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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Fritos e Sapecados em Grampos

Sugestões de Reflexões

Do Velho para o já não tão Novo assim 

"Monstro" para presidente em exercício
“Calma Sertaneja” para Ministro frito em grampo
“Bom dia” para Presidente suspensa

Voltando a JK, HB, EG
Indo com MT, RJ, DR

Quem Seguirá?


Gravações indicam ação de Renan e Sarney para interferir na Lava Jato:

Assista a Reportagem do Bom dia Brasil de 26/05/2016 a seguir no link:




Áudios têm forte repercussão no Congresso:

Assista a Reportagem do Bom dia Brasil de 26/05/2016 a seguir no link:









Batuque de Dirceu (0:36– 1:06)
A fita vazou: José Dirceu em reunião secreta


Eles são de confiança absoluta...
Mas não existe confiança absoluta porque a fita do Lula sobre Pelotas acabou na nossa...
Vai nessa.
Se você soubesse aonde eu tô.
Se você soubesse o que eu tenho das outras campanhas, você não falaria isso.
É, Gilberto Carvalho.
Para com isso.

Tem gente dentro da nossa campanha.




“A eleição do ano passado soltou o monstro. Tudo dependerá dele. Ele influenciará tudo. Ele está em todos os lugares”. JK, 15/07/1975 

No dia 15 de julho de 1975 o ex-presidente Juscelino Kubitschek almoçava no restaurante da diretoria do Jornal do Brasil. Pediram-lhe um prognóstico para a situação política, e ele respondeu: “A eleição do ano passado soltou o monstro. Tudo dependerá dele. Ele influenciará tudo. Ele está em todos os lugares”.   Para conferir a onipresença do “monstro”, curvou-se, olhando embaixo da mesa, como se o procurasse.   Quem é o monstro?   “A opinião pública”, disse JK.   O resultado da eleição de 1974 encurralou a ditadura. O MDB vencera as disputas para senador em dezesseis dos 21 estados, indicando que dentro de quatro anos conquistaria a maioria no Senado.   Um ano depois do almoço de JK no Jornal do Brasil, o “monstro” soltou- se no Rio de Janeiro e em Brasília. Cantando “Peixe vivo”, o povo voltou à rua, enterrando o ex-presidente com afeto e lamento.   A ditadura militar estava economicamente robusta. Num regime de pleno emprego, a economia crescia, na média, a taxas de quase 7% ao ano. Também tinha prestígio internacional. Faltava só a Argentina para que toda a América do Sul abaixo do Equador fosse governada por generais. Em março de 1976 uma junta instalou-se na Casa Rosada, e acabou-se a exceção.   Entre as últimas semanas de 1974 e a jornada de 12 de outubro     de 1977, quando Ernesto Geisel demitiu o ministro do Exército, general Sylvio Frota, a anarquia militar e o poder republicano do presidente enfrentaram-se. Era o confronto que o regime evitava desde 1964. À noite, quando Frota transmitiu o cargo ao seu sucessor, Fernando Bethlem, a anarquia estava enquadrada. Coube ao general Ernesto Geisel a defesa do poder constitucional. Logo ele, que participara das desordens militares de 1922, 24, 30, 37, 45, 61, 64, 65, 68 e 69.2 De 12 de outubro de 1977 até o dia em que se escreveu esta Explicação, passaram-se 26 anos. Nunca, na história da República, se viveu tanto tempo sem desordem militar digna de registro. Quando o general Ernesto Geisel morreu, em 1996, sabia a extensão desse legado.   Orgulhava-se dele, mas não gostava de discutir o assunto. Temia fazer uma das coisas que mais detestava: falar bem de si próprio.




“Eu nunca deixei de dizer o que achava. A gente sabia que eles ouviam. Ia-se fazer o quê? Parar de falar?”. HB




Tive também a amizade e a ajuda de Humberto Barreto, o fiel amigo de Geisel, seu secretário de Imprensa entre 1974 e 1977.   Humberto foi um personagem discreto e fundamental em quase todas as grandes crises do governo de Geisel. Passeava pelas ansiedades alheias com uma calma sertaneja que por vezes parecia temerária. Ela se amparava na fé que tinha no amigo. Passados trinta anos, Humberto não manifesta emoção alguma quando lhe contam que, em 1976, tentaram fritá-lo com uma transcrição de grampo de seu telefone: “Eu nunca deixei de dizer o que achava. A gente sabia que eles ouviam. Ia- se fazer o quê? Parar de falar?”.





“Bom-dia”. EG, Agosto, 1976

Cheguei ao canteiro de obras logo cedo, no início da manhã, docemente embalado pela ilusão de que poderia, quem sabe, arrancar uma mísera frase de um presidente que não queria conversa com jornalista.

Devidamente credenciado, desembarquei no canteiro como repórter da sucursal Nordeste do jornal O Estado de S. Paulo. O terreno estava quase livre de concorrentes. Se o general me concedesse a graça de uma declaração, eu sairia dali com uma manchete exclusiva no meu gravador. Tudo o que o homem dizia era notícia: cada palavra que o general pronunciava valia ouro no mercado jornalístico.

A chance de abordar o Grande Mudo da República estava ali, ao alcance da mão. Era só partir para o ataque e correr para o abraço. Ilusão. O general passa por nós com aquele porte imperial que o marcava. O estrabismo de Ernesto Geisel causava uma sensação incômoda a quem o encarava: não se sabia exatamente para quem ele estava olhando.

O general me encara ao passar pelo pequeno grupo de repórteres presentes. Tento dirigir-lhe a palavra. Em vão. O quarto dos generais- presidentes do regime militar pronuncia, então, a única frase dirigida a um jornalista naquela manhã. As seis letras fatais: “Bom-dia”. Sem dar tempo a qualquer réplica, segue em frente. Fracasso, fracasso, fracasso.

O Brasil vivia um tempo em que os repórteres tentavam decifrar, nas feições dos generais, uma pista sobre o que eles estavam pensando. A escassez de declarações era tanta que até aquele lacônico “bom-dia” do general aos repórteres acabou publicado nos jornais – foi o que O Globo fez, ao noticiar, na edição de 21 de agosto de 1976, a passagem do general Geisel pelo canteiro de obras da barragem.





Edição do dia 26/05/2016
26/05/2016 07h42 - Atualizado em 26/05/2016 08h00
Conversas indicam tentativa de livrar políticos das investigações.
Sarney diz que delação da Odebrecht seria letal como metralhadora.

Novas gravações feitas por um político próximo à cúpula do PMDB: as conversas com três líderes indicam a tentativa de livrar políticos das investigações. Sérgio Machado tenta comprometer seus ex-aliados. Em Brasília, o nome de Sérgio Machado anda dando vertigem em muito político.
Desta vez o jornal ‘Folha de S.Paulo’ divulgou trechos de conversa entre Sérgio Machado e o ex-presidente José Sarney. Na gravação, os dois mostram insatisfação com as decisões do juiz Sérgio Moro e com uma possível delação da empreiteira Odebrecht, que de acordo com Sarney, seria letal como uma metralhadora.
Reportagem do jornal ‘Folha de S.Paulo’ diz que na conversa com Sérgio Machado, Sarney disse que uma delação premiada que a empreiteira Odebrecht estaria prestes a fazer é uma metralhadora de calibre ponto 100. O ex-presidente teria feito o comentário depois que Machado afirmou que número de delações na Lava Jato iria aumentar "às pencas".
Sarney também relacionou a Odebrecht a uma ação que a presidente afastada, Dilma Rousseff, teria feito diretamente. Ele disse: "Nesse caso, ao que sei, o único em que ela está envolvida diretamente é que falou com o pessoal da Odebrecht para dar para a campanha do...”.
Na conversa com Sérgio Machado, o ex-presidente mostrou preocupação com a prisão do senador Delcídio do Amaral, decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Os dois falam sobre a prisão de Delcídio.
Sérgio Machado critica o juiz Sérgio Moro: “O cara agora seguiu aquela estratégia de ‘deslegitimizar’ as coisas. Agora não tem ninguém mais legítimo para falar mais nada. Pegou o Renan, pegou o Eduardo, desmoralizou o Lula. Agora a Dilma. E o Supremo fez essa suprema..., rasgou a Constituição”, disse.
O ex-presidente Sarney complementa: “Foi. Fez aquele negócio com o Delcídio. E pior foi o Senado se acovardar de uma maneira”, em uma referência à autorização dada pelo Senado para a prisão de Delcídio.
Sérgio Machado afirma que o Senado não podia ter aceito aquilo não e Sarney diz: “Não podia, a partir dali ele acabou. Aquilo é uma página negra do Senado. Porque não foi flagrante delito. Você tem que obedecer a lei”, afirma Sérgio Machado.
E Sarney prossegue: “Não tinha nem inquérito!”.
Em outro trecho, o ex-presidente comenta a decisão do Supremo de mandar soltar Delcídio: “E agora o Teori acabou de desmoralizar o Senado porque mostrou que tem mais coragem que o Senado, manda soltar”, disse Sarney.
Sérgio Machado conclui: “Presidente, ficou muito mal. A classe política está acabada. É um salve-se quem puder. Nessa coisa de navio que todo mundo quer fugir, morre todo mundo”.
E foi para tentar salvar o próprio navio, ou para não deixá-lo afundar de vez, que o ex-presidente da Transpetro entregou aos investigadores da Lava Jato gravações de conversas dele com integrantes da cúpula do PMDB.
O ministro do Supremo Teori Zavascki homologou a delação de Sérgio Machado. Foi um recado para todos os políticos de que não tem como parar a Lava Jato. O Bom Dia Brasil teve acesso a novos trechos da delação.
Sérgio Machado era considerado pelos investigadores o caixa da cúpula do PMDB, mas ele afirmou em várias conversas que não havia provas que ligassem nenhum dos líderes do partido ao esquema e pediu ajuda para evitar que novas delações surgissem ou que o juiz Sérgio Moro o pressionasse a falar.
Em uma conversa do dia 10 de março, o ex-presidente Sarney disse que ajudaria Machado a não ser preso.
José Sarney: Isso tem me preocupado muito porque eu sou o único que não tive num negócio desse, sou o único que não tive envolvido em nada. Vou me envolver num negócio desse.
Sérgio Machado: Claro que não, o que acontece é que a gente tem que encontrar, me ajudar a encontrar a solução.
José Sarney: Sem dúvida.
Sérgio Machado: No que depender de mim, nem se preocupe. Agora, eu preciso, se esse p... me botar preso um ano, dois anos, onde é que vai parar?
José Sarney: Isso não vai acontecer. Nós não vamos deixar isso.
Um dia depois, em uma conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros, Sérgio Machado reclama do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Diz que ele trabalha para que Machado seja julgado pelo juiz Sérgio Moro. Renan diz que isso não pode acontecer.
Sérgio Machado: O que eu quero conversar contigo... Ele não tem nada de você, nem de mim. O Janot é um ... da maior, da maior.
Renan Calheiros: Eu sei. Janot e aquele cara da... Força tarefa...
Sérgio Machado: Mas o Janot tem certeza que eu sou o caixa de vocês. Então o que ele quer fazer. Não encontrou nada e nem vai encontrar nada. Então quer me desvincular de você. Ele acha que no Moro, o Moro vai me prender, e ai quebra a resistência e aí ... Então, a gente precisa ver, andei conversando com o presidente Sarney, como a gente encontra uma... Porque se me jogar lá embaixo eu estou ...
Renan Calheiros: Isso não pode acontecer.
Em um outro trecho também no dia 10 de março, Sérgio Machado sugere que o grupo se aproxime do relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki. Sarney cita o nome do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Cesar Asfor Rocha, que teria - segundo Sarney - proximidade com Teori e diz que vai falar com ele sobre isso.
  Sérgio Machado:  Porque realmente se me jogarem para baixo ai... Teori, ninguém consegue conversar.
  José Sarney:   Você se dá com o Cesar?
  Sérgio Machado   :  Hum.
 José Sarney:  Cesar Rocha.
 S érgio Machado: Dou, mas o Cesar não tem acesso ao Teori não. Tem?
José Sarney: Tem total acesso ao Teori. Muito, muito, muito, muito acesso, muito acesso. Eu preciso falar com Cesar. A única coisa com o Cesar, com o Teori é com o Cesar.
Machado também gravou uma conversa em que estavam presentes Sarney e Renan juntos. Foi no dia 11 de março. O tema ainda é como ter acesso ao Teori. Desta vez, através do advogado Eduardo Ferrão, que também seria amigo do ministro.
José Sarney: O Renan me fez uma lembrança que pode substituir o Cesar. O Ferrão é muito amigo do Teori.
Renan Calheiros: Tem que ser uma coisa confidencial.
Sérgio Machado: Só entre nós e o Ferrão.
O fato de que Sérgio Machado se viu obrigado a fazer uma delação premiada para escapar da cadeia é indicativo de que não surtiram efeito as tentativas de influenciar Teori por meio de Cesar Asfor Rocha e Eduardo Ferrão.
As conversas também mostram que houve negociações para alterar leis e tentar prejudicar a Lava Jato como um todo. Com Sérgio Machado, Sarney fala de uma medida provisória sobre acordo de leniência que o governo Dilma baixou para facilitar que empresas admitam culpa e possam voltar a fazer negócios com o setor público. Depois de protestos do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público, a medida provisória foi substituída por um projeto de lei bem mais rígido.
Sérgio Machado: Outro caminho que tem que ter. É a aprovação desse projeto de leniência na Câmara o mais rápido possível, porque aí livra o criminal. Livra tudo.
José Sarney: Tem que lembrar o Renan disso. Para ele aprovar o negócio da leniência.
Renan e Sarney conversaram também sobre proibir que pessoas presas façam delações premiadas, uma ideia que prejudicaria a Operação Lava Jato, já que algumas delações foram fechadas por suspeitos presos.
José Sarney: O importante agora, se nós pudermos votar que só pode fazer delação, é só solto.
Renan Calheiros: Que só pode solto, que não pode preso. Isso é uma maneira sutil que toda sociedade compreende que isso é uma tortura.
Segundo investigadores, as tentativas de mudança na lei das delações premiadas e a medida provisória da leniência faziam parte de um plano para enfraquecer a Lava Jato.
Em outra conversa com Sérgio Machado, em que foi discutida a delação de executivos da Odebrecht, o ex-presidente José Sarney cita uma tentativa de acordo geral para barrar a operação.
José Sarney: A Odebrecht... Ele vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula. E vão pegar a Dilma. Porque foi com ele, quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela. Então eles vão fazer. Porque isso tudo foi muito ruim pra eles. Com isso não tem jeito. Agora precisa se armar. Com vamos fazer com essa situação? A oposição não vai aceitar. Vamos ter que fazer um acordo geral com tudo isso.
Sérgio Machado: Inclusive com o Supremo. Disse com o Supremo, com os jornais, com todo mundo.
José Sarney: Supremo, não pode abandonar.
Apesar das conversas para tentar evitar que a Lava Jato chegasse até a cúpula do PMDB, Sérgio Machado fechou um acordo de delação premiada em que fez justamente o oposto: entregou várias gravações de conversas em que compromete ex-aliados. Ou seja, a tentativa de interferir nas investigações não deu certo.
Além de entregar as gravações de conversas, Sérgio Machado já fez depoimentos em que fala sobre o envolvimento de políticos no esquema de corrupção na Petrobras. A partir de agora, o procurador pode pedir abertura de investigações a partir das declarações, mas isso não tem prazo para acontecer.
“Sem dúvida há gravidade nesses fatos. Mais uma vez revela-se tentativa de comprometer a ação de investigadores e julgadores da Operação Lava Jato. Mas o que se revela também é que é uma tentativa que se frustra porque a Operação Lava Jato prossegue de forma ininterrupta e irresistível e irá até o fim. Os avanços devem ser consagrados e não devemos permitir retrocessos. Me refiro à delação premiada e à prisão com condenação em segunda instância”, disse o senador Álvaro Dias.
O Instituto Lula declarou que o diálogo citado é fruto de mais um vazamento ilegal que confirma o clima de perseguição contra o ex-presidente. Afirmou, ainda, que a conversa não traz nada contra Lula e que ele sempre agiu dentro da lei e que, por isso, não tem nada a temer.
A defesa da presidente afastada Dilma Rousseff disse que ela jamais pediu qualquer tipo de favor que afrontasse o princípio da moralidade pública.
A defesa de Sérgio Machado voltou a dizer que os autos são sigilosos e que, por isso, não pode se manifestar.
O ministro Teori Zavascki não vai comentar o conteúdo dos áudios.
O ministro aposentado Cesar Asfor Rocha disse que tem uma relação de respeito com Sarney, mas afirmou que nunca foi procurado por ele para tratar de assuntos relacionados à Lava Jato. Destacou que também nunca foi procurado por Renan e nem por Sérgio Machado. Asfor Rocha ressaltou ainda que Teori é um juiz seríssimo e extremamente reservado, com quem tem boa relação, mas passou a vê-lo pouco após a Lava Jato.
O Bom Dia Brasil não conseguiu contato com o advogado Eduardo Ferrão.






