Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
São Cosme e Damião. Rogai por nós que recorremos a Vós e principalmente pra crianças menos favorecidas. Bommm diaaa. 🙏🙏Eu E O RioElza SoaresEu E O RioElza Soares
Rio caminho que anda e vais resmungando talvez uma dor
Ah quanta pedra levaste quando pedra deixaste sem vida e calor
Vens lá do alto da serra o ventre da terra rasgando sem dó
Eu também venho do amor o corpo rasgado de dor e tão só
Não deixa a flor te curvar seu corpo beijar e ficar lá prá trás
Tens a mania doente de andar só prá frente não voltas jamais
Rio caminho que anda o mar te espera não corras assim
Eu sou o mar que espera alguém que não volta prá mim.
Composição: Luiz Antonio.São Cosme e São DamiãoMariene de Castro
Eu era criança
E tinha esperança
De ser um dia feliz
Fiz uma promessa
Dei doces à beça
Para os santinhos guris
Mamãe quem fazia os doces pediu
Que eu lhe fizesse o favor
Pedisse pro meu Papaizinho
Que desse a ela o seu grande amor
Cosme, Damião, Doum
Crispim, Crispiniano
Caboclinhos da Mata
Doces pra vocês eu dei
E as promessas que fiz já paguei
Festas e mais festas eu fiz
Desta data feliz eu me lembro
Cosme, Damião, Doum
27 de Setembro
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu
São Cosme mandou fazer
Duas camisinha azul
No dia da festa dele
São Cosme quer caruru
São Cosme mandou fazer
Duas camisinha azul
No dia da festa dele
São Cosme quer caruru
Vadeia Cosme, vadeia
Tô vadiando na areia
Vadeia Cosme, vadeia
Tô vadiando na areia
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
Bate palma sereia no mar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele brinca no mar
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
Bate palma sereia no mar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele brinca no mar
Cosme e Damião
Cadê Doum
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Cosme e Damião
Cadê Doum
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Composição: . Ver créditos completos.
Felipe Nunes@profFelipeNunes🧵 A eleição presidencial está empatada no agregado. Mas as pesquisas Quaest desta semana em 26 estados (e o Datafolha no PI) mostram padrões muito claros por baixo desse empate. Vou mostrar os principais.1/1813:01 · 27 de set. de 2026
·
👆Resumo: o empate nacional esconde um país calcificado, um eleitor independente concentrado no Centro-Sul que ainda pode se mover, e estados com pressa de resolver a eleição para governador. A última semana vai ser decisiva. 18/18
domingo, 27 de setembro de 2026
Opinião do dia – Jürgen Habermas* (Eleições)
“Eleições e referendos devem não só reproduzir um espetro de preferências existentes, mas também juízos sobre os programas e sobre as pessoas que se encontram em eleição.
Eles não podem expressar irrefletidamente a vontade da população, pois têm também um sentido cognitivo. O governo precisa elaborar problemas urgentes com base nessas decisões sobre diretrizes. Em uma democracia, eleições políticas não satisfazem sua determinação sistêmica se meramente registram a distribuição de preferencias e de prejuízos. Os votos eleitorais alcançam o peso institucional de decisões civis de um colegislador somente porque procedem de um processo público de formação da opinião e da vontade, no que esse processo é controlado pelos prós e contras públicos de opiniões, argumentos e tomadas de posição livremente flutuantes. As opiniões dos cidadãos devem primeiramente se constituir a partir da maré dissonante das contribuições, a luz de uma troca de opiniões publicamente articulada.
De maneira ideal, a política deliberativa se enraíza em uma sociedade civil que faz um uso anarquista de suas liberdades comunicativas. Mas, em nossas esferas públicas espaçosas, produzidas primeiramente pela rede comunicativa de mídias de massa, carece-se não só de informações e impulsos da parte de uma imprensa espontânea e independente, mas, em primeira linha, da iniciativa, do esclarecimento e da capacidade de organização dos partidos políticos.”
*Jürgen Habermas (1929-2026), filósofo e sociólogo alemão que participou da tradição da teoria crítica, membro da Escola de Frankfurt. Dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias do agir comunicativo, da política deliberativa e da esfera pública. “Na esteira da tecnocracia”, p.172-3. Editora Unesp, 2014.
