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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

ALQUIMIA DO PODER ...







...E CULTURA









Secretário da Cultura, Roberto Alvim cita ministro nazista em pronunciamento

“O secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, citou trechos de uma fala do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, em pronunciamento veiculado pelo órgão nessa 5ª feira (16.jan.2020).”





O Globo

‘(...)


Veja o que diz a citação de Goebbels:
Segundo o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich, o líder nazista afirmou: "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada"

O que disse Roberto Alvim:
‘Nó vídeo divulgado pela Secretaria Especial de Cultura ele afirma: "A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", discursou Alvim no vídeo postado nas redes sociais.

(...) outra referência ao regime de Adolf Hitler é a trilha sonora do pronunciamento: a ópera "Lohengrin", de Richard Wagner. O compositor alemão era celebrado pelo líder nazista e teve grande influência em sua formação ideológica. (...)‘












A ALQUIMIA DO PODER: LOURIVAL FONTES E SUAS CONFIGURAÇÕES POLÍTICAS


Aldenise Cordeiro Santos (GEPHIM/UFS )
Anthony Fábio Torres Santana (GPECS/PROCAPS/UNIT)


Resumo: Este artigo trata das conformações políticas visualizadas na trajetória da vida de Lourival Fontes frente ao poder. O riachãoense conhecido pelo título de “Homem do DIP”, por ter se aliado ao projeto político de Getúlio Vargas a fim de atuar prol a permanência deste na presidência do Brasil, durante o período que vai de 1930 a 1945, como Diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda. Exerceu os cargos de Chefe da Casa Civil no segundo governo de Vargas, contribuiu para relações exteriores do Brasil como embaixador, e tornou-se Senador por Sergipe entre os anos de 1955 a 1963. Dentro dessa perspectiva, este artigo propõe-se ao desenvolvimento de uma análise dos diversos momentos de sua atuação pública, onde é perceptível a adequação de Fontes as circunstâncias políticas, na arte de transformar-se. Tendo por objetivo analisar suas posições, confrontando fundamentalmente o momento do DIP com o do Senado Federal. Esta análise foi conduzida mediante pesquisa bibliográfica referente ao seu objeto. Lourival foi um político instrumentalizado por uma construção intelectual sólida, que lhe possibilitou em determinados momentos, uma inversão de valores e de perspectivas teóricas no decorrer de sua carreira.


Palavras-chave: Lourival Fontes, poder, intelectual.


(...)


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Lourival Fontes controlou os meios de comunicação de massa, sua atuação, enquanto diretor do DIP, e sua orientação ideológica refletiram-se para a censura. Contudo, a atuação de Fontes não se limita apenas à promoção da censura. Sendo um grande administrador, soube produzir meios para orientar ideologicamente as massas: criou jornais, revistas e programas de rádio, além de ter atraído outros intelectuais para trabalhar em prol dessa política, pois reconhecia a importância deles para produção e condução de informações que legitimassem o governo.

Enquanto diretor do DIP fez com que o órgão promovesse suas ações de forma eficaz. Conduziu com mão-de-ferro um departamento que era o ponto cerne de uma estrutura e configuração estatal que não podia ruir, desmoronando mais tarde por conta de sua própria ideologia, que foi contestada pelas esferas internacionais da época. Durante a permanência de Lourival no DIP, o órgão teve atuação satisfatória.

Na direção oposta, no Senado, apresentou um postura amplamente democrática, e por vezes socialista. Suas interpretações frente a entraves políticos como a permanência de Jânio Quadros na presidência denotam uma mudança ideológica. Foi um político instrumentalizado de toda uma construção intelectual, que possibilitou a produção de ensaios em que analisou a realidade social brasileira. Sendo que, o desvelar destes ensaios propõe repensar Lourival Fontes como um político de posições difíceis para o período.

Foi um intelectual observador dos fenômenos políticos e sociais do seu contexto. Um homem atualizado com temas que o cercava, e sabia como poucos adequar-se às situações que lhe eram impostas.







