terça-feira, 4 de junho de 2019

NOTAS BIOGRÁFICAS DO NOVO DEPUTADO



O DESTINO DOS PERSONAGENS

...ou são forçadas a abrir mão da própria identidade para obter uma estreita perspectiva de progresso...


A CONSTRUÇÃO DOS PERSONAGENS

...o detalhe do nariz escorrendo retrata a falta de polidez do personagem, em contraponto aos componentes “chiques” de seu visual...



BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA
NOTÍCIAS DE SÃO PAULO

1927

Alcântara Machado



SAN VINCENZO È L'VLTIMA COLONIA DE' PORTOGHESI: E PERCHE È IN VN PAESE LONTANISSIMO, VI SI SOGLIONO CONDENNARE QUEI, CHE IN PORTOGALLO HANNO MERITATO LA GALERA, Ò COSE TALI.
GIOVANNI BOTERO.
Le relatione universali. In Brescia. 1595.

ESTA É A PÁTRIA DOS NOSSOS DESCENDENTES
CONDE FRANCISCO MATARAZZO.
Discurso de saudação ao Dr. Washington Luís. São Paulo. 1926



ARTIGO DE FUNDO

Assim como quem nasce homem de bem deve ter a fronte altiva, quem nasce jornal deve ter artigo de fundo. A fachada explica o resto.
Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias. E este prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo.

Brás, Bexiga e Barra Funda é o órgão dos ítalo-brasileiros de São Paulo.

Durante muito tempo a nacionalidade viveu da mescla de três raças que os poetas xingaram de tristes: as três raças tristes.
A primeira, as caravelas descobridoras encontraram aqui comendo gente e desdenhosa de "mostrar suas vergonhas". A segunda veio nas caravelas. Logo os machos sacudidos desta se enamoraram das moças "bem gentis" daquela, que tinham cabelos "mui pretos, compridos pelas espadoas".
E nasceram os primeiros mamalucos.
A terceira veio nos porões dos navios negreiros trabalhar o solo e servir a gente. Trazendo outras moças gentis, mucamas, mucambas, munibandas, macumas.
E nasceram os segundos mamalucos.
E os mamalucos das duas fornadas deram o empurrão inicial no Brasil. O colosso começou a rolar.

Então os transatlânticos trouxeram da Europa outras raças aventureiras. Entre elas uma alegre que pisou na terra paulista cantando e na terra brotou e se alastrou como aquela planta também imigrante que há duzentos anos veio fundar a riqueza brasileira.
Do consórcio da gente imigrante com o ambiente, do consórcio da gente imigrante com a indígena nasceram os novos mamalucos.
Nasceram os intalianinhos.
O Gaetaninho.
A Carmela.
Brasileiros e paulistas. Até bandeirantes.
E o colosso continuou rolando.

No começo a arrogância indígena perguntou meio zangada:

Carcamano pé-de-chumbo
Calcanhar de frigideira
Quem te deu a confiança
De casar com brasileira?

O pé-de-chumbo poderia responder tirando o cachimbo da boca e cuspindo de lado: A brasileira, per Bacco!
Mas não disse nada. Adaptou-se. Trabalhou. Integrou-se. Prosperou.
E o negro violeiro cantou assim:

Italiano grita
Brasileiro fala
Viva o Brasil
E a bandeira da Itália!

Brás, Bexiga e Barra Funda, como membro da livre imprensa que é, tenta fixar tão somente alguns aspectos da vida trabalhadeira, íntima e quotidiana desses novos mestiços nacionais e nacionalistas. É um jornal. Mais nada. Notícia. Só. Não tem partido nem ideal. Não comenta. Não discute. Não aprofunda.
Principalmente não aprofunda. Em suas colunas não se encontra uma única linha de doutrina. Tudo são fatos diversos. Acontecimentos de crônica urbana. Episódios de rua. O aspecto étnicosocial dessa novíssima raça de gigantes encontrará amanhã o seu historiador. E será então analisado e pesado num livro.
Brás, Bexiga e Barra Funda não é um livro.

Inscrevendo em sua coluna de honra os nomes de alguns ítalo-brasileiros ilustres este jornal rende uma homenagem à força e às virtudes da nova fornada mamaluca. São nomes de literatos, jornalistas, cientistas, políticos, esportistas, artistas e industriais. Todos eles figuram entre os que impulsionam e nobilitam neste momento a vida espiritual e material de São Paulo.
Brás, Bexiga e Barra Funda não é uma sátira.

A REDAÇÃO







NOTAS BIOGRÁFICAS DO NOVO DEPUTADO

O coronel recusou a sopa.
- Que é isso, Juca? Está doente?
O coronel coçou o queixo. Revirou os olhos. Quebrou um palito. Deu um estalo com a língua.
- Que é que você tem, homem de Deus?
O coronel não disse nada. Tirou uma carta do bolso de dentro. Pôs os óculos. Começou a ler:
- Ex.mo snr. coronel Juca.
- De quem é?
- Do administrador da Santa Inácia.
- Já sei. Geada?
- Escute. Ex.mo snr. coronel Juca. Rospeitosas Saudações. Em primeiro lugar Saudo-vos. V. Ecia. e D. Nequinha. Coronel venho por meio desta respeitosameute comunicar para V. E. que o cafezal novo agradeceu bastante as chuvarada desta semana. E tal e tal e tal. Me acho doente diversos incomodos divido o serviço.
- Coitado.
- Mas não é isso. O major Domingo Neto mandou buscar a vacca... Oh senhor! Não acho...
- Na outra página, Juca.
- Está aqui. Vá escutando. Em ultimo lugar, vos communico que o seu comprade João Intaliano morreu...
- Meu Deus, não diga?!
- ... morreu segunda que passou de uma anemia nos rim. Por esses motivos recolhi em casa o vosso afilhado e orpham Gennrinho. Pesso para V.E. que me mande dizer o distino e tal. E agora, mulher?
Dona Nequinha suspirou. Bebeu um gole de água. Mandou levar a sopa.
- E então?
Dona Nequinha passou a língua nos lábios. Levantou a tampa da farinheira. Arranjou o virote.
- E então? Que é que eu respondo?
Dona Nequinha pensou. Pensou. Pensou. E depois:
- Vamos pensar bem primeiro, Juca. Não coma o torresmo que faz mal. Amanhã você responde. E deixe-se de extravagâncias.

Gennarinho desceu na estação da Sorocabana com o nariz escorrendo. Todo chibante. De chapéu vermelho. Bengalinha na mão. Rebocado pelo filho mais velho do administrador. E com uma carta para o Coronel J. Peixoto de Faria.
Tomou o coche Hudson que estava à sua espera. Veio desde a estação até a Avenida Higienópolis com a cabeça para fora do automóvel soltando cusparadas. Apertou o dedo no portão. Disse uma palavra feia. Subiu as escadas berrando.
- Tire o chapéu.
Tirou.
- Diga boa noite.
Disse.
- Beije a mão dos padrinhos.
Beijou.
- Limpe o nariz.
Limpou com o chapéu.

