quinta-feira, 19 de março de 2026

Seu Presidente

"Graças a Deus não vou comer mais gato Carne de vaca no açougue é mato Com meu amor eu já posso viver"
Aqui vai um resumo claro e direto do artigo: ENTENDA COMO DEPUTADOS CONDENADOS CONTINUAM NO PODER E O QUE ISSO REVELA SOBRE O BRASIL MyNews Estreou em 18 de mar. de 2026 #politica #stf #congresso No episódio de hoje do Não é bem assim, um debate direto sobre um dos temas mais sensíveis da política brasileira: como deputados condenados por corrupção continuam exercendo seus mandatos. Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães analisam os bastidores de esquemas envolvendo emendas parlamentares e discutem o que esse cenário revela sobre o funcionamento real das instituições no Brasil. A conversa avança para temas ainda mais críticos: a crescente tensão entre STF, Congresso e Executivo, o desgaste da credibilidade das instituições e os impactos políticos que podem influenciar diretamente as próximas eleições. Além disso, o episódio aborda possíveis desdobramentos de uma eventual delação de Daniel Vorcaro e o aumento da pressão por medidas mais duras dentro do próprio sistema político. Se você quer entender o que está por trás das decisões que moldam o país — e o que pode mudar nos próximos anos — este episódio é essencial. 📌 Neste episódio você vai entender: • Por que parlamentares condenados continuam no cargo • Como funcionam os esquemas com emendas parlamentares • A crise entre STF, Congresso e Executivo • A pressão por impeachment de ministros • O papel estratégico do Senado nas próximas eleições
Excellent exposition Bellissima ambientazione con un cortometraggio che spiega la storia della casa. La fontana era lì e c'era una piscina. La mostra d'arte era così ben organizzata! Di BLANCA and LES H Scopri di più ANEXO COMPLEMENTAR — UMA DUPLA LEITURA DE MONTESQUIEU Uma imagem pode oferecer a chave de leitura para o argumento que se desenvolve a seguir: em um jardim, a água de uma fonte se renova continuamente, enquanto sua estrutura permanece inalterada. O contraste entre fluxo e permanência sugere uma analogia precisa com dinâmicas sociais e institucionais — nas quais narrativas se transformam, mas os arranjos que as sustentam tendem a persistir. Nesse contexto, a Carta XXX (Rica a Ibben), de Cartas Persas, de Montesquieu, apresenta-se como leitura complementar à Carta XXIV. Se esta discute a instabilidade das opiniões, aquela aprofunda a reflexão sobre o papel da autoridade e do costume na consolidação de práticas sociais, inclusive quando marcadas por contradições evidentes. A carta evidencia que a coerência não constitui requisito para a permanência de determinadas práticas; basta que sejam reiteradas e socialmente legitimadas. O que, sob um olhar externo, poderia parecer absurdo, tende a ser naturalizado no interior de uma cultura que o repete e o aceita. Tal perspectiva dialoga diretamente com o argumento desenvolvido no ensaio: políticas fiscais podem se reproduzir ao longo do tempo, ainda que acompanhadas por discursos distintos ou até opostos, sem provocar rupturas significativas na percepção coletiva. Não se trata, portanto, de uma crise de lógica, mas de um processo de adaptação cognitiva. Nesse sentido, a seguinte passagem de Montesquieu sintetiza o fenômeno: “Il y a des choses si établies qu’on ne les examine plus.” — Cartas Persas Tradução: “Há coisas tão estabelecidas que já não são mais examinadas.” A formulação concentra, em poucas palavras, a ideia central: tributos se tornam naturalizados, decisões são reiteradas e narrativas deixam de ser questionadas. O problema não reside na mudança em si, mas na ausência de exame crítico diante dela. Assim, à semelhança da fonte que preserva sua forma enquanto a água flui, a política fiscal pode ser compreendida como estrutura relativamente estável, ao passo que as narrativas que a acompanham se transformam continuamente. O desafio contemporâneo, portanto, não se limita à compreensão das políticas públicas, mas envolve a capacidade de reaprendê-las como objeto de percepção crítica. No caso brasileiro, onde medidas frequentemente se repetem sob justificativas distintas, o deslocamento mais relevante não ocorre necessariamente no plano normativo ou econômico, mas na consciência coletiva que as acompanha — em constante movimento, ainda que raramente submetida ao confronto reflexivo.
quinta-feira, 19 de março de 2026 Mendonça prorroga inquérito do Master e Vorcaro negocia delação premiada, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A intensificação de vazamentos e a mobilização de atores ainda não formalmente investigados indicam uma tentativa de redução de danos que pode ter efeito contrário A decisão do ministro André Mendonça de prorrogar por 60 dias o inquérito sobre o Banco Master consolida o protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação, que extrapola o campo financeiro e alcança o coração do sistema político-institucional brasileiro. O caso já é um dos maiores escândalos recentes, tanto pelo volume estimado em mais de R$ 12 bilhões quanto pela complexidade das relações entre agentes públicos e privados. Iniciada em novembro de 2025, a investigação desnudou o funcionamento interno do Banco Master sob a liderança de Daniel Vorcaro, o que ocupava o vértice de um esquema baseado em carteiras de crédito fictícias e engenharia financeira fraudulenta. No começo, o foco era técnico, ainda restrito ao universo bancário. Em janeiro passado, o escândalo financeiro virou um caso mais amplo. O bloqueio de R$ 5,7 bilhões e o rastreamento de ativos evidenciaram a sofisticação do esquema de ocultação patrimonial. Assim, surgiram os primeiros indícios de conexão com o setor público. Apareceram elementos graves, que podem resultar numa crise institucional. A estrutura informal conhecida como “A Turma”, utilizada para monitoramento e intimidação de adversários, além dos indícios de cooptação de servidores do Banco Central, vai além da formação de quadrilha. Por trás da fraude financeira, há evidências de composição de sistema de poder paralelo, com capacidade de influenciar decisões regulatórias e constranger atores públicos e privados. O Supremo passou a ser epicentro da crise. A relatoria do caso, inicialmente sob responsabilidade de Dias Toffoli, passou para André Mendonça. Hoje, o STF é principal ator político envolvido no escândalo. Ao autorizar sucessivas prorrogações, Mendonça garante a continuidade das investigações, mas também concentra poder decisório sobre seus rumos. Em um cenário de possíveis delações premiadas, não se pode descartar o envolvimento de autoridades com foro privilegiado. A Polícia Federal, responsável por conduzir as investigações e revelar a materialidade dos fatos, também está na berlinda. O pedido de prorrogação indica que o volume e a complexidade das provas exigem tempo adicional, o que reforça a robustez do inquérito, mas também amplia o risco de vazamentos, ou seja, comprometer a validade processual. O Banco Central também tem culpa no cartório. Os indícios de cooptação de servidores do BC apontam para uma falha grave no sistema de supervisão financeira. A participação de funcionários em troca de informações privilegiadas representa uma captura regulatória, no qual o ente fiscalizador passa a operar em benefício do fiscalizado. A credibilidade da autoridade monetária está fragilizada na medida em que se amplia o alcance político do escândalo. O caso repercute mais ainda porque envolve o banco estatal do Distrito Federal, um dos poucos que escaparam das privatizações. O afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, mostra que a tentativa de aquisição do Banco Master não era apenas uma operação de mercado, era uma estratégia de legitimação ou salvamento institucional de ativos contaminados, no âmbito da política econômica regional e do uso de instituições públicas para fins questionáveis. Cortina de fumaça A ameaça de delação premiada de Daniel Vorcaro gera mais instabilidade econômica e política. Políticos e autoridades têm medo do conteúdo potencial das revelações e um eventual efeito dominó que podem produzir. A intensificação de vazamentos e a mobilização de atores ainda não formalmente investigados indicam uma tentativa de redução de danos que pode ter efeito contrário e agravar a crise. A troca de advogados e a negociação de uma possível delação é o fato novo no escândalo. O “dilema do prisioneiro”, resistir ou colaborar, clássico da teoria dos jogos, tornou-se de natureza política. São duas estratégias distintas de defesa: a delação ampla pode redefinir o futuro de Vorcaro e arrastar outros atores políticos; sua frustração, com base em nulidades processuais decorrentes de vazamentos, pode comprometer todo o esforço investigativo. Do ponto de vista institucional, o caso mostra a facilidade da captura dos sistemas de controle da República por agentes privados. A interseção entre mercado, Estado e poder político cria um ambiente propício à formação de redes informais de influência, cuja desarticulação depende não apenas de instrumentos jurídicos, mas de vontade política e coesão institucional. Infelizmente, o Congresso faz parte desse processo de captura do bem comum pelos interesses privados e, de certa forma, está atuando para melar a investigação. A prorrogação do inquérito, portanto, é apenas um capítulo dessa crise maior. O desfecho dependerá de o próprio Supremo resistir às pressões internas e externas, para conduzir o processo com rigor técnico e responsabilidade política. O risco não é apenas a impunidade, é a erosão da confiança pública no próprio Estado. Um sinal de que está se armando uma grande cortina de fumaça é o vazamento de informações de natureza íntima, envolvendo Vorcaro e a ex-namorada Martha Graeff, enquanto não se fala mais ou muito pouco da fraude que provocou um rombo de R$ 50 bilhões e R$ 80 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e que pode levar o BRB à liquidação e colapsar fundos de aposentadoria, como o RioPrevidência.
O artigo de Luiz Carlos Azedo descreve a ampliação e o agravamento do escândalo envolvendo o Banco Master, destacando a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar por 60 dias o inquérito. A investigação, inicialmente restrita a irregularidades financeiras sob a liderança de Daniel Vorcaro, evoluiu para um caso de grande alcance político-institucional, com indícios de captura regulatória, cooptação de agentes públicos e formação de redes informais de poder. O texto aponta que o esquema, baseado em engenharia financeira fraudulenta, teria se expandido para influenciar decisões estatais, envolvendo inclusive o Banco Central do Brasil e instituições públicas como o BRB. A possível delação premiada de Vorcaro surge como elemento desestabilizador, com potencial efeito dominó sobre autoridades com foro privilegiado. Ao mesmo tempo, vazamentos seletivos e disputas narrativas indicam tentativas de controle de danos que podem comprometer o próprio processo investigativo. Azedo sustenta que a crise expõe uma fragilidade estrutural: a facilidade com que interesses privados capturam mecanismos de controle do Estado. O risco maior, segundo o autor, não é apenas a impunidade, mas a erosão da confiança pública nas instituições, agravada por uma possível “cortina de fumaça” que desloca o foco da fraude para aspectos periféricos. Conexão com “Uma Dupla Leitura de Montesquieu” A leitura do artigo ganha profundidade quando associada à reflexão de Montesquieu. Assim como na metáfora da fonte — em que a água flui enquanto a estrutura permanece —, o caso descrito revela uma dinâmica recorrente: o fluxo: vazamentos, discursos, versões conflitantes e disputas políticas; a estrutura: a repetição de práticas de captura institucional e acomodação sistêmica. A crise narrada não decorre apenas de um evento excepcional, mas da reiteração de padrões que se tornam progressivamente naturalizados. A possível delação, os vazamentos e até a disputa entre instituições configuram variações narrativas sobre uma engrenagem que permanece funcional. Nesse sentido, a máxima de Montesquieu — “há coisas tão estabelecidas que já não são examinadas” — ilumina o núcleo do problema: a atenção pública tende a se deslocar para o espetáculo da crise, enquanto os mecanismos que a tornam possível continuam operando com relativa estabilidade. Síntese interpretativa O escândalo do Banco Master, conforme descrito por Azedo, pode ser lido menos como ruptura e mais como continuidade. A sucessão de eventos — investigação, prorrogação, delação, vazamentos — constitui o movimento visível da água. Já a persistência de relações promíscuas entre mercado, Estado e poder político corresponde à estrutura da fonte. O desafio, portanto, não reside apenas em apurar responsabilidades individuais, mas em romper o ciclo de naturalização dessas práticas. Sem esse deslocamento crítico, o sistema tende a absorver a crise, reorganizar suas narrativas e seguir operando — como a fonte que permanece, indiferente à mudança constante de seu fluxo.