Lourival Fontes


Lourival Fontes nasceu em Riachão do Dantas (SE), em 1899.
Jornalista, colaborou em diversos jornais de Sergipe e Bahia. Partidário da Aliança Liberal, coligação oposicionista que disputou a presidência da República em 1930, tendo à frente o gaúcho Getúlio Vargas, apoiou o movimento revolucionário comandado pelo próprio Vargas, que assumiu o poder em novembro daquele ano.
Em 1931, fundou e dirigiu, no Rio de Janeiro, as revistas Política e Hierarquia. Esta última, de tendência fascista, contou entre seus colaboradores, com Olbiano de Melo e Plínio Salgado. Nomeado funcionário da Prefeitura do Distrito Federal, foi indicado oficial de gabinete do prefeito e, em 1932, diretor da Secretaria do Gabinete da Prefeitura.
Eleito representante dos usineiros segipanos junto ao Instituto do Açúcar e do Alcool em 1933, dirigiu o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC) entre 1934 e 1937. No ano seguinte o DPDC transformou-se no Departamento Nacional de Propaganda e em 1939 no Departamento de Imprensa e Propaganda. Lourival Fontes permaneceu à frente do órgão até 1942. Colaborador do O Jornal, representou o Brasil no Conselho Administrativo do Bureau Internacional do Trabalho. Em 1945 foi nomeado embaixador do México, exonerando-se com a deposição de Vargas, ocorrida em outubro daquele ano.
Em 1950, participou ativamente da campanha de Getúlio Vargas para as eleições presidenciais de outubro. Vitorioso, Vargas nomeou-o para a chefia do Gabinete Civil da Presidência da República. Permaneceu no cargo até o desfecho da grave crise política que afetava a vida pública brasileira e que culminou com o suicídio de Vargas em agosto de 1954. Naquele mesmo ano, elegeu-se senador por Sergipe, exercendo o mandato entre 1955 e 1963.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 1967.
[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]







CULTURA
Richard Wagner: o gênio musical e a sombra do antissemitismo

O célebre compositor alemão, cujo bicentenário é lembrado em 2013, foi um fervoroso antissemita. Ao mesmo tempo, admirava judeus como o poeta Heinrich Heine e teve mecenas e admiradores de origem judaica.







É possível admirar Wagner?

Certamente, os fãs de Wagner não eram nem cegos nem surdos. Eles admiravam Wagner por suas grandiosas montagens teatrais. Resta a questão principal em torno da figura de Wagner: é possível escutar Wagner sem levar em conta o antissemitismo? O ódio ao judeus repercute também em seu trabalho de palco?

A maioria dos pesquisadores de Wagner afirma que não. Entre aqueles que pensam diferente está Fischer. Ele diz que, apesar de Wagner não ter escrito nenhuma ópera antissemita, sua atitude antijudaica se reflete no caráter de alguns personagens: "Existem em algumas de suas figuras referências subliminares que apontam para estereótipos judeus, principalmente no anão Mime de O Anel dos Nibelungos e no crítico pedante Beckmesser de Os Mestres Cantores de Nuremberg."

Ambas as figuras incorporam nas peças teatrais os oponentes das personagens heroicas. Os contemporâneos de Wagner teria compreendido o "código antissemita" embutido nesses papéis, explica Fischer.

Hoje em dia, as peças de Wagner não são mais vistas como antissemitas. "Quando se encena Wagner, atualmente, não se trata de obras com conotação antissemita, mas de obras de um grande compositor e teatrólogo", sublinha Heer. Gênio musical e inimigo dos judeus – Richard Wagner continua a ser uma das mais controversas grandezas do pensamento alemão.









O Anel do Nibelungo (Ring Saga) @ Canal 180



“Entre os dias 16 e 18 de Setembro, a Casa da Música no Porto apresenta quatro Óperas do "O Anel do Nibelungo", a obra prima de Richard Wagner, na versão de Jonathan Dove e Graham Vick”






