sexta-feira, 6 de novembro de 2026

CARREIRINHAS SUCUPIRANAS

Uma Trilogia Satírica de Esquetes por Avant-Première em Londres 1976-1982 Partido Alto - Leon Hirszman Sinal Fechado Paulinho da Viola Sinal Fechado · Paulinho Da Viola Meus Momentos: Paulinho Da Viola ℗ 1969 EMI Records Brasil Ltda
A crise política e financeira no Paraguai — marcada pela queda do Ueno Bank e pelo anúncio de renúncia do presidente Santiago Peña — colocou em xeque a imagem do país vizinho como um "paraíso fiscal ou liberal" infalível para investidores e empresas brasileiras. Oásis fiscal paraguaio era uma miragem que atraiu empresas brasileiras, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Os baixíssimos impostos melhoravam os resultados das empresas, porém já não garantem que o dinheiro destinado à folha de pagamento estará disponível na manhã seguinte A crise do Ueno Bank e a derrocada de Santiago Peña desfizeram uma ilusão vendida a empresários brasileiros de que bastaria atravessar a fronteira para encontrar impostos baixos, energia barata e segurança permanente para investir. Peña apresentou sua renúncia nesta quinta-feira, enquanto avançava na Câmara a acusação para seu impeachment. O desmoronamento de seu governo já expõe a fragilidade do paraíso anunciado. A miragem não estava na existência de vantagens competitivas paraguaias. Estava na promessa de que elas dispensariam instituições sólidas, fiscalização independente e proteção efetiva da poupança. Os baixíssimos impostos melhoravam os resultados das empresas, porém já não garantem que o dinheiro destinado à folha de pagamento estará disponível na manhã seguinte. Quando o aplicativo do banco já não funciona e os depósitos são bloqueados, o oásis da simplicidade tributária vira uma miragem sem encantamento. CONTINUAR LEITURA
No artigo "Esquerda precisa rever ideias sobre segurança pública", o filósofo e professor da USP Pablo Ortellado argumenta que a visão progressista tradicional sobre o crime gera desconexão com a realidade da classe trabalhadora. Ele defende que a esquerda deve formular uma política de segurança pública empática com o cidadão comum, enfatizando o combate ao crime e a proteção do patrimônio de quem trabalha. Leia o artigo completo em O Globo. Para uma nova esquerda III, por Pablo Ortellado O Globo Concepção simpática ao crime permanece difusa na cultura política Concluo hoje a série de colunas sobre os desafios da esquerda. Na série, argumento que a missão atual da esquerda é dupla: precisa oferecer respostas alternativas aos problemas colocados pelo populismo radical de direita, mas sem se deixar confundir com ele. Em outras palavras, tem de enfrentar as questões levantadas pelo conservadorismo moral, pelas novas formas de trabalho e pelo populismo penal, oferecendo uma abordagem alternativa que seja distintivamente progressista. A nova conjuntura, porém, pode levá-la a adiar mais uma vez a tarefa de se reinventar, apostando que a vitória nas eleições presidenciais abre o horizonte de vitórias eleitorais sucessivas, até que o populismo de direita morra de cansaço e desapareça por si só. CONTINUAR LEITURA
A insurreição silenciosa, por José de Souza Martins Valor Econômico O milhão de jovens na avenida Paulista mostrou a cara de um novo sujeito político: os que recusam a iniquidade de nascer para o abandono de uma sociedade cada vez mais rica e de alguns Até os últimos minutos da apuração dos resultados eleitorais do pleito presidencial de 25 de outubro, havia sérias dúvidas quanto a qual dos candidatos seria o eleito para a Presidência da República. As dúvidas tinham fundamento na comprovada eficácia aos recursos ilícitos criados e movimentados nas últimas décadas para impedir a alternância democrática de governo. A disputa não era e nem tem sido entre esquerda e direita. Nem tem sido uma manifestação da luta de classes. É inútil invocar esses chavões da história do último século para explicá-la. Aqui há cientistas sociais que propõem essa compreensão da realidade política. Esses marcos estão referidos a uma concepção de temporalidade histórica de um agora de horas e minutos próprios do imediato da sociedade de consumo e não próprios do processo histórico e político. Os de uma sociedade que teve sua concepção de destino usurpada pelos beneficiários das urgências da reprodução ampliada do capital. As de um capital rentista, anticapitalista. Uma riqueza de mera reprodução do subdesenvolvimento econômico e social. CONTINUAR LEITURA
Na coluna "Efeito Trump ao contrário", a jornalista Eliane Cantanhêde analisa a perda de força política do presidente americano Donald Trump e como isso passa a puxar para baixo os líderes da "nova direita" que ele havia impulsionado na América do Sul. Efeito Trump ao contrário, por Eliane Cantanhêde O Estado de S. Paulo ‘Nova direita’ da América do Sul sofre com crises, queda de popularidade e derrota de Trump As voltas que o mundo dá... O trono do imperador Donald Trump começa a ruir e já há sinais de que, assim como puxou para cima a tal “nova direita” na América do Sul, passe a puxar para baixo a partir de agora. Aliás, como está acontecendo neste momento no Paraguai e foi previsto aqui na coluna em maio. O Brasil foi o líder da resistência à invasão americana na região e consolidou espetacularmente essa posição com a eleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, comemoradas por governos, entidades e cidadãos ao redor do mundo, inclusive nos EUA, como vitória da democracia e da soberania. CONTINUAR LEITURA html