A crítica da política fiscal O Gargalo Invisível da Energia Disponível Entre a geração abundante e a transmissão insuficiente, o Brasil desperdiça capacidade já paga — e repete, sob novas narrativas, velhos erros estruturais Lead Energia elétrica já amortizada e plenamente disponível continua sendo desperdiçada no Brasil não por deficiência de geração, mas por limitações persistentes na infraestrutura de transmissão — um gargalo estrutural que impede o escoamento eficiente da oferta existente para a demanda. Epígrafe “Há coisas tão estabelecidas que já não são mais examinadas.” — Montesquieu Resumo O presente artigo analisa a recorrência de um problema estrutural no setor elétrico brasileiro: a insuficiência da capacidade de transmissão como fator limitante do sistema. A despeito da existência de energia já gerada, paga e amortizada, a incapacidade de transportá-la adequadamente resulta em desperdício econômico e ineficiência sistêmica. O fenômeno, já observado em crises anteriores, reaparece sob novas circunstâncias políticas, evidenciando a persistência de falhas institucionais e de planejamento. Desenvolvimento Energia pretérita, integralmente remunerada e sucessivamente amortizada, segue sendo, em termos práticos, descartada. Não por escassez de geração, mas por insuficiência estrutural da transmissão — um gargalo que compromete a articulação entre oferta disponível e demanda compatível. A distorção é evidente: ativos depreciados são adquiridos a preços irrisórios, enquanto os investimentos necessários à expansão da malha de transmissão permanecem aquém do requerido. O sistema, assim, revela uma contradição central: produz, mas não entrega; gera, mas não distribui. O problema não é novo. O episódio do apagão ocorrido durante o governo Fernando Henrique Cardoso já evidenciava esse descompasso. Sua reedição no presente confirma tratar-se menos de um evento conjuntural e mais de uma falha estrutural persistente. Do ponto de vista técnico, o sistema opera como um circuito subdimensionado: há energia disponível, mas o meio de condução não suporta o fluxo. A eletrotécnica clássica — anterior mesmo ao advento dos semicondutores — já estabelecia esse princípio. No plano contemporâneo, elétrons e lacunas continuam obedecendo às mesmas leis físicas: sem um meio adequado, o fluxo não se realiza. Considerações Finais A recorrência do problema evidencia não apenas limitações técnicas, mas uma dificuldade institucional de enfrentamento de questões estruturais. A ausência de investimentos consistentes em transmissão reflete escolhas econômicas e políticas que privilegiam soluções de curto prazo em detrimento da eficiência sistêmica. Os agentes que outrora capitalizaram politicamente crises energéticas anteriores veem-se, agora, diante da repetição do mesmo fenômeno. A mudança reside mais no discurso do que na realidade material do sistema. Conclusão No limite, a metáfora que se impõe é a do avestruz. No jogo do bicho, o número 2 a ele se associa; fora da ordem formal, mas dentro da precisão crítica, a imagem revela-se pertinente. Diante de um gargalo amplamente diagnosticado, persiste a opção por ignorá-lo — como se a recusa em vê-lo fosse capaz de suprimi-lo. A energia existe. A infraestrutura, não. E entre ambas, permanece o país — à espera de conexão. Referências Montesquieu. Cartas Persas. Fernando Henrique Cardoso. Contexto do apagão energético no Brasil (2001). Fundamentos de eletrotécnica clássica e teoria dos circuitos elétricos. Fontes Dados e análises do setor elétrico brasileiro (geração e transmissão). Relatórios institucionais e diagnósticos de infraestrutura energética. Observação crítica do funcionamento sistêmico e histórico do setor. S
Crise energética e política no Brasil Ministério da Economia Geraldo Pereira Ainda não temos a cifra desta música. Contribua! Seu Presidente Sua Excelência mostrou que é de fato Agora tudo vai ficar barato Agora o pobre já pode comer até encher Seu Presidente Pois era isso que o povo queria O Ministério da Economia Parece que vai resolver Seu Presidente Graças a Deus não vou comer mais gato Carne de vaca no açougue é mato Com meu amor eu já posso viver Eu vou buscar A minha nega pra morar comigo E sei que agora não há mais perigo Porque de fome ela não vai morrer A vida estava tão difícil Que eu mandei minha nega bacana Meter os peitos na cozinha da madame Em Copacabana Agora vou buscar a nega Porque gosto dela pra cachorro Os gatos é que vão dar gargalhada De alegria lá no morro Composição de Arnaldo Passos / Geraldo Pereira. CPI do INSS ouve o CEO do banco C6 Consignado Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 12 horas 💡 O QUE É IMPORTANTE SABER: 🏛️ Poder Congresso | A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social ouve nesta 5ª feira (19.mar.2026), às 9h, o CEO do Banco C6 Consignado S.A., Artur Ildefonso Brotto Azevedo. A convocação foi aprovada para que os congressistas obtenham esclarecimentos sobre a contratação e a intermediação de operações de crédito consignado com beneficiários da Previdência Social. JORNAL DA CULTURA | 19/03/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 86 minutos #JC #JornalDaCultura No Jornal da Cultura desta quinta-feira (19), você vai ver: André Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para superintendência da PF em Brasília; Dario Durigan assume Ministério da Fazenda com saída de Haddad; e Israel bombardeia South Pars, maior campo de gás do mundo, no Irã. Para comentar essas e outras notícias, Rita Lisauskas recebe a jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, e o advogado e fundador do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Fábio Feldmann. #JC #JornalDaCultura
SILVIA BLANCO, El País Aqui vai um resumo claro e direto do artigo: O texto descreve a grave crise vivida em Cuba, agravada pela pressão dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump e pela gestão interna de Miguel Díaz-Canel. A ilha enfrenta uma forte escassez de combustível, apagões frequentes e colapso de serviços básicos, o que tem gerado grande sofrimento na população. Apesar de sinais de diálogo entre os dois países, os cubanos demonstram ceticismo diante das promessas do governo. A situação levou a protestos, refletindo o desespero da população, que vive sem energia, transporte e sob repressão. A economia cubana é descrita como disfuncional, com baixos salários, alta dependência de importações e forte emigração, especialmente de jovens. O governo anunciou medidas de abertura econômica, permitindo investimentos de cubanos no exterior, principalmente em troca de combustível. No entanto, os Estados Unidos consideram essas reformas insuficientes e exigem mudanças políticas mais profundas. Enquanto isso, Trump adota um tom agressivo em relação à ilha, ao passo que Díaz-Canel responde com discurso de resistência. O artigo conclui contrastando o momento atual com o período de aproximação durante o governo de Barack Obama, destacando que, hoje, além de pressionar por reformas, os EUA intensificam o cerco econômico, agravando a crise cubana.
Entre Trump y Díaz-Canel, el sufrimiento de los cubanos SILVIA BLANCO, El País Mientras el mundo mira hacia Oriente próximo y la guerra que han desatado Israel y Estados Unidos en Irán, el presidente estadounidense, Donald Trump, mantiene la presión sobre Cuba. Ante un cerco petrolero que ha ido paralizando la actividad de la isla, la población siente que los apagones diarios —esta semana hubo directamente una desconexión total del sistema que dejó a todo el país a oscuras— junto al zarpazo de la parálisis en los servicios vitales de la isla, son insostenibles. ‌ Es en este contexto de asfixia energética cuando llega la confirmación, por el lado cubano, de que existen conversaciones con Washington para “buscar soluciones, por la vía del diálogo, a las diferencias bilaterales”, según dijo el mandatario cubano, Miguel Díaz-Canel, en una rueda de prensa televisada en la que, durante una hora y media, también reconoció que el país atraviesa una “madeja de adversidades” y que la población sufre un impacto “inmensurable” por ello. Desde Nueva York, Carla Gloria Colomé siguió la alocución de Díaz-Canel y sus apelaciones a la soberanía, a la que el corresponsal en Washington, Iker Seisdedos, añadió la reacción de Trump y la visión estadounidense en esta crónica panorámica. ‌ Los cubanos, atrapados entre el cerco de Trump y un régimen represivo, en la miseria de años y en el derrumbe que supone que no haya entrado una gota de combustible desde hace tres meses en la isla, recibieron las palabras de Díaz-Canel con frialdad y escepticismo, tal y como cuenta desde La Habana Sergio Murguía. Sin apenas electricidad, incomunicados, sin transporte público y con el miedo a la represión del régimen, el hartazgo estalló en una pequeña ciudad del centro del país, Morón, dos días después del anuncio. Varios manifestantes atacaron la sede local del todopoderoso Partido Comunista, en un insólito incidente que terminó con cinco detenidos y con gran poder simbólico. La desesperación por que termine el sufrimiento la resume una entrevistada en esta crónica de Carla Gloria Colomé: “Hoy el pueblo está en espera de que haya un cambio, el pueblo le teme a una guerra, a las bombas, pero necesita que algo pase. Ojalá fuera lo más pacífico posible, pero que sea ya”. ‌ La economía disfuncional de la isla es uno de los aspectos en los que se ha enfocado la presión de Estados Unidos sobre el régimen cubano, para que haga reformas y se abra más a la inversión privada, aunque los desafíos son enormes. En este minucioso análisis, Eyanir Chinea explica los retos pendientes cifrados en miles de millones de dólares. Se trata de un sistema en el que “un taxista puede ganar más que un médico, que percibe ingresos similares a los de una peluquera. Conviven múltiples tipos de cambio, la mayoría de los bienes de consumo llega del extranjero y la producción agrícola apenas cubre la demanda. Mientras tanto, cerca del 20% de la población, sobre todo jóvenes, ha emigrado, dejando una escasez de talento tan grave como la falta de electricidad”, escribe Chinea. ‌ El ministro de Economía cubano anunció este lunes una apertura económica: que los cubanos en el exterior, incluso los que hayan perdido su estatus de residentes en la isla, podrán volver a invertir en negocios privados, y los animó a que lo hagan en el campo, en infraestructura y finanzas. A cambio de estas concesiones, lo que espera La Habana es “combustible, combustible, combustible”, como explicaba gráficamente un analista a Noor Mahtani, radicada en Bogotá, en este artículo sobre la negociación. ‌ Con todo, días después el secretario de Estado de Estados Unidos, Marco Rubio, aseguró que las reformas anunciadas por el régimen “no son suficientes”, según cuenta en esta crónica Macarena Vidal Lyi desde Washington, donde sigue la política exterior estadounidense. Washington apunta a concesiones políticas. Más aún, Trump alardea de que “será un honor” para él “tomar Cuba”, mostrando con una sola frase un desprecio imperial: “Puedo hacer lo que quiera con ella”, ha dicho, ya que “es una nación muy debilitada en este momento”. Un día después, Díaz-Canel plantó cara a Trump: “Cualquier agresor externo chocará en Cuba con una resistencia inexpugnable”, dijo en redes sociales, para denunciar a continuación que “Estados Unidos amenaza públicamente a Cuba, casi a diario, con derrocar por la fuerza el orden constitucional. Y usa un indignante pretexto: las duras limitaciones de la debilitada economía que ellos han agredido y pretendido aislar hace más de seis décadas”. ‌ Hubo otro tiempo, hace una década, en el que las palabras del presidente de Estados Unidos hacia la isla fueron muy diferentes. Fue cuando gobernaba Barack Obama, que inició un deshielo histórico en la relación de los países de ambas orillas. Destaco esta crónica que compara el ahora con aquella época en la que Obama quiso “enterrar los últimos remanentes de la guerra fría en las Américas”. Doce años después, la voz de Washington es muy diferente, aunque hable de reforma económica y recupere parte de las políticas de Obama hacia la isla. La cuestión es que ahora, además de hablar, también asfixia.