- Pronto, Nhãzinha. A telefonista cortou. Chegou anteontem. Espertinho como ele só. Nem você imagina. Tem nove anos. É sim. Crescidinho. Juca ficou com dó dele. Pois é. Coitadinho. Imagine. Pois é. Faz de conta que é um filho. Já estou querendo bem mesmo. Gennarinho. O quê? É sim. Nome meio esquisito. Também acho. O Juca está que não pode mais de satisfeito. Ele que sempre desejou ter tanto um filho, não é? Pois então. Nasceu no Brás. O pai era não sei o quê. Estava na fazenda há cinco anos já. Bom, Nhãzinha. O Juca está me chamando. Beijos na Marianinha. Obrigada. O mesmo. Até amanhã. Ah! Ah! Ah Imagine! Nesta idade!... Até amanhã, Nhãzinha. Que é que você queria, Juca?
- Agora é tarde. Você não sabe o que perdeu.
- O Gennarinho, é?
- Diabinho de menino! Querendo a toda força levantar a saia da Atsué.
- Mas isso não está direito, Juca. Vou já e já...
- É. Direito não está mesmo. Mas é engraçado.
- ... dar uns tapas nele.
- Não faça isso, ora essa! Dar à toa no menino!
- Não é à toa, Juca.
- Bom. Então dê. Olhe aqui: eu mesmo dou, sabe? Eu tenho mais jeito.

Um dia na mesa o coronel implicou:
- Esse negócio de Gennarinho não está certo. Gennarinho não é nome de gente. Você agora passa a se chamar Januário que é a tradução. Eu já indaguei. Ouviu? Êta menino impossível! Sente-se já aí direito! Você passa a se chamar Januário. Ouviu?
- Ouvi.
- Não é assim que se responde. Diga sem se mexer na cadeira: Ouvi, sim senhor.
- Ouvi, sim senhor coronel!
Dona Nequinha riu como uma perdida. Da resposta e da continência.

Uma noite na cama Dona Nequinha perguntou:
- Juca: você já pensou no futuro do menino?
O coronel estava dorme não dorme. Respondeu bocejando:
- Já-á-á!...
- Que é que você resolveu?
O coronel levou um susto.
- O quê? Resolveu o quê?
- O futuro do menino, homem de Deus!
- Hã!...
- Responda.
O coronel coçou primeiro o pescoço.
- Para falar a verdade, Nequinha, ainda não resolvi nada.
O suspiro desanimado da consorte foi um protesto contra tamanha indecisão.
- Mas você não há de querer que ele cresça um vagabundo, eu espero.
- Pois está visto que não quero.
Aproveitando o silêncio o despertador bateu mais forte no criado-mudo. Dona Nequinha ajeitou o travesseiro. São José dentro de sua redoma espiou o vôo de dois pernilongos.
- Eu acho que... Apague a luz que está me incomodando.
- Pronto. Acho o quê?
- Eu acho que a primeira cousa que se deve fazer é meter o menino num colégio.
- Num colégio de padres.
- É.
- Eu sou católica. Você também é. O Januário também será.
- Muito bem...
- Você parece que está dizendo isso assim sem muito entusiasmo...
Era sono.
- Amanhã-ã-ã... ai! ai!... nós vemos isso direito, Nequinha...

Até o coronel ajudou a aprontar o Januário. Foi quem pôs ordem na cabelada cor de abóbora. Na terceira tentativa fez uma risca bem no meio da cabeça.
- Agora só falta a merenda.
Dona Nequinha preparou logo. Pão francês. Goiabada Pesqueira. Queijo Palmira.
- Diga pro Inácio tirar o automóvel. O fechado.
A comoção era geral. Dona Nequinha apertou mais uma vez a gravata azul do Januário. O coronel deu uma escovadela, pensativo, no gorro. Januário fez uma cara de vítima.
- Vamos indo que está na hora.
Dona Nequinha (o coronel já se achava no meio da escadaria de mármore carregando a pasta colegial) beijou mais uma vez a testa do menino. Chuchurreadamente. Maternalmente.
- Vá, meu filhinho. E tenha muito juízo, sim? Seja muito respeitador. Vá.
Todo compenetrado, de pescoço duro e passo duro, Januário alcançou o coronel.

A meninada entrava no Ginásio de São Bento em silêncio e beijava a mão do Senhor Reitor. Depois disparava pelos corredores jogando os chapéus no ar. As aulas de portas abertas esperavam de carteiras vazias. O berreiro sufocava o apito dos vigilantes.
- Cumprimente o Senhor Reitor.
D. Estanislau deu umas palmadinhas na nuca do Januário. Januário tremeu.
- Crescidinho já. Muito bem. Muito bem. Como se chama?
Januário não respondeu.
- Diga o seu nome para o Senhor Reitor.
- Januário.
- Ah! Muito bem. Januário. Muito bem. Januário de quê?
Januário estava louco para ir para o recreio. Nem ouviu.
- Diga o seu nome todo, menino!
Com os olhos no coronel:
- Januário Peixoto de Faria.
O porteiro apareceu com unia sineta na mão. Dlin-dlin! Dlin-dlin! Dlin-dlin!

O coronel seguiu para o São Paulo Clube pensando em fazer testamento.

Referências

ALCÂNTARA MACHADO, A. Brás, Bexiga e Barra Funda & Laranja da China. São Paulo: KlicK Editora, 1997.
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bi000005.pdf

segunda-feira, 3 de junho de 2019

OS FILHOS DE PROMETEU



Grupo Divulgação

Mauro Torres Junior
Publicado em 30 de mai de 2019

"12/12", um registro que transformou 12 horas de trabalho de um dia de produção do Grupo Divulgação em 12 minutos de vídeo. Uma narrativa visual que mantém viva a chama do fogo que Prometeu deu aos homens e se materializa na esperança de um pequeno teatro construído para que possamos contar histórias. Resistir e persistir enquanto o muro ainda representa uma interdição (mas que caminha para uma pronta solução). É uma maneira de mostrarmos nossa forma apaixonada de trabalhar! Dia 05 de junho estreia OS FILHOS DE PROMETEU, texto e direção de José Luiz Ribeiro.



De nós, velhos, desculpam-se os erros, pois não encontramos as estradas abertas; mas de quem chegou ao mundo depois de nós, pode-se exigir mais; este não pode mais errar nem tentar.
J. Eckermann





Direito e Literatura - Prometeu Acorrentado, de Ésquilo

Transmitido originalmente pela Unissinos Obra: Prometeu Acorrentado, de Ésquilo Exibição: 02/08/2010 Apresentação: Prof. Dr. Lenio Luiz Streck (IHJ) Convidados: Prof. Dr. Dino Del Pino (Dr. em Letras) Prof. Dr. Alfredo Culleton (Prof. do PPG - Direito/Unissinos) Veja mais em http://atualidadesdodireito.com.br/



