segunda-feira, 14 de agosto de 2023

PULO E TOMBO

As minorias precisam ser representadas nos espaços de poder. Pergunte-me como .
----------- "Gato de três cor ainda não nasceu ai Que dirá campeão pra quebrar eu" Carreirinho ----------
--------- Por que não tem gato de 3 cores? ------------
------ Estreou há 21 horas ------------
------------- Análise: Orlando Brito fez a crônica do poder, da glória e da solidão Era impressionante a sua capacidade de ler a alma dos políticos, suas verdadeiras intenções e agruras, pela simples postura. Mestre do fotojornalismo, captava o instante certo ------------- Neste domingo, dia 13 de agosto, a Confraria do Brito recebe à mesa o presidente da CPMI dos atos de 8 de janeiro, deputado Arthur Maia, para uma conversa como você nunca viu, com os jornalistas Ricardo Noblat, Luiz Carlos Azedo, Mirian Guaraciaba, José Casado, Vanda Célia e Zé Américo. Confraria do Brito ------------- -------------- CPMI do 8 de janeiro convoca generais | deputado Arthur Maia MyNews ___________________________________________________________________________________ --------------
-------------- Logo depois do ataque terrorista em Brasília, o ministro Alexandre de Moraes entrou para os assuntos mais comentados do Twitter. Foto: STF ------------ INVESTIGAÇÃO ALEXANDRE DE MORAES QUEBRA SIGILO DE OPERAÇÃO DA PF; LEIA A ÍNTEGRA IARA LEMOS 11.08.2023 11:31 NOTÍCIA Em GOVERNO TEMAS DEMOCRACIA TAGS STF BOLSONARO ALEXANDRE DE MORAES MAURO CID JOIAS RECEBA POR E-MAIL WHATSAPP TELEGRAM PUSH O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra do sigilo da operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira, que tem como alvo militares aliados do ex-presidente da República Jair Bolsonaro. ___________________________________________________________________________________ PET 11645 – Torna pública PETIÇÃO 11.645 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. ALEXANDRE DE MORAES REQTE.(S) :SOB SIGILO ADV.(A/S) :SOB SIGILO DESPACHO Realizadas as diligências pendentes e diante de inúmeras publicações jornalísticas com informações incompletas da decisão proferida em 10/08/2023, torno-a pública. Cumpra-se. Brasília, 11 de agosto de 2023. Ministro ALEXANDRE DE MORAES Relator Documento assinado digitalmente Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E820-5211-1636-82B3 e senha 17CC-2C4E-E7B3-96CB https://congressoemfoco.uol.com.br/wp-content/uploads/2023/08/PET-11645-Torna-publica-1.pdf ___________________________________________________________________________________ Leia a íntegra da decisão PETIÇÃO 11.645 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. ALEXANDRE DE MORAES REQTE.(S) : SOB SIGILO ADV.(A/S) : SOB SIGILO DECISÃO Trata-se de representação da Polícia Federal, subscrita pelo Delegado de Polícia Federal FÁBIO ALVAREZSHOR, pela realização da medida cautelar de busca e apreensão em face de MAURO CESAR LOURENA CID (CPF 500.518.817-72), FREDERICK WASSEF (CPF 085.143.388-03) e OSMAR CRIVELATTI (CPF 845.056.219-87), bem como pelo acesso aos dados dos processos de destinação ao acervo presidencial constantes nos sistemas do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH). Esta Pet foi instaurada nesta SUPREMA CORTE a partir de ofício remetido pelo Delegado de Polícia Federal FÁBIO ALVAREZ SHOR (Ofício nº 2673844/2023 – CCINT/CGCINT/DIP/PF), acompanhado do Relatório de Análise nº 2673382/2023, trazendo novas informações colhidas no âmbito desta Pet 10.405/DF, relacionadas à atuação de organização criminosa investigada nos autos do Inq. 4.874/DF. Com o avançar das investigações, destacou a autoridade policial que foram identificados, até o presente momento, cinco eixos principais de atuação da referida organização criminosa: (a) ataques virtuais a opositores; (b) ataques às instituições (STF, TSE), ao sistema eletrônico de votação e à higidez do processo eleitoral; (c) tentativa de Golpe de Estado e de Abolição violenta do Estado Democrático de Direito; (d) ataques às vacinas contra a Covid-19 e às medidas sanitárias na pandemia e; (e) uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens, o qual se subdivide em: (e.1) uso de suprimentos de fundos (cartões corporativos) para pagamento de despesas pessoais e; Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 038C-C0D2-05B4-A8A4 e senha 371D-B08E-5389-48CF https://congressoemfoco.uol.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Pet-11645-Merito.pdf ___________________________________________________________________________________ ------ A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (11) uma operação que tem como alvo militares ligados ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) Os militares são suspeitos de tentar vender ilegalmente jóias dadas ao governo por delegações estrangeiras. Os mandados foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao todo são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Os mandatos são contra o general do Exército Mauro César Lourena Cid, que é pai de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, O próprio Mauro Cid também é alvo da operação. Os mandatos também se estendem contra o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e tenente do Exército Osmar Crivelatti e o advogado Frederick Wassef, que já defendeu Bolsonaro e familiares. ___________________________________________________________________________________ LEIA TAMBÉM Reforma ministerial, arcabouço fiscal, direitos autorais e CPMI: veja o que esperar da semana CONGRESSO EM FOCO PT defende liberação de canais de rádio e TV para partidos políticos CARLOS LINS Abin acha ligação entre garimpo ilegal no Pará e atos golpistas de 8 de janeiro CAIO LUIZ ___________________________________________________________________________________ A decisão de Alexandre de Moraes que determinou a operação é composta de 105 páginas. Nela, o ministra classifica a equipe de Bolsonaro que atuou na tentativa de venda das joias de “organização criminosa”. “Com o avançar das investigações, destacou a autoridade policial que foram identificados, até o presente momento, cinco eixos principais de atuação da referida organização criminosa: (a) ataques virtuais a opositores; (b) ataques às instituições (STF, TSE), ao sistema eletrônico de votação e à higidez do processo eleitoral; (c) tentativa de Golpe de Estado e de Abolição violenta do Estado Democrático de Direito; (d) ataques às vacinas contra a Covid-19 e às medidas sanitárias na pandemia e; (e) uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens”, diz. Segundo as investigações, mensagens identificadas em aplicativo de mensagem do celular do investigado Mauro Cida indicaram que ele “estaria levando consigo uma mala específica que deveria ter como destino a casa de seu pai, o General da reserva Mauro Cesar Lourena Cid, na cidade de Miami, nos Estados Unidos”. ------------
------------- Em uma das imagens obtidas pela Polícia Federal, é possível ver o reflexo de seu rosto na caixa de Mauro Cesar Lourena Cid. ----------
----------- AUTORIA ----------
------------ Iara Lemos ----------- IARA LEMOS Editora. Jornalista formada pela UFSM. Trabalhou na Folha de S.Paulo, no G1, no Grupo RBS, no Destak e em organismos internacionais, entre outros. É mestranda na Universidade Aberta de Portugal e autora do livro A Cruz Haitiana. Ganhadora do Prêmio Esso e participante do colegiado de Inteligência Artificial da OCDE. iaralemos@congressoemfoco.com.br https://congressoemfoco.uol.com.br/area/governo/alexandre-de-moraes-quebra-sigilo-de-operacao-da-pf-leia-a-integra/ ___________________________________________________________________________________ ------------
--------------- Fernando Gabeira - Trump e Bolsonaro, os idos de janeiro ------------
------------ O Globo Ambos são capazes de imaginar um golpe de Estado, mas realizá-lo de uma forma tão grosseira que podem acabar na cadeia ----------- ----------- Por dentro do ato pró-Trump que levou a invasão histórica ao Congresso dos EUA ---------- BBC News Brasil 7 de jan. de 2021 #Invasão #BBCNewsBrasil #Capitólio As imagens chocaram o mundo: manifestantes apoiadores do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadindo o Capitólio, sede do Legislativo federal dos EUA, para parar a sessão que certificaria a vitória de Joe Biden, eleito presidente do país. Neste vídeo, a correspondente da BBC News Brasil em Washington, Mariana Sanches, conta o que viu de perto – do ato com discurso inflamado de Trump, pedindo aos apoiadores que fossem até o Congresso, até a invasão. Quatro pessoas morreram. Leia também a reportagem em texto: https://www.bbc.com/portuguese/intern... https://www.youtube.com/watch?v=5dC_2Ub3uCE ___________________________________________________________________________________ ----------- Há semelhança nas derrotas de Trump e Bolsonaro. Ambos questionaram antecipadamente o processo eleitoral. Trump implicou com o voto impresso; Bolsonaro estigmatizou as urnas eletrônicas. Ambos pressentiam a derrota e armavam o pulo do gato. Na invasão do Capitólio no 6 de Janeiro, muitos acreditavam que a eleição de Biden fora um roubo. Em Brasília, no 8 de Janeiro, muitos também supunham que haviam sido iludidos pelas urnas eletrônicas. Percebo agora que a hipótese de uma revolta popular era apenas o lance de um jogo mais complexo. Trump pretendia usar falsos delegados e resultados falsos para ser adotados pelo seu vice, Mike Pence, na sessão do Capitólio. Não funcionou. ------------ ----------- Documentário BBC | 8 de Janeiro: o dia que abalou o Brasil ---------- BBC News Brasil Estreou em 5 de jul. de 2023 #bbcnewsbrasil #brasilia #política Apenas uma semana após a posse do novo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, apoiadores de seu antecessor, Jair Bolsonaro, invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes em Brasília: Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Inconformados com a derrota nas urnas e guiados por notícias falsas e teorias da conspiração, muitos dos invasores bolsonaristas acreditavam que as Forças Armadas derrubariam o governo recém-empossado. As imagens de destruição viraram manchete em todo o mundo. Neste documentário especial, nossa repórter Camilla Veras Mota e nosso videojornalista Giovanni Bello foram a Brasília para conversar com testemunhas do que aconteceu naquele dia e, com a ajuda de especialistas, reúnem as peças que tornaram os ataques de 8 de janeiro possíveis. Assista e confira. https://www.youtube.com/watch?v=MxciQQRUMNk ___________________________________________________________________________________ ----------- A invasão do Congresso, do Palácio do Planalto e do STF também não era para ser um episódio isolado. Esperava-se uma interferência das Forças Armadas, por meio de uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Também não funcionou. Trump e Bolsonaro já vinham de uma vitória semelhante. Ambos criticavam o sistema político, se colocavam como pessoas comuns, atacavam a imprensa e a academia. Ambos fingiam defender valores tradicionais, embora suas vidas desmentissem essa adesão. No caso de Trump, o salto foi evidente. Quando pensou em disputar as eleições com Pat Buchanan, zombava muito dele porque era antinegro e antigay. Apesar de ser um milionário de gosto duvidoso, que construía prédios com encanamento de ouro, Trump vivia entre artistas e milionários e, de uma certa forma, compartilhava valores com eles. Basta ver a sucessão de mulheres, modelos, com quem foi se casando ao longo do tempo. Assistindo a um documentário sobre a vida de Trump, creio que ele teve uma grande intuição em estudar e tentar imitar a trajetória de Jesse Ventura, que foi governador de Minnesota. Ex-atleta de luta livre, veterano do Vietnã, musculoso e calvo, Ventura representou o papel do homem comum que dizia algumas bobagens, mas era sincero. Além disso, hostilizava a imprensa por colocá-la na mesma prateleira de políticos e intelectuais. Seu governo tentou manter uma velha lei de Minnesota que proibia sexo oral e anal e estigmatizava gays. Trump mandou assessores e foi pessoalmente estudar o sucesso de Ventura entre os americanos que mais tarde ele arrebataria com críticas à globalização e o programa de tornar a América grande de novo. Bolsonaro talvez nem conheça a trajetória de Jesse Ventura. Ele, por suas características, não precisava da observação metódica de Trump para representar bem o papel. Ventura, conhecido também como O Corpo (1m93 e 111kg), foi eleito em 1998. Trump sempre ameaçou entrar no processo eleitoral. Mas afirmou que só entraria quando tivesse certeza da vitória. Foi bastante aplicado, pesquisou corretamente e entrou na disputa na hora certa. O que me interessa estudar é como essa fórmula do homem sincero, que despreza políticos, hostiliza a imprensa, duvida da ciência e condena minorias ainda tem potencial de vitória. Algo ficou também claro na experiência de Trump e Bolsonaro: a fórmula é suficiente para a vitória, mas pouco pode fazer para manter a confiança da maioria. Eles intuíram a própria derrota, tanto que prepararam o pulo do gato, por meio de uma virada de mesa. Virar a mesa em política sempre foi complicado na História. Assim como o “homem sincero contra tudo que está aí” não teve habilidade para conduzir um governo que se prolongue no tempo, por meio de sucessivas vitórias, também não tem habilidade para dar o golpe. Trump e Bolsonaro são políticos toscos, capazes de vencer, mas não de se prolongar no poder. São capazes de imaginar um golpe de Estado, mas realizá-lo de uma forma tão grosseira que podem acabar na cadeia. O destino dos dois se separa no leito das diferentes legislações nacionais. Bolsonaro é carta fora do jogo, pelo menos nas próximas três eleições. Trump ainda pode concorrer e vencer. O fato de ser algo provável, na mais celebrada democracia do mundo, mostra apenas a dimensão do buraco em que nos metemos. _________________________________________________________________________________________________________ ----------- ---------- TIÃO CARREIRO E PARDINHO - O PULO DO GATO ----------- "armavam o pulo do