Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
JUGO
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É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
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A flor e a náusea, Carlos Drummond de Andrade
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"JUGO NÃO É O MESMO QUE PRENDER APÓS JULGAMENTO COM DEVIDO PROCESSO LEGAL E PLENO DIREITO DE DEFESA. AFINAL, O JUGO DEVE SER PROPORCIONAL AO CRIME COMETIDO."
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A flor e a náusea [Carlos Drummond de Andrade]
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
[A rosa do povo]
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Textos de apoio sobre o poema “A flor e a náusea”, de Carlos Drummond de Andrade
O poema A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade, poeta moderno brasileiro, faz parte da coletânea intitulada A rosa do povo, publicada em 1945. A obra insere-se no que os críticos consideram a fase social do poeta, a qual a entendem como uma obra de maturidade. Drummond apresenta uma expressão carregada de ironia e cinismo ao longo da obra, reflexo de um ambiente histórico denso que incorpora conflitos e paradoxos; nela, consciente de suas limitações, o poeta lança-se à incerteza do mundo e de si mesmo.
O poema A flor e a náusea é um exemplo do conflito de forças polarizadas que lutam por uma síntese, submergindo na interioridade como uma maneira de redescobrir o mundo. A angústia presente neste poema reflete com maestria a densidade do lirismo drummondiano, assim, vemos nele a existência aprisionada na solidão que recai sobre o indivíduo; seu ego fragmentado é vítima de um mundo também despedaçado, cercado de relações reificadas, a qual o poeta sintomatiza em tédio e enjoo. No entanto, outra forma se faz notar, crescendo, um encontro com a forma autêntica, escondida pela exterioridade, na paradoxal revelação de uma forma feia, em meio ao tumulto do mundo. A autenticidade aqui é encontrada na forma de uma flor. […]
A náusea, tão conhecida na literatura sartreana como sinônimo da liberdade que promove a abertura ao cru da existência, é substituída em Drummond pela incapacidade de reconhecer-se nas representações de seu tempo: “Em vão me tento explicar, os muros são surdos./ Sob a pele das palavras há cifras e códigos.” (Idem, p.13). E adiante a condenação do mundo reificado: “Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres, mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem.” (Ibidem).
“Encontro e diálogo no poema A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade: interfaces com a filosofia de Martin Buber”, Fabrício Costa. In: Em curso, v. 5, 2018, ISSN 2359-5841 http://dx.doi.org/10.4322/2359-5841.20180507
Em A rosa do povo, livro de poemas de 1945, Carlos Drummond de Andrade – autor nascido em 1902, na cidade de Itabira, Minas Gerais – apresenta, de maneira bastante aguçada, duas vertentes temáticas principais que se fazem presente nos textos que compõem a coletânea: o engajamento social e a adoção de uma visão exacerbadamente metapoética, a partir das quais o autor reflete sobre a natureza da poesia, bem como sobre sua forma. Assim, sob o prisma de tais traços, Drummond permite uma rica variedade temática à obra, além de conceder poemas em que se podem perceber traços formais múltiplos.
Levando tais aspectos em consideração – sobretudo o que se refere à perspectiva revolucionária adotada pelo autor –, percebe-se nos poemas a presença de um forte lirismo – cujo surgimento deu-se num momento do século XX em que o mundo passou por radicais transformações culturais, históricas e sociais, impulsionadas pela Segunda Guerra Mundial – responsável por provocar no público a reflexão proposta por Drummond, que convida seu leitor a se questionar sobre o mundo e, principalmente, sobre estar no mundo.
Exemplo disso é o poema “A flor e a náusea”, cuja natureza formal – responsável pela força expressiva do poema – é estruturada a partir de versos livres, que se destacam pelo fato de serem compostos de frases curtas e diretas, com predomínio de uma frase por verso.
No que diz respeito à temática de “A flor e a náusea”, o poema apresenta a revolta do sujeito poético perante o mundo em que vive. Essa inquietação pode ser percebida, por exemplo, no mal-estar sentido por esse indivíduo quando ele reconhece tal contexto e percebe, em si, o desejo de vomitar sobre tudo o que lhe incomoda e perturba – daí a presença do vocábulo “náusea” no título da poesia em questão, o qual apresenta um oximoro: é dessa revolta que brota uma flor que, apesar de feia, é capaz de furar o asfalto.
Logo, a partir de tais considerações, pode-se constatar que Drummond causa um grande impacto em seu leitor ao aproximar, no pontapé inicial do poema, duas palavras semanticamente distintas: “flor” e “náusea”, ou seja, o nascer e a perfeição unidos ao nojo e à destruição.
Partindo para a leitura do poema, percebe-se que, no início da primeira estrofe, já é possível notar uma construção bastante rica de sentido, a partir da qual são enumerados aspectos abstratos e concretos, gerais e particulares. Exemplo disso, o fato de serem a classe social e as roupas os fatores responsáveis por prender o sujeito poético ao mundo em que vive e, simultaneamente, o caracterizar de maneira econômica e abrangente.
Também é percebida, nessa altura do texto, a relação do indivíduo com sua classe profissional. Ou seja, o poeta, enquanto profissional, possui o dever de restaurar seu vínculo com a sociedade sem abstrair-se de sua identidade de poeta, uma vez que sua participação social se dá por meio da própria poesia, da linguagem poética.
Há nessa estrofe, ainda, a presença de uma antítese formada na relação das cores – branco e cinzento – escolhidas pelo autor para descrever o contraste entre o sujeito poético e o lugar em que se encontra e, assim, ressaltar a indiferença e o isolamento desse indivíduo no sombrio mundo que o cerca. Por meio de outra figura estilística, a paranomásia, o poeta aproxima as palavras “mercadorias” – representação do concreto – e “melancolias” – representação do abstrato, do psicológico –, de modo a ressaltar, por meio desse jogo de palavras, o desgosto que o sujeito poético sente pelo mundo capitalista e consumista em que vive.
No primeiro verso da segunda estrofe, por sua vez, o poeta diz que os olhos que contemplam o relógio da torre encontram-se sujos e, partir de tal afirmação, sugere o deslocamento de uma característica dos objetos “torre” e “relógio” para os olhos, que parecem contaminados diante da sujeira do ambiente. Vale ressaltar, ainda, que tal como a rua é poluída e cinzenta, também são sujos a torre e o relógio que nela se encontram. O autor utiliza adjetivos de cunho negativo para caracterizar, nessa estrofe, o tempo que se estava vivendo, o qual, para esse indivíduo desolado, é um tempo “de fezes”, um tempo “pobre”.
Na terceira estrofe do poema, vê-se que, para os habitantes desse mundo perturbado, que se encontram doentes, há pouca esperança – há apenas o sol como consolo, e como consolo apenas. As pessoas, metaforizadas na imagem dos muros, são surdas e, na tentativa descontente de comunicar-se, o poeta ressalta o profundo sentimento de solidão que toma conta do sujeito poético e faz emergir, ainda, a indiferença das pessoas para com ele.
No segundo verso dessa estrofe, por sua vez, há uma referência ao momento histórico vivido no Brasil, em que, sob um regime de ditadura, as pessoas viam-se em um momento de proibições e, por isso, escondiam, na linguagem, múltiplos sentidos e significações.
Na quarta estrofe, o sujeito faz uma série de considerações, tais como a reflexão feita por esse indivíduo acerca de si próprio e das relações que trava no âmbito social. Nesse processo de reavaliar sua existência, é tomado por uma forte sensação de perda, inutilidade e frustração ao notar que a incomunicabilidade faz com que as relações entre os homens se revelem dilaceradas.
Faz-se presente na quarta estrofe, ainda, uma forte e importante crítica à falta de liberdade com a qual esses indivíduos precisam lidar nesse período. Esse registro pode ser notado no fim dessa estrofe, quando o fato é agravado pela conformação construída através da metonímia do sétimo verso: “e soletram o mundo, sabendo que o perdem”.
No verso de abertura da quinta estrofe, por sua vez, o poeta nota que, independentemente da época ou do lugar, a desordem é um traço ordinário das relações sociais. Além disso, pode-se notar que, nessa estrofe, é revelada a consciência de culpa do sujeito poético quanto aos “crimes” que cometera, tanto em relação a si mesmo quanto em relação aos outros indivíduos, seus semelhantes, seja por meio de atitudes, ou, ainda, por meio da omissão, uma vez que esse sujeito considera-se, dada a sua condição de artista, responsável pela edificação do cotidiano. Além disso, o poeta se incrimina por nutrir-se de uma “ração diária de erro” (quinto verso) nas esferas individual e coletiva e, assim, pecar quanto à falta de consciência perante a injustiça social que assola seu país.
No que diz respeito ao plano sintático dos dois últimos versos dessa estrofe, nota-se o paralelismo, que, no contexto dessa construção, remete às notícias falsas trazidas pelos jornais, responsáveis, entre outras coisas, pela alienação da população.
A sétima estrofe do poema inicia-se com o verso “Uma flor nasceu na rua!”, que pode ser considerado o ápice do poema, ou seja, seu clímax. O fato de esse mesmo verso ser pontuado com uma exclamação dá aos leitores a sensação de que o sujeito poético, sempre com a emoção controlada, mesmo diante da revolta e do inconformismo, nessa passagem exclama sua exaltação, enchendo a “rua cinzenta” com seu grito.
A imagem dessa flor contrasta com os “[...] bondes, ônibus, rio de aço do tráfego” (segundo verso), elementos que representam o progresso, a tecnologia e, em certa instância, os responsáveis pela perda da sensibilidade e do lirismo bastante observada nos tempos modernos.
Essa flor, além disso, é capaz de iludir a opressão, representada, no poema, pela polícia, utilizada pelos opressores para manter o status quo; logo, a flor, ao romper o asfalto, possui a força de uma revolução. Assim, ela simboliza a esperança que, ainda tímida, se ergue contra a alienação e a desumanização oriundas do sistema capitalista, da guerra e da ditadura.
Na oitava estrofe, em que é reforçado o caráter simbólico desse elemento, o sujeito poético garante que se trata, de fato, de uma flor, mesmo que essa não possa ser percebida por sua cor, tampouco por suas pétalas, que não se abrem.
Pode-se notar, ainda, a ênfase que é dada, nas estrofes finais do poema, à feiura da flor, característica que aparece tanto na oitava quanto na nona estrofe do texto. A necessidade de enfatizar esse aspecto explica- -se graças ao fato de a flor representar uma revolução que não ocorre de maneira pacífica e bela. Pelo contrário, a revolução simbolizada na figura da flor ocorre de maneira dura e requer muita luta e muitos confrontos.
Na última estrofe do poema, portanto, vê-se o êxito do sujeito poético em superar a náusea com a ajuda da flor, que, mesmo sendo uma forma insegura, possui uma força incontrolável: a força da revolução.
