros e tornou-se recentemente o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Paulista de Letras em seus 116 anos de história.
O Roda Viva vai ao ar toda segunda, a partir das 22h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube
#RodaViva #TVCultura #SomosCultura
Manhattan Connection | 19/04/2026
Manhattan Connection
Estreou em 19 de abr. de 2026
O Manhattan Connection evoluiu.
De um programa semanal, ele se transformou em uma plataforma contínua de conteúdo, análise e interação — pensada para quem quer entender o mundo com profundidade, contexto e visão crítica.
“Trump materializa um dos pontos fracos da democracia. Especialmente quando o eleitor está mais interessado no espetáculo do que na responsabilidade, líderes perigosamente destrutivos chegam ao poder. Acabam saindo, mas o estrago pode ser grande.”
Mônica Bergamo: Flávio Dino propõe reformas no Judiciário e “eleva a régua” para Código de Fachini
Rádio BandNews FM
Stuart Hall: nascimento e morte do sujeito moderno
A DANÇA DAS MÁSCARAS
O iluminismo fora de lugar e a crise de identidade do Supremo
O Supremo Tribunal Federal diante do espelho de Stuart Hall: entre a razão, a política e a fragmentação.
EPÍGRAFE
“Não me convide para dançar, porque eu posso aceitar.”
— Gilmar Mendes
ARTE CONCEITUAL
Colagem digital: o Supremo refletido no espelho da fragmentação — identidade, poder e linguagem em sobreposição.
LEAD
Brasília, 21 de abril de 2026.
Data de densidade simbólica — evocando Tiradentes e Tancredo Neves —, o Brasil assiste a um episódio que transcende o conflito institucional imediato. O embate entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Alessandro Vieira, no desfecho da CPI do Crime Organizado, revela algo mais profundo: uma crise de identidade no coração do Supremo.
Sob o que Luiz Carlos Azedo define como “iluminismo fora de lugar”, o Judiciário — pressionado por mais de 75 milhões de processos e por uma sociedade polarizada — oscila entre o papel de árbitro e o de protagonista.
I. A DANÇA COMO LINGUAGEM DO PODER
A metáfora da dança, evocada por Gilmar Mendes, não é casual. Ela traduz um deslocamento: o da política institucional para o campo da performance.
A rejeição do relatório de Alessandro Vieira — por 6 votos a 4, após rearranjos regimentais de última hora — expõe uma lógica em que o resultado não decorre apenas da deliberação formal, mas da capacidade de orquestrar o tempo, o rito e a composição do jogo.
A chamada “goleada” não é apenas numérica. É simbólica.
É o momento em que o processo se converte em encenação.
II. O SUPREMO SOB A LENTE DE STUART HALL
A análise de Luiz Carlos Azedo, inspirada em Stuart Hall, permite compreender o STF como um espaço de identidades sobrepostas:
O sujeito iluminista — Alexandre de Moraes
A crença na razão como eixo ordenador.
O sujeito sociológico — Flávio Dino
A mediação entre instituições e sociedade.
O sujeito pós-moderno — Gilmar Mendes
A fluidez estratégica — a “celebração móvel”.
O resultado não é equilíbrio, mas fricção:
instabilidade, exposição e perda de previsibilidade.
III. ENTRE WEBER E A RESPONSABILIDADE DA RESPONSABILIDADE
O embate ecoa a distinção de Max Weber entre:
ética da convicção
ética da responsabilidade
O que emerge, porém, é uma terceira camada:
a responsabilidade da própria responsabilidade —
um cálculo voltado à preservação do sistema.
IV. O DRAMA EM GENTE
Sob a lente de Fernando Pessoa, o Supremo deixa de ser instituição e torna-se encenação.
Cada ministro é personagem.
Cada decisão, um ato.
A política, como o poema, não fixa sentido —
desloca-o.
V. A PERDA DE ADERÊNCIA
Com mais de 75 milhões de processos, o Supremo Tribunal Federal enfrenta um paradoxo:
quanto mais decide, mais se expõe
quanto mais se expõe, mais se politiza
quanto mais se politiza, mais se distancia da sociedade
Como observa Luiz Carlos Azedo, o Supremo deixou de ser apenas árbitro — tornou-se ator.
VI. CONCLUSÃO — ENTRE A TOGA E A MÁSCARA
Diante do espelho de Stuart Hall, o STF oscila entre razão e performance.
A Constituição permanece.
Mas sua encenação muda.
E a dança continua.
VII. ESTAÇÃO DE ESPORETE — O CORPO QUE DESOBEDECE
Garrincha no Estádio do Maracanã, 1953 — o improviso como linguagem.
“Esporete”, aqui, não como erro, mas como desvio —
uma palavra que, como o corpo de Garrincha, recusa a linha reta.
Ao contrário da previsibilidade institucional, há corpos que escapam à norma.
Garrincha era um desses.
Não jogava para confirmar estatísticas —
jogava para desorganizá-las.
No campo, o improviso rompe a lógica.
No tribunal, a coreografia a preserva.
Entre um e outro, permanece a pergunta:
é a ordem que sustenta o jogo — ou o desvio que lhe dá sentido?
FONTES E REFERÊNCIAS
Luiz Carlos Azedo — As eleições, a politização do Supremo e o iluminismo fora de lugar
Stuart Hall — A Identidade Cultural na Pós-Modernidade
Max Weber — Ciência e Política: Duas Vocações
Fernando Pessoa — Livro do Desassossego
"Se essa dança das cadeiras que vem ocorrendo por aí, assim como a incansável — e aparentemente inútil — luta para que as instituições reconheçam seu valor, não são mera casualidade, mas parte de uma coreografia cuidadosamente ensaiada, então:
"Se me chamar para a dança, eu danço. Eu gosto de dançar." Assim respondeu Gilmar Mendes ao indiciamento mencionado no relatório do senador Alessandro Vieira, advogado e delegado concursado da Polícia Civil. O relatório, porém, não foi aprovado — não por insuficiência de argumentos, claro, mas graças a um súbito surto de criatividade regimental, materializado em substituições providencialmente executadas nos instantes derradeiros da sessão. Na leitura e votação, o texto foi derrotado por 6 a 4, com um “corta-luz” político digno de jogada ensaiada, conduzido pelo presidente da CPI do Crime Organizado — também advogado e delegado de Polícia Civil, eleito pelo Espírito Santo e de formação fortemente católica, o que, em outros contextos, talvez evocasse algum compromisso com certos princípios.
Resta saber: trata-se de um embate entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade — ou apenas de mais um número bem coreografado, em que a responsabilidade entra em cena apenas para não atrapalhar o espetáculo?"
Direito Constitucional | Revisão Final - 1ª Fase da OAB 46 (Parte 1)
Estratégia OAB
"Essa dança das cadeiras quer anda acontecendo por aí, tanto quanto a luta para que as instituições de plantão reconhecem seu valor, nada sisso é mera casualidade, é tudo parte da misteriosa coreografia do seu destino."
CUMPRE AÑOS DE CADA UNO DE LOS MINSTROS DEL STF BRASILÑO
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