quarta-feira, 25 de maio de 2016

Na Escolinha do Professor Temer

Virando a página com mesóclise e batida de mesa

Aqueles que quiserem esbravejar façam-no o quanto quiserem mas pela via legal, pela via democrática. Até com nosso aplauso.

Nós somos como JK. Nós não temos compromisso com equívoco.

Meus caros, quando eu perceber que houve um equívoco na fala, um equívoco na condução do governo, eu reverei essa posição.

Não tem essa coisa de não errei, não aceito errar.

Posso ter errado.

Procurarei não errar.

Mas se o fizer consertá-lo-ei.



Nat King Cole Fascination Legendado


Virando a página


Trailer Oficial - Virando a Página - estreia em 25/6 em SP e no RJ


Batida de mesa


batida de mesa



Mesóclise


Colocação Pronominal (Próclises, ênclises e mesóclises) - Parte 3



Edição do dia 24/05/2016
24/05/2016 20h42 - Atualizado em 24/05/2016 21h05
Ele passou por seu primeiro teste no Congresso: votação da meta fiscal.
Presidente em exercício convocou ministros a não cair em provocações.


Clique para assistir a reportagem no link a seguir:



O presidente em exercício, Michel Temer, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciaram nesta terça-feira (24) uma série de medidas para tentar recuperar a economia. O anúncio foi feito numa reunião com aliados políticos.

Temer aproveitou para falar também sobre o governo dele, e repetiu que não vai interferir nas investigações da Lava Jato.
A reunião foi no Palácio do Planalto. Uma conversa do presidente em exercício com deputados e senadores de partidos aliados. Temer pontuou que seu governo é de coalizão, no dia de seu primeiro teste no Congresso: a votação da nova meta fiscal.

“E esse será o primeiro teste, de um lado do governo, de outro lado, do Legislativo, para relevar aos brasileiros que nós estamos trabalhando, e que nós estamos exercendo regularmente as nossas funções. É que as coisas estão postas de uma maneira que todos querem testar as instituições nacionais. Lamento dizer que muitos que até propuseram a modificação da meta, hoje anunciam que vão tentar tumultuar os trabalhos para impedir a votação. Isso revela aos olhos de quem vê o país como uma finalidade, e não um governo ou um partido político, revela a absoluta discordância com a tranquilidade institucional do nosso país”, afirmou Temer.
O presidente em exercício convocou seus ministros a não cair em provocações e manter o foco:

“Nós temos sido vítimas de agressões. Eu sei como funciona isso, uma agreessão psicológica para ver se amedronta o governo. Nós não temos a menor preocupação com isso. Nós não temos que dar atenção a isso, nós temos que cuidar do país. Aqueles que quiserem esbravejar façam-no o quanto quiserem, mas pela via legal, pela via democrática, até comm o nosso aplauso”.
Entre os parlamentares, o senador Romero Jucá, afastado na segunda (23) depois do vazamento de um áudio em que, entre outras coisas, comenta que o impeachment de Dilma pararia com a sangria provocada pela Operação Lava Jato. Diante dele, Temer rebateu o discurso de que seu governo busca dificultar investigações. 
“Nós não vamos impedir a apuração com vistas à moralidade pública, à moralidade administrativa. Ao contrário, nós vamos sempre incentivá-la. Eu tenho dito isso com uma frequência inaudita, mas, por mais que diga, eu vejo que muitas vezes sai uma notícia: ‘Ah, tem um esquema pra fazer isso, pra fazer aquilo’. Nós não queremos isso, ninguém quer. Penso que nem os nomes que de vez em quando são apontados também o querem. Desejam sim, no estado democrático de direito, em defesa, farão sua defesa, mas nada que o governo possa interferir”, declarou Temer.
O presidente em exercício lamentou também a intolerância que prejudica o Brasil:
“Nós precisamos pacificar, harmonizar o país. O país não pode ficar nessa situação, porque ‘ah, porque acontece isso, porque eu faço isso, faço aquilo’, não pode, não. Eu acabei de ressaltar as vantagens da oposição, mas não podemos permitir a guerra entre brasileiros, a disputa quase física. Isto é inadmissível. Nós temos os olhos voltados para toda a comunidade nacional. Não é sem razão. Em muitas e muitas ocasiões, eu tenho reiteradamente afirmando que, enquanto houver pobreza no país, nós temos que ter os nossos olhos voltados precisamente para esta categoria”.
Antes de pontuar as primeiras medidas de seu governo, Temer reafirmou o compromisso com o diálogo e disse que não tem compromisso com o erro.

“As pessoas se acostumaram a quem está no governo não pode voltar atrás. Quem está no governo, se errou, tem que ter compromisso com o erro. Nós somos como JK, nós não temos compromisso com o equívoco; portanto, quando houver algum equívoco governamental, nós reveremos este fato, de modo que eu vi aqui: ‘Bom, mas o Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar’. Conversa! Eu fui secretário da Segurança Pública duas vezes em São Paulo, e tratava com bandidos. Então eu sei o que fazer em um governo, e saberei como conduzir. Agora, meus caros, quando eu perceber que houve um equívoco na fala, um equívoco na condução do governo, eu reverei essa posição. Não tem essa coisa eu não errei, eu aceito ter errado. Eu posso errar, mas se o fizer, consertá-lo-ei”, disse.

Em 13 dias de governo, Michel Temer tem provado que é bastante capaz de recuos. Por insustentável, abriu mão de Romero Jucá no ministério; por causa de protestos, desistiu de acabar com o Ministério da Cultura; criticado, se apressou em nomear duas mulheres em sua equipe. Mas toda essa flexibilidade tem a ver com a urgente necessidade de apoio popular e de votos no Congresso. Agora, mais do que nunca, para garantir a aprovação das medidas de enfrentamento da crise econômica.














Descalço com Kim Novak


"Ninguém mais antipresidencial. Ele trouxe a gargalhada para a presidência. Nenhum outro chefe de Estado, no Brasil, teve essa capacidade de rir – e nos momentos mais inoportunos, menos indicados. Dir-se-ia que ele tinha sempre um riso no bolso, riso que ele puxava, escandalosamente, nas cerimônias mais enfáticas. Os outros presidentes têm sempre a rigidez de quem ouve o Hino Nacional. Cada qual se comporta como se fosse a estátua de si mesmo. Não Juscelino. Quando ele tirou os sapatos para Kim Novak (que achado genial! que piada miguelangesca!), ele foi o antipresidente, uma espécie de cafajeste dionisíaco. Eu diria que jamais alguém foi tão brasileiro. O novo Brasil é justamente isso: – um presidente que tira os sapatos para uma beleza mundial." (Nelson Rodrigues no jornal Brasil em Marcha, 10/2/1961)






Informal, mas nunca vulgar, Juscelino Kubitschek tinha hábitos simples – um dos quais, tirar os sapatos, fazia a delícia dos fotógrafos. Teria, quando jovem, machucado um dedo, e sempre que podia liberava os pés – os pés que lhe valeram fama de exímio dançarino. Mesmo que fosse em presença de uma beldade como a atriz americana Kim Novak, em cuja companhia foi fotografado – ambos descalços, numa cena que inspirou bela página do escritor Nelson Rodrigues.
Filho de Diamantina, adorava serenata, em especial quando se cantava o "Peixe vivo", canção folclórica que acabou se convertendo numa espécie de hino com que Juscelino era saudado em toda parte. Em 1968, por iniciativa do amigo e antigo assessor Serafim Jardim, gravou texto de apresentação para um disco – JK em serenata – de seresteiros diamantinenses. Gostava do "Apesar de você" de Chico Buarque. E de "Fascinação", que pediu para Nat King Cole tocar e cantar para ele no Palácio do Catete, certo dia de 1959.
Flexível, não se acanhava de mudar de idéia quando necessário: "Não tenho compromisso com o erro", insistia. E, se alguma coisa não dava certo – sua tentativa de entrar para a Academia Brasileira de Letras, por exemplo –, não se deixava abater: "Vamos virar essa página", dizia. Virou muitas.



