domingo, 5 de outubro de 2025

E AÍ! TUDO BELEZA?

TESTANDO O CANAL Discurso Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição Federal de 1988 - 06/10/23 Trechos do discurso de do deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Vídeo exibido na Sessão Solene em homenagem aos 35 anos da Constituição Federal de 1988. Odete Roitman chegou no Brasil e vai causar! | Vale Tudo | TV Globo Odete mata Odete. Não é apenas trama de novela ou hipótese de crítico, mas imagem forte: a personagem que inventa para si mesma implode, incapaz de sustentar o papel. Eis o símbolo de uma política de máscaras: quando a encenação não se sustenta, resta o vazio — ou o gesto final. Na política, como no drama, há duas estratégias: a pesca paciente do anzol — vara, caniço, minhoca, espera e silêncio — e a ação brusca do arrastão, peneira lançada de uma vez, raspando fundo mesmo no raso, para trazer o que couber. A esquerda, por vezes, prefere a imagem do coletivo, do arrasto. A direita, por vezes, prefere o jogo da paciência, do fisgar isolado. Mas não raro trocam os papéis, na eterna dança da cooptação por acomodação. A metáfora literária se encontra com a canção: Rasga coração, Catulo… Faz arrastão, Edu… Embosca no Rio, Paulinho… Paixão… Pernambuco… Ceará… Cada verso é um território. Cada nota, uma estratégia. E no compasso dessa música, o corpo político pulsa como o coração: ora compassado, ora disparado, sempre a buscar o ritmo certo entre o silêncio da espera e o estrondo do arrastão. Talvez, como na letra que escapa do poeta, “um pouquinho mais” seja o que falta para que a cena se complete. Mas a imagem já está dada: quando Odete mata Odete, não é apenas o fim de uma personagem — é metáfora de um sistema onde as máscaras, um dia, cansam de sustentar o próprio peso. Maria Lucia Godoy - MODINHA - Heitor Villa-Lobos - MODINHA - Jayme Ovalle
Lotação de 50 lugares Juristas sugerem medidas para fortalecer imagem do STF | CNN 360º Juristas sugerem medidas para fortalecer imagem do STF | CNN 360º Código de conduta é uma oportunidade para o STF realinhar sua atuação, diz Oscar Vilhena | CNN 360° 2 de out. de 2025 #CNNBrasil Nesta quinta-feira (2), em entrevista à CNN, o professor de Direito Constitucional Oscar Vilhena comentou o documento elaborado por juristas da Fundação FHC com sugestões para melhorar a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal). O código de conduta foi entregue ao novo presidente da Corte, Edson Fachin. Segundo ele, a recepção foi positiva, embora haja pontos a aprimorar. Trechos do discurso de Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição em 1988 Senhoras e senhores constituintes. Dois de fevereiro de 1987. Ecoam nesta sala as reivindicações das ruas. A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. São palavras constantes do discurso de posse como presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange à Constituição, a Nação mudou. A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes. Mudou restaurando a federação, mudou quando quer mudar o homem cidadão. E é só cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa. A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo. A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o Estatuto do Homem, da Liberdade e da Democracia, bradamos por imposição de sua honra. Nós, os legisladores, ampliamos os nossos deveres. Teremos de honrá-los. A Nação repudia a preguiça, a negligência e a inépcia. O povo é o superlegislador habilitado a rejeitar pelo referendo os projetos aprovados pelo Parlamento. Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora. Termino com as palavras com que comecei esta fala. A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja o nosso grito. Mudar para vencer. Muda, Brasil! Disponível em: www.senadofederal.br. Acesso em: 30 out. 2021. O discurso de Ulysses Guimarães apresenta características de duas funções da linguagem: ora revela a subjetividade de quem vive um momento histórico, ora busca informar a população sobre a Carta Magna. Essas duas funções manifestam-se, respectivamente, nos trechos A) “São palavras constantes do discurso de posse como presidente da Assembleia Nacional Constituinte.” e “A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança”. B) “Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo.” e “A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes”. C) “Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o Estatuto do Homem, da Liberdade e da Democracia, bradamos por imposição de sua honra.” e “Nós, os legisladores, ampliamos os nossos deveres. Teremos de honrá-los”. D) “O povo é o superlegislador habilitado a rejeitar pelo referendo os projetos aprovados pelo Parlamento.” e “Termino com as palavras com que comecei esta fala”. E) “Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora.” e “Que a promulgação seja o nosso grito”. O DISCURSO DE ULYSSES GUIMARÃES APRESENTA CARACTERÍSTICAS DE DUAS (...) | FUNÇÕES DA LINGUAGEM
Mundo Sarah Mullally é a primeira mulher nomeada arcebispa da Inglaterra Com a nomeação, Sarah Mullally será primeira mulher a ocupar o cargo de arcebispa de Canterbury em 1.400 anos Mariana Andrade 04/10/2025 09:42, atualizado 04/10/2025 09:42 A Inglaterra nomeou, nessa sexta-feira (3/10), Sarah Mullally como a nova arcebispa de Canterbury, uma das arquidioceses mais antigas da Igreja Anglicana. Ela será a 106º arcebispa e a primeira mulher a ocupar o cargo desde 597. Mullally, de 63 anos, substitui o arcebispo Justin Welby, que renunciou há quase um ano após escândalos de abuso. A eleição dela ocorrerá em janeiro, e a posse está prevista para março. Mullally liderará 85 milhões de anglicanos em todo o mundo. Ex-enfermeira, a próxima líder da Igreja Anglicana atuou como diretora de Enfermagem do Governo da Inglaterra no início dos anos 2000. Mullally é casada com Eamonn, um arquiteto de TI e empreendedor nascido na Irlanda. Juntos, o casal tem dois filhos adultos, Liam e Grace. Leia também Papa Leão XIV apoia plano de paz de Trump em Gaza: “Proposta realista” Na Inglaterra, Trump diverge de premiê sobre Palestina e cobra o Hamas Papa Leão XIV faz primeira importante nomeação no Vaticano. Veja qual Arcebispo de Brasília é recebido pelo papa Leão XIV no Vaticano Entre os membros da igreja, Mullally é elogiada por promover ambientes eclesiásticos mais seguros. No entanto, ela encara desafios como a queda de participação e divergências sobre a inclusão de pessoas LGBTQIA+ na igreja. Em 12 de maio de 2018, ela foi empossada como o 133ª Bispa de Londres na Catedral de São Paulo, a primeira mulher a ocupar o cargo. Na fala inaugural, ela disse ser “a bispa que sou hoje por causa daquela primeira vocação para a enfermagem, e a compaixão e a cura são constantes no coração de quem eu sou”.
O feminino de bispo é bispa em uso popular e nas igrejas não-católicas como a Anglicana, onde a forma é formalizada para mulheres em cargos eclesiásticos. O feminino de arcebispo é arcebispa, como é registrado nos dicionários e usado na prática. Sobre "bispa" e "episcopisa" Bispa é a forma mais difundida e correta para o feminino de bispo, especialmente no contexto de igrejas que ordenam mulheres, como a Comunhão Anglicana. Episcopisa é uma forma alternativa, mais antiga e menos comum, que se refere a uma mulher que exercia algumas funções litúrgicas nas origens do cristianismo. No entanto, "bispa" é amplamente aceita hoje em dia. Sobre arcebispa Arcebispa: é o termo correto para o feminino de arcebispo, sendo um termo oficial registrado e usado, como no caso da primeira mulher nomeada arcebispa da Inglaterra, Sarah Mullally. Contexto do uso Na Igreja Católica, o termo "bispo" não tem um feminino, já que mulheres não ocupam esse cargo. No entanto, a norma culta do português aceita a palavra "bispa", especialmente com o reconhecimento de mulheres bispas em outras denominações cristãs. Não há nenhuma relação ou responsabilidade da Petrobras ou do antigo Conselho Nacional do Petróleo (CNP) na falsificação de bebidas alcoólicas. A fiscalização, regulamentação e responsabilização por este tipo de crime envolvem outras entidades e legislações. Responsabilidade na falsificação de bebidas Petrobras: A empresa atua no setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Apesar de produzir etanol (álcool), não está envolvida na produção ou fiscalização de bebidas alcoólicas. A falsificação ocorre por meio de redes criminosas que compram o metanol de forma ilegal, e não de distribuidores oficiais. Conselho Nacional do Petróleo (CNP): Este órgão existiu até 1997, quando foi substituído pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A função do CNP era regular o setor de petróleo, não o mercado de bebidas. Órgãos de fiscalização e legislação A responsabilidade pela fiscalização e combate à falsificação de bebidas alcoólicas é compartilhada por diversos órgãos e esferas de governo: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa): É o órgão responsável por regular a produção, o registro e a inspeção das bebidas. Polícia Federal e polícias estaduais: São responsáveis pela investigação e repressão do crime de falsificação. Procons e demais órgãos de defesa do consumidor: Atuam na fiscalização de estabelecimentos e na orientação dos consumidores. Vigilância Sanitária: Atua na fiscalização de bares, restaurantes e outros estabelecimentos para garantir a segurança dos produtos. Código Penal: A falsificação de produtos alimentícios, incluindo bebidas, é um crime previsto no artigo 272 do Código Penal. Projetos de lei recentes têm buscado aumentar a penalidade para este tipo de crime. WW - PLANO DE TRUMP AVANÇA, MAS DESTINO DE GAZA É INCERTO- 03/10/2025 CNN Brasil AS MUDANÇAS NA IDENTIDADE DO BRASILEIRO