Ópera | "Lohengrin", de Wagner, em 360º no Theatro Municipal de São Paulo. 2015


Theatro Municipal de São Paulo
Em uma parceria com o Google Cultural Institute, o Theatro Municipal de São Paulo abre suas cortinas para a experimentação com diversas tecnologias de ponta. Uma delas é a gravação da nossa montagem de "Lohengrin", de Richard Wagner, com câmeras de 360º. No vídeo acima, você poderá conferir não só como ficou a nossa montagem, mas também escolher qual perspectiva para se apreciar o espetáculo. Para a gravação, foi necessária uma equipe internacional de sete pessoas, mais a equipe do Google e do Theatro Municipal. O resultado acima é a junção de três câmeras que posicionamos estrategicamente no palco para que você pudesse apreciar a obra de todos os ângulos possíveis. Essa experiência foi um movimento conjunto entre o Google, o Theatro Municipal de São Paulo (Brasil), Royal Shakespeare Company (Inglaterra), Opéra National de Paris (França), Berlin Philharmoniker (Alemanha) e Carnegie Hall (Estados Unidos). Os resultados da parceria podem ser conferidas no site especial http://g.co/performingarts. Junto ao Google, também criamos diversas outras experiências. Entre em nosso site junto ao Google Cultural Institute para explorar exposições virtuais, nosso acervo, fotografias 360º e outras experiências: https://www.google.com/culturalinstit... Venha! Faça parte dessa experiência! LOHENGRIN RICHARD WAGNER ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL DE SÃO PAULO CORO LÍRICO MUNICIPAL DE SÃO PAULO John Neschling - Artistic Director and Conductor Henning Brockhaus - Stage Director Valentina Escobar - Assistant of Stage Director and Choreography Yannis Kounellis - Set Design Patricia Toffolutti - Costume designs Guido Levi - Lighting Design ARTISTS Lohengrin Tomislav Mužek Elsa of Brabant Marion Ammann Ortrud Marianne Cornetti Friedrich of Telramund Tómas Tómasson Heinrich der Vogler Luiz-Ottavio Faria The King's Herald Carlos Eduardo Marcos PRODUCTION MANAGEMENT Bernardo Guerra ARTISTIC DEPARTMENT Artistic Direction Assistants Eduardo Strausser Thomas Yaksic Clarisse De Conti Artistic Programming Coordination João Malatian Technical Director Juan Guillermo Nova Resident Assistant of Stage Department Julianna Santos Stage Manager Ronaldo Zero MUNICIPAL DIGITAL Director Rodrigo Savazoni Executive Coordinator Thiago Carrapatoso COMMUNICATION MANAGER Marcos Fecchio COMMUNICATION ANALYST Gisele Pennella EDITOR Gabriel Navarro Colasso WEB EDITOR Fernanda Perez PRESS COORDINATION Amanda Sena PUBLIC RELATIONS Caroline Zeferino Vanessa Beltrão















Referências


https://youtu.be/3lycKFW6ZHQ
https://oglobo.globo.com/cultura/roberto-alvim-copia-discurso-do-nazista-joseph-goebbels-causa-indignacao-24195523
https://www.youtube.com/watch?v=3lycKFW6ZHQ
https://www.historia.uff.br/estadoepoder/6snepc/GT12/GT12-ALDENISE.pdf
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/lourival_fontes
https://www.dw.com/image/15749018_303.jpg
https://www.dw.com/pt-br/richard-wagner-o-g%C3%AAnio-musical-e-a-sombra-do-antissemitismo/a-16821764
https://youtu.be/K_zQZJm6XVM
https://www.youtube.com/watch?v=K_zQZJm6XVM
https://youtu.be/DF0obulEtss
https://www.youtube.com/watch?v=DF0obulEtss

domingo, 4 de novembro de 2018

... pensando a partir de seu imbigo


...incluídos numa mesma totalidade

Umbigo meu nome é umbigo

E não há desvio até
O umbigo

"ESTA A GLÓRIA QUE FICA, ELEVA, HONRA E CONSOLA"

Em sua homenagem, José, receba os versos românticos da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias:

Canção do Tamoio
I
Não chores, meu filho:
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.

..........

“Nós tamos falando blá blá blá quando os problemas brasileiros são problemas mundiais e nós não estamos enfrentando. Inclusive por que? Porque as Universidades estão pensando a partir de seu imbigo.”
Roda Viva | José Arthur Giannotti | 29/10/2018



Pensar a humanidade

“Embora as ciências cuidadosamente examinem os homens de vários pontos de vista, elas o fazem a partir de hipóteses cujas consequências vão sendo testadas segundo técnicas diversificadas. Mas nenhuma delas se pergunta por nossa humanidade ou por aquilo que somos em vista de podermos ser todos nós incluídos numa mesma totalidade.”