Significados

Significado de mesóclise
s.f. Gramática Colocação de pronomes pessoais átonos, presos por hífens, entre o infinitivo e as desinências, no futuro do presente e no futuro do pretérito: ajoelhar-me-ei, informá-lo-ia, dar-vo-la-íamos, falar-te-á. (Sin.: tmese.)
Fonte: Dicio





"Não adianta só virar a página, muitas vezes precisamos rasgá-la."









Batida na mesa

Eu vi isso no filme Lucky You com o Eric Bana e Robert Durvall. Assim que um jogador que perdeu todas as fichas sai da Mesa, o que ganhou dá 2 batidas/socos e o que perdeu retorna com 1 batida. Qual o significado?
Atualizar: Vou detalhar: Eu sei que quando alguém dá batidas/soquinhos na mesa, está dando "Check" ou passando. Porém, no filme "Luck you", creio que seja algo dos americanos mesmo, pois quando 2 jogadores vão pra "All In" por exemplo, depois de já ter ganho todas as fichas, o ganhador dá 2 batidas na mesa, e o jogador que perdeu retorna com apenas uma batida. Creio que seja um sinal de respeito ou de boa jogada.





Lucky You Trailer (2007)



Lucky You

There's a little girl
in this little town
with a little too much heart
to go around
Live forever,
never say never
You can do better,
that's what she says

Mama named her Lucky
on a starlight night
A rabbit foot in her pocket,
she dances in spite of
The fact that she's different
and yet she's the same
And she says do do do do do do
do do do do do do do do
do do do do do do do do
Lucky you, lucky you
Do do do do do do do do

She sings her little songs
She walks a long a little
Halfway headed for the skies
Left to travel,
lives they unravel
Mind over matter,
that's what she says

Mama named her Lucky
on a starlit night
A rabbit foot in her pocket,
she dances in spite of
The fact that she's different
and yet she's the same
And she says do do do do
do do do do do do do do
do do do do do do do do do do do
Lucky you, lucky you, lucky you
do do do do do do do do do
do do do do do do do do do do do

Maybe she'll sing you do do do
Maybe she'll bring you
into the skies
Honey, she'll love you
Funny how some view
angels above you,
aint so far away.

Mama named her Lucky
on a starlit night
A rabbit foot in her pocket,
she dances in spite of
The fact that she's different
and yet she's the same
And she says do do do do
do do do do do do do do
do do do do do do do do do do
Lucky you, lucky you

Sorte Sua

Há uma pequena garota
Nesta pequena cidade
Com um coração muito pequeno
Para ir em volta
Vive para sempre
Nunca diz nunca
Você pode fazer melhor
Que é o que ela diz

Mãe chama ela de Sorte
Em uma noite estrelada
Um pé de coelho em seu bolso
Ela dança em rancor
O fato que ela está diferente
E ainda ela está a mesma
E ela diz do do do do do do
Do do do do do do do do
Do do do do do do do do
Sorte sua, Sorte sua
Do do do do do do do do

Ela canta suas músiquinhas
Ela anda um longo um pequeno
Meio caminho conduzida pelo céu
Deixe viajar
A vida deles é desenredar
A mente novamente se importa
Que é o que ela doz

Mãe chama ela de Sorte
Em uma noite estrelada
Um pé de coelho em seu bolso
Ela dança em rancor
O fato que ela está diferente
E ainda ela está a mesma
E ela diz do do do do do do
Do do do do do do do do
Do do do do do do do do
Sorte sua, Sorte sua
Do do do do do do do do
Do do do do do do do do do do do

Talvez ela cantará você do do do
Talvez ela trará você
No céu
Querido, ela te amará
Engraçado como alguma vista
Anjos em cima de você
Não é tão longe

Mãe chama ela de Sorte
Em uma noite estrelada
Um pé de coelho em seu bolso
Ela dança em rancor
O fato que ela está diferente
E ainda ela está a mesma
E ela diz do do do do do do
Do do do do do do do do
Do do do do do do do do
Sorte sua, Sorte sua



Chico Buarque - Apesar de Você (com Letra)




The very best of Nat King Cole

domingo, 22 de maio de 2016

Máscara de Janus social-democrata

"Em política, nada do que te dizem é tão importante quanto o que você escuta sem querer". Josias de Souza

A máscara social-democrata de PT e PSDB em “O espelho”, de Machado de Assis





ELIANE CANTANHÊDE - O ESTADO DE S.PAULO
22 Maio 2016 | 11h 50 - Atualizado: 22 Maio 2016 | 11h 50
Com promessa de ‘turbinar’ o Itamaraty, Serra prepara viagem à Argentina para começar ‘atualização’ do Mercosul
BRASÍLIA - O novo chanceler, José Serra, enumera os erros da política externa dos 13 anos de governo do PT, anuncia que vai discutir uma “atualização” do Mercosul em sua primeira viagem internacional, hoje, à Argentina, e assume um compromisso com a opinião pública e os diplomatas: “Vamos turbinar o Itamaraty”.
RELACIONADAS
Serra disse estar acertando com o ministro do Planejamento, Romero Jucá, como cobrir a carência de R$ 800 milhões do Itamaraty, que tem até atrasado salários e aluguéis e imóveis no exterior. Fora isso, há dívidas de R$ 6,7 bilhões do Brasil a organismos e bancos internacionais, tema também em discussão.
Ele também prometeu abrir o País ao mundo e uma relação melhor com os Estados Unidos. “Nossa relação comercial com os EUA deve com certeza se tornar mais próxima e o grande investimento aí é a remoção de barreiras não tarifárias”, disse na noite de sexta-feira, em entrevista ao Estado na qual resumiu os desafios do governo Michel Temer: “Não temos a opção de fracassar. Tem que dar certo”.



José Serra durante posse como Ministro das Relações Exteriores no Itamaraty, em Brasília.
O que é uma política externa “regida pelos valores do Estado e da Nação”?
A política externa lida com os interesses nacionais num contexto mundial e vamos ter uma política de Estado, numa nova modalidade de política externa independente. Além de não se alinhar às potências, será independente de partidos e de aliados desses partidos no exterior, diferentemente do que havia nos governos do PT.
O sr. não vê diferenças entre a política externa de Lula e a de Dilma? O sr. chegou a ficar bem próximo do chanceler de Lula, Celso Amorim, quando o sr. era ministro da Saúde e ele embaixador em Genebra e atuaram juntos para a quebra de patentes de medicamentos contra a Aids.
Trabalhamos muito bem e de forma produtiva. Aliás, o Celso deixou de fumar cachimbo por minha causa. Eu disse que ele não podia fumar cachimbo e ir a reuniões antitabagismo e ele jurou que tinha deixado de fumar. Minha relação com o Celso foi muito boa. Depois, no Itamaraty, prefiro não analisar.
Uma crítica a Amorim era que ele era antiamericanista, mas o sr., pelo passado de UNE e de esquerda, também é visto assim.
Não é bem assim, mas, de todo modo, não tenho condições agora de revisar a minha biografia e o que eu pensava a respeito. Só que tive uma experiência pessoal que foi muito importante, quando passei parte do meu exílio nos Estados Unidos, nas Universidades de Princeton e Cornell, e comecei a conhecer a sociedade e a democracia americanas muito de perto. Daria uma outra entrevista eu contar o impacto que eu tive ao viver o cotidiano e junto à base da sociedade a democracia americana.
O sr. assume num momento em que o Brasil precisa revigorar as relações com Washington, depois que elas ficaram esgarçadas pela contaminação ideológica no Brasil e pela espionagem da NSA até da presidente...
NSA, o que é isso? Os EUA são uma peça essencial do mundo contemporâneo, embora já não tão dominante como no passado, pois você tem novos centros de poder e de economia, caso típico da China. Nossa relação com os EUA é secular e fundamental e deve com certeza se tornar mais próxima no comércio. O grande investimento aí é a remoção de barreiras não tarifárias. Eles têm uma rede de proteção não tarifária, na área fitossanitária, por exemplo, que exige negociação. Vamos trabalhar incessantemente nessa direção.
Uma eventual eleição do republicano Donald Trump pode atrapalhar esse processo?
Prefiro não acreditar nisso...
No seu discurso de posse o sr. defendeu a reaproximação com parceiros tradicionais, como EUA, Europa e Japão. É o fim da política Sul-Sul?
Veja, se o Brasil é um país continental, tem de ter relações com o mundo inteiro. Nós vamos levar adiante nossa relação com a África, mas não com base em culpas do passado ou em compaixão, mas sabendo como podemos cooperar também beneficiando o Brasil. Aliás, minha ideia é fazer um grande congresso no ano que vem entre Brasil e África, para discutir comércio, cooperação e trocas, inclusive na área cultural, onde temos grande afinidade.
Quando fala em compaixão, o sr. quer dizer que o Brasil não vai mais perdoar dívidas de países africanos, como fez Lula?
Pedi um levantamento para definir o que será feito daqui em diante. O Brasil não é um país que tem dinheiro sobrando, não somos um país desenvolvido. Não implica estabelecer relações predatórias com nenhuma parte do mundo, mas temos que gerar empregos e combate à pobreza aqui dentro também.
Dilma disse em entrevista ser ignorância uma política externa sem os vizinhos e sem os Brics.
A impressão que eu tenho é de que ela não sabe o que está dizendo. Entendo as dificuldades e até esse certo desnorteamento e me sinto constrangido e pouco à vontade para debater com ela nessas condições.
Muitos elogiaram, mas muitos consideraram acima do tom diplomático suas notas contra o diretor da Unasul e os países “bolivarianos” que criticaram o processo político brasileiro. Foram acima do tom?
Foi um tom abaixo das agressões feitas. Na minha primeira reunião no ministério eu disse que não iríamos nem calar nem escalar. Essa é a linha. O que fizemos foi apontar o que não era verdadeiro. Dizer que a democracia está atropelada no Brasil? Que não há garantias democráticas? Basta qualquer um de fora passar uns dias aqui para ver que a democracia está funcionando normalmente. Foi um processo traumático? Foi. Mas todo dentro da democracia e do previsto pela Constituição.
Como fica a relação com Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Nicarágua e El Salvador, que se manifestaram sobre o Brasil? E com o diretor da Unasul?
A tendência é ir tendo relativizações. Aliás, eu sou amigo do Ernesto Samper (da Unasul). Depois da nota, nós já nos falamos.
Por que a primeira viagem é para a Argentina?
A Argentina é considerada por nós para lá de prioritária. Entre os propósitos da viagem está o debate sobre a atualização do Mercosul, criação do mecanismo de ação conjunta Brasil-Argentina e acertar uma conferência regional sobre ilícitos nas fronteiras, uma questão vital para o Brasil e para a Argentina.
Quando se fala nisso, pensa-se no Paraguai, que, aliás, atuou para evitar notas oficiais contra o Brasil.
Uma ação dessa natureza é inviável sem a colaboração dos países, porque não se resolve na linha das fronteiras, mas no interior dos países. Estou convencido de que teremos a cooperação da Argentina, do Paraguai, da Bolívia, da Colômbia... O Paraguai é um país que está se modernizando e o chanceler deve vir aqui em breve.
O sr. falou em atualização do Mercosul. O que significa isso, já que o sr. é considerado inimigo do Mercosul?
Não, não sou, mas o Mercosul é uma união alfandegária que terminou sendo um obstáculo a acordos bilaterais de comércio. Houve uns 500 acordos bilaterais nos últimos anos, mas o Brasil só fez três: com Israel, Palestina e Egito. É preciso aprofundar as condições da zona de livre comércio, porque ainda há barreiras, e encontrar formas de flexibilizar as regras para permitir acordos bilaterais mundo afora.
Uma das críticas à política externa do PT é que foi toda centrada no multilateralismo na OMC, que não deu certo, vetando o bilateralismo, que todos os demais fizeram. Isso vai mudar?
O multilateralismo poderia ter sido bom para o Brasil, mas, na medida em que Doha, da OMC, não avançou, ficou preso nisso, sem multilateralismo e sem acordos bilaterais. Mas, veja, não estou dizendo que vamos abandonar a OMC, apenas que vamos ter os pés no chão.
O Brasil vai reforçar relações com a Aliança para o Pacífico?
É uma grande prioridade. Relação Brasil-Chile sempre foi próxima e temos boa relação com Colômbia e Peru. Queremos estreitar relações com o México, que é da Aliança para o Pacífico e, assim como a Argentina, é prioridade número 1.
Aproximar dos pragmáticos e neutralizar os bolivarianos?
Posso ser sincero? Não tem nada a ver com conjunturas políticas. Tem a ver com estratégias mais permanentes.
Na era Lula-Amorim, o Brasil participava de negociações para a crise do Irã, para a crise do Oriente Médio... O sr. vai priorizar o comércio em detrimento da diplomacia, ou isso vai voltar?
Sem megalomania. Vamos participar pela paz, pelo entendimento, usando as vantagens comparativas que o Brasil possa ter, mas, repito, sem megalomania.
Com suas críticas à política externa do PT, vem aí uma dança de cadeiras em cargos-chave da chancelaria e das embaixadas?
Vamos manter uma política gradualista de preenchimento de cargo e o mais importante é que nós vamos turbinar o Itamaraty. Nesses anos todos, seja pelo jeito de fazer política externa, seja pelas dificuldades orçamentárias mais recentes, houve certo desânimo e ceticismo que comprometeram a autoestima do Itamaraty. Mas isso, eu prometo, será revertido.
Como, se o governo prevê um rombo de R$ 170,5 bilhões?
A carência imprescindível do Itamaraty é da ordem de R$ 800 milhões e não precisa ser tudo de uma vez. Então, o peso do Itamaraty nas finanças públicas é insignificante e eu não posso atribuir senão ao descaso tudo isso que vinha acontecendo.
E as dívidas com organismos e bancos internacionais?
Quem paga é o Planejamento e hoje (sexta-feira) passei um bom tempo com o ministro Romero Jucá discutindo isso. Ao todo, são R$ 3 bilhões de dívida com os organismos, mais R$ 3,7 bilhões para os bancos (BID, Bird, FMI...)
Vai ter corte de embaixadas e consulados?
Eles criaram uns 60 postos e agora são 227. Será que tudo isso é necessário? Estamos vendo custo-benefício.
A concessão de passaporte diplomático para o tal bispo evangélico foi uma derrapada?
Eu não assino passaportes, seria exótico se assinasse. O problema é que a Igreja Católica sempre teve dois passaportes diplomáticos, as evangélicas reivindicaram a mesma coisa, e algum governo, acho que do Lula, concedeu. Não cabe ao governo definir que uma igreja é mais ou menos importante que a outra.
O Itamaraty é um trampolim para sua candidatura em 2018?
Claro que não, não tem trampolim nenhum. Tudo o que eu quero é fazer uma boa administração aqui. Pode parecer uma declaração de político tradicional, mas é verdadeira.
Seus filhos acreditam nisso?
Meus dois filhos, sim, principalmente o homem. As mulheres são mais desconfiadas.
E se o governo Michel Temer naufragar?
Os desafios são imensos, mas não temos a opção de dar certo ou fracassar. Tem de dar certo, pelo País. O impeachment é doloroso e traumático, mas é uma questão de salvação do Brasil.