Em sessão solene realizada na tarde desta quinta-feira (22), Flávio Dino tomou posse como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Participaram da cerimônia, realizada no Plenário da Corte, autoridades da República, convidados e familiares. Com a posse, o Supremo volta a ter a composição completa, com 11 ministros. Flávio Dino foi indicado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e assume a vaga deixada pela ministra Rosa Weber, que se aposentou em 30 de setembro passado. Solenidade A solenidade foi conduzida pelo presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso. Seguindo a tradição, após a execução do Hino Nacional pela Fanfarra do Primeiro Regimento da Cavalaria de Guardas, o novo ministro foi conduzido ao Plenário pelo ministro mais antigo, Gilmar Mendes, e pelo mais recente, Cristiano Zanin. Flávio Dino prestou o compromisso regimental de “cumprir fielmente os deveres do cargo de ministro do Supremo, em conformidade com a Constituição e com as leis da República”, e foi declarado empossado pelo presidente do STF. Em seguida, foi conduzido pelos dois ministros à sua cadeira no Plenário. As mudanças na identidade política e na autodeclaração racial de Flávio Dino têm gerado debates e especulações. Sua trajetória inclui passagens pelo Judiciário, Legislativo e Executivo antes de sua atual posição como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Principais mudanças e controvérsias Autodeclaração racial: Em 2023, reportagens revelaram que Flávio Dino mudou sua autodeclaração racial no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De 2004 a 2014, ele se declarava "branco". Em 2018 e 2022, passou a se declarar "pardo". A mudança gerou críticas de opositores que a consideraram uma manobra política para se alinhar a políticas de cotas e ser visto como mais representativo. Afiliação partidária: Outro ponto de inflexão foi sua transição do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), onde construiu grande parte de sua carreira, para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2021. A mudança foi vista por alguns como uma tentativa de se posicionar de forma mais moderada e pragmática para ampliar seu capital político e buscar cargos mais elevados. Transição para o STF: Sua indicação para o STF em 2023, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representou uma mudança significativa de identidade e função pública. Deixando a política partidária para assumir um cargo vitalício na mais alta corte do país, Dino passou de figura de proa do Executivo (Ministro da Justiça) para membro do Judiciário. Essa transição mudou sua atuação pública e o distanciou do embate político direto. O impacto das mudanças As mudanças na identidade de Flávio Dino têm um impacto significativo na sua imagem pública e na percepção de sua trajetória: Imagem pública: Para seus apoiadores, as mudanças representam uma evolução e adaptação à dinâmica política. Para seus críticos, as alterações na autodeclaração e filiação partidária são vistas como oportunismo. Atuação política: A saída do PCdoB para o PSB e, posteriormente, a nomeação para o STF demonstram uma capacidade de adaptação e ascensão em diferentes cenários políticos. Isso permitiu que ele navegasse por diferentes esferas de poder no Brasil. Legado: As mudanças em sua identidade pública, especialmente a alteração da autodeclaração racial, continuarão a ser pontos de debate e análise sobre a trajetória de uma das figuras políticas mais influentes do Brasil. Alcolumbre descarta votação e anuncia arquivamento da PEC da Blindagem Presidente do Senado afirmou seguir previsão do regimento da Casa; proposta foi rejeitada de forma unânime na Comissão de Constituição e Justiça , da CNN, Brasília 24/09/25 às 16:48 | Atualizado 24/09/25 às 17:15 ouvir notícia O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou nesta quarta-feira (24) o arquivamento da chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem. A proposta foi rejeitada de forma unânime e considerada inconstitucional pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Alcolumbre descartou uma votação no plenário e afirmou que a decisão tem um "amparo regimental claríssimo". Mais cedo, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), havia defendido que a PEC passasse por uma nova votação no plenário como gesto político dos senadores sobre a rejeição do texto na Casa. Play Video Leia Mais: Políticos repercutem rejeição da PEC da Blindagem pela CCJ do Senado Políticos repercutem rejeição da PEC da Blindagem pela CCJ do Senado Análise: Senado deixa Câmara sozinha ao rejeitar PEC da Blindagem Análise: Senado deixa Câmara sozinha ao rejeitar PEC da Blindagem Veja quem são os 26 senadores que votaram para derrubar PEC da Blindagem Veja quem são os 26 senadores que votaram para derrubar PEC da Blindagem "Tendo em vista que a Comissão de Constituição e Justiça no dia de hoje, de forma unânime, aprovou parecer da lavra do senado Alessandro Vieira sobre essa PEC concluindo pela inconstitucionalidade, injuridicidade no mérito pela rejeição, esta presidência com amparo regimental claríssimo determina o seu arquivamento sem deliberação de plenário", disse Alcolumbre no plenário. Na CCJ, o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pela rejeição, recebeu o apoio de 26 senadores e nenhum voto contrário. Integrantes do colegiado, inclusive da oposição, criticaram a abrangência da PEC, que amplia a proteção de parlamentares na Justiça. A proposta, aprovada na Câmara na semana passada, limita a prisão de parlamentares, determina o aval do Legislativo para a abertura de processos contra congressistas — em votação secreta — e amplia o foro privilegiado para presidentes de partidos. Na Câmara, o texto passou com apoio da oposição, de siglas de centro e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A proposta, no entanto, foi criticada e condenada em manifestações populares realizadas no último domingo (21) em todas as capitais do país. Tópicos Davi Alcolumbre PEC da Blindagem Senado O Presidente do Senado não participou da votação da PEC da Blindagem, pois ela não chegou a ser votada no Plenário. O relatório de rejeição da proposta foi aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, levando ao seu arquivamento e encerrando a tramitação. Contexto da votação: A CCJ do Senado rejeitou, por 26 votos a 0, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), conhecida como "PEC da Blindagem", no dia 24 de setembro de 2025. O resultado da CCJ foi decisivo e não houve necessidade de a matéria ser analisada pelo plenário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou o arquivamento da PEC com base na votação da comissão, o que evitou a etapa seguinte de votação em plenário. Como a decisão de arquivamento já havia sido tomada na CCJ, o presidente do Senado não teve a oportunidade de votar a respeito da matéria em plenário. Quando o Presidente do Senado pode votar: De acordo com o Regimento Interno do Senado, o Presidente da Casa vota em situações específicas, principalmente para resolver empates em votações abertas (ostensivas). No caso da PEC da Blindagem, a unanimidade na CCJ impediu qualquer cenário de desempate e, consequentemente, a necessidade de participação do presidente na votação.
domingo, 5 de outubro de 2025 Entre católicos e evangélicos, divisão religiosa cristaliza a polarização. Por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A extrema-direita soube utilizar as redes sociais para dar às pessoas um novo status político, assim como o convertido à nova fé se torna uma “outra pessoa” Tem certas coisas na política brasileira que para se entender é preciso recorrer à antropologia, como a dificuldade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperar parte de sua base eleitoral de 2010, quando encerrou seu segundo mandato. Trata-se daquela faixa da população com renda entre dois e cinco salários-mínimos, que agora foi beneficiada pela isenção do imposto de renda até R$ 5 mil e a redução parcial até R$ 7.350 aprovada pela Câmara, que ainda precisa de referendo do Senado. A aposta do governo é de que essa parcela da população finalmente se sentirá representada pela “economia do afeto” do “lulismo”, para usar uma expressão de Alberto Aggio. Será? Com certeza, uma parcela sim; mas outra, por razões religiosas, dificilmente: os evangélicos, que apoiam maciçamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. Pesquisa DataPoder realizada entre os dias 27 e 29 de setembro, divulgada pelo site Poder 360, mostra que a recuperação de imagem do governo Lula é crescente entre os católicos. A diferença entre os que aprovam e não aprovam aumentou de 3 pontos para 9 pontos percentuais: no final de julho, 48% aprovavam e 45% desaprovavam; agora, 51% aprovam e 42% desaprovam. Já entre os evangélicos, a situação do governo é muito mais difícil. No mesmo período, a diferença entre quem aprova e desaprova caiu apenas de 42 pontos para 37 pontos percentuais: em julho, a aprovação era de 27% e a desaprovação, 69%; agora, a aprovação é de 29% e a desaprovação, 66%. Recuperar essa diferença não é uma equação simples. Temas como aborto e diversidade de gêneros são barreiras quase intransponíveis. Mas não é só isso. Existe o forte engajamento político dos pastores evangélicos. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no final de 2023, revelava a existência de 124.529 estabelecimentos religiosos existentes no país em 2021, dos quais 52% são evangélicos pentecostais ou neopentecostais, liderando o resultado, seguidos por 19% evangélicos tradicionais e 11% de católicos. Entre os evangélicos pentecostais, a Assembleia de Deus é a que possui o maior número de estabelecimentos, 14%. O número de evangélicos no Brasil triplicou nos últimos 30 anos, atingindo 26,9% da população (47,4 milhões) no Censo de 2022, segundo dados do IBGE. Esse crescimento mostrou uma desaceleração entre 2010 e 2022, mas não entre jovens e mulheres, o que sugere que pode continuar. As igrejas evangélicas ganharam espaço ao oferecerem apoio emocional, social e espiritual, especialmente em áreas periféricas; as pentecostais e neopentecostais estão sobretudo onde o Estado falha em chegar, ou seja, os governos. Vão da tradicional Assembleia de Deus (que também tem suas divisões), até pequenas denominações de uma única congregação, como a Igreja Evangélica Pentecostal Maná do Céu, em São Vicente (SP). Com origem na Reforma Protestante do século 16 (luteranos, calvinistas, congregacionais, presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos), os pentecostais surgiram, no século 20, como expressão de um movimento de protesto contra o racismo e o elitismo nas Igrejas, e de afirmação da população negra, migrante, feminina e pobre nos Estados Unidos. Denominam “evangélica” a identidade protestante, para reforçar a imagem de detentores “do verdadeiro Evangelho”. Fé e prosperidade Os pentecostais representam a maior fatia numérica (cerca de 60%) dos evangélicos, com presença geográfica importante, ocupação de espaço nas mídias tradicionais (rádio e TV) e intensa atuação na política partidária. Espelham também um certo “americanismo”, tanto quanto a organização de nossas empresas e os padrões de consumo dos brasileiros. O que diferencia pentecostais dos evangélicos históricos é a crença no segundo batismo, uma experiência mística atribuída à ação do Espírito Santo, que teria dons especiais, como profecia e cura pela oração. É aí que a antropologia ajuda a entender o tipo de mistura da religião com a política que estamos vivendo. Os cultos evangélicos promovem a transição de uma identidade ou status para outro. Segundo o antropólogo Victor Turner, que estudou os “ritos de passagem”, na primeira fase desse tipo de transição (separação), o indivíduo é retirado de seu contexto social anterior, o que marca uma ruptura com o status social que possuía anteriormente; na segunda (liminaridade), fica numa espécie de limbo antissistema, como uma “lousa em branco”, e entra em comunhão com os demais participantes; na terceira, é reintegrado à sociedade (reagregação) investido de novo status e nova identidade. Esse tipo de experiência acabou reproduzido pela extrema direita bolsonarista, que soube utilizar as redes sociais para dar às pessoas antes “silenciosas” uma nova identidade e um novo status político, da mesma forma como o convertido à nova fé pentecostal também se torna uma “outra pessoa”. Deus deseja e manifesta a salvação, cura e abundância material para quem segue o evangelho, ensina a teologia da prosperidade. Ao defender a família unicelular patriarcal e combater o “identitarismo”, Jair Bolsonaro capturou eleitoralmente a maioria desses fiéis, em aliança com Edir Macedo, R. R. Soares, Estevam Hernandes, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, Damares Alves, Rina, Marco Feliciano, Valnice Milhomens, Cassiane e outros líderes pentecostais. Fundiu a fé com a sede de poder.