"ESTA A GLÓRIA QUE FICA, ELEVA, HONRA E CONSOLA" _ Machado de Assis
José de Tal nasceu no povoado Carrapato, não se sabe ao certo quando, pois não há registro nos cartórios mais próximos da localidade.

..........

José dos Santos entra para o seleto grupo dos intelectuais mais representativos do estado e passa a ocupar uma cadeira que jamais ousaria sonhar o menino faminto, cheio de vermes e comido de perebas, com a cabeça piolhenta. Aquele menino criado por Dona Francisca e Seu Juvêncio, dois toscos vendedores de farinha em feira sertaneja, recebe a coroa de loiros.

Em sua homenagem, José, receba os versos românticos da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias:

Canção do Tamoio
I
Não chores, meu filho:
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.
..........
IV
Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!
..........
IX
E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.
..........
X
As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate,
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.


Foram muitos os aplausos  para José que morreu ali mesmo, de emoção e humilhação.

TÂNIAMENESES
Enviado por TÂNIAMENESES em 06/11/2008
Reeditado em 06/11/2008
Código do texto: T1268594
Classificação de conteúdo: seguro




Umbigo
Lenine



Umbigo meu nome é umbigo
Gosto muito de conversar comigo
Umbigo meu nome é espelho
Não dou ouvidos nem peço conselhos
Umbigo meu nome é certeza
Só é real o que convém à realeza
Umbigo meu nome é verdade
Sou o dono do mundo e o rei da cidade

Umbigo meu nome é umbigo...
Umbigo meu nome é umbigo...

Eu sou mais eu! dê cá um close no narciso
Umbigo meu nome é umbigo
Me peça tudo, só não peça para ter juízo
Umbigo meu nome é umbigo
Não sei de nada além de mim: o amor é cego
Umbigo meu nome é umbigo
Vivo na sombra e água fresca do meu ego
Eu vou andando, e quem quiser que acerte o passo
Faça o que eu digo, e eu me concentro no que faço
Se um dia o mundo pegar fogo eu salto antes
E dou adeus a seis bilhões de figurantes
Umbigo meu nome é umbigo
Quem está contra mim também está comigo
Umbigo meu nome é guru
Eu caí do céu foi pra mandar em tu
Umbigo meu nome é umbigo
O mundo perde o freio, e eu nem ligo
Comigo só não vai quem já morreu
Umbigo meu nome sou eu
Composição: Braulio Tavares / Lenine



Umbigo
Tetê Espíndola




Vou até o fim
Todo ser é um
E não há nenhum mal
Em ser ambíguo
Novelo de lã
Leva pelo fio
E não há desvio até
O umbigo
Todos nós um só
Todos nós os mesmos
Todos nós um nó
Todos nós a esmo
Deixa de chorar
Vou pela maré
Assim que puder
Você vem comigo
Ver no que é que dá
Ver o que é que há
No olho do mundo
No bumbá do bumbo
No que faz brotar
No que faz colher
No que faz cantar
No que quer viver

Composição: Chico César / Arnaldo Black



Referências

https://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2018/10/e-agora-arthur.html
http://www.academia.org.br/sites/default/files/publicacoes/arquivos/revista-brasileira-71.pdf
https://www.recantodasletras.com.br/discursos/1268594
https://youtu.be/PY2eVJaLZq8
https://www.letras.mus.br/lenine/250620/
https://youtu.be/6otAgyrV8JI
https://www.cifraclub.com.br/tete-espindola/272613/letra/

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

- Com Que Roupa?


- De Babado

MOLDE DE VESTIDO -172





“um Brasil de tanga, pobre e maltrapilho’’

“Brasileiro diz meu bem
E francês diz "mon amour",
Você diz: vale quem tem
Muito dinheiro pra pagar meu "point-à-jo"
(Eu ando sem "I'argent toujours!")”

Noel Rosa

Referência ao Adamastor e a Portugal em "Com que roupa" de Noel Rosa (1930)


No final de 1929, Noel Rosa compôs "Com que roupa ?", samba que retrata a pobreza, a fome e a miséria. Um tema original, até revolucionário para a época, fazendo alusão a uma característica marcadamente brasileira: a de se gozar da própria desgraça, levando a vida de forma divertida, dentro da filosofia do "rir para não chorar".