“A perspectiva revolucionária e a metapoética em A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade”, Bárbara Duarte Baioco. In: Primeiros ensaios de literatura : das trovas ao testemunho [recurso eletrónico] / organizado por Isabela Dantas, Andréia Delmaschio e Wallysson Soares. – Vitória, ES : Edifes, 2021.
https://www.youtube.com/watch?v=BerOSwF-l20
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Milícias do Rio, Bolsonaro e o Brasil | Ponto de Partida
Meio
256 mil inscritos
Estreou há 2 horas #ClaudioCastro #Milicia #RioDeJaneiro
O Rio de Janeiro quebrou. Esse governador aí, Cláudio Castro, não vai resolver o problema. Ele é parte do problema. O que talvez você não saiba é que deste Rio miliciano saiu Jair Bolsonaro. O câncer não é da cidade. Ele infecciona o Brasil.
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PM do Rio prende policial dono de arma que estava com miliciano morto
Corporação apura se arma estava com Matheus da Silva Rezende, o Faustão, quando ele foi morto
PM do Rio prende policial dono de arma que estava com miliciano morto | CNN NOVO DIAPM do Rio prende policial dono de arma que estava com miliciano morto | CNN NOVO DIA
Leandro Resendeda CNN
São Paulo
24/10/2023 às 21:07 | Atualizado 25/10/2023 às 07:20
A Polícia Militar do Rio de Janeiro prendeu administrativamente o sargento Bruno Bento do Nascimento, do Batalhão de Choque.
A corporação apura se a arma dele estava com o miliciano Matheus da Silva Rezende, o Faustão, no momento em que ele foi morto na segunda-feira (23).
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No final da tarde de ontem, Bruno registrou em Teresópolis, cidade da região serrana do Rio, o desaparecimento de sua pistola automática Glock.
Em operação da Polícia Civil nesta terça-feira (24), policiais fizeram busca e apreensão em sua casa, pois descobriram que o miliciano usou a arma do policial militar no confronto no qual perdeu a vida.
A PM informou à CNN que “apura, por meio de sua Corregedoria e da 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, as circunstâncias do caso”.
Veja também: Terror da milícia prejudica um milhão de pessoas no Rio
Terror da milícia prejudica um milhão de pessoas no Rio | CNN 360ºTerror da milícia prejudica um milhão de pessoas no Rio | CNN 360º
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Bernardo Mello Franco – Perdidos no tiroteio
O Globo
Presidente disse que "está pensando" em recriar Ministério da Segurança Pública; ideia foi anunciada na campanha e descartada após a eleição
Em junho de 2000, um assaltante fez reféns num ônibus da linha 174. O país parou para acompanhar o drama carioca pela TV. Depois de quatro horas e meia de tensão, o cerco terminou em tragédia. O ladrão matou uma passageira grávida e foi estrangulado num camburão da PM.
Na semana seguinte, o presidente Fernando Henrique Cardoso convocou a imprensa e anunciou o primeiro Plano Nacional de Segurança Pública. O Planalto prometia sair do imobilismo e ajudar os estados a combater o crime. O roteiro se repete há 23 anos, com muito estardalhaço e pouco resultado efetivo.
A nova crise de segurança no Rio reacendeu os apelos por algum socorro federal. Há um problema: o presidente Lula não parece seguro do que pode e do que pretende fazer.
Na semana passada, o governo começou a enviar soldados da Força Nacional de Segurança para agir no patrulhamento em vias expressas. Os homens ainda chegavam à cidade quando a milícia incendiou 35 ônibus e um trem na segunda-feira.
Ontem o presidente declarou que “está pensando” em recriar um Ministério da Segurança Pública. A ideia foi prometida na campanha e abandonada após a eleição. Hoje divide opiniões na Esplanada. O ministro da Justiça, Flávio Dino, considera que seria uma solução ilusória e um erro político.
Desde FH, todos os presidentes encenam o mesmo número. Ameaçam assumir protagonismo na segurança, mas recuam diante do risco de desgaste na imagem. Na dúvida, o ônus fica com os governadores. Em situações excepcionais, o Planalto recorre às Forças Armadas. Não tem dado certo, como mostra a experiência de várias GLOs e uma intervenção federal no Rio.
Enquanto Lula não se decide, o governo age pontualmente. Até aqui, a ordem é usar mais a Polícia Federal e mobilizar Marinha e Aeronáutica contra a entrada de drogas e armas no estado.
Das autoridades locais, é difícil esperar alguma coisa. Sem comando sobre as polícias, o governador Cláudio Castro parece viver numa realidade paralela. “O crime organizado que não ouse desafiar o poder do Estado”, tuitou, na segunda-feira. Enquanto ele garganteava nas redes, a Zona Oeste vivia um dia de terror, com transportes parados e 17 mil crianças sem aulas.
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Luiz Carlos Azedo - O pacto perverso com as milícias no Rio de Janeiro
Correio Braziliense
Castro fez um pacto perverso com as policias civil e militar e aboliu a Secretaria de Segurança Pública, sem a qual é impossível coordenar a ação do governo nessa área
A história trágica do Doutor Fausto (1604) é uma peça teatral de autoria de Christopher “Kit” Marlowe, um dramaturgo inglês que fez muito sucesso nos reinados de Elizabeth I (1558-1603) e James I (1603-1625), no período de surgimento de comédias e tragédias psicológicas e sobrenaturais. Com base numa lenda alemã sobre um alquimista da Idade Média, o Fausto de Marlowe era um acadêmico altamente respeitado, cuja sede de conhecimentos o levou um pacto mortal com Mefistófeles, após ser corrompido pelo poder. Quando percebeu que atraíra para si um grande mal, já era tarde demais.
A temática do pacto diabólico entre Fausto e Mefistófeles foi retomada pelo alemão Wolfgang von Goethe entre 1808 e 1812 na cidade de Weimar, na qual protagonizava a efervescência do classicismo, ao lado de seu amigo Friedrich von Schiller. Ambos retomaram aos clássicos gregos e rejeitaram a ideia da perfeição estética, em favor do equilíbrio entre inspiração, conteúdo e forma. Graças à insistência de seu amigo, Goethe revisitou a lenda de Fausto e Mefistófeles, dando-lhe a profundidade que tornou sua dramaturgia um clássico da literatura universal.
Sua obra começa no Céu, onde Mefistófeles, o Diabo, medita sobre a humanidade e aposta com Deus que é capaz de fazer com que um de seus súditos favoritos, Fausto, aventure-se pelo caminho do mal e, assim, conquiste sua alma. Deus acredita que Fausto se manterá fiel e seja capaz de corrigir os próprios erros. Cada vez mais ganancioso, porém, Fausto recebe um castigo dos deuses e fica cego. Dominado pela culpa, ele ganha consciência dos seus atos e deseja que aquele momento de clareza dure para sempre. Assim, o pacto é quebrado e o protagonista morre.
Mefistófeles tenta levar a alma dele para o Inferno, mas é interrompido pelo aparecimento de um coro de anjos que carregam Fausto até ao Paraíso. Seu arrependimento valeu a pena e possibilitou a redenção divina. Nesta crise de segurança pública criada pela milícia carioca no Zona Oeste do Rio, território controlado pelo crime organizado, o governador fluminense Claudio Castro (PL) encarna a figura de Fausto. Santista, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e fez carreira como músico, compositor e cantor da Renovação Carismática Católica, ligada à Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ex-vereador, era o vice do governador Wilson Witzel, que foi cassado. Assumiu o governo interinamente em 2020 e no ano seguinte foi efetivado. Foi reeleito em 2022, com 60% dos votos, no primeiro turno.
Tudo misturado
Aliado ao presidente Jair Bolsonaro, Castro fez um pacto perverso com as policias civil e militar e aboliu a Secretaria de Segurança Pública, sem a qual é impossível coordenar a ação do governo nessa área. No pacote, veio o acordo tácito de convivência com as milícias do Rio de Janeiro, que controlam toda a região da Zona Oeste e boa parte da Baixada Fluminense, e apoiaram sua reeleição. Formada por ex-policiais e policiais corruptos, em algumas regiões as milícias atuam em conluio com o tráfico de drogas e, em outras, substituem os traficantes nesse mister. Hoje, controlam redutos eleitorais decisivos para a política fluminense. Não existe crime organizado sem participação de agentes públicos, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.
O governo de Cláudio Castro é marcado por chacinas policiais, como as do Jacarezinho, da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, para citar as mais sangrentas. Quase sempre ocorrem após ajustes de contas entre milicianos e traficantes. Em números, a gravidade da situação na Zona Oeste do Rio de Janeiro é flagrante: de janeiro a outubro deste ano, foram 241 mortos em homicídios (129,5% sobre os 105 do mesmo período de 2022); 13 chacinas com 47 mortos (291,6% a mais que os 12 em 4 massacres no ano anterior); e 728 tiroteios (55,88% a mais que os 467 do ano passado). No mesmo período, a Zona Sul, a mais rica e turística, o município, registrou, no mesmo período: 6 mortos em homicídio (o dobro do ano anterior); nenhuma chacina, como em 2022; e 47 tiroteios (queda de 8,51% sobre os 51 de 2022).
Na segunda-feira, a Zona Oeste foi palco de incêndios criminosos de mais 30 ônibus, que deixaram em colapso o sistema de transportes da região, uma represália da milícia à morte de Matheus da Silva Rezende, em troca de tiros com a Polícia Civil. Conhecido como Faustão ou Teteu, ele era sobrinho de Zinho, chefe de uma das principais milícias da região. O governador parabenizou a ação dos policiais, mas não imaginava que perderia o controle da situação.
Não há mais distinção entre milícia e tráfico de drogas no Rio de Janeiro, pois ambos adotam o mesmo conceito de “territorialização” e praticam os mesmos crimes. O Comando Vermelho (CV) e as milícias se aliaram para controlar as comunidades da Zona Oeste e Baixada Fluminense, nas quais exploram a venda de drogas, gás de botijão, acesso à internet, transporte por van e outros serviços.
Não existe um solução fácil para o problema, embora a situação exija medidas imediatas. Apesar de descontrole da situação, em conversa com o ministro da Justiça, Fábio Dino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou uma intervenção federal. A opção até agora foi reforçar a presença da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional no trabalho de inteligência e controle das estradas, portos, aeroportos e divisas do estado. Na verdade, é impossível resolver o problema de segurança no Rio de Janeiro sem mudanças na política antidrogas e um grande expurgo na Polícia Civil e na Polícia Militar.
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Jugo - Conceito e o que é
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Significado de Jugo
O que é Jugo:
Jugo é uma peça feita de madeira que é utilizada para unir dois bois, para que andem no mesmo compasso enquanto puxam um arado ou uma carroça. É também chamada de canga ou junta de bois.
Jugo era uma espécie de forca, por baixo da qual os romanos faziam passar os inimigos vencidos nas batalhas.
No sentido figurado, jugo significa submissão, obediência, autoridade, domínio, opressão, sujeição. Exemplos: “Em alguns países que cultuam o islamismo é claramente observado o pesado jugo ao qual são submetidas às mulheres”. “O escravo vivia sob o jugo do seu senhor”.
Na área da Botânica, jugo é um par de folículos de uma folha composta, desde que estes fiquem em posições opostas ao eixo da inflorescência.
O jugo na Bíblia
No sentido religioso, jugo é a opressão que uma pessoa carrega quando está dominada por seus próprios problemas, como enfermidades, vícios, dívidas etc.
Segundo o Evangelho de São Mateus (Mateus 11: 28-30) Jesus chama a todos que estão oprimidos para irem até Ele: Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhe darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.
