domingo, 5 de março de 2017

Música para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?



“A desmoralização de pessoas a partir de ‘verdades alternativas’ é injusta e não serve ao país. Confunde tudo e todos” — protestou Cardoso.

Só quem pode separar o joio do trigo é o Supremo Tribunal Federal (STF). Concluiu Azedo

O leite derramado - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Fernando Henrique Cardoso endossou o coro dos que criticam o vazamento das delações premiadas e defendeu uma espécie de separação do joio do trigo

As delações premiadas dos executivos da Odebrecht ainda estão em sigilo, mas parte de seu teor já chegou ao conhecimento público em razão dos depoimentos na Justiça Eleitoral de Marcelo Odebrecht e mais quatro executivos da Odebrecht envolvidos nas operações de financiamento da campanha da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, via caixa dois da empresa. Os depoimentos foram prestados na ação de cassação da chapa impetrada pelo PSDB, a pedido do relator do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Herman Benjamin.

A reação é uma espécie de Deus nos acuda no establishment político do país. O ex-diretor da Odebrecht Fernando Reis, por exemplo, disse, em depoimento, que foi incumbido de repassar R$ 4 milhões à tesouraria do PDT em troca do apoio do partido à reeleição da chapa Dilma-Temer. Esse teria sido o preço do acordo feito com o presidente da legenda, Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho do governo petista (aquele mesmo que disse “Dilma, eu te amo!”, ao pedir desculpas à ex-presidente da República, depois de ser demitido da pasta por ela).

A compra de apoio político é um dos motivos mais fortes para cassação de uma chapa, por isso o depoimento do executivo passou a ser um dos mais importantes no processo. Em nota, Lupi rebateu a acusação com os argumentos de que o “ônus da prova” cabe ao acusador e “o PDT foi o primeiro partido político que declarou oficialmente apoio à chapa de Dilma Rousseff”. Segundo o presidente do PDT, o apoio da legenda, anunciado em 10 de junho de 2014, “aconteceu meses antes do suposto pagamento”.

Mas não somente o PDT estrilou com os depoimentos. Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou publicamente a cobertura da imprensa em relação à Operação Lava-Jato: “Parte do noticiário de hoje (sexta-feira) sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta. Em vez de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.”

O ex-presidente da República destacou que Aécio “não fez tal pedido”, nem Marcelo Odebrecht “fez tal declaração em seu depoimento ao TSE”. Para Fernando Henrique, “há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”.

Verdades alternativas
Fernando Henrique Cardoso endossou o coro dos que criticam o vazamento das delações premiadas e defendeu uma espécie de separação do joio do trigo: “Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais”. Segundo o líder tucano, “a palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando”.

Acontece que a ação penal contra a chapa Dilma-Temer virou uma espécie de bumerangue. Além de colocar em xeque o governo de transição, voltou-se contra líderes importantes do PSDB, entre eles, o presidente do partido, Aécio Neves, autor da ação, o ex-candidato a governador de Minas Pimenta da Veiga e o senador Antônio Anastasia (MG), cujas campanhas teriam recebido recursos do caixa dois da Odebrecht. “A desmoralização de pessoas a partir de ‘verdades alternativas’ é injusta e não serve ao país. Confunde tudo e todos” — protestou Cardoso. A manifestação é música para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem o tucano foi testemunha de defesa num dos processos que investiga as relações do petista com a construtora OAS.

O ovo da serpente, porém, é origem do caixa dois eleitoral: recursos públicos desviados de obras e serviços, de certa forma, igualam quem só gastou o dinheiro na campanha, quem ganhou para fazer campanha e quem meteu o dinheiro no bolso. É que a Justiça Eleitoral, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, assim como os cidadãos, não fazem a menor distinção quanto a isso: todos os que receberam dinheiro de caixa dois cometeram crime eleitoral, independentemente dos crimes conexos, como lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, corrupção passiva ou ativa etc. Esse é busílis da crise ética, que ameaça implodir o sistema político. Só quem pode separar o joio do trigo é o Supremo Tribunal Federal (STF).



‘(...) O Lula, nesse encontro, teve altos e baixos. Houve um momento em que ele quis usar a superioridade natural do operário diante do intelectual marxista, e perguntou: "Bom, afinal, você é nosso aliado ou inimigo?" E eu respondi: "Isso não pega comigo, porque eu tenho origem inferior à sua. Comecei a trabalhar com 6 anos. Para mim, um operário tanto pode aderir a um movimento fascista como a um movimento socialista, ou ficar indiferente. Eu não sou obrerista e não me ajoelho diante do deus operário. (...)’
‘(...) Um dia, em 1986, na saída da aula da USP, meu filho me disse que o Lula queria falar comigo. Ele me levou ao Diretório Nacional e o Lula estava lá, junto com o José Dirceu e mais algumas pessoas, e perguntou se eu queria ser candidato a deputado federal constituinte. Eu respondi: "Não sou político profissional, portanto não sei fazer campanha política. Não tenho recursos para financiar uma campanha. Também estou recém-saído do hospital e a campanha vai ser muito desgastante para mim."Apesar disso, ele insistiu. Eu perguntei: "O que o PT oferece para que eu seja candidato? Vocês me dão alguma coisa?" Ele disse: "Nada. Você é que vai dar 30% de tudo o que recolher para o partido." Caí na gargalhada e respondi: "Está bom, assim eu aceito." Preenchemos a ficha de inscrição, saí candidato do partido e fui eleito. (...)’
Florestan Fernandes sobre o surgimento do movimento operário e do PT Teoria e Dabate nº 13 - janeiro/fevereiro/março 1991



Por que Lula? - Vera Magalhães

- O Estado de S. Paulo

É a candidatura que visa interditar, no grito, as investigações contra ele

A semana promete ser tomada pelo “lançamento” da sexta candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. O pontapé inicial foi um manifesto “espontâneo” assinado pelos intelectuais de cabeceira do petismo, e que dará origem a um site e um road show do ex-presidente e réu na Lava Jato pelo País. O título do abaixo-assinado é “Por que Lula?”.

Está aí uma boa pergunta, mas a resposta está longe de ser o misto de ingenuidade, desonestidade intelectual e manipulação contidos no documento.

Por que Lula? Por que o Brasil precisa dele ou por que ele precisa dessa candidatura como escudo para se defender das acusações de que, no exercício da Presidência e depois de deixá-la, praticou corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e outros crimes investigados no petrolão?

