Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sábado, 31 de janeiro de 2026
Pensamentos
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai.” — Paulo. (FILIPENSES, 4.8)
1 Todas as obras humanas constituem a resultante do pensamento das criaturas. O mal e o bem, o feio e o belo viveram, antes de tudo, na fonte mental que os produziu, nos movimentos incessantes da vida.
2 O Evangelho consubstancia o roteiro generoso para que a mente do homem se renove nos caminhos da espiritualidade superior, proclamando a necessidade de semelhante transformação, rumo aos Planos mais altos. 3 Não será tão somente com os primores intelectuais da Filosofia que o discípulo iniciará seus esforços em realização desse teor. 4 Renovar pensamentos não é tão fácil como parece à primeira vista. Demanda muita capacidade de renúncia e profunda dominação de si mesmo, qualidades que o homem não consegue alcançar sem trabalho e sacrifício do coração. 5 É por isso que muitos servidores modificam expressões verbais, julgando que refundiram pensamentos. 6 Todavia, no instante de recapitular, pela repetição das circunstâncias, as experiências redentoras, encontram, de novo, análogas perturbações, porque os obstáculos e as sombras permanecem na mente, quais fantasmas ocultos.
7 Pensar é criar. A realidade dessa criação pode não exteriorizar-se, de súbito, no campo dos efeitos transitórios, mas o objeto formado pelo poder mental vive no mundo íntimo, exigindo cuidados especiais para o esforço de continuidade ou extinção.
8 O conselho de Paulo aos filipenses apresenta sublime conteúdo. Os discípulos que puderem compreender-lhe a essência profunda, buscando ver o lado verdadeiro, honesto, justo, puro e amável de todas as coisas, cultivando-o, em cada dia, terão encontrado a divina equação.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
15
Pensamentos
Pão Nosso #015 - Pensamentos
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 31 de mar. de 2022
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Transcrição
O Colégio Allan Kardec | Sacramento-MG
CONTRÁRIO A PRÊMIOS
Eurípedes incentivava sempre, por diferentes modos, os alunos,
objetivando o maior nível de aproveitamento, no seu Colégio.
Era contrário, porém, à instituição do prêmio. Considerava a
concorrência perigoso fator de íntimos descontentamentos e não raro de
assinaladas injustiças.
Acima de tudo, era-lhe grato presenciar a aplicação dos alunos, sem
132 Corina Novelino
…outro móvel que não o amor aos livros, inspirado no ideal santo da
iluminação espiritual.
Mas, elementos estranhos ao núcleo de auxiliares diretos do estabe-
lecimento, entusiasmados com as provas de fim de ano, ofertavam prêmios
a alunos que mais se destacavam nas provas.
Certa feita, o Sr. Aristocles Oscar da Mata e Silva ofereceu valiosos
prêmios a duas alunas, que indicou nominalmente.
Uma das contempladas era a jovem Edalides Millan, irmã de
Eurípedes e a outra Basilissa de Oliveira Borges, esta, primeira aluna do
colégio.
O doador fazia questão de que um belo relógio de ouro fosse entregue
a Edalides e um rico estojo de costuras à Basilissa.
Edalides recusou-se a aceitar o valioso prêmio, reconhecendo a
injustiça da escolha. Ela sabia que outros colegas mais aplicados mereciam
o primeiro prêmio, notadamente a jovem Basilissa.
Diante do gesto bonito de Edalides, o Sr. Aristocles, inconformado,
apresenta o alvitre do sorteio. Mas insistiu para que a moça figurasse no
mesmo, juntamente com os de outros alunos mais destacados.
Feito o sorteio, a sorte favorece Edalides, que não vê outra alterna-
tiva senão a de receber o relógio, com um misto de alegria e constrangimento.
À Basilissa tocou o estojo de costuras.
O interessante do episódio é que, mais tarde, Edalides tornou-se
costureira e Basilissa abraçou a carreira do magistério…
Como esse bom amigo, muitos outros apareceram para “atrapalhar”
o programa de Eurípedes.
Contudo, o Mestre sentia-se reconhecido a essas demonstrações de
apreço ao seu querido colégio.
133 Corina Novelino
S
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
O privilégio da leitura na prisão. Por José de Souza Martins
Valor Econômico
Com longa experiência docente, levo em conta que não se lê livros assim, a torto e a direito. É necessário ter um programa de leitura
Foi uma surpresa a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria manifestado interesse no programa de estímulo à leitura na prisão. Com isso, ele teria a possibilidade de diminuir a pena que lhe tocou na condenação do STF. Pessoalmente, vejo mais do que o que poderia ser tomado como egoísmo do preso. Ninguém sai ileso da leitura de um livro. Senti-me, por isso, tentado a fazer-lhe algumas sugestões de leitura.
Com longa experiência docente, levo em conta que não se lê livros assim, a torto e direito. É necessário ter um programa de leitura, ter alguma ideia e alguma curiosidade sobre temas, autores e livros. Ouso, portanto, fazer-lhe algumas sugestões às quais outros cidadãos poderão agregar as suas.