Traços

O Diretório Nacional, ao apresentar para discussão o roteiro a seguir, convoca um Encontro Extraordinário do Partido dos Trabalhadores, sob o tema Os desafios partidários para o próximo período, a ser realizado em novembro, antecedido por uma reunião ampliada do Diretório Nacional, em julho, cujas normas serão definidas pela Comissão Executiva Nacional até o final de maio.
O país vive, desde o dia 12 de maio, uma nova situação política, com a recuperação da direção do Estado pelas velhas oligarquias da política, da mídia monopolizada e do grande capital. Através de um golpe parlamentar, que rompeu a ordem democrática e rasgou a Constituição, as classes dominantes impuseram o afastamento provisório da presidenta Dilma Rousseff, em processo de impeachment sem base legal, marcado pela fraude e a manipulação.
O impedimento da presidenta, longe de ser manobra circunstancial, mesmo cercado por improvisos e tropeços, representa o desfecho de uma ofensiva planificada, que culminou com a unificação de distintos centros de comando ao redor da conspiração golpista.
A maioria conservadora do Congresso Nacional fabricou pretexto casuístico para depor um governo legitimamente eleito pelo voto popular e estabelecer novo bloco de poder, destinado a conduzir um amplo programa de reorganização do desenvolvimento capitalista nacional.
A opção pelo golpismo, além do caráter historicamente antidemocrático das classes dominantes brasileiras, expressa o ritmo pretendido e a agenda que unifica o núcleo hegemônico das forças usurpadoras. Afinal, seria risco imenso submeter a eleições 2 livres e diretas um projeto calcado sobre arrocho de salários e aposentadorias; eliminação de direitos trabalhistas; corte de gastos com programas sociais; anulação das vinculações constitucionais em saúde e educação; privatização de empresas estatais e abdicação da soberania sobre o pré-sal; submissão do país aos interesses das grandes corporações financeiras internacionais.
O modelo econômico perseguido pelo grande capital implica substituir a expansão do mercado interno, como motor do crescimento, pela atração dos fluxos privados de investimento, locais e internacionais, conforme reza a antiga cartilha neoliberal e tal como explicita o programa dos golpistas “Uma Ponte para o Futuro”. Salários baixos, alta rentabilidade financeira com plenas garantias de solvência, desregulamentação do mercado de trabalho, privatizações e política externa subordinada aos centros imperialistas são os principais pilares dessa opção de classe.
Apesar dos equívocos e dificuldades em dar continuidade ao processo de mudanças iniciado em 2003, a administração da presidenta Dilma Rousseff era obstáculo a ser removido de forma imediata e a qualquer custo, de tal sorte que um governo de transição pudesse dispor de tempo suficiente para aplicar o programa neoliberal antes que as urnas voltassem a se pronunciar.
Este período também seria indispensável para avançar na escalada de criminalização do PT e demais forças de esquerda, combinada com a desarticulação repressiva dos movimentos sociais e a interdição do ex-presidente Lula como alternativa viável nas eleições de 2018.
A Operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista. Alicerçada sobre justo sentimento anticorrupção do povo brasileiro, configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações ao Estado Democrático de Direito. Tem funcionado como mecanismo de contrapropaganda para mobilização das camadas médias, em associação com os monopólios da comunicação. Revela, por fim, o alinhamento de diversos grupos do aparato repressivo estatal – delegados, 3 procuradores e juízes – com o campo reacionário, associados direta ou indiretamente às manobras do impeachment.
Ainda que persistam importantes contradições no interior da coalizão conservadora, a intenção predominante entre suas frações dirigentes é concluir o regime de exceção com a aprovação de um sistema eleitoral, mais restritivo que o atual, cujas regras logrem institucionalizar o bloqueio à reconquista do governo federal pelo campo popular.
Esta ofensiva restauradora é parte fundamental da estratégia para desestabilizar as demais experiências progressistas na América Latina, buscando reconstruir a hegemonia imperialista sobre a região, fortemente abalada pelas vitórias eleitorais populares nos primeiros quinze anos do século XXI. A longa crise do capitalismo reconduz o Sul do continente à lista de prioridades da geopolítica norte-americana, sob a lógica de retomar controle sobre fontes essenciais de matérias-primas e energia, amplos mercados domésticos e espaços para novos investimentos a baixos custos.
A queda do governo petista também é fundamental para fragilizar alianças contrahegemônicas regionais, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o Mercosul além de facilitar políticas de cerco e desestabilização em processos progressistas de outros países – como Venezuela, Equador e Bolívia. Caso consolidado, este retrocesso político influirá sobre a evolução do bloco BRICS, cujo potencial econômico e financeiro coloca em xeque a velha engenharia mundial das potências capitalistas.
O avanço do movimento golpista, no entanto, somente poderá ser corretamente entendido se avaliarmos, de forma autocrítica, os erros cometidos por nosso partido e nossos governos. O fato é que não nos preparamos para o enfrentamento atual, ao priorizarmos o pacto pluriclassista que permitiu a vitória do ex-presidente Lula em 2002 e a consolidação de seu governo nos anos seguintes. 4
Esquecemos uma das lições mais relevantes da história brasileira, consolidada pelo PT em seus documentos dos anos oitenta. O capitalismo brasileiro, assentado sobre múltiplos mecanismos de super-exploração do trabalho e preservação de estruturas arcaicas, gera forte antagonismo das oligarquias contra reformas capazes de alterar, mesmo timidamente, essas condições sócio-econômicas. As classes dominantes -- em determinadas correlações de força e em períodos de expansão econômica -- podem tolerar certas mudanças, desde que avanços das camadas populares não resultam em diminuição de seus ganhos absolutos ou relativos. Mas oferecem brutal resistência quando esse equilíbrio distributivo está sob ameaça, particularmente nas fases de contração econômica como agora.
Tal pressuposto deveria ter norteado nossos treze anos de governo, levando-nos a compreender que a hegemonia dos trabalhadores no Estado e na sociedade não depende exclusiva ou principalmente de administrações bem-sucedidas, mas da concentração de todos os fatores na construção de uma força política, social e cultural capaz de dirigir e transformar o país.
A despeito dos extraordinários avanços verificados na redução das desigualdades, na abertura de novas oportunidades, na criação de direitos, na erradicação da fome, na ampla inclusão promovida pelo governo, incorremos em um equívoco político. Logo ao assumirmos, relegamos tarefas fundamentais como a reforma política, a reforma tributária progressiva e a democratização dos meios de comunicação. Embora sem maioria parlamentar de esquerda, o imenso prestígio do presidente Lula e a desorganização estratégica das elites abriam espaço para poderosa mobilização nacional que debatesse, claramente, a urgência da democratização do Estado e a remoção dos entulhos autoritários herdados da transição conservadora pós-ditadura.
Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de 5 verbas publicitárias para os monopólios da informação.
Confiamos na governabilidade institucional, a partir de alianças ao centro, como coluna vertebral para a sustentação de nosso projeto. Ao contrário do que havia se passado em países vizinhos, o sistema eleitoral do país, tal como existe, não possibilitou que o triunfo na eleição presidencial fosse acompanhado por maioria no Congresso Nacional. Obviamente, estávamos obrigados a composições fora do campo popular, sob o risco de inviabilizarmos nossos sucessivos governos. Mas fomos acanhados ao impulsionar a luta social como vetor fundamental de pressão sobre as instituições. Em consequência, rebaixamos a disputa pública de nosso programa e o debate com as forças conservadoras, incluindo os segmentos que eventualmente integravam a base de apoio.
Tampouco nos dedicamos, com a devida atenção e perseverança, à costurar uma aliança estratégica entre os partidos populares e os movimentos sociais, que pudesse ampliar o peso institucional da esquerda. Acabamos reféns de acordos táticos, imperiosos para o manejo do Estado, mas que resultaram num baixo e pouco enraizamento das forças progressistas, ao mesmo tempo em que ampliaram, no arco de alianças, o poder de fogo de setores mais à direita.
A manutenção do sistema político e a preponderância excessiva da ação institucional acabaram por afetar fortemente o funcionamento do PT, confinado à função quase exclusiva de braço parlamentar dos governos petistas e reordenado como agremiação fundamentalmente eleitoral. A vida interna se estiolou, sob crescente influência de mandatos parlamentares e cargos executivos, cada vez mais autônomos em relação às instâncias partidárias. O partido perdeu capacidade de elaboração, formação e protagonismo na batalha das ideias. Milhares de novos filiados foram incorporados sem quaisquer vínculos com o pensamento de esquerda ou nosso programa.
Também fomos contaminados pelo financiamento empresarial de campanhas, estrutura celular de como as classes dominantes se articulam com o Estado, formando suas próprias bancadas corporativas e controlando governos. Preservada 6 essa condição mesmo após nossa vitória eleitoral de 2002, terminamos envolvidos em práticas dos partidos políticos tradicionais, o que claramente afetou negativamente nossa imagem e abriu flancos para ataques de aparatos judiciais controlados pela direita.
Apesar dos esforços constantes, nos últimos anos, para corrigir estes desvios, temos claro que suas sequelas debilitaram o PT e fragilizaram o conjunto da esquerda frente à escalada golpista.
A política econômica desenvolvimentista e distributivista dos nossos governos, responsável pela maior elevação do salário mínimo e da inclusão social, passou a exigir, especialmente frente ao recrudescimento da crise internacional, que o Banco Central estimulasse o investimento e não que o bloqueasse – como fez com a elevação da taxa de juros. Exigia ainda novas reformas distributivas, que gravassem progressivamente os ricos, e uma nova capacidade de planejamento e investimento do Estado - o que não ocorreu.
Ao lado das falhas propriamente políticas, demoramos a perceber o progressivo esgotamento da política econômica vigente entre 2003 e 2010, que havia levado a formidáveis conquistas sociais para o povo brasileiro. Baseada na ampliação do mercado interno a partir da incorporação dos pobres ao orçamento do Estado, com adoção de inúmeros programas voltados à inclusão social, à criação de empregos e à elevação da renda, esse modelo perdeu força com a crise internacional, a convivência com altas taxas de juros que sangravam o Tesouro e a excessiva valorização cambial.