Ciclopes



Ciclopes da mitologia grega





Um ciclope, da mitologia grega, e romana, posteriormente, era um membro de da raça original de gigantes, caracterizado por um único olho no meio da sua testa, e seu nome significa “olho redondo”. Segundo a mitologia, trabalhavam com Hefestocomo ferreiros, forjando os raios usados por Zeus, o capacete de invisibilidade de Hades, e o tridente de Poseidon, que foram usados para derrotar os Titãs. Na “Teogonia” de Hesíodo, Zeus liberta três ciclopes, filhos de Urano e Gaia, do amaldiçoado e escuro abismo de Tártaro, o mundo inferior, na mitologia grega. Os ciclopes são citados em muitas histórias e mitos heroicos da mitologia grega, porém com origens muito controversas.
Essencialmente, esses seres fantásticos são distribuídos em três diferentes espécies, ou raças: os urânios, filhos de Urano e Gaia, os sicilianos, filhos do deus dos mares, Poseidon, e os construtores, que provêm do território da Lícia, uma região montanhosa na costa sudoeste da Ásia Menor. Vários antigos autores gregos e romanos escreveram sobre os ciclopes. Hesíodo descreveu-os como três irmãos que seriam os gigantes primordiais. Todas as outras fontes de literatura sobre os ciclopes descrevem o ciclope Polifemo, que viveu em uma Sicília povoada por diversas criaturas fantásticas.
Os Urânios: Segundo a mitologia grega, os primeiros ciclopes foram Arges, Brontes e Estéropes, sendo eles filhos de Zeus (Urano), o grande senhor dos céus, e Gaia, a deusa representante da Terra. Devido à força descomunal de seus filhos, Urano decidiu aprisionar todos eles no interior da Terra, em Tártaro. Gaia ficou, então, profundamente triste e nervosa por ter seus filhos aprisionados no mundo inferior, e fez com que todos os seus filhos titãs iniciassem uma guerra contra Zeus, junto aos Titãs, que também eram filhos de Gaia e Zeus, para tomarem o poder do pai. Os Titãs conseguem vencer a guerra, porém os ciclopes são aprisionados novamente no Tártaro. Acabaram por se tornar escravos dos deuses Zeus, Poseidon e Hades, sendo sempre libertados temporariamente para serem usados como armas nas guerras contra Cronos e os outros Titãs. Além disso, eram ótimos ferreiros, e foram responsáveis pela concepção das armas desses deuses: os raios e trovões e Zeus, o tridente de Poseidon, e o Elmo do Terror, de Hades, capaz de produzir o efeito da invisibilidade. Esses primeiros ciclopes foram mortos por Apolo, quando esse teve seu filho, o médico Asclépio, morto por Zeus.
Os Sicilianos: Essa raça de ciclopes é retratada na Odisseia de Homero, como sendo criminosos gigantes e arrogantes, que habitavam uma região ao sudoeste da Sicília. Costumavam provocar o terror nos agricultores, quando invadiam as plantações em busca de comida, como frutas, ou até mesmo carne humana. Esses ciclopes eram considerados selvagens, moravam em cavernas, com suas famílias, que recebiam a mesma educação com ênfase na selvageria e violência. Homero dizia que nem todos os Ciclopes possuíam apenas um olho, mas apenas Polifemo, o mais importante dos ciclopes, filho de Poseidon e da ninfa Teosa. Os poetas Virgílio e Eurípedes escreveram que o poder dos ciclopes era tão assustador, que quase toda a Sicília era capaz de ouvir o som de suas marteladas, quando estavam trabalhando em suas forjas.
Os Construtores: Apesar de também serem incrivelmente fortes, esses ciclopes eram conhecidos por sua mansidão. Trabalham na construção de edifícios, realizando tarefas que nenhum homem era capaz de fazer, por causa de sua altura e força. A eles, foi dado o crédito pela construção das cidades de Tirinto e Micenas.

Fontes:
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=450173
http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/12/ciclopes.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclope
Arquivado em: Mitologia Grega



Referências

https://youtu.be/iUmMN8f4r8g
https://www.youtube.com/watch?v=iUmMN8f4r8g&feature=youtu.be
https://www.pensador.com/frase/MjAwNA/https://youtu.be/J1ghfA0U16E
https://www.youtube.com/watch?v=J1ghfA0U16E
https://www.infoescola.com/mitologia-grega/ciclopes/
https://mitologiagrega.net.br/wp-content/uploads/2017/08/mitologia-grega-ciclopes.jpg.webp
https://mitologiagrega.net.br/ciclopes-gigantes-de-um-olho-so/

domingo, 2 de junho de 2019

A ética na política


Luiz Carlos Azedo

- Nas entrelinhas / Correio Braziliense

“No Brasil, onde não existe regulamentação do lobby, todos os políticos defendem o “bem comum”, ninguém assume a política como negócio, com exceção, talvez, da bancada ruralista”

“A política como vocação”, clássico da ciência política, é o texto de uma conferência realizada por Max Weber em 1918, e publicado em 1919 na Alemanha. O sábio economista e jurista alemão trata a política como “o conjunto de esforços feitos visando à participação do poder ou a influenciar a decisão do poder, seja entre Estados, seja no interior de um único Estado”. Segundo ele, quem se mete com a política quer poder, seja para fins ideais, por interesses econômico-financeiros ou em busca de prestígio. Para que o poder exista, porém, é preciso que a sociedade aceite a dominação do Estado.

Há três formas de dominação no Estado moderno: a tradicional, que se fundamenta e se legitima no passado, pela tradição; o domínio exercido pelo carisma e se fundamenta em dons pessoais e intransferíveis do líder; e a exercida pela legalidade, com base em regras racionalmente criadas e fundamentado na competência. Nas democracias do Ocidente, essas formas de dominação aparecem simultaneamente, mas o carisma é o fator decisivo para a chegada ao poder. O líder carismático, porém, necessita de meios materiais e conhecimento administrativo para exercer seu domínio.

É nesse contexto que surge o “político profissional”, que Weber classifica entre os que “vivem para a política” e aqueles que “vivem da política”. Todo cidadão pode e deve participar da vida política, mas nem todos têm tempo disponível e recursos para isso. Por isso, “todo homem sério, que vive para uma causa, vive também dela”, mas isso não impede a diferenciação entre os que têm a política como “bem comum” e os que a veem como negócio.

Paralelamente à existência dos políticos, existe uma burocracia formada por funcionários e técnicos encarregados de operar a máquina do Estado. Por essa razão, além dos objetivos programáticos, se estabelece entre os políticos uma disputa pela ocupação de cargos e a distribuição de recursos do governo. Nessa dinâmica, surge ainda uma camada de dirigentes partidários formada a partir de critérios plutocráticos e que vão ocupar posições no governo ou na máquina partidária. Para Weber, essas são as bases potenciais de “uma tendência que leva à criação de uma casta de filisteus corruptos”.

No Brasil, onde não existe regulamentação do lobby, como nos Estados Unidos e alguns países da Europa, todos os políticos defendem o “bem comum”, ninguém assume a política como negócio, com exceção, talvez, da bancada ruralista, embora o patrimonialismo, o cartorialismo e o fisiologismo sejam marcas registradas da nossa cultura ibérica. Mesmo assim, no Estado brasileiro, foi possível constituir uma burocracia formada por “trabalhadores especializados, altamente qualificados e que se preparam, durante muito tempo, para o desempenho de sua tarefa profissional, sendo animados por um sentimento muito desenvolvido de honra corporativa, em que se realça o sentimento da integridade”.

Lava-Jato
A Operação lava-Jato é um tremendo choque entre os políticos profissionais e essa burocracia, que desnudou o lado escuro da nossa política como negócios. Disso resultou a crise ética dos grandes partidos e o tsunami eleitoral de 2018. Em parte, a eleição do presidente Jair Bolsonaro é resultado desse fenômeno. Entretanto, não existe democracia sem partidos nem políticos, o país não pode ser paralisado pela crise ética. Além disso, a política é a economia concentrada, ou seja, não existe sem o mundo dos negócios. Há que se reinventar a nossa política, sem jogar a criança fora com a água da bacia, mas está difícil porque predomina a antipolítica como sentimento popular.

É aí que entra a discussão sobre a ética das convicções e a ética da responsabilidade proposta por Weber, ao examinar a relação entre o protestantismo e o capitalismo. A ética utilizada para culpar o passado pelos próprios fracassos é vulgar e limitada, como a do homem que justifica o abandono da esposa porque ela não era digna do seu amor. A relação entre política e religião é apartada: “O cristão cumpre seu dever segundo os mandamentos bíblicos e, “quanto aos resultados, confia em Deus”. Diferentemente, na ética de responsabilidade, “sempre devemos responder pelas consequências previsíveis de nossos atos”. A “política se faz usando a cabeça”, não pode estar desconectada da correlação de forças e das probabilidades.

