terça-feira, 20 de janeiro de 2026

IA, poder, memória e limites: quando a política perde a medida

Ballads / John Coltrane Quartet António José Seguro | Discurso de Vitória da Primeira Volta
Solucionado o problema da Groenlândia
Pau Brasil
"Dê um zoom na imagem para ver o Portinari" Folia de São Sebastião Folia de São Sebastião da Comunidade Roça do Mato, apresentando em Medina-MG. #culturapopular Minas Life #culturapopular
"A idolatria política nasce quando o fascínio pelo líder ocupa o lugar da razão, transformando homens em símbolos e símbolos em ilusões." Os textos reunidos nesta publicação tratam, à primeira vista, de campos distintos — inteligência artificial, história política recente, memória e ética pública. Lidos em conjunto, porém, revelam um mesmo problema de fundo: o esvaziamento da responsabilidade como princípio organizador do poder, seja no Vale do Silício, seja na política brasileira. No universo da tecnologia, o caso narrado por Pedro Doria expõe uma contradição central do nosso tempo. Yann LeCun, um dos três cientistas que criaram os fundamentos da inteligência artificial moderna, deixa a Meta depois de ver seu trabalho submetido a decisões apressadas, orientadas mais por mercado, vaidade e cópia do que por inovação real. A empresa que controla Facebook, Instagram e WhatsApp — e que deveria liderar o avanço tecnológico — revela-se incapaz de compreender o próprio sentido do que produz. Ao colocar um jovem empresário do “serviço pesado” para chefiar um cientista consagrado, a Meta confunde hierarquia com inteligência, velocidade com avanço e poder corporativo com criação intelectual. No campo político, a morte de Raul Jungmann suscita uma reflexão paralela, mas ainda mais grave. O texto de Luiz Carlos Azedo não se limita a registrar uma biografia ou prestar uma homenagem pessoal. Ele recoloca a política no terreno da responsabilidade moral, hoje amplamente abandonado. Jungmann representa uma geração que atravessou a clandestinidade, ajudou a reconstruir a democracia e exerceu o poder como dever público — não como propriedade privada, identidade fechada ou instrumento de vingança simbólica. O que se seguiu à publicação do texto, contudo, revela uma fratura mais profunda. As reações de escárnio, ofensa e blasfêmia dirigidas a Raul Jungmann não configuram discordância política legítima. Representam algo mais elementar e mais inquietante: o ataque a um homem morto. Esse gesto ultrapassa fronteiras ideológicas. Viola um limite civilizatório básico, anterior a partidos, governos ou disputas conjunturais. A tradição clássica compreendeu isso com clareza. Desde os gregos, o respeito aos mortos constitui um dos fundamentos da vida civilizada — inclusive quando o morto era inimigo. Honrar os mortos não significa concordar com eles, mas reconhecer que a política não é soberana sobre tudo, que o poder não autoriza a negação integral da humanidade do outro e que existe uma ordem simbólica que impõe limites à violência, inclusive à violência da linguagem. Quando esse limite é rompido, a política deixa de ser espaço comum e se converte em campo de excomunhão. O direito brasileiro, longe de legitimar esse tipo de ataque, caminha na direção oposta. A Constituição privilegia o direito à memória e à verdade, fundado na dignidade da pessoa humana e na liberdade de informação. O Supremo Tribunal Federal rejeitou a ideia de um “direito ao esquecimento” como regra geral, justamente para impedir o apagamento arbitrário da história. Ao mesmo tempo, o ordenamento jurídico protege a honra e a memória dos falecidos, punindo ofensas caluniosas ou difamatórias que nada têm a ver com interesse público. Memória não é censura; é responsabilidade. O que se manifesta nos ataques à memória de Jungmann é menos um debate político do que uma política capturada pelo ressentimento. Uma esquerda que reage não com argumentos, mas com afeto negativo; não com crítica, mas com tentativa de apagamento simbólico. Esse comportamento ajuda a explicar um fenômeno que muitos se recusam a enxergar: o cansaço crescente com o sistema político como um todo, expresso no aumento de abstenções, votos nulos e rejeições generalizadas. Não se quer a direita tradicional, não se quer a extrema direita, mas tampouco se quer o lulismo. Esse vazio não nasce apenas de desinformação ou ignorância. Ele é produzido por um ambiente simbólico asfixiante, no qual qualquer dissenso é tratado como traição e qualquer nuance, como ameaça. Quando a política perde sua dimensão dialógica, quando abandona qualquer traço de grandeza simbólica, ela deixa de oferecer sentido, pertencimento e horizonte. O afastamento passa a ser uma forma de autoproteção. Nesse contexto, os textos que seguem se iluminam mutuamente. A crítica de LeCun à cópia sem inovação, à pressa sem compreensão e ao poder que sufoca a inteligência ecoa, em outro registro, na crítica à política que abdica da ética, da memória e dos limites civilizatórios. Em ambos os casos, o problema não é geracional em sentido simples. Muitas vezes, quem não chegou ao poder acaba levando a culpa pelo que foi decidido — e consumido — por outros. Como no aforismo que atravessa esta edição: A geração de 1950 não chegou ao poder. Ainda assim, os ratinhos da geração de 1980 a acusam injustamente de lhes ter tirado oportunidades, quando, na verdade, quem concentrou o poder e consumiu os recursos foi a geração dos gatos, a de 1940. Entre a inteligência artificial que promete compreender o mundo e a política que parece esquecer o que a sustenta, esta publicação propõe uma mesma pergunta de fundo: o que acontece quando o poder perde a memória, a medida e o respeito pelos limites? A resposta, infelizmente, começa a ficar visível demais.