CARREIRINHAS SUCUPIRANAS

Uma Trilogia Satírica de Esquetes por Avant-Première em Londres

Cartaz Oficial - Carreirinhas Sucupiranas

Cartaz oficial da estreia vitoriana no West End londrino.

O ano é 1899. A névoa de Londres testemunha o choque tectônico de eras, impérios e retóricas. Esmerilando o estilo e armando o mecanismo na terra batida de Sucupira, apresentamos o libreto completo da trilogia satírica que uniu a erudição barroca do Conselheiro Rui Barbosa ao pragmatismo pedagógico das carreirinhas coloniais.


🔫 CARREIRINHA NÚMERO UM: O Debu do Topetudo na Profecia do Conselheiro

Cenário: Salão Oval da Casa Branca, alta madrugada. O Líder do Topete Fulvo caminha de um lado para o outro gesticulando. Sobre a mesa, um pergaminho diplomático de 1899. O fantasma holográfico de Rui Barbosa observa com os pés imersos em sua bacia de gelo.

O LÍDER DO TOPETE FULVO: Isto aqui é fake news! Uma fraude total produzida pelo Deep State latu-sensu do século dezenove! Quem é esse tal de Barbosa? Nunca ouvi falar. Dizem que era o "Águia de Haia". Grande coisa. Eu conheço as melhores águias, as águias americanas, que são muito maiores e mais vitoriosas que as águias da Holanda. E ele diz aqui... vejam só... ele diz que o meu povo, as minhas belas indústrias do Rust Belt, seriam inundadas por um pozinho da China? Mentira! Nossos operários são fantásticos. O fentanil é terrível, é um desastre, mas nós vamos construir um muro químico! Um muro enorme e os laboratórios subterrâneos vão pagar por ele!

RUI BARBOSA: Cale-se, tribuno de quermesse e mercador de ilusões televisivas! Vossa bonomia mercantilista e vossa prosódia eivada de barbarismos não são capazes de obliterar o peso inexorável da realidade fatídica! Não há muro, por mais monumental e hiperbólico que vossa vaidade conceba, capaz de deter a osmose silenciosa do veneno sintético. O que assistis hoje em vossas metrópoles opulentas não é um acidente aduaneiro; é o epílogo trágico da vossa própria soberba imperialista! Vós, que herdastes o cetro de Salisbury, colheis agora o lodo que vossos antecessores semearam nas margens do Rio das Pérolas!