Em 2026, o Brasil terá duas eleições cruciais. Ainda assim, parte do debate político parece ignorá-las, concentrando-se em torno de um candidato inelegível — carta fora do baralho que é tratado como coringa indispensável. Essa insistência em sustentar sua viabilidade, mesmo diante das barreiras legais, cria uma cortina de fumaça que desvia atenções de outros nomes e projetos. O fenômeno, comparável ao “ópio do povo” de Marx, mostra como a disputa tende a se pautar mais por narrativas e ilusões do que por propostas concretas para o país. Poesia | Cantiga de Malazarte, de Murilo Mendes

sábado, 4 de outubro de 2025

DAS COISAS ACONTECIDAS

Frequentemente, a formulação de um problema é mais essencial do que a sua solução.” (Albert Einstein)
O Brasil precisa resgatar o Congresso Por Revista Será? O Congresso brasileiro, instituição fundamental da democracia, descolou-se do país e virou as costas para a nação, formando uma casta com interesses próprios e sem a responsabilidade que lhe cabe de representar o povo. Deputados e senadores se curvam às exigências sociais apenas quando sentem os protestos das ruas e as pressões dos eleitores, temendo o desprezo que possa ameaçar sua permanência no poder. Sem isso, atuam prioritariamente no que lhes interessa como corporação. A chamada “PEC da blindagem”, aprovada na Câmara dos Deputados, foi rejeitada pelo Senado porque dezenas de milhares de brasileiros saíram às ruas para manifestar sua indignação. Desmoralizada pela decisão do Senado, a Câmara apressou-se em aprovar a isenção do Imposto de Renda para brasileiros que ganham até cinco mil reais mensais, tentando melhorar sua imagem já muito maculada. Mesmo sem julgar o mérito, os brasileiros devem reconhecer que, finalmente, os parlamentares analisaram, discutiram e aprovaram um projeto de interesse nacional. A regra, contudo, tem sido um Parlamento movido pela ampliação de seus próprios poderes, pela captura de espaços no Orçamento da União e pela pavimentação do caminho para conservar os mandatos no próximo pleito. Na mesma semana, o corporativismo parlamentar mostrou sua face com a aprovação de uma alteração na Lei da Ficha Limpa que, entre outros pontos, redefinia o início da contagem dos oito anos de inelegibilidade, reduzindo o tempo de impedimento eleitoral dos parlamentares. O novo desenho da lei foi parcialmente vetado pelo presidente da República. Quase no mesmo dia, a Câmara promoveu um significativo aumento do Fundo Eleitoral, que saltou de um bilhão para 3,9 bilhões de reais — recursos destinados a financiar as próprias campanhas eleitorais. Tudo está armado para que haja o mínimo de renovação no Congresso e, portanto, continue predominando o corporativismo e o fisiologismo na pauta e nas decisões parlamentares. O instrumento mais importante para essa continuidade, as emendas parlamentares, está em plena execução, disponibilizando mais de 50 bilhões de reais — metade de todas as despesas discricionárias do Orçamento da União — para distribuição por deputados e senadores. Com esse mecanismo, compram a adesão de suas bases eleitorais e desviam recursos públicos para o financiamento de suas campanhas. A formação de uma partidocracia no Brasil (na expressão de Luís Carlos Azedo) — em que parlamentares e cúpulas partidárias dominam a política — dificulta o surgimento de novas lideranças, consolida o corporativismo e impede a melhoria da qualidade da representação. Quando alguém criticou a baixa qualidade do Congresso, o deputado Ulysses Guimarães ironizou: “Está achando esta legislatura ruim? Espere a próxima.” Não, a próxima legislatura não pode ser pior que esta — nem sequer igual. O Brasil não aguenta. O Brasil precisa resgatar o Congresso. Os eleitores têm esse poder e a oportunidade já nas eleições do próximo ano.
Giuliano Da Empoli: “Los depredadores quieren liquidar élites, reglas y el Estado de derecho, son personalidades sin límites que terminan peleados como Trump y Elon Musk” El brillante ensayista vuelve con un impactante ensayo sobre los “depredadores”: una alianza de políticos y tecnológicos en el que menciona a Milei. El matrimonio fallido entre Trump y Musk fue el clímax de este pacto. Se acaba de proyectar en Venecia y San Sebastián la película basada en su libro El mago del Kremlin. Vino a Buenos Aires a presentar su libro nuevo. Giuliano Da Empoli: “Os predadores querem liquidar elites, regras e o Estado de direito; são personalidades sem limites que acabam brigando entre si, como Trump e Elon Musk.” O brilhante ensaísta retorna com um impactante ensaio sobre os “predadores”: uma aliança entre políticos e figuras do setor tecnológico, na qual menciona Milei. O casamento fracassado entre Trump e Musk foi o clímax desse pacto. Acaba de ser exibido em Veneza e San Sebastián o filme baseado em seu livro O Mago do Kremlin. Ele veio a Buenos Aires para apresentar seu novo livro. https://www.clarin.com/revista-n/giuliano-da-empoli-depredadores-quieren-liquidar-elites-reglas-estado-derecho-personalidades-limites-terminan-peleados-trump-elon-musk_0_rzG8ZCTKtC.html Música | Milton Nascimento - Bela Bela (Ferreira Gullar e Milton Nascimento) Bela, bela Mais que bela Mas como era o nome dela? Não era Helena, nem Vera Nem Nara, nem Gabriela Nem Tereza, nem Maria Seu nome, seu nome era Perdeu-se na carne fria Perdeu-se na confusão De tanta noite e tanto dia Perdeu-se na profusão Das coisas acontecidas Constelações de alfabeto Noites escritas a giz Pastilhas de aniversário Domingos de futebol Enterros, corsos, comícios Roleta, bilhar, baralho Mudou de cara e cabelos Mudou de olhos e riso Mudou de casa e de tempo Mas está comigo Perdido comigo Teu nome Em alguma gaveta Composição: Ferreira Gullar / Milton Nascimento.
Do fundo da toca Contra a Luz da boca do Sol ¨############# Acima da meia-lua
Paineiras semeadas ao vento Do fundo da toca Contra a luz Da boca do sol Rasga-se a sombra E a clareira respira, Meia-lua acesa No ventre da manhã. As águas guardam o silêncio, Refletindo o peso das nuvens, Enquanto o vento semeia Paineiras em voo de algodão. Entre raízes e pedras O tempo germina, Verde sobre verde, Memória da terra Que fala baixinho.