"Raul Jungmann Morreu meu amigo Raul Jungman. Viemos do mesmo campo político, ao longo do caminho nos separamos, passamos a pensar diferente, mas nunca deixamos de gostar um do outro, de nos respeitar, de passar juntos bons momentos, de sentir prazer no convívio, mesmo com as diferenças e até por conta delas, de aproveitar o conhecimento um do outro, que sempre soubemos valorizar." "Luiz Eduardo Soares , boa tarde. O seu texto sobre Raúl Jungmann cumpre uma função que ultrapassa o registro da homenagem pessoal ou do reconhecimento biográfico. Ele recoloca a política no terreno da responsabilidade moral, um terreno que vem sendo abandonado de maneira acelerada e quase naturalizada. Ao escrever sobre Jungmann, você não apenas descreve uma trajetória pública. Você reafirma a ideia de que a vida política, para não se degradar em puro exercício de força simbólica, precisa preservar critérios de justiça, de medida e de decência. O que se seguiu à publicação do texto, contudo, expôs uma fratura mais funda. As reações de ofensa, blasfêmia e escárnio dirigidas a Raúl Jungmann não configuram apenas discordância política. Elas representam um total desrespeito a um homem morto. Esse dado não é secundário. Ele é central. Atacar os mortos é ultrapassar um limite civilizatório elementar, um limite que antecede ideologias, partidos e disputas conjunturais. Trata-se de um gesto que dissolve qualquer pretensão ética da política. A tradição clássica já havia compreendido isso com clareza notável. Os gregos, muito antes das modernas teorias da democracia, estabeleceram que o respeito aos mortos era um dos fundamentos da vida civilizada. Mesmo quando o morto era inimigo. Mesmo quando havia guerra, ódio e conflito irreconciliável entre os vivos. Honrar os mortos significava reconhecer que a política não é soberana sobre tudo, que o poder não autoriza a negação completa da humanidade do outro, que existe uma ordem simbólica que impõe limites à violência, inclusive à violência da linguagem. Esse princípio atravessou a tragédia, o direito, a filosofia e a ética política ocidental. Negá-lo é retroceder a um estágio anterior à própria ideia de civilização. O que se viu, no entanto, foi a manifestação de uma esquerda capturada pelo ressentimento. As reações partem de petistas históricos, de lulistas, de uma esquerda que se tornou reacionária no sentido mais preciso do termo, incapaz de lidar com a diferença, incapaz de reconhecer qualquer valor fora de sua própria identidade política. Essa esquerda não reage politicamente. Ela reage afetivamente, movida por raiva, por frustração e por uma lógica punitiva que substitui o debate pela desqualificação moral. Não há crítica. Há excomunhão. Não há controvérsia. Há tentativa de apagamento simbólico. Esse comportamento ajuda a explicar um fenômeno que muitos insistem em não compreender. O crescente cansaço com Lula, o aumento dos votos nulos, dos votos brancos e das abstenções não são apenas respostas a políticas públicas, conjunturas econômicas ou decisões de governo. Eles são também reações a um ambiente simbólico asfixiante, no qual qualquer dissenso é tratado como traição e qualquer nuance é percebida como ameaça. A política, quando perde sua dimensão dialógica, passa a expulsar silenciosamente aqueles que não aceitam viver sob permanente vigilância moral. O cenário é revelador. Não se quer Flávio Bolsonaro. Não se quer Ratinho Jr., Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado. Mas também não se quer Lula. Esse vazio político não é fruto de ignorância popular nem de desinformação apenas. Ele é produzido pela degradação do espaço público, pela