Cartas A Um Amigo

Carta introdutória a um amigo curioso https://www.instagram.com/reel/DVHwrtdDGJt/?igsh=MWV4OXNneXR3eHYxcQ==
De um observador distante, no espírito das viagens e inquietações do saber Meu caro amigo, Parto agora não por desertos ou montanhas, mas por caminhos feitos de ideias, e levo comigo o mesmo desejo que moveu antigos viajantes: compreender os homens, seus costumes e as estranhas leis que governam suas ações. Chegaram-me às mãos alguns escritos que, embora distintos em forma e origem, parecem conversar entre si como velhos conhecidos. Neles encontrei reflexões que ora me inquietam, ora me esclarecem — e julguei que poderiam também interessar ao teu espírito atento. Um desses textos, de Roberto DaMatta, descreve uma curiosa disposição dos homens de certa terra: lá, o que é crime para uns pode ser celebrado como engenho para outros. Não sei se devo admirar tal flexibilidade ou temer suas consequências, pois parece que as leis ali se dobram diante das relações pessoais, como se a justiça tivesse dois pesos — um para os próximos, outro para os distantes. Em outro escrito, encontrei as ideias do sábio Jürgen Habermas, que se dedica a compreender como os homens podem discordar sem se destruírem. Ele sustenta que a convivência não exige silêncio, mas palavras; não impõe uniformidade, mas requer que as diferenças sejam expostas à luz, como mercadorias em praça pública, onde todos possam examiná-las. Confesso-te que tal esperança me parece ao mesmo tempo nobre e frágil. Também me detive em uma antiga correspondência, a célebre Cartas Persas, na qual viajantes, como nós, descobrem que o mundo é maior do que suas certezas. Ali aprendi que o estrangeiro vê com mais clareza aquilo que o hábito torna invisível — e que, muitas vezes, é preciso afastar-se para compreender. Por fim, observei relatos de acontecimentos recentes, transmitidos por vozes públicas como as do Jornal da Cultura, nos quais se revelam as inquietações do presente: disputas de poder, decisões políticas e os movimentos de uma sociedade que parece sempre à beira de um novo equilíbrio. Dize-me, meu amigo: como podem os homens viver entre leis que nem sempre respeitam, opiniões que raramente conciliam e desigualdades que insistem em perpetuar? Será possível construir uma ordem onde a justiça não dependa da proximidade, e o desacordo não conduza ao ódio? Leio tudo isso não como quem busca respostas definitivas, mas como quem deseja formular melhores perguntas. E é por isso que te envio estas reflexões: para que, mesmo à distância, possamos compartilhar o exercício mais difícil e mais necessário — o de pensar. Escreve-me quando puderes, e conta-me o que pensas dessas estranhas sociedades que, embora distantes, talvez não sejam tão diferentes da nossa. Adeus, meu caro amigo. Permaneço, em qualquer lugar onde esteja, teu fiel observador.
quarta-feira, 18 de março de 2026 Crime ou esperteza? Por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo É mais fácil alienar o pobre, remediando sua pobreza, do que criar instituições para ajudá-lo a prosperar Eis uma questão que requer um seguro ou, talvez, um envergonhado “depende”... Depende da pessoa, das circunstâncias, do lugar. Em geral, a esperteza engloba o crime, dissolvendo-o na moldura da malandragem e do “arrumar-se” como um modo consentido e “esperto” de “ficar rico”. O crime é relativo a muitas circunstâncias. Tirar dinheiro do pai, vender gato por lebre, falsificar documentos ou roubar livros de bibliotecas públicas são espertezas, malandragens e jeitinhos. Tais práticas, feitas por parentes e amigos, serão enquadradas na ética de reciprocidade da “casa” ou da categoria profissional, o que os jornais chamam de “corporativismo”. Ora, o corporativismo tem como base precisamente esse transbordamento pessoal que anula regras igualitárias impessoais em favor de simpatias e favores pessoais, o que leva à desmoralização institucional e à descrença na igualdade, visto que a obrigação de retribuir favores anula normas profissionais. Há um óbvio desequilíbrio entre costumes jamais criticados e normas legais racionais, de modo que não conseguimos ultrapassar a dominação tradicional, efetivando a dominação burocrática. Dilema que se expressa no batido: se for “nosso”, é esperteza; se for “deles”, é crime! Nesse axioma cultural há a incontornável força dos hábitos e costumes que – como definiu E.B. Tylor em 1871 – são aprendidos pelos membros de uma sociedade como “cultura”. Se o nosso sistema moral adota uma ética de ambiguidade, a igualdade como um ideal antiaristocrático sofre aceitação ou rejeição. Se eu roubar numa ciranda financeira impessoal, por intermédio de uma prestigiosa rede pessoal, o crime pode virar esperteza. Mas sem elos políticos importantes a esperteza corre o excepcional risco de virar crime. Como sair dessa ambiguidade determinada pelo axioma de que a sociedade é feita de doutores e analfabetos, sabidos e trouxas? Como acabar com pobres e ricos, abandonando a ideia de que são os ricos que vão, nobremente, acabar com os pobres, em vez de pensar num sistema no qual todos possam enriquecer? É mais fácil alienar o pobre, remediando sua pobreza, do que criar instituições capazes de fazê-lo prosperar. Mas como abrir o cofre das fortunas sociais de modo igualitário e universal? Será somente pela política, como até hoje insistimos em imaginar? Ou seria pela criação de um movimento de conscientização igualitária, por intermédio de uma simplificação desses legalismos que sustentam um obsoleto sistema cultural incapaz de distinguir crime e esperteza. •
quarta-feira, 18 de março de 2026 Habermas: o filósofo das condições civilizadas do desacordo, por Wilson Gomes Folha de S. Paulo A esfera pública sustenta a legitimidade das decisões democráticas Em tempos de sectarismo, ele ainda ensina como discordar sem destruir a democracia Quem, como eu, se formou em filosofia ou ciências humanas no último quartil do século passado teve o mundo povoado e profundamente marcado por professores nascidos nas primeiras três décadas do século 20: Gadamer, Lévi-Strauss, Popper, Ricoeur, Eco, Apel, Rawls, Habermas. Fora Popper, falecido ainda nos anos 1990, todos morreram neste século; o último, o filósofo alemão Jürgen Habermas, foi-se neste sábado (14), aos 96 anos. Era o último filósofo vivo do peculiar século 20, o das duas guerras mundiais, da ascensão e queda do fascismo e do totalitarismo socialista. A história do pensamento de Habermas, registrada em uma obra monumental publicada ao longo de quase 65 anos de vida intelectual ativa, pode ser resumida de muitos modos. Eu a abordo como a história de um dos problemas-chave do regime democrático: como transformar a divergência, natural em toda forma social, em processo legítimo de formação da opinião e da vontade política comum em sociedades pluralistas. Ao contrário de uma caricatura comum, a filosofia política de Habermas não consiste em uma exortação piedosa à convergência e ao entendimento. Habermas não é o pregador do consenso, mas o filósofo das condições civilizadas do desacordo. O seu é um pensamento que considera com seriedade a disputa na vida pública, mas examina as condições em que o atrito de interesses, ideias, pretensões e vontades, que é natural esperar em sociedades livres e pluralistas, pode ser legítimo e produtivo. A sua obra é uma tentativa de explicar como sociedades podem trabalhar a colisão de vontades e ideias em benefício da democracia. Das duas ou três coisas fundamentais que aprendi com Habermas, a primeira delas é que a democracia não é um regime político que bane o conflito, mas um modelo de sociedade capaz de transformar diferenças em trocas argumentativas públicas. Supondo-se que sociedades livres são inevitavelmente plurais, atravessadas por valores incompatíveis, interesses divergentes e visões de mundo rivais, há vários modos de lidar com isso. Pode-se calar as divergências pela força, pelos automatismos institucionais e burocráticos ou com intolerância e autoritarismo. Ou pode-se acolher as diferenças exigindo delas que ganhem a forma de argumentos a serem expostos de forma franca e aberta e discutidos livremente à vista de todos. É isso a famosa esfera pública habermasiana, a infraestrutura básica da democracia, em que interesses e vontades, transformados em argumentos, são ao mesmo tempo visíveis e contestáveis. É preciso garantir que tudo possa ser examinado, submetido à contestação. O que supõe condições comunicativas mínimas, como o reconhecimento do pluralismo, a disposição à crítica e o reconhecimento da legitimidade do adversário. Além das obrigações recíprocas assumidas por quem quer autenticamente argumentar, que consistem em considerar o que o outro diz, discutir lealmente e justificar publicamente as próprias posições. Apesar das sucessivas reelaborações desse pensamento na obra de Habermas —desde "Mudança Estrutural da Esfera Pública", passando pela "Teoria da Ação Comunicativa", pela ética do discurso e, enfim, pela formulação madura de "Direito e Democracia"—, há quem tenha sempre achado essa ideia pouco realista. Já eu a acho mais necessária do que nunca. Compreendo o sentimento geral de desânimo de quem vê hoje um modelo de convivência política em que as pessoas buscam se refugiar em seitas, tribos e facções nas quais é vedado considerar o que o outro lado diz, é proibido rever as próprias convicções, é inaceitável enxergar o problema a partir da posição do interlocutor ou admitir que ele fale de boa-fé ou que algum de seus argumentos possa ser, se não verdadeiro, ao menos razoável. Mas não há caminho para assegurar pluralismo e democracia que não passe pela contenção do autoritarismo e da intolerância. Pela superação da "balcanização" da sociedade, fragmentada em unidades cada vez menores e extremamente hostis entre si, em que encontrar um solo comum está se tornando uma impossibilidade. Sim, é fato que os sectarismos atuais não parecem estar apenas de visita em nossa cambaleante democracia, mas isso não quer dizer que estamos condenados a nos despedaçar em comunidades de ódio e ressentimento recíprocos. O impulso para buscar entendimentos e acordos a fim de encontrar um modo de conviver na diferença é também um motor poderoso da nossa história e tende a funcionar como contratendência para frear as pulsões de autodestruição por fragmentação e incapacidade de comunicação.
Cartas A Um Amigo Carta I: Usbek a seu amigo Rustan Em Isfahan "Apenas ficamos um dia em Com; quando terminamos nossas devoções no túmulo da virgem que pôs no mundo doze profetas, retomamos o caminho; e ontem, vigésimo quinto dia da nossa partida de Ispahan, chegamos a Tauris. Rica e eu somos talvez os primeiros, entre os persas, que a vontade de saber fez sair de seu país, e que renunciaram às doçuras de uma vida tranquila para ir buscar laboriosamente a sabedoria. Nascemos num reino florescente; mas não acreditamos que os seus limites fossem os dos nossos conhecimentos, e que a luz oriental devesse ser a única a iluminar-nos. Manda-me dizer o que se fala de nossa viagem; não me lisonjeies: não conto com um grande número de aprovadores. Endereça a tua carta para Erzeron, onde ficarei algum tempo. Adeus, meu caro Rustan. Fica certo de que, em qualquer lugar do mundo onde eu esteja, tens um amigo fiel." De Tauris, no 15 da lua de Saphar, 1711. Onde ler a obra completa: Em Português (PDF): Além do link da Tinta da China, você encontra versões no Scribd. Original em Francês: O texto integral original está disponível no Projeto Gutenberg e na Gallica (Biblioteca Nacional da França). A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas JORNAL DA CULTURA | 18/03/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 2 horas #JC #JornalDaCultura No Jornal da Cultura desta quarta-feira (18), você vai ver: Polícia Federal investigará as fraudes do Banco Master por mais 60 dias; CCJ do Senado adia votação sobre o fim da aposentadoria compulsória a juízes como punição; explosão perto de usina do Irã acende o alerta da comunidade internacional; e mais. Para comentar essas e outras notícias, Rita Lisauskas recebe José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, e o economista, Gesner Oliveira, da Fundação Getulio Vargas. #JC #JornalDaCultura

