sexta-feira, 1 de maio de 2026

Vai, Mas Vai Mesmo

Vai, Mas Vai Mesmo "O trabalho é um dever, todos devem respeitar O Izaura me desculpe, no domingo eu vou voltar Seu carinho é muito bom, ninguém pode contestar Se você quiser eu fico, mas vai me prejudicar Eu vou trabalhar" 🎵 João Gilberto & Miúcha – Izaura (1973) 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=PSrYujXXSdE&t=10s 🔗 https://www.letras.mus.br/joao-gilberto/46567/ 🧭 Reflexão – Dia do Trabalhador Neste Dia do Trabalhador, a homenagem aos trabalhadores também convida à reflexão: entre discursos e realidade, permanece o desafio de garantir condições dignas, segurança e perspectivas concretas de futuro. 🗣️ Debate público “Valor do salário mínimo é muito baixo”, diz Lula “Põe a mão na consciência Deixe-me viver em paz” 📰 Editorial Mais uma chance para o STF Por O Estado de S. Paulo A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal representa um marco político relevante e um sinal claro de tensão entre os Poderes. Pela primeira vez em mais de um século, o Senado rejeitou um indicado presidencial à Corte, gesto interpretado como uma forma de censura institucional. O episódio reflete um descontentamento crescente com o STF, frequentemente acusado de atuar com motivações políticas. Ao mesmo tempo, reposiciona o Senado como ator ativo no equilíbrio entre os Poderes. O texto defende que o Supremo tem agora uma oportunidade de reavaliar sua atuação, resgatando limites institucionais e o chamado “prumo republicano”. 🎵 Ataulfo Alves – Vai, Mas Vai Mesmo Vai, vai mesmo Eu não quero você mais, nunca mais Tenha santa paciência Põe a mão na consciência Deixe-me viver em paz (trecho) Composição: Ataulfo Alves 🔗 https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/66722/ 📰 Editorial O problema da carona em jatinhos Por O Estado de S. Paulo A investigação sobre um voo envolvendo autoridades públicas reacende o debate sobre práticas informais em Brasília — como o uso de aeronaves privadas por agentes públicos. Ainda que nem sempre configure ilegalidade, o texto destaca o problema institucional dessas relações, que podem comprometer a percepção de independência e integridade. A crítica central é clara: a erosão das instituições começa nos pequenos gestos. 🎵 Tom Jobim – Samba do Avião Minha alma canta Vejo o Rio de Janeiro Estou morrendo de saudade (trecho) Composição: Tom Jobim 📰 Análise Política O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e da Bahia Por Luiz Carlos Azedo O artigo propõe uma leitura cultural da política brasileira: São Paulo → espírito modernista (dinâmico, pragmático, em transformação) Bahia → tradição barroca (irônica, crítica, marcada por permanências históricas) A análise sugere que o comportamento eleitoral reflete essas matrizes culturais profundas, indo além de explicações puramente econômicas ou ideológicas. 🎵 Toquinho – Samba de Orly Vai, meu irmão Pega esse avião Você tem razão De correr assim (trecho) Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes 🧠 Bastidores políticos A relação entre Jaques Wagner e o grupo de José Dirceu no PT reflete: Alinhamento na corrente majoritária (CNB) Diferenças de estilo: Wagner → pragmatismo e articulação institucional Dirceu → estratégia partidária e mobilização ideológica Ponto central: Uma parceria estratégica com tensões internas típicas de partidos longevos. 🎥 Vídeo – Jaques Wagner 🎥 Debate político – MyNews 📰 Análise crítica (UOL News) “Uma enciclopédia de erros” em cinco meses Sugestões de legenda: 📰 Neutra: análise crítica sobre políticas recentes 🧠 Analítica: síntese do debate político atual ⚖️ Crítica: avaliação dura da condução governamental ✍️ Literária: expressão de desencanto contemporâneo 📰 Opinião O PT e seu programa sem futuro Por Maria Hermínia Tavares O texto critica o documento programático recente do PT por: Falta de conexão com demandas reais da população Ausência de foco em temas centrais (segurança, saúde) Propostas genéricas e pouco operacionais Conclusão: há um descompasso entre o partido real e sua formulação teórica. 