sábado, 8 de julho de 2017

92. SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES

MEDEIROS E ALBUQUERQUE (1867-1934 | Brasil)



Durante o dia Adão Flores era um gordo como qualquer outro. Sua atividade e seu charme começavam depois das 22 horas e às vezes até mais tarde. Então era visto levando seus 120 quilos às boates, bistrôs e inferninhos da cidade, profissionalmente, pois não só gostava da noite como também vivia dela. Empresário de modestos espetáculos, era a salvação, a última esperança de cantores, mágicos, humoristas e dançarinos decadentes. Dizia que se dedicava a esses náufragos por puro espírito de solidariedade, pilhéria capaz de comover até os que não tivessem espírito boêmio. Alguns desses artistas haviam tido a sua vez no passado, pouco ou muito prestígio, até serem abandonados pelo público. Adão não abandonava ninguém, talvez devido à tão propalada bondade dos obesos.
Com o tempo, Adão Flores adquiriu outra profissão, paralela à de empresário da noite, a de detetive particular, mas sem placa na porta e mesmo sem porta, atividade restrita apenas a cenários noturnos e pessoas conhecidas. Apesar de agir esporadicamente e circunscrito a poucos quarteirões, Adão Flores começou a ganhar certa fama graças a um jornalista, Lauro de Freitas, que começava a fazer dele personagem freqüente em sua coluna, a ponto de muita gente supor tratar-se de ficção e mais nada.
Adão Flores apareceu no "Yes Club", cumprindo seu itinerário habitual. Rara era a noite em que não comparecia ao tradicional estabelecimento da Bianca, onde seus casos tinham grande repercussão, e onde a seu ver se reuniam as mais prestativas ninfetas. Mas nem teve tempo de sentar-se. Uma mulher, nervosíssima, que já o aguardava, aproximou-se dele um tanto ofegante.
- Lembra-se de mim, Adão?
- Estela Lins?! Como vai o malandrão do seu marido? Anda sumido!
- É por causa dele que estou aqui. Adão, você pode me acompanhar? Meu carro está na porta. É um caso grave.
- O que aconteceu?
- Direi tudo no carro.
Julio Barrios, mexicano, cantor de boleros, fora um dos contratados de Adão que mais lhe deram dinheiro nos quase dez anos que estivera sob contrato. Seu valor era contestado por muitos, mas até esses concordavam que o bigodudo era o mais personalíssimo intérprete de "Perfume de Gardênia", "Total", "Hoy " e "Somos". Quando o público se cansou dele, Flores levou-o às churrascarias, salões da periferia e cidades do interior, etapas do declínio de qualquer cantor. Julio não se abateu totalmente, pois enquanto tivesse uma mulher apaixonada a seu lado, podia levar a vida.
Estela dirigia atabalhoadamente um fusca em estado de desmaterialização.
- Disse que Julio está assustado?
- Disse apavorado.
- Por quê?
- Telefonemas ameaçadores.
- Quem seria a pessoa?
- Ele diz que não sabe.
- Mas você acha que sim.
- Pode ser algum traficante de drogas.
- Ora, Julio nunca mexeu com isso. Trabalhamos juntos anos a fio e nunca o vi cheirar nada suspeito. Sua obsessão sempre foi outra...
O que o empresário-detetive imaginava era a ameaça de algum marido ou amante ciumento, daí Julio não revelar nada a Estela, sua terceira ou quarta mulher desde que chegara ao Brasil. Apesar da decadência artística Julio continuava bem-sucedido nessa modalidade esportiva. Adão conhecera diversas favoritas do sultão mexicano, todas apaixonadas e dispostas a dividir com ele o que faturassem. Aliás, odiava mulheres ociosas e sempre lhes permitia a liberdade de ir e vir - ao trabalho. Assim, Estela era esteticista com boa clientela; Glória, a antecessora, possuía um sebo de livros espíritas, e Marusca, massagista com técnica própria, cuidava da coluna de uma legião de velhos generosos.
- Julio sabe que veio me buscar?