Em primeiro lugar, eu começaria com a leitura das duas versões da Constituição de 1988, a Constituição Cidadã, como a definiu o saudoso Ulysses Guimarães. A versão original e a versão atual, cheia de remendos de emendas constitucionais que foram amansando o texto e despojando-o da amplitude das intenções democráticas e reformistas iniciais.
Um segundo livro, para quem se apresenta como evangélico e tem sua opção religiosa demonstrada na repetição de só dois versículos da Bíblia, daqueles que os evangélicos gostam de retirar da chamada Caixinha de Promessas. Como se o acaso do versículo retirado desse ao devoto a bênção de uma mensagem enviada diretamente por Deus.
A Bíblia diz mais aos cristãos se lida integralmente. O segredo está em escolher uma boa tradução, feita por gente capaz, com formação profissional apropriada em línguas. Minha recomendação é a edição brasileira da chamada Bíblia de Jerusalém. A tradução foi conferida com os textos das línguas originais de referência. A tradução brasileira foi feita ou verificada por gente como professores da Universidade de São Paulo.
A tradução do Novo Testamento foi supervisionada pelo professor Antonio Candido, eminente e conhecido professor de teoria literária. Ele é o autor do monumental e fundamental “Formação da literatura brasileira: Momentos decisivos”, robustas 800 páginas de erudição e competência. Esmerado nos cuidados com o que escreve ou com o que comenta, o fato dele ter sido um dos fundadores do PT de nenhum modo compromete essa tradução do livro sagrado. Ao contrário.
Por isso mesmo, minha sugestão é a de que não comece a leitura pelo Gênesis, em que a vida humana foi definida como castigo, na condenação de Eva e Adão, nessa ordem. Nem pelo fim, pelo Apocalipse de São João, porque aquilo é antes de tudo o desvendamento da obra do Anticristo e da Besta Fera, o que lhe trará à lembrança muita gente que ele conhece dos tempos do poder, que ainda o assediam e exploram, até parentes. Mesmo parente leitor de Bíblia.
É sempre bom lembrar que Satanás está nos fingimentos, mesmo dos que têm a Bíblia nas mãos, mas não a têm na mente e na alma.
Melhor é seguir a recomendação do grande e fascinante João Guimarães Rosa, em “Grande sertão: Veredas”: “Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. Isso é sábio e bem brasileiro. Nada de extremismos: ponderação e equilíbrio. Até porque extremismo na cadeia, mesmo que seja de parentes e bajuladores, não serve para nada. Só aumenta o sofrimento do preso.
Um livro indispensável é “O alienista”, do melhor escritor brasileiro e melhor conhecedor de nossa língua e de nossa mentalidade: Machado de Assis. Sobre o médico maluco que numa cidade do interior do Rio de Janeiro começou a diagnosticar cada morador como alienado mental. No fim, só ele sobrou fora do manicômio.
O autoritarismo militar brasileiro tem longa tradição nesse sentido, desde antes do golpe de 15 de novembro de 1889, imensas parcelas do povo brasileiro tratadas como inimigas do Brasil. Foi o que aconteceu em Canudos, na Bahia, e no Contestado, em Santa Catarina. É o que tem acontecido na estigmatização e repressão às esquerdas, inventadas, aliás, na Revolução Francesa, necessárias à sustentação e legitimação do regime democrático.
“Macunaíma”, de Mário de Andrade, pode vir a calhar como exercício de autodescoberta. O herói sem nenhum caráter é a personagem que não se encontra, perdido dentro de si mesmo. É o brasileiro. Nem branco nem negro porque é os dois.
Bolsonaro viveu a experiência das ocultações, especialmente próprias da vida política brasileira. O poder não é a verdade da vida. No geral é a mentira.
Ao fim e ao cabo, no Brasil, o político acaba descobrindo que não era quem pensava ser. Na democracia o político é descartável. Para quem gosta de ler, a prisão é uma mordomia. Ali, a leitura é um verdadeiro pós-doc sobre o lado invisível do poder.
Resumo
O pensamento educacional de Eurípedes Barsanulfo, apresentado no texto Contrário a Prêmios, antecipa uma crítica ainda atual à utilização de recompensas externas como estímulo ao aprendizado. Para Eurípedes, o prêmio desvirtua o sentido da educação ao gerar competição, injustiça e constrangimento moral, afastando o aluno da motivação interior e do amor ao conhecimento.
Essa mesma problemática reaparece, um século depois, no artigo de José de Souza Martins sobre a concessão de redução de pena a prisioneiros que leem livros. Embora reconheça o potencial transformador da leitura, o autor questiona sua instrumentalização como benefício automático, esvaziado de propósito formativo e reflexão crítica.
A correlação entre os dois textos evidencia que tanto na escola quanto no sistema prisional o saber perde sua força ética quando tratado como moeda de troca. Ambos os autores convergem na defesa da leitura e da educação como processos de transformação interior, confirmando a atualidade e a profundidade do pensamento de Eurípedes Barsanulfo.