Política Charge do JCaesar: 3 de outubro Humor Por JCaesar 3 out 2025, 08h29 Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/charge-do-jcaesar-3-de-outubro/

Aprendamos quanto antes

A dor obriga a bem pensar. Essa "dor da disciplina" é o caminho que nos leva a evitar o arrependimento futuro, produzindo "fruto de justiça e paz" e promovendo o amadurecimento do espírito, de acordo com Hebreus 12:11. Pão Nosso #073 - Aprendamos quanto antes NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 15 de dez. de 2022 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. Capítulos Ver tudo Transcrição
“Como, pois, recebestes o Senhor Jesus-Cristo, assim também andai nele.” — Paulo. (COLOSSENSES, 2.6) 1 Entre os que se referem a Jesus-Cristo podemos identificar duas grandes correntes diversas entre si: a dos que o conhecem por informações e a dos que lhe receberam os benefícios. 2 Os primeiros recolheram notícias do Mestre nos livros ou nas alheias exortações, entretanto caminham para a situação dos segundos, que já lhe receberam as bênçãos. 3 A estes últimos, com mais propriedade, dever-se-á falar do Evangelho. 4 Como encontramos o Senhor, na passagem pelo mundo? Às vezes, sua divina presença se manifesta numa solução difícil de problema humano, no restabelecimento da saúde do corpo, no retorno de um ente amado, na espontânea renovação da estrada comum para que nova luz se faça no raciocínio. 5 Há muita gente informada com respeito a Jesus e inúmeras pessoas que já lhe absorveram a salvadora caridade. 6 É indispensável, contudo, que os beneficiários do Cristo, tanto quanto experimentam alegria na dádiva, sintam igual prazer no trabalho e no testemunho de fé. 7 Não bastará fartarmo-nos de bênçãos. É necessário colaborarmos, por nossa vez, no serviço do Evangelho, atendendo-lhe o programa santificador. 8 Muitas recapitulações fastidiosas e muita atividade inútil podem ser peculiares aos espíritos meramente informados; todavia, nós, que já recebemos infinitamente da Misericórdia do Senhor, aprendamos, quanto antes, a adaptação pessoal aos seus sublimes desígnios. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 73 Aprendamos quanto antes
Eurípedes Barsanulfo. De Antióquia-nos-Orontes à cidade mineira de Sacramento… 14 de novembro de 2023 Fabio Dionisi
Aqui está um resumo sucinto do conteúdo das páginas 124, 125 e 126 do livro "Eurípedes, o Homem e a Missão" de Corina Novelino, conforme as imagens fornecidas: O texto descreve as aulas de moral evangélica conduzidas por Eurípedes Barsanulfo no Colégio Allan Kardec. Sua prece e oratória transmitiam profunda paz, irradiando vibrações superiores que tocavam alunos e visitantes. As aulas seguiam um método organizado: leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo, questionamentos e explicações elucidativas, sempre marcadas pela serenidade e pela clareza espiritual de Eurípedes. Os momentos eram tão impactantes que até pessoas não espíritas eram atraídas pelo magnetismo da palavra. As reuniões encerravam-se com oração de agradecimento, frequentemente acompanhadas por mensagens espirituais sublimes. Relata-se ainda a presença, em alguns encontros, de espíritos elevados como Santo Antônio, Jeanne D’Arc, Paulo de Tarso, Pedro e Felipe, trazendo mensagens de luz. O ensino promovido por Eurípedes alcançava não apenas o âmbito moral, mas também o estudo comparado da evolução da ideia religiosa através das civilizações, abordando desde tribos primitivas até o século XVI, com riqueza de detalhes culturais e espirituais. 👉 Em resumo: as páginas destacam a força espiritual e pedagógica de Eurípedes, sua metodologia no ensino evangélico, o magnetismo de sua presença e voz, além de sua contribuição para ampliar a compreensão da evolução religiosa da humanidade.
EURÍPEDES O HOMEM E A MISSÃO CORA CORALINA pp. 123-128 #48 Estudando O Evangelho Segundo o Espiritismo - Os inimigos desencarnados FEBtv Transmitido ao vivo em 27 de out. de 2022 "Estudando O Evangelho Segundo O Espiritismo" Um estudo sistemático e continuado da obra O Evangelho Segundo O Espiritismo, de Allan Kardec. O estudo é coordenado por Carlos Campetti, coordenador nacional da área de estudo do espiritismo FEB/CFN. Semanalmente, toda quinta-feira, às 21h30, no horário de Brasília, com transmissão ao vivo pelos canais da FEB no Facebook e FEBtv no YouTube e Facebook. Encontro 48 - Capítulo 12 - Amai os vossos inimigos, de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’ — Os inimigos desencarnados – Itens 05 e 06; Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra – Itens 07 e 08.
Palestra de Quarta - Os Inimigos Desencarnados - Adailton Alves Os inimigos desencarnados. 5. Ainda outros motivos tem o espírita para ser indulgente com os seus inimigos. Sabe ele, primeiramente, que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom. Sabe também que a morte apenas o livra da presença material do seu inimigo, pois que este o pode perseguir com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra; que, assim, a vingança, que tome, falha ao seu objetivo, visto que, ao contrário, tem por efeito produzir maior irritação, capaz de passar de uma existência a outra. Cabia ao Espiritismo demonstrar, por meio da experiência e da lei que rege as relações entre o mundo visível e o mundo invisível, que a expressão: extinguir o ódio com o sangue é radicalmente falsa, que a verdade é que o sangue alimenta o ódio, mesmo no além-túmulo. Cabia-lhe, portanto, apresentar uma razão de ser positiva e uma utilidade prática ao perdão e ao preceito do Cristo: Amai os vossos inimigos. Não há coração tão perverso que, mesmo a seu mau grado, não se mostre sensível ao bom proceder. Mediante o bom procedimento, tira-se, pelo menos, todo pretexto às represálias, podendo-se até fazer de um inimigo um amigo, antes e depois de sua morte. Com um mau proceder, o homem irrita o seu inimigo, que então se constitui instrumento de que a justiça de Deus se serve para punir aquele que não perdoou. 6. Pode-se, portanto, contar inimigos assim entre os encarnados, como entre os desencarnados. Os inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência pelas obsessões e subjugações com que tanta gente se vê a braços e que representam um gênero de provações, as quais, como as outras, concorrem para o adiantamento do ser, que, por isso, as deve receber com resignação e como consequência da natureza inferior do globo terrestre. Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria Espíritos maus ao seu derredor. Se, conseguintemente, se deve usar de benevolência com os inimigos encarnados, do mesmo modo se deve proceder com relação aos que se acham desencarnados. Outrora, sacrificavam-se vítimas sangrentas para aplacar os deuses infernais, que não eram senão os maus Espíritos. Aos deuses infernais sucederam os demônios, que são a mesma coisa. O Espiritismo demonstra que esses demônios mais não são do que as almas dos homens perversos, que ainda se não despojaram dos instintos materiais; que ninguém logra aplacá-los, senão mediante o sacrifício do ódio existente, isto é, pela caridade; que esta não tem por efeito, unicamente, impedi-los de praticar o mal e, sim, também o de os reconduzir ao caminho do bem e de contribuir para a salvação deles. É assim que o mandamento: Amai os vossos inimigos não se circunscreve ao âmbito acanhado da Terra e da vida presente; antes, faz parte da grande lei da solidariedade e da fraternidade universais.
A dor obriga a bem pensar. A disciplina interna vale como a dor que educa. Na verdade, toda disciplina, ao ser aplicada, não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza. Porém, mais tarde, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Hebreus 12:11 NAA NAA: Nova Almeida Atualizada

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

MALÁSIA: Entre o MÁ, o LÁ e a inevitável AZIA

O Brasil tem ido em frente retornando para trás. Só que, desta vez, o afã de democracia bloqueou o caminho.
José de Souza Martins: O Brasil tem ido em frente retornando para trás Música | Travessia - Milton Nascimento Obra: Madama Butterfly Compositor: Giacomo Puccini Peça: Coro a bocca chiusa (Humming Chorus) O Coro a bocca chiusa, também conhecido como Humming Chorus, é um dos trechos mais célebres da ópera Madama Butterfly, composta por Giacomo Puccini e estreada em 1904. Surge no segundo ato, em um momento de profunda espera e melancolia, quando Cio-Cio-San (Butterfly) aguarda, em vão, o retorno do tenente Pinkerton. Trata-se de uma peça coral sem palavras, em que os cantores executam apenas sons murmurados, criando uma atmosfera etérea, quase suspensa. A simplicidade do recurso intensifica a carga emocional: a esperança silenciosa, a passagem do tempo e a inevitabilidade da tragédia se condensam na sonoridade pura do coro. No ano do 150º aniversário de Puccini, várias homenagens destacaram esse momento, como o vídeo publicado no canal yogatea, em que o trecho é apresentado de forma audiovisual como tributo ao mestre de Lucca. 🎵 Assista: Coro a bocca chiusa – Madama Butterfly Com fotografia impactante e atuações magnéticas, Uma Batalha Após a Outra é um dos lançamentos que promete movimentar a cena cultural de Juiz de Fora neste fim de semana. de Paul Thomas Anderson, “Uma batalha após a outra”, Cotado ao Oscar 2026, Uma Batalha Após a Outra estreia em Juiz de Fora Filme com Leonardo DiCaprio, apontado como um já favorito ao Oscar 2026, estreia nesta quinta, 25. MÁ LÁ AZIA
"A diplomacia é como cemitério: a gente cava cova devagarinho, mas sempre cabe mais um defunto e mais uma negociação." – Odorico Paraguaçu (segundo Dias Gomes). Um enigma diplomático-gastronômico decifrado nos trinques da prosopopeia odoricana. Resumo: Este escrito se propõe a reconstituir e decodificar, com humor, lirismo e certo rebuscamento galhofeiro, o enigma linguístico que desemboca inevitavelmente no nome Malásia. O texto é travestido de discurso odoricano, para conjugar estômago, música e gramática com diplomacia, trazendo à baila o choque de palavras como se fossem embaixadores em banquete. Os Odorico Paraguaçu da política brasileira, 45 anos depois de 'O Bem-Amado' Jornal O Globo 22 de jan. de 2018 Odorico Paraguaçu nunca esteve tão moderno. A essência do coronel que alinhava terno branco e chapéu panamá resistiu ao tempo — 45 anos depois da estreia de "O Bem-Amado" na TV Globo, o prefeito de Sucupira parece representar um arquétipo da classe política brasileira. Historiadores e moradores de Sepetiba, onde "O Bem-Amado" foi gravado, analisam as relações entre o personagem e os políticos de hoje. (Odorico em ação): Trecho clássico de Odorico Paraguaçu na novela O Bem-Amado, disponível no acervo da GloboPlay e em compilações no YouTube. Exemplo: Odorico Paraguaçu – O Bem-Amado