O calendário do lançamento de Lula coincide com a reta final de um dos processos nos quais o petista é réu, sob a acusação de ter recebido propina de até R$ 3,7 milhões na forma de “mimos” da OAS, que reformou um triplex no Guarujá que seria ofertado à sua família e pagou pela guarda das “tranqueiras” que ele carregou quando deixou o Alvorada.

Lula vai depor em maio diante do juiz Sérgio Moro. Até lá, deve rodar o País entoando a cantilena de que é vítima de perseguição política e de que os processos nada mais são do que uma tentativa de tirá-lo da vida pública e impedir uma nova candidatura.

Não será o contrário? Lula nunca desejou de fato ser candidato novamente à Presidência. Não o fez quando teve a faca e o queijo na mão: petistas como Rui Falcão e Marta Suplicy lançaram o “volta Lula” em 2014, e ele não o levou adiante.

Não foi em respeito a Dilma Rousseff que ele deixou de ser candidato. Lula desistiu porque não podia vislumbrar a possibilidade – na época, ainda bastante remota – de não ser eleito nem a perspectiva, esta bem concreta, de fazer um governo pior do que os anteriores.

Por que, então, teria mudado de ideia agora que é réu em cinco ações penais, o PT foi varrido do mapa nas eleições municipais, Dilma sofreu impeachment e a economia está em frangalhos? Altruísmo? Senso de dever para com aqueles que o PT diz ter incluído e que voltaram à miséria?
Talvez Chico Buarque ou Leonardo Boff acredite de fato nisso, embora seja espantoso.

A desigualdade social e o desemprego galopam no País por obra e graça dos governos Lula e Dilma. Ele por não ter aproveitado o vento favorável na economia mundial que vigorou até 2009 para fazer as reformas que eram necessárias. Ela por se lançar na tal “nova matriz econômica”, que nada mais era do que desculpa para abraçar a irresponsabilidade fiscal como se não houvesse amanhã.

A Lava Jato nada mais é do que a resposta da Justiça a um esquema de desvio de recursos públicos sem precedentes, montado de forma deliberada e reiterada pelos governos do PT – neste caso mais dele do que dela – para sustentar um projeto de poder que era para durar ao menos 20 anos.

O fato de Lula responder agora pelos crimes dos quais é acusado não é perseguição política, mas consequência do amadurecimento democrático e institucional do Brasil. Não à toa, os defensores do ex-presidente falam em “Justiça para todos e para Lula”, sem esconder a pretensão a que o cacique petista seja beneficiado por uma indulgência que não se destinaria a “todos”, só a ele.

É esse o desejo indisfarçado que transborda do texto dos “intelectuais” lulistas. O por que Lula, aqui, parece pressupor um complemento: por que Lula tem de responder como qualquer mortal perante a Justiça?

Portanto, não é a Lava Jato que quer impedir a candidatura do petista. É a candidatura que visa interditar, no grito, as investigações contra ele. Por que Lula? Por que não ele?



"Bom, afinal, você é nosso aliado ou inimigo?" E eu respondi: "Isso não pega comigo, porque eu tenho origem inferior à sua. Comecei a trabalhar com 6 anos. Bate rebate entre o intelectual Florestan e o obrero Lula

Por que Lula? Por que ele não?

Socraticamente, se se é permitido manifesto alternativo espontâneo, ao estilo do velho intelectual enfant terrible, contrapondo-se em busca de sínteses. Afinal, ‘(...) pontapé inicial foi um manifesto “espontâneo” assinado pelos intelectuais de cabeceira do petismo, (...)’

Opinião do dia – Luiz Werneck Vianna*

“A reanimação do campo reflexivo entre os intelectuais e políticos é também animadora na comunidade dos economistas, envolvida na controvérsia suscitada por um dos seus notáveis, André Lara Resende, sobre as complexas relações entre políticas fiscais e inflação, em que um dos temas de fundo versa sobre o papel maior ou menor do Estado na economia, uma questão ainda em aberto não apenas entre os especialistas. Mas, tudo contado, ainda é lento o movimento reflexivo, tal como na economia a retomada de um ciclo expansivo. Enquanto esses movimentos não ganham maior vigor, o que importa é manter os antagonismos em equilíbrio, tema maior de Ricardo Benzaquen de Araújo, notável intérprete da obra de Gilberto Freire, que há pouco, infelizmente, nos deixou.”

*Sociólogo, PUC-Rio. “A retomada das atividades reflexivas”, O Estado de S. Paulo, 5/3/2017.

Sergio Moro: o problema são os ‘presos ilustres’
Josias de Souza
05/03/2017 01:35




Sergio Moro veio à boca do palco para contestar os críticos que o acusam de cometer abusos na decretação de prisões preventivas. O juiz da Lava Jato reagiu por meio de um artigo veiculado na edição mais recente da revista. Atribuiu as queixas não a fatores como a quantidade de prisões — 79 desde março de 2014 —, mas à presença de “presos ilustres” atrás das grades.
“A questão real — e é necessário ser franco sobre isso — não é a quantidade, a duração ou as colaborações decorrentes, mas a qualidade das prisões, mais propriamente a qualidade dos presos provisórios”, escreveu Moro. “O problema não são as 79 prisões ou os atualmente sete presos sem julgamento, mas sim que se trata de presos ilustres.”
Sem mencionar-lhes os nomes, Moro deu quatro exemplos de “presos ilustres” da Lava Jato. Três estão hospedados na carceragem de Curitiba. Outro desfruta das facilidades do sistema penitenciário carioca: “…um dirigente de empreiteira [Marcelo Odebrecht], um ex-ministro da Fazenda [Antonio Palocci], um ex-governador [Sergio Cabral] e um ex-presidente da Câmara dos Deputados [Eduardo Cunha].”
Na opinião do magistrado, “as críticas às prisões preventivas refletem, no fundo, o lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei.” Sinalizam também “que ainda vivemos em uma sociedade de castas, distante de nós a igualdade republicana.”
A certa altura, Moro realçou algo que os críticos costumam negligenciar: os resultados da Lava Jato. “Mesmo considerando-se as 79 preventivas e o fato de elas envolverem presos ilustres, é necessário ter presente que a operação revelou, segundo casos já julgados, um esquema de corrupção sistêmica, no qual o pagamento de propinas em contratos públicos consistia na regra do jogo.”
Moro acrescentou: “A atividade delitiva durou anos e apresentou caráter repetido e serial, caracterizando, da parte dos envolvidos, natureza profissional. Para interromper o ciclo delitivo, a prisão preventiva foi decretada de modo a proteger a ordem pública, especificamente a sociedade, outros indivíduos e os cofres públicos da prática serial e reiterada desses crimes.”