🎵 Chico Buarque – Trocando em Miúdos Eu bato o portão sem fazer alarde E a leve impressão de que já vou tarde (trecho) 🔚 Fecho editorial “Trocando em miúdos, fica a leve impressão — como no verso de Chico Buarque — de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde.” ✅ Vai, Mas Vai Mesmo "O trabalho é um dever, todos devem respeitar O Izaura me desculpe, no domingo eu vou voltar Seu carinho é muito bom, ninguém pode contestar Se você quiser eu fico, mas vai me prejudicar Eu vou trabalhar" JOÃO GILBERTO & MIÚCHA - Izaura 1973 https://www.youtube.com/watch?v=PSrYujXXSdE&t=10s https://www.letras.mus.br/joao-gilberto/46567/
Neste Dia do Trabalhador, a homenagem aos trabalhadores também convida à reflexão: entre discursos e realidade, permanece o desafio de garantir condições dignas, segurança e perspectivas concretas de futuro. "VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO É MUITO BAIXO", DIZ LULA Põe a mão na consciência Deixe-me viver em paz
Mais uma chance para o STF Por O Estado de S. Paulo Rejeição de Messias foi uma espécie de ‘impeachment’ que colocou o Supremo numa encruzilhada: ou a Corte recobra o prumo republicano ou se sujeita a sanções de efeitos imprevisíveis A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), evento inédito na história republicana recente, foi um potente sinal de alerta emitido pelo Senado. Considerando que, em 132 anos, jamais um indicado ao STF pelo presidente da República teve seu nome rejeitado pelos senadores, é correto afirmar que Messias já pisou no Congresso na manhã de quarta-feira passada como virtual ministro, crente que lá estava só para cumprir tabela. Assim, na prática, seu infortúnio pode perfeitamente ser lido como uma espécie de “impeachment” informal, algo semelhante a uma moção de censura a certos desvios que, reiteradamente, têm sido cometidos por ministros da Corte. É claro que não assistimos a um arroubo inconsequente dos senadores. Em amplos segmentos da sociedade, grassa um profundo descontentamento com os rumos do STF, percebido, com razão, como um tribunal que age por motivações políticas e por um espírito de corpo que, à luz das implicações de alguns de seus integrantes no escândalo do Banco Master, soa como acobertamento. Os senadores não são alheios aos humores de suas bases. Por óbvio, capturaram a malaise e sinalizaram ao STF que o eventual impeachment de ministros não está só no radar do Senado – está na alça de mira. Nesse sentido, a rejeição de Messias sepultou a ideia de que “impeachment” seria um termo impronunciável quando relacionado a ministros do STF. E sobre isso é bom que se diga que não se tratou de uma ameaça, mas antes da reafirmação de um instrumento constitucional legítimo que, até agora, apenas dormitava no campo das hipóteses. Logo, ao demonstrar capacidade de, a um só tempo, contrariar o governo e impor limites ao Supremo, o Senado reposicionou o impeachment de ministros no horizonte político do País. Alguns no STF talvez acreditem estar blindados contra reveses no Senado pela circunstancial associação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), outro potencial implicado no caso Master. O fundo de pensão dos servidores públicos do Amapá, controlado por aliados de Alcolumbre, investiu milhões de reais em títulos podres emitidos por Daniel Vorcaro. Mas, se existe, esse mutualismo é frágil. Nada garante a reeleição do presidente do Senado no início da próxima legislatura. A depender do resultado das urnas, há, no mínimo, dois fortes candidatos à sucessão de Alcolumbre publicamente reconhecidos como tais: Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN). Diante dessas perspectivas nada alvissareiras, o STF tem mais uma chance de se recolher, pôr a mão na consciência e recobrar o prumo republicano. Chega de ministros censurando cidadãos a torto e a direito por suas opiniões. Chega de ministros ameaçando e caluniando abertamente parlamentares no exercício do mandato, como fizeram Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Chega de concentração