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DINO recusa convocação e oposição quer impeachment | PT acusa Pacheco de servir a extrema-direita
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MyNews
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No Café desta quarta-feira, 25 de outubro de 2023, os jornalistas Afonso Marangoni e João Bosco Rabello conversam sobre a ida de Flávio Dino nesta quarta-feira (25) à comissão da Câmara presidida pela deputada Bia Kicis e as consequências no mundo político da presença do ministro da Justiça. Os jornalistas falam também sobre embate entre Gleisi Hoffmann e Rodrigo Pacheco, crise de segurança pública no Rio de Janeiro e outras notícias que movimentam o noticiário.
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"Por que a bancada da bala não convocou o governador do Rio, Cláudio Castro? Ou o convidou? Não é? Por que não chamou ainda os atores envolvidos nesse processo do Rio de Janeiro. Não é? Não, ela quer é o ministro, que é responsabilizado diretamente por isso. Enfim, isso é uma batalha na qual o governo também deve se envolver. Ou a bancada governista entra, ou ficará claro que o PT está abandonando o ministro. É... está deixando-o ao jugo dessa turma toda. É preciso que o governo reflita sobre o que isso já mostra. O governo hoje está lá na esgrima diária para costurar espaços cobrados pelo centrão a fim de participar do governo. Espaços dentro do governo, como ministérios, cargos federais, FUNASA e Caixa Econômica. O centrão está tentando obter sua parcela política e cobrar o preço por fazer parte da base do governo, sem garantir cem por cento dos votos. Se o governo decidir criar o Ministério da Segurança Pública, não há dúvida de que estará colocando em risco, no futuro, a nomeação desse ministério para alguém do centrão. Porque eles vão competir por esse ministério, Afonso."
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STF decide que cumprimento da pena deve começar após esgotamento de recursos
A decisão não afasta a possibilidade de prisão antes do trânsito em julgado, desde que sejam preenchidos os requisitos do Código de Processo Penal para a prisão preventiva.
07/11/2019 22h32 - Atualizado há
109857 pessoas já viram isso
Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a regra do Código de Processo Penal (CPP) que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de recurso (trânsito em julgado da condenação) para o início do cumprimento da pena. Nesta quinta-feira (7), a Corte concluiu o julgamento das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC) 43, 44 e 54, que foram julgadas procedentes.
Votaram a favor desse entendimento os ministros Marco Aurélio (relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente do STF. Para a corrente vencedora, o artigo 283 do Código de Processo Penal (CPP), segundo o qual “ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”, está de acordo com o princípio da presunção de inocência, garantia prevista no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal. Ficaram vencidos os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que entendiam que a execução da pena após a condenação em segunda instância não viola o princípio da presunção de inocência.
A decisão não veda a prisão antes do esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade de que a situação do réu seja individualizada, com a demonstração da existência dos requisitos para a prisão preventiva previstos no artigo 312 do CPP – para a garantia da ordem pública e econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.
O julgamento das ADCs foi iniciado em 17/10 com a leitura do relatório do ministro Marco Aurélio e retomado em 23/10, com as manifestações das partes, o voto do relator e os votos dos ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Na sessão de 24/10, o julgamento prosseguiu com os votos dos ministros Rosa Weber, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski. Na sessão de hoje, proferiram seus votos a ministra Cármen Lúcia e os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli.
Ministra Cármen Lúcia
A ministra aderiu à divergência aberta na sessão de 23/10 pelo ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a possibilidade da execução da pena com o encerramento do julgamento nas instâncias ordinárias não atinge o princípio da presunção de inocência. Segundo ela, o inciso LVII do artigo 5º da Constituição Federal deve ser interpretado em harmonia com os demais dispositivos constitucionais que tratam da prisão, como os incisos LIV (devido processo legal) e LXI (prisão em flagrante delito ou por ordem escrita).
A eficácia do direito penal, na compreensão da ministra, se dá em razão da certeza do cumprimento das penas. Sem essa certeza, “o que impera é a crença da impunidade”. A eficácia do sistema criminal, no entanto, deve resguardar “a imprescindibilidade do devido processo legal e a insuperável observância do princípio do contraditório e das garantias da defesa”.
Ministro Gilmar Mendes
Em voto pela constitucionalidade do artigo 283 do CPP, o ministro Gilmar Mendes afirmou que, após a decisão do STF, em 2016, que passou a autorizar a execução da pena antes do trânsito em julgado, os tribunais passaram a entender que o procedimento seria automático e obrigatório. Segundo o ministro, a decretação automática da prisão sem que haja a devida especificação e individualização do caso concreto é uma distorção do que foi julgado pelo STF.
Para Mendes, a execução antecipada da pena sem a demonstração dos requisitos para a prisão viola o princípio constitucional da não culpabilidade. Ele salientou que, nos últimos anos, o Congresso Nacional aprovou alterações no CPP com o objetivo de adequar seu texto aos princípios da Constituição de 1988, entre eles o da presunção de inocência.
Ministro Celso de Mello
Ao acompanhar o relator, o ministro afirmou que nenhum juiz do STF discorda da necessidade de repudiar e reprimir todas as modalidades de crime praticadas por agentes públicos e empresários delinquentes. Por isso, considera infundada a interpretação de que a defesa do princípio da presunção de inocência pode obstruir as atividades investigatórias e persecutórias do Estado. Segundo ele, a repressão a crimes não pode desrespeitar e transgredir a ordem jurídica e os direitos e garantias fundamentais dos investigados. O decano destacou ainda que a Constituição não pode se submeter à vontade dos poderes constituídos nem o Poder Judiciário embasar suas decisões no clamor público.
O ministro ressaltou que sua posição em favor do trânsito em julgado da sentença condenatória é a mesma há 30 anos, desde que passou a integrar o STF. Ressaltou ainda que a exigência do trânsito em julgado não impede a decretação da prisão cautelar em suas diversas modalidades.
Leia a íntegra do voto do ministro Celso de Mello.
Ministro Dias Toffoli
Último a votar, o presidente do STF explicou que o julgamento diz respeito a uma análise abstrata da constitucionalidade do artigo 283 do CPP, sem relação direta com nenhum caso concreto. Para Toffoli, a prisão com fundamento unicamente em condenação penal só pode ser decretada após esgotadas todas as possibilidades de recurso. Esse entendimento, explicou, decorre da opção expressa do legislador e se mostra compatível com o princípio constitucional da presunção de inocência. Segundo ele, o Parlamento tem autonomia para alterar esse dispositivo e definir o momento da prisão.
Para o ministro, a única exceção é a sentença proferida pelo Tribunal do Júri, que, de acordo com a Constituição, é soberano em suas decisões. Toffoli ressaltou ainda que a exigência do trânsito em julgado não levará à impunidade, pois o sistema judicial tem mecanismos para coibir abusos nos recursos com a finalidade única de obter a prescrição da pena.
Redação//CF
Processo relacionado: ADC 44
Processo relacionado: ADC 43
Processo relacionado: ADC 54
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terça-feira, 24 de outubro de 2023
VIOLENTA EMOÇÃO
ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES
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FICHA TÉCNICA DO FILME ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Robert De Niro , Lily Gladstone, Jesse Plemons, John Lithgow, Brendan Fraser, Tantoo Cardinal, Cara Jade Myers
Duração: 206 min
País: Estados Unidos
Sinopse: Na virada do século XX, o petróleo tornou a nação Osage a mais rica do mundo do dia para a noite. Tanta riqueza atraiu intrusos brancos, que manipularam, extorquiram e roubaram ao máximo o dinheiro do povo nativo Osage antes de assassinar a população. Baseado em uma história verídica e contado no romance improvável entre Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio) e Mollie Kyle (Lily Gladstone), “Killers of the Flower Moon” é uma saga épica do crime ocidental, em que amor verdadeiro e traição indescritível se cruzam. Estrelado também por Robert De Niro e Jesse Plemons, “Killers of the Flower Moon” é dirigido pelo vencedor do Oscar, Martin Scorsese, a partir do roteiro escrito por Eric Roth e Martin Scorsese com base no livro best-seller de David Grann.
CINEMAS E HORÁRIOS DAS SESSÕES EM JUIZ DE FORA DO FILME ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES
https://www.hojenocinema.com/juiz-de-fora/filmes/assassinos-da-lua-das-flores
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Samba de Cadeia
"Um dia, perguntei ao Wilson Moreira se conhecia algum desses sambas. Diante da resposta afirmativa e da admiração dele por esse tipo de samba, propus fazermos um. E assim criamos 'Senhora Liberdade'. Wilson dizia que quem já entrou na cadeia sabe que há duas coisas que são universais: todo preso se diz inocente, e todo preso tem como pensamento único alcançar a liberdade." - Nei Lopes
Originalmente, essa música chamava-se 'Violenta Emoção'. Ao mostrá-la numa roda de samba na casa do jornalista Sérgio Cabral, o pai, o samba foi ouvido por Zezé Mota, que estava escolhendo repertório para o disco. Ela gostou muito e acabou gravando. No entanto, pediu para mudar o título e o nome 'Senhora Liberdade' foi adotado. O resultado: a música se transformou no hino das 'Diretas Já', cantado nas ruas e praças do Brasil.
Senhora Liberdade
Wilson Moreira e Nei Lopes
1979
Episódio 206
Fone de Ouvido
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Zezé Motta - "Senhora Liberdade" (1979)
calulinho
134.052 visualizações 20 de mai. de 2009
Zezé Motta canta "Senhora Liberdade" (Wilson Moreira-Nei Lopes) no Fantástico (Globo) de 1979.
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Calle Corrientes | Buenos Aires muitas paixões
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“Nós, peronistas, somos como os gatos: quando as pessoas ouvem eles gritando, não é que estão brigando… é que estão se reproduzindo!” — Juan Domingo Perón
Fonte: O Peronismo… por si próprio, 15 de abril de 2009 - Ariel Palacios
Fonte: https://citacoes.in/citacoes/103178-juan-domingo-peron-nos-peronistas-somos-como-os-gatos-quando-as-pe/
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Sylvia Colombo - Eleição argentina é a mais tensa e histórica das últimas duas décadas
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Folha de S. Paulo
Massa e Milei vão ao 2º turno e começam jogo completamente diferente
"Os peronistas somos como os gatos. Parece que estamos brigando, mas, na verdade, estamos nos reproduzindo". A frase atribuída ao próprio general Juan Domingo Perón (1895-1974) volta a ganhar atualidade.
O candidato peronista, Sergio Massa, obteve uma votação surpreendente neste domingo (22) e passa para o segundo turno à frente de Javier Milei.
Assim, mostra que, mesmo com tantas diferenças internas dentro da aliança União pela Pátria, foi possível que seu representante superasse a média da base de votos da qual o peronismo sempre parte na maioria das eleições, a de 30%.
Horas antes, a vice-presidente Cristina Kirchner havia dito que não tinha "nada a ver com essa eleição", ou seja, que acreditava que Massa estava derrotado. E mais, se desligou de Alberto Fernández, "eu sou apenas a presidente do Senado, o presidente é ele".
Pois, não muito tempo depois, a esquina de Corrientes e Dorrego, usual ponto de encontro dos peronistas nos últimos anos, estava lotada de apoiadores de Massa, batendo bumbo, cantando e festejando a boa votação dos peronistas.