Operação Lava Jato 
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15.dez.2015 - Movimentação de policiais federais em frente à casa do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A Polícia Federal faz nesta terça-feira (15), por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal), uma operação de busca e apreensão na casa de Cunha. O deputado é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-Geral da República nas investigações da Operação Lava Jato
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Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Sem citar a Odebrecht, o juiz mencionou o caso da empreiteira para como um dos que inspiraram críticas que se revelariam injustificadas. “Foi decretada, em junho de 2015, a prisão preventiva de dirigentes de um grande grupo empresarial”, anotou Moro. “Os fundamentos foram diversos, mas a garantia da ordem pública estava entre eles. Posteriormente, tais dirigentes foram condenados criminalmente, embora com recursos pendentes.”
Moro prosseguiu: “As críticas contra essas prisões foram severas, tanto pelas partes como por interessados ou desinteressados, que apontaram o suposto exagero da medida diante da prisão de ‘pessoas conhecidas’. Posteriormente, dirigentes desse grupo empresarial resolveram colaborar com a Justiça e admitiram o pagamento sistemático de propinas não só no Brasil, isso por anos, mas também em diversos países no exterior, bem como a participação em ajustes fraudulentos de licitações da Petrobras.”
Os delatores da Odebrecht revelaram “mais do que isso: confirmaram a existência no grupo empresarial de um setor próprio encarregado do pagamento de propina (Departamento de Operações Estruturadas) e que este permaneceu funcionando mesmo durante as investigações da Lava Jato…”
Para Moro, o caso da Odebrecht “é bem ilustrativo do equívoco das críticas, pois o tempo confirmou ainda mais o acerto da prisão. Foi a prisão preventiva, em junho de 2015, que causou o desmantelamento do departamento de propinas do grupo empresarial, interrompendo a continuidade da prática de sérios crimes de corrupção. Assim não fosse, o departamento da propina ainda estaria em plena atividade.”
Ao longo do artigo, o magistrado diz o que pensa sobre as prisões preventivas em termos genéricos. “São excepcionais e devem ser longamente justificadas”, diz logo no primeiro parágrafo do texto. Depois de discorrer sobre o acerto das ordens de prisão expedidas contra executivos da Odebrecht, Moro ponderou: “Isso não significa que a prisão preventiva pode ser vulgarizada, mas ilustra que, em um quadro de corrupção sistêmica, com a prática serial, reiterada e profissional de crimes sérios, é preciso que a Justiça, na forma do Direito, aja com a firmeza necessária e que, presentes boas provas, imponha a prisão preventiva para interromper o ciclo delitivo, sem importar o poder político ou econômico dos envolvidos.”
No encerramento do artigo, Sergio Moro insinua que há entre os seus críticos pessoas movidas por interesses subalternos. “As críticas genéricas às prisões preventivas na Lava Jato não aparentam ser consistentes com os motivos usualmente invocados pelos seus autores”, escreveu o juiz, sem dar nomes aos bois. “Admita-se que é possível que, para parte minoritária dos críticos, os motivos reais sejam outros, como a aludida qualidade dos presos ou algum desejo inconfesso de retornar ao status quo de corrupção e impunidade.”
Com esse tipo de crítico, arrematou Sergio Moro, “nem sequer é viável debater, pois tais argumentos são incompatíveis com os majestosos princípios da liberdade, da igualdade e da moralidade pública consagrados na Constituição brasileira.”


“felicidade pura dos idiotas” e “vivia num atordoado limbo entre céu e inferno”. Macabéa (A hora da estrela) Clarice Lispector




Referências

http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2017/03/o-leite-derramado-luiz-carlos-azedo.html
http://csbh.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/editora/teoria-e-debate/edicoes-anteriores/memoria-entrevista-florestan-fernandes
http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2017/03/por-que-lula-vera-magalhaes.html
http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2017/03/opiniao-do-dia-luiz-werneck-vianna.html
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/03/05/sergio-moro-o-problema-sao-os-presos-ilustres/

sexta-feira, 3 de março de 2017

“cena de Piti”, interpretações de um fato


SÉRGIO MORO ALTERA A VOZ EM AUDIÊNCIA COM ADVOGADO DE DEFESA DE LULA


Publicado em 21 de nov de 2016
O depoimento do ex-senador Delcídio do Amaral como testemunha no processo contra o ex-presidente Lula, nesta segunda-feira, entrou para a história da Operação Lava Jato como a primeira vez em que o juiz federal Sergio Moro gritou em uma audiência

Advogado de Lula: Eu sou obrigado a pedir de novo uma questão de ordem. A questão é muito simples, Vossa Excelência está violando o princípio da ampla defesa, está perguntando à testemunha sobre fatos que não foram objeto da inquirição de hoje e está daí criando a necessidade de novas perguntas por parte da defesa, se vossa excelência permitir, senão fica um desequilíbrio no processo.

Sergio Moro: Tem uma ordem legal, doutor, de oitiva, primeiro Ministério Público, depois defesa e esclarecimentos do juízo.

Advogado de Lula: Mas o juízo só pergunta sobre questões que forem objeto da inquirição e pontos não esclarecidos

Sergio Moro: [levantando a voz] Essa é a posição do juízo, doutor. Neste caso, é o que estou fazendo.

Advogado de Lula: Mas não é a posição do código de processo, é uma coisa que o senhor não pode fazer

Sergio Moro: Como eu presido essa audiência, então eu entendo que eu posso fazer na minha interpretação.

Advogado de Lula: Então fica o protesto da defesa contra o comportamento de Vossa Excelência, que viola o código de processo penal.

Sergio Moro: Na sua interpretação, doutor. Na interpretação correta do código, o juiz pode fazer…

Advogado de Lula: Na interpretação de todos que trabalham com processo penal. Somos professores de processo penal.