- Sabe. Disse que quer tomar um cuba-libre com você, como nos velhos tempos.
- Espero que ele não acredite muito na coluna do Lauro de Freitas. Não sou tão bom detetive assim.
- Estamos chegando.
Estela estacionou o carro diante de um pequeno edifício de três andares. O casal morava no primeiro, cujas luzes estavam acesas. Passaram por um portão de ferro, atravessaram um pequeno corredor e chegaram à porta do apartamento. A mulher abriu a porta, acendeu a luz e indicou um velho divã ao empresário. Foi se dirigindo ao interior do apartamento, anunciando:
- Adão está aqui, querido!
O empresário-detetive largou todo o seu peso numa mirrada poltrona, que protestou, rangendo. Não conhecia aquele apartamento. Julio, sempre que mudava de mulher, mudava também de endereço. Glória, por exemplo, fora ao supermercado e ao chegar em casa não o encontrara mais. Marusca não vira mais nem a sombra dele ao voltar do cabeleireiro. Julio explicava aos amigos que seu coração sensível não suportava despedidas. Alguns o elogiavam por isso.
- Quem é o senhor? - Adão ouviu de repente a voz de Estela, vinda do quarto, em tom de pavor. - O que faz aqui?
Adão levantou-se: algo de anormal acontecia. Novamente a voz de Estela, agora num grito: - Juuuulio!
Adão deu uns passos enquanto Estela aparecia à porta do quarto, tentando dizer alguma coisa. O detetive entrou precipitadamente. A primeira imagem que viu foi Julio sobre a cama, ensangüentado.
Estela apontou para a janela aberta.
- Ele fugiu!
Adão correu para a sala e Estela abriu a porta do apartamento. Os dois precipitaram-se para a rua, ela na frente. Logo adiante havia uma esquina, que o criminoso já devia ter dobrado. Estela segurou Adão pelo braço.
- Vamos socorrer Julio.
Regressaram ao apartamento. A lâmina toda de uma tesoura comprida estava enterrada nas costas de Julio. O detetive apalpou-lhe o peito. O coração já não batia nem no ritmo lento do bolero.
Enquanto a polícia não chegava, Adão dava uma olhada no quarto. Estela, em prantos, aguardava a presença do cunhado, um de seus únicos parentes. Flores notou que algumas gavetas de uma cômoda estavam abertas. O criminoso estivera procurando alguma coisa. No peitoril da janela, um pouco de terra, certamente deixada pelos sapatos do homem que saltara. E sobre o criado-mudo um copo, o último cuba-libre que Julio não terminara de beber. Sem gelo. Quem tomaria um Cuba sem gelo num calor daquele? Foi ao encontro de Estela, na sala, e a achou dobrada sobre um divã.
- Gostaria de conversar com o zelador.
- O prédio não tem zelador, apenas uma faxineira no período da manhã.
- Acha que poderia reconhecer o homem?
- Nunca mais o esquecerei - garantiu Estela. - Era baixo, troncudo e tinha os olhos puxados.
- Já o vira antes?
- Não.
Adão retornou ao quarto para dar mais uma espiada. Dali a instantes a polícia chegou: um delegado e dois tiras.
- Não mexi em nada - disse-lhes Flores. - E cuidado com o peitoril da janela. Há terra de sapato nele. Foi por onde o criminoso fugiu.
- O senhor o viu?
- Não, mas dona Estela poderá ajudar a fazer o retrato falado dele. Ela o encontrou no quarto de Julio.
O delegado encarou o detetive.
- Você não é um tal Adão Flores, metido a Sherlock?
- Sou esse tal, mas vim aqui como amigo, chamado por Estela. Julio tinha recebido uns telefonemas ameaçadores.
Adão deixou os tiras trabalharem e saiu do quarto. O criminoso saltara da janela para um corredor cimentado que rodeava o edifício. Para baixo o santo tinha ajudado, mas subir pela janela teria sido difícil. Certamente ele tocara a campainha e entrara pela porta. Antes, porém, pisara em algum jardim, como atestava a terra do peitoril. Havia jardim à entrada do edifício?
Um dos tiras apareceu à porta com uma pergunta.
- O senhor deixou uma ponta de cigarro no cinzeiro? Há duas lá, mas só uma é da marca que Julio fumava.