Com Que Roupa?
Noel Rosa





Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta
Pra poder me reabilitar

Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar

Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu

Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Seu português agora deu o fora
Já foi-se embora e levou seu capital
Esqueceu quem tanto amou outrora
Foi no Adamastor pra Portugal

Pra se casar com uma cachopa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Composição: Noel Rosa





Com Que Roupa
Gilberto Gil




Com Que Roupa
Zeca Pagodinho




Com que roupa?

Música  
Data de criação Com que roupa?:1930 | Noel Rosa
Obra musical
Atualizado em: 22-02-2017
Análise
A canção Com que roupa? é a segunda gravação de Noel Rosa (1910-1937), realizada em 1930 na Parlophon, com interpretação do próprio compositor. A letra bem humorada e mordaz, associada à melodia e ritmo alegres, fazem dela sucesso popular. As paródias, charges, crônicas e propagandas comerciais que ela inspira revelam, sua popularidade.  Além disso, consagra o bordão popular “com que roupa” na linguagem cotidiana.

As biografias sobre Noel apresentam pequena discussão a respeito dos objetivos e inspiração do compositor na formulação da letra. Isso ocorre também como fruto das versões conflitantes dadas pelo próprio compositor. O debate inclui as motivações pessoais do autor (falta de dinheiro, convite inesperado para uma festa) e as críticas sociais do período. Com relação ao último aspecto, Noel confessa que a canção é uma metáfora de “um Brasil de tanga, pobre e maltrapilho’’.  Seja como for, o impacto da canção é grande porque ela se aproxima com bom humor de questões relativas à vida cotidiana, criando empatia com a população carioca:

Seu português agora foi-se embora,
Já deu o fora e levou seu capital.
Esqueceu que tanto amava outrora,
Foi no Adamastor pra Portugal,
Pra se casar com uma cachopa,
E agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo
Desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

A música da canção também gera controvérsia na literatura sobre Noel Rosa. De acordo com ela, a melodia do primeiro verso (“Agora eu vou mudar minha conduta”) seria semelhante à do Hino Nacional (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas”). Essa semelhança é percebida pelo maestro Homero Dornelas (1901-1990) que altera um pouco os intervalos melódicos e coloca-a no pentagrama. Mesmo assim, o trecho introdutório continua parecidoco o Hino. O elemento que estabelece a diferença entre as duas melodias é a acentuação rítmica: o padrão marcial do hino frente ao tempo recortado da síncopas do samba. A discussão é, novamente, sobre as motivações do compositor: se a semelhança surge inconscientemente, uma vez que paródias ao Hino Nacional são comuns à época, ou se a citação é proposital. Quando se associa este segundo aspecto à letra satírica e à indicação de que ela trata do “Brasil de tanga”, configura-se uma vontade manifesta de criar esse sentido.

Mesmo sendo um das primeiras gravações do jovem compositor, “Com que Roupa?” contém as principais características da obra de Rosa. A letra apresenta os dilemas humanos, atravessados por humor, ironia, desejos, miséria e sofrimentos. Além disso, não segue as estruturas poéticas tradicionais, já que formulada para a canção popular. Ou seja, a escrita coloquial e curta, baseia-se nas linhas rítmicas e melódicas presentes no cotidiano do mundo urbano. Essa pulsação rítmica é transportada para a melodia e letra. Neste caso, ainda, com um bordão popular. A estrutura inovadora de “Com que Roupa?” tem que se equilibrar no trinômio melodia-ritmo-letra, tocada e cantada de modo diferente do padrão do período. Consagra uma maneira de cantar quase "falada". Como o próprio Noel grava boa parte de suas composições, é possível identificar como ele enxerga o novo desenho do samba. Ele segue o modelo de síncopas produzido pela turma do Estácio, distante do formato maxixe.