incapacidade de construir narrativas que acolham a complexidade social e pela transformação da política em um campo de identidades rígidas e afetos negativos. Quando a política se reduz a isso, ela deixa de oferecer sentido, pertencimento e horizonte. Talvez eu esteja sob forte impacto das leituras recentes de O Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, da UFMG e da Quaest, e de A Cabeça do Povo Brasileiro, de Alberto Carlos de Almeida, que passou pela UFF e pela Universidade Federal do ABC. Esses trabalhos ajudam a compreender como amplos setores da sociedade reagem quando a política perde qualquer traço de grandeza simbólica. O afastamento não é simples apatia. Ele é uma forma de autoproteção diante de um campo político percebido como hostil, agressivo e moralmente empobrecido. O ataque à memória de Raúl Jungmann não corrige a história. Não reescreve sua trajetória. Não altera o significado de sua atuação pública. Ele apenas expõe o empobrecimento ético de quem ataca. Revela uma política que já não reconhece limites, que não respeita sequer a condição dos mortos, que confunde justiça com vingança simbólica. Quando esse ponto é alcançado, algo essencial já foi perdido. Não apenas a civilidade, mas a própria ideia de política como espaço comum entre diferentes. Por isso, o seu texto importa tanto. Ele não é apenas um gesto de afeto ou de reconhecimento. Ele é um ato de resistência contra a barbárie simbólica que se instala quando a política abandona qualquer compromisso com a ética, com a memória e com a condição humana. Escrever assim é lembrar que existem fronteiras que não deveriam ser ultrapassadas, mesmo em tempos de conflito, mesmo em tempos de radicalização. Quando você fizer uma daquelas reuniões em sua casa, me chame. Ficarei contente. Abraço forte. Paulo Baía" /
"O ataque à memória, compreendido como a tentativa de apagar, distorcer ou negar fatos históricos, violações de direitos humanos ou a reputação de falecidos, é um tema complexo no direito brasileiro, situando-se no conflito entre o "direito ao esquecimento" e o "direito à verdade/memória". 1. Na Constituição Federal (CF/88) A Constituição brasileira não prevê um "direito ao esquecimento" explícito. Pelo contrário, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que tal tese é incompatível com a Constituição, especialmente por ferir a liberdade de expressão e de imprensa. Fundamentos: O direito à memória e à verdade é protegido implicitamente, baseado na dignidade da pessoa humana (Art. 1º, III), na liberdade de expressão (Art. 5º, IV e IX) e no direito de acesso à informação (Art. 5º, XIV). Exceções: O STF fixou que, embora a divulgação de fatos verídicos seja livre, o abuso ou excesso que viole a honra e a intimidade pode ser passível de indenização, sem configurar, porém, um direito de censura prévia ou apagamento histórico. 2. Na Ética A memória é considerada um elemento fundamental para a identidade coletiva e para a democracia, sendo um compromisso ético evitar a repetição de violações de direitos humanos. Justiça de Transição: O ataque à memória, como o negacionismo de crimes de ditaduras (como a ditadura militar brasileira), é eticamente condenável e contrário ao direito à verdade, necessário para a justiça. Responsabilidade: Ética e constitucionalmente, é dever da sociedade e do Estado proteger a memória, resgatando a história de vítimas e desaparecidos políticos. 