Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A casa (des)arrumada da política
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“A Casa”, de Vinicius de Moraes — metáfora de um projeto em construção
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Agora gravou 'Carinhoso'
Logo após o título, convém recorrer à imagem simbólica de Vinicius de Moraes — o poeta que, com simplicidade desconcertante, descreveu uma estrutura erguida “com muito esmero”, mas desprovida de fundamentos essenciais.
A casa (des)arrumada da política Logo após o título, convém recorrer à imagem simbólica de Vinicius de Moraes — o poeta que, com simplicidade desconcertante, descreveu uma estrutura erguida “com muito esmero”, mas desprovida de fundamentos essenciais.
Para leitura completa da letra e imagem do autor:
🔗 A Casa – texto e referência
A Casa
Ano: 20185
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque a casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.
A casa - Vinicius de Moraes (videoclipe)
Como sintetiza o poema, em versos curtos e contundentes — “não tinha teto, não tinha nada” — a metáfora da casa revela mais sobre ausência do que sobre construção.
Entre o esmero formal e o vazio estrutural
O 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado em abril de 2026, expôs de maneira particularmente clara a tensão que hoje marca a estratégia política da legenda: a tentativa simultânea de reorganizar sua “casa” discursiva e ampliar seu alcance eleitoral, sem enfrentar diretamente suas fragilidades estruturais.
O manifesto aprovado — descrito como “ameno”, “enxuto” e até “desidratado” — evidencia uma escolha deliberada por evitar temas sensíveis. A retirada de referências a escândalos recentes, o silêncio sobre áreas críticas como segurança pública e comunicação digital, e o recuo em propostas mais ousadas, como a reforma do sistema financeiro, apontam para um esforço de contenção narrativa.
Trata-se, claramente, de um movimento de aproximação ao centro político. Como reconhecido por lideranças do próprio partido, o objetivo é reduzir resistências e ampliar a base de apoio. No entanto, essa moderação programática convive com uma retórica que permanece fortemente ancorada na lógica da polarização.
A persistência do enquadramento simplificador
Nesse contexto, a declaração do ex-ministro Fernando Haddad — ao afirmar que “Lula vai concorrer com o Bolsonarinho” — não é um episódio isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de antecipação simbólica da disputa eleitoral de 2026.
A tentativa de rotular previamente o adversário, enquadrando-o como continuidade direta de um projeto político anterior, busca simplificar o cenário eleitoral em termos binários. Essa lógica já foi testada em ciclos recentes, inclusive nas eleições de 2024, quando se procurou associar novos atores políticos a arquétipos conhecidos.
O problema é que esse tipo de operação discursiva tem mostrado eficácia limitada. Em um ambiente político mais fragmentado e com um eleitorado menos suscetível a rótulos imediatos, a repetição de fórmulas tende a produzir desgaste, não adesão.
A casa e suas ausências
É aqui que a metáfora de “A Casa” se impõe com força analítica. Assim como na composição de Vinicius, há um esforço evidente de construção — “com muito esmero” —, mas que parece negligenciar elementos estruturais fundamentais.
O manifesto organiza, sistematiza, suaviza. Mas evita. Contorna. Silencia.
Enquanto isso, as próprias lideranças reconhecem — ainda que de forma indireta — um dado incômodo: há frustração no eleitorado, dificuldades de comunicação com segmentos sociais relevantes e uma percepção de desalinhamento entre discurso e realidade.
A autocrítica aparece, mas de maneira fragmentada. E, sobretudo, não se traduz integralmente no documento oficial que deveria orientar o partido.
Entre reconstrução e reinvenção
Ao afirmar que o país foi “reconstruído grão a grão” e que agora é preciso ir além, Haddad toca no ponto central do dilema petista: a reconstrução, embora necessária, não é suficiente para sustentar um novo ciclo político.
O desafio não é apenas reorganizar a casa — é garantir que ela tenha chão, paredes e teto.