A grande novidade da eleição é a diferença de 6 pontos percentuais entre Massa e Milei, enquanto as pesquisas apontavam um cenário muito mais embolado.
Terá tido influência aí a equipe de marqueteiros brasileiros que vieram à Argentina para ajudar o peronista? Notou-se claramente uma mudança nos discursos de Massa, que se centraram mais em chamar a atenção para o medo do avanço da extrema direita.
Massa também resgatou a narrativa peronista mais nacionalista, chamando a atenção para a ameaça que Milei representava para a soberania argentina, desde a iniciativa de acabar com o peso à de esquecer o pedido argentino pela soberania sobre as ilhas Malvinas. Trata-se dos marqueteiros Sidonio Palmeira, Raul Rabelo e a consultora Macaco Gordo, da Bahia.
Milei provavelmente seguirá com o mesmo discurso, pois não pode perder o capital político que arregimentou, especialmente entre os jovens da capital e do conurbano.
Mas terá de fazer algo mais. Um sinal aos empresários, aos eleitores de Patricia Bullrich? É de imaginar que um núcleo duro de eleitores de direita de Bullrich migre para Milei. Mas não todos.
Muitos fizeram o voto útil nela pensando que Milei, apesar de ter as mesmas bandeiras, era muito mais radical e pouco apresentável. Esses podem migrar para Massa, que é um camaleão político e pode fazer alianças à direita improváveis para a esquerda de sua agrupação.
Difícil não classificar essas eleições como as mais tensas e históricas das últimas duas décadas. Em 2003, vivia-se uma apreensão parecida. Afinal, o país estava afundado numa crise econômica, acreditem, bem pior que a atual.
A pobreza ultrapassava os 50%, o peso havia sofrido uma imensa desvalorização, após o "corralito" ter impedido que as pessoas retirassem dos bancos seus dólares, como se podia fazer até 2001, na famosa política do 1 para 1. Para sobreviver, criou-se até uma moeda nova, os "patacones".
Os piqueteiros seguiam nas ruas, com protestos e bloqueios no centro de Buenos Aires. A fome era uma constante no conurbano bonaerense, e armavam-se bandejões para ajudar os que nada tinham para comer.
Nesse contexto, o populista peronista e liberal Carlos Menem, mesmo depois de ter governado por dois mandatos, quis voltar. A insatisfação com ele e suas políticas eram tão grandes que despontou na Patagônia uma figura até então desconhecida.
Sabendo que ia perder o segundo turno para o apelidado "El Pinguino", Menem desistiu, e de repente Néstor Kirchner, outro peronista, mais à esquerda, transformou-se no presidente improvável que levantaria a Argentina e fundaria a corrente política predominante no país nos 20 anos seguintes, o kirchnerismo.
Mas, 20 anos depois, o desgaste do kirchnerismo é evidente. Com uma administração desastrosa do governo, a corrupção grassou, e se tornou comum emitir moeda e distribuir subsídios de modo a criar a segunda maior inflação da América Latina, atrás apenas da Venezuela.
O interregno do governo de direita de Mauricio Macri também fracassou, terminando com um país endividado até o pescoço.
Agora, estamos num jogo completamente diferente, o segundo turno será a nova fase desta eleição tão diferente, surpreendente e histórica como foi a de 2003. O peronismo tem uma chance de se reinventar, pois ainda possui sua conexão intensa com o estrato mais humilde.
A nova estratégia de Milei se está por ver: o que mais poderá inventar além do leão em chamas com o qual se identifica?
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Cambalache
Carlos Gardel
Cambalache
El mundo fue y será una porquería, ya lo sé
En el quinientos seis y en el dos mil también
Que siempre ha habido chorros
Maquiávelos y estafáos'
Contentos y amargaos, valores y dublé
Pero que el siglo veinte es un despliegue
De maldá' insolente ya no hay quien lo niegue
Vivimos revolcaos en un merengue
Y en el mismo lodo todos manoseaos
Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor
Ignorante, sabio, chorro, generoso, estafador
Todo es igual, nada es mejor
Lo mismo un burro que un gran profesor!
No hay aplazaos ni escalafón
Los inmorales nos han iguala'o
Si uno vive en la impostura
Y otro roba en su ambición
Da lo mismo que sea cura
Colchonero, rey de bastos
Caradura o polizón
¡Qué falta de respeto, qué atropello a la razón!
¡Cualquiera es un señor, cualquiera es un ladrón!
Mezclao' con Stavisky van Don Bosco y La Mignon
Don Chicho y Napoleón, Carnera y San Martín
Igual que en la vidriera irrespetuosa
De los cambalaches se ha mezclao' la vida
Y herida por un sable sin remache
Ve llorar la Biblia contra un bandoneón
Siglo veinte, cambalache, problemático y febril
El que no llora no mama y el que no afana es un gil
Dale nomás, dale que va
Que allá en el horno nos vamo' a encontrar
No pienses más, sentate a un lao'
Que a nadie importa si naciste honrao'
Es lo mismo el que labura
Noche y día como un buey
Que el que vive de los otros
Que el que mata o el que cura
O está fuera de la ley
Cambalacho
Que o mundo foi e será uma porcaria, eu já sei
Em 506 e no ano 2000 também
Que sempre houve ladrões
Astutos e enganados
Felizes e amargurados, originais e imitações
Mas que o século XX é uma exposição
De maldade insolente, já não há quem negue
Vivemos misturados em um merengue
E na mesma lama todos manuseados
Hoje acontece que é o mesmo ser correto ou traidor
Ignorante, sábio, mão-leve, generoso, vigarista
Tudo é igual, nada é melhor
O mesmo burro e um grande professor!
Sem repetentes, nem hierarquia
Os imorais nos igualaram
Se alguém vive na impostura
E outro rouba em sua ambição
Dá na mesma que seja padre
Preguiçoso, capanga
Cara de pau ou vagabundo
Que falta de respeito, que afronta a razão!
Qualquer um é um cavalheiro, qualquer um é ladrão!
Misturados com Stavisky, vão Dom Bosco e La Mignon
Don Chicho e Napoleão, Carnera e San Martín
Assim como na vitrine desrespeitosa
Dos cambalachos, se misturou a vida
E ferido por uma espada sem rebites
Se vê chorar a Bíblia contra um aquecedor
Século XX, cambalacho, problemático e febril
Quem não chora, não mama e quem não rouba é um tolo
Da-lhe apenas, da-lhe que vai
Que lá no forno, vamos nos encontrar!
Não penses mais, sente-se ao lado
Que ninguém se importa se você nasceu honrado!
Se é o mesmo quem trabalha
Dia e noite como um boi
Que quem vive dos outros
Que mata ou cura
Ou está fora da lei
Composição: Enrique Santos Discépolo.
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Cambalache
Raul Seixas
A canção "Cambalache," interpretada por Francisco Canaro, é uma composição icônica que descreve a sociedade argentina do século XX, particularmente em um contexto de mudanças sociais e políticas. A canção reflete a visão do compositor sobre a Argentina da época, onde valores tradicionais estavam em conflito com as mudanças e incertezas que a sociedade enfrentava.
A letra da música retrata a ideia de que o mundo é caótico e imprevisível, com a afirmação de que "todo é igual, nada é melhor," destacando a falta de distinção entre o que é correto e errado, o que é honesto e desonesto. Os versos enfatizam a ideia de que a sociedade está em desordem, onde não importa se você é virtuoso ou um enganador, todos estão nivelados em um mesmo patamar.
A referência a figuras históricas e personagens fictícios, como Napoleão, Dom Bosco, e Stavisky, sugere a ideia de que essas figuras notáveis compartilham o mesmo espaço na sociedade, sem distinção entre o bem e o mal.
A canção também menciona o "século vinte" como um período de decadência e desrespeito à moral e à razão, destacando o ambiente tenso e caótico da época em que foi escrita. A referência à "impostura" e à busca da ambição destaca o cinismo e a desconfiança que permeavam a sociedade argentina.
Em resumo, "Cambalache" é uma crítica mordaz à sociedade argentina do século XX, denunciando a corrupção, a falta de valores morais e a incerteza que caracterizavam a época. A canção reflete a visão do compositor de que a Argentina estava passando por mudanças profundas e desafiadoras, e que essas mudanças estavam causando uma desordem moral e social. É uma obra que captura a complexidade da sociedade argentina da época e permanece como um reflexo de seu tempo.
https://www.letras.mus.br/raul-seixas/221824/
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Nas Entrelinhas: Entre o peronismo e o anarco-capitalismo
Publicado em 24/10/2023 - 07:37 Luiz Carlos Azedo
Argentina, Brasília, Comunicação, Eleições, Governo, Memória, Militares, Música, Partidos, Política, Política, Trabalho
A redemocratização da América Latina, após a derrocada dos regimes militares, produziu uma espécie de “revanche do populismo“
O que não falta são tangos para embalar os corações argentinos na sucessão do presidente Alberto Fernández. No segundo turno, terão que escolher entre
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Volver
Carlos Gardel
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Volver — Volver con la frente marchita/ Las nieves del tiempo platearon mi sien/ Sentir que es un soplo la vida/ Que veinte años no es nada (Voltar com a testa franzida/ As neves do tempo pratearam minhas têmporas/ Sentir que se é um sopro de vida/ Que vinte anos não são nada) —, clássico de Carlos Gardel e seu parceiro paulista Alfredo Le Pera, e
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Balada Para un Loco
Astor Piazzolla
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Balada para un loco — Loco! ¡Loco! ¡Loco!/ Como un acróbata demente saltaré/ sobre el abismo de tu escote/ hasta sentir que enloquecí/ tu corazón de libertad… (Louco! Louco! Louco! Como um acrobata demente saltarei/ sobre o abismo do teu decote/ até sentir que enlouqueci/ o teu coração de liberdade…), de Astor Piazzolla e o poeta uruguaio Horácio Ferrer.
Depois de ir às urnas no domingo, a Argentina está entre o passado peronista do atual ministro da Fazenda, Sergio Massa, que protagonizou uma espetacular virada eleitoral após as primárias (quando ficou em terceiro), ao obter 36% dos votos, e o inusitado anarco-capitalismo de Javier Milei, que era favorito na maioria das pesquisas e obteve 30%. A ex-ministra Patricia Bullrich, terceira força eleitoral e candidata de centro-direita, obteve 26% dos votos.
O número de eleitores que compareceram ao pleito foi o menor desde o retorno da democracia: 74%. Apesar da vantagem de Massa, a eleição continua indefinida, devido principalmente à instabilidade econômica, que deve aumentar nesses 30 dias até o segundo turno, em 19 de novembro.
A crise cambial e a inflação atormentam os argentinos há décadas. Em setembro, a inflação anual chegou a 138% e o dólar no câmbio negro ultrapassou mil pesos. O presidente Alberto Fernández, com baixíssima aprovação, sumiu da campanha eleitoral para não queimar o filme de Massa.
Entretanto, o resultado mostrou a força política do peronismo, em especial na região da Grande Buenos Aires, que reúne o maior número de eleitores do país. Na disputa para governador da província de Buenos Aires, o peronista Axel Kicillof garantiu a reeleição em primeiro turno, com 45% dos votos, e uma larga vantagem sobre os adversários.