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O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
É urgente rever custo de estatais dependentes
Por O Globo
Previsão no Orçamento de 2027 alcança R$ 36 bilhões — e grande parte disso não passa de desperdício
Empresas estatais incapazes de arcar com suas despesas de pessoal, custeio e capital são classificadas como dependentes da União — e todo ano são obrigadas a declarar no Orçamento quanto consumirão em recursos públicos. É assim que o cidadão brasileiro fica sabendo que, em 2027, elas custarão R$ 36 bilhões ao Tesouro. Pode ser que parte desse custo se justifique, mas é provável que boa parte não. Quanto desse dinheiro poderia ir para outras áreas do governo onde faz falta? Eis um tema que deveria ter destaque no debate eleitoral, ainda mais em momento de deterioração da saúde fiscal e desequilíbrio nas contas públicas.
Na lista das dependentes, há estatais estratégicas, comprovadamente relevantes. Outras, porém, não resistem a uma análise com base no interesse público. O primeiro grupo deveria passar por reavaliação detalhada, em busca de ganhos de eficiência e foco. Para o segundo grupo, só há duas soluções que deveriam ser tomadas com urgência: fechar ou privatizar.
Opinião - Estadão
domingo, 27 de setembro de 2026
A esquerda democrática em tempo de apatia, por Luiz Sérgio Henriques*O Estado de S. PauloComo mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui?
A transmissão e a recepção de uma cultura política no ocaso constituem tema espinhoso, especialmente quando “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Revisitar tais processos, no entanto, pode ser útil quando menos porque por aí ronda a tentação da novidade pela novidade. Os arautos da perdição asseveram não só que a Carta de 1988 é papel velho, mas também que existem demiurgos capazes de propor soluções para transformar maus políticos e cidadãos desavisados em figuras republicanas irretocáveis.
A cultura antiga a que me refiro é a do comunismo brasileiro, em particular a do PCB. Tornada objeto histórico no seu conjunto, deixou como legado pontos de referência vivos e incontornáveis. O modo como essa cultura foi recebida – às vezes incorporada, outras tantas recusada – seria obra, entre outros atores, da formação partidária que a sucede no tempo e marca, como nenhuma outra, o nosso século 21. Por isso, a revisitação não é uma operação interna à própria esquerda – PCB e PT –, o que por si só chamaria a atenção, mas algo que afeta o entendimento da política corrente.
É possível encontrar um desses marcos incontornáveis num ensaio de 1979 escrito por Carlos Nelson Coutinho, em plena saída do autoritarismo. Seu título, tornado quase canônico, na verdade vinha de Enrico Berlinguer, dirigente do Partido Comunista Italiano. A “democracia como valor universal” cancelava, ou devia cancelar, o qualificativo “burguesa” com que muitos à esquerda ainda a tratavam. Instituições, regras e procedimentos contam – e muito. Na linguagem da época, não haveria um caminho democrático para o socialismo. A democracia seria, de fato, o caminho do socialismo, com exclusão de soluções anacrônicas, como, para dar exemplo à mão, uma inadmissível “ditadura do proletariado”.
A história de um país não se faz com um ensaio ou os debates que suscita. Seguiram-se movimentos de massa, a eleição de Tancredo Neves, a Constituinte e a Nova República. A troca de bastões, à esquerda, era visível a olho nu. O contraste não podia ser mais nítido: o PCB apoiara Tancredo e, reduzido a uma pequena bancada, empenhou-se na elaboração da nova Constituição; o PT expulsara os deputados que foram ao Colégio Eleitoral e, não obstante sua participação, votaria contra a redação final da Carta. No entanto, tradições envelhecem e merecem perecer. Os comunistas já eram o passado que só volta por seus pontos de luz. O que irrompia era uma nova força: o PT, seu líder inquestionável, sua teoria de Brasil em que confluíam muitos elementos díspares, inclusive a desconfiança em relação à “democracia formal”.