Sem isso, o risco é que o projeto político se torne, como na poesia, uma construção formalmente cuidadosa, mas incapaz de abrigar as demandas concretas da sociedade.
Conclusão: esmero não basta
A estratégia dual do partido — moderação no texto, polarização no discurso — pode até oferecer ganhos táticos no curto prazo. Mas, no médio e longo prazo, tende a cobrar coerência.
Porque, como ensina a lição aparentemente infantil de Vinicius, não basta construir com capricho.
É preciso construir com fundamento.
Caso contrário, a política corre o risco de continuar habitando — e oferecendo ao eleitorado — uma casa elegante na forma, mas vazia na essência.
Se quiser
CANAL LIVRE | RENAN SANTOS E ALDO REBELO
Band Jornalismo
Transmissão ao vivo realizada há 17 horas #BandTVAoVivo
O Canal Livre especial de eleições deste domingo volta a reunir pré-candidatos à presidência da República. Desta vez os convidados são: Renan Santos do Missão e Aldo Rebelo do Democracia Cristã. O programa vai discutir as principais propostas dos candidatos para enfrentar os problemas que mais preocupam os eleitores. Como se transformar numa alternativa para superar a divisão política que se solidificou no país. E as estratégias para melhorar o desempenho demonstrado nas pesquisas eleitorais divulgadas até aqui.
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Manuel V. Gómez
Manuel V. Gómez
Bruselas - 26 ABR 2026 - 00:30 BRT
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Canções de amor parisienses dos anos 60 | Romance francês vintage (acordeão e piano)
Romantic French Music
18 de jan. de 2026 #FrenchChanson #FrenchLoveSongs #VintageMusic
Entre na Paris dos anos 60 com clássicos canções de amor de chanson francesas — uma mistura cinematográfica de romance vintage com vocais femininos suaves, letras poéticas em francês e o som caloroso de acordeão, piano, violão acústico e contrabaixo. Se você ama música francesa de "filmes antigos", atmosfera ao estilo Edith Piaf e vibes aconchegantes de café parisiense, esta coleção é feita para você.
07 de abril de 2026 - 00:01
Por: Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã
Stacey Kent: 'Não consigo cantar numa língua que não compreendo'
| Foto: Sara Pettinella/Divulgação
Tem disco novo de Stacey Kent, rouxinol do jazz contemporâneo, na praça: "A Time For Love". O álbum reafirma sua assinatura artística ao revisitar clássicos como "Carinhoso", que ela canta num português melífluo, fiel a seu estudo de diferentes línguas - algumas bem distantes de seu inglês natal. Vinda de South Orange, em Nova Jersey, a americana de 61 anos vive de seu aveludado gogó desde a década de 1990, quando gravou seu primeiro CD, "Close Your Eyes", em 1997.
De lá para cá, suas bolachas venderam 2 milhões de cópias e contabilizaram centenas de milhões de streams, além de ter conquistado uma indicação ao Grammy. Seu catálogo inclui trabalhos marcantes como "Breakfast On The Morning Tram". Pela estrada musical afora, ela teve entre seus colaboradores Marcos Valle, Roberto Menescal, Danilo Caymmi e o escritor vencedor do Nobel Kazuo Ishiguro.
Em "A Time For Love", ela contou com a direção musical do saxofonista Jim Tomlinson, seu parceiro de vida e de criação, além do pianista Art Hirahara. O resultado é um exercício de leveza que celebrar a força do benquerer. Uma das conquistas da artista é colaborar para a expansão da presença das mulheres no timão da criação artística. "Fico feliz por ver mulheres em lugares que antes eram apenas dos homens. Podemos olhar para isso com esperança, mas ainda há um caminho a percorrer", diz Stacey, que, neste papo com o Correio da Manhã fala de sua intimidade com a Flor do Lácio, dominando a língua portuguesa com capricho gramatical.