Um enigma diplomático-gastronômico decifrado nos trinques da prosopopeia odoricana. Introdução / Apresentação: Senhoras, senhores e senhoritas, aqui vos apresento, com a devida urbanidade e altissonância, a chave para um enigma que principia no MÁ, se intermeia no LÁ e termina no estourar gástrico da inevitável AZIA. É a Malásia que surge, como um morto-vivo ressuscitado no palco da geopolítica, para receber a visita diplomática dos nossos vultos de proa. Meus concidadões e minhas concidadonas, permitam-me, com a devida vênia e o cabedal de sapiência acumulado na minha cabeça política e literária, proclamar que a coisa já começa indo de MAL a pior! Sim, porque as três primeiras letras do dito cujo local do encontro diplomático já se apresentam, de forma cabal e inexorável, como MAL. E, se confirmado for, existe o risco pantagruélico e estrondoso dos estômagos dos senhores e senhoras participantes virem a borbulhar que nem feijão no fogo, tudo isso graças ao rumor fonético e gástrico das quatro últimas letras, quando despidas do seu acento agudo de praxe, se transformam em azia! E mais: é de se esperar que o espírito LÁ se manifeste, como quem entoa uma nota preta de piano, ligando na sinfonia internacional os dois países que, como seres divinos e maravilhosos, se encontram nesta tragicomédia diplomática. E ainda, não satisfeitos com essa prosopopeia fonética, as três derradeiras letras da palavra se travestem de SIA, que não é outra senão a própria CIA, mas disfarçada, sorrateira e maquiavélica, querendo se unir com o LÁ, sob a mediação de um MÁ logo na entrada da palavra. É um casamento fonético, mas com alcovitagem diplomática. Porém, meus prezados, se retirarmos o acento agudo, ficamos com uma ligação péssima, um enlace indigesto, feito no mais baixo tom do trato internacional, quase um muxoxo gramatical de embaixada. Todavia, como dizia o meu professor e assessor ilustre do diplomata de Paraguassu, é nos finalmentes que as preliminares se resolvem. Porque a política, como o feijão, só fica boa mesmo é depois de cozinhar. E que não se esqueça o povaréu: a grafia correta se faz com a abundância e a profundidade de dois esses bem fornidos, e não com um cê-cedilha exótico, rasteiro e superficial! Porque só assim se chega, de corpo inteiro e espírito elevado, ao glorioso nome desta charada internacional: MALÁSIA! Paulo Gracindo como Odorico, na televisão Conclusão: E assim, na risonha e franca Sucupira do mundo, compreendemos que as letras são como tratados: se unem, brigam, fazem caretas e, no fim, produzem um nome sonoro e imponente: Malásia. Que este enigma nos sirva de lição: no banquete da diplomacia, não basta estômago forte, é preciso também saber soletrar. Referências / Fontes: Dias Gomes, O Bem-Amado (1973). Registros e falas de Odorico Paraguaçu, personagem eternizado por Paulo Gracindo. Análises do Itamaraty sobre encontros internacionais (notícias e coberturas jornalísticas). Verbete “Malásia” em dicionários e enciclopédias. Epitáfio ao modo de Sucupira: "Aqui jaz o enigma da Malásia, que nasceu de um MÁ, viveu de um LÁ, morreu de uma AZIA, mas ressuscitará em cada discurso odoricano, com dois esses e sem cedilha." – Assinado, o Prefeito Odorico e seu fiel escudeiro Dirceu Borboleta.
Título: Esvaziamento da política Autor: Pablo Ortellado Publicado em: O Globo, sexta-feira, 3 de outubro de 2025 Resumo O artigo discute o lançamento do novo filme de Paul Thomas Anderson, Uma batalha após a outra, inspirado no livro Vineland, de Thomas Pynchon. O longa, estrelado por Leonardo DiCaprio, Teyana Taylor, Sean Penn e Benicio del Toro, mistura sátira política, humor anárquico e críticas ao extremismo, mas termina por reforçar um viés positivo em relação à militância armada de esquerda. Segundo Ortellado, essa reviravolta desarma a crítica inicial, que parecia denunciar tanto o radicalismo ideológico quanto a violência política. No desfecho, porém, a militância passa a ser celebrada como virtude, tornando a obra mais reflexo de nossa época do que comentário crítico sobre ela. Análise Esvaziamento político: O autor argumenta que o filme expressa um fenômeno mais amplo: o debate público atual, marcado por adesões identitárias e pertenças de grupo, e não por reflexão substantiva sobre temas políticos. Caricatura desarmada: A sátira construída no início — zombando da seriedade militante e da violência política — se dissolve em celebração moralista, incapaz de desafiar ortodoxias contemporâneas. Reflexo do tempo presente: Em vez de provocar estranhamento ou desconforto, o filme confirma a lógica de um tempo em que a política se reduz a símbolos e filiações, não a debates de conteúdo. Conclusão Ortellado vê em Uma batalha após a outra não uma obra política no sentido crítico, mas um produto cultural que participa do mesmo esvaziamento da política que deveria problematizar. Ao transformar caricatura em celebração, o filme abandona a chance de desconstruir ideologias e acaba reafirmando a superficialidade do presente.
sexta-feira, 3 de outubro de 2025 Esvaziamento da política. Por Pablo Ortellado O Globo Reflete o espírito do nosso tempo, em que é mais importante a filiação de grupo que o posicionamento refletido sobre temas políticos O novo filme de Paul Thomas Anderson, “Uma batalha após a outra”, liderou as bilheterias na última semana nos Estados Unidos e ficou em segundo lugar no Brasil. Além do sucesso de público, vem sendo aclamado pela crítica como obra-prima política. Seu sucesso como filme político é sintoma da degradação do debate público, que perdeu de vista as questões substantivas da vida social e vive mergulhado num jogo estéril e superficial de signos e identidades. O filme de Anderson é livremente baseado no livro “Vineland”, de Thomas Pynchon. Mantém a estrutura narrativa principal, adaptando a ambientação política ao século XXI. Narra a jornada de Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio) e Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) como integrantes do grupo armado de esquerda French 75 em meados dos anos 2000. O casal de militantes desenvolve uma relação romântica alimentada pela excitação sexual produzida pela aventura revolucionária, parte delírio de superioridade moral, parte arrogância armada. Numa das ações do grupo, Perfidia humilha e seduz o oficial responsável por um campo de detenção de imigrantes, o capitão Lockjaw (Sean Penn), que desenvolve uma obsessão por ela. Tempos depois, Lockjaw consegue constranger Perfidia a um encontro clandestino, cheio de jogos sexuais de poder. Perfidia engravida e se recusa a estabelecer uma vida familiar com Bob, preferindo seguir na jornada revolucionária. Termina presa e se torna delatora. Dezesseis anos depois, vemos Bob como pai solo de Willa (Chase Infiniti) no norte da Califórnia. Ele leva uma vida decadente, abusando de drogas e tendo na militância uma lembrança distante. Essa vida é perturbada pelo retorno de Lockjaw. Ele quer se livrar da filha Willa para eliminar qualquer vestígio da relação inter-racial que manteve com Perfidia e, assim, poder se filiar a uma sociedade secreta supremacista branca. A trama amalucada, um pouco psicodélica, segue o espírito anárquico do livro. As ações armadas — tanto dos revolucionários quanto das forças de segurança — são debochadamente apresentadas como perversão sexual. E os nomes dos personagens e dos grupos políticos são inteiramente satíricos e caçoam da seriedade e da firmeza de propósito da militância, tanto de esquerda quanto de direita. O grupo revolucionário French 75 leva o nome do drinque de Humphrey Bogart em Casablanca, e o grupo secreto supremacista branco se chama “O Clube de Aventureiros do Natal”. O filme parece caminhar para uma denúncia satírica do extremismo e da violência política, mas isso não é mais possível no tempo presente. Anderson introduz na trama um simpático e imperturbável líder comunitário pró-imigrantes, Sergio St. Carlos (Benicio del Toro), que auxilia Bob a encontrar a filha sequestrada por Lockjaw. Na última cena do filme, vemos Willa partindo para uma manifestação em Oakland, com a bênção do pai, resgatando o título do filme, “Uma batalha após a outra”, como celebração da passagem geracional de bastão da militância. A visão positiva da militância armada de esquerda no terço final do filme desmonta a sátira construída até então. O que era denúncia da futilidade ideológica e da arrogância da ação armada passa a ser celebrado como engajamento político virtuoso. Nessa reversão, a pobreza ideológica dos personagens passa a ser positiva. Isso, porém, não gera qualquer estranhamento ou incômodo porque reflete exatamente o espírito do nosso tempo, em que é mais importante a filiação de grupo que o posicionamento refletido sobre temas políticos. Em “Uma batalha após a outra”, a sátira que poderia revelar a inconsistência da militância armada se converte em celebração inofensiva de sua caricatura. O gesto crítico, que, noutros tempos, poderia expor a fragilidade das ideologias, é desarmado pela submissão ao moralismo dominante, incapaz de desafiar as ortodoxias vigentes. O resultado é que “Uma batalha após a outra” se torna menos um comentário político que um reflexo fiel do presente. Em vez de provocar estranhamento, confirma a lógica de um tempo em que a vida pública deixou de se orientar por questões políticas substantivas para se reduzir a um desfile de pertencimentos. Nesse sentido, a obra não apenas retrata o esvaziamento do debate político contemporâneo — ela participa dele.