gato." ----------- ___________________________________________________________________________________ A expressão "armar o pulo do gato" é uma metáfora que significa preparar cuidadosamente um plano ou uma estratégia para alcançar algum objetivo, muitas vezes com o intuito de surpreender alguém ou obter vantagem. A origem dessa expressão está associada ao comportamento dos felinos, como os gatos, que costumam planejar e agir de forma estratégica para caçar suas presas. No contexto mencionado, parece sugerir que as pessoas estavam elaborando um plano ou tramando algo de maneira cuidadosa e planejada, possivelmente com algum objetivo específico em mente. A frase pode ser usada tanto de forma literal, para descrever a preparação de um plano, quanto de forma figurativa, para indicar uma situação em que alguém está tramando algo de maneira secreta ou planejada. ___________________________________________________________________________________ ----------- O pulo do gato Canção de Tião Carreiro & Pardinho Um sujeito endinheirado Que fazia e desfazia Menina nova e bonita Era o que ele perseguia Das garra deste gavião Quando a menina saia Lá pra casa dos seus pais Muito triste ela ia A menina tão formosa Um lindo botão de rosa Que no galho já morria O que é bom logo se acaba Confirma o velho ditado Pote tanto vai a fonte Que um dia volta quebrado Foi quebrado logo cedo O encanto deste malvado Ele zombou de um amor Da filha de um coitado Ele quis fazer peteca De uma linda boneca Mas filha de pai honrado A coitadinha chorando Pro seu pai contou o fato: Tenho na minha garganta Um nó que eu não desato Naquele rosto de pai Vergonha ali era mato O velho entrou em cena Foi no derradeiro ato Jurou de joelho no chão Vou pular neste gavião Do jeito que pula um gato O caboclo de vergonha Deu um balanço na vida Viu sua esposa rezando Perto da filha querida Viu sua filha chorando Numa estrada sem saída Dentro da sua razão Ele entrou nesta partida Foi só pena que voou O gavião se acabou Desta vez pra toda vida Este caboclo que eu digo Mora lá no pé do morro Numa casa escondida Parece toca do zorro Onde a corruira canta E faz seu ninho no forro Tem azeitona de aço Malandro não tem socorro Malandro naquela casa Topa bizorro sem asa Tá num mato sem cachorro Compositores: Jose Nunes / Lourival Dos Santos ___________________________________________________________________________________ ---------- O texto compartilhado é a letra da canção "O Pulo do Gato", interpretada por Tião Carreiro & Pardinho. Essa canção descreve a história de um homem endinheirado que se aproveitava de jovens e bonitas mulheres. Porém, ele cometeu um erro ao se envolver com a filha de um homem honrado, que, ao descobrir as ações do homem, jurou vingança. A filha, envergonhada e triste, revela ao pai o que aconteceu, e o pai decide tomar medidas para confrontar o homem que zombou do amor de sua filha. O pai promete "pular neste gavião" como um gato pula, simbolizando sua intenção de enfrentar o homem de forma corajosa. Eventualmente, o homem endinheirado enfrenta consequências severas por suas ações, e a história termina com a descrição de um caboclo (indivíduo do interior) que vive em uma casa escondida no pé do morro, um lugar que parece isolado e inacessível, onde até os malandros não têm socorro. Essa canção aborda temas de honra, vingança e justiça, com uma história que reflete a cultura e as tradições do interior do Brasil. A canção faz parte do repertório da música sertaneja raiz e é interpretada no estilo característico de Tião Carreiro & Pardinho. ___________________________________________________________________________________ ---------- Assumindo que a letra desta canção de José Nunes/Lourival Dos Santos possa ser uma metáfora, onde endinheirado na verdade simboliza um poderoso eleito pela democracia e que a trai ao ser eleito pela democracia. Que ilegalmente tenta destruir essa mesma democracia, usando o estado de direito democrático para o destruir e implantar um regime iliberal e antidemocrático, contra os interesses do povo que se revolta com essa quebra de confiança do empodeirado autoritário. ---------- É interessante como pode ser reinterpretada a letra da canção "O Pulo do Gato" de José Nunes e Lourival Dos Santos como uma metáfora para descrever uma situação política em que um indivíduo poderoso eleito pela democracia abusa de seu poder para minar a própria democracia e instaurar um regime iliberal e antidemocrático. Vou elaborar um pouco mais sobre essa interpretação: Nesta interpretação, o "sujeito endinheirado" pode simbolizar o líder político que ganhou uma eleição democrática, possivelmente com promessas de representar os interesses do povo e preservar a democracia. No entanto, ao chegar ao poder, esse líder trai a confiança do eleitorado ao agir contra os princípios democráticos e ao tentar enfraquecer o próprio sistema de direitos e liberdades que permitiu sua ascensão. A menção a "fazer e desfazer" e "perseguir meninas novas e bonitas" poderia simbolizar as ações manipuladoras e autoritárias do líder político, que busca manipular a situação em seu próprio benefício, sem considerar as consequências para o povo. A menina formosa e o "lindo botão de rosa" talvez representem a esperança e o potencial do sistema democrático. A resposta do pai, ao tomar conhecimento das ações do líder, pode representar a reação das pessoas que acreditavam na democracia e se sentem traídas ao verem a manipulação e a destruição dos valores democráticos. O desejo de confrontar o "gavião" como um gato pula pode simbolizar a determinação do povo em proteger a democracia e lutar contra a usurpação do poder. O desfecho, com o "gavião se acabou desta vez pra toda vida", pode sugerir que a tentativa de subverter a democracia não terá sucesso e que o povo se unirá para resistir e preservar os valores democráticos. Lembrando que interpretações artísticas podem ser subjetivas e variadas, mas a análise que você fez oferece uma maneira interessante de contextualizar a canção em um cenário político. ___________________________________________________________________________________ O trecho compartilhado é um artigo escrito por Fernando Gabeira, no qual ele compara as trajetórias políticas de Donald Trump e Jair Bolsonaro, especialmente focando em suas derrotas eleitorais recentes e em seus estilos de liderança. Gabeira explora as semelhanças entre os dois líderes e como suas estratégias e abordagens podem levá-los à vitória eleitoral, mas também podem colocá-los em situações de risco. Ele observa que tanto Trump quanto Bolsonaro questionaram processos eleitorais, implicando com métodos de votação e sugerindo irregularidades. Gabeira sugere que ambos pressentiam a derrota e tentavam armar um plano de ação para reverter a situação, usando métodos que ele descreve como "pulo do gato". O autor explora como Trump tentou questionar o resultado das eleições através de estratégias como falsos delegados e resultados falsos, enquanto Bolsonaro também adotou uma postura questionadora em relação às urnas eletrônicas. Gabeira também aborda como os dois líderes, embora retratados como "homens comuns" que desafiavam o sistema político, demonstraram falta de habilidade para governar e para manter a confiança da maioria. O autor destaca a falta de habilidade política de Trump e Bolsonaro ao tentarem reverter resultados eleitorais de maneira grosseira, sugerindo que eles são capazes de imaginar um golpe de Estado, mas não possuem a capacidade de executá-lo de maneira bem-sucedida, o que poderia resultar em consequências legais. Gabeira conclui comentando sobre as diferenças entre as legislações nacionais que regem os destinos de Trump e Bolsonaro, afirmando que Bolsonaro parece fora do jogo político pelo menos nas próximas três eleições, enquanto Trump ainda tem a possibilidade de concorrer e vencer. Ele sugere que a situação política de ambos os países reflete uma crise democrática mais ampla. ___________________________________________________________________________________ ---------- Correlaciona-se, agora, a letra da música "O Pulo do Gato" de José Nunes e Lourival Dos Santos com o artigo "Fernando Gabeira - Trump e Bolsonaro, os idos de janeiro", escrito por Fernando Gabeira, no qual ele compara as trajetórias políticas de Donald Trump e Jair Bolsonaro, especialmente focando em suas derrotas eleitorais recentes e em seus estilos de liderança. Dá-se um título ao texto e é apresentado, a seguir, um resumo conclusivo a essa síntese. ------------ Título: "Sobre Pulos e Quedas: Análise das Trajetórias de Trump, Bolsonaro e a Busca pelo Poder" Resumo Conclusivo: A letra da música "O Pulo do Gato" de José Nunes e Lourival Dos Santos, junto com o artigo "Fernando Gabeira - Trump e Bolsonaro, os idos de janeiro" de Fernando Gabeira, fornecem insights sobre as estratégias e trajetórias políticas de líderes controversos como Donald Trump e Jair Bolsonaro. A canção, com seu contexto de traição e revolta, pode ser interpretada como uma metáfora para líderes que abusam de sua posição de poder, causando desconfiança e reações adversas. O texto de Gabeira explora as semelhanças entre Trump e Bolsonaro, ressaltando suas táticas populistas e habilidades para ganhar eleições, mas também enfatiza sua falta de habilidade para governar eficazmente e manter a confiança pública. Ambos os materiais ilustram que líderes que planejam "pulos do gato" para reverter cenários desfavoráveis muitas vezes enfrentam consequências graves e que sua capacidade de imaginar um golpe de Estado raramente se traduz em sucesso. Ao combinar esses dois contextos, percebe-se a importância de uma liderança equilibrada e responsável, que respeite as normas democráticas e a confiança do eleitorado, para evitar crises políticas e institucionais. ___________________________________________________________________________________ ----------- ---------- Gato de Três Cores Tião Carreiro e Pardinho --------- Foi naquele dia de corpo de Deus Recebi uma carta que me ofendeu Portador que trouxe foi quem mesmo leu O povo queria ver um encontro meu Com este campeão que apareceu Chegou este dia o tempo escureceu Trovejou bastante, mas não choveu Logo meu colega compareceu Pra cumprir com o trato que prometeu Chegamos na festa que o portão bateu Festeiro alegre me recebeu Lá pra dentro estavam uns amigos seus Já veio uma pinga tudo ali bebeu Meu peito velho já desenvolveu Repiquei no pinho que as cordas gemeu Chamei o festeiro ele me atendeu Vamos lá pra sala que a hora venceu Diga pro campeão quem falou foi eu Gato de três cor ainda não nasceu, ai Que dirá campeão pra quebrar eu Primeira moda foi pra dizer adeus O festeiro veio e me agradeceu O pessoal dali já me conheceu Uns disse baixinho outro respondeu Violeiro igual esse ainda não nasceu Um dueto triste o coração doeu Pra falar verdade até me comoveu Elogios que nós não mereceu O próprio festeiro já me protegeu Cantei outra moda não me respondeu E aqueles campeão já se encolheu Nem pra afinar a viola não se atreveu Chegou meia-noite o relógio bateu O campeão dali desapareceu Que estava perdido reconheceu Só nós dois cantando que amanheceu Para trabalhar meu peito não deu Mas pra fazer moda, apostou perdeu Gato de três cor ainda não nasceu ai Que dirá campeão pra quebrar eu Composição: Carreirinho. ___________________________________________________________________________________ -----------
------------ Uma possível leitura da letra da canção "Gato de Três Cores" como uma metáfora política poderia soar bastante criativa e contextual. Elabora-se sobre essa interpretação: Neste tipo de análise, o "Campeão" na canção pode simbolizar um líder poderoso eleito democraticamente, mas que posteriormente trai a confiança do povo ao tentar minar e destruir a própria democracia que o elegeu. Ele é representado como alguém que busca utilizar o sistema legal e as estruturas democráticas para alcançar um objetivo iliberal e antidemocrático. O desafio musical entre os dois violeiros pode ser visto como uma representação simbólica do conflito entre esse líder "Campeão" e as vozes de resistência e oposição, representadas pelo "violeiro desafiado". O "violeiro desafiado" simbolizaria o povo e os defensores da democracia, que se sentem traídos pela mudança de direção do líder eleito. A derrota do "Campeão" no duelo musical, onde ele não consegue responder adequadamente às músicas e acaba desaparecendo, pode representar a ideia de que a tentativa do líder de minar a democracia e impor um regime iliberal acaba encontrando resistência e revolta por parte da população. A referência ao "Gato de Três Cores" como um violeiro habilidoso pode representar a unidade e a capacidade de resistência das pessoas que defendem os valores democráticos. Essa 'exegese' ofereceria uma perspectiva interessante sobre como a letra da canção pode ser interpretada como uma metáfora para a dinâmica política em que líderes eleitos podem trair a confiança do povo ao minar a democracia e buscar poder autoritário. Lembremos que as interpretações artísticas podem ser subjetivas e diversas, e essa análise acrescenta uma camada profunda ao conteúdo da canção. ___________________________________________________________________________________ ---------------