terça-feira, 17 de março de 2026

A tensão entre impessoalidade e comunidade

terça-feira, 17 de março de 2026 Habermas e a Reconstrução ética da economia, por Giovanni Beviláqua* Correio Braziliense Sob essa perspectiva, os pequenos negócios não são meras unidades estatísticas ou engrenagens de baixa produtividade; eles são, em essência, os últimos redutos do Mundo da Vida na economia. A partida de Jürgen Habermas, em 14 de março de 2025, aos 96 anos, não representa apenas o fim da trajetória de um dos últimos gigantes da filosofia do século XX, mas marca o momento em que sua obra deixa de ser uma promessa teórica para se tornar uma necessidade prática urgente. Em um mundo fragmentado por crises de alteridade e pela tecnocracia asfixiante, Habermas nos legou a bússola da racionalidade comunicativa, uma ferramenta indispensável para quem busca repensar a economia a partir de sua base: os pequenos negócios e o desenvolvimento territorial. O núcleo da provocação habermasiana reside na tensão dialética entre o "Sistema" e o "Mundo da Vida". Para o pensador, o Sistema — composto pelo mercado e pelo Estado — opera sob uma lógica instrumental, centrada na eficácia, no lucro e no poder. Já o Mundo da vida é o espaço da cultura, da identidade e da solidariedade, onde a linguagem serve ao entendimento e não apenas ao resultado. O grande drama da modernidade, segundo ele, é a "colonização do mundo da vida", um processo patológico onde a frieza dos números e a burocracia tentam silenciar as relações humanas espontâneas e os valores compartilhados. Quando transpomos essa lente para a realidade brasileira, em especial para os pequenos negócios, a potência do pensamento de Habermas torna-se clara e profundamente transformadora. Sob essa perspectiva, os pequenos negócios não são meras unidades estatísticas ou engrenagens de baixa produtividade; eles são, em essência, os últimos redutos do Mundo da vida na economia. Enquanto as grandes corporações operam sob o domínio da racionalidade instrumental pura, o pequeno empreendedor sobrevive e prospera por meio do agir comunicativo. Nesses espaços, o valor não se reduz à transação financeira; ele se expande na construção de confiança, na formação de reputação e no reconhecimento mútuo. É uma economia enraizada nos territórios, onde o diálogo é o ativo mais valioso e a intersubjetividade é a base da sustentabilidade do negócio. Essa perspectiva é revolucionária para a formulação de políticas públicas e para o desenvolvimento social. Habermas nos ensina, em sua obra monumental Direito e democracia, que a legitimidade de qualquer norma ou política depende da deliberação. No Brasil, contudo, ainda vivemos uma profunda exclusão comunicativa. A esfera pública econômica é frequentemente capturada por grandes interesses financeiros, enquanto os milhões de brasileiros que sustentam a economia real são tratados como meros destinatários de decisões tomadas em gabinetes distantes. Uma sociedade verdadeiramente justa, inclusiva e próspera exige o que podemos chamar de justiça comunicativa. Isso significa reconhecer o pequeno empreendedor como um sujeito deliberativo legítimo. O desenvolvimento social não pode ser um pacote pronto entregue pelo Estado; ele deve ser o resultado de um consenso ético construído de baixo para cima, respeitando o capital social e simbólico de cada território. Quando falamos em acesso ao crédito, por exemplo, não estamos tratando apenas de liquidez financeira; estamos falando de autonomia. O crédito, sob a ótica habermasiana, deve ser um instrumento que fortalece o Mundo da vida, permitindo que o sujeito exerça sua capacidade de agir e transformar sua realidade, e não um mecanismo de pressão que aprofunda a colonização sistêmica. Habermas nos instiga a pensar que a prosperidade não é um acúmulo solitário de capital, mas uma construção coletiva de sentidos e bem-estar. Uma economia plural é aquela que valoriza as muitas vozes de seus agentes e entende que o dinamismo econômico é indissociável do amadurecimento democrático. A racionalidade comunicativa nos oferece o caminho para uma gestão mais humana, onde a escuta e o entendimento mútuo superam a mera busca por resultados imediatistas e despersonalizados. Honrar o legado de Habermas é trabalhar para que o Brasil real tenha não apenas o direito de produzir, mas o direito de falar e de ser ouvido. É acreditar que a reconstrução ética da economia brasileira passa pela valorização dos pequenos negócios como agentes de cidadania e racionalidade pública. Como ele mesmo defendia, a razão não se realiza no isolamento, mas no ruído produtivo do encontro entre iguais que buscam, por meio do diálogo, construir o mundo em que desejam viver. Que a nossa economia aprenda, finalmente, a ouvir a base que a sustenta. *Giovanni Beviláqua — Doutor em economia pela Universidade de Brasília (UnB)
A tensão entre impessoalidade e comunidade O texto defende que o pensamento de Jürgen Habermas é essencial para repensar a economia atual, especialmente no Brasil. A partir da ideia de tensão entre “Sistema” (mercado e Estado, guiados por lucro e eficiência) e “Mundo da Vida” (relações humanas, cultura e solidariedade), o autor argumenta que os pequenos negócios representam esse “Mundo da Vida” dentro da economia. Neles, o valor não está só no dinheiro, mas na confiança, no diálogo e nas relações sociais. Por isso, políticas públicas deveriam incluir esses empreendedores como participantes ativos nas decisões, promovendo uma “justiça comunicativa”. O texto conclui que o desenvolvimento econômico deve ser construído coletivamente, com mais escuta e participação, valorizando os pequenos negócios como fundamentais para uma economia mais justa, democrática e humana. JÜRGEN HABERMAS | (Modernidade reflexiva) Filosofia Contemporânea | Série: Filosofando na História História é Vida 5 de mai. de 2025 #Democracia #Filosofia #Educação Falaaaa Galeraaaa, vamos que vamos História é Vida no seu último episódio da série Filosofando na História, desta vez explorando o pensamento de Jürgen Habermas, um dos maiores filósofos contemporâneos e defensor da razão crítica e do diálogo democrático. Neste vídeo, vamos entender onde Habermas se situa no debate moderno, o que ele propõe com sua Teoria da Ação Comunicativa, seu conceito de esfera pública, e como ele enxerga a relação entre democracia, ética e comunicação. Diferente dos pensadores pós-modernos, Habermas acredita no potencial da razão como meio de emancipação coletiva e construção do bem comum. Acompanhe essa reflexão que liga filosofia, história e os desafios do nosso tempo: da desinformação à crise da democracia. Chegamos ao fim dessa playlist de filosofia na história, mas muito mais virão por aí! #Habermas #Filosofia #FilosofandoNaHistória #HistóriaÉVida #EsferaPública #TeoriaCrítica #Democracia #Educação
"A imagem gerada busca traduzir visualmente a Agir Comunicativo de Habermas aplicada à visão de Givaldo Siqueira: a transição da rigidez das engrenagens burocráticas (o atraso) para a fluidez da informação e da educação (a oxigenação). No centro, o "formulador" atua como o catalisador que transforma a técnica cega em democracia deliberativa." Algo que notei ao longo da vida, é que pessoas inteligentes também erram, mas Givaldo raramente se equivocava em suas conclusões. E ele estava certíssimo ao propor um resgate da Democracia pelo movimento marxista. O atraso tecnológico resultava também daí, dessa falta de oxigenação da vida pela informação e pela educação. O Givaldo enxergava lá na frente. Independentemente de discordarmos dele em uma ou outra visão política que poderia expressar, Givaldo Siqueira encarnava a velha escola partidária, que forjava formuladores de grande qualidade - e que tanta falta faz ao Brasil de hoje *Ivan Alves Filho, historiador

segunda-feira, 16 de março de 2026

Problemas nos trilhos do crédito