O Evangelho segundo o Espiritismo - cap. XV, itens 4 e 5 (OESOEc15n4-5)
Portal Luz Espírita
15 de jun. de 2022
Narração do trecho de "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec - capítulo XV: "Fora da Caridade não há salvação", itens 4 e 5: 'O maior mandamento'.
Baixe o ebook (PDF ou EPUB) de O Evangelho segundo o Espiritismo:
https://www.luzespirita.org.br/index....
Transcrição
O mandamento maior
4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; – e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: – Mestre, qual o grande mandamento da lei? – Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. – Esse o maior e o primeiro mandamento. – E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, 22: 34 a 40.)
5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
Plante boas sementes.
A semente do bem que se planta
rende bons frutos
permanentemente.
O FATOR HUMANO
THE HUMAN FACTOR
Graham Greene
Tradução de A. B. Pinheiro de Lemos
"— E qual prefere?
— Há o que fala de um homem…
— O acendedor de lampiões?
— Não, não é esse.
— O que o homem faz?
— Não sei. Ele está no escuro.
— Não é muita coisa para descobrir.
Castle virou as páginas do livro, procurando pelo homem no escuro.
— Ele está montando um cavalo.
— Será que é este?
E Castle leu:
“Sempre que a lua e as estrelas surgem,
Sempre que o vento sopra forte,
Durante toda a noite no escuro e frio…”
— É esse mesmo!
“Um homem sai a cavalo
Pela noite afora, com as fogueiras apagadas,
Por que ele galopa e galopa sem parar?”
— Continue. Por que parou?
“Sempre que as árvores estão chorando alto,
E os navios no mar são sacudidos,
Pela estrada ele galopa,
E lá se vai a galopar para um lado,
E depois volta novamente a galopar.”
— É esse mesmo. É o que eu mais gosto.
— É um pouco assustador, Sam.
— É por isso mesmo que eu gosto. Ele usa uma máscara de meia?
— Aqui não diz se ele é um ladrão, Sam.
— Então por que ele fica indo de um lado para outro fora de casa?
Será que ele tem uma cara branca como a sua e a do Sr. Muller?
— A história não conta.
— Acho que ele é preto, preto como o meu chapéu, preto como o meu gato.
— Por quê?
— Acho que todas as pessoas brancas têm medo dele e trancam suas casas, porque ele pode aparecer com um facão e cortar suas gargantas.
Sam fez uma rápida pausa, antes de acrescentar, com evidente satisfação:
— Lentamente…"
(Em tom e cadência à maneira de Graham Greene, sem pretensão de imitá-lo além do espírito.)
Sempre me interessou menos a ação do que o instante anterior a ela — o momento em que o ser humano hesita, imagina, teme e projeta no escuro aquilo que carrega dentro de si. O Fator Humano nasceu dessa convicção: não são os heróis nem os traidores que explicam o mundo, mas as pequenas escolhas feitas à meia-luz, quando ninguém está olhando.
No breve trecho que se lê, um homem cavalga na noite. Não sabemos quem é, nem o que pretende. O medo cresce justamente porque a narrativa se recusa a explicar. O leitor, como os personagens, preenche os vazios com seus próprios fantasmas. O escuro não está fora — está dentro. É assim que a violência começa: não como ato, mas como suposição. O perigo não é o cavaleiro, mas a imaginação que o transforma em ameaça absoluta.
Se algum aluno precisaria de prêmio para ler este livro? Duvido. A curiosidade humana é mais poderosa do que qualquer recompensa. Quem entra nessa história o faz porque reconhece nela algo de si mesmo: a suspeita, o desconforto, a consciência de que o mal raramente se apresenta com rosto definido. A leitura não exige incentivo externo quando toca a culpa, o medo e a ambiguidade moral que todos conhecemos intimamente.
Quanto a saber se José Martins de Souza incluiria este romance em sua lista, suspeito que sim — não como moeda de troca, mas como exercício de lucidez. Este não é um livro que consola, mas um livro que adverte. Não ensina virtudes; revela fragilidades. E talvez seja esse o tipo de leitura que mais transforma, porque não promete redenção fácil nem absolvição rápida.
Se há algo que aprendi escrevendo, é que a literatura não deve ser prêmio, nem castigo, nem privilégio. Ela é encontro. E, às vezes, confronto.
Saúdo, portanto, meus confrades de sensibilidade e consciência:
Eurípedes Barsanulfo, que compreendeu cedo demais que o saber não aceita barganhas;
José Martins de Souza, que insiste em lembrar que ler é um ato sério;
e Corina Novelino, que preservou, com fidelidade e afeto, a memória de um educador que confiava mais no espírito humano do que em recompensas.
— Graham Greene
Assinar:
Postar comentários (Atom)






Nenhum comentário:
Postar um comentário