- Só fumo em reuniões ecológicas. O criminoso deve ter tido tempo para fumar um cigarro. Só pode ter sido ele, pois Estela não fuma.
Adão permaneceu no apartamento até a chegada da Polícia Técnica, quando Estela Lins, no bagaço, foi levada pelo cunhado, que, antes de sair, declarou com todas as letras:
- Julio bem que mereceu isso. Um vagabundo, um explorador de mulheres! A polícia não devia perder tempo procurando o assassino.
Já era madrugada quando Flores retornou ao "Yes Club". Estava cansado, que ninguém é de ferro. Contou a todos o que sucedera, recebendo em troca uma informação. Jul io Barrios a parecera por lá, naquela sema na, muito fel iz. Uma gravadora resolvera lançar um elepê com seus maiores sucessos, Recuerdos, no qual depositava muitas esperanças. Planejava inclusive pintar os cabelos para renovar o visual. Estava animadíssimo.
No dia seguinte, Adão Flores compareceu à polícia para prestar depoimento. Estela, por sua vez, estava cooperando. O retrato falado do criminoso já estava pronto e sairia em todos os jornais. O delegado, porém, já manifestava uma suspeita.
- Não gostei da cara daquele cunhado. Estela pode até estar tentando protegê- lo.
- Não creio - replicou Adão. - Era apaixonada pelo cantor.
- Mas amores passam - comentou o delegado. - Como certas modas musicais. .. Adão Flores foi ao jornal onde trabalhava Lauro de Freitas.
- Quantos quilos você pesa, Lauro?
- Acha que estou engordando?
- Que mal há nisso? Os gordos são belos.
- Setenta quilos.
- Então, venha.
- Onde?
- Você tem o mesmo peso do homem que matou Barrios, segundo declaração de Estela na delegacia.
- E isso me torna um suspeito?
- Vamos ao apartamento.
À porta do edifício, Adão identificou-se a um guarda, que vigiava o lugar desde o assassinato. Não foi fácil convencê-lo a deixar que o detetive e o jornalista entrassem no apartamento.
- Estamos aqui. E agora, Adão?
- Você vai fazer uma coisa, Lauro: saltar do peitoril da janela para o corredor. Abriram a janela e o jornalista espiou.
- Altinho. Posso sentar no peitoril?
- Não, suba nele e salte.
- E se o pára-quedas não abrir?
- Não salte ainda. Vou para a sala. Aguarde minhas ordens, então salte e corra até a entrada do edifício.
Adão voltou para a sala, deu as instruções e ficou atento. Ouviu o baque dos pés de Lauro no cimento e, em seguida, seus passos rumo ao portão. Pouco depois, Lauro voltou à sala.
- O que quer mais? Sei plantar bananeira.
- Como atleta amador você não pode ser pago. Mas vou lhe fornecer uma bela história para sua indigna coluna. Não tire os olhos de mim. Agora vamos à gravadora Metrópole.
- Por quê?
- Porque quero pôr na cadeia a pessoa que matou o melhor intérprete de "Perfume de Gardênia". Quem fez isso é meu inimigo pessoal. Não se apaga assim um parágrafo da História.
Adão e Lauro foram à gravadora, onde o detetive conversou com o diretorartístico. Sim, Barrios ia gravar mesmo um elepê. Esperavam vendê-lo para uns cem mil saudosistas. E o homem fez mais, forneceu certo endereço que Flores considerou importantíssimo.
Quando os jornais revelaram o assassino de Julio Barrios, a melhor reportagem certamente foi a de Lauro de Freitas, por dentro de tudo. Adão, claro, ficou muito orgulhoso com a literatura que o amigo deitou sobre ele. O gordo era um saco de vaidade. Naquele dia saiu cedo à rua para receber os louros. O porteiro do seu hotel de duas estrelas foi o primeiro a cumprimentá-lo com uma reverência. Logo depois gravava uma entrevista para o rádio e uma declaração para a tevê.