Sergio Moro: Tá ótimo então, eu vou seguir com minhas indagações aqui, se a defesa permitir, evidentemente…
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ADVOGADO DE DEFESA GRITA E INTIMIDA SÉRGIO MORO que perde paciência


Publicado em 12 de dez de 2016
O clima voltou a ficar tenso nesta segunda-feira 12/12/2016 entre o juiz federal Sergio Moro e os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mais uma audiência das testemunhas de acusação no processo em que o petista é réu na Operação Lava Jato.
O clima esquentou e Sérgio Moro teve que usar de um tom mais alto para se impor diante de uma situação constrangedora.
Porém o Advogado, com uma FALTA DE RESPEITO TREMENDA, gritou e disse ainda que não respeitava a autoridade do Juiz Sergio Moro.

Veja detalhes do momento:

Advogado: Fica um protesto aqui de novo, Excelência…

Sergio Moro: Doutor, o doutor está sendo inconveniente, doutor. Está sendo inconveniente…

Advogado: A defesa não é inconveniente na medida em que estamos no exercício da ampla defesa…

Sergio Moro: Já foi indeferida sua questão, já foi indeferida sua questão, doutor.

Advogado: Vocês não podem cassar a palavra da defesa…

Sergio Moro: Posso, doutor, por estar sendo inconveniente…

Advogado: Não pode, porque estamos colocando uma questão muito importante, relevante, o procurador da República está pedindo a opinião da testemunha e ele não pode…

Sergio Moro: Doutor, o senhor está sendo inconveniente! Já foi indeferida sua questão, já está registrada e o senhor respeite o juízo!

Advogado: Eu, mas escute, eu não respeito Vossa Excelência enquanto não me respeita como defensor do acusado…

Sergio Moro: O senhor respeite, o senhor respeite o juízo! Já foi indeferido.

Advogado: Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí então Vossa Excelência tem o respeito que é devido a Vossa Excelência, mas se Vossa Excelência atua como acusador principal, Vossa Excelência perde todo o respeito.

Sergio Moro: Sua questão já foi indeferida, o senhor não tem a palavra… A senhora pode responder essa questão? Ela era tratada como adquirente em potencial ou uma pessoa à qual o imóvel já tinha sido destinado?

Testemunha: Tratada como se o imóvel já tivesse sido destinado.
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“Lava Jato: cheiro de FBI/CIA na “cena de Piti”, por Armando Coelho Neto
SEG, 19/12/2016 - 08:24



Lava Jato: cheiro de FBI/CIA na “cena de Piti”
Por Armando Rodrigues Coelho Neto
“Foi estranho saber que o coronelismo eletrônico da mídia golpista resolveu colocar no ar um embate entre a defensoria do ex-Presidente Lula e o juiz Sérgio Moro. Para os admiradores do ex-presidente, foi um lavar de alma ver alguém peitando um magistrado, que prefiro tratar como “encantador de incautos” do que usar a expressão chula que circula nas redes sociais. “Se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal, Vossa Excelência perde todo respeito”, disse o advogado, no legítimo interesse de seu cliente.
Para os que alimentam o gratuito ódio ao PT/Lula /motivo de glória. Nada como assistir o “encantador” admoestando e caçando a palavra daquele que defende o inimigo visceral do grupo Globo et caterva, em cadeia nacional. “O senhor está sendo inconveniente, já está indeferida sua questão e o senhor respeite o juízo... o senhor não tem a palavra”, disse o juiz, abandonando o pseudo tom messiânico como conduz suas audiências ou clama pela aceitação de provas ilegais obtidas de boa fé e ou apela por apoio popular para fundamentar para prisões.
A polêmica surgiu quando o representante do Ministério Público fez uma pergunta-pegadinha, de caráter, digamos, subjetivo, pois a resposta poderia vir viciada por fatores extra autos (comoção midiática do processo) e ou impressões pessoais da testemunha. Coisinha básica vedada pela lei penal, mas que a soberba da Farsa Jato faz questão de ignorar, assim como o fez em outras oportunidades. O Código de Processo Penal, Art. 213 é claro:  “O juiz não permitirá que a testemunha manifeste suas apreciações pessoais, salvo quando inseparáveis da narrativa do fato”.
Grosso modo, a “Cena do Piti” decorreu da chamada Técnica Raid (FBI/CIA), própria para interrogatórios de suspeitos, não de testemunha. Inclui perguntas sugestivas que já contém informação que induzem a resposta desejada do interlocutor. Contempla também perguntas alternativas, todas com resposta de cunho acusatório, como por exemplo, “Você fez isso por amor a alguma causa ou por necessidade? ”. Uma técnica que pode ser associada a outra chamada Cinestésica, que abrange a observação comportamental do entrevistado, interrogado.
No caso das questões sugestivas e ou alternativas ocorre uma limitação de raciocínio, na medida em que o campo de respostas se estreita, ficando delimitado às perguntas e ou respostas propostas pelo interrogante. No caso, a resposta pode fugir da realidade, além de ter o condão de ocultar uma outra resposta fora do leque apresentado, que poderia ser até um “não sei”. Desse modo, quando em situação de tumulto, ainda existe a tendência de um suspeito ou testemunha optar pela última opção, cuja resposta é aquela desejada por quem interroga. Soaria como indução de determinada resposta.
No caso de testemunhas, conhecidas no meio jurídico como “a prostituta das provas, ainda pode ocorrer algo mais grave, que seria a já comprovada inclinação de querer agradar o interlocutor (delegado, procurador, juiz). Nesse caso, a soma do tumulto + questões alternativas + inclinação da testemunha = a resposta desejada. Fato que, aliás, ocorreu durante a “Cena do Piti”. Após o áspero diálogo entre as excelências, a testemunha ficou com a última alternativa. Ponto para a acusação!
Esse método é útil, sobretudo quando não se investiga realmente, não existem provas concretas. No caso, o investigante busca elementos de convicção para uma ideia pré-concebida – fulano é culpado. O detalhe ganha especial peso quando alguém já foi publicamente condenado – Polícia, Ministério Público, Judiciário já anteciparam impressões. Desse modo, é preciso uma frase útil para suporte a uma acusação frágil ou que, no caso da Farsa Jato, sirva de “lide e ou manchete para os jornais” (aspas irônicas do autor).
A pergunta do Ministério Público, que deu azo à “Cena do Piti”, soa como prova de que nada se tem nas mãos. Propriedade se prova com registros públicos, posse e ou evidências materiais de que alguém exerce domínio/controle sobre coisa móvel ou imóvel. É impressionante que após anos chafurdando papeis, computadores, colchões, brinquedos de criança do neto do Lula, o representante do “Parquet” (acusação) ainda dependa de um testemunho. Sobretudo um testemunho chinfrim, fruto de uma velha técnica da polícia americana de pôr resposta na boca da testemunha ou réu.”