Weber escreveu, às vésperas da derrocada da República de Weimar, que levou a Alemanha à hiperinflação e Hitler, ao poder. Isso não impediu que o baixo astral com a derrota na I Guerra Mundial e o colapso econômico fomentasse o surgimento de autores “teoconservadores”, que influenciaram o nazifascismo e agora estão sendo relidos nos Estados Unidos e na Europa, por católicos conservadores, protestantes evangélicos e judeus ortodoxos. Com base em valores religiosos anti-iluministas, querem mudar o curso da história com os olhos virados para trás, em busca do “Éden” perdido pela democracia liberal, com a globalização e o multilateralismo.



Max Weber entre duas vocações

Duas conferências manifestam a concepção weberiana, marcada pelas agitadas circunstâncias de época, das potencialidades efetivas da ciência e da política
Gláucia Villas Bôas

Se ainda hoje pairam dúvidas sobre as datas em que Max Weber pronunciou as conferências “Ciência como vocação” e “Política como vocação” – questionando-se se foram proferidas em 1918 ou consecutivamente em 1917 e 1918 – estudiosos de Weber concordam que as duas conferências foram dirigidas aos jovens estudantes alemães da Associação dos Estudantes Livres da Baviera, que convidou o mestre e promoveu os dois eventos na Universidade de Munique. Há também concordância quanto ao fato de que “Ciência como vocação” não deveria integrar os estudos metodológicos de Max Weber, nem “Política como vocação” sua obra política. Pelo conteúdo muito próximo das circunstâncias em que foram proferidas, as conferências seriam textos sobre questões da cultura moderna: a ciência e a política.
Ao comentar “Ciência como vocação” em palestra realizada na Universidade de Heidelberg em 1994,  Friedrich Tenbruck afirma que a conferência “não foi escrita para especialistas  e trata menos de ciência do que da situação espiritual das pessoas em uma civilização fundada na ciência. A conferência diz respeito à compreensão do homem moderno que deseja ganhar clareza sobre si e seu tempo”.  Talvez por isso a linguagem viva que distingue o texto prenda tanto a atenção do leitor e o recompense, diz Tennbruck.
A linguagem viva de que fala Tenbruck era bem diferente daquela que Weber usava em seus artigos e livros acadêmicos e, também, em palestras e conferências dirigidas ao público acadêmico e político. Wolfgang Schluchter aventa a hipótese de que as conferências “são textos filosóficos que pretenderam levar os ouvintes e, logo, os leitores a reconhecer fatos e encorajar a auto-reflexão, a fim de ganhá-los para esforços responsáveis dirigidos para uma causa realista”. A questão estaria definitivamente associada às circunstâncias históricas e à posição de Weber quanto à construção da nação alemã, que propugnava por um estado nacional moderno dependente da prontidão dos indivíduos de se engajar em tarefas que exigiam auto-renúncia e distanciamento.
Fatos históricos relevantes haviam modificado o destino político e geopolítico da Europa naqueles anos. O Segundo Império alemão sofrera uma grave uma derrota militar, enquanto a Revolução de Outubro fora vitoriosa na Rússia; desfizeram-se as monarquias e os impérios austro-húngaro, germano e turco-otomano. Pode-se imaginar o impacto desses acontecimentos, especialmente entre os estudantes profundamente envolvidos com a guerra, com suas carreiras e projetos de vida. Karl Löwith, que era um deles, e ouviu Weber, escreve, em suas memórias, que as formulações do sociólogo expressavam uma vida dedicada ao conhecimento e à experiência, parecendo por isso que vinham diretamente de dentro, enquanto a autoridade da personalidade de Weber lhes atribuía uma poderosa urgência. A maneira arguta de formular as questões combinava-se com a recusa a soluções fáceis. E embora Weber não deixasse sequer um fio de esperança, “qualquer um que o ouvisse sentia que no coração daquela razão clara repousava uma profunda e sincera humanidade”. Nem todos certamente concordam com a generosidade de  Löwith.
Os traços comuns às duas conferências não as configuram enquanto uma unidade. “Ciência como vocação” destacou-se e teve recepção bem diferente da conferência “Política como vocação”. Causou grande impacto, não só aos ouvintes, como aos leitores, depois de sua publicação em 1919, provocando uma polêmica apaixonada da qual fizeram parte Ernst Robert Curtius, Erich von Kahler e Arthur Salz, que eram do círculo de Stefan George, Ernst Troeltsch, Max Scheler e Heinrich Rickert, cujo tema era o papel da ciência no mundo moderno. O cerne do debate dizia respeito à necessidade de reafirmar uma unidade para a ciência e abandonar o relativismo frouxo de Max Weber, que pregava o politeísmo e a batalha dos deuses.
Participação na vida política
Durante os anos da Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, Weber ressurge na cena pública como orador político e volta, ao final daquele período, ao professorado na Universidade de Munique. Tinha 50 anos quando o conflito começou. Aderiu imediatamente à guerra e como não podia ir para a frente de batalha, apresentou-se para servir nas forças armadas, tendo recebido o posto de oficial de disciplina da Comissão de Hospitais Militares do Corpo de Reservas em Heidelberg. Trabalhou alguns meses na organização dos hospitais e em seguida absorveu-se inteiramente na sua pesquisa sobre as religiões mundiais.  Voltou ao escritório para escrever sobre a ética econômica das religiões, focalizando o confucionismo, o budismo e o hinduísmo. Paralelamente começou o esboço do que mais tarde se tornaria o livro Economia e sociedade (1922).
Contudo, não conseguia mais ficar apenas na mesa de trabalho. Ao mesmo tempo em que escrevia e buscava material para suas pesquisas, participava da vida política. A primeira vez que falou em público depois de suas sucessivas crises depressivas foi em Nuremberg para o Comitê Alemão Nacional para uma Paz Honrosa. Daí em diante fez várias conferências, tanto de caráter eminentemente político como também para a sociedade alemã de sociologia e outras instituições acadêmicas. Finalmente, foi convidado para ocupar uma cátedra na Universidade de Viena e, poucos meses depois, para a Universidade de Munique. Acabou aceitando o segundo convite. As conferências “Ciência como vocação” e “Política como vocação” foram feitas justamente nesse período entre os convites e sua decisão de ocupar uma cátedra na Universidade de Munique.
Weber tomou uma posição clara contra o pacifismo, a anexação de territórios e o pangermanismo.  Karl Jaspers o chamou de nationaler deutscher. Sua adesão a favor da construção de um estado nacional alemão não impediu que tomasse o partido da Monarquia até a fuga de Guilherme II.  Somente com o fim do Segundo Império e do governo monárquico é que Weber adere ao regime democrático. Tomou parte ativa na negociação dos tratados de paz e na reforma parlamentar, reabrindo paulatinamente seu ­diálogo com a juventude acadêmica.
Desde o final do século 19, mas, sobretudo, nos anos de guerra e reorganização da Alemanha após o conflito, uma associação de estudantes – a Associação Livre dos Estudantes – desempenhou um lugar de destaque na vida política. Essa associação lutava contra as tradicionais sociedades de estudantes que se fundavam em códigos de honra e cujos membros tinham uma posição privilegiada dentro das universidades.  A Associação Livre dos Estudantes levantara a bandeira da democratização do acesso à universidade e o fim dos privilégios. Considerava a universidade o locus privilegiado para a educação acadêmica e autoformação. Foram combatidos e acusados de serem a favor dos judeus, socialistas e comunistas. Finalmente, a Associação deu origem a vários diferentes grupos de estudantes, inclusive a Associação dos Estudantes Livres da Baviera, que fez a Weber o convite para lhes falar sobre ciência como vocação.