------------ As minorias precisam ser representadas nos espaços de poder. Pergunte-me como Wilson Gomesdisse: 11 de agosto de 2023 Os progressistas estão convencidos de que a justiça não será implantada se as minorias não forem representadas. Corrijo-me: se não forem autorrepresentadas, posto que só quem faz parte de um conjunto é que deve ser o seu representante. Explicam-me que uma criança negra precisa ser representada por uma presidente negra ou por uma juíza negra na Suprema Corte, que é importante para a sua autoestima e é decisivo para o incremento da estima social de que goza o seu grupo. Reforço positivo de imagem e autoestima, além de justiça restaurativa. Entendo tudo isso, mas há problemas com esse argumento se ele pretende fundamentar uma regra social de base moral. Problema 1. O princípio vale para todos ou só para minorias e identidades progressistas? Se o argumento tem valor universal, por que as pessoas se escandalizaram tanto com a mesma ideia veiculada por Bolsonaro de que havia chegado a hora de termos um juiz do STF terrivelmente evangélico? As meninas evangélicas não terão um adicional importante de autoestima e a comunidade evangélica não terá um reforço no apreço social se pessoas abertamente evangélicas assumirem importantes cargos de liderança política? Por que a autoestima de umas merece um reforço enquanto a autovalorização social de outras não deve ser considerada? A resposta padrão dirá que meninas negras receberam historicamente tão pouco e a sociedade deve começar a pagar-lhes a dívida social contraída no passado. Mas como dizer isso honestamente quando se considera do outro lada as típicas meninas evangélicas, pobres, da periferia e igualmente negras e mestiças? Ou os progressistas não têm mais dado uma volta nas periferias e cidades pobres do país para notar que mesmo onde falta absolutamente tudo, inclusive o Estado, não faltam igrejas evangélicas? Problema 2. E se a correlação entre credores e devedores tornar impossível que as dívidas de representação sejam pagas? Nos últimos tempos, à lista dos que se chamavam de minorias políticas se acrescentou o rol das identidades sociais historicamente marginalizadas, com um elenco aberto sem fim. Sociedades são desiguais e injustas, no passado ainda mais do que agora, de modo que alegações de injustiça e as reivindicações de indenizações sociais, todas muito coerentes, continuam a se acumular. O problema é que as contas não param de chegar, mas os que teriam que honrar esses compromissos, os do passado e os do presente, são em número cada vez menor. Haverá um momento em que a conta não vai fechar. Veja-se o caso do “branco”, sabidamente o devedor universal. Metade dos brancos, as mulheres, passaram para o lado credor. Sobram 50%, mas, descontados os brancos que fazem parte de minorias políticas e identidades oprimidas, sobram apenas os brancos homens, cis e ricos para honrar os compromissos contraídos com o que, literalmente, é agora a maioria numérica da população. Inclusive as obrigações contraídas por outras gerações. Como todos os oprimidos merecem, moralmente, ser autorrepresentados nos espaços de poder, como acomodar tanta reivindicação, todas provavelmente legítimas, se os recursos para tanto são finitos e em algum momento se esgotarão? Assim como, provavelmente, a paciência política dos que agora são cobrados e culpados. Problema 3. Como alguém se torna um representante? No modelo clássico da democracia representativa, o método para se selecionar o representante é o voto direto dos que se sentem representados por uma pauta sustentada por quem está pleiteando a função. O representante se compromete eleitoralmente com uma agenda e uma perspectiva políticas e os que se sentem por elas representados os escolhe. A esquerda surgiu para representar as classes mais baixas, os trabalhadores, os despossuídos, a direita para representar os produtores de riqueza – e por anos ambos alimentaram esse sonho. Nesse caso, não havia dívidas a serem pagas, mas grupos disputando democraticamente o controle do Estado para implementar suas agendas por meio de políticas públicas. Mas no mundo identitário, de credores e devedores, as contas não fecham quando há cada vez mais gente do lado da demanda e menos no lado do atendimento. Sobretudo quando todos são vorazes e a política é vista como uma guerra de todos contra todos. Acontece que a representação produzida por afinidade ideológica e por deputação não entrega um colegiado de representantes que reflita necessariamente cada traço do universo dos representados e em uma proporção geométrica adequada. Na clivagem ideológica, mulheres não necessariamente votam em mulheres, nem negros em candidatos negros e quem bate cartão pode votar em patrão. Na clivagem identitária, isso é claramente uma usurpação. De forma que como as urnas teimam em não entregar a representação que desejamos, espelhando proporcionalmente o universo das identidades e minorias, é preciso corrigir isso de um modo ou de outro. Urnas, mais uma vez, são consideradas muito legais, mas só quando entregam o que a gente quer. Não havendo uma delegação da função com base em sufrágio, há dois modos de se determinar quem representa: ou alguém reivindica livremente a representação ou é indicado para essa função por um ato de autoridade. No primeiro caso, um sujeito que se sente pertencendo a uma minoria, como parte de um conjunto, reivindica falar em nome do todo. A totalidade que ele alega representar, contudo, em momento algum será consultada a respeito de tal pretensão. O pleiteante simplesmente declara que, como pertence a um coletivo, pode falar com autoridade em nome da sua totalidade – não importa se estamos falando de grandezas como “todas as mulheres”, “todos os negros” ou “todas as pessoas trans” – e ocupar todos os postos e funções destinadas aos seus representados. Entendam, a dívida é devida à totalidade (mulheres, negros, pessoas com deficiência, homossexuais), mas quem passa para resgatá-la é fulano, singularmente, seu autoproclamado representante. Lembra-me da teologia da Igreja Universal, quando eu fazia pesquisa de campo por lá: o fiel contrai a dívida com Deus, mas quem aparece para a cobrança e o usufruto do devido é o pastor. Um bom negócio para o representante, não para o representado que, a rigor, não desfruta nada, apenas do gozo simbólico de ver lá em cima um igual a ele – se acreditarmos na ideologia por trás do processo. No segundo caso, cabe à autoridade decidir, segundo o próprio arbítrio, quem representará a totalidade dos representados. É o paradoxo (ou contradição) de uma autorrepresentação outorgada, decorrente de uma investidura de fora para dentro: eu, que não sou negro nem evangélico, decreto que doravante você fará a representação dos negros ou evangélicos, que os negros evangélicos se sentirão autorrepresentados por você. Naturalmente, a autoridade pode ouvir grupos de negros ou evangélicos, mas sempre uma infinitésima parte do todo, em geral composto por representantes que se constituíram por autoproclamação. De modo que a menina negra ou a menina evangélica têm que se sentir representadas, no final das contas, por quem Lula ou Bolsonaro e os seus conselheiros quiserem. Ou não. É esquisito, mas só sei que é assim. Wilson Gomes é doutor em Filosofia, professor titular da Faculdade de Comunicação da UFBA e autor de A democracia no mundo digital: história, problemas e temas (Edições Sesc SP) https://revistacult.uol.com.br/home/minorias-espacos-poder/ ___________________________________________________________________________________

domingo, 13 de agosto de 2023

O MERCADOR

"Eu era menino, menino Um beduíno com ouvido de mercador Lá no oriente tem gente Com olhar de lança na dança do meu amor" -------------
--------- "Só garanto, 100%, que não haveria hipótese." Ruy Castro - 100% Millôr ---------- Folha de S. Paulo Não sei o que ele estaria achando de chegar aos 100. Só sei que, de qualquer jeito, não haveria hipótese ___________________________________________________________________________________ -------------
---------- Pedro S. Malan - O velho novo PAC? ------------
----------- O Estado de S. Paulo A contribuição do novo PAC para o Brasil não advirá de seu possível uso como instrumento de retórica nas campanhas eleitorais que se avizinham O papel do investimento público pode ser fundamental para romper pontos de estrangulamento em infraestrutura, sinalizar novas oportunidades de investimento ao setor privado, para sugerir áreas em que ambos, público e privado, podem atuar conjunta ou complementarmente. Dito isso, é sabido que quando tudo é prioritário nada é prioritário. Desde pelo menos os anos 50 (primórdios do BNDES e da Petrobras, governo JK) é conhecida a importância da seletividade e do critério na escolha de projetos. E, mais importante, da capacidade de execução, eficiência no gerenciamento, cobrança e avaliação de resultados. Essas observações vêm a propósito do velho e do novo PAC. Em novembro de 2006, reeleito para seu segundo mandato, Lula afirmou: “Eu vou me dedicar (...) a destravar o País. (...) não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o País precisa crescer. (...) me deixe trabalhar que eu vou pensar direitinho no que vou fazer”. Naquele mesmo mês, Guido Mantega, ministro da Fazenda, anunciou: “Nosso objetivo máximo é implantar o social-desenvolvimentismo. (...) Hoje é um novo modelo. É inédito no País”. E surgiu o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – para o quadriênio 2007-2010. Nada menos que 1.646 “ações do governo”, das quais 912 eram “obras” e 734 “estudos e projetos em andamento”. Todas a serem monitoradas pela Casa Civil da Presidência da República, chefiada por Dilma Rousseff. Seu valor era estimado em R$ 504 bilhões. No início de 2008 o governo decidiu aumentar para mais de 2 mil o total das “ações do governo” sob monitoramento, das quais mais de mil obras. A economia brasileira, é importante lembrar, estava bombando com a política pró-cíclica de aceleração do crescimento, num contexto internacional extraordinariamente favorável. No início de 2009, já em plena crise global, o governo decide não só aumentar em mais R$ 132 bilhões os gastos para o período 2007-2010, como também elevar os gastos do programa após 2010, de R$ 189 bilhões para R$ 502 bilhões. Era, agora, um PAC de R$ 1,15 trilhão, para o período 20072013, sob o argumento da necessidade de um keynesianismo contracíclico, imperativa resposta à crise global. Pelos critérios adotados pelo governo à época, eram considerados novos investimentos do PAC todas as obras que, mesmo já previstas, planejadas e executadas por Estados, ainda não houvessem sido incorporadas ao PAC. Em linguagem sintomática, portaria da Controladoria-Geral da União (CGU) definia o programa como “um instrumento de universalização dos benefícios econômicos e sociais para todas as regiões do Brasil”. Não à toa, o PAC foi alcunhado por Eduardo Giannetti de “Programa de Abuso da Credulidade”. É útil lembrar, neste contexto, os programas Brasil em Ação (1996-1999) e Avança Brasil (2000-2003), do governo FHC. Ambos definiram com clareza suas prioridades de investimentos em infraestrutura e suas ações nas áreas sociais. Ambos deixaram claro o papel essencial do Estado neste processo (ver Avança Brasil, 1998, págs. 58 e 59). Seu modelo de gerenciamento, conduzido pela competente equipe do Planejamento que tinha à frente José Paulo Silveira, foi utilizado por Estados brasileiros que definiram seus projetos prioritários, compatíveis com sua capacidade de execução. Faço esse comentário sem qualquer pretensão, e sim para sublinhar a importância de buscar sempre as convergências possíveis. Conhecido economista ligado ao PT, hoje diretor do BNDES (Nelson Barbosa), assim se expressou em meados de 2017: “Na economia, há quase um consenso de que o País precisa de reformas estruturais para viabilizar um novo ciclo de desenvolvimento. (...) É certo que mudanças são necessárias na Previdência e na legislação trabalhista, assim como na tributação, na remuneração dos servidores públicos, no gasto social e também no gasto financeiro do governo. (...) A solução da crise atual requer um debate equilibrado e transparente de questões impopulares, inclusive nas campanhas eleitorais, inclusive pela esquerda”. Referime a esse texto como encorajador, em artigo publicado neste espaço (Diálogos não impossíveis?, 11/6/2017). Concluí citando Rogoff: “(...) é lamentável que nesse debate sobre ações do governo haja muito pouca discussão sobre como fazer do governo um provedor de serviços eficiente. Aqueles que desejam um papel mais amplo do setor público fortaleceriam sua posição se estivessem preocupados em encontrar formas de fazer o setor público mais eficaz”. E acrescentei: não creio que isso seria impopular. Situações difíceis não significam inexistência de opções, mas realçam a importância e a necessidade de escolhas .A mais importante delas, talvez, é a escolha de pessoas com as competências requeridas. A contribuição do novo PAC para o Brasil advirá não de seu possível uso como instrumento de retórica nas campanhas eleitorais que se avizinham (2024 e 2026). Mas da seletividade, gestão efetiva e avaliação de resultados sobre os níveis e a eficácia do investimento público e privado, para assegurar o crescimento sustentável do emprego e da renda. Trata-se de um dos maiores desafios de médio prazo na área econômica. Para não falar em educação e saúde. ___________________________________________________________________________________ ----------
-------------- C247 - 1 Real - Data: 1997 - Pedro S. Malan/Gustavo J. L. Loyola- AB - Estado de Conservação: Flor de Estampa (FE) ----------- O artigo escrito por Pedro S. Malan, foi publicado no jornal "O Estado de S. Paulo". O artigo aborda o tema do investimento público e faz uma análise crítica sobre a eficácia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Brasil, tanto no passado quanto nas perspectivas futuras. O autor discute como o investimento público pode ser fundamental para superar gargalos na infraestrutura, atrair investimentos privados e identificar áreas em que ambos os setores, público e privado, possam atuar em conjunto. No entanto, ele destaca a importância da seletividade na escolha de projetos de investimento e da capacidade de execução eficiente. O artigo menciona que, historicamente, o Brasil teve programas de investimento público, como o PAC, que buscavam promover o crescimento econômico e o desenvolvimento, mas muitas vezes esses programas foram criticados por falta de clareza na priorização de projetos e pela falta de eficácia na execução. O autor também menciona outros programas governamentais do passado, como o Brasil em Ação e o Avança Brasil, que tinham prioridades de investimento mais claras e eficazes, além de um modelo de gerenciamento que permitia a participação de estados brasileiros na definição de projetos compatíveis com sua capacidade de execução. O texto conclui enfatizando a importância de escolhas cuidadosas, de pessoas com as competências adequadas, para garantir um investimento público e privado eficaz, que contribua para um crescimento sustentável do emprego e da renda no Brasil. O autor também sugere que o sucesso do novo PAC dependerá de uma abordagem seletiva e de uma gestão eficaz, ao invés de ser apenas usado como retórica em futuras campanhas eleitorais. ___________________________________________________________________________________ ------------- Gota D'água Chico Buarque -------------