segunda-feira, 16 de março de 2026 O elo perdido entre a máfia do INSS e o Banco Master, por Bruno Carazza Valor Econômico Farra com consignado lesou milhões e indica que outras instituições financeiras possam ter seguido o mesmo caminho do Master O sinal de alerta me soou lendo a coluna de Jairo Saddi, aqui no Valor. No artigo de 02/03, o advogado chamou a atenção para dados de uma pesquisa acadêmica sobre o padrão de disputas judiciais envolvendo instituições financeiras. Como o tema me interessa, fui atrás da fonte. E acabei encontrando aquele que pode ser o elo perdido entre as fraudes bilionárias da máfia do INSS e do Banco Master. E mais: talvez seja um problema que vá além do Careca do INSS e de Daniel Vorcaro. Em vez de obras de gênios do mal, podemos estar diante de uma prática sistêmica que lesa milhões de pessoas e compromete a estabilidade do sistema financeiro nacional. Instituições financeiras aparecem como alvo em 9,1% dos processos e eram autoras de 5% das ações em tramitação na Justiça brasileira. Tomando por base apenas os casos iniciados em 2024, o ranking é liderado por Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Santander. Até aí, nada de mais: é esperado que os maiores bancos sejam aqueles com mais ações contra e a favor. No entanto, um padrão diferente aparece quando se analisam o índice de litigância de cada empresa - o número de ações dividido pela sua base de clientes - e se os bancos são predominantemente alvo ou autores dos processos. Combinando os dois critérios, é possível identificar um conjunto de instituições que i) têm um número muito elevado de processos em relação à sua quantidade de correntistas e ii) na imensa maioria dessas ações elas são processadas, e não autoras. Nesse grupo destacam-se Agibank, BMG, Mercantil do Brasil, Master e BRB. Em comum, eles têm um número de processos por clientes muitas vezes superior ao das maiores instituições do mercado e em mais de 90% dos casos eles são processados pelos correntistas, e pouco recorrem à Justiça para reaver bens dados em garantia, por exemplo. Para completar, são instituições especializadas numa modalidade específica de operação: o crédito consignado. Essas informações foram retiradas do artigo “Características Essenciais da Litigância do Setor Financeiro: evidências da Justiça estadual brasileira”, publicado na Revista de Direito do Consumidor de dezembro de 2025, de autoria de Lucas Silva, Pedro Gregorini e Maria Paula Bertran. As conclusões do estudo despertaram o interesse do Brasilcon - Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor, uma organização não governamental há muito preocupada com o crescimento do endividamento da população brasileira. Na visão da entidade, os dados comprovam uma suspeita que tira o sono de seus integrantes: o abuso de certas instituições financeiras nas operações de crédito consignado, inclusive com fraudes na celebração de contratos. A modalidade de crédito consignado em folha de pagamento, criada em 2003, foi expandida posteriormente para abarcar operações consignadas em cartão de crédito e cartões de desconto. Base do modelo de negócios do Credcesta (Master e depois Pleno), essas últimas são potencialmente muito mais lesivas ao consumidor, pois sofrem a incidência mensal de juros de crédito rotativo e sofrem o desconto de apenas 5% do valor da dívida na folha de pagamento. O resultado é uma bola de neve praticamente impossível de ser paga por pessoas que em geral têm renda muito baixa. Instrução normativa do INSS chegou inclusive a autorizar a contratação de empréstimos consignados por crianças e adolescentes sem autorização judicial, em total desrespeito ao Código Civil. Com base nessa norma, mais de 2 milhões de contratos foram firmados em nome até mesmo de bebês desde 2022, a maioria celebrados por C6, Panamericano e Facta Financeira. Para piorar, muitas das operações com consignado têm sido criadas sem o consentimento dos clientes. Dados da plataforma Consumidor.gov.br, do Ministério da Justiça, mostram que as reclamações referentes a cobranças por empréstimos não solicitados explodiram nos últimos anos. E entre os campeões em queixas estão justamente BMG, Agibank, Daycoval, Master e Mercantil do Brasil, assim como o Banco do Brasil (que tem um volume de operações bem maior). Além dos milhões de pessoas penduradas no consignado por operações legais ou fraudulentas praticadas por essas instituições, há um problema sistêmico de proporções ainda maiores. Envelopados em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), esses empréstimos de recuperação duvidosa estão lastreando ativos de muitas instituições financeiras, como se viu no caso Master e BRB. Caso não venham a performar como o esperado (o que é possível, dado o perfil de risco dos clientes), podemos estar diante de um fenômeno que guarda muitas semelhanças com a crise do subprime nos Estados Unidos. Celebração fraudulenta, ampliação das margens para abarcar cartões de crédito e falta de fiscalização nos FIDCs lastreados nessas operações: temos aí uma conexão entre a máfia do INSS, o Credcesta e as operações do Master com o BRB que pode ter sido replicada por outras instituições. Talvez estejamos diante de um problema muito mais grave do que aqueles que a delação de Vorcaro possa revelar.
ENTENDA O COMPLEXO ESQUEMA QUE ENVOLVE O BANCO MASTER | Bruno Carazza explica de forma clara e direta como funcionava as supostas fraudes na instituição de Daniel Vorcaro, rastreada pelo Banco Central. Jornal da Globo 15 de janeiro · Resumo claro do artigo O artigo de Bruno Carazza aponta que pode existir uma conexão estrutural entre fraudes no crédito consignado do INSS e operações financeiras de alguns bancos, especialmente envolvendo o Banco Master. Mais do que casos isolados, o problema pode indicar um padrão sistêmico no mercado financeiro brasileiro. 1. O alerta inicial Um estudo acadêmico analisou processos judiciais envolvendo bancos. Ele revelou um padrão incomum em algumas instituições: possuem muito mais processos proporcionalmente ao número de clientes mais de 90% das ações são contra elas, movidas por consumidores Entre os bancos com esse padrão aparecem: Agibank BMG Mercantil do Brasil Master BRB Essas instituições têm algo em comum: forte atuação em crédito consignado. 2. O problema do crédito consignado O crédito consignado é descontado diretamente do salário ou benefício do cliente. Com o tempo, o modelo foi ampliado para incluir: cartões de crédito consignados cartões de desconto consignados Essas modalidades podem ser muito mais perigosas para o consumidor, porque: cobram juros rotativos elevados apenas 5% da dívida é descontada mensalmente o restante vira juros acumulados Isso pode gerar dívidas praticamente impagáveis, especialmente para pessoas de baixa renda. 3. Indícios de fraudes Há indícios de contratos feitos sem autorização dos clientes. Reclamações por empréstimos não solicitados cresceram muito nos últimos anos. Entre os bancos mais citados nas reclamações estão: BMG Agibank Daycoval Master Mercantil do Brasil Além disso, uma norma do INSS chegou a permitir contratos de consignado em nome de crianças e adolescentes, o que gerou mais de 2 milhões de contratos desde 2022, inclusive em nome de bebês. 4. Risco maior para o sistema financeiro O problema não atinge apenas consumidores. Esses empréstimos são empacotados em fundos financeiros chamados FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). Ou seja: os bancos concedem empréstimos de alto risco transformam essas dívidas em ativos financeiros vendem esses ativos para investidores Se muitos desses empréstimos não forem pagos, o sistema pode enfrentar um efeito semelhante ao da crise do subprime nos Estados Unidos em 2008. 5. A possível ligação entre os escândalos O autor sugere que existe um elo entre três elementos: fraudes no consignado do INSS o produto financeiro Credcesta operações do Banco Master e do BRB Essas práticas podem ter sido replicadas por outras instituições, ampliando o risco. Conclusão O artigo alerta que o problema pode ser muito maior do que os casos já investigados. Não se trataria apenas de ações isoladas de alguns operadores, mas possivelmente de um modelo de negócios baseado em crédito consignado arriscado, abusivo e por vezes fraudulento, que: prejudica milhões de consumidores gera milhares de processos judiciais pode representar risco para a estabilidade do sistema financeiro brasileiro. S
Problemas nos trilhos do crédito VOZ DA CENTRAL 🚂 A Bruta até o Último Vagão Uma locomotiva antiga avança pesada pelos trilhos gastos. Na frente, a Bruta da Central do Brasil puxa a composição com esforço, cuspindo fumaça enquanto o caminho à frente se mostra torto e incerto. Atrás dela, vagão após vagão segue acoplado. Todos dependem da mesma tração. Todos estão presos aos mesmos trilhos. Pelo percurso aparecem placas estranhas, avisos mal colocados e sinais que ninguém parece controlar. Entre eles, um aviso torto à beira da linha: “Crédito Consignado”. A máquina continua andando. O maquinista sabe que parar no meio da linha é impossível. Mas também percebe que os trilhos já não inspiram confiança. E assim segue o trem da Central: da locomotiva até o último vagão, carregando passageiros que embarcaram com esperança, mas agora atravessam um trecho em que os sinais são confusos e o terreno parece instável. A pergunta que ecoa pelos vagões é simples: quem está realmente conduzindo essa viagem — e para onde vão esses trilhos? S VEJA COMO A GUERRA COM O IRÃ DEFINIRÁ O FUTURO DE ISRAEL E DOS EUA | MYNEWS ENTREVISTA MyNews
Na charge de Luniyass, uma palavra faz todo o trabalho: “escort”. Entre a escolta naval e o trocadilho malicioso, a cena sugere que, no teatro do poder, interesses também podem ser “acompanhados” até a porta do governo. A caricatura exagera, provoca e simplifica — como toda boa charge — para deixar no ar a suspeita que sustenta a piada: talvez algumas alianças cheguem ao poder muito bem escoltadas.