Diálogo entre Trump e Lula é tão imprevisível quanto foi o abraço dos dois Publicado em 03/10/2025 - 06:30 Luiz Carlos AzedoBrasília, Economia, EUA, Governo, Guerra, Imposto, Israel, Itamaraty, Meio ambiente, Memória, Militares, Política, Política, Ucrânia “O encontro na Malásia, se confirmado, pode se tornar o primeiro passo para superar a pior crise bilateral em décadas. O risco está no choque de personalidades e agendas ideológicas O possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula da Asean, em Kuala Lumpur, a partir de 26 de outubro, vem sendo preparado em meio a gestos diplomáticos calculados, mas carrega imprevisibilidade semelhante ao improvisado abraço entre ambos na Assembleia-Geral da ONU. O Brasil participará como convidado, e a expectativa é de que Trump confirme presença. A reunião pode abrir caminhos para uma acomodação no momento mais tenso das relações bilaterais desde o início do governo Lula, mas dificilmente resultará num acordo, porque os interesses contrariados são profundos e complexos. Na semana passada, o vice-presidente Geraldo Alckmin conversou por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, enfatizando que a preferência do Brasil é pelo diálogo, apesar do “tarifaço” de 50% imposto unilateralmente por Washington. Também a Camex adiou em 30 dias a decisão sobre retaliações, sinalizando disposição de negociar. O chanceler Mauro Vieira, ao declarar que o Brasil “vai aplaudir” o plano de paz de Trump para Gaza, ofereceu gesto simbólico de deferência. Essa questão de Gaza é um fio desencapado nas relações do Brasil com Israel, em razão da firme posição brasileira de que estaria havendo um genocídio de palestinos, inclusive perante tribunais e organismos internacionais. Mas o apoio à proposta de paz dos EUA representa uma mudança de abordagem e, indiscutivelmente, agrada Trump. Leia também: Israel diz que brasileiros de flotilha estão ‘seguros’ e serão deportados Entretanto, o contencioso comercial fala mais alto. Na conversa com Alckmin, Lutnick deixou claro que Brasil, Índia e Suíça continuam no radar das correções impostas por Trump. Em entrevista, disse que esses países precisam “jogar segundo as regras do presidente dos EUA”, ou seja, abrir mercados e abandonar práticas vistas como nocivas ao comércio norte-americano. Apesar do tom duro, afirmou acreditar numa “resolução”, ou seja, admitiu que há um diálogo em curso e esse é o primeiro passo para qualquer acordo. Antes da Assembleia da ONU não existia essa possibilidade. O problema principal, porém, continua sendo a imprevisibilidade de Trump, que oscila entre gestos afáveis e imposições ríspidas. O segundo é a própria postura de Lula, que pretende negociar de cabeça em pé e não é de levar desaforo para casa. O presidente brasileiro às vezes exagera na busca de mais protagonismo internacional — como quando sugeriu mediação na guerra da Ucrânia — e seu assessor especial, Celso Amorim, tem claras posições antiamericanas, o que tensiona as relações e atrapalha as negociações do Itamaraty. Interesses estratégicos Temas delicados, como regulação digital e julgamento de Jair Bolsonaro, precisarão ser enfrentados com concessões de ambas as partes. Nem Trump deixará de representar os interesses das big techs americanas, nem Lula vai aceitar interferência no Judiciário brasileiro. Apesar das divergências nos quesitos democracia, clima e regulação digital, é possível avanços estratégicos na área empresarial. Há campos férteis para isso. O Brasil ainda tem uma economia muito fechada, o peso relativo do comércio com os EUA é pequeno em relação ao PIB e, por isso, uma maior abertura comercial pode beneficiar os consumidores brasileiros. Na tecnologia e na mineração, projetos conjuntos de exploração e refino de terras-raras, com transferência de tecnologia, fortaleceriam a indústria nacional. No setor militar, a compra de armamentos norte-americanos e eventuais parcerias industriais reforçariam a capacidade das Forças Armadas. No campo empresarial, Embraer e JBS poderiam expandir fábricas nos EUA, projetando capital brasileiro no maior mercado mundial. As empresas norte-americanas aqui instaladas e as “campeãs nacionais” que operam nos EUA têm cadeias de produção muito integradas e estão ajudando a melhorar o clima para as negociações. Foram fundamentais para “cair a ficha” de que condicionar as relações entre os dois países à anistia para Bolsonaro era uma posição insustentável do ponto de vista da diplomacia mundial e da política interna. Leia também: Sem anistia, não haverá eleição em 2026, diz Eduardo Bolsonaro Os norte-americanos não rasgam dólares. O Brasil é o nono maior destino das exportações dos EUA e o quinto em termos de superavit comercial para eles. Para os brasileiros, Washington é o segundo parceiro exportador e responde por um terço dos investimentos estrangeiros. O peso é visível em diversos setores, do agronegócio ao financeiro, dos automóveis aos smartphones. Ignorar essa interdependência seria custoso para ambos os lados. Um tema que aumenta a distância entre Lula e Trump, porém, é a questão climática. Em discurso no Pará, o presidente brasileiro cobrou compromissos concretos, dos Estados Unidos e da China, para o financiamento da preservação das florestas. Trump resiste a mecanismos multilaterais de combate às mudanças climáticas, enquanto o Brasil busca recursos externos para sustentar sua política ambiental. A cobrança pode gerar atrito, mas não a ponto de impedir um acordo. O encontro na Malásia, se confirmado, pode se tornar o primeiro passo para superar a pior crise bilateral em décadas. O risco está no choque de personalidades e agendas ideológicas. Lula e Trump, porém, também têm a oportunidade de transformar a tensão comercial em cooperação concreta em setores estratégicos, que é o que mais importa. Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Anistia, #Gaza, #Malásia, #Tarifaço, #Trump, Lula
sexta-feira, 3 de outubro de 2025 O Brasil tem ido em frente retornando para trás. Por José de Souza Martins Valor Econômico A política brasileira não é a da polarização ideológica senão pelo fato de que os grupos políticos retrógrados resolveram dar-se um nome e se reconheceram como de “direita” Desde o golpe de Estado de 1964, quando a repressão e a censura encolheram nas páginas dos jornais o noticiário sobre a política brasileira, procuro nos informativos de entrelinhas o subjacente das notícias. Cheguei a assinar, durante anos, o Diário do Congresso Nacional, cujos maçudos exemplares entulharam cômodos de minha casa. As transcrições taquigráficas do inteiro teor dos discursos e debates de deputados e senadores revelavam um parlamento que, apesar do golpe, continuava o mesmo. Entre um e outro notório corrupto, a ditadura cassara alguns dos melhores membros das duas casas, os que de fato representavam as parcelas mais lúcidas do povo brasileiro, os que tinham consciência crítica da realidade e dos bloqueios que a travavam para as inovações sociais e políticas necessárias. Os militares definiram dois elencos de políticos adversos que deveriam ter seus mandatos e seus direitos políticos cassados: os corruptos e os subversivos. Para eles, alienados da realidade brasileira, como mostraram, eram equivalentes. Mas deram prioridade, nas cassações, aos que definiam como subversivos, preservando os corruptos, como Adhemar de Barros, governador de São Paulo, cujos seguidores assim cinicamente o definiam: “Ele rouba, mas faz”. O país devia-lhe o favor de roubar em troca da competência para disseminar obras públicas. Os corruptos eram vulneráveis e, por isso, dóceis. No Congresso “funcionando”, dariam a aparência à ditadura de ser, apesar do regime, um país democrático. O golpe teria sido para “democratizar” o Brasil. Os discursos publicados no Diário Oficial revelavam um Congresso fisiológico não só em relação ao Poder Executivo, como o fora desde antes do golpe, mas também entre as diferentes facções regionais, independentemente de orientação ideológica. As designações de “esquerda” e “direita” apenas se esboçavam. Deputado de esquerda votava em favor de projeto da direita em troca do voto da direita a favor de seu projeto. Era a velha política da troca de favores. Por trás, mesmo, existia o partido municipal oculto. Como desde o Império, era o latifúndio e o poder local que definiam, como até hoje, o verdadeiro poder político do Brasil. A “briga” mesmo, da ditadura militar, não era só contra as esquerdas. Era também contra as oligarquias rurais. O regime transformou o latifúndio em empresa e criou o capitalismo rentista, lucrativo sem custos de desenvolvimento social. Atualizou os grupos de interesse que são hoje o Centrão, o dos políticos de coisa nenhuma e de si mesmos. Na rebarba da mixórdia, a cabeça da esquerda foi entregue à Salomé do mundo para saciar a geopolítica do Império. E esquerda era sobretudo o nacional-desenvolvimento que abrangia a própria burguesia modernizadora e industrialista, que não sabia que era de esquerda nem sabia que era nacionalista. Nem mesmo que era burguesia. Eram empresários. Tive clareza sobre isso, tempos depois do golpe, numa pesquisa nacional sobre a formação dos grupos econômicos multibilionários, da Universidade do Brasil. Fui com um colega entrevistar Luís Dumont Villares. Ele nos contou que, em conversas