Formas institucionais não seduzem o ator jovem tomado pela vontade de se afirmar contra todo o passado e abrir um tempo inaugural. É aqui que se insinuam algumas das muitas maneiras de viver e propagar a antipolítica, como o viés salvacionista ou a pretensão do monopólio das virtudes públicas. Numa visão benévola, seriam as dores do parto da nova formação, ainda antes de tomar a estrada do amadurecimento. Mais realisticamente, costuma-se apontar nestes casos o predomínio de um “espírito de cisão” que, deixado a si mesmo, faz cometer erros mais ou menos graves – entre eles, acreditar piamente na própria excepcionalidade e abominar o mundo comezinho de alianças e compromissos.
Neste ponto é que nos ocorre a lembrança de uma segunda voz dotada de imensa autoridade. A vitória petista de 2002, início de um inédito ciclo que, com interrupções, vem até hoje, não foi acontecimento exótico numa democracia moderna. Luiz Werneck Vianna, no calor da hora, apontou que terminava ali, de uma vez por todas, a sedução da aventura fora da política democrática. Em resumo, não somos um país de fracassos, uma sociedade fechada aos “de baixo”, um Estado que não inclui quem aceita as regras do jogo.
Ao contrário, Werneck Vianna, talvez o mais destacado formulador marxista da política de frente, indicava a possibilidade de uma absolvição da História por parte dos vencedores de 2002, seus intelectuais e a cultura que, com avanços e recuos, estavam a propor. Nesta reconciliação – e no bom combate para dirigir uma sociedade complexa e plural –, residia a esperança de superação dos traumas deixados por uma modernização aos trancos e barrancos, com as injustiças com que todos temos de nos haver cotidianamente. Uma modernização sem o moderno, ainda segundo nosso autor.
Nem todas as provas foram vencidas com louvor, muito pelo contrário. As insuficiências explicam este momento de cansaço cívico e existencial. Estamos presos a uma sensação de democracia incompleta e precocemente envelhecida, estimulando os cavaleiros da fortuna a explorar os flancos expostos. Apatia e polarização “congelada” convivem numa mistura insólita, o que reforça a oportunidade de consultar as vozes que nos antecederam. Ouvi-las não significa repetir suas respostas. Preservado o núcleo de tais respostas, cabe recuperar a pergunta original: como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui?
*TRADUTOR E ENSAÍSTA, COEDITOR DAS ‘OBRAS’ DE GRAMSCI NO BRASIL
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A esquerda democrática em tempo de apatia, por Luiz Sérgio Henriques*Opinião - Nara Leão
Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não.
Se não tem àgua, eu furo um poço
Se não tem carne, eu compro um osso e ponho na sopa
E deixo andar, deixo andar
Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu
Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não...
Podem me prender , podem me bater, que eu não mudo de opinião, que eu não mudo de opinião...
Compositor: Zé Ketti*Nara Lofego Leão foi uma cantora, compositora e sambista brasileira.
Musa da bossa nova que, aos 15 anos, promovia animadas reuniões em seu apartamento em Copacabana, frequentadas por músicos como Carlos Lyra, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, Nara deu uma guinada em 1961, aproximando-se dos sambas de morro e das atividades do Centro Popular de Cultura da UNE, o CPC. Já em seu primeiro álbum, lançado em 1964 pela Elenco, a mudança se faz notar em faixas como “Diz que fui por aí” (Hortênsio Rocha e Zé Keti) e “O sol nascerá” (Cartola e Elton Medeiros).
O engajamento de Nara se tornou mais evidente a partir do golpe de 1964. Em dezembro daquele ano, subiu ao palco ao lado de Zé Keti e João do Vale para apresentar o show Opinião, um marco da música de protesto produzido pelo Teatro de Arena, com direção musical de Dori Caymmi e direção geral de Augusto Boal. A canção-tema não poderia ser mais profética quanto à violência que estava por vir: “Podem me prender / podem me bater / podem até deixar-me sem comer / que eu não mudo de opinião…”.
Nara daria diversas declarações de repúdio ao regime, como numa entrevista ao Diário de Notícias, de maio de 1966, em que defendeu a extinção das Forças Armadas, o que lhe custou sucessivas ameaças de prisão, a ponto de, entre 1970 e 1971, exilar-se em Paris com o marido, o cineasta Cacá Diegues.