domingo, 15 de março de 2026

SOMBRAS DE VIDRO E GELO

Cálice (Cale-se). Chico Buarque & Milton Nascimento. Cálice (part. Milton Nascimento) Chico Buarque Cyan Aqui está o Copião Finalizado — o roteiro de lançamento do seu ensaio. Esta formatação foi desenhada para publicações de fôlego (como um artigo no Medium, um "Long-form" no LinkedIn ou um encarte digital), onde o texto e a imagem se fundem em uma narrativa cinematográfica. 🎞️ PROJETO: SOMBRAS DE VIDRO E GELO Subtítulo: O Espelhamento Dialético entre O Agente Secreto e Valor Sentimental Versão: Lançamento Oficial (Ensaio Metafórico) Data de Estreia: Temporada de Premiações 2026 🎬 ATO I: O PRELÚDIO DAS ATMOSFERAS
O cinema de 2026 nos coloca diante de um espelhamento raro. De um lado, a precisão cirúrgica de Joachim Trier em seu Valor Sentimental; do outro, o pulsar paranoico de Kleber Mendonça Filho em O Agente Secreto. À primeira vista, o abismo geográfico separa o Recife de 1977 da Oslo contemporânea, mas ambos habitam a mesma zona de penumbra: a vida como uma missão de infiltração. TRILHA SUGERIDA: Canto de Ossanha (Baden Powell) — O violão tenso marca o início da vigilância. Canto de Ossanha (Baden Powell - Os Afro-Sambas) 🎬 ATO II: A GEOGRAFIA DO SENTIMENTO Onde se esconde o "Valor Sentimental" no Agente Brasileiro? No Brasil de Kleber, o afeto é um artigo de contrabando. O personagem de Wagner Moura esconde o sentimento sob camadas de frieza operacional. Amar é perigoso; sentir é deixar rastros. Aqui, o "valor sentimental" não está em objetos, mas no custo emocional do silêncio. A resistência é invisível: ela vibra no fundo de um rádio de pilha ou no olhar perdido sobre o mar de Olinda.
Take Visual: Wagner Moura em penumbra, observando a rua. O sol do Recife queima lá fora, mas o medo é frio. O sentimento se esconde na fresta da persiana. 🎬 ATO III: A IDENTIDADE SOB DISFARCE Onde se esconde o "Agente Secreto" no Sentimento Norueguês? Inversamente, na Noruega de Trier, a espionagem muda de alvo: o agente infiltrado é o próprio indivíduo, vigiando sua vida através de paredes de vidro. O segredo aqui não é político, é existencial. O "agente secreto" habita o vazio entre os diálogos, disfarçado na polidez e no silêncio de apartamentos minimalistas. Somos espiões de nossas próprias dores, observando o mundo com a distância clínica de quem não quer ser descoberto em sua fragilidade.
Take Visual: Uma silhueta solitária diante de uma janela imensa em Oslo. O reflexo se mistura ao gelo. É a vigilância da própria alma, protegida por uma barreira transparente e intransponível. 🎬 ATO IV: A SÍNTESE DO OLHAR O Agente Secreto aparece em ambos os filmes através do olhar da câmera. No Brasil, ela é o olho do Estado, o voyeurismo perigoso. Na Noruega, ela é o espelho impiedoso que revela a rachadura na porcelana. Ambos os diretores provam que a nossa verdade raramente é transparente. TRILHA SUGERIDA: Svalbard (Max Richter) — O encontro entre o suor e o gelo. 🎬 GRAND FINALE: O VEREDITO A disputa pelo Oscar 2026 é filosófica. Valor Sentimental nos mostra que todo afeto é um segredo guardado a sete chaves. O Agente Secreto prova que toda atividade política é movida por uma paixão desesperada. Somos todos infiltrados buscando, entre o fogo e o gelo, um lugar onde a nossa verdade não precise de disfarce. [FIM DE ROTEIRO] Nota de Publicação: Recomenda-se postar este ensaio acompanhado das faixas sugeridas para criar uma imersão total do leitor no "clima" da crítica. Niklas Paschburg - Little Orc