Weber era filiado a uma das antigas sociedades de estudantes chamada Allemania. Passou a fazer parte dela nos meses em que estudou Direito e Economia Política na Universidade de Heidelberg em 1912. Nos anos de 1917 e 1918, contudo, manifestou-se veementemente contra essas sociedades, que ainda se baseavam no duelo como forma de resolução de conflitos. Em sua conferência “Estudantes e política”, esclareceu que o sistema de exclusividade próprio daquelas sociedades, baseado no direito ao duelo era do tipo que tornava a democratização da universidade impossível, levando a um falso entendimento da posição dos estudantes. Considerou as sociedades incompatíveis com a nova forma de governo republicano, democrático e parlamentar que estava surgindo na Alemanha.  Solicitou o seu desligamento da Allemania.
“Ciência como Vocação” foi, portanto, proferida aos estudantes em um contexto de mudanças políticas e sociais profundas, e de rompimento de Weber com seus “aliados” da Allemania.
Como conciliar humanismo e especialização na universidade
Acuado diante da volta ao mundo acadêmico ou ao mundo da política, o que deveria Weber dizer aos jovens estudantes alemães naquela ocasião e o que pode interessar nos dias de hoje? Qual o sentido da conferência “Ciência como vocação”?
Para Wolfgang Schluchter, “Ciência como vocação” tem três expressões-chave: dever vocacional, auto-limitação e personalidade.  Max Weber quer mostrar aos estudantes que o trabalho intelectual enquanto profissão significa uma vida cheia de renúncia e não de reconciliação. O que mais causou mal-estar entre os estudantes, segundo o autor, teria sido justamente sua insistência na base ascéticadas ações profissionais. Elas não poderiam estar mescladas com ideais, sobretudo com ideais de ordem política. Profissão como autolimitação era a mensagem que Weber queria transmitir aos estudantes. Com o intuito de provar a base secular das profissões, Weber associa profissão e renúncia a um terceiro termo – personalidade.  Ele havia criticado o termo personalidade pelo seu caráter romântico e naturalista através do qual se procurava definir ou buscar o espaço sagrado de uma pessoa de maneira difusa e indiferenciada nas profundezas vegetativas da vida pessoal. Não acreditava que as personalidades eram características de gênios, e recusava a idéia romântica e esteticista de personalidade que a define como a busca de experiência direta e modelagem de uma vida como se fosse uma obra de arte.  Mas, se era assim, por que diz então que somente os jovens que têm personalidade poderão sobreviver com dignidade nos meios universitários? 
Para Weber, personalidade seria uma relação constante e intrínseca com certos valores e sentidos da vida que uma pessoa pode alcançar no desenrolar do seu destino, um processo que é ao mesmo tempo Bildung (formação). Ascetismo e individualismo humanista são valores que expressam o mais próximo que se pode dizer desse conceito de personalidade:  1) a personalidade é ascética porque está voltada para uma ação contínua e regular necessária para o  serviço de uma causa; 2) humanista porque o encadeamento das ações se dirige para valores últimos; e 3) individualista porque exige escolha que provoca um conjunto de decisões. Se essas condições são satisfeitas, a pessoa cria personalidade, pois descobre qual é seu demônio interior e passa a obedecer a ele satisfazendo as demandas do dia-a-dia.
Tenbruck, contudo, não compartilha dessa interpretação.  Para ele é importante observar que, em 1917, a palavra Beruf não tinha ainda o sentido exclusivo de profissão, porém “significa ainda o preenchimento de uma vida interior e não meramente os meios externos necessários para viver e ter sucesso”.  Na realidade, Weber acredita que a ciência como vocação exigia uma vocação interna. O fundamento da conferência, no que diz respeito à ciência como profissão/vocação, encontra-se em A ética protestante e o “espírito” do capitalismo(1905). No livro, Weber demonstra como no protestantismo o trabalho (Arbeit) perde o estigma de obrigação para a sobrevivência e passa a significar profissão (Beruf), uma vez que Deus chama o crente para servir sua obra no mundo.  Para Tennbruck, contudo, à época de Max Weber, a universidade alemã estava passando por transformações que concerniam à especialização, divisão das disciplinas, pesquisas empíricas ligadas ao desenvolvimento e ao progresso dos meios de vida. Para fazer frente às mudanças, a ciência torna-se um importante Beruf, uma profissão que o cientista abraça apenas se tiver sido “chamado” intimamente.
Além disso, Tenbruck chama a atenção para o fato de que, na virada do século, a crença na ciência estava abalada. Na França, os escritos de Renan e Bergson davam provas do questionamento da ciência. Para que futuro leva a ciência? Na Alemanha, diz ele, permanecia o ideal da Bildung durch Wissenschaft (formação através da ciência), apesar dos duros golpes que os portadores dessa posição recebiam, sobretudo no âmbito das ciências do espírito. A crítica à ciência veio com Nietszche, que combateu o racionalismo e o intelectualismo, porém, diferentemente de seus contemporâneos franceses, teria proposto uma nova ciência, uma inversão dos valores e confiava essa missão aos jovens.
Mas o cerne da conferência estaria ainda na pergunta “qual o sentido da ciência?”.  Weber teria expressado dramaticamente, segundo Tenbruck, sua dúvida radical com relação ao sentido da ciência. A ciência exigia o fim das ilusões de sentido, uma vez que estava intimamente ligada ao progresso e o progresso não tinha fim; renovava-se nele mesmo. Quem ajuíza que Weber teria simplesmente feito um elogio a uma ciência livre de valores estava enganado. Ele não havia restringido a ciência a um mero exercício empírico, fortalecendo seu caráter racional. O que estava em jogo agora era de fato o sentido da ciência. Para Tenbruck, a ciência, na acepção de Weber, não oferece sentido nem à vida pessoal, nem ao mundo.  A conferência trazia mais perguntas do que respostas.  
Em “Ciência como vocação”, Weber questiona mais uma vez o surgimento da profissão e da especialização no mundo da cultura e de uma ciência livre de valores. Como combinar a formação (Bildung) com os rigores e limites de uma especialização no âmbito das universidades?  Essa questão perpassa o seu pensamento e sua obra. Quanto à “novidade” do tom dramático com que se refere ao problema, isto sim talvez possa ser compreendido pela dúvida de Weber em voltar para o mundo acadêmico para o qual muitas vezes dizia que não era “talhado”, ou dirigir o sentido de seu dever para a ação política, sabendo de seu insucesso como homem político, desligado dos partidos e defensor da ética da responsabilidade que não empolgou os políticos nem tampouco os estudantes que o ouviram na Universidade de Munique.
Tipo ideal – Contribuição importante para consolidar a sociologia e o arcabouço teórico da disciplina, os tipos ideais são ferramentas de análise para compreender a sociedade a partir de seus elementos constitutivos como religião, economia, burocracia, capitalismo, e a partir da observação de aspectos concretos e históricos. São generalizações “puras” que o cientista social, por sua vez, utiliza na sua pesquisa dos fenômenos sociais. Para Weber, como a total apreensão da realidade seria impossível, o recurso aos tipos ideais torna-se indispensável.
Gláucia Villas Bôas é professora de sociologia da UFRJ e autora do livro A recepção da sociologia alemã no Brasil (Topbooks)