Mas o local onde seus casos mais repercutiam era mesmo o "Yes Club", sempre ouvidos com degustada atenção por aquela senhora de cabelos prateados e piteira longa, a Bianca, e pelo grupo de freqüentadores mais íntimos. Aí sim, Adão assumia por inteiro o phy sique du rôle de detetive internacional. Na véspera, antes de que os jornais publicassem a solução do enigma, Adão esteve lá para contar tudo em primeira mão.
- Em que momento você começou a puxar o fio da meada? - perguntou a dona da casa.
- Sou um homem do visual, da imagem - disse Flores. - Aquele cuba-libre sem gelo me chamou logo a atenção. Julio gostava de colocar verdadeiros icebergs nas suas bebidas. Como não havia mais gelo e o copo voltara à temperatura ambiente, deduzi que o crime tinha acontecido há algum tempo. Uma hora, talvez. ..
- Não me parece argumento suficiente para levar a conclusões - disse um homem, provavelmente um desses invejosos que estão em toda parte.
- Certamente não foi minha única dedução. Havia aquela tesoura, arma ocasional demais para servir a um criminoso determinado, que fazia ameaças telefônicas.
O mesmo freguês, que se recusava a bater palmas para Adão, voltou a obstar:
- Usar armas da casa é um meio para implicar inocentes. Os romances policiais sempre relatam coisas assim.
- Uma tesoura não oferece segurança - replicou Flores. - A não ser que o criminoso tivesse sido um alfaiate...
Bianca tinha outra pergunta a fazer:
- Houve roubo? As gavetas estavam todas abertas, não?
- Elas não foram simplesmente abertas, algumas estavam vazias. E sabem quem as esvaziara? O próprio Julio.
- O que havia nessas gavetas? - perguntaram. - Tóxico?
- Roupas, simplesmente roupas. Encontrei-as em uma pequena mala. Mas me deixem prosseguir. O que consolidou minhas suspeitas foi uma questão de acústica.
- Disse acústica?
- Disse. Aí o nosso Lauro ajudou muito. Seu peso equivale ao do homem visto por Estela. Fui com Lauro ao apartamento de Julio e pedi que saltasse da janela e depois corresse até o portão. Eu me plantei na sala, como na noite do crime. E ouvi perfeitamente o baque e depois os passos de seus pés no cimento. Como aquela noite eu não ouvira nada?
- Então você teve a certeza - adiantou-se Bianca.
- Faltavam ainda os motivos. Na gravadora fiquei sabendo que Barrios andava aparecendo na companhia de uma jovem, seu novo amor. E obtive o endereço dela, pois era para ela que telefonavam quando precisavam contactá- lo. Fui procurá-Ia. Estava muito assustada com tudo, mas acabou se abrindo. Ela e Barrios iam viver juntos. Apenas faltava-lhe fazer a mala.
- E a confissão, veio fácil? - perguntou Branca, equilibrada em sua piteira.
- Aconteceu na própria polícia onde fora olhar alguns suspeitos na passarela. Pretexto. O delegado já aceitara meu ponto de vista. Eu próprio lhe contei minha versão: Estela surpreendera Julio quando jogava roupas na mala para sumir. Espremeu-o. Ele confessou. Ia deixá-Ia por outra mulher. O amor é algo inesperado e o coração é fraco. Ela não gostou da letra desse bolero. Julio vivia praticamente à custa dela. Viu a tesoura sobre a mesa. Golpeou-o pelas costas. Depois do choque, pensou em livrar a cara. Havia terra numa floreira. Levou um pouco para o peitoril da janela. Deixou as gavetas abertas como estavam. E serviu um cuba-libre ao defunto. Antes ou depois lembrou-se de Adão Flores. Ele tinha mania de bancar o detetive. Julio sempre ria-se disso. Decidiu ir buscá-lo. Se o encontrasse, a encenação seria perfeita. Quanto à segunda ponta de cigarro, ela mesma esclareceu que a apanhara no "Yes", enquanto esperava pelo detetive. Queria que ficasse bem claro que outra pessoa estivera com Julio. Enquanto isso o gelo do último cuba-libre derretia, pois o cadáver não podia renová-lo.
- Ela agiu como uma perfeita atriz - comentou Bianca. - E que grande talento! Adão Flores concordou:
 - Apenas participei como ator convidado.
O ÚLTIMO CUBA-LIBRE
MARCOS REY (1925 –1999 I Brasil)