Milei se projetou como alternativa de poder com a bandeira da dolarização da economia, mas a criação da expectativa de que venceria no primeiro turno, que foi sua tática eleitoral, acabou desconstruída pelo medo do eleitorado conservador em relação às suas propostas, entre as quais a de liberar o uso de armas. Resultado: comparado ao ex-presidente Jair Bolsonaro por seus próprios aliados e, por isso, confrontado pelos peronistas, Milei foi estigmatizado e obteve o mesmo índice de votos das primárias.
Populismo e “iliberalismo”
Entretanto, as primeiras pesquisas após o primeiro turno estão mostrando que Milei permanece no páreo. Pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar (1976-1983), a polarização entre peronistas e liberais foi rompida. Complicado avaliar que ambos são populistas, um de esquerda e outro de direita. Como diria o filósofo Isaiah Berlin, citado pelo historiador brasileiro Alberto Aggio (Um lugar no mundo, estudos de história política latino-americana, Fundação Astrojildo Pereira/Fondazione Istituto Gramsci), “o populismo é um sapato para o qual existe um pé em algum lugar”, tamanha a vulgarização do conceito.
Massa representa o centro do Partido Justicialista, mas tem o apoio de Cristina Kirchner, de centro-esquerda. O peronismo possui espectros que vão da direita à esquerda, dependendo de suas lideranças. De certa forma, sua candidatura encerra um ciclo de disputa interna no Partido Justicialista.
Qualquer que seja o resultado da eleição, o vencedor terá que negociar com o Congresso. Nesse aspecto, Milei melhorou de condição, pois conseguiu eleger 35 deputados e oito senadores. Massa, porém, acena ao centro e promete encerrar os 20 anos do modelo kirchnerista, que vivia às turras com o mercado.
Mas o que é o populismo? Segundo Aggio, o populismo emergiu num cenário de crise de liberalismo e de ascensão de massas na América Latina. Buscava a construção de uma sociedade industrial e moderna, politicamente orientada pelo Estado, incorporando os trabalhadores assalariados por meio dos direitos sociais, porém, sem rupturas violentas. Com isso, interditou a passagem clássica à modernidade pela integração plena da sociedade às estruturas políticas da democracia liberal.
A redemocratização da América Latina, após a derrocada das ditaduras militares da região, produziu uma espécie de “revanche do populismo”, cuja tradução mais tosca seria o bolivarianismo de Hugo Chávez na Venezuela. A intolerância, o antipluralismo e o autoritarismo colocaram a recidiva populista no campo do regresso político, o que, de certa forma, abriu espaço para algo muito pior: o “iliberalismo”, encarnado por Bolsonaro, no Brasil, e outros líderes de extrema direita, no mundo. O anarco-capitalismo de Milei está mais para esse lado do que para o populismo.
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Wilson Moreira e Nei Lopes - Raio de Luar
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Lula e El Loco Intervenção do Brasil na guerra eleitoral argentina tem custo
Por José Casado
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"— Deixa de procurar dólares e vá atrás de votos — insistiu Lula, como relatou Massa aos jornalistas na viagem de volta a Buenos Aires naquela quente e seca segunda-feira, 28 de agosto. — Todos estão trabalhando? Eles sabem da importância do que têm pela frente? Se a direita ganhar, será um retrocesso de quarenta anos na América Latina... — Sim, presidente. Estão todos trabalhando — respondeu Massa, anotou a repórter Melisa Molina. — Faça o que tiver que fazer, mas ganhe — retrucou incisivo, com a experiência de três vitórias em 34 anos de disputas presidenciais.
Fonte: https://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2023/10/ela-desatinou.html
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Cambalache
Francisco Canaro
Que el mundo fue y sera una porqueria, ya lo sé,
En el quinientos seis y en el dos mil también;
Que siempre ha habido chorros,maquiavelos y estafaos,
Contentos y amargaos, valores y dublé
Pero que el siglo veinte es un despliegue
De malda insolente ya no hay quien lo niegue,
Vivimos revolcaos en un merengue
Y en el mismo lodo todos manoseaos
Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor,
Ignorante, sabio, chorro, generoso, estafador
¡Todo es igual, nada es mejor,
Lo mismo un burro que un gran profesor!
No hay aplazaos ni escalafón,
Los inmorales nos han igualao...
Si uno vive en la impostura
Y otro afana en su ambición,
Da lo mismo que sea cura,
Colchonero, rey de bastos,caradura o polizón.
¡Qué falta de respeto, qué atropello a la razón!
¡Cualquiera es un señor, cualquiera es un ladrón!
Mezclaos con stavisky van don bosco y la mignon,
Don chicho y napoleón, carnera y san martin.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
De los cambalaches se ha mezclao la vida,
Y herida por un sable sin remache
Ves llorar la biblia contra un calefón.
Siglo veinte, cambalache, problematico y febril,
El que no llora no mama y el que no afana es un gil.
¡Dale nomas, dale que va,
Que alla en el horno te vamo a encontrar!
¡No pienses mas, tirate a un lao,
Que a nadie importa si naciste honrao!
Si es lo mismo el que labura
Noche y dia como un buey
Que el que vive de las minas,
Que el que mata o el que cura
O esta fuera de la ley.
https://www.letras.mus.br/francisco-canaro/cambalache/#radio:astor-piazzolla
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Sergio Massa está no segundo turno da eleição presidencial da Argentina
23/10/2023REUTERS/Cristina Sille
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Waack: Peronista ter terminado em primeiro lugar é soma de todos os medos
Dos 45 milhões de habitantes da Argentina, quase 19 milhões vivem de planos sociais, benefícios diversos ou dependem de algum dinheiro dispensado pelo governo
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"Nas quatro semanas que nos separam do segundo turno, veremos o Plano Platita 2, que tende a tornar a situação fiscal e a economia de nosso principal vizinho quase impossíveis.
— E depois? — perguntaram ao candidato do peronismo.
— Depois é depois — respondeu.
Tópicos
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Eleições argentinas
Javier Milei
Sergio Massa
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/waack-peronista-ter-terminado-em-primeiro-lugar-e-soma-de-todos-os-medos/
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William Waackda CNN
São Paulo
23/10/2023 às 22:03
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Foi a soma de todos os medos. É assim que o “La Nación”, um dos mais importantes jornais da Argentina, descreve o fato de o candidato do populismo peronista ter terminado o primeiro turno em primeiro lugar.
Dos 45 milhões de habitantes da Argentina, quase 19 milhões vivem de planos sociais, benefícios diversos ou dependem de algum dinheiro dispensado pelo governo, que pôs na rua 1,5% do PIB em bondades diversas para ganhar as eleições.
Foi o tal Plano Platita, o plano do dinheirinho, que incluiu compras governamentais, congelamento de tarifas de transporte e bonificações para desempregados e informais.
O Plano Platita serve, no curtíssimo prazo, para atenuar a inflação monstruosa de mais de 100% ao ano, o principal legado do ministro da Economia argentino para ele mesmo, caso vença o segundo turno das eleições dia 19 de novembro.
Dá para imaginar que milhões de argentinos tivessem medo do outro populismo libertário, de direita, de extrema direita, como se quiser chamar, do candidato que ficou em segundo.
O fato é que a Argentina ficou agora entre esses dois fenômenos da política, em relação aos quais, por razões divergentes, há sérias dúvidas se conseguem tirar o país da sua crise profunda e duradoura.
Nas quatro semanas daqui até o segundo turno, virá o Plano Platita 2, que deve deixar próximo do impossível a questão fiscal e a economia do nosso principal vizinho.
“E depois?”, perguntaram para o candidato do peronismo.
“Después es después”, respondeu.
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No Jardim da Língua Portuguesa
No vasto jardim da língua portuguesa, às vezes, encontramos umas plantas um tanto esquisitas. Hoje, vamos dar uma volta por esse jardim e observar duas flores bem peculiares que desabrocharam recentemente.
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Zambelli é filmada apontando arma para pessoas em área nobre de SP
Deputada disse ter sido agredida e que perseguiu militantes de Lula para prisão em flagrante
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A primeira flor, chamada "Texto Original," é uma espécie que parece ter sido regada com confusão e sem um pingo de preocupação com a gramática. Um verdadeiro espetáculo para quem aprecia o caos linguístico. Aqui, vemos "jardins paulista," que deve ser o jardim secreto de algum paulista solitário, já que o plural desapareceu. E que tal "calles de Buenos Aires" em pleno território brasileiro? Uma viagem e tanto! Por fim, a palavra "espias" nos faz imaginar um mundo de espiões "top secret" que conseguem se infiltrar no dicionário sem serem notados.
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Josias: Eduardo Bolsonaro achou que estava discursando para CACs ao falar de armas em TV argentina
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A segunda flor, "Texto Corrigido," é uma versão mais civilizada da primeira. Parece que alguém pegou o regador e resolveu dar um jeito na bagunça. Os jardins agora são "paulistas," com o plural devidamente restabelecido, e "calles de Buenos Aires" virou simplesmente "ruas." Além disso, os "espias" transformaram-se em "espiões." Parece que essa flor foi submetida a um processo de domesticacão ortográfica.
Numa reviravolta surpreendente, o jardim da língua portuguesa transforma-se em um cenário de comédia e drama, onde palavras rebeldes e gramática perdida se enfrentam em uma luta pela sobrevivência. A moral da história? É sempre melhor ter um gramático à mão quando você decide escrever, ou corre o risco de criar um jardim linguístico muito peculiar.
https://www.poder360.com.br/eleicoes/zambelli-e-filmada-apontando-arma-para-pessoas-em-area-nobre-de-sp/
https://www.youtube.com/watch?v=oPaDiiSw8wQ
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Poema
Francisco Canaro
Cuando las flores de tu rosal
Vuelvan mas bellas a florecer
Recordarás mi querer
Y has de saber
Todo mi intenso mal
De aquel poema embriagador
Ya nada queda entre los dos
Doy mi triste adiós
Sentiras la emoción
De mi dolor
Composição: Mario Melfi / Eduardo Bianco.
https://www.letras.mus.br/francisco-canaro/poema/#radio:astor-piazzolla
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Nei Lopes e Wilson Moreira Completo - o partido muito alto {1985} - Jamiel Silva
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domingo, 22 de outubro de 2023
ELA DESATINOU
"Quem acreditou
No amor, no sorriso e na flor
Então sonhou, sonhou
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais"
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Israelis light candles at Dizengoff Square in Tel Aviv on Oct. 18 in memory of the victims of the Oct. 7 attack by Hamas militants. (Ahmad Gharabli/AFP via Getty Images)
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Opinion Is Hamas winning the war?
By Yuval Noah Harari
October 19, 2023 at 4:22 p.m. EDT
Yuval Noah Harari is the author of “Sapiens,” “Homo Deus” and “Unstoppable Us” and a professor of history at the Hebrew University of Jerusalem.
War is the continuation of politics by other means. Many people recite this mantra, but too few pay it enough attention — especially in the midst of war. With the massacre Hamas perpetrated in Israel and the mounting civilian casualties in Gaza, the deep logic of war is hidden by the immense human misery it produces. As the bodies keep piling up, who will win this war? Not the side that kills more people, not the side that destroys more houses and not even the side that gains more international support — but the side that achieves its political aims.