com lideranças do seu operariado, que o queriam nacionalista, mostrou-lhes que a tese de um desenvolvimento capitalista nacional e autônomo era economicamente irracional. Por “apenas” 1% do faturamento de sua empresa poderia ter equipamentos e assistência técnica permanente da Siemens. Muito menos do que os investimentos necessários para a produção própria do saber e das técnicas de que carecia. A maioria dos marxistas daqui não tinha lido o que quer que fosse da obra de Karl Marx. Quando muito lera precários manuais de vulgarização do suposto pensamento de Marx e Engels, um capitalista da indústria têxtil de Manchester, na Inglaterra, financiador da sobrevivência material da família de Karl Marx. Além do que, na época do golpe, as chamadas esquerdas já estavam fragmentadas em vários grupos ideológicos, que na ditadura chegariam a mais de duas dezenas. Obviamente, muita coisa mudou desde então. A política brasileira não é a da polarização ideológica senão pelo fato de que os grupos políticos retrógrados resolveram dar-se um nome e se reconheceram como de “direita”. Em boa parte continuaram sendo os capiaus do radicalismo de extremo centro, cuja mais tradicional expressão é o Centrão. Fisiológicos, gostam mesmo é de poder, que os faz sócios políticos e econômicos do Estado. O resto, sob a alcunha de bolsonaristas, é apenas o resto, escorado em outros restos como os da bancada da Bíblia e os da bala. O Brasil tem ido em frente retornando para trás. Só que, desta vez, o afã de democracia bloqueou o caminho. José de Souza Martins - 07/05/2001 Roda Viva 11 de ago. de 2015 Estudioso das relações de poder no Brasil, dos movimentos sociais, dos conflitos e das contradições da sociedade brasileira, José de Souza Martins é autor de uma obra sociológica importante, seu pensamento tem dado nova perspectiva ao debate sobre a nossa realidade social. Transcrição

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Aforismos e Contraponto

Hamlet - Monólogo - Ser ou não ser... - William Shakespeare Carlos Eduardo Valen Ser ou não ser, essa é que é a questão: Será mais nobre suportar na mente As flechadas da trágica fortuna, Ou tomar armas contra um mar de escolhos E, enfrentando-os, vencer? Morrer, dormir, nada mais; e dizer que pelo sono findam-se as dores, como os mil abalos inerentes à carne - é a conclusão que devemos buscar. Morrer - dormir; dormir, talvez sonhar - eis o problema: Pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida. Quem suportara os golpes do destino, Os erros do opressor, o escárnio alheio, A ingratidão no amor, a lei tardia, O orgulho dos que mandam, o desprezo que a paciência atura dos indignos, Quando podia procurar repouso na ponta de um punhal? Quem carregara suando o fardo da pesada vida Se o medo do que vem depois da morte O país ignorado de onde nunca ninguém voltou - não nos turbasse a mente e nos fizesse arcar co'o mal que temos Em vez de voar para esse, que ignoramos? Assim nossa consciência se acovarda, E o instinto que inspira as decisões Desmaia no indeciso pensamento, E as empresas supremas e oportunas Desviam-se do fio da corrente e não são mais ação. Silêncio agora! A bela Ofélia! Ninfa, em tuas preces recorda os meus pecados. tradução: Barbara Heliodora Onde A Dor Não Tem Razão Paulinho da Viola Cifra: Principal (violão e guitarra) Favoritar Cifra Tom: E Versão: (Acústico MTV) Introdução: ( F#7 B7 E6 C#7 F#7 F#m B7 E6 B7 ) E6 F#7/C# F7/C E6 B7 Canto pra dizer que no meu coração E6 C#7 F#m7 C#7 Já não mais se agitam as ondas de uma paixão F#m G#7 C#m Ele não é mais abrigo de amores perdidos F#7 É um lago mais tranquilo F#m B7 Onde a dor não tem razão F#m B7 E6/G# Gº Nele a semente de um novo amor nasceu F#m B7 G#m7(b5) C#7 Livre de todo o rancor em flor se abriu F#m Am/C B7 E6 C#7 Venho reabrir as janelas da vida Am/C E cantar como jamais cantei F#7 B7 E6 Essa felicidade ainda F#m B7 E6/G# C#7 Quem esperou como eu por um novo carinho F#m B7 E6 E viveu tão sozinho tem que agradecer D#m6/Bb D#7 G#m Quando consegue do peito tirar um espinho F#7 É que a velha esperança F#m B7 Já não pode morrer Composição de Elton Medeiros / Paulinho da Viola.
CALCIFICAÇÃO POLÍTICA: QUEM SÃO OS 10% DE ELEITORES EM DISPUTA?
ELEIÇÕES 2026 No painel Perspectivas para a Eleição de 2026
✨ Síntese aforística O jogo democrático se sustenta em regras; quem as rejeita deve ser contido pelas instituições. A economia é herança contínua, não ruptura absoluta. A abstenção pesa: os “não votos” decidem. A cultura mantém vivo o que a política esfria. Foto do perfil de quaestpesquisa Foto do perfil de professorfelipenunes professorfelipenunes e quaestpesquisa Áudio original Foto do perfil de professorfelipenunes professorfelipenunes 2 d Participei do Macro Vision do Itaú BBA nesta segunda-feira ao lado dos meus queridos colegas Marcelo Souza (@mdapesquisa) e @cilaschulman (@institutodepesquisaideia) para avaliar as perspectivas eleitorais para 2026. Apresentei no painel dados de pesquisas que detalham o perfil do eleitorado que ainda está em disputa. E que vai definir o futuro político de Lula e da oposição em 2026. #palestra #pesquisa #quaest #insight #politica #análise #eleições #governolula #oposição #presidente #brasil #macrovision #itau Aforismos sobre vida, morte e unicidade Hamlet teme o “lado de lá”: não pelo gesto de morrer, mas pelo mistério de não haver outro retorno. Camus vê no suicídio a grande questão; mas afirma que mesmo diante do absurdo, o homem escolhe a pedra, escolhe o fardo — escolhe viver. O cético contido reconhece: a vida é vício. O adicto não sustenta a abstinência até o fim. Isaías proclama: “Eu, e somente eu, sou o SENHOR; não há outro deus além de mim.” A vida também se impõe nesse tom de exclusividade: se há uma, não há outra. Não há vida paralela, nem ensaio geral. Há esta, e só esta. Por isso, o homem a agarra, mesmo sem fé, mesmo sem promessa: a vida é o seu único monoteísmo. Se há um, não há outro: a vida é a divindade do cético. Contraponto aos aforismos Hamlet não teme apenas o “lado de lá”; teme também o fardo de continuar deste lado. Camus afirma o viver, mas há quem veja na pedra apenas peso — e não revolta feliz. O cético contido não é sempre adicto: às vezes a vida não embriaga, apenas cansa. Isaías proclama a exclusividade divina; o homem, contudo, multiplica ídolos silenciosos: poder, prazer, memória, esquecimento. Se há uma vida, talvez haja também outras, invisíveis, não contadas, não sabidas. O ensaio geral pode ser a própria existência: cada gesto, tentativa, rascunho. O homem nem sempre agarra a vida; às vezes é a vida que o agarra, sem escolha. Se há um, pode haver outro: talvez a divindade do cético seja a dúvida, e não a vida. “Venho reabrir as janelas da vida E cantar como jamais cantei” Não Vadeia Clementina de Jesus Não vadeia Clementina Fui feita pra vadiar Não vadeia, Clementina Fui feita pra vadiar, eu vou… Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou Energia nuclear O homem subiu à lua É o que se ouve falar Mas a fome continua É o progresso, tia Clementina Trouxe tanta confusão Um litro de gasolina Por cem gramas de feijão Não vadeia Clementina Fui feita pra vadiar Não vadeia, Clementina Fui feita pra vadiar, eu vou… Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou Cadê o cantar dos passarinhos Ar puro não encontro mais não É o preço que o progresso Paga com a poluição O homem é civilizado A sociedade é que faz sua imagem Mas tem muito diplomado Que é pior do que selvagem Composição: Antônio Candeia Filho. Jovelina Pérola Negra Duetos - Filosofia de Bar Moacir Simpatia 7 de out. de 2016 Jovelina Pérola Negra É Isso que Eu Mereço Participação de Seu Jorge Para ouvir o Album completo • Jovelina Pérola Negra Duetos Perfil Pessoas mencionadas 1 pessoa
Jovelina Pérola Negra Música 1 músicas Filosofia De Bar - JOVELINA PEROLA NEGRA JOVELINA PEROLA NEGRA Luz do Repente Música Transcrição
REUNAMOS Aqui está a reunião dos dois blocos em forma de dueto filosófico, com aforismos em contraponto, como duas vozes que se interpelam: Aforismos e Contraponto 1. Hamlet teme o “lado de lá”: não pelo gesto de morrer, mas pelo mistério de não haver outro retorno. ↳ Mas Hamlet não teme apenas o “lado de lá”; teme também o fardo de continuar deste lado. 2. Camus vê no suicídio a grande questão; mas afirma que mesmo diante do absurdo, o homem escolhe a pedra, escolhe o fardo — escolhe viver. ↳ Há, contudo, quem veja na pedra apenas peso — e não revolta feliz. 3. O cético contido reconhece: a vida é vício. O adicto não sustenta a abstinência até o fim. ↳ Nem sempre: às vezes a vida não embriaga, apenas cansa. 4. Isaías proclama: “Eu, e somente eu, sou o SENHOR; não há outro deus além de mim.” ↳ E, no entanto, o homem multiplica ídolos silenciosos: poder, prazer, memória, esquecimento. 5. A vida também se impõe nesse tom de exclusividade: se há uma, não há outra. ↳ Mas talvez haja outras vidas, invisíveis, não contadas, não sabidas. 6. Não há vida paralela, nem ensaio geral. Há esta, e só esta. ↳ Ou talvez o ensaio geral seja a própria existência: cada gesto, tentativa, rascunho. 7. Por isso, o homem a agarra, mesmo sem fé, mesmo sem promessa: a vida é o seu único monoteísmo. ↳ Mas nem sempre é o homem que agarra a vida; às vezes é a vida que o agarra, sem lhe dar escolha. 8. Se há um, não há outro: a vida é a divindade do cético. ↳ Ou talvez se haja um, possa haver outro: a divindade do cético não é a vida, mas a dúvida. 👉 Assim, temos um jogo de ecos e contrastes: de um lado, a voz que afirma; de outro, a voz que tensiona, relativiza, abre brechas. Poesia | Ser ou não ser, de William Shakespeare