A suposta técnica se de fato vem sendo usada, é ampla, geral e irrestrita.

Tanto defesa quanto acusação adotam a postura aqui denunciada.

Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.

As doutrinas e técnicas que os operadores de direito possam estar a usar encontram-se disponíveis para todos, inclusive para o autor do artigo em comento.

O marketing político usou e abusou também desse expediente. Também de forma "democrática". A fonte de recursos financeiros para bancá-lo, no mais das vezes, foi a mesma. Na maior parte dos casos ilícita e criminosa se se levar em conta um estado democrático de direito.


A defesa do ex-presidente ficou de calças curtas a partir do triste papel desempenhado no interrogatório de uma testemunha arrolada pela acusação.

A sombra da ditadura pairou naquele momento envolvendo "adevogados" paulistas de defesa com síndrome de inquiridores dos tempos da ditadura militar que Dom Paulo Evaristo Arns tão corajosamente soube denunciar sem fitos de enriquecimento em uma carreira profissional que deveria primar pela lhaneza, ética e os bons costumes.

Reincidências de um defensor criminal


Cecília Meireles

"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

(Romanceiro da Inconfidência)

Ex-presidente da OAB, José Roberto Batochio, ex-deputado federal pelo PDT e advogado de clientes históricos e polêmicos da cena nacional.

Deverá ter muito trabalho para defender seus clientes em condições totalmente diversas das que seu ídolo, Heráclito Fontoura Sobral Pinto, enfrentou.

Se Sobral Pinto peitou uma ditadura truculenta, Batochio, nada de braçadas num ambiente que prima pela defesa dos direitos humanos com garantias de uma Constituição Federal que prima pelos princípios de justiça e direitos da cidadania.

Ex-advogado de Maluf, vice de Skaf se compara a Luther King
José Roberto Batochio recebeu a reportagem do Terra e falou sobre seus clientes e como começou na política a convite de Leonel Brizola
Thiago Tufano
Direto de São Paulo
29 AGO2014

‘Querem criminalizar a gestão pública’, diz defesa de Palocci e Mantega ao rebater Odebrecht

Advogado José Roberto Batochio, que representa ex-ministros da Fazenda, afirma que petistas nunca pediram recursos ilícitos ao empreiteiro delator Marcelo Odebrecht
Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
02 Março 2017 | 13h40

O advogado José Roberto Batochio reagiu com indignação às declarações do empresário Marcelo Odebrecht que, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que recursos, inclusive via caixa 2, foram solicitados pelos ex-ministros da Fazenda Antônio Palocci e Guido Mantega para as campanhas presidenciais de DIlma Rousseff, em 2010 e em 2014. Segundo Odebrecht, foram repassados R$ 150 milhões para a chapa Dilma/Temer, dos quais R$ 50 milhões seriam relativos a uma propina pela aprovação da MP do Refis.

“Com relação a Palocci a referência é circunstancial, genérica, (Odebrecht) não atribui nenhum valor a ele, nenhuma irregularidade”, disse Batochio. “Agora, é preciso que fique claro que é absolutamente natural que os partidos políticos e seus membros solicitem doações de verbas para as campanhas eleitorais nos períodos próprios, sempre oficialmente, nos parâmetros legais.”

Batochio também rebateu as citações a Mantega – segundo Odebrecht, em março de 2014 ele se comprometeu com o ex-ministro a repassar R$ 150 milhões na campanha de Dilma Rousseff, dos quais R$ 50 milhões pela MP do Refis.

“Mantega é filiado a um partido político e, naturalmente, as solicitações de contribuições nunca foram só para a Odebrecht. Todos os partidos solicitam recursos para suas campanhas de todo o empresariado que costuma contribuir de modo até equitativo nas eleições. Uma coisa é contribuir financeiramente dentro dos parâmetros legais. Outra coisa, muito diferente e a meu ver esquizofrênica, é dizer que todas as doações de empresários a políticos é pela via do caixa 2.”

Batochio destaca que o próprio Odebrecht disse na Ação de Investigação Judicial Eleitoral que parte dos repasses ‘é oficial’.

“No que diz respeito a Guido Mantega estamos certamente no campo das contribuições oficiais.”

O criminalista chama a atenção para um detalhe que reputa importante. “Há uma circunstância muito relevante que precisa ser destacada. Nem Guido Mantega, nem Antonio Palocci, que o antecedeu, exerceram as funções de caixa de campanha presidencial. As campanhas do Lula tinham um arrecadador e o mesmo se passou em relação às duas campanhas de Dilma. Ora, querer responsabilizar alguém pelo simples fato de um membro de um partido ter solicitado cotribuição é, na prática, querer fechar a nossa democracia.”

Batochio abordou o trecho das revelações de Odebrecht sobre a MP do Refis. “Não existe a menor procedência nessa informação. Aqueles que conhecem a tramitação de uma Medida Provisória e as emendas no Congresso sabem que, na sua origem, a MP passa por cinco ministérios, pela Advocacia-Geral da União, Procuradoria da Fazenda Nacional. Enfim, todos estes órgãos técnicos opinam sobre a medida que tem por escopo o desenvolvimento de um setor determinado da economia ou abrandamento da tributação feroz em relação a um setor que precisa ser estimulado senão vai quebrar. Isto se chama de política pública de gestão econômica.”

O defensor de Palocci e Mantega faz uma indagação. “O Refis, afinal, serviu só a Odebrecht? Eu quero perguntar isso para os acusadores. Só a Odebrecht se beneficiou disso ou toda uma cadeia produtiva? Estamos criminalizando a gestão pública no Brasil.”