A manutenção do ritmo de expansão do mercado interno, alicerçada nos gastos e investimentos públicos, passou a depender de reformas que diminuíssem transferências financeiras para os grupos privados, ajudassem a recompor o equilíbrio fiscal com a tributação dos mais ricos e desmontassem o oligopólio dos bancos, entre outras medidas que possibilitassem recursos para o Estado aprofundar políticas de desenvolvimento com distribuição de renda. Não se tratava simplesmente de reordenamentos orçamentários, mas de um novo ciclo programático que 7 radicalizaria a disputa de projetos na sociedade.
O governo da presidenta Dilma Rousseff, em seu primeiro ano, optou por realizar um forte contingenciamento de despesas e investimentos, ao mesmo tempo em que elevava a taxa de juros. O crescimento do PIB, que havia sido de 7,8% em 2010, cai para 4,0% em 2011 e 2,0% em 2012. Diante destes resultados negativos, o BC derruba a taxa de juros e a União franqueia subsídios às empresas, através de desonerações fiscais, em uma política que atingiria seu ápice em 2014. Apesar de novo ciclo de elevação da taxa de juros, o PIB cresce 3,5% em 2013, mas despenca para 0,2% em 2014. A tentativa de contornar reformas estruturais, através de fortes incentivos ao investimento privado, tinha conseguido preservar o emprego, mas não relançou a economia.
Diante da crise, o país foi colocado em uma encruzilhada: acelerar o programa distributivista, como havia sido defendido na campanha da reeleição presidencial, ou aceitar a agenda do grande capital, adotando medidas de austeridade sobre o setor público, os direitos sociais e a demanda, mais uma vez na perspectiva de retomada dos investimentos privados. O governo enveredou pela segunda via.
O ajuste fiscal, além de intensificar a tendência recessiva, foi destrutivo sobre a base social petista, gerando confusão e desânimo nos trabalhadores, na juventude e na intelectualidade progressista, entre os quais se disseminou a sensação, estimulada pelos monopólios da comunicação, de estelionato eleitoral. A popularidade da presidenta rapidamente despencou. As forças conservadoras sentiram-se animadas para buscar a hegemonia nas ruas, pela primeira vez desde as semanas que antecederam o golpe militar de 1964.
O enfraquecimento da esquerda, nos meses seguintes à vitória apertada no segundo turno de 2014, rapidamente alterou a correlação de forças no país, dentro e fora das instituições. A direita retomou a ofensiva. As frações de centro, assistindo à rejeição do governo na opinião pública, começaram a se afastar da coalizão presidencial, deslocando-se para uma aliança conservadora que impôs seguidas derrotas parlamentares à administração federal. 8
Em que pese o alerta emitido pelo 5º. Congresso do PT, realizado em junho de 2015, - e o debate interno que se seguiu - de que era indispensável mudar a política econômica para recuperar apoio político e social, o governo prosseguiu no rumo que havia escolhido, levando ao agravamento das dificuldades. No documento “O futuro está na retomada das mudanças”, em fevereiro desse ano, a direção nacional do PT deixou claro que não seria possível conter a escalada reacionária sem expressivas alterações programáticas. O fato é que o golpismo, velozmente, criava condições para avançar, aglutinando apoio parlamentar e suporte social.
A aceitação do pedido de impeachment, no início de dezembro, depois que o PT rechaçou as chantagens do deputado Eduardo Cunha, serviu de alento à resistência democrática, que vinha acumulando forças desde março. Nos cinco meses que antecederam a abertura de processo contra a presidenta da República, centenas de milhares se colocaram em movimento por todo o país. Foram realizadas enormes concentrações populares, além de outras iniciativas que contagiaram amplos setores antigolpistas, incluindo homens e mulheres críticos ao governo.
Esta mobilização, capitaneada pela Frente Brasil Popular, na maioria das vezes em aliança com a Frente Povo Sem Medo, que contou com a forte participação do PT em todo o pais, em consonância com a resolução do nosso 5º. Congresso, estimulou a reunificação do campo de esquerda e arregimentou vozes democráticas de diversos matizes. Ainda que tenha sido insuficiente, por ora, para reverter a correlação de forças, permitiu que o bloco progressista recuperasse protagonismo e o mantivesse mesmo após a deflagração do julgamento presidencial.
O centro tático para este novo período -- sob a palavra de ordem “Não ao golpe, fora Temer” --, deve ser a derrocada do governo ilegítimo que usurpou o poder e rompeu o pacto democrático da Constituição de 1988. Devemos combinar todos os tipos de ação massiva e combate parlamentar para inviabilizar suas medidas antipopulares, denunciar seu caráter ilegal e impedir sua consolidação no comando do Estado. Assume grande relevância ainda a continuidade da ação de articulações internacionais, que no último período já foram fundamentais para a denúncia do golpe em curso. 9
Deter o Golpe é possível, urgente e necessário. São partes essenciais deste objetivo negar legitimidade ao governo ilegítimo de Temer; fazer a defesa política da presidenta Dilma e do legado dos nossos governos; defender o presidente Lula dos ataques midiáticos e judiciais que contra ele se levantam; manter a mobilização popular em alto nível; ampliar para setores da sociedade críticos aos nossos governos o diálogo em torno de uma agenda democrática e popular para o país; lutar pela absolvição da presidenta Dilma dos crimes que lhe são injustamente imputados no Congresso Nacional, no Judiciário e junto aos organismos da comunidade internacional.
O desfecho mais próximo deste processo, que implica luta continuada e mobilizações, está na absolvição da presidenta Dilma Rousseff e seu retorno às funções para as quais o povo a elegeu. Esse é o único resultado do julgamento capaz de reconduzir o país ao domínio constitucional e à ordem democrática.
Derrotado o golpe, a presidenta Dilma Rousseff deverá apresentar seu compromisso público com uma ampla reforma política e medidas capazes de retomar o desenvolvimento, a distribuição de renda e a geração de empregos.
O Partido dos Trabalhadores propõe que a presidenta Dilma Rousseff apresente rapidamente um compromisso público sobre o rumo de seu governo depois de derrotado o golpismo, defendendo uma ampla reforma política e medidas capazes de retomar o desenvolvimento, a distribuição de renda e a geração de empregos.
Não reconhecemos o governo ilegítimo de Temer. Contra ele faremos total oposição e lutaremos até o fim nas ruas e nas instituições para derrotá-lo. Não há oposição moderada ou conciliação possível com um governo resultado de um golpe. As bancadas parlamentares do PT seguirão em combativa oposição a Temer no Congresso Nacional e ao seu programa neoliberal. Com os trabalhadores do campo e da cidade, a CUT, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo lutaremos contra o governo golpista e sua agenda de retrocesso de direitos e liberdades 10 democráticas, redução dos salários, privatizações e criminalização das lutas sociais.
Sem abdicar de nossa identidade partidária e de nossas bandeiras, é fundamental, na luta de resistência, atuarmos em conjunto com a Frente Brasil Popular, com a Frente Povo Sem Medo e outras organizações dispostas a formar uma articulação unitária em defesa da democracia.
Mais que instrumento de mobilização, a FBP pode se desenvolver como espaço estratégico para todas as forças progressistas, a partir de um programa comum e regras plurais de participação, que abram caminho para sua consolidação. Orientamos toda a militância petista a se incorporar aos coletivos da Frente, impulsionando a criação de comitês e núcleos nos locais de moradia, estudo e trabalho, sempre com o cuidado de incentivar a unidade e a cooperação com ativistas das mais distintas correntes e movimentos.
Brasília, 17 de maio de 2016 Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores





Em entrevista pelo lançamento do segundo volume de “Diários da Presidência”, o ex-presidente FH disse que o Legislativo não pode “montar no cangote” de Temer e que o novo líder do governo, imposto por Eduardo Cunha, é “insustentável”

‘Não pode deixar o Legislativo montar no cangote do Executivo’

• Ex-presidente classifica de ‘insustentável’ escolha do novo líder do governo; e diz que PSDB não pode ser confundido com o partido do poder

Silvia Amorim - O Globo

SÃO PAULO- Na semana em que o presidente interino Michel Temer cedeu à pressão de pequenos partidos da Câmara para nomear um deputado réu em ações penais como líder do governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista para falar de seu novo livro “Diários da Presidência - 1997 a 1998" que um presidente “não pode deixar o Legislativo montar no cangote do Executivo”.


• No livro, o sr. fala da aprovação da reeleição, denúncias de compra de voto, crises internacionais e a eleição. Foi o período mais difícil da sua gestão?

1998 foi o mais difícil e 1999 também. Tinha a crise da Rússia, a situação econômica piorava gradativamente e tínhamos eleição. Havia muita gritaria sobre desemprego e muita pressão política.

• O sr. disse ao GLOBO que ministro que se tornar réu tem que ser afastado. Nesta semana, Temer nomeou para líder do governo na Câmara o deputado André Moura (PSC-SE), que é réu em três ações penais, e o PSDB não se opôs.

(A nomeação) é insustentável. Eu não acompanhei, mas reclamaria.

• Na negociação com o PMDB para nomear Eliseu Padilha (atual titular da Casa Civil) como seu ministro, o sr. diz no livro que a pressão estava “cheirando mal”. O que quis dizer?

Eu não tinha nada contra o Padilha. O problema era a forma. Era um “tem que ser, tem que ser’’. Não gostei. Você não pode deixar o Legislativo montar no cangote do Executivo, porque este corcoveia e tem que se equilibrar senão cai.

• É a situação do Temer?

Não. Ele está tentando manter os partidos agrupados porque tem votação de impeachment. Ele não tem outra alternativa porque precisa do Congresso mais do que eu e o Lula precisamos. Mudou a pessoa lá de cima mas o sistema político não foi quebrado.

• Temer tem força e disposição para uma reforma política?

Espero que sim. Mas não podemos esquecer que é um governo de transição. Para levar adiante muitas das transformações necessárias é preciso alguém com voto, força e agenda.

• Após 13 anos o PSDB deixa de ser oposição, mas sem ser governo. O sr. já disse “esse governo não é nosso”. Essa crise de identidade não pode levar a uma perda de protagonismo dos tucanos na eleição?