de poder na figura de Alexandre de Moraes, que há anos comanda com mão de ferro inquéritos que já deveriam ter sido encerrados. Chega de ministros que acham que têm o poder de falar pela Corte, como o calouro Flávio Dino, que foi à imprensa pontificar sobre uma ampla reforma do Judiciário, e Gilmar Mendes, que fez uma turnê de entrevistas para supostamente defender o STF, colhendo resultado diametralmente oposto. Chega de ministros que se põem acima das leis, infensos ao escrutínio público. Louve-se, em sentido oposto, a postura do presidente do Supremo, Edson Fachin, que, ao comentar a decisão do Senado, relembrou que ainda há laivos de dignidade na mais alta corte do País. Sua nota pública – sóbria, respeitosa, democrática – reafirmou o papel do STF e mostrou por que apenas seu presidente deve falar em nome da instituição. A propósito, é vergonhosa a forma como Fachin tem sido tratado por alguns colegas, como se o comando informal do Supremo estivesse nas mãos de leões-de-chácara. Em suma, o tranco da rejeição de Messias oferece a alguns ministros do Supremo uma nova oportunidade de reflexão, permitindo-lhes, se acaso quiserem, recalibrar sua atuação à luz dos limites que a Constituição impõe. Aproveitar ou desperdiçar a chance, com suas consequências, é escolha deles. Vai, Mas Vai Mesmo Ataulfo Alves Vai, vai mesmo Eu não quero você mais, nunca mais Tenha santa paciência Põe a mão na consciência Deixe-me viver em paz Vai, vai mesmo Eu não quero você mais, nunca mais Tenha santa paciência Põe a mão na consciência Deixe-me viver em paz Sai de vez do meu caminho Dê a outro o seu carinho Me abandone por favor, ai que dor Você machucou meu peito Não tem mais o direito De mandar no meu amor Sai de vez do meu caminho Dê a outro o seu carinho Me abandone por favor, ai que dor Você machucou meu peito Não tem mais o direito De mandar no meu amor Composição: Ataulfo Alves. https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/66722/ https://www.youtube.com/watch?v=An0jwdb0wvQ&t=5s
O problema da carona em jatinhos Por O Estado de S. Paulo Suspeita de contrabando em voo no qual estavam parlamentares evidencia a relação cinzenta entre autoridades e empresários, considerada natural em Brasília, mas nociva às instituições A Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo realizado em aeronave do empresário Fernando Oliveira Lima, investigado no âmbito da CPI das Bets, após a entrada irregular de bagagens no País. Durante a apuração, constatou-se que estavam a bordo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal diante da possibilidade de envolvimento de autoridades com foro, e imagens mostram um funcionário do empresário transportando volumes por fora do raio X com possível facilitação de um auditor fiscal. Pode até ser que os parlamentares em questão não tenham nada a ver com o possível caso de contrabando, algo que só as investigações poderão mostrar, mas o episódio em si mesmo é obviamente constrangedor – e poderia ter sido perfeitamente evitado se os mencionados parlamentares tivessem recusado a carona, como deveria fazer qualquer político preocupado com sua imagem e com o respeito aos mais comezinhos princípios republicanos. O problema é que, em Brasília, há práticas típicas, como a carona de parlamentares e magistrados em aeronaves privadas, que se tornaram até mesmo naturais, a despeito de claramente afrontarem esses princípios. Ao longo dos anos, consolidou-se na capital federal uma espécie de tradição informal: às quintas-feiras, encerrada a agenda legislativa e judiciária, autoridades deixam a capital a bordo de jatinhos oferecidos por empresários. A cena é conhecida, reiterada e amplamente aceita nesse ecossistema. O busílis, evidente, é que o favor nunca é de graça. Empresários podem até ter amigos, mas certamente têm muito mais interesses. Ora, parlamentares dispõem de passagens aéreas custeadas pelo mandato. Ministros de tribunais superiores não enfrentam, em regra, obstáculos logísticos intransponíveis para voar em linhas comerciais. Quando, ainda