Essa nova forma consagra o gênero samba, atrai intérpretes de sua época e outros contemporâneos que gravam “Com que Roupa?”,  entre eles,  Aracy de Almeida (1914-1988), Marília Batista (1917-1990), Nelson Gonçalves (1919-1998), Rosinha de Valença (1941-2004), Elza Soares (1937), Martinho da Vila (1938), Maria Creuza (1944), MPB-4, Zezé Motta (1944), Zizi Possi (1956), Gilberto Gil (1942), Ivan Lins (1945), Caetano Veloso (1942), Zeca Pagodinho (1959), Johnny Alf (1929-2010), Joyce Moreno (1948), Olivia Byington (1958).
Ficha Técnicada obra Com que roupa?:http://enciclopedia.itaucultural.org.br/img/general/arrow-brown-down.png
Data de lançamento
1930
Autores
Noel Rosa (Compositor)
Rosinha de Valença (Instrumentista)
Elza Soares (Cantora/Intérprete)
Martinho da Vila (Cantor/Intérprete)
Zezé Motta (Cantora/Intérprete)
Zizi Possi (Cantora/Intérprete)
Gilberto Gil (Cantor/Intérprete)
Ivan Lins (Cantor/Intérprete)
Caetano Veloso (Cantor/Intérprete)
Zeca Pagodinho (Cantor/Intérprete)
Johnny Alf (Cantor/Intérprete)
Joyce Moreno (Cantora/Intérprete)
Olivia Byington (Cantora/Intérprete)
Fontes de pesquisa (7)http://enciclopedia.itaucultural.org.br/img/general/arrow-brown-down.png
SEVERIANO, Jairo; MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras, v. 1: 1901-1957. São Paulo: Editora 34, 1997. (Ouvido Musical).
ALMIRANTE. No Tempo de Noel Rosa. 2. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1977.
DIDIER, Carlos, MAXIMO, João. Noel Rosa. Uma biografia. Brasília, Ed. UnB, 1990.
Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antonio Marcondes. São Paulo: Art editora Ltda, 1977.
SANDRONI, Carlos, Feitiço decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933), RJ, Jorge Zahar Ed./Ed.UFRJ, 2001.
TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo:
Editora 34, 1999.
VVAA, Nova História da Música Popular Brasileira, Noel Rosa. São Paulo: Editora Abril, 1977.


In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra69190/com-que-roupa>. Acesso em: 19 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7




Com Que Roupa? (Noel Rosa) - Conjunto Nossas Coisas

ArquivoRaissaAmaral
Publicado em 5 de ago de 2011
Caola canta aqui a música "Com Que Roupa", que foi o primeiro sucesso de Noel Rosa. Um sucesso enorme que inspirou anúncios comerciais, paródias, charges, crônicas, entrevistas e até ajudou a fixar a expressão "com que roupa" como dito popular. Um verdadeiro achado, essa expressão se repete ao final de cada estrofe da composição, sendo uma das razões principais de seu êxito. Tudo indica, porém, que Noel não percebeu de início o potencial de "Com Que Roupa", pois, além de mantê-la inédita por um ano, vendeu-lhe os direitos pela quantia de 180 mil-réis, irrisória já na época. Segundo seus biógrafos, João Máximo e Carlos Didier, Noel confessou certa vez a um tio que "Com Que Roupa" retratava de forma metafórica o Brasil - "um Brasil de tanga, pobre e maltrapilho". Daí, talvez, a semelhança de seus compassos iniciais com os do Hino Nacional Brasileiro (problema corrigido pelo músico Homero Dornelas ao passar a melodia para a pauta). Com Que Roupa? (samba, 1931) - Noel Rosa: Introdução: C7 F Agora vou mudar minha conduta, Eu vou pra luta, D7 Gm Pois eu quero me aprumar C7 Vou tratar você com a força bruta F Pra pode me reabilitar C7 F Pois esta vida não ta sopa E eu pergunto: com que roupa D7 Gm Com que roupa, que eu vou, C7 F F7 Pro samba que você me convidou? Bb B° F D7 Com que roupa que eu vou G7 C7 F Pro samba que você me convidou? F Agora eu não ando mais fagueiro D7 Gm Pois dinheiro não é fácil de ganhar C7 Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro F Não consigo ter nem pra gastar C7 F Eu já corri de vento em popa Mas agora com que roupa? D7 Gm Com que roupa que eu vou C7 F Pro samba que você me convidou? Bb B° F D7 Com que roupa que eu vou G7 C7 F Pro samba que você me convidou? F Eu hoje estou pulando como sapo Pra ver se escapo D7 Gm Desta praga de urubu C7 Já estou coberto de farrapo F Eu vou acabar ficando nu C7 F Meu terno ja virou estopa E eu nem sei mais com que roupa D7 Gm Com que roupa que eu vou C7 F Pro samba que você me convidou? Bb B° F D7 Com que roupa que eu vou G7 C7 F Pro samba que você me convidou?