3. No Código Penal e legislação infraconstitucional O Código Penal Brasileiro protege a honra de quem já faleceu, o que se enquadra na proteção da memória. Difamação/Calúnia (Art. 138 e 139): Crimes contra a honra, aplicáveis quando se ataca indevidamente a reputação de alguém, mesmo falecido (Art. 138, § 2º - Calúnia contra os mortos). Ofensa à Memória (Ação Penal): A legislação (anteriormente tratada na Lei de Imprensa, Lei 5.250/67, cujos princípios penais contra a honra persistem no CP) prevê que o cônjuge, ascendente ou irmão pode processar por crimes contra a memória de alguém falecido. Contexto: O STF entende que a denúncia de fatos criminosos do passado (ex: ditadura) é direito à informação, não "crime contra a memória", ao passo que a difamação de um falecido sem interesse público pode ser ilícita. Em suma, o ordenamento jurídico brasileiro privilegia a preservação da memória e a liberdade de informação (direito à verdade) sobre o "esquecimento" de fatos passados, punindo apenas ofensas injuriosas, difamatórias ou caluniosas que abusem do direito de informar. " IA, poder e gerações: quem chegou, quem ficou pelo caminho Os dois textos que seguem tratam de temas distintos — inteligência artificial e política brasileira —, mas dialogam profundamente entre si. Ambos falam de poder, de decisões concentradas, de gerações que chegaram ao comando e de outras que, embora preparadas e experientes, ficaram à margem ou foram responsabilizadas por escolhas que não fizeram. No Vale do Silício, o embate se dá no coração da revolução tecnológica. Yann LeCun, um dos três cientistas que criaram os fundamentos da inteligência artificial moderna, deixa a Meta após ver seu trabalho atropelado por decisões gerenciais apressadas. A companhia que abriga Facebook, Instagram e WhatsApp falha onde suas concorrentes avançam: inovação real em IA. Ao colocar um jovem empresário do “serviço pesado” para chefiar um cientista consagrado, a Meta expõe uma lógica recorrente do nosso tempo — a de confundir escala com inteligência, velocidade com avanço, e gestão com criação. No Brasil, a morte de Raul Jungmann encerra a trajetória de um homem público que atravessou a clandestinidade da ditadura, ajudou a reconstruir a democracia e ocupou posições-chave do Estado com densidade, diálogo e compromisso republicano. Jungmann representa uma geração que não se apropriou do poder como propriedade privada, mas o exerceu como responsabilidade institucional — frequentemente pagando o preço por isso. Há, nas entrelinhas, uma acusação recorrente em nosso tempo: a de que gerações intermediárias teriam bloqueado o futuro das que vieram depois. Mas a história costuma ser menos simples. Muitas vezes, quem não chegou ao poder acaba levando a culpa pelo que foi decidido — e consumido — por outros. Como no aforismo que encerra esta edição: A geração de 1950 não chegou ao poder. Ainda assim, os ratinhos da geração de 1980 a acusam injustamente de lhes ter tirado oportunidades, quando, na verdade, quem concentrou o poder e consumiu os recursos foi a geração dos gatos, a de 1940. Entre a IA que promete compreender o mundo e a política que precisa reaprender a servi-lo, os textos a seguir convidam à mesma reflexão: inovação, democracia e futuro não se constroem com atalhos, nem com cópias — mas com responsabilidade, visão e coragem para contrariar o senso comum.
Pesquisa mostra impacto da Inteligência Artificial no futuro do trabalho 80% dos empregadores consideram a contratação de talentos qualificados em IA uma prioridade, confira Ana Beatriz Dias, da CNN 27/11/23 às 21:05 | Atualizado 28/11/23 às 15:00 IA - AI "Pôs um garoto que montou uma empresa para fazer o serviço pesado e pouco sofisticado que as grandes da IA terceirizam e para chefiar o cientista de 65 anos que todo mundo no ramo admira. LeCun pediu o chapéu."