O LÍDER DO TOPETE FULVO: Olha aqui, homenzinho do bigode de morsa, você fala muito difícil. Ninguém entende o que você diz. É por isso que você perdeu as eleições no seu país, sabiam disso? Eu ganhei, e ganhei por muito, uma vitória tremenda, a maior da história! Você fala em "osmose", eu falo em tarifas! Nós vamos taxar a papoula, vamos taxar os laboratórios, vamos taxar o passado! Se a China nos manda o torpor, nós mandamos o maior contra-ataque comercial que o mundo já viu. É muito simples, é o deal.

RUI BARBOSA: Simplismo atroz de uma mente colonizada pelo cifrão! Julgais que a vingança histórica se resolve em balancetes alfandegários? O ópio que outrora decompôs o brio da dinastia Qing transmudou-se, pela alquimia dos tempos modernos, no fentanil que hoje anestesia o vigor de vossas massas laboriosas. Enquanto vos jactais de vossas maiorias parlamentares e de vossa retórica ruidosa de palanque, o dragão asiático — com a paciência milenar que vos falta — observa, de forma quase hilária, a decadência espasmódica de vossa república. Vossos súditos jazem nas calçadas, capturados pelo espectro químico, enquanto vós tuitais impropérios contra a realidade!

O LÍDER DO TOPETE FULVO: Sabe de uma coisa? Você é um cara muito negativo. Um loser do passado. A América está ótima, vai ser maior do que nunca. Esse fentanil aí... nós vamos resolver com duas ligações telefônicas. Duas ligações. Eu ligo para o presidente de lá e digo: "Parou com o pozinho". E ele para. Porque ele me respeita. Ponto final.

RUI BARBOSA: Oh, paciência histórica! Diante de tamanha cegueira deliberada e de tamanha penúria dialética, limito-me apenas a ordenar que tragam a minha bacia com a água da bica mais fria! Pois o calor dessa insolência trumpista exige que eu deposite nela meus pés descalços e desarmados, a fim de emitir nervosamente um sinal para o meu cérebro central para que eu não desfaleça diante de tanta nulidade! Ponto!


🔫 CARREIRINHA NÚMERO DOIS: A Gramática da Papoula e o Tratado dos Espertos

Cenário: Alfândega Real de Lisboa, 1808. Dom João VI mastiga uma coxa de frango com os dedos engordurados. Lord Strangford, enviado britânico, ostenta farda impecável e um sorriso de agiota geopolítico.

LORD STRANGFORD: Vossa Alteza Real deve compreender a excelsitude jurídica deste arranjo. A Grã-Bretanha, em sua infinita magnanimidade e movida pelo puro espírito cristão, cedeu sua orgulhosa armada para escoltar vossos navios e vossa ilustre corte até este éden tropical. Em contrapartida, estas pequenas taxas alfandegárias de 15% para os produtos ingleses — enquanto vossos próprios súditos pagam 16% — não passam de uma justa e cristã compensação pelo frete marítimo. É o livre mercado operando em sua pureza bíblica.

DOM JOÃO VI: Ora, Strangford, tu falas muito bonito, mas o fato é que eu saí de Lisboa fugindo de Napoleão e cheguei aqui devendo até os dentes à vossa Majestade! Abrir os portos aos vossos panos de algodão e às vossas bugigangas de ferro significa que o Rio de Janeiro vai virar um armazém de Londres! E as nossas poucas manufaturas? Vão todas para o beleléu! Isso não é comércio, homem, isso é um assalto de casaca!

LORD STRANGFORD: Alteza, por favor, evitemos termos vulgares. Nós não assaltamos; nós "franqueamos os canais da civilização". O mesmo método, aliás, estamos a aplicar com grande sucesso no Oriente. A China insistia em manter seus portos fechados ao mundo, numa demonstração de soberba medieval. Pois bem, resolvemos o impasse mercantil introduzindo nas províncias de Cantão um produto agrícola de altíssima circulação: o ópio. Os mandarins reclamam, dizem que o povo está a definhar nos fumódromos, mas nós explicamos que a livre circulação da papoula é um imperativo do direito internacional! O vício é apenas um efeito colateral da modernização.