Há anos, numa resenha sobre Malditos Paulistas, para a revista Istoé, chamei-o de "Humphrey Bogart da literatura brasileira". Marcos Rey gostou da comparação. Porque há alguma coisa de filmes 8, de romances americanos "baratos" (pulp fiction) da década de 30 (Horace McCoy, por exemplo) na ficção deste paulista que, além de romancista e contista paulistano como poucos, foi roteirista de rádio, televisão (a primeira série de O Sitio do Picapa u Amarelo foi escrita por ele) e cinema. Éd os poucos brasileiros que enfrentaram o desafio de transformar a "subliteratura" em literatura. Policial e brasileira, como se vai ver.


A noite dos desesperados - Horace McCoy


They Shoot Horses, Don't They? Official Trailer #1 - Bruce Dern Movie (1969) HD


They Shoot Horses Dont They 1969


Sítio do Picapau Amarelo - 1977, "o começo"


Sítio do Picapau Amarelo -O Saci


Sítio do Pica-Pau Amarelo O Saci 1953 COMPLETO HD


Referência

file:///C:/Users/User/Desktop/Os%20100%20Melhores%20Contos%20de%20Crime%20e%20Mist%C3%A9rio%20da%20Literatura%20Universal%20-%20Fl%C3%A1vio%20Moreira%20Da%20Costa.pdf

http://blogac.me/wp-content/uploads/2016/09/sherlock.jpg

quinta-feira, 6 de julho de 2017

“Fora do mundo”


“Hoje, quem não entende que o celular é o mundo está fora do mundo”. João Doria

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Encontros musicais transcendentais...

...de Hervé Cordovil com Noel Rosa


Hervé Cordovil encontra Noel Rosa em Centro espírita

Escrito por Altamirando Carneiro


 Mas genuína parceria (letra da espiritualidade e música da Terra) ficou  também registrada na história de sua discografia – Vila Isabel no Espaço / música, Hervé Cordovil/ letra (psicografada) Noel Rosa”.

Eis a letra:
Minha “Vila” agora é outra
Muito longe da “Isabel”
Meu papel agora é doutra
Qualidade do papel
Que representei na Terra,
Andando de deu em deu,
Alma voltada pro samba,
Nada voltado pro céu!...
Se eu fizesse agora, um samba
Ia ter mais harmonia
Não teria gente bamba,
Não teria valentia,
Pois valente, nesta vila,
É aquele que perdoa,
Que padece e não estrila,
Não é rei nem quer coroa...
Se eu fizesse agora um hino...
Ah! Se um hino eu compusesse...
Começaria com sino,
Terminaria com prece,
Prece serena, tranquila...
E teria este pedaço:
“ Faça, Senhor, lá da Vila
A Vila Isabel do Espaço!”



 http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=491:herve-cordovil-encontra-noel-rosa-em-centro-espirita&catid=16:vocesabia&Itemid=2



Sr.BRASIL NOEL ROSA ESPÍRITO.VOB


100 anos de Nel



Sr. Brasil Especial - 100 Anos Noel Rosa (30 de setembro de 2010)


Debate Polêmico entre Noel e Wilson Batista



Polêmica Noel Rosa x Wilson Batista


Enviado em 15 de jun de 2011
O duelo musical protagonizado por Noel Rosa e Wilson Batista deixou obras inesquecíveis na história do samba. No vídeo, interpretação de Cristina Buarque e Henrique Cazes.
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Música
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o     




Polêmica Noel Rosa x Wilson Batista, por Monarco e Nelson Sargento | Show completo


Publicado em 25 de set de 2012
Em 11 de setembro de 2012, o IMS RJ realizou o show "Polêmica Noel Rosa x Wilson Batista, por Monarco e Nelson Sargento", no qual os sambistas interpretam as nove músicas do LP de 1956 acompanhados de Paulão 7 Cordas, Alessandro Cardozo, Vitor Mota e Netinho Albuquerque. João Máximo participou da apresentação contando a história do disco. Leia mais no Blog do IMS: https://goo.gl/BRiYMX

Este show faz parte da série produzida pelo IMS, iniciada em 2010, dedicada a grandes discos da música popular brasileira.