terça-feira, 20 de janeiro de 2026 O velho cientista de IA. Por Pedro Doria O Globo Diferentemente do resto do Vale do Silício, a companhia não consegue acertar em inteligência artificial Yann LeCun anunciou que deixaria a Meta, casa de Facebook, Instagram e WhatsApp, em novembro último. A saída parecia cordial. Aí, não faz uma semana, ele deu uma entrevista pesada — e a bomba estourou. A Meta deverá anunciar um número grande de demissões ainda nesta semana porque atravessa uma crise profunda. Diferentemente do resto do Vale do Silício, a companhia não consegue acertar em inteligência artificial. É nesse contexto que terminou se demitindo um dos três nomes que inventaram a tecnologia por trás da IA. A última versão do Llama, modelo de IA da Meta, foi lançada em abril passado. É um desastre. Não é só que seja incapaz de competir com GPT, Gemini ou Claude, os três que disputam cabeça a cabeça a liderança do jogo. O Llama escorregou para trás do Grok, IA erguida às pressas, em poucos meses, pela X/AI de Elon Musk. Perde também para o DeepSeek, precária IA gratuita chinesa treinada com material preparado pelo ChatGPT. Como pode a única companhia que tem na folha de pagamento um dos inventores dos princípios por trás da tecnologia estar tão atrás na disputa? Segundo LeCun, o problema é o CEO e fundador da Meta. O problema é Mark Zuckerberg. Perante o desastre do Llama 4, Zuck adquiriu a Scale AI, empresa que tratava textos em grande escala para servir ao treinamento de IAs. Aí fez de seu fundador, Alexandr Wang, de 29 anos, chefe do Laboratório de IA da companhia. Pôs um garoto que montou uma empresa para fazer o serviço pesado e pouco sofisticado que as grandes da IA terceirizam e para chefiar o cientista de 65 anos que todo mundo no ramo admira. LeCun pediu o chapéu. O Llama 4 foi um desastre porque Zuck forçou o lançamento às pressas, sem nenhuma das inovações tecnológicas que o velho cientista e seu time pretendiam incluir no treinamento. Sem qualquer novidade e desenvolvido rápido, saiu mesmo algo parecido com o que todo mundo já havia feito — só que no passado. Agora, ainda mais em desespero, a empresa deverá cortar na carne para botar mais dinheiro e tentar, ao menos, chegar perto da concorrência. Afinal, a IA da Meta é aquela que está na mão de todo mundo que usa Face, Insta ou Zap — e, ainda assim, quase ninguém usa. LeCun colhe dinheiro para erguer uma empresa nova que fará um tipo de IA completamente diferente. Sua crença é que o modelo atual, baseado em linguagem, não terá como alcançar a superinteligência em que apostam OpenAI, Google e Anthropic (do Claude). Como o treinamento é feito apenas com texto, uma quantidade imensa de textos, mas somente isso, não adianta. Os modelos podem prever uma sequência de palavras mas jamais compreenderão o que dizem. Ficam cada vez maiores, treinados com mais livros, mas não se tornam substancialmente melhores. O velho cientista sugere que o caminho para a superinteligência artificial é outro. Uma IA treinada com o tipo de material com que nossos cérebros são treinados: áudio, vídeo, espaço tridimensional. A forma de treinar é a mesma. Mas, com texto, a IA é capaz de prever como se organiza outro texto. Com imagens e sons, a IA seria capaz de prever como as coisas funcionam no mundo. Entenderia o que é um gato e o som de um miado pelo que o bicho é, não apenas pela sequência de quatro letras. Além disso, LeCun argumenta que as IAs atuais têm um imenso problema de memória. Conseguem trabalhar e processar informação até um determinado ponto. Quando batem no limite rígido da quantidade de texto que são capazes de gerenciar, se perdem. Esquecem o que já souberam naquela conversa, não sabem o que guardar. Alucinam. Dão respostas sem sentido sem que, muitas vezes, o usuário sequer perceba que já perderam o foco e se manifestam aleatoriamente. Esses são os dois problemas que LeCun deseja resolver. Agora, fora da Meta. Sua crítica: Zuck não quer inovar, não quer fazer melhor, quer apenas copiar. Não é o primeiro a criticar a Meta desse jeito. É a companhia gigante, no Vale, com menor capacidade de inovação. Conhecida, essencialmente, por copiar.