assim, recorrem a aeronaves privadas, a questão deixa de ser operacional e passa a ser institucional. Não se trata, necessariamente, de ilegalidade. Trata-se de algo mais sutil e, por isso mesmo, mais corrosivo: a diluição das fronteiras entre o público e o privado. Um voo em jatinho não é um gesto trivial de cortesia. Trata-se de um benefício de alto valor econômico, inacessível à imensa maioria da população e, por definição, seletivo. Ao aceitá-lo, a autoridade pública estabelece uma relação de proximidade com quem o oferece. E proximidade, em política, raramente é neutra. A prática não se restringe a episódios isolados. Reportagem de O Globo mostrou que o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso no âmbito das investigações do caso Master, viajou em jatinho ao lado de parlamentares e ex-ministros, em deslocamento típico de fim de semana, reforçando a rotina de compartilhamento de voos entre agentes públicos e interesses privados em Brasília. O relato de que parte dos passageiros nem sequer conhecia o dono da aeronave, mas “aproveitou a carona”, é revelador: o benefício se naturalizou a tal ponto que já não exige sequer vínculo prévio. As explicações recorrentes variam de desconhecimento sobre a propriedade da aeronave até conveniência logística, passando por agendas incompatíveis com voos comerciais. Nenhuma dessas desculpas, por óbvio, é suficiente. Convém insistir: o ponto não é presumir favorecimentos indevidos, tampouco imputar condutas ilícitas sem prova. O ponto é reconhecer que a lisura do agente público não se comprova apenas por meio da ausência de crime, mas também da aparência de isenção, no caso dos magistrados, e de respeito aos eleitores, no caso dos parlamentares. A política brasileira costuma se indignar com escândalos explícitos. Tem mais dificuldade em lidar com as zonas cinzentas que os antecedem. A carona é uma delas, pequena o suficiente para parecer irrelevante, mas grande o suficiente para corroer, pouco a pouco, a credibilidade das instituições. Porque, no fim das contas, a independência não se perde apenas em grandes decisões. Ela se dissolve, silenciosamente, nos pecadilhos cotidianos. Samba do Avião Tom Jobim Minha alma canta Vejo o Rio de Janeiro Estou morrendo de saudade Rio teu mar, praias sem fim Rio você foi feito pra mim Cristo Redentor Braços abertos sobre a Guanabara Este samba é só porque Rio eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Rio de Sol, de céu, de mar Dentro de mais um minuto Estaremos no Galeão Este samba é só porque Rio eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Aperte o cinto, vamos chegar Água brilhando, olha a pista chegando E vamos nós Aterrar Composição: Tom Jobim. https://www.youtube.com/watch?v=fXS0tojxduM&t=70s https://www.letras.mus.br/tom-jobim/49065/
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/wp-content/uploads/sites/20/2026/05/IMG_0045-1024x713.jpeg https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/wp-content/uploads/sites/20/2026/05/IMG_0045-1024x713.jpeg O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e da Bahia Publicado em 01/05/2026 - 09:39 Luiz Carlos AzedoPolítica A liderança de Tarcísio expressa a São Paulo pragmática, voltada à infraestrutura e à segurança. Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos Tem certas coisas na política brasileira que merecem uma leitura meio antropológica, digamos, pela força da cultura local. É o caso do quadro eleitoral em São Paulo e na Bahia, quando analisado à luz de duas matrizes profundas do país: o modernismo de Mário de Andrade e o barroco satírico de Gregório de Matos. Mais do que referências literárias, ambos expressam formas de perceber o poder, a sociedade e suas contradições. Com versos livres, Mario de Andrade captura um mosaico de tensões, ambições e identidades em disputa: “As ruas se cruzam num delírio de aço e de nervos,/ A cidade cresce como um organismo febril,/ E o homem corre, fragmento perdido no tumulto”. Essa São Paulo “desvairada” — caótica, dinâmica e contraditória — é a mesma que se revela no atual cenário eleitoral, no contrafluxo daquele que elegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos) governador de São Paulo, em 2022. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na megalópole paulista, porém, foi muito importante para a sua volta à Presidência. A liderança de Tarcísio, com cerca de 38% das intenções de voto, expressa a São Paulo pragmática, voltada à gestão, à infraestrutura e à segurança, que dialoga com setores médios e empresariais. Contudo, o crescimento de Fernando Haddad (PT), que aparece com 26% e mantém forte presença entre mulheres e eleitores mais velhos, revela a persistência da outra São Paulo, mais social, mais estatal, mais sensível às políticas públicas e à inclusão. O que surpreende não é o favoritismo de Tarcísio, mas a capacidade de resiliência e reorganização do campo progressista, representado por Haddad e por candidaturas ao Senado mais alinhadas à centro-esquerda, que acena ao centro por meio de Tebet. São Paulo continua, como na leitura de Mário de Andrade, um organismo vivo, em permanente mutação, onde o novo não elimina o velho — reconfigura. Personalismo estruturado Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos. Nascido em Salvador no século XVII, o poeta — conhecido como “Boca do Inferno” — fez da linguagem uma arma contra o poder estabelecido, denunciou a corrupção, a hipocrisia e os vícios da elite colonial. Sua obra é marcada pela ironia mais mordaz: “Que falta nesta cidade?… Verdade./ Que mais por sua desonra?… Honra./ Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha”. Trata-se de uma sociedade profundamente hierarquizada, tensionada por conflitos sociais e políticos latentes. A herança barroca ajuda a compreender a persistência de estruturas políticas tradicionais na Bahia, especialmente o chamado carlismo, tradicionalmente influente no interior, hoje representado por ACM Neto (União), cujo principal patrimônio eleitoral, porém, está fortemente enraizado em Salvador, onde foi prefeito de 2013 a 2020. Com cerca de 41% das intenções de voto, ele lidera numericamente, em empate técnico com o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que aparece com cerca de 36% a 37%. A resiliência dessas duas forças, como na poesia de Gregório de Matos, desnuda modernização econômica sem ruptura completa com estruturas de poder tradicionais e desigualdades persistentes. A política baiana não se organiza em torno de uma ruptura modernista, como em São Paulo, mas de uma tensão barroca, em que o novo, quando se sobrepõe, não consegue erradicar o antigo. Não uma exclusividade baiana, a singularidade está no “modo de fazer política”, que não pode ser reduzido a caricaturas de personalismo ou atraso. Na leitura do cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, é um sistema sofisticado, historicamente moldado, que combina forte enraizamento territorial e um personalismo estruturado, com redes políticas duradouras, baseadas na lealdade, na mediação de interesses e na capilaridade. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #ACMNeto, #Bolsonaro, #Haddad, #Jerônimo, #Tarcísio, Lula https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-modernismo-e-o-barroco-nas-eleicoes-de-sao-paulo-e-da-bahia/
Como coordenar a gravata com terno azul marinho “A relação entre o senador Jaques Wagner e o grupo de José Dirceu no PT é pautada por um alinhamento histórico dentro da corrente majoritária, a Construindo um Novo Brasil (CNB), embora ambos ocupem papéis distintos na dinâmica atual do partido.Alinhamento e Influência na CNBAmbos são figuras centrais da Construindo um Novo Brasil, a ala que detém a maioria da direção nacional e regional do PT.Jaques Wagner atua hoje como a face institucional e moderadora, sendo o principal articulador político do governo no Senado.José Dirceu, embora sem cargo oficial, continua como um dos principais ideólogos e estrategistas de bastidores do grupo.O grupo de Dirceu frequentemente defende Wagner como uma alternativa de liderança e "plano B" em cenários de crise ou sucessão, como ocorreu em momentos de incerteza sobre candidaturas presidenciais.Divergências Estratégicas e "Mudança Geracional"Apesar da base comum, surgiram pontos de tensão pública e privada sobre o futuro da legenda:Renovação vs. Velha Guarda: Wagner tem defendido abertamente uma “mudança geracional” e de conteúdo no PT para atualizar o apelo da esquerda.Críticas de Dirceu: Recentemente, Dirceu tem adotado um tom mais crítico, apontando falta de debate interno e alertando para o envelhecimento das lideranças, citando o próprio Wagner e Lula como exemplos desse desafio.Pragmatismo: Wagner é visto como o "diplomata" que dialoga com o centro, enquanto o grupo de Dirceu tende a focar na mobilização da base militante e na defesa ideológica rígida do partido.O Fator 2026A relação entre os dois é estratégica para a manutenção da hegemonia do PT na Bahia e no plano federal.Bahia como Elo: Dirceu e outras lideranças da CNB endossam publicamente a chapa com Jaques Wagner ao Senado em 2026, vendo-o como peça-chave para a reeleição de Lula.Articulação: Enquanto Wagner foca em governabilidade no Congresso, o grupo de Dirceu trabalha para reorganizar o PT para enfrentar o avanço da extrema direita nas próximas eleições.⚓ Ponto Central: Wagner e Dirceu são aliados "orgânicos" da ala majoritária, mas Wagner representa hoje a ala pragmática de governo, enquanto o grupo de Dirceu atua como a consciência estratégica e, por vezes, crítica da estrutura partidária.” O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apareceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), usando a gravata da sorte com listras nas cores verde, amarelo, azul e branco. O acessório é o mesmo utilizado pelo presidente Lula em ocasiões especiais, como quando discursa na Assembleia Geral da ONU. Imagens: Carolina Nogueira/ Metrópoles "Sim, a relação entre o senador Jaques Wagner e o grupo liderado por José Dirceu é fundamentada no pertencimento comum à corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), antiga "Articulação".Alinhamento EstratégicoEmbora possuam estilos de atuação distintos, ambos compartilham a visão pragmática que consolidou a hegemonia da CNB no partido:Pragmatismo Político: Ambos defendem a política de alianças amplas para garantir a governabilidade.Sucessão e Liderança: Dirceu historicamente vê Wagner como um quadro de confiança e, em momentos de crise (como em 2018), chegou a defendê-lo publicamente como o "plano B" do PT para a Presidência.Papéis Complementares: Enquanto Wagner atua como um interlocutor moderado com o mercado e o Congresso (como Líder do Governo no Senado), Dirceu foca na organização partidária e na formulação de estratégias de longo prazo.Nuances e DivergênciasApesar da base comum, existem diferenças importantes na forma como cada um interage com o poder:Moderação vs. Enfrentamento: Wagner é frequentemente visto como a "ala moderada" da CNB, priorizando a diplomacia legislativa.Crises Internas: O estilo conciliador de Wagner por vezes gera atritos com alas mais à esquerda ou até com a cúpula do PT em Brasília (como ocorreu em episódios recentes de articulação no Senado), enquanto o grupo de Dirceu tende a um posicionamento partidário mais rígido.💡 Ponto de convergência: No cenário atual, ambos trabalham pela reabilitação institucional do PT e pela consolidação da sucessão presidencial de 2026, mantendo a CNB no comando da legenda." VEJA O QUE SOBROU DA ARTICULAÇÃO DE LULA | CAFÉ DO MYNEWS MyNews https://www.youtube.com/live/wusOOjAT0yg Entrevista com candidata a deputada federal delegada Marta Rocha. Atualmente é deputada estadual do seu Rio de Janeiro. "Mas veja O meu Rio de Janeiro Antes que um aventureiro Lance mão" Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes. 1974👇 Samba de Orly Toquinho Vai, meu irmão Pega esse avião Você tem razão De correr assim Desse frio Mas veja O meu Rio de Janeiro Antes que um aventureiro Lance mão Pede perdão Pela duração Dessa temporada Mas não diga nada Que me viu chorando E pros da pesada Diz que eu vou levando Vê como é que anda Aquela vida à toa E se puder me manda Uma notícia boa Pede perdão Pela omissão Um tanto forçada Mas não diga nada Que me viu chorando E pros da pesada Diz que eu vou levando E vê como é que anda Aquela vida à toa E se puder me manda Uma notícia boa Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes. https://www.letras.mus.br/toquinho/49119/ https://www.youtube.com/watch?v=eZ6F_Lphrho&t=36s