----------- Marcos Lisboa* - Estado e desenvolvimento Aparentemente, aprendemos pouco com nossos muitos fracassos e somos desatentos aos detalhes dos ocasionais casos de sucesso. Folha de S. Paulo Porto Digital e agronegócio têm em comum desenvolvimento de novas tecnologias e cuidado no desenho da intervenção pública Existem exemplos no Brasil de combinação de políticas públicas, empreendedorismo privado e inovações tecnológicas que permitem aumentos recorrentes da produtividade, da renda das famílias e de crescimento econômico. Esta coluna trata de duas experiências de sucesso: o Porto Digital do Recife e o agronegócio. Ambas têm em comum o desenvolvimento de novas tecnologias e o cuidado técnico no desenho da intervenção pública. A forma da intervenção pública tem detalhes específicos em cada caso, revelando a necessidade da análise cuidadosa das características do setor e das condições de contorno. No fim dos anos 1990, Recife tinha um excelente centro de formação em ciência da computação. Entretanto, a falta de empregos em tecnologia resultava na emigração de técnicos bem formados. Surgiu a proposta de criar um polo de tecnologia, ou Ecossistema Local de Inovação (ELI), que incentivasse o empreendedorismo e a inovação em temas de ciência da computação. Houve uma sugestão de implementar o ELI na Universidade Federal de Pernambuco, mas foi rapidamente rechaçada. A UFPE fica longe do centro, dificultando reter pessoas e atrair empresas, que preferem áreas mais densas, com vida cultural e oportunidades de encontros inesperados que resultem em ideias inovadoras. Decidiu-se implementá-lo no bairro do Recife, região onde a cidade se iniciara, mas que se tornara uma área decadente com prédios históricos degradados. O projeto passou a ter um segundo objetivo: recuperar o centro antigo. Foi criado o Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD), conduzido por um conselho de administração com 19 pessoas representando governo, universidades, empresas e outras representações da sociedade civil. As decisões são colegiadas, e a gestão é profissional. O município aprovou a Lei do Porto Digital, que reduzia o ISS das empresas ali instaladas. A concessão dos benefícios é gerida por um comitê com representantes da prefeitura e do NGPD. O governo do estado concedeu R$ 30 milhões para restaurar três prédios históricos e financiar por algum tempo o NGPD. Mais de duas décadas depois, os resultados impressionam. Prédios foram restaurados pelo NGPD, que hoje tem nos aluguéis importante fonte de recursos. A região foi revitalizada com a atração de empresas privadas, que restauraram ainda mais prédios. As empresas embarcadas no Porto Digital já somam 365, faturando R$ 4,75 bilhões por ano e empregando mais de 17 mil pessoas. Existem sete instituições de C&T, incluindo o Cesar, órgão de referência na área, que fatura cerca de R$ 400 milhões por ano. Das 10 maiores empresas do Porto Digital, 7 foram iniciadas ali. Recife tem cerca de 700 doutores em ciência da computação, sendo perto de 600 formados na UFPE, nota 7 na Capes, a maior possível. Não há restrição à ida de profissionais brasileiros para o exterior. É comum saírem do Brasil e voltarem anos depois, com mais experiência e conhecimento. Recentemente, o Porto Digital, em parceria com universidades privadas, iniciou um programa de bolsas integrais para jovens que se formam em escolas públicas. São cerca de 600 bolsistas por ano, mais de 60% negros. Recife tem a maior proporção por habitante de formandos em áreas que envolvem programação de computador no país, e esse número irá dobrar em três anos, transformando a demografia da região com pessoas que vieram das periferias da cidade. A história do agronegócio tem resultados semelhantes, mas por meios bem distintos. No fim dos anos 1960, o Brasil tinha dificuldades na agricultura. Nossas exportações dependiam principalmente do café, cujas oscilações de preço no mercado internacional geravam volatilidade na taxa de câmbio, prejudicando os demais setores, inclusive a indústria. O governo apoiou pesquisas para adaptar as culturas das zonas temperadas, como a soja, para o trópico brasileiro, além de desenvolver pessoas que pudessem resolver outros problemas, como a inadequação do solo para a agricultura no Centro-Oeste, por ser demasiadamente pobre em nutrientes e ácido. A Embrapa financiou a formação de cerca de 2.000 técnicos em boas universidades, muitas fora do Brasil. Além disso, existiam pesquisadores competentes em universidades públicas, como Esalq, Viçosa e várias outras, assim como em centros privados e públicos de pesquisa. Em paralelo, empreendedores migravam para o Centro-Oeste, buscando desenvolver a produção agrícola, experimentando novas abordagens, por vezes fracassando. Os resultados do agronegócio nos últimos 50 anos são de tirar o fôlego. A sua produtividade cresceu cerca de 2,9% ao ano. Em média, os preços dos alimentos pesquisados pela Fipe-USP caíram em termos reais perto de 2% ao ano, barateando a oferta de alimentos para a população. Entre 1975 e 2022, a redução real acumulada dos preços passa de 60%. O aumento de produtividade permitiu o crescimento e a diversificação das exportações, gerando um círculo virtuoso. A expansão da escala de produção induziu novos aumentos recorrentes de produtividade, inclusive para enfrentar a concorrência de outros países. O Brasil foi o que mais aumentou a produtividade total dos fatores na agricultura entre os principais países produtores e exportadores nas últimas duas décadas. Tornamo-nos referência internacional na produção de soja ou em setores como papel e celulose. A expansão do agronegócio incentivou o desenvolvimento de insumos e da indústria de equipamentos. Impressiona o aumento de novas empresas de tecnologia (agtech) em áreas como agricultura de precisão, automatização e robotização, biotecnologia, entre outras. A renda por habitante do Centro-Oeste, mesmo sem Brasília, cresceu bem mais do que a do Sudeste no último meio século. Em meados dos anos 1990, a renda média por habitante dos moradores do Maranhão era de R$ 335 por mês, apenas 35% da renda média do Brasil. A chegada da soja ao sul do estado permitiu que a renda média dos moradores da região crescesse 235% desde então, muito acima do que ocorreu na renda média do país e nas outras áreas do MA. Existem diferenças nas políticas adotadas no Porto Digital e no agronegócio. Mas ambos os casos têm em comum mecanismos sofisticados para incentivar a inovação tecnológica e a formação de gente para resolver problemas e aumentar a produtividade. Documentar as experiências bem-sucedidas pode contribuir para evitar repetir os erros tão frequentes no desenho da nossa típica política industrial, que distribui subsídios e proteções de roldão a empresas locais, como se isso fosse suficiente para garantir o desenvolvimento. Aparentemente, aprendemos pouco com nossos muitos fracassos e somos desatentos aos detalhes dos ocasionais casos de sucesso. ___________________________________________________________________________________ ------------
------------ domingo, 13 de agosto de 2023 Dorrit Harazim -A casa caiu -----------
----------- O Globo Daqui para a frente são só notícias amargas para o capitão que o Brasil manteve por quatro intermináveis anos no poder Lá pelos idos de 1940, a mineradora sul-africana De Beers Consolidated lançou aquela que é considerada a campanha publicitária mais bem-sucedida do século XX: — A diamond is forever. Seja pela pegada sentimental (como prova de amor), seja por sugerir valor monetário eterno, a campanha em 23 línguas faz sucesso até hoje. E a pedra, sem nunca perder o brilho, afaga corações e bolsos. É na política que ela causa estragos, por não ser ali seu lugar. Foi numa manhã de outubro de 1979 que o presidente da França, Valéry Giscard d’Estaing, no poder havia cinco anos e com o horizonte acenando para uma futura reeleição, viu-se fulminado pela manchete do satírico parisiense Le Canard Enchaîné: — Quando Giscard embolsava os diamantes de Bokassa. Logo abaixo, o fac-símile da ordem de entrega de um mimo faiscante de 30 quilates, emitida em 1973 pelo déspota da República Centro-Africana, Jean-Bedel Bokassa. Destinatário: Giscard, então ministro das Finanças. A ordem estipulava inclusive o valor do regalo: 1 milhão de francos, algo como US$ 4,4 milhões em dinheiro de hoje. Foi uma bomba de que ele nunca mais se recuperaria. Perdeu a pose e a reeleição para o socialista François Mitterrand. A bomba que desde a manhã de sexta-feira choca o país, atordoa Brasília e humilha as Forças Armadas deixa no chinelo o caso Giscard. Desencadeadas logo cedo por equipes da Polícia Federal (PF) com autorização do Supremo Tribunal Federal (leia-se, ministro Alexandre de Moraes), no âmbito do inquérito sobre milícias digitais, foram realizadas variadas ações de busca e apreensão. Entre outros, em endereços associados a um general do Exército — da reserva, porém com quatro estrelas na farda e prestígio na Força. Quem achou extrema a ação contra o general Mauro Cesar Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e tenente-coronel Mauro Cid, atualmente preso, precisa debruçar-se sobre o relatório das investigações que embasam a decisão do ministro. Excepcionais pelo escopo, detalhamento e gravidade, as 105 páginas do despacho de Moraes estarrecem. Daí o acerto da decisão, “diante de inúmeras publicações jornalísticas com informações incompletas da decisão proferida em 10/8/2023”, de quebrar o sigilo de operação tão cabeluda. Seria um dano irreparável manter fora da vista da sociedade a investigação que classifica como “organização criminosa” uma penca de aliados civis e militares do ex-presidente da República, suspeitos de envolvimento em pelo menos “cinco eixos principais” de atuação criminosa. Quanto maior a transparência na investigação, menor a chance de “narrativas alternativas” conseguirem alterar a realidade dos fatos apurados. Por ora, o foco principal está na mirabolante ocultação e tentativa ilegal de venda, por parte dos envolvidos, de objetos presenteados a Bolsonaro na Presidência. São caudalosas as evidências de participação na trama de bolsonaristas raiz, como o general Mauro Cid, seu filho, o segundo-tenente da ativa Osmar Crivelatti (a serviço do chefe até hoje) ou o homem de todos os rolos Frederick Wassef, que faz as vezes de advogado da família Bolsonaro. Coadjuvantes com indícios de se verem encrencados também não faltam, assim como cenas, situações e diálogos absurdamente farsescos, não fossem eles alarmantes pelo grau de delinquência. Relógios cravejados de diamantes, joias e rosários islâmicos idem viajaram como clandestinos no avião presidencial para Orlando. Pelo relato substantivo das investigações, o esquema milionário de subtrair da República o que a ela pertence começou, no mínimo, já em meados de 2022. Acelerou com afoiteza e risco pouco antes e nas semanas que se seguiram à derrota eleitoral do chefe. Segundo mensagens eletrônicas recuperadas pela investigação, o surrupio do público para o privado incluiu até mesmo o filho Zero Quatro do presidente, Jair Renan. O caçulinha, depreende-se de e-mails dos auxiliares de Bolsonaro, se interessou por alguns itens e, com o beneplácito do pai, serviu-se no acervo da Documentação Histórica em julho do ano passado. Daqui para a frente são só notícias amargas para o capitão que o Brasil manteve por quatro intermináveis anos no poder. Além de inelegível, Jair Bolsonaro provavelmente será chamado a depor sobre o imbróglio das joias; é possível que logo mais seu passaporte seja retido; provável que venha a ser indiciado, denunciado, julgado, quiçá condenado — não só pelo rastro de ladroagem deixado. Talvez ainda não saiba, mas sua casa já caiu. ___________________________________________________________________________________ ------------ ---------- Rei do Gado - Tião Carreiro e Pardinho (letra) Letras de modão ----------- ------------ O Mercador de Serpentes Egberto Gismonti ------------- Há sedas clareando o amor Rosas, seios, num luar, rebuscando o sem-fim Há vinhos embaçando o amor Flautas, tendas, no além, semeando o ar E as dunas crescem no vento ao Sol Serpentes bailam no anoitecer Na caravana carece a dor Clarão de amor Ah! Tragam hoje as maçãs Venham com os corpos nus, pro oásis do amor Ah! Tragam pensamentos nus Toda luz pra clarejar Hoje é o dia da criação Composição: Egberto Gismonti. _________________________________________________________________________________________________________ ------------- -------------- Mercador Carlos Galhardo Eu sou o mercador Minha tenda é perfumada Tem mulher de toda cor Faço qualquer negócio Eu sou o mercador Roubei a favorita do califa Fugi no meu camelo Mais um tabu se quebrou Quando a mulher é boa Alá, Alá perdoa Eu sou o mercador Minha tenda é perfumada Tem mulher de toda cor Faço qualquer negócio Eu sou o mercador Composição: Ari Monteiro / Wilson Batista. _________________________________________________________________________________________________________ -------------- ----------- Chão da Praça Moraes Moreira A Arte de Moraes Moreira Am D7 G Em C#m7/5- F#7 F#º B7 Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor ... Am Am/G F#m7/5- B7 Em Em/D F#m7/5- B7 Em Olhos ne gros cruéis, tentadores das multidões sem cantor Em B7 Em -Eu era menino, menino um beduíno com ouvido de mercador Ô ô ô ô ô ô ô B7 Em B7 Em Lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor (2x) A7 Em G7 C B7 Em Tem que dançar a dança que a nossa dor balança o chão da praça ôuôuô(2x) Em F#m7/5- B7 Em B7 Meu amor quem ficou nessa dança meu amor tem fé na dança Em F#m7/5- B7 Em Nossa dor meu amor é que balança nossa dor o chão da praça G7 C B7 E7 Vê que já detonou som na praça porque já todo pranto rolou Am D7 G Em C#m7/5- F#7 F#º B7 Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor ... Am Am/G F#m7/5- B7 Em Em/D F#m7/5- B7 Em Olhos ne gros cruéis, tentadores das multidões sem cantor B7 Em B7 Em -Eu era menino, menino um beduíno com ouvido de mercador Ô ô ô ô ô ô ô B7 Em B7 Em Lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor (2x) A7 Em G7 C B7 Em -Tem que dançar a dança que a nossa dor balança o chão da praça ôuôuô(2x) A7 Em A7 Em A7 Em Balança o chão da praça Ô u ô u ô balança o chão da praça A7 Em A7 Em A7 Em A7 Ô u ô u ô balança o chão da praça Ô u ô u ô b a l a n ç a o c h ã o Em A7 Em Compositores: Antonio Pires / Fausto Nilo Costa Junior _________________________________________________________________________________________________________ ------------ POR QUE ASSISTIR "O MERCADOR DE VENEZA"? Melhor do Cinema por Belas Artes À LA CARTE ----------- 6 de ago. de 2022 Al Pacino, Jeremy Irons e Joseph Fiennes juntos no mesmo filme? Isto não é um sonho, o filme existe, ele se chama "O Mercador de Veneza", e está disponível no streaming dos melhores filmes, o seu À LA CARTE! Ótimos motivos não faltam pra você conferir esse filmão! ____________________________________________________________________________________ ------------ -------------- W. Shakespeare, O Mercador de Veneza ------------ Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy 7 de mai. de 2020 Quais os limites do para a interpretação literal dos contratos? ____________________________________________________________________________________ ------------- ---------- Investigação de vendas de joias faz cerco para chegar a Bolsonaro | Mônica Bergamo ------------ Rádio BandNews FM 12 de ago. de 2023 ____________________________________________________________________________________ -------------