Max Weber
Sociólogo e economista alemão
Por Dilva Frazão
Biografia de Max Weber
Max Weber (1864-1920) foi um importante sociólogo e destacado economista alemão. Suas grandes obras são, “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” e "Economia e Sociedade". Dedicou sua vida ao trabalho acadêmico, escrevendo sobres assuntos variados como o espírito do capitalismo e as religiões chinesas.
Max Weber nasceu em Erfurt, Turíngia, Alemanha, no dia 21 de abril de 1864. Filho de um jurista e político do Partido Liberal Nacional na época de Bismarck. Estudou nas universidades de Heidelberg, Berlim e Gotinga. Formou-se em Direito e doutorou-se em Economia e acabou desenvolvendo obras sobre Sociologia. A partir de 1893, lecionou em diversas universidades da Alemanha, principalmente em Heidelberg. Entre 1898 e 1906, ficou afastado do magistério em consequência de crises depressivas. Nesse período, realizou diversas viagens e dedicou-se ao trabalho acadêmico.
Teoria
Max Weber tornou-se conhecido pela “Teoria dos Tipos Ideais”. Foi um grande renovador das Ciências Sociais em vários aspectos, inclusive na metodologia: diferente dos precursores da sociologia, Weber compreendia que o método dessas disciplinas não poderia ser uma mera imitação dos empregados para as ciências físicas e naturais, uma vez que nos estudos sociais estão presentes indivíduos com consciência, vontade e intenções que precisam ser compreendidos.
Max Weber criou então o método dos “Tipos Ideais”, que descrevem a intencionalidade dos agentes sociais mediante casos extremos, puros e isentos de ambiguidades, uma vez que tais casos não estariam condizentes com a realidade. Desse modo, estabeleceu os fundamentos do método de trabalho da “Sociologia Moderna”, uma base para se construir modelos teóricos centrados na análise e na discussão sobre conceitos rigorosos.
O primeiro fruto da aplicação desse método foi sua obra: “A Ética e o Espírito do Capitalismo” (1905). Trabalhando sobre os tipos ideais da burguesia, a ética protestante e o capitalismo industrial, Weber estudou a moral estabelecida por algumas seitas calvinistas dos séculos XVI E XVII, para mostrar que a Reforma Protestante havia criado, em alguns países ocidentais, uma cultura social mais favorável ao desenvolvimento econômico capitalista, do que a predominante nos países católicos. Em 1909, Weber fundou a Associação Sociológica Alemã.
Ideias
Em termos gerais, Max Weber procurou compreender a inter-relação de todos os fatores que influíam para a construção de uma estrutura social, e em particular reivindicou a importância dos elementos culturais e a mentalidade coletiva na evolução histórica, contestando a exclusiva determinação econômica defendida por Marx e Engels.
Frente à prioridade da luta de classe como motor da história no pensamento marxista, Weber prestou mais atenção à racionalização como chave do desenvolvimento da civilização ocidental, um processo guiado pela racionalidade baseada na burocracia. Todas essas ideias aparecem na sua obra-prima “Economia e Sociedade” (1922).
Max Weber e a Política
Politicamente, Weber foi um liberal democrata e reformista, que contribuiu para fundar o Partido Democrata Alemão. Criticou os objetivos expansionistas de seu país durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e depois da derrota, conquistou importância política como membro do comitê que representou o governo alemão na Conferência da Paz de Paris (1918) e como colaborador do jurista e político alemão Hugo Preuss, na redação da Constituição Republicana de Weimar (1919). Entre seus escritos políticos destaca-se: “Parlamento e Governo em uma Alemanha Reorganizada” (1918), uma valiosa defesa do parlamentarismo, escrita nos difíceis tempos de guerra.
Max Weber faleceu em Munique, Alemanha, vítima de pneumonia, no dia 14 de junho de 1920.


'A política começou a se transformar antes de termos redes sociais', diz cientista política

Jeanette Hofmann, professora da Universidade Livre de Berlim, especializou-se em política da internet

Guilherme Evelin / O Estado de S.Paulo / Aliás

O campo de estudos da cientista política Jeanette Hofmann, professora da Universidade Livre de Berlim, é a sociologia da tecnologia. Nela, especializou-se em política da internet. No Instituto Weizenbaum para a Sociedade em Rede, um órgão financiado pelo governo alemão para estudar as implicações da revolução digital, Hoffman lidera as pesquisas sobre democracia e digitalização, tema de uma série de conferências que ela deu no Brasil. Na mesma semana em que Hoffman foi entrevistada pelo Estado, milhares de manifestantes, convocados pelas redes sociais, saíram às ruas em defesa do governo Jair Bolsonaro.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

• As redes sociais são uma das causas da crise das democracias representativas no mundo?

A política começou a se transformar muito antes de termos as mídias sociais. Ao menos, na Europa, é óbvio que as democracias representativas começaram a perder seu apelo dos anos 1970 em diante. Com a guinada dos partidos ao centro, as eleições se tornaram, cada vez menos, uma questão de que em partido você vota, porque o resultado é sempre o mesmo, não importa quem ganhe. Ao mesmo tempo, houve uma grande transferência de poder dos governos para o mercado e do Parlamento para os burocratas do Poder Executivo, com a agenda neoliberal que privatizou muitos setores da infraestrutura. Então, os eleitores se perguntam: por que votar? Com isso, os partidos deixaram de atrair membros e se tornaram muito instáveis. Hoje, eles crescem, implodem e desaparecem. As redes sociais não são a causa da mudança, mas um meio para tentar alternativas.

• Líderes populistas ou autoritários usam melhor as redes sociais do que lideranças democráticas?

Esse é um paradoxo. Enquanto a imprensa funcionava como uma espécie de guardião do que você via ou era informado sobre o mundo, as redes de extrema-direita eram completamente excluídas da esfera pública. Com a internet, esses movimentos tiveram a chance de organizar a própria visibilidade – e eles foram muito rápidos e astutos em usar as redes sociais para seus propósitos, muito melhor do que os partidos tradicionais que permaneceram numa zona de conforto, acreditando que existiriam para sempre. Esses partidos são muito bons em compensar o relativo pouco apoio com que contam na sociedade. Na Europa, em muitos países, o apoio a eles está em torno de 10, 15% da população, mas eles se tornaram mais visíveis graças à propaganda. E é muito interessante apontar que a imprensa tradicional, em muitos casos, os ajuda. Eles fazem campanhas da forma mais ultrajante possível para chamar a atenção da imprensa, que acaba lhes dando visibilidade.

• Como as redes sociais podem ser usadas para fortalecer a democracia?

As mídias sociais são um recurso para a experimentação. A democracia tradicionalmente foca no direito ao voto. Mas isso não convence mais as pessoas. Nossas constituições não descrevem mais a democracia como a praticamos no dia de hoje. Votar é um dos modos de exercemos nossos direitos, mas não é a coisa mais importante nas democracias contemporâneas. As gerações mais jovens usam as mídias sociais para experimentar novas formas de se organizar, formar redes, protestar, chamar a atenção. Essas novas formas são muito voláteis. Alguns movimentos sociais podem durar um verão ou um ano. E desaparecem. Não têm meios de se estabilizar em suas organizações, mas, ainda assim, são politicamente ativos – e é importante que a próxima geração não seja apolítica.

• As sociedades vão ter de acostumar à volatilidade como a nova realidade das democracias?