Hamas launched this war with a specific political aim: to prevent peace. After signing peace treaties with the United Arab Emirates and Bahrain, Israel was on the verge of signing a historic peace treaty with Saudi Arabia. That agreement would have been Prime Minister Benjamin Netanyahu’s biggest achievement in his entire career. It would have normalized relations between Israel and much of the Arab world. At the insistence of the Saudis and Americans, the treaty’s conditions were expected to include significant concessions to the Palestinians, aimed to immediately alleviate the suffering of millions of them in the occupied territories, and restart the Israeli-Palestinian peace process.
The prospect of peace and normalization was a deadly threat to Hamas. From its founding in 1987, this fundamentalist Islamist organization never recognized Israel’s right to exist and committed itself to uncompromising armed struggle. In the 1990s, Hamas did everything in its power to disrupt the Oslo peace process and all subsequent peace efforts.
For more than a decade, Israeli governments led by Netanyahu abandoned all serious attempts to make peace with more moderate Palestinian forces, adopted an increasingly hawkish policy regarding the occupation of disputed territory and even embraced the right-wing messianic ideas of Jewish supremacy.
During that period, Hamas showed surprising restraint in its dealings with Israel, and the two sides seemed to adopt an uneasy but functional policy of violent coexistence. But on Oct. 7, just when Netanyahu’s government was on the cusp of a major breakthrough for regional peace, Hamas struck with all its force.
Hamas slaughtered hundreds of Israeli civilians, in the most gruesome ways it could devise. The immediate aim was to derail the Israeli-Saudi peace deal. The long-term aim was to sow seeds of hatred in the minds of millions in Israel and across the Muslim world, thereby preventing peace with Israel for generations to come.
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Palestinians hold a vigil for Gaza Strip victims at Saint Andrew's Church in the occupied West Bank town of Ramallah on Oct. 19. (Jaafar Ashitiyeh/AFP via Getty Images) (Jaafar Ashtiyeh/AFP/Getty Images)
Hamas knew its attack would make Israelis livid, distraught with pain and anger, and the terrorists counted on Israel to retaliate with massive force, inflicting enormous pain on Palestinians. The codename Hamas gave its operation is telling: al-Aqsa Tufan. The word “tufan” means flood. Like the biblical flood intended to cleanse the world of sin even at the cost of nearly wiping out humanity, Hamas’s attack aimed to create devastation on a biblical scale.
Doesn’t Hamas care about the suffering this war inflicts on Palestinian civilians? While individual Hamas activists surely have different feelings and attitudes, the organization’s worldview discounts the misery of individuals. Hamas’s political aims are dictated by religious fantasies.
Unlike those of secular movements such as the Palestine Liberation Organization, Hamas’s ultimate goals are not of this world. For Hamas, Palestinians killed by Israel are martyrs who enjoy everlasting bliss in heaven. The more killed, the more martyrs.
As for this world, according to the views of Hamas and other fundamentalist Muslim groups, the only viable aim for a human society on Earth is unconditional adherence to heavenly standards of purity and justice. Because peace always involves compromises on what people consider justice, peace must be rejected, and absolute justice must be pursued at any cost.
This, by the way, explains a curious recent phenomenon among the radical left in many Western democracies, including some student organizations at Harvard University. They absolve Hamas of any responsibility for the atrocities committed in Be’eri, Kfar Azza and other Israeli villages, or for the humanitarian crisis in Gaza. Instead, these organizations place 100 percent of the blame on Israel.
The link between the radical left and fundamentalist organizations such as Hamas is the belief in absolute justice, which leads to a refusal to acknowledge the complexity of realities in this world. Justice is a noble cause, but the demand for absolute justice leads inevitably to endless war. In the history of the world, no peace treaty has ever been reached that didn’t require compromise or that provided absolute justice.
If Hamas’s war aims are indeed to derail the Israeli-Saudi peace treaty and to destroy all chance for normalization and peace, it is winning this war by a knockout. And Israel is helping Hamas, largely because Netanyahu’s government seems to be conducting this war without clear political goals of its own.
Israel says it wants to disarm Hamas, and it has every right to do so in protecting its citizens. Disarming Hamas is vital also for any chance of future peace, because as long as Hamas remains armed, it will continue to derail any such efforts. But even if Israel succeeds in disarming Hamas, that’s just a military achievement, not a political plan. In the short term, does Israel have any plan to rescue the Israeli-Saudi peace deal? In the long term, does Israel have any plan to reach a comprehensive peace with the Palestinians and normalize its relations with the Arab world?
Having been deeply involved in Israeli politics for the past year, I fear that at least some members of the current Netanyahu government are themselves fixated on biblical visions and absolute justice, and have little interest in peaceful compromise.
All concerned parties must stop the flood released by Hamas from drowning Israel and the Palestinians, and from devastating the wider region, too. Note that nuclear war is, theoretically, perhaps just 24 hours away — if Hezbollah and other Iranian allies hit Israel with tens of thousands of missiles, as they are threatening to do, Israel might resort to nuclear weapons for self-preservation. All sides should therefore abandon biblical fantasies and demands for absolute justice, and focus on concrete steps to de-escalate the immediate conflict and to sow seeds for peace and reconciliation.
After the events of the past two weeks, reconciliation seems utterly impossible. My own family and friends have just been through scenes reminiscent of Holocaust horrors. But eight decades after the Holocaust, Germans and Israelis are now good friends. Jews never got absolute justice for the Holocaust — how could they? Could anyone put the shrieks of pain back into their throats, return the smoke back into the chimneys of Auschwitz and bring the dead back from the crematoriums?
As a historian, I know history’s curse is that it inspires a yearning to fix the past. That is hopeless. The past cannot be saved. Focus on the future. Let old injuries heal rather than serve as a cause for fresh injuries.
In 1948, hundreds of thousands of Palestinians lost their homes in Palestine. In retaliation, in the late 1940s and early 1950s, hundreds of thousands of Jews were driven out of Iraq, Yemen and other Muslim countries. Since then, injury has been piled upon injury, in a vicious cycle of violence that has led only to more violence. We are not obliged to repeat this cycle forever. Of course, in the midst of the current terrible war, we cannot hope to stop the cycle once and for all. What we need now is to prevent further escalation, and for that we require some concrete gestures of hope.
One proposed initiative calls for Hamas to release all the women, children and babies it is holding hostage, in exchange for Israel’s releasing the several dozen Palestinian women and adolescents it holds as prisoners. Would this be justice? No. Justice demands that Hamas immediately and unconditionally release all the hostages it seized. But this initiative might nevertheless be a step toward de-escalation.
Another initiative is to enable Palestinian civilians to leave the Gaza Strip for safety in other countries. Egypt, sharing a border with Gaza, can and should take the lead on this. But if Egypt fails to provide relief, Israel could provide havens for displaced Gazan civilians on Israeli soil.
If no other country is willing to accept and protect Palestinian civilians, then once the Red Cross has been given access to the Israeli hostages held by Hamas and has ascertained their conditions, Israel could invite the Red Cross and the other international humanitarian groups to establish temporary havens for displaced Gazan civilians on the Israeli side of the border. These havens would accommodate women, children and hospital evacuees from the Gaza Strip while the fighting against Hamas lasts, and at the end of the fighting, the displaced Gazans would return to the Gaza Strip.
Taking such a step would fulfill Israel’s moral duty to protect the lives of Palestinian civilians and would simultaneously aid the Israel Defense Forces in prosecuting the war against Hamas terrorists by reducing the number of civilians caught in the combat zone.
Do such initiatives have any chance of realization? I do not know. But I do know that war is the continuation of politics by other means, that Hamas’s political aim is to destroy any chance for peace and normalization, and that Israel’s aim should be to preserve the chance for peace. We must win this war, instead of helping Hamas achieve its aim.
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"Quem não inveja a infeliz
Feliz no seu mundo de cetim
Assim, debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado"
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domingo, 22 de outubro de 2023
Luiz Sérgio Henriques* - A política democrática desafia a irrazão
O Estado de S. Paulo
À democracia e aos direitos humanos devem estar submetidas as identidades enrijecidas e extremadas
Pelo que se diz, os antigos soviéticos não foram os únicos adeptos do whataboutism, a técnica de escapar de problemas incômodos embaraçando o oponente com suas próprias contradições, reais ou supostas, mas terão sido mestres nesta arte sofística. A URSS era acusada de não respeitar as liberdades ditas negativas, a autonomia do indivíduo diante da máquina do Estado? O whataboutism consistia em esquivar-se de qualquer resposta concreta e perguntar agressivamente pelas liberdades positivas, as que reforçam o indivíduo social e economicamente, alegadamente em falta nas sociedades ocidentais. O resultado era um interminável diálogo de surdos, que encapsulava de propósito cada participante na sua trincheira e tornava remota, ou nula, a possibilidade de entendimento.
O conflito entre Israel e Palestina traz em si muito desta predisposição ao não diálogo, como se, por exemplo, antes da Nakba, a diáspora palestina de 1948, não pudesse ter havido o Holocausto ou como se admitir que uma das catástrofes equivalesse a cancelar a outra. Perde-se, assim, a ideia da complexidade inerente aos fatos da História, realisticamente sublinhada por um intelectual do peso de Yuval Noah Harari: por mais dolorosa que seja a constatação, uma nação pode ser ao longo do tempo vítima e algoz, perseguida e perseguidora.
Bem verdade que o Holocausto ocupa um lugar único entre as tragédias do século passado. Nele se combinou, sob forma de um “claro enigma”, o caráter simultaneamente banal e absoluto do Mal. Alguns dos fundamentos civilizacionais tiveram de ser refeitos a partir de então. A ONU e sua Carta de Direitos assinalaram um momento alto de universalização das liberdades – negativas e positivas – que devem definir o indivíduo moderno. O conceito de genocídio é filho direto daquela tragédia. E nunca mais pudemos esquecer, no inferno dos campos e por obra dos nazistas, o assassinato massivo, entre outros, de judeus, adversários políticos, pessoas com deficiência, homossexuais, religiosos de crenças minoritárias.
O impulso moral daí advindo contribuiu para a edificação do lar nacional judeu com apoio dos Estados Unidos e da União Soviética. O judeu errante, inquietante personagem multissecular que carregava em si, unicamente por ser judeu, a marca da suspeição, pôde enfim reencontrar suas raízes territoriais mais longínquas. Feita essa pungente admissão, não há nada que nos impeça de lançar um olhar de profunda empatia para os milhões de palestinos que passaram a superlotar campos de refugiados em lugares nos quais nem sempre foram bemvindos. Se agora voltamos, com horror, a falar de pogroms e unidades nazistas de extermínio, os campos de Sabra e Chatila, habitados por refugiados no Líbano e dizimados por milícias cristãs, também podem ser incluídos no rol infinito do sofrimento humano.