------------- Descrição do produto A adaptação da peça homônima escrita por William Shakespeare se passa na Veneza do século XVI. O jovem nobre Bassanio pediu dinheiro emprestado ao amigo Antonio. O objetivo de Bassanio é viajar a Belmont e pedir a mão de Portia. No entanto, Antonio não pode emprestar o dinheiro e só resta ao jovem procurar o agiota Shylock. O amigo pede dinheiro ao negociador pessoalmente, prometendo-lhe um naco de sua própria carne caso não haja pagamento. Essa negociação acaba mudando a vida de todos em volta de Bassanio. ___________________________________________________________________________________ ------------
---------- "Lula destinou mais verbas do novo PAC para Defesa (R$ 52 bilhões) do que para Educação e Saúde e autorizou a ampliação do acordo nuclear da Marinha com a França. Ele acertou com José Múcio na Defesa e o general Tomás Paiva no Exército, brigadeiro Marcelo Damasceno na FAB e almirante Marcos Olsen na Marinha. Mas o desafio é gigantesco. A herança de Bolsonaro é, definitivamente, maldita." domingo, 13 de agosto de 2023 Eliane Cantanhêde - O celular do general, cobras e lagartos O Estado de S. Paulo PF espera nomes, endereços e valores no celular do general Cid. E o Exército teme muito mais! https://gilvanmelo.blogspot.com/2023/08/eliane-cantanhede-o-celular-do-general.html#more ___________________________________________________________________________________ ------------- ----------- PRA QUEM NÃO SABE PARA ONDE VAI QUALQUER CAMINHO SERVE, COM MÁRIO SÉRGIO CORTELLA https://www.sethassessoria.com/videos/pra-quem-nao-sabe-para-onde-vai-qualquer-caminho-serve-com-mario-sergio-cortella/ _________________________________________________________________________________________________________ -----------
"SE NÃO SABE QUAL A MERCADORIA, COM QUEM MERCADEJAR, QUANDO MERCADEJAR, ONDE MERCADEJAR, COMO MERCADEJAR; QUALQUER MERCADEJAMENTO LEVA AO MESMO ESTELIONATO OU À MESMA PREVARICAÇÃO, ENVOLVENDO O PÚBLICO E O PRIVADO. PODE DAR PRIVADA E CANA. SEM ACRÉSCIMO DE SANEAMENTO NECESSARIAMENTE." "IF YOU DON'T KNOW WHAT THE MERCHANDISE IS, WITH WHOM TO TRADE, WHEN TO TRADE, WHERE TO TRADE, HOW TO TRADE; ANY TRADING LEADS TO THE SAME FRAUD OR MISCONDUCT, INVOLVING THE PUBLIC AND THE PRIVATE. IT CAN RESULT IN PENALTIES AND LEGAL CONSEQUENCES. WITHOUT NECESSARILY ADDING SANITATION." Essa é uma afirmação que destaca a importância de ter conhecimento, ética e discernimento ao lidar com negócios, especialmente no âmbito público e privado. A frase enfatiza que, se alguém não tem clareza sobre a natureza da mercadoria (ou do assunto), com quem está negociando, quando está negociando, onde está negociando e como está negociando, todas as ações de negociação podem levar ao mesmo resultado negativo, seja um estelionato ou uma prevaricação. A mensagem aqui é sobre a necessidade de ser informado, ético e responsável em todas as transações comerciais e empreendimentos, tanto no setor público quanto no privado. A ideia é que, se alguém não age com cuidado, transparência e respeito pelas regras e normas, pode acabar envolvido em práticas fraudulentas ou corruptas, prejudicando tanto o interesse público quanto o privado. A menção ao termo "privada e cana" sugere que tal comportamento pode levar a consequências legais, incluindo prisão ("cana") e penalidades. A expressão também destaca que, mesmo que haja algum tipo de "saneamento" ou ajuste, a falta de conhecimento e ética na abordagem dos negócios ainda pode ter consequências negativas. Em resumo, a mensagem é que a integridade, o conhecimento e a diligência são fundamentais ao lidar com qualquer tipo de negociação ou empreendimento, visando a evitar práticas ilícitas ou prejudiciais a todas as partes envolvidas.

sábado, 12 de agosto de 2023

MARIANNE PERETTI - "ARAGUAIA"

BRASÍLIA SE DESPEDE DE DAD SQUARISI ---------- ----------- Leandro MagalhãesIngrid Oliveirada CNN ------------- 30/04/2022 às 21:12 | Atualizado 30/04/2022 às 21:40 Compartilhe: Ouvir notícia A capital do Brasil completa 62 anos neste 2022. A construção de Brasília demorou 1.112 dias. Três anos e dez meses. Esse foi o tempo que a idealização da capital demorou para sair dos papéis de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. A dupla foi a responsável por tornar realidade o grande marco do governo de Juscelino Kubitschek. Em 1956, primeiro ano da construção, surgiram diversos acampamentos onde moravam os quase 64 mil operários envolvidos no empreendimento. Entre as as pessoas que participaram do projeto, muitos sofriam com a falta de estrutura. E outros perderam a vida nesse processo por conta dos acidentes de trabalho. “Esse prédio, que se chamava ’28’, hoje é o Congresso, toda hora caia uma pessoa. Muitos operários morreram”, disse à CNN o ex-operário Iran Andrade. Leia mais Artista Marianne Peretti, que participou da construção criativa de Brasília, morre aos 94 anos Artista Marianne Peretti, que participou da construção criativa de Brasília, morre aos 94 anos Séries Originais explora construção de Brasília no sexagenário da capital Séries Originais explora construção de Brasília no sexagenário da capital Brasília 60 anos: O sonho dos candangos vai além do funcionalismo público Brasília 60 anos: O sonho dos candangos vai além do funcionalismo público Antônio Rodrigues dos Santos, ex-operário da construção, disse à CNN que estava desempregado em Minas Gerais e foi para Brasília a trabalho. “Brasília para mim é tudo. Foi onde eu consegui fazer alguma coisa. Eu vim para Brasília para trabalhar”, disse. Mesmo com todos os problemas estruturais, a obra avançou e o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, e foi o primeiro a ser construído. O ex-operário mineiro Jerônimo Peres ajudou a construir o Palácio. Ele chegou a Brasília em 1958. “A gente morou lá mesmo. Tinha o alojamento, a residência. A gente levantava, tomava café e ia trabalhar”, disse à CNN. A pedido da CNN, Peres visitou o Palácio da Alvorada e foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Assista ao vídeo da reportagem completa. Tópicos Brasília __________________________________________________________________________________ ------------ __________________________________________________________________________________ Artista plástica Marianne Peretti visita suas obras no Congresso Nacional. __________________________________________________________________________________ --------------
-------------- Conheça a história do painel 'Araguaia', danificado por terroristas na invasão da Câmara dos Deputados Obra é da artista Marianne Peretti, feita em 1977 08/01/2023 19h39 Atualizado 08/01/2023 Artista plástica Marianne Peretti visita suas obras no Congresso Nacional. — Foto: Walesca Borges/Senado Federal Em 1977, a artista Marianne Peretti usou vidro temperado e jatos de areia para produzir "Araguaia", obra instalada no hall do Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília. Neste domingo, o trabalho de Marianne, que morreu no ano passado, foi danificado por terroristas que invadiram o Congresso Nacional, segundo informações da GloboNews. 8 de janeiro: Veja cenas da depredação do Congresso, Planalto e STF em meio à invasão de bolsonaristas Tapeçaria 'Músicos': Obra de Di Cavalcanti que Janja diz estar danificada vale cerca de R$ 5 milhões PUBLICIDADE A artista plástica franco-brasileira era a única mulher na equipe de Oscar Niemeyer e, segundo a historiografia da Câmara, ela foi chamada pelo arquiteto para participar de um novo projeto de decoração dos salões Verde e Nobre nos anos 1970 após a ampliação do Edifício Principal. A ideia era ter obras de arte e peças de mobiliário para delimitar e valorizar os ambientes. Coube a Marianna fazer peças em vidro para os espaços. O Salão Verde ficou com o "Araguaia", que dá a ideia o curso de um rio para quem olha. As linhas foram desenhadas com jatos de areia. No Salão Nobre, ela deixou o vitral "Phasifae", e no Salão Branco, o painel Alumbramento, de 1978. “Os meus painéis eram novidade. Oscar gostou muito, pois eles não fechavam o espaço e deixavam passar luz, o que é ótimo na arquitetura”, disse a artista plástica em entrevista à revista "Claudia". Outros vitrais de Marianne estão no Palácio do Jaburu, Memorial JK e Teatro Nacional, todos na cidade de Brasília. ___________________________________________________________________________________ ---------------- ------------ A FAVELA VAI ABAIXO - Clara Sandroni & Marcos Sacramento Kuarup Produtora Música: A Favela Vai Abaixo Intérprete: Clara Sandroni & Marcos Sacramento Autor: J. B. Da Silva (Sinhô) Álbum: Lira Carioca Ano do lançamento: 1997 ___________________________________________________________________________________ ----------- ----------- A fuga e antifuga de Edino Krieger x Vinicius de Moraes Rara. Raríssima. Pensava mesmo que não a encontraria nesse “mundo internético”. Depois de um excelente papo com esse músico do mundo nascido em Brusque, Santa Catarina, Edino Krieger, onde esse “jovem” de 89 anos (dia 17 de março) falou da vida e da música com a propriedade dos que sabem viver, viveram e podem confessar que realmente sabem o que é isso (viver), sabendo de sua histórica parceria com o “poetinha” Vinícius de Moraes, fui dar uma procurada. E. Felizmente para esta lembrança que já estava se despedindo, encontrei: Fuga e Antifuga! Escutem e sintam a beleza na música do maestro e a arte desse poeta-musical. A música de Edino é grande. Assim como o poema. Edino é música. Vinícius poesia. Fuga e Antifuga conquistou o quarto lugar no Festival Internacional da Canção do ano de 1967. Tenho certeza: são poucos aqueles que ouviram. Infelizmente. Menos ainda os que sabiam que o Maestro Edino Krieger é também parceiro do saudoso poetinha. ----------
----------- Marianne Peretti Araguaia, 1977 Vidro temperado / Tempered glass 245 x 1310 cm Acervo Câmara dos Deputados / Chamber of Deputies Collection Após a ampliação do Edifício Principal no início da década de 70, Oscar Niemeyer elaborou um projeto de decoração do Salão Verde e Salão Nobre, incluindo obras de arte e mobiliário, para atender à proposta de delimitar os espaços e valorizar os ambientes do Salão Verde. Neste painel Marianne Peretti fez uso de uma técnica que parece dar movimento às figuras geométricas colocadas sobre o vidro, lembrando o curso de um rio. After the expansion of the Main Building in the early seventies, Oscar Niemeyer elaborated a decoration project to the Green Hall and Noble Hall, including art works and furniture, after a plan to define the spaces and enhance the ambiance of the Green Hall. On this panel the artist made use of a technique that seems to give movement to the geometric figures put on glass, resembling a river's course. Marianne Peretti ★1927, Paris, França – Vive em Olinda, PE Pintora, escultora e desenhista. Colaboradora de Oscar Niemeyer em muitos de seus projetos de integração arte-arquitetura. Realizou os seus primeiros estudos de arte na Escola de Arte Decorativa e na Academie de la Grande Chaumière, Paris. Seus desenhos ilustraram livros como La Grèce, de Dore Ogrizec e o Almanach de Saint-German-des-Près. Transferiu-se para o Brasil em 1953, residindo em São Paulo. Dedica-se à criação de vitrais, esculturas e relevos para edifícios públicos e residências particulares. Possui obras nos seguintes prédios de Oscar Niemeyer: Câmara dos Deputados, Senado Federal, Palácio do Jaburu, Memorial Juscelino Kubitschek, Teatro Nacional, Catedral de Brasília e Superior Tribunal de Justiça, todos em Brasília; na sede da Revista Manchete, no Rio de Janeiro; no Edifício Burgo, em Turim, Itália; e na Maison de la Culture du Havre, na França. Saiba mais sobre a artista: https://www.marianneperetti.com.br/ ___________________________________________________________________________________ "Agora vocês já sabem quem é a responsável pelo calor que vocês sentem nas missas da Catedral..." Guia da Visita ao Congresso Nacional, em 05/08/2023, ao apresentar o painel da autora no Salão Verde da Câmara dos Deputados Federais na capital da República.