Ser ou Não Ser: Uma Tradução de Machado de Assis, Mário Amora Ramos Print Friendly, PDF & Email O famoso solilóquio de Hamlet está reproduzido a seguir, numa tradução primorosa de Machado de Assis (Obras Completas, Nova Aguilar, 1986, terceiro volume): “Ser ou não ser, eis a questão. Acaso É mais nobre a cerviz curvar aos golpes Da ultrajosa fortuna, ou já lutando Extenso mar vencer de acerbos males? Morrer, dormir, não mais. E um sono apenas, Que as angústias extingue e à carne a herança Da nossa dor eternamente acaba, Sim, cabe ao homem suspirar por ele. Morrer, dormir. Dormir? Sonhar, quem sabe? Ai, eis a dúvida. Ao perpétuo sono, Quando o lodo mortal despido houvermos, Que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre. Essa a razão que os lutuosos dias Alonga do infortúnio. Quem do tempo Sofrer quisera ultrajes e castigos, Injúrias da opressão, baldões de orgulho, Do mal prezado amor choradas mágoas, Das leis a inércia, dos mandões a afronta, E o vão desdém que de rasteiras almas O paciente mérito recebe, Quem, se na ponta da despida lâmina Lhe acenara o descanso? Quem ao peso De uma vida de enfados e misérias Quereria gemer, se não sentira Terror de alguma não sabida coisa Que aguarda o homem para lá da morte, Esse eterno país misterioso Donde um viajor sequer há regressado? Este só pensamento enleia o homem; Este nos leva a suportar as dores Já sabidas de nós, em vez de abrirmos Caminho aos males que o futuro esconde; E a todos acovarda a consciência. Assim da reflexão à luz mortiça A viva cor da decisão desmaia; E o firme, essencial cometimento, Que esta idéia abalou, desvia o curso, Perde-se, até de ação perder o nome.” (To be, or not to be, —that is the question: …) Este solilóquio é, antes de tudo, uma meditação sobre a morte: “Que aguarda o homem para lá da morte,/ Esse eterno país misterioso/ Donde um viajor sequer há regressado?” (But that the dread of something after death, —/ The undiscover’d country, from whose bourn/ No traveller returns). Curiosamente, Machado de Assis se refere à undiscovered country no primeiro capítulo das Memórias Póstumas de Brás Cubas, nestas palavras do personagem que dá título ao livro, ao narrar sua própria morte: “foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo.” O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) faz a mesma pergunta hamletiana, num tom bem mais ameno, numa crônica em forma de poema publicada pelo Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, em 17 de abril de 1977. Esta crônica, intitulada Manuel Bandeira Faz Novent’anos, em homenagem ao poeta falecido dez anos antes, indaga: “Que lado, poeta, é o lado de lá, Não me dirás, em confiança?” Por que razão Hamlet medita sobre a morte? Ele pretenderia se suicidar, como interpretam alguns? Não, não se trata disso. Ele teme a morte, uma possibilidade concreta para quem enfrenta um adversário poderoso e arguto como o rei. Afinal, “que sonhos hão de vir” deste “perpétuo sono”? Como pergunta Drummond, o que haveria do “lado de lá”? O príncipe teme que desvaneça a “viva cor da decisão” (the native hue of resolution), isto é, que não leve em frente sua missão de vingar o pai. Além disso, ele se refere nas últimas linhas ao seu “firme, essencial cometimento” (enterprises of great pith and moment). Ora, quem tem algo importante a fazer não pensa em se suicidar. Em Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, há uma reflexão análoga. Trata-se de uma décima (estrofe de dez versos), de autoria do estudante Lourenço (Lorenzo), conforme segue, numa tradução dos Viscondes de Castilho e Azevedo (Dom Quixote, Livro 2, cap.18): “Viver em perplexa vida, Ora esperando, ora temendo, É morte mui conhecida, E é muito melhor morrendo Buscar para a dor saída. Eu preferia morrer, Mas não o devo querer, Pois com discurso melhor Me dá a vida o temor Do que está para acontecer.” (Vivir en perpleja vida, ya esperando, ya temiendo: …) À luz do “temor do que está para acontecer”, dos dois últimos versos cervantinos, o texto hamletiano pode ser também interpretado como uma celebração ao dom da vida. Finalmente, há uma curiosa contradição neste famoso solilóquio. Hamlet afirma que “nenhum viajante retorna” (no traveller returns) deste “país misterioso” (undiscover’d country). No entanto, o fantasma de seu pai é uma exceção evidente. Fonte: Shakespeare Brasileiro Hamlet - Monólogo - Ser ou não ser... - William Shakespeare Carlos Eduardo Valen Ser ou não ser, essa é que é a questão: Será mais nobre suportar na mente As flechadas da trágica fortuna, Ou tomar armas contra um mar de escolhos E, enfrentando-os, vencer? Morrer, dormir, nada mais; e dizer que pelo sono findam-se as dores, como os mil abalos inerentes à carne - é a conclusão que devemos buscar. Morrer - dormir; dormir, talvez sonhar - eis o problema: Pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida. Quem suportara os golpes do destino, Os erros do opressor, o escárnio alheio, A ingratidão no amor, a lei tardia, O orgulho dos que mandam, o desprezo que a paciência atura dos indignos, Quando podia procurar repouso na ponta de um punhal? Quem carregara suando o fardo da pesada vida Se o medo do que vem depois da morte O país ignorado de onde nunca ninguém voltou - não nos turbasse a mente e nos fizesse arcar co'o mal que temos Em vez de voar para esse, que ignoramos? Assim nossa consciência se acovarda, E o instinto que inspira as decisões Desmaia no indeciso pensamento, E as empresas supremas e oportunas Desviam-se do fio da corrente e não são mais ação. Silêncio agora! A bela Ofélia! Ninfa, em tuas preces recorda os meus pecados. tradução: Barbara Heliodora -~-~~-~~~-~~-~
Ser ou não ser - eis a questão um material riquíssimo e muito bem articulado — Machado de Assis, Cervantes, Drummond e Shakespeare dialogando sobre o mesmo enigma universal: a morte. Organiza-se os principais pontos para clarear o sentido desse famoso solilóquio e suas conexões intertextuais: 1. A questão de Hamlet: não é o suicídio O solilóquio “Ser ou não ser” costuma ser interpretado como uma reflexão sobre o suicídio. De fato, há no texto a hipótese de “dormir” (morrer) para cessar as dores da vida. Porém, como bem destacado, Hamlet não fala de se matar, e sim da morte como possibilidade inevitável no cumprimento de sua missão de vingar o pai. Ele se pergunta: vale a pena suportar os males da vida ou enfrentá-los, mesmo correndo risco de morrer? 2. O medo do “lado de lá” O que paralisa Hamlet não é a vida em si, mas o desconhecido da morte: Shakespeare: “the undiscovered country, from whose bourn no traveller returns” Machado: “esse eterno país misterioso / donde um viajor sequer há regressado” Esse medo é o que “acovarda a consciência” e faz a “viva cor da decisão” esmaecer. Hamlet não hesita em lutar — hesita em morrer sem saber o que virá depois. 3. O eco em Machado de Assis Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado faz referência direta a Hamlet: “foi assim que me encaminhei para o ‘undiscovered country’ de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe...” Aqui, a morte já não é um terror desconhecido, mas uma travessia irônica e até humorada, desprovida do drama hamletiano. Machado desloca a dúvida trágica de Hamlet para o terreno do sarcasmo e da filosofia cética. 4. O eco em Drummond Na homenagem a Manuel Bandeira, Drummond suaviza a questão: “Que lado, poeta, é o lado de lá, Não me dirás, em confiança?” O tom não é trágico, mas curioso, quase íntimo. O mistério da morte permanece, mas tratado com ternura e cumplicidade, e não com o pavor paralisante de Hamlet. 5. O eco em Cervantes A décima do estudante Lourenço, em Dom Quixote, resume bem a mesma tensão: “me dá a vida o temor / do que está para acontecer.” Ou seja, viver é duro, mas o temor do desconhecido após a morte nos prende à vida. Esse “discurso melhor” (razão) funciona como antídoto contra a tentação de desistir. 6. A contradição em Hamlet Você apontou de forma aguda: Hamlet afirma que “nenhum viajante retorna” — mas ele próprio conversa com o fantasma do pai! Esse paradoxo pode ser lido de duas formas: Dramaticamente: Hamlet confia no fantasma? Será uma aparição real ou uma projeção da própria mente? Filosoficamente: mesmo que haja fantasmas, eles não esclarecem o “lado de lá”. O espectro do pai fala de vingança, mas não desvenda o mistério da morte. Assim, a frase continua válida. 7. Celebrar a vida pelo medo da morte Se a morte é um país indecifrável, o temor que inspira nos faz valorizar a vida, como Cervantes sugere. No fundo, Hamlet não celebra o suicídio, mas sim a vitalidade que persiste diante da dúvida — é a vida que, apesar de tudo, se impõe. 👉 Em resumo: O solilóquio não é um apelo ao suicídio, mas uma meditação trágica sobre a condição humana diante do mistério da morte. Em Shakespeare, ele aparece como paralisia; em Machado, como ironia; em Drummond, como confidência; em Cervantes, como resignação. Todos, porém, reconhecem no “lado de lá” um território intransponível, que paradoxalmente nos amarra à vida.