A democracia e os direitos humanos são expressões da razão laica que se afirmaram, apesar de tudo, em meio aos escombros de guerras e perseguições. A ambos – à democracia e aos direitos – devem estar submetidas as identidades enrijecidas e extremadas, como as que reclamam irracionalmente toda a terra de Israel para o povo judeu ou, o que dá na mesma, a eliminação de Israel como corpo estranho. Atores não razoáveis, tomados de ódio e um sentido degradado da religião e do absoluto, fazem continuamente lances que, ao contrário do que parece, denotam cálculo frio e deixam pouco ou nenhum lugar para o acaso. A ideia básica é induzir o inimigo a dobrar a aposta na loucura e dar seguimento à espiral sem fim de violência.
Em meio aos fundamentalismos e à linguagem bruta das armas, que constituem o cerne mais duro da antipolítica, o caminho da política, apesar de tudo, pode contar com ao menos dois recursos essenciais. Desde logo, a democracia israelense resiste, como vimos nos últimos meses, quando milhares de pessoas lotaram ruas e praças contra a corrosão das instituições patrocinada por Benjamin Netanyahu e seu gabinete de fanáticos da extrema direita. Uma corrosão que, entre outras coisas, minava o discurso público com o repertório contemporâneo do nacional-populismo – ataque ao sistema de freios e contrapesos, difusão de fake news e teorias da conspiração, divisão da opinião pública.
O segundo recurso é a esperança de ver renascer o movimento palestino propriamente político, pacífico e de massas, superando a estratégia do terror mais uma vez posta em ação na tragédia que, em 7 de outubro, deflagrou o ciclo de violência que agora põe abaixo a Faixa de Gaza. Na verdade, houve momentos, particularmente por ocasião dos Acordos de Oslo, em que Yasser Arafat, a OLP e o Fatah pareceram encarnar o processo virtuoso mediante o qual um povo disperso e fragmentado se faz Estado – um Estado laico e democrático –, fadado a dividir com o vizinho fronteiras estáveis e seguras, além de um futuro compartilhado.
Se de fato ainda existem ou existiram no passado, nada impede que estes dois recursos possam ser reativados e permitam compromissos e soluções intermediárias que são o melhor fruto do exercício moderno da política.
*Tradutor e ensaísta, é um dos organizadores das obras de Gramsci no Brasil
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Um Jânio Quadros não convencional, de 1960, contra o Ministro da Guerra Marechal Lott de JK, com Jango (PTB) correndo por fora para a vice-presidência (ex-ministro do trabalho de Getúlio, autor de decreto que duplicou o salário mínimo e demitido por pressão do Manifesto dos coronéis), pairam hoje como fantasmas pelos pampas hermanos!
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Mano A Mano
Carlos Gardel
Rechiflado en mi tristeza, hoy te evoco y veo que has sido
En mi pobre vida paria solo una buena mujer
Tu presencia de bacana puso calor en mi nido
Fuiste buena, consecuente, y yo sé que me has querido
Como no quisiste a nadie, como no podrás querer
Se dio el juego de remanye cuando vos, pobre percanta
Gambeteabas la pobreza en la casa de pensión
Hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta
Los morlacos del otario los tirás a la marchanta
Como juega el gato maula con el misero ratón
Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones
Te engrupieron los otarios, las amigas, el gavión
La milonga entre magnates con sus locas tentaciones
Donde triunfan y claudican milongueras pretensiones
Se te ha entrado muy adentro en el pobre corazón
Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado
No me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás
Los favores recibidos creo habértelos pagado
Y si alguna deuda chica sin querer se había olvidado
En la cuenta del otario que tenés se la cargás
Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros
Sean una larga fila de riquezas y placer
Que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos
Que te abrás en las paradas con cafishios milongueros
Y que digan los muchachos: Es una buena mujer
Y mañana cuando seas descolado mueble viejo
Y no tengas esperanzas en el pobre corazón
Si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo
Acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo
P'ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión
Composição: Carlos Gardel / Esteban Celedonio Flores / José Razzano.
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Nas Entrelinhas: “Por una cabeza”, as eleições dramáticas na Argentina
Publicado em 22/10/2023 - 12:06 Luiz Carlos Azedo
Argentina, Brasília, Economia, Eleições, Governo, Memória, Partidos, Política, Política
A bipolaridade da política argentina, entre peronistas (centro-esquerda) e liberais (centro-direita), pela primeira vez, desde a redemocratização, em 1983, pode ser quebrada
“Basta de carreras, se acabó la timba/ Un final reñido, yo no vuelvo a ver/ Pero si algún pingo llega a ser fija el domingo/ Yo me juego entero, ¿qué le voy a hacer?/ Por una cabeza (por una cabeza)/ Todas las locuras (todas las locuras)”. O famoso tango de Carlos Gardel (música) e Alfredo Le Pera (letra), cujo nome intitula a coluna, é um retrato das paixões políticas na Argentina. Composto em 1935, a música fala de apostador compulsivo em corridas de cavalo que compara seu vício à atração pelas mulheres.
“Chega de corridas, acabaram as apostas/ Não voltarei a ver um final disputado/ Mas se algum cavalo se tornar favorito no domingo/ Jogo tudo que tenho, eu vou fazer o quê? / Por uma cabeça (por uma cabeça) / Todas as loucuras (todas as loucuras)” — é a tradução de uma eleição presidencial eletrizante, que está sendo acompanhada por toda a América Latina e que terá repercussões muito importantes para o Brasil.
Nas primárias eleitorais, os três candidatos mais bem colocados mostraram que a eleição pode ser decidida por uma margem muito próxima, cabeça a cabeça. É uma disputa entre um outsider, o histriônico Javier Milei, que se diz anarcoliberal; uma candidata de direita liberal, a ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich, que empunha a bandeira da lei e da ordem; e um político de centro, o ministro da Economia, Sergio Massa, que representa o atual governo, mas não assume o legado desastroso do presidente peronista Alberto Fernández.
Nas primárias, Milei obteve com 29,86% dos votos; a coligação de Patricia, 28%; e Sergio Massa, 27,27%. Juan Schiaretti e Myriam Bregman qualificaram-se para estar no primeiro turno, mas ficaram muito atrás dos três primeiros. Também serão eleitos 130 deputados (são 257 no total) e 24 senadores (são 72 no total), governadores de Buenos Aires e Entre Rios e o prefeito da cidade de Buenos Aires, que é uma cidade autônoma.
A bipolaridade da política argentina, entre peronistas (centro-esquerda) e liberais (centro-direita), pela primeira vez, desde a redemocratização, em 1983, pode ser quebrada. Esses dois polos nunca foram homogêneos e se adaptavam às conjunturas, porém a trajetória da Argentina, historicamente, é um fracasso continuado.
Fernández tentou realizar um governo com perfil social-democrata, mas cedeu ao populismo, à forte presença do Estado na economia e às políticas sociais financiadas pelo deficit público. O resultado foi uma inflação galopante e mais um colapso fiscal, em meio a tensas relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que cobra as dívidas argentinas.
Calotes sucessivos
De calote em calote, a decadência argentina parece irreversível:
1827 — Dez anos após a independência, a Argentina vendeu títulos da dívida em Londres que nunca foram pagos aos credores;
1890 — Após endividar-se para financiar a infraestrutura do país e a modernização de Buenos Aires, entrou em moratória;
1951 — O fechamento da economia provocou um default, em meio à turbulência política, com oito presidentes em 20 anos;
1976 — Depois do golpe militar contra o populista Juan Domingo Perón, o país esteve à beira da moratória, o que provocou a criação do Grupo de Paris;
1982 — A Argentina recorreu aos bancos ingleses e quintuplicou a dívida externa, de US$ 8 bilhões para US$ 46 bilhões, e não suportou o choque de juros nos Estados Unidos;
1989 — No governo Carlos Menem, a inflação galopante e a dívida crescente fizeram o país entrar em recessão e desvalorizar o peso ainda mais;
2001 — Com o PIB reduzido em dois terços, a Argentina teve cinco presidentes em duas semanas e declarou a maior moratória de todos os tempos: US$ 95 bilhões da dívida;
2014 — No governo de Cristina Kirchner, um juiz americano determinou que a Argentina só poderia pagar credores após honrar seus débitos com um grupo de investidores dos EUA, disputa somente encerrada em 2016, quando Mauricio Macri pagou todos os credores.
Entretanto, Macri também foi responsável por uma nova tomada de empréstimo junto ao FMI, de US$ 57 bilhões, em 2018. Em março de 2022, o presidente Alberto Fernández fez uma renegociação desse acordo com o fundo, no valor de US$ 45 bilhões. O afrouxamento da dívida se deve às intensas negociações de Massa com o FMI.
Esse é o trunfo do ministro da Economia nas eleições, além do apoio quase explícito do governo brasileiro, que intercedeu para a entrada da Argentina no Brics e concedeu um financiamento de US$ 689 milhões para a construção de um gasoduto. Patricia Bullrich defende um forte ajuste fiscal e combate à criminalidade. A grande novidade é o surgimento de Milei, que lidera as pesquisas.
Peronistas e antiperonistas têm em comum a defesa e promoção da democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos. Milei, porém, rompe esse consenso. Elogia a antiga ditadura militar argentina, propõe o fim do Banco Central do país, a completa dolarização e o rompimento das relações comerciais com a China.
Com Milei, o Brasil dificilmente conseguirá protagonizar o acordo do Mercosul com a União Europeia.
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Por una cabeza (por una cabeza)
Todas las locuras (todas las locuras)
Su boca que besa
Borra la tristeza, calma la amargura
Por una cabeza (por una cabeza)
Si ella me olvida (si ella me olvida)
¿Qué importa perderme mil veces la vida?
¿Para qué vivir?
Por uma cabeça (por uma cabeça)
Todas as loucuras (todas as loucuras)
A boca dela que beija
Apaga a tristeza, acalma a amargura
Por uma cabeça (por uma cabeça)
Se ela me esquecer (se ela me esquecer)
Que diferença faz perder a vida mil vezes?
Para que viver?
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COBERTURA: Acompanhe ao vivo as eleições presidenciais da Argentina com nosso time de jornalistas!
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Transmissão iniciada há 16 minutos #mynews #argentina
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Se prepare para uma cobertura mais do que especial das eleições da Argentina deste domingo, 22 de outubro de 2023, onde disputarão cinco candidatos. Mara Luquet, Afonso Marangoni, Sylvia Colombo e convidados irão acompanhar tudo ao vivo, com comentários, análises e imagens!
Para lembrar, em agosto houve as primárias, que são obrigatórias para todas as coligações. Um dos objetivos dessa votação é tirar do pleito os candidatos nanicos e manter só os que realmente têm chances. Além disso, as primárias são consideradas uma espécie de ensaio para o que deve acontecer no primeiro turno. O resultado deste ano foi quase um empate triplo:
Javier Milei em primeiro, com 29,86%
A coligação de Patricia Bullrich em segundo, com 28%
A frente política de Sergio Massa em terceiro, com 27,27%
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Por Una Cabeza
Carlos Gardel
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Javier Milei (Luis ROBAYO/AFP)
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Política
Lula e El Loco
Intervenção do Brasil na guerra eleitoral argentina tem custo
Por José Casado
Atualizado em 20 out 2023, 11h48 - Publicado em 20 out 2023, 06h00
— Ele está mais “louquito” que o Bolsonaro — disse Lula sobre Javier Milei, candidato da extrema direita na eleição presidencial da Argentina. O governista Sergio Massa, ministro da Economia, gostou da ironia sobre o adversário que é conhecido como El Loco.