Esse é um ponto delicado porque até hoje o jogo partidário no Brasil se deu entre PT e PSDB. Agora o PMDB começa a querer entrar. Ou o PSDB volta a afirmar alguns propósitos programáticos ou ele vai ser confundido com o partido do poder. É uma operação delicada porque o PSDB não pode deixar de ajudar a transição e tem que olhar a sucessão de 2018. Nesse momento estamos com muitas dúvidas sobre quais vão ser os polos aglutinadores do futuro.

• Não tende a ser PT e PMDB?

Isso vai depender da capacidade do PSDB de ter um projeto. O que não pode deixar é se dissolver no marasmo da política do toma la dá cá. Não importa o que digam, é melhor estar em cima do muro do que cair na lama.

• Quais mudanças defende para a Previdência?

Defendo que para algumas categorias de trabalhadores haja uma idade mínima menor para a aposentadoria. Agora, é irracional mulher se aposentar mais cedo se vive mais do que o homem. Não acredito que uma reforma completa que atenda às finanças vai ser aprovada.






‘Se o governo for para o lado errado, PSDB sai’, diz FHC

• Ex-presidente, que lança segundo volume de ‘Diários’, diz que Serra se fortalece para uma nova candidatura ao Planalto

Pedro Venceslau e Tonia Machado - O Estado de S. Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que o tucano José Serra, atual ministro das Relações Exteriores, se fortaleceu rumo a uma candidatura à Presidência em 2018. “Serra foi lá, tomou posição e se projetou. Ele ganhou mais força. Mas 2018 ainda está longe.”

No segundo volume de seu Diários da Presidência, que será lançado na próxima semana, FHC comenta a relação com o PMDB em seu governo. Em entrevista ao Estado, ele chama de “mito” o caso da compra de votos pela PEC da reeleição, que também é abordado no livro. Com o PSDB na base da gestão peemedebista de Michel Temer, FHC vê o sinais se inverterem e diz que o tucanos podem deixar o governo se ele “for para o lado errado”.


• O PMDB sempre pressionou os governos por cargos. Temer será pressionado pelos tucanos?

O PSDB tem três ministérios, mas muitos partidos da base atual já estavam antes no governo e estão aumentando sua participação. O PSDB vai ficar um pouco nervoso com isso. Relativamente, o partido vai ficar com muito menos que os outros. Mas não acho que o PSDB vai recuperar poder simplesmente tendo cargos no governo. Poder se recupera com mensagem. Se o governo for para um caminho que achamos errado, então o PSDB sai. O governo é destino inevitável para quem participa do atraso. Se o PSDB se confundir inteiramente com a política, ele vai ter problemas. Isso vale para o governo. O presidente Temer tem que negociar com o Congresso, mas ter cuidado e explicar isso para a sociedade.

• O sr. diz no livro que a pressão do PMDB por cargos cheirava mal. Por quê?

Havia muita pressão, sobretudo sobre o Sérgio Motta (ex-ministro das Comunicações). Brigavam muito com ele. Falei nesse sentido. Queriam me impor e eu não queria isso. O que eu crítico é o estilo do ‘tem que dar’.

• O sr. aborda no livro a suspeita de compra de votos para a emenda da reeleição, em 1997. A posse do Eliseu Padilha e do Iris Rezende, ambos do PMDB, no seu governo aconteceu logo depois da aprovação da PEC...

Mas não há nenhuma relação, pois eles eram todos favoráveis. A PEC da reeleição no Senado foi uma barbada: 80% a favor. Criaram um mito, que é a compra de votos. Houve acusações. Dois denunciaram. Mas quando a informação chegou a mim, eu disse para cassar logo o mandato. Não tínhamos nada a ver com aquele negócio. Não precisava. Todos os editoriais de jornais eram a favor. E as pesquisas idem. Os que eram contra eram candidatos à Presidência: o Maluf e o Lula. Eu custei a aceitar a ideia de reeleição para mim. Tinha muitas dúvidas se valia a pena. É muito duro governar.

• No primeiro volume, o sr. diz que Temer era um político “dos mais discretos”, mas também tinha seus interesses...

Sim, como todos os políticos. Isso é uma coisa que as pessoas precisam entender. Ele (Temer) até me telefonou dizendo que não se lembrava do episódio que o Luís Carlos Santos me pediu (uma nomeação). Mas isso é uma coisa normal. É do jogo partidário. Todos fazem negociação.

• Por que o sr. resistiu a nomear o Padilha?

Era um bom rapaz, mas eu não gostava da maneira que eles estavam pressionando.

• O José Serra estava em uma posição periférica no PSDB em relação ao Geraldo Alckmin e ao Aécio Neves que, como ele, pretendem disputar a Presidência em 2018. Agora que está no Itamaraty, ele ganhou mais força para ser o candidato tucano?

A medir pelas semanas iniciais, sim. Ele tomou posição. Eu sempre digo que o problema dos nossos partidos é não tomar partido. Serra foi lá, tomou posição e se projetou. Ele ganhou mais força. Mas 2018 ainda está longe.

• Na posse no ministério, Serra disse que a política externa do governo anterior seguia a ideologia de um partido. Concorda?

A política externa anterior não era tão diferente do que foi a minha. Alguns analistas mostram que a diferença era mais de tom. Mas eles (Lula e Dilma) criaram uma rede partidária (nas relações internacionais). Por isso houve perda de espaço para o Brasil na América Latina e a predominância do chavismo.

• A OEA criticou o processo do impeachment. O que achou?

O secretário-geral da OEA diz que houve golpe. A Unasul também. Isso é um dano para o Brasil e deve ser recuperado.

• O que achou da repercussão internacional negativa sobre o impeachment em veículos de imprensa como o New York Times?

O PT criou uma narrativa do golpe que pega mais lá fora do que aqui dentro. Para os objetivos deles, esse discurso foi bom, mas não se sustenta com o tempo. Essa é uma narrativa que confunde, pois ela é fácil e não precisa explicar muito. Você viu o que houve no Festival de Cannes? Aquilo repercutiu momentaneamente, mas a presidente está na casa dela (no Palácio da Alvorada). Dilma ainda será Presidente da República até que o Senado vote a decisão final. São precisos 3/5 dos votos para sair em definitivo. É muito difícil. Por que o NYT fez isso? Porque a Constituição dos EUA é diferente da brasileira. Nos EUA o perjúrio dá impeachment e ela não cometeu perjúrio, mas cometeu crime de responsabilidade

• Parte do PSDB acha que Dilma não poderia continuar morando no Alvorada nesse período de 180 dias. Qual a sua opinião?

Ela deve ficar lá. Dilma é presidente até que o Senado decida o contrário. Essa visão é mesquinha. Ela merece pessoalmente o meu respeito.

• Esse centrão que está se formando no Congresso pode levar o PSDB a ser coadjuvante?

Ou o contrário. O PSDB pode ser opor a isso. O PT e o PSDB tiveram uma polarização desnecessária. Por razões eleitorais o PT achou que o inimigo era o PSDB e nenhum dos dois foi majoritário no Congresso. Ambos tivemos que conviver com o atraso. Com Temer é a mesma coisa.

• O sr. fala no livro de um encontro com o Lula em 1998 no qual ele foi apresentar uma agenda. No final o sr. parecia animado...

Foi meio escondido. O Lula pessoalmente sempre foi mais aberto que o PT. Mas estranhamente o Lula, que foi oito anos presidente, me telefonou apenas uma vez (no governo dele) e foi para me convidar para o enterro do Papa (João Paulo II). Não tomei nem um café com ele. Minha atitude foi muito diferente. Ofereci uma casa para ele na transição, a Granja do Torto. Comi um churrasco com ele lá.

• Foi um erro do Temer montar um ministério só de homens brancos e sem mulheres?

Era melhor ter (mulheres). Os problemas identitários são cada vez mais presentes na agenda política contemporânea. É importante ter mulheres, negros e jovens. Mas não se pode pedir para um governo feito às pressas que tudo seja atendido. O sistema político, partidário e sindical é machista.

• A bancada do PSDB se colocou contra a recriação da CPMF e os tucanos não aprovam a criação de novos impostos. Será o primeiro confronto com Temer?

A CPMF ajuda a controlar o sistema financeiro. Algum imposto o governo terá que aumentar, pois o déficit é enorme. A arrecadação caiu e continuará caindo porque a economia não retoma.

• Há um debate no governo sobre se a reforma da Previdência valeria para quem já está no mercado de Trabalho ou só para quem vai entrar. O que o acha?

É lastimável que não tenham aprovado no meu tempo. Perdemos por um voto a idade mínima. Quando você olha a pirâmide etária e a questão da Previdência, é lógico que precisa trabalhar mais tempo. Quando perdemos a idade mínima, criamos o fator previdenciário. Derrubaram duas vezes e refizeram. Não tem como não fazer. O PSDB errou ao apoiar.

• Em São Paulo, Alckmin apoiou João Doria nas prévias da capital e isso causou um racha. O sr vai subir no palanque dele?

Nunca subi em palanque nenhum, nem quando era presidente. Fui favorável à (pré) candidatura do Andrea (Matarazzo) e pedi ao governador que mantivesse a neutralidade Ele insiste que não tomou partido, mas parece que tomou. Se tomou, criou um problema para ele mesmo. Eu disse para o Andrea não sair (do PSDB) e esperar a convenção. Se ele saiu, não posso apoiar quem está fora, A lei não permite. A situação é delicada.




Ricardo Balthazar – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha que o desempenho do presidente interino, Michel Temer, nos próximos meses será crucial para determinar se o PMDB terá condições de liderar o país à frente de um novo bloco de poder, como petistas e tucanos fizeram antes dele.

Para o líder do PSDB, a recessão na economia e a fragmentação política do Congresso limitam as possibilidades do novo governo, e o futuro do PMDB dependerá da maneira como Temer lidar com essas dificuldades.

"Ele pode dar sinais para a economia, mas vai demorar para colher o fruto", diz FHC, que lança na próxima semana o segundo volume do seu "Diários da Presidência" (ed. Companhia das Letras), com memórias do biênio 1997-98.

Na opinião do ex-presidente, o PMDB "tem capacidade para fazer o Estado funcionar", mas ainda não demonstrou "capacidade de apontar o rumo" para o país, como ele explica na entrevista a seguir.

Fernando Henrique comentou ainda as denúncias de compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu sua reeleição em 1998.





• Folha - Ao descrever pressões que recebia do PMDB por cargos em seu governo, o sr. diz a certa altura dos seus diários que elas estavam "cheirando mal". Qual era o problema?

Fernando Henrique Cardoso - Eu fiquei irritado com a pressão, que achei muito grande, desproporcional. Queria manter a autonomia de escolha do presidente frente aos candidatos, aos partidos. Consegui no primeiro mandato, relativamente.

• É mais difícil para Temer lidar com esse tipo de pressão?

Eu tinha mais força pessoal, e legitimidade, porque fui eleito. Segundo, eu tinha uma agenda, um objetivo que justificasse a aliança política. A grande diferença é que não havia um sistema partidário tão fragmentado como o atual. E você podia fazer uma maioria um pouco mais consistente no Congresso. Essa fragmentação vai continuar.

• Como isso afetará o governo?

A nomeação do novo líder na Câmara [André Moura (PSC-SE), réu no Supremo Tribunal Federal] é fruto disso. PSDB e PT foram os dois partidos que até aqui conseguiram liderar o processo político sem ter maioria, com apoio do PMDB. A maioria sempre foi formada por uma massa useira e vezeira em utilizar o aparelho do Estado, como esse novo centrão de que estão falando agora.

• O PMDB é diferente?

O PMDB não é isso. É um partido que tem capacidade para fazer o Estado funcionar. Agora está tentando ter uma certa capacidade de apontar o rumo. Fizeram um programa [o documento "Uma Ponte para o Futuro"]. É uma novidade, porque implicaria na transformação do PMDB em um partido com aspiração para liderar o país.

• Acha o projeto viável, diante da composição do novo governo e de seus primeiros passos?

Este governo nasceu por decisão do Congresso, de acordo com a Constituição. Temer foi eleito como vice, tem legalidade. Mas não tem apoio [popular]. Não pode descuidar desse ponto de partida, porque o processo de impeachment ainda não acabou. Tem que ser cuidadoso, inclusive nas nomeações. Ele é mais amarrado a essas circunstâncias do que eu era, ou do que [o ex-presidente] Lula.