Dos fatos

Edição do dia 02/03/2017
02/03/2017 21h36 - Atualizado em 02/03/2017 22h12
Odebrecht confirma doação de R$ 150 milhões a campanha de Dilma
Empresa pôs à disposição do PT R$ 300 milhões entre 2008 e 2014, disse.
Empresário prestou depoimento ao TSE na ação proposta pelo PSDB.
O empreiteiro Marcelo Odebretch disse no depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral que pôs R$ 300 milhões à disposição do Partido dos Trabalhadores entre 2008 e 2014 e que doou metade desse dinheiro à campanha de reeleição de Dilma Rousseff. Ele não detalhou quanto desse valor era caixa dois.
Marcelo Odebrecht também relatou repasses ao senador Aécio Neves, do PSDB, mas não esclareceu se a origem foi caixa um ou caixa dois. E falou sobre jantar com o então vice-presidente Michel Temer, mas negou ter tratado de valores de campanha.
O depoimento de Marcelo Odebrecht era para esclarecer se houve dinheiro de caixa dois na campanha da chapa Dilma-Temer, de 2014.
O ex-presidente da Odebrecht foi ouvido por quatro horas pelo ministro Herman Benjamin, relator da ação proposta pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral.
As suspeitas são de abuso de poder econômico e político, o que significa que podem ter existido gastos de campanha acima do informado à Justiça Eleitoral, doações por meio de propina vinda de empreiteiras contratadas pela Petrobras e o pagamento indevido a gráficas contratadas pela campanha de Dilma.
As gráficas foram alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro, e um laudo feito por peritos do TSE concluiu que as gráficas não conseguiram provar que realmente fizeram os serviços que foram pagos pela coordenação da campanha.
O depoimento de Marcelo Odebrecht ainda é sigiloso. A TV Globo confirmou com várias fontes os trechos mais importantes do que ele falou ao ministro Herman Benjamin.
Marcelo Odebrecht confirmou no depoimento uma doação de R$ 150 milhões à campanha de Dilma Rousseff em 2014, mas não deu detalhes de quanto desse valor era caixa dois.
Pelo menos R$ 50 milhões, segundo Marcelo, foram uma contrapartida pela aprovação de uma medida provisória do Refis, que beneficiou a Odebrecht.
De acordo com o depoimento, esse pagamento foi negociado diretamente com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, a pedido de Dilma. E um detalhe: a MP foi editada em 2009, pelo ex-presidente Lula, mas, segundo Marcelo Odebrecht, o PT não precisou usar o valor da contrapartida na campanha de 2010, e cobrou a propina para a campanha de Dilma, de 2014.
Ainda segundo Marcelo Odebrecht, o valor total que a empresa colocou à disposição do PT chegou a R$ 300 milhões entre 2008 e 2014. O dinheiro era repassado sempre depois de conversas, primeiro com o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e, depois, com o ex-ministro Guido Mantega.
Segundo o empresário, outra parte da propina que teria sido direcionada para a campanha foi paga no exterior ao marqueteiro de Dilma, João Santana, com o conhecimento da ex-presidente.
Marcelo Odebrecht também disse que, quando surgiram informações sobre pagamentos ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa no exterior, ele alertou sobre o risco de contaminação dos repasses a João Santana, ou seja, que eles poderiam ser descobertos.
O alerta, segundo o empresário, foi feito a Dilma, a Guido Mantega e ao próprio marqueteiro, mas ele disse que ninguém demonstrou preocupação.
Durante o depoimento, o ministro Herman Benjamin perguntou ao empresário se ele mandava no governo. Marcelo Odebrecht respondeu que “no fundo, não era dono do governo” e acrescentou que ele era “o otário do governo; era o bobo da corte do governo”. E disse que ele era escalado para assumir negócios que ele não queria fazer.
O delator também confirmou no depoimento que a construtora deu dinheiro ao PMDB. As doações para o partido foram discutidas num jantar com o então vice-presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu. Mas, segundo Marcelo, ele não discutiu valores diretamente com Temer.
Disse que acredita que o valor repassado foi definido no mesmo dia em uma conversa entre o ministro licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ex-diretor da empreiteira Claudio Melo Filho, que também fez delação premiada. Em sua colaboração, que veio a público em dezembro, Claudio Melo disse que o valor da doação feita a pedido do PMDB foi de R$ 10 milhões.
No depoimento, o delator também revelou que a Odebrecht deu dinheiro para adversários de Dilma na eleição de 2014: o senador Aécio Neves, do PSDB; o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo; e a ex-senadora Marina Silva, que o substituiu na campanha como candidata do PSB.
Marcelo Odebrecht, no entanto, não detalhou as doações para Campos e Marina porque os advogados interromperam o depoimento, alegando que os candidatos não eram objeto da ação.
Ele disse apenas que foram valores menores e não esclareceu se o dinheiro era de caixa um, doação legal, ou de caixa dois, ilegal.
Sobre o repasse à campanha de Aécio Neves, Marcelo Odebrecht não deixou claro se foi via caixa um ou caixa dois. Segundo ele, Aécio pediu R$ 15 milhões no fim do primeiro turno das eleições.
Marcelo disse que não poderia repassar o valor. Segundo o empresário, Aécio sugeriu então que os R$ 15 milhões fossem entregues a aliados dele. Marcelo concordou, segundo o depoimento, e disse que o pagamento seria acertado entre o delator Sérgio Neves, ex-diretor da Odebrecht, e o empresário Oswaldo Borges, apontado como operador de Aécio. Mas Marcelo disse não saber se o pagamento foi efetivado.
Marcelo Odebrecht também disse que é impossível que algum político tenha sido eleito no Brasil sem uso de caixa 2.
O depoimento dele faz parte da fase de instrução do processo no Tribunal Superior Eleitoral. Depois de encerrada essa fase, que ainda prevê outros depoimentos, o ministro Herman Benjamin vai analisar todo esse material e apresentar o seu voto ao plenário da corte para o julgamento final. A previsão é de que isso ocorra nos próximos meses.
Respostas
A assessoria de imprensa da ex-presidente Dilma Rousseff chamou de mentirosa as informações de que ela teria pedido recursos a Marcelo Odebrecht e autorizado pagamentos fora do país ou por meio de caixa dois durante as campanhas presidenciais. A assessoria também declarou que todas as doações foram feitas de acordo com a legislação e negou que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação para campanhas eleitorais.
O Instituto Lula afirmou que o ex-presidente jamais negociou contrapartida por qualquer medida provisória, que sempre agiu dentro da lei e que todas as medidas provisórias são analisadas e votadas pelo Congresso Nacional.
O Palácio do Planalto divulgou nota em que afirma que Marcelo Odebrecht confirmou aquilo que o presidente Michel Temer vem dizendo há meses: que houve o jantar, mas que eles não falaram de valores durante o encontro, e que a empresa deu auxílio financeiro a campanhas do PMDB. Segundo a assessoria do Palácio, o partido registrou o recebimento de R$ 11,3 milhões da Odebrecht, montante declarado regularmente ao Tribunal Superior Eleitoral.
O PMDB afirmou que todos os contatos para financiamento de campanha foram feitos dentro da lei e aprovados pelo TSE.
Marina Silva declarou que não houve caixa dois em nenhuma das campanhas em que ela foi candidata à presidência e que todas as doações foram limpas e sem nenhum tipo de acordo espúrio.
O PSDB afirmou que Marcelo Odebrecht foi explícito ao afirmar que toda a doação para a campanha presidencial de Aécio Neves foi feita de forma oficial e que essa declaração poderá ser conhecida com o fim do sigilo do depoimento. O PSDB afirmou, ainda, que Marcelo Odebrecht disse ter recebido um pedido de apoio de R$ 15 milhões para outros candidatos, mas que essa doação não ocorreu.
O PSB afirmou que só vai se manifestar quando forem divulgadas oficialmente as informações sobre o depoimento de Marcelo Odebrecht.
A defesa de Antonio Palocci declarou que só pode falar hipoteticamente, porque não conhece o teor do depoimento. Nesse caso, a defesa nega que o ex-ministro tenha tratado de assunto relativo à arrecadação de campanhas eleitorais, porque ele não foi tesoureiro das quatro últimas campanhas do Partido dos Trabalhadores. A defesa afirma que trata-se, portanto, de pura ficção.
A defesa de Guido Mantega afirmou ser inacreditável que uma suposta contrapartida pela edição de uma medida provisória de 2009 só fosse efetivada numa eleição realizada em 2014, que a MP do Refis teve caráter genérico para beneficiar todo o setor produtivo brasileiro e que política pública na área econômica não pode ser criminalizada.
Nós não conseguimos entrar em contato com as defesas de Sérgio Neves e Oswaldo Borges.
As defesas do Partido dos Trabalhadores, do ministro licenciado Eliseu Padilha e de João Santana declararam que não vão se pronunciar.