— Deixa de procurar dólares e vá atrás de votos — insistiu Lula, como relatou Massa a jornalistas na viagem de volta a Buenos Aires naquela quente e seca segunda-feira 28 de agosto.
— Todos estão trabalhando? Eles sabem da importância do que têm pela frente? Se a direita ganhar será um retrocesso de quarenta anos na América Latina…
— Sim, presidente. Estão todos trabalhando — respondeu Massa, anotou a repórter Melisa Molina.
— Faça o que tiver que fazer, mas ganhe — retrucou incisivo, com a experiência de três vitórias em 34 anos de disputas presidenciais.
Lula apostou no candidato do condomínio peronista, desde o início rachado na luta por espaços de poder entre o presidente Alberto Fernández e a vice Cristina Kirchner. Perdeu com eles na primeira rodada, a eleição prévia de agosto, quando os dois principais candidatos da oposição somaram dois terços do eleitorado. Massa ficou em terceiro lugar, com 27% dos votos.
Se Massa perder a eleição, Lula estará com um sério problema na política externa, já convulsionada pelas guerras da Rússia e de Israel: a vizinha Argentina terá um novo governo, que há meses ele hostiliza e qualifica como ameaça de “retrocesso de quarenta anos na América Latina” — seja do “louquito” Milei ou da conservadora Patricia Bullrich, aliada do ex-presidente Mauricio Macri. Sem Massa no páreo, um deles assumiria a Presidência no dia 10 de dezembro.
Lula entrou conscientemente num jogo de alto risco ao se meter na campanha do peronismo. Ano passado, pediu ao embaixador argentino Daniel Scioli informações e uma coletânea de discursos do então deputado Milei. “Me surpreendeu”, registrou Scioli em livro de memórias. “Me disse que as pessoas estavam muito decepcionadas com a política, que entre os jovens o ‘voto de rebeldia’ estava sólido e entendia que, para muitos deles, Milei os representava.”
“Intervenção do Brasil na guerra eleitoral argentina tem custo”
O peronismo é o conglomerado político mais complexo da história, na bem-humorada definição do diplomata Marcos Azambuja. Aos 78 anos, esse movimento exibe inédita fragilidade. A implosão da organização sindical do trabalho, origem e base da sua eficiente máquina eleitoral, fragmentou um eleitorado cujo comportamento se mantinha homogêneo desde a formatação, em outubro de 1945, sob o poder absoluto do coronel do Exército Juan Domingo Perón.
Apatia e deserção alentaram o antiperonismo. Foram os pobres que impulsionaram Milei e Bullrich no voto de rebeldia contra a degradação social e econômica. O candidato Massa é ministro da Economia de um país com aumento recorde na produção de pobreza (40% da população) e, paradoxalmente, no gasto público em subsídios às despesas familiares com energia, transporte, saúde e educação. A hiperinflação é apenas expressão matemática de um desajuste político. Os preços já não descrevem os riscos no descontrole do presente, embutem o medo coletivo sobre o futuro. Em ação “preventiva”, por exemplo, empresas de alimentos e bebidas anunciam aumentos acima de 30% para o dia seguinte à eleição, não importa o vencedor.
Lula jogou com o peso do Brasil numa intervenção eleitoral na Argentina. Produziu com Fernández uma espécie de “plano de governo binacional”, registrou em livro o embaixador Scioli. Pediu ajuda financeira à China, aos Estados Unidos e aos governos que integram o clube do Brics. Foi a Paris insinuar, em discurso, um conluio para corrupção entre o ex-presidente Macri, patrono da candidatura de Bullrich, e o FMI: “À Argentina, da forma mais irresponsável, o FMI emprestou 44 bilhões de dólares a um senhor (Macri) que era o presidente, e não se sabe o que (ele) fez com o dinheiro”. Na sequência, como relatou a repórter Vera Rosa, mobilizou a Corporação Andina de Fomento, onde o Brasil tem voz e voto, e o Banco do Brasil numa bilionária operação de socorro ao governo argentino. E enviou assessores de campanhas petistas a Buenos Aires para “ajudar na comunicação” do candidato Massa.
Ele atravessou a fronteira sul e atropelou os manuais de prudência política e diplomática para fazer aquilo que, muito provavelmente, condenaria com veemência se qualquer governo estrangeiro fizesse no seu país: tomou partido na guerra eleitoral dos argentinos. O tango de Lula pode custar caro ao Brasil.
Publicado em VEJA de 20 de outubro de 2023, edição nº 2864
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/lula-e-el-loco/
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Ela desatinou
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente, já está sofrendo normalmente
Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida
Onde Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado
Composição: Chico Buarque.
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domingo, 22 de outubro de 2023
Lourival Sant ‘Anna - Portas fechadas para a paz
O Estado de S. Paulo
A desilusão palestina levou a um niilismo cuja expressão mais violenta é o terrorismo
Israel está prestes a iniciar uma longa e sangrenta invasão de Gaza. E a criar novos fatos consumados nesse conflito de 75 anos. O cenário leva a duas perguntas. A sociedade israelense está disposta a pagar o preço? O que ocupará o lugar do Hamas?
Os israelenses têm chamado o ataque do Hamas de “11 de Setembro de Israel”. A analogia é desconcertante. Os americanos fracassaram miseravelmente no Afeganistão. Duas décadas depois da invasão, que custou a vida de 2.402 soldados americanos e US$ 2,3 trilhões, o Taleban voltou ao poder com mais domínio do território e assertividade moral do que antes.
Cobri a última invasão por terra da Faixa de Gaza, em 2014. Ela durou sete semanas e matou 2.200 palestinos e 66 soldados israelenses. Aniquilar o Hamas, como promete Israel, custará muito mais que isso.
Israel ocupou e colonizou a Faixa de Gaza entre 1967 e 2005, quando o então primeiro-ministro Ariel Sharon a entregou à Autoridade Nacional Palestina (ANP). A decisão gerou grandes tensões internas. Os colonos judeus retirados do território foram acomodados em hotéis de Jerusalém enquanto eram realocados em Israel e na Cisjordânia.
Entrevistei um deles em 2006, depois que Sharon sofrera um derrame cerebral do qual não se recuperaria. Era um judeu ortodoxo americano. Ele me disse que o derrame tinha sido um castigo divino, com a seguinte lição: ninguém mexe no mapa que Deus desenhou.
O desejo declarado de Sharon era que a Faixa de Gaza sob administração palestina se transformasse na Hong Kong do Mediterrâneo. Em 2006, a ANP realizou eleições. O Hamas venceu, elegendo 74 das 132 cadeiras do Parlamento.
HAMASTÃO. Os EUA e a União Europeia ameaçaram cortar a ajuda financeira se o Hamas assumisse o governo. O Fatah, grupo rival moderado, continuou governando Gaza e a parte da Cisjordânia sob administração palestina, chamada de áreas A e B, que cobrem 40% do território.
No ano seguinte, o Hamas expulsou à força o Fatah e assumiu o poder na Faixa de Gaza. Ao entrar no território, fui saudado com um sorriso por um guarda de fronteira do novo governo, enquanto minha mala era revistada em busca de bebidas alcoólicas, a partir de então proibida no território: “Bem-vindo ao Hamastão”.
Um funcionário me levou para conhecer as prisões onde o Fatah castigava integrantes do Hamas. Entrei e ele fechou a porta. Não havia entrada de ar nem de luz. A sensação era de ter sido enterrado vivo. O Hamas passou a dispensar esse tratamento, ou pior, a quem o contrariasse.
Os moradores da Faixa de Gaza viviam sob uma tripla pressão: do Hamas e dos consequentes bloqueios de Israel e Egito. Os militares egípcios reassumiram o poder depois de um golpe contra o governo democraticamente eleito da Irmandade Muçulmana, em 2012, e voltaram a reprimi-la. O Hamas foi criado em 1987 por inspiração e com ajuda da Irmandade.
A vitória do Hamas nas eleições de 2006 foi mais um dos recorrentes erros de cálculo dos árabes, que incluem a rejeição da Partilha de 1948 e as guerras de 1967 e 1973. Todos resultaram na expansão territorial de Israel. A vitória do Hamas foi motivada pela identificação religiosa, pela corrupção e acomodação do Fatah e pela desilusão com a perspectiva de criação de um Estado palestino.
A última chance de solução negociada foi desperdiçada em 2000. Os à época líder palestino Yasser Arafat e primeiro-ministro Ehud Barak chegaram muito perto de acordo territorial. Mas não sobre o pedido palestino de fim das escavações arqueológicas nas fundações do Templo de Herodes, destruído pelos romanos no ano 70, que podem levar a mesquita Al-Aqsa a desmoronar.
COLONIZAÇÃO. O então líder da oposição Ariel Sharon aproveitou o impasse para passear pelo complexo da mesquita, desencadeando a Segunda Intifada (levante palestino) e a convocação de eleições, que ele venceu. Desde então, Israel tem ampliado a colonização judaica da Cisjordânia, tornando inviável um Estado palestino.
A desilusão levou a um niilismo crônico, cuja expressão mais violenta e autodestrutiva é o terrorismo. A interpretação do Islã pelo Hamas torna o jihadismo a única saída atraente: o “martírio”, a morte na luta contra o inimigo, como ponte para o “paraíso”.
O presidente da ANP e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, levou oito dias para condenar as atrocidades do Hamas, só depois de uma conversa com o secretário de Estado americano, Antony Blinken.
A explosão no Hospital Batista Al-Ahli, aparentemente causada por um foguete avariado da Jihad Islâmica, mas atribuída pelos árabes a um míssil israelense, levou Abbas, o rei Abdullah II da Jordânia e o ditador egípcio Abdel-Fattah elSissi a cancelar a cúpula com o presidente Joe Biden. Mais uma vitória da violência e da desinformação.
Segundo o ministro da Defesa Yoav Gallant, depois de neutralizar o Hamas, Israel pretende se isolar hermeticamente da Faixa de Gaza, bloqueando toda a passagem de trabalhadores palestinos e de qualquer tipo de suprimento. Significa deixar toda a responsabilidade com o Egito, antigo administrador do território. E fechar mais uma porta para um Estado palestino, que pressupunha uma ligação por terra entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, como a que havia entre Berlim e a Alemanha Ocidental.
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Quarteto Jobim Morelenbaum - "Meditação" (Quarteto Jobim Morelenbaum/1999)
Gravadora Galeão
811 mil inscritos
Meditação
(A. C. Jobim e Newton Mendonça) - Jobim Music ©
Quarteto Jobim Morelenbaum
1999 Velas/Galeão
Letra:
Quem acreditou
No amor, no sorriso e na flor
Então sonhou, sonhou
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais
Quem no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isto se perder
E na solidão
Procurou um caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou
Paula Morelenbaum - vocais
Jaques Morelenbaum - violoncelo
Daniel Jobim - piano e vocais
Paulo Jobim - violão e vocais
Marcelo Costa - bateria e percussão
Música
MÚSICA
Meditação
ARTISTA
Quarteto Jobim-Morelenbaum
ÁLBUM
Quarteto Jobim-Morelenbaum
COMPOSITORES
Newton Mendonça
Mais 1
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