Direção musical, arranjos e violão: Paulão 7 Cordas
Cavaquinho: Alessandro Cardozo
Flauta e sax: Vitor Mota
Pandeiro: Netinho Albuquerque
Categoria
Música
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LP original de 1956 da Polêmica Noel Rosa X Wilson Batista



Noel Rosa e Wilson Batista - Polêmica (Completo / Original)


Publicado em 3 de set de 2014
Lançado Originalmente em 1956, com interpretações de Roberto Paiva e Francisco Egydio
sobre a polêmica surgida entre os dois compositores.
Label: Odeon / Catálogo: MODB 3.033


1 Lenço no pescoço (Wilson Batista) 
00:00
2 Rapaz folgado (Noel Rosa) 
02:30
3 Mocinho de Vila (Wilson Batista) 
05:12
4 Palpite infeliz (Noel Rosa) 
08:12
5 Frankenstein (Wilson Batista) 
11:15
6 Feitiço da Vila (Vadico, Noel Rosa) 
14:01
7 Converda fiada (Wilson Batista) 
16:58
8 João Ninguém (Noel Rosa) 
19:38
9 Terra de cego (Wilson Batista) 
22:33
Categoria
Música
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Parceria de Hervé com Noel vivo


Não Resta a Menor Dúvida
Hervé Cordovil
 

Você é uma pequena que não resta a menor dúvida
Oh dúvida!
E eu por sua causa já não pago a minha dívida
Oh dívida!
Estou só esperando que você me leve o último tostão
Pra me dar seu coração

Para possuir seu coração
Darei até meu último tostão
Pelo seu amor
Serei aviador
Irei até lamber sabão

Se acaso você não quiser
Fazer por mim aquilo que puder
Eu irei então
Trocar meu coração
Por outro coração qualquer

Composição: Noel Rosa/ Hervé Cordovil (1935)



Não Resta A Menor Dúvida - Noel Rosa


Publicado em 29 de mai de 2015
Não Resta a Menor Dúvida (Noel Rosa/ Hervê Cordovil)
Noel Rosa Pela Primeira Vez Vol.9
2000 Gravadora Galeão/Velas

A coleção idealizada e produzida por Omar Jubran contém todas as primeiras gravações das músicas que Noel Rosa fez em seus breves seis anos de atividade. Dispostas em ordem cronológica de gravação, formam um painel ideal para o estudo de sua obra (e da própria música popular de então). Por esse painel é possível observar como Noel Rosa começa seguindo a moda dos temas caipiras, depois descobre os negros do morro, como se torna seu parceiro (Ismael Silva e Cartola entre eles), como aprimora seu samba a partir daí, como se torna mais elaborado com o tempo, até morrer, com 26 anos e meio, pouco depois de compor sua obra-prima, “Última Desejo”, sinal evidente de que ainda tinha muito por criar.

ITunes: 
https://goo.gl/1iqy9K

Spotify: 
https://goo.gl/S1WCpW

Deezer: 
http://goo.gl/zu6HnV

Rdio: 
http://rd.io/x/Rl6gIFI-HIOd/

Inscreva-se no canal oficial do Gravadora Galeão: 
http://goo.gl/3Rcjfr

Letra:
Você é uma pequena que não resta a menos dúvida
Oh dúvida!
E eu por sua causa já não pago a minha dívida
Oh dívida!
Estou só esperando que você me leve o último tostão
Pra me dar seu coração

Para possuir seu coração
Darei até meu último tostão
Pelo seu amor
Serei aviador
Irei até lamber sabão

Se acaso você não quiser
Fazer por mim aquilo que puder
Eu irei então
Trocar meu coração
Por outro coração qualquer
Categoria
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"Não Resta a Menor Dúvida" por Bando da Lua ( • )

domingo, 2 de julho de 2017

Ruídos de “Juridiquês” entre Doutor “Adevogado” e “Disprovido” Cliente

Complicar não é preciso

Uma carta ao "Dotô Adevogado"
Descomplicar é preciso.
Publicado por Eloy Banzi – Advocacia


Caro Dotô.