---------- 👆Identifique os pontos de fugas que dão perspectiva ao desenho. A seguir, decifre o que está sendo dito com a letra de Niemeyer! ____________________________________________________________________________________ ----------- "Marianne Peretti é uma artista de excepcional talento. Os vitrais maravilhosos que criou para a Catedral de Brasília são comparáveis, pelo seu valor e esforço físico, às monumentais obras da Renascença. Sua preocupação invariável é inventar coisas novas, influir com seu trabalho no campo das artes plásticas."21 de abr. de 2015 ____________________________________________________________________________________ --------- 21/04/2015 05h55 - Atualizado em 21/04/2015 05h55 Obras da única mulher na equipe de Niemeyer em Brasília marcam capital Marianne Peretti fez vitrais da Catedral e painéis de prédios do governo. Para a artista, de 87 anos, Brasília tem de manter 'espírito de grandeza'. Luciana Amaral Do G1 DF Marianne Peretti foi a única mulher a integrar a equipe de Oscar Niemeyer que atuou em Brasília (Foto: Breno Laprovitera/Divulgação) ---------
---------- Marianne Peretti, única mulher a integrar a equipe de Oscar Niemeyer que atuou em Brasília (Foto: Breno Laprovitera/Divulgação) ---------- Quem visita a Catedral de Brasília costuma ficar encantado com os vitrais modernistas, coloridos e harmônicos. Em prédios públicos, como o Congresso, Palácio do Jaburu, Memorial JK e Teatro Nacional, esculturas e painéis majestosos estão espalhados pelos salões. Essas obras foram desenhadas e produzidas pela única mulher na equipe de Oscar Niemeyer, a franco-brasileira Marianne Peretti, de 87 anos. ----------
----------- Interior da Catedral de Brasília (à esq.) e Marianne planejando vitrais do local (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera e Jarbas Jr) Interior da Catedral de Brasília (à esq.) e Marianne planejando vitrais do local (à dir.) (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera e Jarbas Jr) ----- Ela é a responsável pelos vitrais da Catedral, da Câmara dos Deputados, do Panteão da Pátria, do Superior Tribunal de Justiça, do Palácio do Jaburu e do Memorial JK. Marianne também fez o mural do Museu do Carnaval, no Rio de Janeiro, e esculturas e vitrais em Recife, Belém do Pará e Paris. O pintor espanhol Salvador Dalí com Marianne Peretti na abertura da exposição da artista em Paris, em 1952 (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal) ----------
----------- O pintor espanhol Salvador Dalí com Marianne na abertura da exposição da artista em Paris, em 1952 (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal) ------------ Nascida em Paris de mãe francesa e pai pernambucano, Marianne se mudou para São Paulo já adulta, em 1953, após se casar com um inglês que trabalhava na capital paulista e que conheceu em uma das inúmeras viagens de navio que fazia do Rio para a Europa, e vice-versa, para visitar a família. Um ano antes, em 1952, ela realizou a primeira exposição na Place Vendôme, na capital francesa, onde morava na época, e contou com a presença do pintor surrealista espanhol Salvador Dalí na abertura. "Tive o prazer de ter ele lá. Era amigo dos donos da galeria e me falou: 'Você não é uma burguesa'. Fiquei extasiada de felicidade." O gosto pela arte está presente na vida de Marianne desde criança, mas o trabalho com vitrais e obras em escalas monumentais se deu por acaso. "Eu pintava. Teve uma hora que deixei a arte de lado, mas não vi que não dava. Eu tinha uma filha quando me separei. Para nos sustentar, fazia vitrines de joias da H. Stern de São Paulo. Tinha que montar tudo direitinho, harmonizar as peças e criar. Logo comecei a fazer as vitrines para toda a rede. Trabalhei durante oito anos com isso. Mudei de emprego depois, criava estandes para exposições. Foi aí que comecei a ter contato com coisas grandes. Eu amei." _______________________________________ ---------- Eu simplesmente bati na porta dele [Niemeyer] e disse que gostaria de trabalhar com ele. Depois de três meses, voltei ao Rio e o encontrei de novo. Ele deve ter gostado muito de mim, porque já me deu um monte de trabalho, todos de Brasília" Marianne Peretti, artista plástica ___________________________________________________________________________________ --------- Conhecendo Niemeyer Para conhecer e conversar com Niemeyer, Marianne diz ter sido "cara de pau". Ela ficou impressioanda com os traços do arquiteto ao ler uma reportagem em 1971 sobre um prédio projetado por ele em Milão, na Itália. "Achei o desenho dele maravilhoso. Gostei tanto que pensei: 'Tenho que ver esse prédio imediatamente'. Peguei um avião no dia seguinte e fui para Milão." No retorno a Recife, no mesmo ano, ela teve de fazer uma escala no Rio e então aproveitou a oportunidade para se apresentar a Niemeyer. "Aviões grandes não pousavam em Recife. Tinha que pegar um menor no Rio. Eu simplesmente bati na porta dele e disse que gostaria de trabalhar com ele. Depois de três meses, voltei ao Rio e o encontrei de novo. Ele deve ter gostado muito de mim, porque já me deu um monte de trabalho, todos de Brasília." Desenvolvimento das obras As obras de Brasília foram "pensadas" no Rio de Janeiro, onde Marianne morava. A artista viajava para a nova capital quinzenalmente para desenvolver e acompanhar os trabalhos. Quando pisou em Brasília, a capital já havia sido inaugurada, mas continuava em construção. ----------
----------- Rascunho dos vitrais da Catedral no chão do ginásio Nilson Nelson, em Brasília (Foto: Marianne Peretti - A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal) Rascunho dos vitrais da Catedral no chão do ginásio Nilson Nelson, em Brasília (Foto: Marianne Peretti/Arquivo Pessoal) ----------- _______________________________________ ----------- Foi extenuante. A Catedral é minha obra favorita, mas foi a que mais me cansou. Era tudo muito grande e deu muito trabalho, cansaço e responsabilidade. Eu não morava nem nunca morei em Brasília, passava pequenas temporadas apenas. Em relação à cidade, me lembro da sensação de grandeza e gostei muito. Só que faltava alguma coisa e eu acho que dei isso. Tinha muito barro vermelho também" Marianne Peretti, artista plástica ___________________________________________________ ----------- "Foi extenuante. A Catedral é minha obra favorita, mas foi a que mais me cansou. Era tudo muito grande e deu muito trabalho, cansaço e responsabilidade. Eu não morava nem nunca morei em Brasília, passava pequenas temporadas apenas. Em relação à cidade, me lembro da sensação de grandeza e gostei muito. Só que faltava alguma coisa e eu acho que dei isso. Tinha muito barro vermelho também." Os vitrais da Catedral refletem uma característica da obra da artista plástica: a combinação entre grandeza, leveza e transparência das peças. "Eu não penso como fazer, eu simplesmente faço. Não tem preparação. Quem manda é o lugar e o tamanho. Para quem, onde... Tem gente que não gostava dos meus vitrais. Tem gente que falou que ia embora de Brasília. Eu disse então: 'Pode fazer suas malas'. Estava nem aí. Recebo até hoje carta elogiando a Catedral." Apesar de ter sido a única mulher a trabalhar em Brasília com Niemeyer, Marianne diz nunca ter sofrido preconceito por parte dos colegas. "Eram normais, não eram desagradáveis." Da esquerda para a direita: Marianne Peretti, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Oscar Niemeyer, José Sarney e Burle Max (Foto: Marianne Peretti - A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal) ----------
---------- Da esquerda para a direita: Marianne Peretti, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Oscar Niemeyer, José Sarney e Burle Max (Foto: Marianne Peretti/Arquivo Pessoal) ----------- Nas palavras de Niemeyer Oscar Niemeyer deu liberdade para Marianne trabalhar e falava que se emocionava ao ver a artista debruçada sobre as folhas de papel vegetal, elaborando as obras. Para ele, os feitos são comparáveis aos da Renascença e reconheceu isso em uma carta escrita à mão. ------------
----------- Carta de Oscar Niemeyer escrita à mão em que elogia Marianne e a compara com artistas da Renascença (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal) Carta de Oscar Niemeyer escrita à mão em que elogia Marianne e a compara com artistas da Renascença (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal) ------------ "Marianne Peretti é uma artista de excepcional talento. Os vitrais maravilhosos que criou para a Catedral de Brasília são comparáveis, pelo seu valor e esforço físico, às monumentais obras da Renascença. Sua preocupação invariável é inventar coisas novas, influir com seu trabalho no campo das artes plásticas." Filosofia Entre idas e vindas pelo Brasil, a artista não acredita que mudanças de endereço tenham influenciado a maneira dela de se expressar. "Eu sou sempre a mesma pessoa. Isso não importa. Pode ser que tenha alguma coisa, mas você tem sempre as mesmas ideias." Além dos vitrais e painéis, outros "xodós" de Marianne são as esculturas, os nanquins e os desenhos para livros que criou. Em 1959, ela participou da 5ª Bienal de São Paulo e ganhou um prêmio no evento com a capa do livro "As palavras", de Jean-Paul Sartre. "Não tenho uma preferência. Adoro eles, porque, em geral, são grandes. Só quero que me deêm espaço para trabalhar. Hoje tenho uma equipe que me ajuda e um jardim grande em casa. Gosto muito disso tudo." Vitral da capela do Palácio do Jaburu, do vice-presidente da República, em Brasília (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera) ----------- Vitral da capela do Palácio do Jaburu, da vice-Presidência da República, em Brasília (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera) ---------- Para Marianne, a capital se destaca de todas as outras cidades pela "escala monumental das obras". "É a marca da cidade. Me sinto bem e espero que as outras pessoas também. É uma capital pensada por gente muito interessante, com visão de grandeza. Tem que manter esse espírito." Um dos pontos negativos apontados por ela é o aumento não planejado da população brasiliense. Pensado para 500 mil habitantes, o Distrito Federal conta com quase 2,5 milhões de pessoas. "Não sei como é atualmente, muda muito, mas sei que tem muito mais gente do que o imaginado. É importante guardar a ideia original e o gramado da Esplanada. Tem muito show, evento e carro, né? Tem que guardar a beleza do lugar." Vitral que fica em cima da câmara mortuária de Juscelino Kubitschek (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera) -----------
------------ Vitral que fica em cima da câmara mortuária de Juscelino Kubitschek no Memorial JK, em Brasília (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera) ---------- Biografia registrada A professora e pesquisadora de arte Tactiana Braga, conheceu Brasília na década de 1970 e admirava as obras de Marianne na capital. Quando teve a oportunidade de trabalhar com ela em desenhos para uma campanha do governo de Pernambuco em 2008, pediu que autografasse alguma biografia para ter o registro da artista. Porém, sob lágrimas, Marianne disse que não tinha uma. "Achei um absurdo que tinham esquecido dela. Não tinha nenhum registro. O que ela nos deu é um presente imenso. Não consegui dormir direito por dois meses. Em 2010, consegui iniciar um projeto para escrever a biografia dela." Tactiana então virou a coordenadora da equipe que elaborou o livro "Marianne Peretti - A ousadia da invenção", de 336 páginas, lançado em 20 de março durante o Salão do Livro de Paris. No Brasil, o primeiro lançamento será em Brasília, em maio. Livro biográfico de Marianne Peretti trará nanquins elaborados pela artista (Foto: Marianne Peretti - A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal) ---------- Livro biográfico de Marianne Peretti trará nanquins elaborados pela artista (Foto: Marianne Peretti/Arquivo Pessoal) ------------ "O Oscar mesmo sempre comenta os colaboradores. Foi generoso para convidá-los, mas faltava alguém falar deles. Marianne é muito opinativa e teve a sorte de nascer numa cidade de efervescência cultural. Não foi fácil fazer o livro, mas depois foi um tesouro. Quando tive clareza da importância disso, foi fabuloso. Estou tentando corrigir esses erros históricos." Na elaboração da biografia, Tactiana contou com a ajuda de instituições francesas e apoios acadêmicos para apurações. A pesquisadora acredita que a importância de Marianne não reside somente na estética, mas também na funcionalidade das obras. A Catedral, por exemplo, só recebeu os vitrais em 1989. ------------