DOM JOÃO VI: Valha-me Deus, Strangford! Vós viciais os chineses para roubar-lhes a prata e chamais a isso de "direito internacional"? Se Carlota Joaquina descobre esse negócio de ópio, ela me dropa uma substância dessas na sopa para me deixar dopado o dia inteiro e governar o Brasil sozinha! É uma gramática muito esperta essa vossa, onde o contrabando vira tratado e a dependência vira progresso!

Use o código com cuidado. LORD STRANGFORD: É a gramática dos espertos, Alteza. Quem dita as regras escreve o dicionário. Vós nos entregais o monopólio do vosso comércio em troca de proteção contra os franceses; os chineses nos entregam o seu chá e a sua prata em troca do torpor que os impede de reagir. No grande teatro do mundo, há os que operam os navios e os que consomem a carga. Vossa Alteza escolheu o lado mais seguro... o lado que assina o papel. 🔫 CARREIRINHA NÚMERO TRÊS: O Exílio da Bacia de Gelo na Névoa de Londres Cenário: Um gabinete gélido em Londres, outono de 1894. Rui Barbosa digita furiosamente em uma Remington. Mrs. Higgins, a governanta inglesa, segura uma bandeja com uma xícara fumegante. MRS. HIGGINS: Mr. Barbosa, por favor! Esta já é a terceira vez que o senhor manda a criadagem esvaziar o bule de chá preto de Ceilão. O clima de Londres está a zero grau e o senhor insiste em exigir que tragam água da bica mais fria do pátio para encher essa bacia de metal! A cozinha está em polvorosa. Tome o chá, homem! Vai pegar uma pneumonia! RUI BARBOSA: Silêncio, senhora das conveniências domésticas e guardiã do torpor britânico! Julgais, em vossa augusta e simplória ignorância das ciências fisiológicas, que permitirei que o meu intelecto — este farol da resistência republicana — seja submetido às propriedades estimulantes, espúrias e artificiais dessa vossa infusão de ervas coloniais? O chá que me ofereceis com atenção quase criminosa não passa de um primo bem-vestido daquela mesma papoula nefausta com que vossos lordes anestesiaram o brio do Celeste Império! Não transigirei com a química! MRS. HIGGINS: É apenas chá, sir! Chá com leite! O próprio Primeiro-Ministro bebe! RUI BARBOSA: Pois que beba Salisbury e que se afogue em sua própria indolência imperial! Minhas vigílias literárias e jurídicas contra o marechal de ferro não dependem de alcaloides exóticos! Exijo, sim, e ordeno com a autoridade da razão, que a água de meus pés seja aquela captada no âmago mais profundo das tubulações de ferro desta metrópole, onde o frio é genuíno, cortante e mecânico! É através deste choque térmico periférico que meus pés descalços, desarmados e desprovidos de qualquer artifício têxtil, emitem nervosamente um sinal bioelétrico indelével para o cérebro central, escorraçando o sono sem corromper a alma! Ponto! MRS. HIGGINS: Pois bem! Fique aí com os seus pés congelados e sua máquina de escrever barulhenta. Se o senhor amanhecer petrificado como uma estátua de gelo do Museu de Cera de Madame Tussauds, não diga que eu não avisei. Os brasileiros são todos loucos... RUI BARBOSA: Uh!... Exce-celso!... Ide, Mrs. Higgins, ide cuidar de vossas obrigações culinárias e deixai que o gelo de Londres esmerile a pureza do meu verbo! Enquanto Floriano Peixoto julga que o exílio amordaçou o Águia de Haia, eu permaneço alerta, com o cérebro central eletrificado pela bica vitoriana, pronto para fulminar as nulidades que assaltaram a minha pátria! Publicado direto do porto de desembarque virtual. Ponto. O código já está pronto para o **Blogger**. Se você quiser expandir a experiência do blog, posso gerar o **código HTML para a seção de comentários fictícios da imprensa britânica** comentando o espetáculo ou criar os **botões personalizados de compartilhamento** no estilo Belle Époque. Como quer prosseguir?

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