Lhe iscrevo purque tive arguma vergonha de fala pessoarmente, mas arguma coisa sucede e priciso disabafá.

Dispois que falei meu causo, o sinhô disse que pricisava entrar com uma tar de ação. Pircebi que o sinhô intendia bem do que tava falando, purque sempre falô umas coisas bunita e difícil. Mas ai que tá, dotô. Fiquei tão basbacado com as palavra difíciu, que saí só sorriso do iscritório, mas quando cheguei em casa, pircibi que que saí rindo, mas num intendi nada de nada.

A muié me pregunto como que foi com o Dotô, eu disse que foi tudo bem, que o dotô é muito bão e ia resorvê nossa pendenga. Mas aquilo fico dentro de mim, num intendi e resorvi lhe pregunta.

Te liguei quele dia, lembra? Pidindo umas expricação. O sinhô falô bunito dinovo, otra veiz fiquei bobo, mas o pobrema, Dotô... É que num intendi nada traveis. O sinhô falô que pricisava fazê um tal de piticionamento, que ia despacha arguma coisa. Fiquei té preocupado, num sabia que o dotô mexia com essas coisa de despacho não.

Então dotô, assim foi toda veiz que a gente se falava, o sinhô expricava e eu num intendia nadica. Pensei em ir ai traveis, mas imaginei que ia contecê dinovo. Ai eu resorvi te manda essa carta, purque anssim o sinhô pode se prepara mió pra lidá com eu.


Discurpa a dificurdade dotô, mas vô gradece muito se o sinhô pudesse expricá mais simpres pra nóis. Sei que o sinhô sabe fala bunito por dimais, mas comigo num carece disso não... Priciso msm só sabê pra que serve essa tar de ação.

Disponível em:
https://ebanzi.jusbrasil.com.br/artigos/473535759/uma-carta-ao-doto-adevogado?utm_campaign=newsletter-daily_20170701_5545&utm_medium=email&utm_source=newsletter
Acesso em:
02/07/2017

A LINGUAGEM JURÍDICA E A COMUNICAÇÃO ENTRE O ADVOGADO E SEU CLIENTE NA ATUALIDADE¹
Suzana Minuzzi Reolon

RESUMO

O presente trabalho foi idealizado em função de sua extrema relevância para qualquer pessoa que pretenda ingressar no mundo jurídico. São apresentadas questões básicas a respeito da linguagem jurídica e de como se dá a comunicação no meio jurídico, especialmente a realizada entre o advogado e seu cliente na atualidade. Como é a partir desse primeiro contato entre o advogado e seu cliente que nasce uma pretensão a uma atividade jurisdicional, é importante que seja estabelecido entre eles uma compreensão de parte a parte. E o principal instrumento para que essa comunicação seja concretizada de uma forma eficaz, pode-se dizer que depende da habilidade do advogado em fazer uso de sua principal ferramenta que é a palavra. Para isso, foram abordadas de uma forma geral, questões relativas à linguagem e à comunicação, tendo em vista uma abordagem mais específica relativa ao processo de comunicação entre o advogado e seu cliente.

Palavras-chave: Linguagem Jurídica. Comunicação Jurídica. Entrevista com o Cliente. “Juridiquês”.

1 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Aprovação, com grau máximo, pela banca examinadora composta pelo orientador Prof. Moacir Costa de Araújo Lima, Prof. João Carlos Krahe e Prof. Álvaro Vinícius Paranhos Severo, em 17 de novembro de 2010.

‘1 INTRODUÇÃO

O Direito é a ciência social que está presente no cotidiano da vida das pessoas, mesmo que elas não percebam: seja na hora do nascimento de uma vida humana, seja quando faz uma compra numa loja, seja quando paga seus impostos, seja quando ocorre um acidente de trânsito, seja quando há uma briga entre vizinhos, seja na hora da morte de um ente querido, apenas para exemplificar. Dependendo do acontecimento, este será “encaixado” em algum ou alguns dos ramos do Direito.

O Direito, por ser uma ciência interdisciplinar que se comunica principalmente com a filosofia, a sociologia, a política, a ética, a linguagem dentre outras, torna-se um elemento de evolução da própria história de um país. Daí a importância do conhecimento e de toda uma postura dos operadores do direito, como protagonistas deste processo de evolução.