• Significa que o novo governo também ficará paralisado?

Vai depender do que ele fizer com a crise econômica e a crise moral. Ele precisa emitir sinais de que levará o país a um caminho melhor na economia e que dará prestígio à Operação Lava Jato. Ele não terá tempo de resolver os problemas da segurança, da educação, da saúde, do transporte. Pode dar sinais para a economia e a infraestrutura, mas vai demorar para colher o fruto. Você não pode cobrar deste governo o que ele não pode dar. É um governo de transição. Se ele chegar a 2018 começando a botar em ordem esses pontos, é o que historicamente precisa fazer.

• As pessoas que apoiaram o impeachment pensando que as coisas iam mudar no dia seguinte não ficarão frustradas?

A população é suficientemente realista para não pedir o impossível. Ela não saiu na rua gritando: "Viva Temer". Saiu gritando: "Fora, Dilma". As pessoas não têm uma expectativa tão elevada assim para se sentirem frustradas.

• O que achou do ministério?

Eles são bons operadores políticos. Na economia, montaram uma equipe consistente. Não sei dizer como é a capacidade gerencial dos vários ministérios, porque não conheço. Mas não acho que se possa dizer que está tudo perdido logo na partida. A situação é que é muito difícil.

• Temer terá condições de fazer a reforma da Previdência?

Vão chorar por não terem ajudado a aprovar lá atrás no meu governo, quando a idade mínima para as aposentadorias caiu por um voto. Talvez já exista maturidade para obter algum avanço. O motor da reforma tem que ser a busca de um sistema mais equânime, que pode trazer uma situação fiscal melhor como consequência. Não podem dizer que estão fazendo isso só porque o Tesouro está mal.

• O novo governo representa uma guinada conservadora?

Ele nasceu no Congresso, e o Congresso hoje é mais conservador, porque a sociedade ficou mais conservadora. É importante para o PSDB não entrar nessa. Temos que ser sociais-democratas nas relações entre sociedade, mercado e Estado, e liberais no comportamento, aceitando a diversidade. Mas a sociedade não pensa assim, e tem que dar a batalha nesse sentido.

• Com três ministros e ex-integrantes do seu governo no comando do Banco Central, da Petrobras e do BNDES, os tucanos têm como se dissociar do governo se algo der errado?

O partido está comprometido, mas não é o núcleo do poder. O poder é do PMDB, que legitimamente vai buscar protagonismo. Vai querer ser o motor do próximo passo. Por enquanto, tínhamos PT e PSDB. Agora, talvez o PMDB queira. Vai depender de quem tiverem na eleição [presidencial de 2018]. Tudo passa pelo personagem, quem é o candidato, como é que fala, se vai captar o sentimento do futuro... Sabe Deus.






É uma história bem triste: lá estavam eles, os épicos petistas, empenhados em salvar o povo brasileiro da opressão quando, não mais que de repente, “eles” chegaram e “contaminaram” o PT com o “financiamento empresarial de campanhas” por meio do qual “as classes dominantes se articulam com o Estado”. Embora tenham, supõe-se, resistido bravamente, os petistas acabaram “envolvidos em práticas de partidos tradicionais”.

Parece piada, mas é exatamente esse o estapafúrdio argumento central da “autocrítica” feita pelos dirigentes nacionais do PT, na qual admitiram erros na condução da economia, todos eles atribuídos a Dilma Rousseff.



O presidente do partido, Rui Falcão, fez questão de explicar que o PT não está “pedindo desculpas nem fulanizando avaliações”, mas admite: “Pontuamos como autocrítica, por exemplo, o fato de tardarmos a reconhecer que havia um esgotamento da política de desenvolvimento que imprimimos”. Mas a direção nacional petista, fingindo acreditar que Dilma Rousseff voltará a exercer a Presidência da República, deixou claro, no documento que serviu de base para discussão no encontro, que a responsabilidade pelo “erro” é toda dela: “O Partido dos Trabalhadores propõe que a presidenta Dilma Rousseff apresente rapidamente um compromisso público sobre o rumo de seu governo, depois de derrotado o golpismo, defendendo uma ampla reforma política e medidas capazes de retomar o desenvolvimento, a distribuição de renda e a geração de empregos”.

Quanto à “ampla reforma política”, Falcão não se deu ao trabalho de explicar por que o PT não moveu uma palha para promovê-la nos 13 anos em que ocupou o poder, embora a explicação pareça implícita na admissão do fato de que o partido foi “contaminado” e preferiu dedicar-se a usufruir os benefícios da corrupção que instituiu como método de cooptação política e de fundamento da “governabilidade”.
Quanto à economia, o documento petista persevera no voluntarismo – ou caradurismo – que é a principal característica de seu populismo irresponsável.

Propõe para o triunfante regresso de Dilma a demagógica obviedade de “medidas capazes de retomar o desenvolvimento, a distribuição de renda e a geração de empregos”, como se essas medidas pudessem se concretizar pela simples vontade dos governantes. Ora, o desenvolvimento econômico é desejado por todo mundo, não apenas pelos petistas. Mas foi a incompetência e teimosia do governo do PT que resultaram não no desejado desenvolvimento, mas em retração econômica, com suas graves consequências sociais. Essa tragédia é produto da absoluta inépcia administrativa do lulopetismo, aliada à espoliação sistemática do Tesouro e dos recursos da Nação.

A distribuição de renda de que falam os lulopetistas é outra empulhação paternalista, porque, por razões eleitorais, querem fazer o povo acreditar que se trata da ação unilateral de um governo generosamente disposto a “distribuir” dinheiro do próprio bolso – como se esse dinheiro não fosse de todos –, escamoteando o fato de que a verdadeira distribuição de renda é o justo compartilhamento, por toda a sociedade, da riqueza que ela própria cria. Bolsa Família, por exemplo, não é distribuição de renda. É medida governamental de emergência destinada a atender carências básicas.

Finalmente, “geração de emprego”, condição indispensável ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social, é uma expressão que hoje o PT deveria ter vergonha de mencionar, já que os cerca de 14 milhões de brasileiros evidenciam o retumbante fracasso de sua “nova matriz econômica”.

Afastado do poder como consequência dos crimes de responsabilidade de que Dilma Rousseff é acusada, e também porque se demonstrou incapaz de abrir para os brasileiros as portas do prometido Paraíso, o PT preocupa-se agora exclusivamente com sua sobrevivência política. Dividido, não consegue definir a melhor estratégia para recuperar o prestígio perdido. Muitos petistas, como Lula, pensam em “voltar às raízes” e reencetar a luta por um “governo popular”. Não será tarefa fácil, porque perdeu a identidade, a credibilidade e o poder de garantir o apoio de movimentos “de esquerda” mantidos com verbas públicas. Foi no que deu ter-se deixado “contaminar”, não pelas “classes dominantes”, mas pelo embuste e pela corrupção.




• Documento do diretório nacional do partido lamenta não ter controlado as cúpulas da PF, do Ministério Público e mudado os currículos das academias militares

O documento “Resolução sobre conjuntura”, aprovado pelo diretório do PT no início da semana, é prova cabal da validade do provérbio “o papel aceita tudo”. Escrito numa linguagem de militância revolucionária das décadas de 60 e 70, o texto trata de um país imaginário chamado Brasil, em que houve um “golpe”, desfechado pelo imperialismo internacional com apoio da burguesia doméstica, “as classes dominantes”, e pelos “monopólios da informação”, diante do qual é preciso resistir.


Assim como a literatura de cordel tem uma linguagem própria — guardadas as diferenças, a favor do cordel —, com este tipo de texto de panfleto de doutrina acontece o mesmo. Mas chama a atenção que, no documento, o PT assuma de forma escancarada o aparelhamento do Estado, para colocá-lo a serviço de um projeto de poder nada democrático e republicano.

Ao fazer autocrítica, o PT se penitencia por haver priorizado o “pacto pluriclassista” na eleição de Lula — ele deseja um governo uniclassista, só dos trabalhadores; impossível, se for pelo voto. E lamenta, por outras palavras, ter sido ineficiente na infiltração nos organismos de Estado.

Considera-se descuidado com as estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, assim como por não ter modificado “os currículos das academias militares”, nem promovido “oficiais com compromisso democrático e nacionalista”. Tampouco fortalecido “a ala mais avançada do Itamaraty”, e por não ter redimensionado ‘‘sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da comunicação”. (Desconhecem que é ínfima a parcela desta publicidade na receita que financia o jornalismo profissional.)

Não que tenha caído a máscara do partido; afinal a verdadeira face do projeto lulopetista nunca esteve completamente oculta. Mas chega a ser um registro histórico um documento em que o diretório nacional do partido assume sua faceta — esta sim — golpista. Várias iniciativas, desde o primeiro governo Lula, expuseram o real sentido do projeto lulopetista. Um exemplo é a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), esculpida no MinC de Gilberto Gil e Juca Ferreira com a intenção de controlar o conteúdo do setor.

Diante da previsível grita, houve recuo. O mesmo aconteceu no projeto do Conselho Federal dos Jornalistas, também com intenções intervencionistas: patrulhar profissionais nas redações e puni-los com base em algum “código de ética”.

Houve mais casos. Importa é entender, de uma vez por todas, que este é um projeto que pretende instalar no Brasil um regime bolivariano. Não conseguiu, nem conseguirá, diante da demonstração de solidez das instituições republicanas.

O PT deveria aproveitar que escancarou o projeto em documento, para passar a defende-lo abertamente e colocá-lo sob o teste das urnas. Só assim terá alguma chance de se defender da acusação de ser o verdadeiro golpista.




Laços



Em decisão ousada, tucano expõe publicamente suas perplexidades, assombros e indecisões no exercício da presidência. Leia trechos do primeiro volume dos "Diários da Presidência", que cobre os anos de 1995 e 1996
20/10/2015 às 21:13 - Atualizado em 20/10/2015 às 23:12


Fernando Henrique Cardoso, no primeiro aniversário do Real, em julho de 1995: tucano descobre o isolamento que todo primeiro mandatário diz ter vivido, mas que só quem chega ao topo experimenta na própria pele(Lula Marques/Folhapress)