O Estado de S. PauloComo mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui?A transmissão e a recepção de uma cultura política no ocaso constituem tema espinhoso, especialmente quando “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Revisitar tais processos, no entanto, pode ser útil quando menos porque por aí ronda a tentação da novidade pela novidade. Os arautos da perdição asseveram não só que a Carta de 1988 é papel velho, mas também que existem demiurgos capazes de propor soluções para transformar maus políticos e cidadãos desavisados em figuras republicanas irretocáveis.
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A eleição do ‘menos pior’, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Vença Lula ou Flávio, não há clima para festa nem grandes expectativas para o novo governo
A eleição presidencial de 2026 vai chegando ao fim sem festa, alegria, esperança e bandeiras e cartazes em casas e carros, num clima de espanto e indignação em que o grande dilema, individual e nacional, não é quem é o melhor, mas quem é “o menos pior”. Está pau a pau, numa disputa ponto a ponto.
Se vencer Flávio Bolsonaro, a expectativa é de fronteiras abertas para todas as loucuras de Donald Trump e volta imediata de Jair Bolsonaro, generais, almirante e os criminosos de 8 de Janeiro, com sangue nos olhos e planos de confiança na cabeça. Além de recuos graves em avanços de costumes.
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Reativar o País sem desarrumar a economia, por Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo
Qualquer um dos candidatos parece capaz de perceber o atoleiro atual da economia nacional e a urgência de políticas para desemperrar o País
Crescimento pífio, em torno de 2%, inflação acima de 4%, muita insegurança e investimento abaixo dos padrões internacionais compõem o quadro econômico brasileiro a poucos dias das eleições. Sem projetos claros e bem estruturados, os principais candidatos, incluído o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, raramente foram além das promessas de comícios. Houve quem apostasse em debates e pronunciamentos mais esclarecedores no final das campanhas. Falta verificar se os candidatos estão interessados em debater e preparados para isso.
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Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:43:00 Nenhum comentário:
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O andar do bêbado, a epidemia de bets e uma aposta de alto risco de Lula, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e algoritmos para obter lucro
Um homem ganhou na loteria espanhola com um bilhete terminado em 48. Explicou sua escolha: sonhara com o número 7 durante sete noites; logo, 7 vezes 7 seriam 48. A conta está errada, mas o prêmio era real. O físico norte-americano Leonard Mlodinow abre o livro O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas (Zahar) com esse episódio para mostrar uma fraqueza humana: depois de conhecer o resultado, inventamos uma lógica que parece explicá-lo. Nas loterias, cada sorteio é independente; números atrasados não ficam mais próximos de sair, e uma vitória não comprova a eficácia do palpite. O vencedor aparece nas notícias. A multidão que fez contas igualmente fantasiosas e perdeu permanece invisível.
Mlodinow, autor de livros de divulgação científica, assina uma coluna para o The New York Times e escreveu roteiros das séries MacGyver e Star Trek. Com o falecido Stephen Hawking, é coautor de “Uma nova história do tempo” (Ediouro), um best-seller traduzido em 25 idiomas. Seus pais foram ambos sobreviventes do holocausto, e se conheceram em Nova York depois da guerra. Casado e pai de três crianças, entre as quais uma menina adotada na China, Leonard Mlodinow é um sortudo: estava no World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, e sobreviveu ao ataque terrorista.
O Andar do Bêbado é um tratado sobre o poder do acaso em áreas da nossa vida que vão de jogar futebol, conseguir emprego e receber um diagnóstico médico. Mlodinow percorre a história das probabilidades e usa exemplos do esporte, das finanças e da vida cotidiana para explicar por que confundimos sorte com talento, coincidência com padrão e uma sequência passageira de acertos com uma regra confiável. Seu livro ajuda a entender o fascínio das bets.
Quem acompanha futebol pode conhecer os times, avaliar jogadores e antecipar tendências. Ainda assim, uma partida conserva muita criatividade e imprevisibilidade; acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e programa os algoritmos para obter lucro.