----------- Escultura em bronze "O pássaro", exposta no Teatro Nacional de Brasília, e cadeira desenhadas por Marianne (Foto: Marianne Peretti - A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal) Escultura em bronze "O pássaro", exposta no Teatro Nacional de Brasília, e cadeira desenhadas por Marianne (Foto: Marianne Peretti - A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal) ------------ "Era muito matemático e racional. Ela resolveu problemas de iluminação e calor. É uma das poucas artistas a conseguir unir isso. No painel Araguaia, na Câmara dos Deputados, ela fez uma superposição de placas de vidros criando um efeito escultural. É inovação dela, não existia nada assim antes no mundo. Lúcio Costa reconheceu tudo isso." Em carta datada de 6 de agosto de 1993, Costa escreveu que a iluminação da Catedral era um "problema difícil" que somente Marianne poderia resolver. "Tive afinal o prazer, depois de tanto tempo, de conhecer pessoalmente a artista que soube tão bem “dar à luz” o interior da Catedral de Brasília, problema difícil que somente uma alma como a sua e um saber como o seu seriam capazes de resolver. Em nome da cidade, o inventor dela agradece a você." -----------
----------- Carta escrita à mão de Lúcio Costa para Marianne Peretti agradecendo à sua solução para a iluminação da Catedral de Brasília (Foto: Marianne Peretti - A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal) Carta escrita à mão por Lúcio Costa para Marianne Peretti agradecendo à sua solução para a iluminação da Catedral de Brasília (Foto: Marianne Peretti/Arquivo Pessoal) ------------ tópicos: Brasília, Distrito Federal https://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/04/obras-da-unica-mulher-na-equipe-de-niemeyer-em-brasilia-marcam-capital.html#:~:text=%22Marianne%20Peretti%20%C3%A9%20uma%20artista,no%20campo%20das%20artes%20pl%C3%A1sticas.%22 __________________________________________________________________________________ ----------- ----------- Encontro de Gerações - Fuga e antifuga de Edino Krieger/Vinicius De Moraes | MCB 2 ----------- Grupo Sintonize Compartilhar 4 de dez. de 2018 No Show de Encerramento: Encontro de Gerações da segunda edição do Festival de Música Contemporânea Brasileira Edino Krieger, Edu Krieger Sexteto e Polyphonia Khorus interpretam "Fuga e Antifuga" de Edino Krieger/Vinícius De Moraes. Data: 30/09/2018. Interpretação: Edu Krieger Sexteto e Polyphonia Khorus. Ficha técnica: Edu Krieger (voz e violão de 7 cordas), Fabiano Krieger (guitarra), Fabiano Salek (bateria e percussão), Marcelo Caldi (acordeon e piano), Dudu Oliveira (flauta e cavaquinho), Luis Barcellos (bandolim e cavaquinho), Karolyne Liesenberg (soprano), Marina Schmidt (soprano), Cristina Glaucia (contralto), Débora Almeida (contralto), Fernando De Carli (tenor), Jefferson Bittencourt (tenor), Javier Venegas (baixo), Leonardo Barbi (baixo). Local: Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), Florianópolis, SC. II Festival Música Contemporânea Brasileira Edino Krieger 26 a 30 de setembro de 2018 Florianópolis, SC. ___________________________________________________________________________________ ---------- Fuga e antifuga (Vinícius de Moraes - Edino Krieger) (Marcha-rancho em forma de fuga) A viver o que existe E que é só tristeza É melhor já ser triste E não ter o que esperar A esperança resiste - É uma ilusão A qualquer incerteza - Desilusão A suprema pobreza - Oh, solidão E não ter o que esperar É melhor desesperar É melhor desconhecer É melhor desenganar O coração que vai sofrer Só o amor nos eleva - É um adeus que nunca finda Só o amor nos exalta - Ai, quem me dera o esquecimento Sempre que ele nos falta - É tão grande o sofrimento É a treva e a solidão Oh, tristeza infinita - Deixa em mim teu desespero Que não há quem conforte - Um dia chega a primavera O amor e a morte - Sou a vida que te espera É a treva e a solidão Vem sem mágoa e sem adeus Vem banhar-te em minha luz Vem plantar a tua cruz - Minha cruz Dentro da cruz dos braços meus Oh, vem amar! E quando eu quiser partir Quando a noite me chamar Quando o sonho me vier? Saberei te compreender Sou mulher, sou mulher, sou mulher, sou mulher Sou mulher pra te servir Orquestra Sou mulher pra te encontrar Sou mulher pra te perder Sou mulher pra te ofertar Tudo o que é lindo no meu ser Pra te amar até morrer Oh, amor infinito - Oh, vem, meu amado senhor Oh, divina certeza - Matar minha sede de amor Nunca mais a tristeza - Amor, vem plantar tua cruz Quero amar sem mais adeus - Vem amar sem mais adeus Nos braços teus - Nos braços meus Meu amor infinito Vamos juntos embora Na esperança da aurora Que da noite vai raiar Meu amor infinito! - Meu amor! Meu amor, vem amar! - Vem amar! Vem amar! - Meu amor! Meu amor! - Vem amar! Meu amor vai raiar no infinito Seu tempo de adeus - Meu amor, vem aos braços meus! https://www.cancioneros.com/nc/15344/0/fuga-e-antifuga-vinicius-de-moraes-edino-krieger ___________________________________________________________________________________ -----------
------------- Nas entrelinhas: Como é difícil escrever sobre a morte de Dad Squarisi Publicado em 12/08/2023 - 09:12 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Cultura, Educação, Literatura, Memória, Política “A admiração e o afeto continuam existindo, apesar da perda física. Hoje, me despeço dessa grande dama do nosso idioma. Vai, Dad, ensinar português nas estrelas!” Conheci Dad Squarisi quando cheguei ao Correio Braziliense, em 2004, para ser repórter especial da Editoria de Política. Nessa época, circulava na redação uma mensagem do “Aquário” — no jargão da redação, a sala com paredes de vidros nas quais os editores da primeira página se reúnem para “fechar” o jornal. Eram observações sobre a edição do dia, entre as quais os erros de português que escapavam da revisão e eram devidamente assinalados, para que não se repetissem. Chamava-se “Pelourinho” e doía mais pela vergonha íntima que passávamos do que pela dureza das críticas. O puxão de orelha não citava o autor nem a matéria. Às vezes, era uma dica para melhorar a qualidade do texto: “Fim de semana ou final de semana? Tanto faz. Ambos dizem a mesma coisa. Qual o preferível? Menor é melhor. Fique com fim de semana. Você ganha uma sílaba.” Quando a frequência de erro aumentava, Dad programava uma aula de português. O auditório do Correio ficava cheio. Foi o caso da vírgula nas orações restritivas. Didática, tanto nas palestras quanto nas aulinhas, usava exemplos divertidos e “causos”, que parecia colecionar e catalogar. “Oração explicativa pede a vírgula; restritiva, não”. Nos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), uma peça comemorativa fez muito sucesso: enaltecia a importância da vírgula. Ela pode mudar o sentido de quase tudo. O Manual da Redação do Correio, de autoria da Dad, com o tempo, virou obra rara. Como a rotatividade na redação é alta, o colega mudava de emprego e levava consigo o Manual. No principal jornal do Distrito Federal, Dad formava jornalistas para todas as áreas de uma redação e a concorrência vem em busca dos novos talentos. Para ninguém levar meu exemplar, por engano, escrevi meu nome na lombada do manual, um “macete” do tempo dos dicionários de papel. Dad tinha uma sala só para ela e os editorialistas, mas circulava muito pela redação. No meu caso, como sou repórter de política e minha bancada fica próxima ao corredor principal da redação, era comum ela parar para conversar comigo. Pedia uma informação, às vezes uma sugestão de editorial. Fazia isso com a maior naturalidade, mas meu ego exultava, apesar de ser macaco velho: era uma espécie de reconhecimento de parte de alguém que nós tínhamos como referência profissional. Libanesa, Dad era poliglota — falava árabe, inglês, francês e espanhol. Seus conhecimentos de latim, língua muito citada nos tribunais, ajudava a redação a não trocar via crucis por via-crúcis. “Latim não usa hífen nem acento”, explicava. Algumas palavras em latim são inevitáveis numa redação, como habeas corpus. No caso de Brasília, carpe diem (aproveite o dia de hoje) também era um famoso bar da Asa Sul, muito frequentado por jornalistas e suas fontes. Dad nos deixou muitos livros sobre textos jornalísticos e a língua portuguesa, alguns para crianças. Brava luta Nossa “mestra” lutou bravamente contra o câncer. Após seu tratamento no Albert Einstein, escreveu um livro sobre o hospital, em agradecimento aos médicos, enfermeiros e funcionários que a acolheram. A recidiva da leucemia, alguns anos depois, foi duríssima. Por isso, a frequência na redação se tornou cada vez mais rarefeita nos últimos anos, mesmo antes de pandemia. Sua editora-adjunta, Rosane Garcia, amiga e discípula, é minha vizinha de bancada. Tive dois encontros casuais com Dad nesse período mais recente da doença. Um foi num pequeno restaurante italiano do Lago Sul — ela almoçava com uma amiga jornalista. Estava abatida, mas sorridente. Era elegante por natureza e não deixava a peteca cair. Não reclamava da vida, nem mesmo da dor. A outra foi bem mais recente, na área da piscina do apart-hotel onde morava. Conversava com outra amiga, que eu não conhecia. Estava muito mais fraca, mas continuava com aquele sorriso que a todos cativava. Não posso dizer que sou um dos amigos da Dad no sentido estrito da palavra. Sou um dos seus colegas de trabalho e grande admirador. Foi um privilégio conhecê-la e sei que sua morte é uma imensa perda para o jornalismo e nossa cultura. É muito difícil a despedida definitiva, ainda mais numa idade em que a morte de pessoas próximas, parentes, amigos e colegas de trabalho, é cada vez mais frequente. Sempre fica aquela sensação de que logo chegará a nossa hora, um sentimento que não tínhamos quando éramos jovens e “imortais”. Estou de luto. Na coluna de sexta-feira, não consegui escrever sobre sua morte. Dad compreenderia: “Quem já passou horas diante de uma tela em branco de computador em dúvidas sobre por onde começar, sabe o que é angústia”. Para nós, jornalistas, a morte é uma notícia. Fomos treinados para tratar desse assunto jornalisticamente, ou seja, como um fato do cotidiano. É comum nas redações que os obituários estejam prontos antes mesmo de alguém importante falecer. Quando a angústia se mistura com o luto, porém, tudo fica muito difícil. Embora a morte seja o que existe de mais previsível nas nossas vidas, o rito da morte concentra e compacta toda uma vida, num momento único. E o luto transcende o rito. É que a admiração e o afeto continuam existindo, apesar da perda física. Hoje, me despeço dessa grande dama do nosso idioma. Vai, Dad, ensinar português nas estrelas! Compartilhe: ___________________________________________________________________________________ -----------
------------ Nas Entrelinhas: como é difícil escrever sobre a morte de Dad Squarisi "A admiração e o afeto continuam existindo, apesar da perda física. Hoje, me despeço dessa grande dama do nosso idioma. Vai, Dad, ensinar português nas estrelas!" ----------- ___________________________________________________________________________________ Ao longo da convivência profissional na redação do jornal O Correio Braziliense, Dad Squarisi conquistou o respeito e a admiração do autor Luiz Carlos Azedo por diversas razões. Uma das principais foi sua atuação como mentora e orientadora incansável no aprimoramento da qualidade do texto. Dad tinha a habilidade de ensinar de maneira didática, com exemplos divertidos e histórias cativantes que ela colecionava. Ela se destacava por corrigir erros gramaticais de forma sutil, utilizando o "Aquário", um espaço na redação onde erros eram apontados sem citar autores ou matérias específicas. O Manual da Redação escrito por Dad foi um testemunho tangível de sua dedicação ao aprimoramento da linguagem. Este manual se tornou uma obra rara e valorizada na redação. Sua autora desempenhava um papel fundamental na formação dos jornalistas da redação, preparando-os para todas as áreas de atuação. Sua influência também era visível nos detalhes, como a importância de usar corretamente a vírgula e a orientação sobre palavras em latim frequentemente usadas no jornalismo. A poliglotia de Dad, sua fluência em várias línguas e sua profunda compreensão da linguagem, incluindo o latim, contribuíram para sua reputação. Ela era capaz de evitar erros comuns em termos estrangeiros e também ensinava seus colegas a usar as palavras corretas e a expressar ideias com precisão. Além de suas habilidades profissionais, Dad deixou uma impressão duradoura ao enfrentar bravamente o câncer. Ela escreveu um livro em agradecimento aos profissionais de saúde que a trataram e demonstrou uma notável força interior, mesmo durante os momentos difíceis de sua doença. A relação entre Luiz Carlos Azedo e Dad também era marcada por encontros casuais durante sua batalha contra a doença. Ela continuava a sorrir e cativar a todos, mesmo quando estava fraca. Essa força e otimismo deixaram uma marca profunda em seus colegas, incluindo o autor. Em resumo, a admiração e respeito de Luiz Carlos Azedo por Dad Squarisi eram resultado de sua capacidade de ensinar, seu comprometimento com a qualidade do texto, sua influência na redação e sua atitude resiliente em face da adversidade. Ela não apenas contribuiu para o jornalismo e a língua portuguesa, mas também deixou um legado de força e inspiração. ___________________________________________________________________________________