Há sempre alternativas no uso das tecnologias. Nós temos que ter consciência das opções e descrevê-las de forma que as pessoas possam tomar decisões e não delegar essas decisões ao mercado ou para engenheiros. A democracia também não é uma coisa estática. Nossa interpretação de democracia hoje é completamente diferente da concepção dos anos 1960 e 70, em que nós a associávamos à ideia de autodeterminação coletiva. Hoje nós interpretamos democracia muito mais como o direito à liberdade individual de uma pessoa decidir o que quer fazer com a sua vida. A democracia, portanto, está mudando, e nós temos de ter consciência de que ela pode ser diferente. Acredito que nós vamos passar por um longo período de mudanças institucionais. Elas não matarão a democracia, mas ela vai mudar. Nós teremos que passar por esse processo de volatilidade e instabilidade, que se vê hoje na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil. Não há como fazer regulações para evitar ou paralisar isso.

• Há alguma forma de controlar a difusão de “fake news” nas redes sociais?

Acho perigosa a ideia de regulação. O termo “fake news” sugere que esse seja um fenômeno novo. Mas claro que ele não é. Na Europa, existem tabloides especializados em produzir “fake news” sobre a aristocracia e seus bebês e divórcios – e essa cultura longamente estabelecida é considerada tolerável. Mas, agora com a internet e o crescimento dos partidos de direita, nós começamos a ficar com medo. Mas meu medo maior é o que os partidos democráticos se unam aos partidos de extrema-direita para ficar a favor de restrições à nossa liberdade de expressão. Quem estará na posição de dizer o que está certo e o que está errado? Nós queremos realmente que uma organização fique responsável por decidir isso?

• É melhor deixar tudo livre como está?

Não diria dessa forma. Há umas poucas áreas em que a regulação seria bem-vinda. Com a internet, como se mostrou no referendo pelo Brexit, no Reino Unido, há muitas formas de fazer uma campanha política de modo que ninguém a veja – por meio dos “dark ads” (anúncios invisíveis nas redes sociais, dirigidos a públicos ultrasegmentados). Nós precisamos de uma discussão pública e maior transparência no financiamento dos partidos e movimentos políticos




Referências

http://gilvanmelo.blogspot.com/2019/06/luiz-carlos-azedo-etica-na-politica.html#more
https://revistacult.uol.com.br/home/max-weber-entre-duas-vocacoes/
https://www.ebiografia.com/max_weber/

http://gilvanmelo.blogspot.com/2019/06/a-politica-comecou-se-transformar-antes.html



Psicologia da Arte


L.S. Vigotski

A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca

A função da catarse em Vigotski tem caráter social e não implica em alívio, mas estimula algum tipo de resposta não necessariamente prazerosa no espectador.


Para Aristóteles, o teatro tinha para o ser humano a capacidade de libertação, pois quando via as paixões representadas, conseguia se libertar delas. Essa purgação ou purificação tinha o nome de catarse, que era provocada no público durante e após a representação de uma tragédia grega. A catarse era o estado de purificação da alma experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no drama.






A sagrada família, 1914 - Pavel Filonov




Autorretrato de Pavel Filonov (1883-1941) Pintor, Poeta



SINOPSE
Por um lado, o estudo das artes começa a carecer cada vez mais de fundamentações psicológicas. Por outro, a psicologia, ao tentar explicar o comportamento em seu conjunto, também não pode deixar de propender para os complexos problemas da reação estética. Se incorporarmos aqui a mudança que ora experimentam ambas as ciências, a crise de objetivismo que as envolve, isto irá determinar até o fim a acuidade do nosso tema.

DADOS DO PRODUTO
título: PSICOLOGIA DA ARTE
isbn: 9788533610033
idioma: Português
páginas: 377
autor: L. S. Vigotski

AUTOR


L. S. VIGOTSKI

Lev Semionovich Vigotski (1896-1934), psicólogo soviético cuja formação multidisciplinar o levou a estudar a psicologia infantil e suas aplicações pedagógicas. Seu interesse recai também sobre a psicologia da arte e sobre a epistemologia da psicologia. Escreveu, entre outros, Psicologia da arte, O desenvolvimento psicológico na infância, Pensamento e linguagem, Teoria e método em psicologia, A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca.




Vez da experiência Para Vygotsky, a presença de um adulto capaz de planejar as etapas do aprendizado é ponto central para a criança adquirir conhecimentos do grupo de que faz parte




"O aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer."
Lev Vygotsky no livro A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores 



Martins Fontes

Uma reviravolta completa nas concepções tradicionais
PSICOLOGIA DA ARTE


Liev Semionovitch Vigotski (1896-1936) é uma das figuras mais importantes da escola psicológica russa. Entre as suas mais destacadas contribuições estão os estudos sobre a psicologia geral, infantil, pedagógica e genética, assim como sobre a psicopatologia.
No entanto devem ser lembradas especialmente as suas teorias sobre a origem sócio-histórica das funções psíquicas superiores e sobre as funções do ensino no desenvolvimento psíquico da criança. Suas investigações sobre psicologia da arte começam a influenciar as principais tendências ocidentais preocupadas com esta área da atividade humana. Vigotski coloca e resolve questões sobre psicologia da arte que marcam uma reviravolta completa nas concepções tradicionais.



Biografia

Lev Semenovitch Vygotsky nasceu em 1896 em Orsha, pequena cidade perto de Minsk, a capital da Bielo-Rússia, região então dominada pela Rússia (e que só se tornou independente em 1991, com a desintegração da União Soviética, adotando o nome de Belarus). Seus pais eram de uma família judaica culta e com boas condições econômicas, o que permitiu a Vygotsky uma formação sólida desde criança. Ele teve um tutor particular até entrar no curso secundário e se dedicou desde cedo a muitas leituras. Aos 18 anos, matriculou-se no curso de medicina em Moscou, mas acabou cursando a faculdade de direito. Formado, voltou a Gomel, na Bielo-Rússia, em 1917, ano da revolução bolchevique, que ele apoiou. Lecionou literatura, estética e história da arte e fundou um laboratório de psicologia - área em que rapidamente ganhou destaque, graças a sua cultura enciclopédica, seu pensamento inovador e sua intensa atividade, tendo produzido mais de 200 trabalhos científicos. Em 1925, já sofrendo da tuberculose que o mataria em 1934, publicou A Psicologia da Arte, um estudo sobre Hamlet, de William Shakespeare, cuja origem é sua tese de mestrado.



Psicologia e arte: os diálogos de Vigotski com a arte russa de seu tempo
Autor: Wedekin, Luana Maribele