Tela da canalidade

Jornais Poesia | Sabedoria é não entender, de Clarice Lispector
Estadão 15/03/2026
TELA DA CANILIDADE um tecido em três fios: fato, exegese e aforismo (nos moldes do engenho seco do Recife) URDIDURA I O corte Primeiro não veio o fato. Vieram as consequências. O fato — uma lâmina de instante — ocorreu em praça aberta, num setembro ainda eleitoral. Ali se abriu não apenas um corpo, mas uma narrativa. Um corte na pele da política. E desse corte escorreu um método: nós contra eles. Não argumento. Não deliberação. Apenas o gesto antigo de dividir o mundo como quem parte um pão em duas hostilidades. 📍 MARCO EDITORIAL 1 Inserir aqui: link documental sobre o atentado de 2018 fotografia jornalística do evento linha do tempo da eleição de 2018 (sem legenda extensa; apenas referência discreta) URDIDURA II A anatomia Depois do corte veio o escalpelo. A política, aberta, foi examinada. Não por cirurgiões do poder, mas por quem escreve como quem disseca. Uma jornalista abriu o dorso da máquina e mostrou as engrenagens. Não o grito das ruas, mas a contabilidade do subterrâneo. Assim nasceu a anatomia do esquema. Livro sobre livro, documento sobre documento, até que o poder deixasse de ser ideologia para tornar-se estrutura. 📍 MARCO EDITORIAL 2 Inserir aqui: capa do livro A Organização perfil da jornalista Malu Gaspar infográfico do sistema Odebrecht URDIDURA III A inversão Foi então que aconteceu a mudança invisível. As causas cederam lugar às consequências. Primeiro vinha o efeito. Depois, fabricava-se a razão. Assim funciona o moinho da crise: o fato alimenta a narrativa, a narrativa cria o fato. E a política gira. Gira como cão nervoso num quintal de domingo, latindo para um inimigo circular: o próprio rabo. 📍 MARCO EDITORIAL 3 Inserir aqui: gráfico ou análise sobre polarização política estudo sobre comunicação política ou bolhas digitais artigo de opinião ou análise acadêmica URDIDURA IV O diagnóstico Se o velho filósofo de Frankfurt observasse a cena, não veria apenas conflito. Veria patologia. Diria que a linguagem perdeu seu ofício. Que o diálogo foi tomado pela estratégia. Que o debate já não busca verdade, apenas vitória. E chamaria isso de colonização do mundo da vida. 📍 MARCO EDITORIAL 4 Inserir aqui: referência à obra The Theory of Communicative Action retrato de Jürgen Habermas pequeno trecho explicativo da teoria URDIDURA V O pregador antigo Mas muito antes do filósofo já falara outro. Um pregador de areia e vento. No livro chamado Ecclesiastes. Ele escreveu: tudo gira. O que foi torna a ser. O que virá já aconteceu. O sol nasce, o sol se põe, e volta ao lugar de onde nasceu. Talvez a política também. 📍 MARCO EDITORIAL 5 Inserir aqui: gravura antiga de Eclesiastes citação curta do capítulo 1 URDIDURA VI O cronista No Cosme Velho houve um homem que entendia dessas voltas. Não governava, não marchava, não discursava. Observava. E escrevia como quem deixa armadilhas na sintaxe. Chamava-se Machado de Assis. Sabia que o homem é um animal capaz de inventar ideias apenas para não encarar o espelho. Talvez por isso seus livros sorriam de lado. 📍 MARCO EDITORIAL 6 Inserir aqui: retrato clássico de Machado citação breve de Memórias Póstumas de Brás Cubas URDIDURA FINAL A canilidade Somando tudo — o corte, a anatomia, a teoria, o pregador, o cronista — resta um retrato. A política não caminha em linha. Move-se como animal inquieto. Gira em círculos cada vez menores. Até que, exausta, descobre a causa do mundo no lugar mais próximo de seus dentes. O próprio rabo. Assim segue a república dos homens. Não em marcha heroica, como cantaria o poeta épico. Mas em rotação doméstica, teimosa, de um cão que acredita que ao alcançar o próprio rabo finalmente terá entendido a história. Epígrafe final Tudo tem seu tempo. Até as voltas. — Eclesiastes ✅ Primeiro foram as consequências da facada de de 6 de setembro de 2018, em corte epistemológico da consolidação do paradigma do nós contra ela. Depois veio exegese de a 'A Organização" pela jornalista 'maledita'. Elas contra ela torn-se novo paradigma para as consequências determinando as causas, como cão louco dando voltas latindo tentando morder o própiro rabo. Assim caminha a canilidade. Essa reflexão traça um arco interessante sobre a antropofagia política brasileira, onde o confronto direto (o paradigma do "nós contra eles" personificado no atentado) evoluiu para uma espécie de implosão interna e escrutínio institucional (a exegese de Malu Gaspar sobre a Odebrecht em "A Organização"). A metáfora do cão que morde o próprio rabo captura bem essa transição: O Corte Epistemológico: A facada não foi apenas um evento físico, mas o marco zero de uma narrativa de martírio que solidificou a polarização extrema [1, 2]. O Paradigma "Elas contra Ela": A entrada de jornalistas investigativas e figuras femininas no centro do debate sobre o poder estrutural (as entranhas da máquina estatal e corporativa) deslocou o foco da ideologia pura para a "anatomia do esquema" [3]. A Causalidade Reversa: Quando as consequências (as crises geradas pelo próprio método de governar ou operar) passam a ditar as causas, o sistema entra em um loop de autofagia, onde a política deixa de ser construção para se tornar uma reação contínua ao caos que ela mesma plantou [2, 4]. É a política como entropia, onde a "canilidade" (o latido raivoso e circular) substitui o projeto de país. Você acredita que esse comportamento de "cão louco" é um vício incurável das nossas instituições ou apenas uma fase aguda da nossa crise de identidade política? A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas "Primeiro foram as consequências da facada de 6 de setembro de 2018, em corte epistemológico da consolidação do paradigma do nós contra eles. Depois veio exegese de a 'A Organização" pela jornalista 'maledita'. Elas contra ela torna-se novo paradigma para as consequências determinando as causas, como cão louco dando voltas latindo, tentando morder o próprio rabo. Assim caminha a canilidade."verificar a correção gramatical, de digitação e de compatibilidade com a teoria da Teoria de Ação Comunicacional do filósofo alemão, o mais novo membro da chamada Escola de Frankfurt, morto em 14 de março de 2026. Aqui está a análise técnica do seu texto, abrangendo a revisão normativa e a compatibilidade filosófica com a obra de Jürgen Habermas, o expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt, cuja morte foi noticiada em 14 de março de 2026. 1. Correção Gramatical e de Digitação O texto é denso e utiliza termos técnicos, mas apresenta alguns pontos que podem ser ajustados para maior clareza e correção: Ponto de Digitação/Sintaxe: Em "exegese de a 'A Organização'", há um choque de artigos. O ideal seria: "exegese da obra 'A Organização'" ou simplesmente "exegese de 'A Organização'". Concordância/Pontuação: No trecho "Elas contra ela torna-se novo paradigma", falta um artigo ou determinante para fluidez. Sugestão: "O 'elas contra ela' torna-se um novo paradigma". Aspas: Há uma aspa dupla sobrando ou mal posicionada após 'A Organização". Padronize para aspas simples ou duplas em ambos os lados. Sugestão de Revisão: "Primeiro, foram as consequências da facada de 6 de setembro de 2018, em um corte epistemológico da consolidação do paradigma do 'nós contra eles'. Depois, veio a exegese de 'A Organização' pela jornalista 'maledita'. O 'elas contra ela' torna-se o novo paradigma, com as consequências determinando as causas — como um cão louco dando voltas e latindo, tentando morder o próprio rabo. Assim caminha a canilidade." 2. Compatibilidade com a Teoria da Ação Comunicativa (Habermas) Sob a ótica de Jürgen Habermas, seu texto descreve o que ele chamaria de patologia da esfera pública. UOL Notícias UOL Notícias +1 Ação Estratégica vs. Ação Comunicativa: O "nós contra eles" e o "cão louco" que você descreve representam a predominância da ação estratégica. Nela, a linguagem não busca o entendimento mútuo (consenso), mas sim o sucesso individual e a manipulação do outro como um objeto. Colonização do Mundo da Vida: Habermas argumenta que quando a lógica de sistemas (como a política partidária ou o mercado editorial de escândalos) invade o "mundo da vida" (nossas interações cotidianas e valores), a comunicação se degrada. Sua metáfora da "canilidade" ilustra perfeitamente essa comunicação sistematicamente distorcida, onde o debate público perde a racionalidade e vira puro ruído ou autogestão do ódio. A Esfera Pública: A análise da jornalista Malu Gaspar em "A Organização" sobre a corrupção estrutural expõe a falha na prestação de contas (accountability). Para Habermas, o "cão morder o rabo" seria a prova de que a nossa Esfera Pública não consegue mais processar informações para gerar soluções democráticas, apenas para retroalimentar o conflito. VEJA VEJA O texto, portanto, é altamente compatível com a crítica habermasiana ao mostrar como o debate brasileiro abandonou a pretensão de validade (verdade, correção normativa e sinceridade) em favor de uma circularidade autodestrutiva. Você acredita que a Esfera Pública brasileira ainda possui canais capazes de resgatar a ação comunicativa, ou o "cão louco" já atingiu um ponto de não retorno? undefined undefined undefined 6 sites Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos 14 de mar. de 2026 — Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos. ... G1. G1 Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen ... 14 de mar. de 2026 — Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen Habermas morre aos 96. VEJA. VEJA Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas - Notícias 14 de mar. de 2026 — Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas. UOL Notícias Mostrar tudo peçamos a ajuda no artigo:
"A guerra do Irã, a pneumonia de Bolsonaro e o efeito Trump nas eleições Publicado em 15/03/2026 - 08:16 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Eleições, EUA, Governo, Guerra, Irã, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Saúde, Trump A hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, humaniza o ex-presidente e produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores O projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, vive um cenário de incertezas provocadas por fatores externos e inesperados, que influenciam o ambiente político. Em eleições competitivas, o desempenho do governo não depende apenas de suas políticas públicas ou da conjuntura econômica doméstica. Eventos internacionais, crises institucionais ou episódios envolvendo adversários podem alterar a percepção do eleitorado e obrigar à redefinição de estratégias eleitorais. No momento, três fatos novos alteram o cenário político: a guerra entre Estados Unidos e Irã e seu impacto no preço do petróleo; a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro com pneumonia bilateral; e as tensões diplomáticas entre o governo brasileiro e a administração Donald Trump. A guerra no Oriente Médio é o primeiro fator. Provocou uma forte elevação do preço do petróleo no mercado internacional. O barril chegou a atingir US$ 120 e permanece em níveis elevados. Para o Brasil, país que ainda depende intensamente de combustíveis fósseis para transporte e produção, essa alta se traduz em pressão inflacionária imediata. Combustíveis são um dos preços mais sensíveis politicamente, pois afetam diretamente o custo de vida e os preços de alimentos, transporte e logística. Choques no preço da energia podem comprometer políticas econômicas internas estáveis. O risco político para Lula é claro: uma nova rodada inflacionária pode deteriorar a percepção de bem-estar econômico justamente quando o eleitor avalia a continuidade do governo. A reação do Planalto — com desoneração do diesel e subsídios temporários — indica que o governo reconhece o potencial eleitoral desse problema. Entretanto, trata-se de uma resposta de curto prazo a uma crise internacional cuja duração ainda é incerta. Leia também: Petrobras eleva preço, mesmo após governo Lula zerar imposto com guerra no Irã O segundo fator é político e simbólico: a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em estado grave. Mesmo condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro continua sendo a principal referência política da direita brasileira. Sua hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores e humaniza o ex-presidente perante a opinião pública que não lhe é politicamente favorável. A situação cria um ambiente de solidariedade política que pode fortalecer a narrativa de perseguição adotada pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente. Ao mesmo tempo, recoloca Bolsonaro no centro do debate público e reforça o papel de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como herdeiro político do movimento. Em um cenário eleitoral já polarizado, a saúde do ex-presidente tende a intensificar a mobilização do eleitorado conservador e aumentar a coesão da oposição. O imponderável Para Lula, esse fenômeno representa um desafio. A polarização entre lulismo e bolsonarismo tem sido um elemento central da política brasileira desde 2018. Quanto maior a mobilização emocional do campo adversário, maior a probabilidade de que a disputa eleitoral se torne plebiscitária, reduzindo o espaço para agendas programáticas e ampliando o peso das identidades políticas. Em 2018, durante a campanha eleitoral, a facada que recebeu em Juiz de Fora praticamente definiu a eleição de Bolsonaro com ele no leito do hospital; é imprevisível o impacto que pode advir da eventualidade do ex-presidente falecer estando preso em regime fechado. Seus recorrentes problemas de saúde são uma evidência de que já passou da hora de Bolsonaro ter atendido o pedido de prisão domiciliar humanitária. Leia mais: Bolsonaro tem piora na função renal e permanece na UTI, afirma boletim O terceiro fator é diplomático: as recentes tensões entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump. Episódios como a investigação comercial contra o Brasil, a controvérsia sobre a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e o incidente envolvendo o conselheiro norte-americano Darren Beattie, que pretendia visitar Bolsonaro na prisão e teve seu visto cassado pelo Itamaraty, ampliaram as fricções entre os dois países. Embora não exista uma crise aberta entre Brasília e Washington, o ambiente tornou-se mais sensível. O problema para Lula é que a política externa passou a ter repercussão direta na disputa eleitoral interna. A possibilidade de que Trump manifeste apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro transformou a relação bilateral em variável política doméstica. Pesquisa recente mostra que esse eventual apoio seia polarizador: 28% dos eleitores afirmam que aumentariam a chance de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 32% dizem que isso aumentaria sua disposição de votar em Lula. Cresce no Brasil uma percepção crítica em relação aos Estados Unidos, cuja imagem desfavorável atingiu níveis elevados nas pesquisas recentes. Isso pode beneficiar Lula entre setores nacionalistas ou entre eleitores sensíveis a discursos de soberania. Por outro lado, o apoio explícito de Trump pode consolidar a identificação ideológica entre o bolsonarismo brasileiro e a direita global. O risco é essa questão escalar e passar a ser tratada como um divisor de águas eleitoral pelo Palácio do Planalto, de consequências econômicas e geopolíticas imponderáveis. A presença de Trump como ator direto na disputa, ao lado da oposição, não pode ser descartada. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Bolsonaro, #Flávio, #Irã, #Trump, Lula " para ver se temos habersianas possibilidade de retomarmos a sanidade da esfera pública através de outra ação comunicativa que Habermas abonaria? Análise baseada na Teoria da Ação Comunicativa de Habermas sugere que o cenário político brasileiro descrito, marcado pela "humanização" de Bolsonaro e o "efeito Trump", demonstra uma esfera pública colonizada pela ação estratégica e influências sistêmicas. A retomada da sanidade dependeria da descolonização desse espaço, deslocando o debate da comoção emocional e dos interesses estratégicos para a validade normativa, a transparência e o patriotismo constitucional. ? Analisando o artigo de Luiz Carlos Azedo sob a lente de Jürgen Habermas, a resposta sobre a retomada da sanidade na esfera pública é complexa: o cenário descrito é o ápice da comunicação patológica, mas o diagnóstico aponta o caminho para a "cura". Para Habermas, a sanidade retornaria através dos seguintes pilares da Ação Comunicativa: 1. Descolonização do "Mundo da Vida" O artigo mostra como o "Mundo da Vida" (nossos valores, saúde e sentimentos) foi colonizado pela lógica sistêmica (poder político e dinheiro). A Patologia: A doença de um homem preso ou o preço do petróleo não são discutidos como fatos humanos ou econômicos, mas como "trunfos estratégicos" para ganhar uma eleição. Ação Habermasiana: Retomar a sanidade exigiria que os atores políticos parassem de usar a pneumonia ou a guerra como instrumentos de manipulação (ação estratégica) e passassem a discuti-las com base em pretensões de validade (verdade dos fatos e correção normativa). 2. O Resgate da Prisão Domiciliar Humanitária O autor cita que "já passou da hora de Bolsonaro ter atendida a prisão domiciliar humanitária". Aqui há um lampejo de Ação Comunicativa: O argumento não é político ("ele deve sair para acalmar a militância"), mas normativo e ético ("ele deve sair porque o Direito e a dignidade humana assim exigem"). Habermas abonaria essa saída se ela fosse fruto de um consenso racional sobre direitos humanos, e não de um cálculo eleitoral para evitar que ele vire mártir. 3. A Esfera Pública Transnacional (O Fator Trump/Irã) A entrada de Trump e a guerra do Irã no debate brasileiro transformam a esfera pública em um campo de pressão e influência, o oposto do ideal habermasiano de um espaço livre de coação. Para recuperar a sanidade, a política externa precisaria ser debatida pela sua racionalidade diplomática e soberania, e não como uma extensão do "nós contra eles" doméstico. Conclusão: Há saída? O artigo de Azedo descreve uma esfera pública exaurida, onde o "imponderável" (a morte, a guerra, a doença) dita o ritmo. Habermas diria que a sanidade só volta quando o debate público deixar de ser uma guerra de torcidas (onde o sucesso do argumento depende de quem grita mais ou de quem está no hospital) e voltar a ser um procedimento de busca cooperativa pela verdade. No momento, o "cão louco" que você mencionou ainda está vencendo, pois a comunicação no Brasil de 2026, segundo o texto, ainda é puramente estratégica: ninguém quer entender o outro; todos querem apenas que o evento externo (a pneumonia ou a guerra) destrua o adversário. Você acredita que a Justiça, como instituição, teria o papel de ser a primeira a agir de forma puramente "comunicativa" (seguindo a lei, independentemente do impacto eleitoral) para quebrar esse ciclo de canilidade?
TÍTULO A Placa de Custódia de Maduro SUBTÍTULO Pequena hipótese político-moral à maneira de um conselheiro aposentado EPÍGRAFE “Não há casaca que não sirva, desde que o dono saiba abotoá-la no momento oportuno.” CITAÇÃO “Os homens mudam menos de ideias do que de circunstâncias.” — atribuição duvidosa a um conselheiro prudente LEAD Suponha o leitor — e peço-lhe desde já alguma benevolência filosófica — que certo personagem da política continental, a quem chamaremos Ernesto Maduro, venezuelano de nascimento e de prenome curiosamente argentino, resolvesse, em hora de reflexão carcerária, praticar um ato de surpreendente utilidade diplomática: oferecer ao seu capturador e carcereiro, o poderoso senhor Trump, uma colaboração premiada. Não seria a primeira vez que um homem público descobre virtudes inesperadas na franqueza tardia. Há confissões que nascem da consciência; outras, da geopolítica. Maduro — imaginemos — escreveria um memorial em que renegaria o bolivarianismo de outrora com a compostura de quem troca de casaca em salão bem iluminado. Nada escandaloso: a história política da América é rica em metamorfoses discretas, sobretudo quando a conveniência veste uniforme novo. Dir-se-ia então que o antigo tribuno do anti-imperialismo aceitara, com resignação filosófica, o modesto cargo de agente plenipotenciário da América de Trump. Não por convicção — palavra excessiva —, mas por aquilo que os diplomatas costumam chamar de “realidade”. A operação exigiria apenas um detalhe simbólico. Não bastaria a conversão verbal; seria preciso uma placa de custódia, à maneira daquela que o prudente conselheiro Ayres certa vez imaginou para certas instituições humanas: uma pequena inscrição lembrando ao portador quem guarda quem. Assim, sobre a mesa do novo funcionário hemisférico, poder-se-ia ler: “Este revolucionário encontra-se sob custódia da História.” Não sei se o leitor acreditará nesta hipótese. Confesso que eu mesmo a acho improvável. Mas a política tem dessas ironias que fariam corar os romancistas. E se amanhã algum cronista anunciar que um antigo bolivariano foi visto em Washington vestindo casaca nova, não diga que esta página o apanhou de surpresa. CONCLUSÃO Porque, como talvez dissesse um conselheiro de espírito prudente, as revoluções passam, as casacas mudam — e a História, essa senhora irônica, costuma guardar as placas de custódia para usá-las no momento oportuno.