Edição do dia 02/03/2017
02/03/2017 21h09 - Atualizado em 02/03/2017 21h16
Dois ex-executivos da Odebrecht depõem no Rio como testemunhas
Depoimentos foram realizados a portas fechadas no Tribunal Regional Federal, no Rio, que cedeu as instalações ao Tribunal Superior Eleitoral.

Nesta quinta-feira (2), no Rio, dois executivos da Odebrecht foram ouvidos como testemunhas desse processo.
Advogados evitaram falar com a imprensa e as duas testemunhas entraram pela garagem.
Os depoimentos foram realizados a portas fechadas no Tribunal Regional Federal, no Rio, que cedeu as instalações ao Tribunal Superior Eleitoral.
Benedicto Barbosa da Silva Junior e Fernando Reis foram ouvidos como testemunhas no processo que tramita no TSE a pedido do PSDB para apurar suposto abuso de poder político e econômico da chapa Dilma-Temer, na eleição e 2014.
O ministro do TSE Herman Benjamin veio ao Rio para colher os depoimentos. O depoimento de Benedicto Junior durou cerca de duas horas. Ele era presidente da Odebrecht infraestrutura, e foi preso temporariamente em fevereiro do ano passado, na 23ª fase da Operação Lava Jato, e depois liberado pela Justiça. Para os investigadores, ele era a pessoa que Marcelo Odebrecht acionava para tratar de assuntos referentes ao meio político.
Polícia Federal encontrou na casa dele planilhas que mostravam doações feitas pela Odebrecht a mais de 200 políticos de 24 partidos.
Fernando Reis foi alvo de mandado de condução coercitiva na 26ª fase da Lava Jato, em março do ano passado. Ele era presidente da Odebrecht ambiental. Segundo a Polícia Federal, foi citado em troca de mensagens sobre a entrega de valores em espécie.
Os depoimentos terminaram pouco depois das 20h. O advogado Alexandre Wunderlich, que defende Fernando Reis e Benedicto Barbosa, disse que os dois colaboradores prestaram depoimentos regulares. E como previsto no termo de delação premiada, comprometidos com o interesse público e com respeito às regras do sigilo.
A Odebrecht não informou se Fernando Reis e Benedicto Junior ainda são funcionários. A empresa declarou que está em curso o processo de desligamento de colaboradores ou de definição das novas funções daqueles que vão permanecer na empresa.




Referências

https://noticias.terra.com.br/eleicoes/sao-paulo/ex-advogado-de-maluf-vice-de-skaf-se-compara-a-luther-king,ab944288dd128410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/querem-criminalizar-a-gestao-publica-diz-defesa-de-palocci-e-mantega-ao-rebater-odebrecht/
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/03/odebrecht-confirma-doacao-de-r-150-milhoes-campanha-de-dilma.html
Assista ao vídeo da reportagem aqui: http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2017/03/02.html#!v/5695188
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/03/dois-ex-executivos-da-odebrecht-depoe-no-rio-como-testemunhas.html

Assista ao vídeo da reportagem aqui: http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2017/03/02.html#!v/5695177

quinta-feira, 2 de março de 2017

Populismo na política [...]

Estado da arte [...]
Irrupções nos tempos modernos [...]
Práxis [...]