Na legenda do vídeo está escrito: “que durou cinco meses, foi uma enciclopédia de erros” Na parte inferior, aparece a marca “UOL 30 anos”. Senado rejeita Messias: Lula sofreu pior derrota de sua vida política, diz Kotscho https://www.uol.com.br/flash/?c=d0556a3979e5f9621548ea469bff99f320260430&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral https://www.uol.com.br/flash/?c=d0556a3979e5f9621548ea469bff99f320260430&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral Aqui vão algumas opções de legenda descritiva, prontas para publicação, com variações de tom: 📰 Legenda neutra (jornalística) Comentário exibido no UOL News classifica determinado período como “uma enciclopédia de erros”, em análise crítica sobre a condução de políticas públicas ao longo de cinco meses. 🧠 Legenda analítica Em participação no UOL News, analista avalia que um ciclo recente de cinco meses se configurou como “uma enciclopédia de erros”, reforçando o tom crítico presente no debate político atual. ⚖️ Legenda crítica (mais alinhada ao seu texto) No UOL News, a avaliação é direta: “uma enciclopédia de erros” em apenas cinco meses — síntese dura que dialoga com críticas mais amplas à condução e ao rumo de políticas recentes. ✍️ Legenda mais opinativa/literária “Uma enciclopédia de erros”, em cinco meses — a frase, destacada no UOL News, ecoa o tom de desencanto que atravessa parte do debate público contemporâneo. Se quiser
"Sim, sua afirmação é estritamente correta e historicamente precisa no contexto da República brasileira. A rejeição do nome de Jorge Messias (Advogado-Geral da União) pelo Senado Federal em 29 de abril de 2026 constitui um evento sem precedentes sob a égide de uma democracia plena e eleições diretas.Fundamentação e JustificativaO Ineditismo Histórico: Antes deste episódio, as únicas rejeições de indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreram em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. Naquela época, o Brasil vivia sob a Constituição de 1891, onde as eleições eram indiretas (para o primeiro mandato), o voto era aberto e havia as restrições citadas (exclusão de analfabetos, mulheres, etc.).A Votação de 2026: A indicação de Jorge Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi rejeitada pelo Plenário do Senado por 42 votos contrários a 34 favoráveis (com 2 abstenções/ausências, considerando o total de 81 cadeiras).Para a aprovação, a Constituição Federal de 1988 exige maioria absoluta (41 votos).O rito seguiu o artigo 101, parágrafo único, que prevê a aprovação pelo Senado Federal após arguição pública (sabatina).Legitimidade Democrática: Diferente de 1894, o atual presidente foi eleito por voto direto, secreto e universal, em um sistema de sufrágio plenamente democrático. Portanto, Jorge Messias é, de fato, o primeiro indicado de um presidente eleito democraticamente a ter o nome barrado pela "Casa Alta".Tabela Comparativa de RejeiçõesPeríodoPresidenteContexto EleitoralIndicados Rejeitados1894Floriano PeixotoIndireto / Voto AbertoBarata Ribeiro e outros 4 nomes2026Luiz Inácio Lula da SilvaDireto / Sufrágio UniversalJorge MessiasConclusãoÉ correto concluir que a rejeição de Jorge Messias é um marco na história política brasileira. Ela encerrou um hiato de 132 anos sem vetos do Senado a escolhas presidenciais para a Corte. O evento destaca o atual equilíbrio (ou tensão) entre os Poderes, onde o Senado exerceu sua prerrogativa constitucional de "freios e contrapesos" de forma máxima, algo que nunca havia ocorrido com um presidente eleito pelo voto popular direto e secreto na história da República."