Convencido por Luiz Schwarz, seu editor, e por João Moreira Salles, cineasta, roteirista e jornalista, Fernando Henrique Cardoso decidiu publicar ainda em vida o que planejou ser suas memórias póstumas, registradas em gravações ao fim de cada dia de trabalho nos oito anos em que presidiu o Brasil (1995 a 2002). Divididas em quatro volumes, as gravações estão sendo editadas pela Companhia das Letras sob o título de Diários da Presidência. O primeiro dos quatro volumes, que cobre o período de 1995 a 1996, chegará às livrarias brasileiras a partir de 29 de outubro.
As revelações contidas nas 929 páginas do primeiro volume atestam, antes de qualquer coisa, uma grande ousadia. São poucos os líderes políticos que, como decidiu fazer FHC, tiveram arrojo suficiente para expor publicamente suas perplexidades, assombros e indecisões no exercício do cargo - emoções que ele, originalmente, imaginou serem conhecidas só depois de sua morte. Nos Diários da Presidência, FHC julga os homens e mulheres de seu tempo. Mas, principalmente, dá todos os subsídios que faltavam para que ele e seu governo sejam julgados.
Os dois primeiros anos de FHC no Palácio do Planalto são marcados, principalmente, pelo esforço para consolidar o Plano Real, com que debelara a hiperinflação como ministro da Fazenda de Itamar Franco, que o precedeu na presidência. A inflação brasileira parecia ser invencível, tendo derrotado impiedosamente quase uma dezena de planos heterodoxos e ortodoxos anteriores. O feito de FHC na Fazenda fora extraordinário. Tão extraordinário que se dizia, com o aulicismo que FHC, com razão, despertava entre tantos, que ele foi um presidente "que fez seu antecessor".
Foram dois anos de descobertas. FHC descobriu que a presidência podia ser frustrante a ponto do dia a dia ser "desesperador" e a luta política interna de tal forma desprovida de princípios que ele se sentia cercado de "chantagens por todos os lados". Descobriu também o "isolamento" que todo primeiro mandatário diz ter vivido, mas que só quem chega ao topo experimenta na própria pele. Descobriu que, muitas vezes, é mais complexo e difícil lidar com os amigos do que com os inimigos. Teoricamente seu grande aliado, Antônio Carlos Magalhães, governador da Bahia, agia como um vice-rei atrabiliário que, inconformado com a proeminência de FHC no campo de atuação dele, a política, vivia tentando roubar a cena, alimentando jornalistas amigos com "dossiês" ou dando entrevistas em termos grosseiros que, curiosamente, nunca utilizava contra adversários. Em uma dessas entrevistas, FHC registrou nas gravações, Antônio Carlos chamou "de marginais os diretores do Banco Central".
FHC descobriu logo que "imprensa é imprensa" -- ou seja, os jornalistas decidem o que acham ser mais importante publicar e nem sempre isso coincide com a opinião do presidente ou do governo, por melhor avaliados ou populares que sejam. FHC não se conforma com reportagens que considera injustas com ele e seu governo. Reclama com os jornalistas, diz que eles "exageram, distorcem", agem assim por competição com os concorrentes. Reclama com os donos de jornais, televisões e revista, diz-se "indignado", mas "aguenta firme". Nesse particular, é notável que, por mais abalado ou ofendido que tenha se sentido por alguma reportagem jornalística, em nenhum momento, passa-lhe pela mente qualquer pensamento de controle ou de limitação da liberdade de expressão. "Imprensa é imprensa".
Em maio de 2016, sai o segundo volume dos "Diários da Presidência" com as revelações de FHC sobre os eventos de 1997 e 1998 - período mais turbulento, em que enfrentou crises políticas e econômicas ainda mais graves, com a mudança da Constituição para que ele pudesse disputar a reeleição - o que fez, vencendo Lula no primeiro turno. Foi o biênio em que, paradoxalmente, a população brasileira sentia com mais força os efeitos positivos da vitória contra a hiperinflação, enquanto o Plano Real perdia as condições de manter o câmbio fixo, um de seus sustentáculos até então, e o governo rumava para quatro anos de travessia, mantendo a economia equilibrada e a inflação sob controle sem a ajuda da "âncora cambial".
Leia abaixo trechos do Volume 1 dos Diários da Presidência de Fernando Henrique Cardoso -- 1995-1996:

"...saiu na VEJA uma matéria do Marcelo (Rubens) Paiva sobre o desaparecimento de Rubens Paiva, citando frases minhas sobre seu pai, pessoa por quem sempre tive enorme amizade e admiração. O rapaz tem razão, o pai for morto, ninguém assumiu , eles estão me cobrando...O fato de os argentinos terem reconhecido a culpa talvez nos leve a ter alguma margem de manobra na área militar para discutir essa delicadíssima questão, mas não posso deixar de dar uma atenção ao reclamo das famílias dos desaparecidos, até porque esses desaparecimentos foram uma coisa abominável". (Maio de 1995)
"Zé Serra ( senador José Serra, do PSDB de São Paulo) concordou comigo na tese de que o nosso erro é assumirmos o papel que a imprensa prescreve para nós. Em vez de observar o que os atores estão fazendo, a imprensa fica tentando escrever o script" (junho de 1995)
"À noite fui ao teatro ver um grupo de franceses que são mímicos extraordinários (grupo de Jerôme Deschamps, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo) e lá encontrei o Roberto Civita (presidente do Grupo Abril, que edita VEJA). Achei-o meio sem graça, et pour cause que a VEJA tem sido infame". (A anotação é de setembro de 1996. FHC não diz por que VEJA estaria sendo "infame", mas a revista acabara de publicar uma reportagem sobre a vitória do candidato malufista Celso Pitta à prefeitura de São Paulo, em que opinava ter sido em parte culpa do Palácio do Planalto o fato de o candidato tucano José Serra ter ficado com apenas 15% dos votos. A opinião da revista foi apenas equivocada, mas pareceu infame aos olhos de FHC)
"O (Ricardo) Kotscho (assessor de Lula) veio me visitar, dar as boas-vindas e tal, porque está assumindo a direção da CNT na parte de jornalismo. Ele é muito amigo do Lula, gosta do Lula, diz que Lula gosta muito de mim, que só fala bem de mim - claro, em privado." ( Abril de 1996)
"Vamos ter que liberar mais recursos para a administração, porque não dá para administrar na miséria e fazendo de conta que o desmando do Brasil é o gasto corrente. Não é. É pessoal e juros, como todo mundo sabe." (Abril de 1996)




 Patrícia Magazoni Gonçalves
Orientadora: Maria Célia de Moraes Leonel
Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara – FCLar.
Universidade Estadual Paulista – UNESP, São Paulo. 1.
Objetivos
A observação meticulosa do modo de agir dos indivíduos é um aspecto recorrente na obra de Machado de Assis. Enfatizando as relações sociais, as questões psico-filosóficas e o modo de vida da burguesia emergente na época, o escritor desenha uma sociedade na qual o contraste entre essência e aparência encontra-se acentuado e a necessidade da máscara para maior inclusão social é fundamental para a garantia da sobrevivência e, conseqüentemente, dos interesses pessoais. Nesse caso, o indivíduo que não se adapta aos padrões convencionais torna-se inanimado, excluído do prestigiado sistema de organização social.
Nesta pesquisa, intenta-se ressaltar a necessidade do uso constante da máscara, a complexa construção da personagem, os conflitos pelos quais ela passa e como Machado de Assis aborda a temática social em “O espelho”.
2. Materiais e métodos
Para esta pesquisa, utilizaremos como embasamento teórico as propostas de estudo da narrativa contidas no Dicionário de teoria da narrativa, de Reis e Lopes. Ademais, nos apoiaremos em ensaios críticos sobre o volume Papéis avulsos, em um importante ensaio de Alfredo Bosi, “A máscara e a fenda”, contido no livro O enigma do olhar (2000), e no texto de Antonio Candido, “Esquema de Machado de Assis”, presente no livro Vários escritos (1970). Escolhemos como corpus o volume Papéis avulsos, publicado em 1882, composto por doze contos que investigam as relações interpessoais e as contradições entre essência e aparência. Dentre os textos, selecionamos o conto “O espelho”, no qual o papel social é de fundamental importância na construção da personagem principal.
Quanto ao procedimento utilizado, selecionamos e fichamos textos teóricos sobre teoria da narrativa e sobre o corpus escolhido.
3. Resultados e discussão O conto “O espelho” evidencia-se bem elaborado, tanto do ponto de vista formal, por apresentar dois narradores, quanto pelo tema abordado. Além disso, nossa análise resulta na constatação da seguinte teoria: a fundamental importância do papel social na formação do verdadeiro ser. A alma externa, ou seja, o status concedido com a nomeação de alferes (condição de prestígio na hierarquia social) entra em conflito com a alma interna e elimina totalmente o lado humano, a verdadeira essência da personagem (Joãozinho). Dessa forma, sua integridade pessoal depende da opinião e do reconhecimento alheios. O personagem principal do conto “O espelho”, Jacobina, veste definitivamente a máscara social e, quando se encontra sozinho no sítio, é a imagem de si vista pelo outro que ele procura ao vestir sua farda e olhar-se no espelho.
4. Conclusões Dotado de uma postura cética e pseudoconformista, o escritor mostra que é impossível viver fora das determinações impostas, do convencional. No conto, percebemos que o papel social absorveu completamente a essência humana, obrigando a personagem a sustentar sua aparência através da adoção definitiva da máscara.
5. Referências
ASSIS, M. de. O espelho. In: ___. Papéis avulsos. São Paulo: Gráfica Editora Brasileira, 1957. p.257 - 271.
BOSI, A. A máscara e a fenda. In: ___ Machado de Assis: o enigma do olhar. São Paulo: Ática, 2000. p. 76-126.
CANDIDO, A. Esquema de Machado de Assis. In: ____. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970. p. 13-32.
REIS, C.; LOPES, A. C. Dicionário de teoria da narrativa. São Paulo: Ática, 1985.



 

Certo viés maniqueísta

Significado de Maniqueísmo

Maniqueísmo é a ideia baseada numa doutrina religiosa que afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos, normalmente o bem e o mal.
O maniqueísmo é considerado uma filosofia religiosa, fundada na Pérsia por Maniu Maquineu, no século III, sendo bastante disseminada por todo o Império Romano.
Para o maniqueísmo, o mundo é dividido entre o bem, representado pelo “Reino da Luz”, e o mal, simbolizado pelo “Reino das Sombras”, ou seja, um eterno combate entre Deus e Diabo.
Para os maniqueístas, toda a natureza material é essencialmente perversa e má, enquanto que a bondade se encontra intrinsecamente presente no espírito e no mundo espiritual.
O maniqueísmo, como religião, também era formado a partir do sincretismo, pois Maquineu teria misturado características próprias de várias doutrinas, como o hinduísmo, budismo, judaísmo, cristianismo e zoroastrismo (antiga religião persa) para desenvolver o conceito do maniqueísmo.
Devido a definição dualista que caracteriza o maniqueísmo, por extensão este termo também é utilizado para adjetivar qualquer perspectiva de mundo em que haja uma divisão entre aspectos opostos e incompatíveis.
Muitas pessoas consideram o modelo maniqueísta muito simplista, pois se limita em dividir todas as coisas em apenas dois opostos: “o bem e o mal”, “o certo e o errado”, “a causa e o efeito”, “isso ou aquilo” e etc.
Por exemplo, acreditar que uma pessoa boa sempre será boa, enquanto que uma pessoa má sempre será má é uma demonstração de pensamento do maniqueísmo.
Maniqueísmo político
O maniqueísmo político está muito presente nas “competições” entre partidos e políticos durante as eleições, por exemplo.
Consiste na oposição entre os pensamentos de rivais políticos, que buscam “demonizar” a imagem do oponente e “santificar” os seus próprios argumentos, mesmo que caiam em contradições, ocasionalmente.
Maniqueísmo e cristianismo
As ideias disseminadas pelo maniqueísmo eram consideradas uma heresia cristã para o cristianismo.
Um dos principais defensores e opositores do maniqueísmo foi o Santo Agostinho de Hipona, que se dedicou quase dez anos em pesquisas e produção de obras voltadas para a doutrina maniqueísta.
No entanto, após se converter definitivamente ao cristianismo, tornou-se um dos principais opositores desta filosofia religiosa.
Porém, alguns pesquisadores e teólogos acreditam que algumas das premissas do maniqueísmo tenham sido levadas para o pensamento Cristão Ocidental por Agostinho de Hipona. 
O significado de Maniqueísmo está nas categorias: FilosofiaReligião





Jargões


Significado de Jargão
Jargão significa uma linguagem pouco compreensível, em muitos casos por ser específica de determinado grupo profissional ou sociocultural. O termo tem sua origem na palavra francesa "jargon".
O uso do jargão provoca uma linguagem viciada e corrompida, demonstrando pouco conhecimento de uma língua ou a intencionalidade de que a conversa não seja compreendida por quem não pertença ao círculo.
O jargão profissional representa um discurso de difícil compreensão para quem não faz parte do meio onde é falado. É o caso das áreas ligadas ao Direito (jargão jurídico), Economia, Medicina, TI (Tecnologias de Informação), entre muitas outras. A introdução de palavras desconhecidas ou que pertencem a outros idiomas dificultam o entendimento. O jargão militar, por exemplo, são palavras usadas no contexto das Forças Armadas.
Os jargões cheios de palavras difíceis, podem afugentar o interlocutor e, por isso, deve ser evitado. Enquadram nesses casos o politiquês, oeconomês, o juridiquês, entre outros com sufixo "ês".
Em alguns casos, o jargão pode ser sinônimo de calão, indicando algumas palavras que são usados na linguagem informal. O jargão também pode estar relacionado a um esporte, sendo que o jargão de futebol, por exemplo, é composto por palavras que estão diretamente ligadas com o mundo do futebol.
Exemplos de jargão
Medicina
"Apresenta uma massa cística indeterminada e septos espessos irregulares mas com realce mensurável."
Informática
"O tweak pode ser feito no BIOS da motherboard".
" A mochila vem com um mouse ótico USB com scrolling de quatro direções e conexão Plug&Play".
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