Com esse português perfeito que você tem, o que te atrai na canção "Carinhoso"?
Stacey Kent - "Carinhoso" trata de uma pessoa que fala com um amor que não existe, que não está lá. Gosto de canções que falam do "eu". Não me lembro quando eu a ouvi pela primeira vez, mas, provavelmente, fiquei com a versão de João Gilberto, sozinho com violão. Quando eu estava estudando a língua portuguesa na universidade, além mergulhar na gramática de vocês, eu fui conhecer sua música. Ao ouvir "Carinhoso", disse para mim mesma: tenho que encarar essa canção, ela é a minha canção.
Como constrói o repertório de um disco como "A Time For Love"?
Desde sempre, tenho meu iPhone comigo e estou sempre criando listas de músicas. Em qualquer lugar é assim. Posso até estar numa montanha e faço isso. De repente, penso numa canção que temos de cantar, e a anoto. É bem fácil para mim, porque o mundo é muito rico com canções maravilhosas. Eu não escolho de forma programática. Não penso "ah, vou escolher uma canção da Itália; outra, de Portugal; outra, do Brasil". Eu procuro as canções que me tocam, e isso também vem do fato de eu falar outras línguas. Considero essencial compreender a poesia do que canto, para além da melodia. Não consigo cantar numa língua que não compreendo. Cada palavra, cada nota, cada silêncio contam. Minha mãe era professora de Literatura. Em casa, líamos em voz alta quase todas as noites. Descobri muito cedo a minha própria voz, a partir da leitura. Descobri cedo também que a mesma história muda conforme quem a conta. E hoje, no palco, posso cantar qualquer coisa que me soe bem. Será uma reinterpretação... minha.
Há algo na língua portuguesa ou na canção brasileira/portuguesa que ainda não explorou, mas já está em seu radar?
Como disse Vinicius de Moraes, "a vida é a arte do encontro". Eu gosto de deixar as coisas acontecerem naturalmente. Tudo está aberto para mim. Quem vou encontrar pelo mundo pode mudar o meu caminho. Encontrei o escritor Kazuo Ishiguro pelo acaso, e ele mudou tudo no meu trabalho, escrevendo canções para mim. Músicos como Danilo Caymmi, Marcos Valle, Roberto Menescal foram grandes encontros.
E qual o papel do teu companheiro, Jim Tomlinson, na criação musical?
Sem Jim Tomlinson, não sei o que aconteceria na minha vida. A gente se conheceu quando ainda éramos muito jovens. Ele tem uma inteligência fora do comum, um coração enorme. Ela me inspira muito. Quando criamos música, travamos um diálogo. Nem sempre concordamos, claro, mas queremos encontrar juntos uma forma de apresentar ideias. A troca é essencial. Também trabalho há cerca de 20 anos com o pianista Art Hirahara. Entre nós, há uma química criativa muito forte.
Como você avalia o estado atual do jazz?
Não penso muito em gêneros musicais, pois eu me deixo comover com o que escuto. Apesar disso, é fato: o mundo do jazz é muito maior do que as pessoas pensam. Muitas vezes, as pessoas nem percebem que aquilo que está tocando a seu redor é jazz. Ele está em todo o lado: no cinema, nos videogames, em espaços públicos. Na minha relação com o ritmo, tocar ao vivo é o mais importante. Eu canto sempre... mesmo em casa, na cozinha. No palco, contudo, rola outra coisa: um senso de comunidade. É uma forma de partilhar histórias humanas. Não penso muito em géneros.
A tua música fala muito de amor, mas vivemos tempos difíceis. Qual é a dimensão política da sua arte, do seu repertório?
Como dizia o maestro e compositor Leonard Bernstein: "quanto pior o mundo fica, mais precisamos de criar música". É um ecossistema emocional. Temos de criar amor, ternura, comunidade. Foi por isso que dei ao disco o título "A Time for Love". O mundo é bonito, mesmo com tudo o que acontece.
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