Esta tese pretende contribuir para o preenchimento de uma lacuna sobre as relações entre o pensamento de Lev S. Vigotski sobre arte e as manifestações artísticas na Rússia de seu tempo. As obras de Vigotski analisadas foram ?A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca?, de 1916; ?Psicologia da Arte?, de 1925; ?A Educação Estética?, de 1926; e ?Imaginação e criação na Infância?, de 1930. Esses escritos foram cotejados com poemas, romances, contos, excertos de textos de críticos de arte, textos teatrais e análises visuais de obras de arte. O diálogo com as artes compreendeu o período entre 1890 e 1934. O estudo demonstrou profícuas possibilidades de diálogo entre a categoria do trágico em Vigotski e a obra do pintor Pavel Filonov. Evidenciou-se uma clara diferença entre o conceito de catarse em Vigotski e as perspectivas aristotélica e psicanalítica. A função da catarse em Vigotski tem caráter social e não implica em alívio, mas estimula algum tipo de resposta não necessariamente prazerosa no espectador. Constatou-se frequente interlocução com Lev Tolstói, mas observou-se maior aproximação de Vigotski com a perspectiva simbolista da arte como elemento transformador. Do debate com o Formalismo russo, Vigotski destilou uma abordagem objetiva da arte e a consideração da relação entre forma, material e conteúdo na obra de arte. Relacionou-se o tema da criação artística em Vigotski e a produção de coletivos de arte da vanguarda russa, constatando-se inovadoras problematizações da questão da autoria em ambos. Vigotski afirmou a polissemia da obra de arte e a importância da recepção artística, elementos evidenciados também na vanguarda russa. O tema arte e vida foi problematizado a partir de Vigotski e as perspectivas realistas, simbolistas, as performances futuristas, e a relação entre arte e indústria dos construtivistas e produtivistas. A educação estética preconizada por Vigotski é relacionada com as instituições de ensino de arte de antes e após a revolução de outubro de 1917. Comprovou-se as diversas ressonâncias entre a obra de Vigotski e as produções práticas e teóricas dos artistas e críticos de arte de seu tempo. Deste intenso diálogo, afirma-se a atualidade e potência do pensamento de Vigotski para pensar os fenômenos artísticos de seu tempo e de hoje.<br>

O que é Catarse:
Catarse é um termo de origem filosófica com o significado de limpeza ou purificação pessoal.
O termo provém do grego “kátharsis” e é utilizado para designar o estado de libertação psíquica que o ser humano vivencia quando consegue superar algum trauma como medo, opressão ou outra perturbação psíquica. Através de terapias clínicas como a hipnose ou a regressão, é possível resgatar as memórias que provocaram o trauma, levando o indivíduo a atingir diferentes emoções que podem conduzir à cura.
No sentido religioso, a catarse é o estado de purgação espiritual que o indivíduo almeja, por exemplo, através da confissão. As emoções manifestadas pelos participantes de um ritual religioso são também demonstrações de catarse ou de purificação da alma.
No âmbito da medicina, a catarse é um termo usado para designar o esvaziamento do intestino.
Catarse também é o nome de um site de crowdfunding, onde pessoas podem contribuir financeiramente para a concretização de um determinado projeto, como um álbum de música, jogo ou livro.
Catarse na psicanálise
A catarse como processo de cura emocional através da psicanálise era defendida por Sigmund Freud, que integrou os estudos sobre hipnose, já desenvolvidos pelo austríaco Joseph Breuer, nas suas análises sobre a influência das memórias do inconsciente no comportamento humano.
A catarse representa a cura de um paciente, que é alcançada através da expressão verbal de experiências traumáticas recalcadas.
Catarse segundo Aristóteles
Para Aristóteles, o teatro tinha para o ser humano a capacidade de libertação, pois quando via as paixões representadas, conseguia se libertar delas. Essa purgação ou purificação tinha o nome de catarse, que era provocada no público durante e após a representação de uma tragédia grega. A catarse era o estado de purificação da alma experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no drama.







Referências

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5b/Pavel_Filonov_AutoPortrait.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pavel_Filonov
https://img.travessa.com.br/livro/Instancias/38/381010d0-e928-4265-af2f-b61cacf5259a.jpg

https://www.soescola.com/wp-content/uploads/2017/05/materia-ne243-vygotsky-e-o-conceito-de-aprendizagem-mediana-foto-l-s-vygotsky-psychology-institute-russian-state-university-for-the-humanities.jpg
https://www.soescola.com/2017/05/vygotsky-e-o-conceito-de-aprendizage.html
https://html1-f.scribdassets.com/73o05mtj9c3bbid8/images/1-0612031e62.jpg
https://pt.scribd.com/doc/196168105/Psicologia-Da-Arte-Vigotsky
http://oficinadosaber-educar.blogspot.com/2013/04/lev-vygotsky.html
https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/134777
https://www.significados.com.br/catarse/

sábado, 1 de junho de 2019

Telecurso de presidiário




A teoria na prática?!

- ...Hoje eu tenho muita clareza. Da mesma forma que eu tenho clareza que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está por detrás disso. Da mesma forma...

- Tem evidência pra isso?
- Hein?

- Tem evidência? Tem provas? 
- Eu tenho...eu tenho só convicção.



Ora se o Ciro quisi... quiria de verdade...


Bônus de GLENN GREENWALD?!


(...)



- O Ciro tem que aprender uma coisa. Isso em política é importante. Se você for um dia entrar na política, aprenda isso: se você quiser que alguém goste de você, você precisa aprender a gostar da pessoa, se você quiser que alguma pessoa te respeite, você tem que aprender a respeitar as pessoas. Ora se o Ciro quisi... quiria de verdade...






#EuApoioIntercept
Glenn Greenwald entrevista Lula: entrevista completa

The Intercept Brasil
Estreou em 21 de mai de 2019
Depois de um ano tentando uma autorização judicial para entrevistar Lula na prisão, Glenn Greenwald pôde finalmente perguntar ao presidente quais os motivos que nos trouxeram até aqui, depois de 14 anos de um governo que, ele diz, foi excelente para a população: “Tenho clareza que o departamento de justiça dos Estados Unidos está por trás disso.” Veja a entrevista completa em: https://interc.pt/2M1j8z4 To watch the complete interview with English subtitles, click here: https://www.youtube.com/watch?v=93Mge...





#lula #gleengreenwald #intercept
LULA FICOU IRRITADO COM O GLENN GREENWALD?! - Entrevista Intercept

Henry Bugalho
Publicado em 22 de mai de 2019
O Lula ficou irritado com o Glenn Greenwald da Intercept?! Glenn Greenwald entrevista Lula: entrevista completa https://www.youtube.com/watch?v=44MQt...






Bônus de GLENN GREENWALD?!


Ora se o Ciro quisi... quiria de verdade...





#TIBnasEleições #Eleições2018
Glenn Greenwald entrevista Ciro Gomes: ‘O sistema político brasileiro precisa ser destruído’

The Intercept Brasil
Publicado em 30 de ago de 2018
Candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes conversou quase uma hora com Glenn Greenwald em São Paulo. Ele não poupou críticas aos adversários, aos ex-aliados do PT, como Lula, e mesmo ao que chama de “velhos amigos”, como Geraldo Alckmin, do PSDB. Também falou sobre o seu temperamento, bem incisivo quando trata de adversários e crítica política, mas que costuma baixar de tom em questões polêmicas e morais como drogas e aborto. Leia a íntegra da reportagem: https://interc.pt/2LI5lI3 #TIBnasEleições #Eleições2018 Glenn Greenwald entrevista Ciro Gomes, candidato à presidência pelo PDT https://interc.pt/2LI5lI3 Assine nossa Newsletter: https://interc.pt/ytNews Assista todos nossos vídeos: https://bit.ly/2GxlmyN Assista à entrevista com Guilherme Boulos: https://interc.pt/2sifGUk Assista à entrevista com Marina Silva https://youtu.be/midaPx_OzfY Siga-nos em nossas redes: - TWITTER: http://bit.ly/2vrBfn0 - FACEBOOK: http://bit.ly/2LYavoq - INSTAGRAM: http://bit.ly/2KzrTKo - YOUTUBE: http://bit.ly/2vrZW2z





Referências    

https://youtu.be/44MQtRVFuFA
https://www.youtube.com/watch?v=44MQtRVFuFAhttps://youtu.be/PTYRltKiO54
https://www.youtube.com/watch?v=PTYRltKiO54
https://youtu.be/Pg5shItzWZg
https://www.youtube.com/watch?v=Pg5shItzWZg