O principal instrumento que o advogado vai usar para se comunicar é a linguagem, sua única “arma” para que possa concretizar seu conhecimento e interagir com seus clientes e também com os demais operadores do Direito. A linguagem utilizada pelo advogado, por ser muito técnica, pode dificultar a comunicação entre o advogado e seu cliente, pois o cliente, nem sempre, ou na maior parte das vezes, tem qualquer conhecimento jurídico (e nem deve ter, por isso contrata um advogado). O advogado, por sua vez, pode não perceber que a comunicação está falhando ou mesmo não está acontecendo. Este trabalho não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas pretende fazer uma análise de alguns principais pontos para que a comunicação seja um pouco mais efetiva entre os operadores do direito, especialmente entre o advogado e seu cliente, ponto de partida da maior parte das lides.

Não se pode perder de vista que o cliente de um advogado pode ser uma pessoa natural, com o mais variado grau de instrução e de entendimento a respeito do mundo, como também uma pessoa jurídica, também com uma variedade infinita de características próprias, de acordo com a área de atuação no mercado. Claro que, mesmo sendo uma pessoa jurídica, será representada também por uma 3 pessoa natural, que trará toda uma bagagem de conhecimento bastante diversificada. Mais uma vez, o papel do advogado torna-se complexo justamente por essa necessidade de interação com um público que pode variar bastante em seu aspecto social, cultural, econômico e político.

Desta forma, os operadores do Direito, desde o início da sua formação, devem dar uma atenção especial ao estudo da nossa Língua Portuguesa, para que haja uma contribuição efetiva no sentido de que o Direito seja um pouco mais acessível a todos. Os estudantes de Direito, unidos com suas entidades formadoras tem essa responsabilidade, uma vez que faz parte do papel desses profissionais, como transformadores da sociedade, se fazerem entender por todos.

Este trabalho foi dividido em três partes para facilitar a abordagem do assunto. A primeira delas vai falar sobre a linguagem jurídica, focando especialmente o Português Jurídico, mostrando alguns conceitos importantes a respeito de linguagem e suas peculiaridades no contexto do Direito. Outro ponto interessante é o uso do vocabulário jurídico em que o uso excessivo de determinados termos técnicos acabam levando o profissional do Direito ao não entendimento pelo seu público - é o tão conhecido “juridiquês”. Logo em seguida, é feita uma abordagem a respeito dos níveis de linguagem. O último assunto desta parte é sobre a função da linguagem jurídica para os operadores do Direito, completando, dessa forma, o que pode ser entendido como algumas noções básicas sobre linguagem jurídica.

Na segunda parte, passa-se ao estudo de alguns pontos sobre comunicação que mostrarão a importância do tema no mundo jurídico. O significado da semiótica e os elementos da comunicação serão apresentados sob uma visão mais ampla num primeiro momento para em seguida mostrar como se dá o processo da comunicação l na ótica dos operadores do Direito.

Na segunda parte, passa-se ao estudo de alguns pontos sobre comunicação que mostrarão a importância do tema no mundo jurídico. O significado da semiótica e os elementos da comunicação serão apresentados sob uma visão mais ampla num primeiro momento para em seguida mostrar como se dá o processo da comunicação l na ótica dos operadores do Direito.

Por último, e não menos importante, está a parte lúdica, digamos assim, do trabalho, pois são colocados alguns exemplos do que é encontrado no mundo jurídico atual, onde ficam evidentes as dificuldades no uso da linguagem. São alguns exemplos práticos do que deve (ou não deve) fazer um operador do direito’

Disponível em:
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2010_2/suzana_reolon.pdf
Acesso em:
02/07/2017

Referências

Disponível em:
https://ebanzi.jusbrasil.com.br/artigos/473535759/uma-carta-ao-doto-adevogado?utm_campaign=newsletter-daily_20170701_5545&utm_medium=email&utm_source=newsletter
Acesso em:
02/07/2017

Disponível em:
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2010_2/suzana_reolon.pdf
Acesso em:
02/07/2017