De Babado
Noel Rosa



REFRÃO:
De babado, sim
Meu amor ideal
Sem babado não.

Seu vestido de babado,
Que é de fato alta-costura,
Me fez sábado passado
Ir a pé a Cascadura.
(E voltei de cara-dura!)

REFRÃO

Com um vestido de babado
Que eu comprei lá em Paris
Eu sambei num batizado
Não dei palpite infeliz.
(Você não viu porque não quis!)

REFRÃO

Quando eu ando a seu lado
Você sobe de valor,
Seu vestido sem babado
É você sem meu amor.
(É assistência sem doutor!)

REFRÃO

Quando andei pela Bahia
Pesquei muito tubarão,
Mas pesquei um bicho um dia
Que comeu a embarcação.
(Não era peixe, era dragão!)

REFRÃO

Brasileiro diz meu bem
E francês diz "mon amour",
Você diz: vale quem tem
Muito dinheiro pra pagar meu "point-à-jo"
(Eu ando sem "I'argent toujours!")

REFRÃO

Vou buscar um copo d'água
Pra dar à minha avó,
Não vou de bonde porque tenho mágoa,
Não vou a pé porque você tem dó.
(Vamos comprar o Mossoró¹!)

REFRÃO MODIFICADO:
De cavalo, sim
Meu amor ideal
Sem cavalo, não
(Mas o cavalo de babado...)

¹ Nome do cavalo vencedor do primeiro Grande Prêmio Brasil em 1933.

Composição: João Mina 1936 / Noel Rosa



Mencionei um, mas há dois sambas de Noel Rosa sobre o tema. Um deles, em parceria com João da Mina, era na verdade um refrão que servia, segundo nos informam Máximo e Didier (1990), para infindáveis improvisos do compositor e mesmo da cantora Marilia Batista, com quem Noel Rosa registrará o samba em disco, em 1936. O refrão era justamente desse João da Mina:

De babado

Refrão

De babado, sim
Meu amor ideal
Sem babado não.

Seu vestido de babado,
Que é de fato alta-costura,
Me fez sábado passado Ir a pé a Cascadura.
(E voltei de cara-dura!)

Com um vestido de babado
Que eu comprei lá em Paris
Eu sambei num batizado
Não dei palpite infeliz.
(Você não viu porque não quis!)

Quando eu ando a seu lado
Você sobe de valor,
Seu vestido sem babado
É você sem meu amor.
(É assistência sem doutor!)

Brasileiro diz meu bem
E francês diz "mon amour”,
Você diz: vale quem tem
Muito dinheiro pra pagar meu “point-à-jo"
(Eu ando sem "I'argent toujours!”)

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De Babado (part. Alcione)
João Nogueira



Referências

https://moldesdicasmoda.com/wp-content/uploads/2015/06/MOLDE-DE-VESTIDO-COM-BABADO.jpg
https://moldesdicasmoda.com/molde-de-vestido-172/
https://youtu.be/7R_Bosj8pmU
https://www.letras.mus.br/noel-rosa-musicas/125759/
https://youtu.be/SiFeQ71hc6g
https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46250/
https://youtu.be/r8Vi3lMenMM
https://www.letras.mus.br/zeca-pagodinho/184594/
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra69190/com-que-roupa
https://youtu.be/aST0ywy3P7Y
https://www.youtube.com/watch?v=aST0ywy3P7Y
https://youtu.be/kcowUQlztko
https://www.letras.mus.br/noel-rosa-musicas/1242436/
file:///D:/Usu%C3%A1rio/Desktop/4793-10350-1-PB.pdf
https://youtu.be/WYoQK5G7tR0
https://www.letras.mus.br/joao-nogueira/1375914/