ESMAGAMENTO DO MAL

----------- Eu caçador de mim. Milton Nascimento. Maurilio Nogueira 12 de ago. de 2023 Parabéns pelo dia dos pais. Esta versão em toada caipira, ao som da viola, ficou muito bonita, com um toque de originalidade na interpretação com o autêntico sotaque zonamatense dos Campos das Minas Geraes.🙏 _________________________________________________________________________________________________________
------------- “E o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” — Paulo. (ROMANOS, CAPÍTULO 16, VERSÍCULO 20.) ------------- ------------- Em toda parte do Planeta se poderá reconhecer a luta sem tréguas, entre o bem e o mal. Manifesta-se o grande conflito, sob as mais diversas formas, e, no turbilhão de seus movimentos, muitas almas sensíveis, de modo invariável, conservamse na atitude de invocação aos gênios tutelares para que estes venham à arena combater os inimigos que as atordoam, prostrando-os de vez. Solicitar auxílio ou recorrer à lei da cooperação representam atos louváveis do Espírito que identifica a própria fraqueza, contudo, insistir para que outrem nos substitua no esforço, que somente a nós outros cabe despender, demonstra falsa posição, suscetível de acentuar-nos as necessidades. Satanás, representando o poder do mal, na vida humana, será esmagado por Deus; todavia, Paulo de Tarso define, com bastante clareza, o local da vitória divina. O triunfo supremo verificar-se-á sob os pés do homem. Quando a criatura, pela própria dedicação ao trabalho iluminativo, se entregar ao Pai, sem reservas, efetuando-lhe a vontade sacrossanta, com esquecimento do velho egoísmo animal, apreendendo a grandeza de sua posição de espírito eterno, atingirá a vitória sublime. O Senhor Todo-Paternal já se entregou aos filhos terrestres, mas raros filhos se entregaram a Ele. Indispensável, pois, não esquecer que o mal não será eliminado, a esmo, e sim debaixo dos pés de cada um de nós. 27 ESMAGAMENTO DO MAL http://limiarespirita.com.br/livros/pao_nosso.pdf ___________________________________________________________________________________ ----------
------------- Há mais de 114 anos, o Culto do Evangelho é realizado diariamente às 09h00 da manhã na cidade de Sacramento – Minas Gerais. ----------- JÁ OUVIU FALAR DO CULTO DO EVANGELHO DAS NOVE HORAS? O benfeitor Eurípedes Barsanulfo foi quem deu início a essa tarefa no ano de 1904, em seu próprio quarto. Fazia ele todos os dias no mesmo horário a leitura e o estudo dos exemplos morais de Jesus com a interpretação do Evangelho Segundo o Espiritismo, finalizando essa tarefa com uma prece. O Quarto de Eurípedes construído na área fronteiriça da Chácara, inteiramente coberta de flores e plantas ornamentais, dando ao local um clima-ambiente de paz e beleza muito favorável ao Culto do Evangelho, que ali se realiza diariamente. EURÍPEDES O HOMEM E A MISSÃO CORINA NOVELINO pp. 201-202 https://www.grupofeller.com.br/single-post/2018/11/08/j%C3%A1-ouviu-falar-do-culto-do-evangelho-das-nove-horas ___________________________________________________________________________________ ----------- ------------- Amai os vossos inimigos • Retribuir o mal com o bem • Os inimigos desencarnados • Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra • Instruções dos Espíritos: A vingança – O ódio – O duelo Retribuir o mal com o bem ___________________________________________________________________________________ ------------- 4. Amar os inimigos é, para o incrédulo, um contrassenso, aquele para quem a vida presente é tudo, vê no seu inimigo um ser nocivo, que lhe perturba o repouso e do qual unicamente a morte, pensa ele, o pode livrar. Daí, o desejo de vingar-se. Nenhum interesse tem em perdoar, senão para satisfazer o seu orgulho perante o mundo. Em certos casos, perdoar-lhe parece mesmo uma fraqueza indigna de si. Se não se vingar, nem por isso deixará de conservar rancor e um secreto desejo de mal para o outro. ___________________________________________________________________________________ ---------- 1. Aprendestes que foi dito: “Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos.” Eu, porém, vos digo: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” (Mateus, 5:43 a 47.) “Digo-vos que, se a vossa justiça não for mais abundante que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.” (Mateus, 5:20.) 2. “Se somente amardes os que vos amam, que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que as amam? Se o bem somente o fizerdes aos que vo-lo fazem, que mérito se vos reconhecerá, dado que o mesmo faz a gente de má vida? Se só emprestardes àqueles de quem possais esperar o mesmo favor, que mérito se vos reconhecerá, quando as pessoas de má vida se entreajudam dessa maneira, para auferir a mesma vantagem? Pelo que vos toca, amai os vossos inimigos, fazei bem a todos e auxiliai sem esperar coisa alguma. Então, muito grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e até para os maus. Sede, pois, cheios de misericórdia, como cheio de misericórdia é o vosso Deus.” (Lucas, 6:32 a 36.) 3. Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho. Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam nas mesmas ideias. Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo. A diversidade na maneira de sentir, nessas duas circunstâncias diferentes, resulta mesmo de uma lei física: a da assimilação e da repulsão dos fluidos. O pensamento malévolo determina uma corrente fluídica que impressiona penosamente. O pensamento benévolo nos envolve num agradável eflúvio. Daí a diferença das sensações que se experimenta à aproximação de um amigo ou de um inimigo. Amar os inimigos não pode, pois, significar que não se deva estabelecer diferença alguma entre eles e os amigos. Se este preceito parece de difícil prática, impossível mesmo, é apenas por entender-se falsamente que ele manda se dê no coração, assim ao amigo, como ao inimigo, o mesmo lugar. Uma vez que a pobreza da linguagem humana obriga a que nos sirvamos do mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento, à razão cabe estabelecer as diferenças, conforme os casos. Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contato de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem, e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, apresentando-se ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos. 4. Amar os inimigos é, para o incrédulo, um contrassenso, aquele para quem a vida presente é tudo, vê no seu inimigo um ser nocivo, que lhe perturba o repouso e do qual unicamente a morte, pensa ele, o pode livrar. Daí, o desejo de vingar-se. Nenhum interesse tem em perdoar, senão para satisfazer o seu orgulho perante o mundo. Em certos casos, perdoar-lhe parece mesmo uma fraqueza indigna de si. Se não se vingar, nem por isso deixará de conservar rancor e um secreto desejo de mal para o outro. Para o crente e, sobretudo, para o espírita, muito diversa é a maneira de ver, porque suas vistas se lançam sobre o passado e sobre o futuro, entre os quais a vida atual não passa de um simples ponto. Sabe ele que, pela mesma destinação da Terra, deve esperar topar aí com homens maus e perversos; que as maldades com que se defronta fazem parte das provas que lhe cumpre suportar e o elevado ponto de vista em que se coloca lhe torna menos amargas as vicissitudes, quer advenham dos homens, quer das coisas. Se não se queixa das provas, tampouco deve queixar-se dos que lhe servem de instrumento. Se, em vez de se queixar, agradece a Deus o experimentá-lo, deve também agradecer a mão que lhe dá ensejo de demonstrar a sua paciência e a sua resignação. Esta ideia o dispõe naturalmente ao perdão. Sente, além disso, que quanto mais generoso for, tanto mais se engrandece aos seus próprios olhos e se põe fora do alcance dos dardos do seu inimigo. O homem que no mundo ocupa elevada posição não se julga ofendido com os insultos daquele a quem considera seu inferior. O mesmo se dá com o que, no mundo moral, se eleva acima da humanidade material. Este compreende que o ódio e o rancor o aviltariam e rebaixariam. Ora, para ser superior ao seu adversário, preciso é que tenha a alma maior, mais nobre, mais generosa do que a desse último. http://limiarespirita.com.br/livros/pao_nosso.pdf ___________________________________________________________________________________ ------------
------------ Pense alto, confie em você e terá alegrias diárias. Quando você se dispõe a ser melhor, a vida se apressa em ajudá-lo. ___________________________________________________________________________________ ----------- ------------- Caçador de Mim Milton Nascimento ------------- Por tanto amor, por tanta emoção A vida me fez assim Doce ou atroz, manso ou feroz Eu, caçador de mim Preso a canções, entregue a paixões Que nunca tiveram fim Vou me encontrar longe do meu lugar Eu, caçador de mim Nada a temer, senão o correr da luta Nada a fazer, senão esquecer o medo Abrir o peito à força, numa procura Fugir às armadilhas da mata escura Longe se vai sonhando demais Mas onde se chega assim? Vou descobrir o que me faz sentir Eu, caçador de mim Nada a temer, senão o correr da luta Nada a fazer, senão esquecer o medo Abrir o peito à força, numa procura Fugir às armadilhas da mata escura Longe se vai sonhando demais Mas onde se chega assim? Vou descobrir o que me faz sentir Eu, caçador de mim Composição: Luís Carlos Sá / Sérgio Magrão. _________________________________________________________________________________________________________ -----------
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----------- "Caçador de Mim" é uma bela canção escrita por Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão, popularizada na voz de Milton Nascimento. A música explora temas profundos relacionados à busca interna por identidade, autoconhecimento e enfrentamento dos desafios da vida. A letra fala sobre a jornada pessoal de se descobrir e se entender, explorando as diferentes facetas da própria personalidade. Ela menciona a dualidade de emoções e experiências que moldam a vida de alguém, desde os momentos doces até os mais intensos. O eu lírico se refere a si mesmo como um "caçador de mim", alguém que está em constante busca de compreender quem é verdadeiramente. As referências à luta, ao medo e à busca por algo mais profundo simbolizam a jornada interior de autodescoberta. A metáfora do "correr da luta" sugere que não há necessidade de temer os desafios da vida, mas sim encará-los de frente. Abrir o peito à força e escapar das armadilhas da "mata escura" representam a superação das adversidades e a busca por uma compreensão mais profunda de si mesmo. A canção também aborda a ideia de que, ao sonhar muito distante, podemos nos perder no caminho, mas o importante é continuar a jornada de autodescoberta. Ao final, o eu lírico expressa o desejo de descobrir o que realmente o faz sentir, reforçando a busca constante por uma conexão interna e pelo entendimento de suas emoções mais verdadeiras. "Caçador de Mim" é uma música que toca profundamente a alma, com sua melodia cativante e suas letras poéticas, abordando temas universais sobre a busca de sentido e identidade na jornada da vida.