I O POPULISMO NA POLÍTICA BRASILEIRA*

“O populismo, como estilo de governo, sempre sensível às pressões populares, ou como política de massas, que buscava conduzir, manipulando suas aspirações, só pode ser compreendido no contexto do processo de crise política e de desenvolvimento econômico que se abre com a revolução de 1930.” Francisco Weffort Paz e Terra, 1978
*Versão modificada do artigo publicado em 1967 pela revista Temps Modernes em número coletivo sobre o Brasil organizado por Celso Furtado




Lula - Um documento histórico - 1978 em entrevista para a TV e finalizando com "O Discurso de 2010"

II. ESTADO DA ARTE
Introdução

O Estado da Arte é uma das partes mais importantes de todo trabalho científico, uma vez que faz referência ao que já se tem descoberto sobre o assunto pesquisado, evitando que se perca tempo com investigações desnecessárias. Além disso, auxilia na melhoria e desenvolvimento de novos postulados, conceitos e paradigmas.
Trata-se de uma actividade árdua por ser crítica e reflexiva. Não se pode copiar no papel informações geradas por outros autores, sem fazer jus aos mesmos através da referência. Também não se deve iniciar um processo de colocação de dados sem reflectir sobre eles, sem relacioná-los com a temática desenvolvida, sem interagir com o autor, apresentando um novo texto, com força argumentativa e conclusões adquiridas pela reflexão.
Para Salomoni , verificamos dois momentos na actuação científica: “o pesquisador, ao desenvolver para o leitor o assunto, deixa de ser por um momento investigador, para se tornar o filósofo de seu trabalho. Abandona as técnicas da pesquisa com que já se habituara, para usar os recursos da lógica da demonstração”.(1991: 239)



III Irrupções nos tempos modernos

Memória : Entrevista - Florestan Fernandes
Teoria e Debate nº 13 - janeiro/fevereiro/março 1991
publicado em 11/04/2006

Engraxate, balconista, vendedor, ele superou as dificuldades da origem humilde e se tornou um dos intelectuais mais respeitados do País. Neste depoimento, sua vida, opiniões e militância.
por Paulo de Tarso Venceslau*



ENTREVISTA / POLÊMICA / POLÍTICA / SOCIOLOGIA
O PT do Poder – Entrevista com José de Souza Martins – Revista Veja
1 DE FEVEREIRO DE 2016 

O sociólogo que viu a ascensão de Lula de perto diz que o partido nunca foi de esquerda e que sua origem eclesiástica explica a dificuldade de seus dirigentes e militantes em aceitar a divergência política
Leonardo Coutinho – Páginas Amarelas da Revista Veja – Fev 2016



IV Práxis

São Paulo, domingo, 07 de julho de 2002 FOLHA DE SÃO PAULO Especial

Pragmático, Lula se recicla como 'eterno negociador'


Formado politicamente na cultura sindical das assembléias, petista foge da imagem de radical e busca se aproximar do centro conservador na sua quarta tentativa à Presidência




PLÍNIO FRAGA
DA REPORTAGEM LOCAL 



Lula treme
Temendo a prisão, Lula revela desespero ao criticar publicamente o PT. O ex-presidente, que tem dormido pouco, apresenta crises de choro, diz que o governo Dilma não tem mais jeito e avalia que a vitória de Aécio em 2014 poderia até ter sido melhor


FORA DO EIXO

Sérgio Pardellas (sergiopardellas@istoe.com.br)
26.06.15 - 20h00 - Atualizado em 21.01.16 - 14h52
1.3K
O ex-presidente Lula anda insone. Segundo amigos próximos, o petista não consegue sossegar a cabeça no travesseiro desde a prisão, há duas semanas, de Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, e do executivo Alexandrino Alencar, considerados os seus principais interlocutores na empresa. Tem dormido pouco. Nem quando recebeu o diagnóstico de câncer na laringe, em 2011, o petista demonstrou estar tão apreensivo como agora. Pela primeira vez, desde a eclosão da Operação Lava Jato para investigar os desvios bilionários da maior estatal brasileira, a Petrobras, Lula teme amargar o mesmo destino dos empreiteiros. Até um mês atrás, o ex-presidente não esperava que sua história poderia lhe reservar outra passagem pela cadeia. Em 1980, o então líder sindical foi detido em casa pelo DOPS, a polícia política do regime militar. Permaneceu preso por 31 dias, chegando a dividir cela com 18 pessoas. Agora, o risco de outra prisão – desta vez em tempos democráticos – é real. Na quinta-feira 25, o tema ganhou certo frisson com a divulgação de um pedido de habeas corpus preventivo em favor do ex-presidente impetrado na Justiça Federal do Paraná. Descobriu-se logo em seguida, no entanto, que a ação considerada improcedente pelo Tribunal Regional Federal não partiu de Lula nem de ninguém ligado a ele. Mas, de fato, o político já receia pelo pior. O surto público recheado de críticas ao governo Dilma Rousseff e petardos contra o partido idealizado, fundado e tutelado por ele nos últimos 35 anos expôs, na semana passada, como os recentes acontecimentos têm deixado Lula fora do eixo.


FORA DO EIXO
Vivendo o pior momento de sua história, Lula atira contra a
própria obra. Pela primeira vez, o ex-presidente teme os
desdobramentos da Operação Lava Jato

Com reportagem de Claudio Dantas Sequeira
Colaborou Ludmilla Amaral
Fotos: Michel Filho / Agência O Globo, DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE; Jorge Araujo/Folhapress; Andre Penner/AP Photo, Ed Ferreira/Folhapress; Pedro França/Agência Senado; JOEL RODRIGUES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO 



INTERNACIONAL
Linhas cruzadas
10.04.2016 às 16h00






DEREK HUDSON/ GETTY

Divulgação de telefonema entre o “senhor Lula” e a “querida Dilma” expôs diferenças dos líderes e incendiou o jogo político. Como dizia Tom Jobim, “o Brasil não é para principiantes”
POR PLÍNIO FRAGA*

Uma das muitas passagens magistrais do livro do autor russo pode levar o ex-Presidente a meditar: “Os homens bons e maus são igualmente capazes de fraqueza. A diferença é que um homem mau vai ter orgulho toda a sua vida de uma boa ação, enquanto um homem honesto dificilmente vive consciente de seus bons atos, mas se lembra de um único pecado por anos a fio”.
*Foi editor de política e repórter especial dos jornais “Folha de São Paulo”, “Jornal do Brasil”, “O Globo” e da revista “Piauí”. Lança este ano uma biografia sobre o ex-Presidente brasileiro Tancredo Neves.
Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 25 março 2016




Referências

https://politica3unifesp.files.wordpress.com/2013/01/francisco-weffort-o-populismo-na-polc3adtica-brasileira.pdf
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/899/3/C-Parte%20II%20-%20Estado%20da%20Arte%20-%20completo.pdf
http://csbh.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/editora/teoria-e-debate/edicoes-anteriores/memoria-entrevista-florestan-fernandes
http://www.editoracontexto.com.br/blog/o-pt-do-poder-entrevista-com-jose-de-souza-martins-revista-veja/
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj0707200201.htm
http://istoe.com.br/424642_LULA+TREME/
http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-04-10-Linhas-cruzadas