Jungmann deixa legado nas políticas de Defesa, segurança e agrária Publicado em 20/01/2026 - 08:34 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Congresso, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Pernambuco, Política, Política, Recife, Segurança, Trabalho, Violência Da militância no PCB clandestino à liderança no PPS e ao campo político que desembocaria no Cidadania, Jungmann representou a esquerda democrática e republicana A morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, em Brasília, devido às complicações de um câncer de pâncreas, contra o qual lutou dois anos, encerra a trajetória de um dos mais completos homens públicos de sua geração. O político pernambucano atravessou a clandestinidade da resistência democrática e, na democracia, assumiu responsabilidades de Estado em diferentes governos e momentos da vida nacional. Era muito respeitado até por adversários, pela capacidade de diálogo, pela integridade e pelo compromisso republicano. No ambiente político e intelectual do Recife, Jungmann iniciou sua militância no PCB ainda na clandestinidade, quando a política era também risco pessoal. Mais tarde, ajudou a fundar o PPS e se tornou uma de suas principais lideranças nacionais, atuando por 26 anos no partido. Exerceu três mandatos de deputado federal e foi vereador. Foi ministro cinco vezes — no governo Fernando Henrique Cardoso, ocupou Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário e Políticas Fundiárias; no governo Michel Temer, chefiou a Defesa; e, em 2018, tornou-se ministro da Segurança Pública do país. Leia mais: Morre Raul Jungmann, aos 73 anos No Desenvolvimento Agrário e nas políticas fundiárias, Jungmann enfrentou conflitos históricos e tensões permanentes. Soube combinar pragmatismo e visão pública à reforma agrária como política de Estado, não como improviso ou instrumento de pressão circunstancial. Na sua visão, primeiro, reforma agrária não se limita à distribuição de terra: assentamentos precisam ser estruturados com infraestrutura, assistência técnica, crédito e integração produtiva. A regularização fundiária é condição civilizatória, capaz de reduzir violência, insegurança jurídica e conflitos de posse, e de dar racionalidade ao uso do território. Jungmann reconhecia a legitimidade da demanda social sem renunciar à legalidade, do diálogo e da pacificação. No Ministério da Defesa, Jungmann deixou um projeto de Política Nacional de Defesa como instrumento de planejamento estratégico de longo prazo, fundamental para um país continental, com fronteiras extensas, riquezas naturais e responsabilidades internacionais crescentes. O texto busca reposicionar as Forças Armadas em bases democráticas e associadas ao desenvolvimento do país e está engavetado no Congresso. É um esforço para fortalecer o papel do ministério como comando civil democrático, com profissionalismo, coordenação e modernização foi louvável, sobretudo em tempos de instabilidade. Jungmann, mesmo fora do governo, atuou nos bastidores das crises militares e de segurança pública, como interlocutor político junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Fazia uma clara distinção entre defesa nacional e segurança interna, que não são a mesma coisa, ainda que se comuniquem. Preservar essa fronteira evita a militarização da política e a politização da caserna. Entretanto, quando foi nomeado ministro da Segurança Pública, acabou substituído na Defesa por um general. Em 2018, Jungmann assumiu o recém-criado Ministério da Segurança Pública, numa conjuntura de crise política e pressão social diante do avanço do crime organizado e da violência. Sua atuação representou uma tentativa de superar a fragmentação histórica do setor: estados carregam o peso operacional, a União dispõe de recursos e instrumentos federais, e a cooperação entre instituições nem sempre ocorre de modo eficiente. Cidadania Sua contribuição foi a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), como marco na busca de cooperação e coordenação nacional. Era uma voz respeitada nos debates sobre governança, integração e coordenação federativa entre forças policiais, inteligência e planejamento. Amadureceu essa visão durante a desastrosa intervenção militar no Rio de Janeiro, para a qual foi nomeado o ex-ministro e general de exército Walter Braga Netto, que hoje está preso, condenado por tentativa de golpe de Estado. Segundo Jungmann, a segurança pública não deve ser objeto de punitivismo ou propaganda de ocasião: exige técnica, legitimidade democrática e instituições capazes de funcionar em rede e combater a infiltração do crime organizado. Da militância no PCB clandestino à liderança no PPS e ao campo político que desembocaria no Cidadania, Jungmann representou a esquerda democrática e republicana, que não abdica de justiça social, mas entende que a democracia é valor, método e limite. Ao se afastar do Cidadania, Jungmann denunciou práticas internas autoritárias e reafirmou o princípio de que democracia não é apenas discurso contra adversários — deve existir em relação a todos, dentro das organizações e nas regras do cotidiano. Deixa um exemplo de que é possível exercer poder com densidade, diálogo e responsabilidade republicana. Leia ainda: Adeus a Raul Jungmann reúne autoridades em cerimônia reservada Ao romper com Roberto Freire, em 2018, foi coerente com sua trajetória. Em carta pública, Jungmann afirmou se afastar do “seu único partido” por discordar da forma como o comando partidário em seu estado havia sofrido uma intervenção para ser entregue de maneira “autoritária”, “sem transparência” e em afronta à democracia interna ao ex-deputado Daniel Coelho (PE), por Roberto Freire, sem nenhuma comunicação e prévio entendimento, uma prática recorrente. Mais do que mera disputa interna, o episódio revela um traço central de sua vida pública: a ideia de que partidos e instituições não podem ser tratados como cartórios e propriedade privada. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Cidadania, #Defesa, #Freire, #jungmann, #segurança, #Terra Ratinho acusa: "A geração de 1950 não chegou ao poder. A dos ratinhos da geração de 1980 acusa a primeira, injustamente, de ter-lhes tolhido o que a dos gatos de 1940 comeu."

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