quinta-feira, 30 de abril de 2026 O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia Tavares Folha de S. Paulo Documento apresentado pelo PT em seu congresso não faz jus ao partido real Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano. O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais? A segunda parte contém uma defesa pormenorizada do muito que o governo Lula efetivamente fez para recuperar o país do descalabro promovido durante a gestão da extrema direita —no plano da economia; da redistribuição; do meio ambiente; da cultura e das políticas sociais. Finalmente, vêm as propostas, mais nacional-desenvolvimentistas do que social-reformadoras. O documento fala em "diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional", assentado em três eixos: a reconstrução do Estado como indutor do desenvolvimento; a aceleração do crescimento econômico com redistribuição de renda, riqueza e patrimônio; a transição produtiva, tecnológica e ambiental guiada pelo princípio da soberania nacional. A seguir, aparecem enfileiradas, sem distinção de importância, sete reformas: política e eleitoral; tributária; tecnológica; do Judiciário; administrativa; agrária; e da comunicação. Chama a atenção a falta de referência ao tema da proteção social, como se não houvessem mudanças a fazer na saúde, na educação, na assistência social, na previdência ou na legislação trabalhista. Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores. Não há de ter sido da consulta às ruas, nas quais pesquisas de opinião têm mostrado reiteradamente que a segurança pública —ignorada no texto— e o atendimento à saúde, seguidos do custo de vida, constituem as principais preocupações da população. Tampouco parece vir do contato com a vida real dos pobres nas cidades, com suas aspirações de estabilidade e ascensão social, sua preocupação com a educação dos filhos e com protegê-los da vizinhança cotidiana do crime. Por fim, mas não menos importante, parece não ter vindo da enorme experiência acumulada pelos bons quadros do partido, formados em quase 18 anos no exercício da Presidência, governos estaduais, prefeituras e casas legislativas. Essa vivência poderia acrescer sensibilidade para as questões de eficiência da máquina pública, de restrições fiscais, de melhoria da qualidade e da implementação das políticas governamentais. Em "Construindo o futuro" há pouco que oriente um partido de esquerda democrático, sintonizado com os desafios presentes e capaz de oferecer uma visão progressista de futuro. De fato, a imagem projetada pelo documento não faz jus ao partido real, aos milhares de quadros que formou e aos governos que encabeçou —e encabeça.
“Parafraseando Chico Buarque, fica a leve impressão de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde. No fim das contas, e correndo o risco da mesma precipitação e voluntarismo, estariam os capas vermelhas querendo importar do Oriente o que, há meio século, o próprio Brasil ajudou a exportar?” Trocando Em Miúdos Chico Buarque Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim Não me valeu Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim O resto é seu Trocando em miúdos, pode guardar As sobras de tudo que chamam lar As sombras de tudo que fomos nós As marcas do amor nos nossos lençóis As nossas melhores lembranças Aquela esperança de tudo se ajeitar Pode esquecer Aquela aliança, você pode empenhar Ou derreter Mas devo dizer que não vou lhe dar O enorme prazer de me ver chorar Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago Meu peito tão dilacerado Aliás Aceite uma ajuda do seu futuro amor Pro aluguel Devolva o Neruda que você me tomou E nunca leu Eu bato o portão sem fazer alarde Eu levo a carteira de identidade Uma saideira, muita saudade E a leve impressão de que já vou tarde Composição: Chico Buarque, Francis Hime. https://www.letras.mus.br/chico-buarque/45182/ https://www.youtube.com/watch?v=Uem6w29LcGA&t=45s João Gilberto - Izaura (Audio) “Trocando em miúdos, fica a leve impressão — como no verso de Chico Buarque — de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde. No frigir dos ovos, e sob o risco da mesma precipitação e voluntarismo, estariam os capas vermelhas tentando importar do Oriente aquilo que, há meio século, partiu daqui?”

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