A loteria tradicional vende a esperança de uma mudança de vida concentrada em um sorteio. As plataformas digitais multiplicaram essa promessa. Estão no celular, aceitam pagamentos em segundos e oferecem novas oportunidades a cada jogo, lance ou rodada de cassino virtual. A derrota convida à tentativa de recuperar o dinheiro; uma pequena vitória alimenta a impressão de que o próximo grande prêmio está perto. Publicidade, influenciadores e patrocínios esportivos deram à aposta a aparência de hábito comum. O cassino entrou em casa sem precisar abrir as portas.
É nesse ambiente que a epidemia das bets se tornou uma questão de saúde pública e de economia doméstica. O custo não se resume ao dinheiro transferido para as plataformas: inclui sofrimento psíquico, conflitos familiares, perda de produtividade e tratamento. Estudo citado pelo Ministério da Saúde estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões estariam ligados à saúde. É uma estimativa que não deve ser confundida com o total apostado ou com a perda financeira direta dos jogadores.
Chegou atrasado
O governo demorou a acordar para o problema. Regulamentou o mercado, autorizou empresas, cobrou outorgas e tentou impor mecanismos de fiscalização e proteção ao apostador. Foram concedidas 85 autorizações, com pagamento total de R$ 2,55 bilhões em outorgas. Agora, abruptamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encerrar a atividade por meio da Medida Provisória nº 1.394, assinada na sexta-feira, 25 de setembro. A decisão impede novos depósitos e prevê o bloqueio dos sites e aplicativos a partir de 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno. O governo associou a proibição a um pacote de renegociação de dívidas.
Faltam nove dias para a votação. A proximidade das urnas torna a decisão uma aposta política de alto risco, embora seus fundamentos sociais sejam sérios. Para famílias atingidas pela dependência, Lula poderá aparecer como o presidente que enfrentou um negócio poderoso. Para quem aposta sem identificar prejuízo na própria rotina, a proibição poderá soar como perda de liberdade e abuso de poder. Clubes, empresas de comunicação e outros setores que recebem dinheiro das plataformas têm motivos para resistir e capacidade de levar essa reação ao debate eleitoral.
O eleitor também poderá perguntar: por que o governo autorizou a expansão de um mercado que agora considera intolerável? Há um risco prático por trás do cálculo eleitoral. Proibir a oferta legal não elimina a vontade de apostar. Sites clandestinos continuam acessíveis. O governo anunciou bloqueios de acesso e de pagamentos, mas a eficácia dessas medidas dependerá de fiscalização contínua. Operações da Polícia Federal já identificaram plataformas ilegais divulgadas por influenciadores, inclusive com sinais falsos de regularidade.
E como reagirá o Congresso, onde o lobby das bets tem sua própria bancada? Uma medida provisória produz efeitos imediatos, mas precisa ser aprovada para se tornar definitiva. Entre a assinatura e a eleição, porém, haverá pouco tempo para medir seus resultados. Defender as famílias do vício pode render apoio. Convencer o país de que a proibição funcionará, depois de ter regulamentado as bets, é a parte mais difícil dessa aposta.
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Falta uma carta nesta campanha, por Míriam Leitão
O Globo
Não é exigido de Flávio Bolsonaro o compromisso com a democracia, como em 2002 se exigiu de Lula uma carta garantindo a estabilização econômica
O senador Flávio Bolsonaro nunca assinou uma carta compromisso com a democracia, nem dele foi exigido. Devia ter sido. Estamos a uma semana do primeiro turno. Ele tem chances reais de ser eleito e carrega um enorme passivo autoritário, decorrente dos atos e palavras dele e da família toda. Em 2002, o país exigiu do então candidato Lula da Silva que se comprometesse com as bases econômicas do Plano Real. Havia dúvidas razoáveis sobre o programa econômico do PT. Lula escreveu a “Carta aos Brasileiros” e a cumpriu.
Há dúvidas razoáveis sobre o candidato do PL. O senador teve relações com integrantes da facção criminosa conhecida como milícia, está sendo investigado pelo dinheiro recebido do ex-banqueiro corruptor Daniel Vorcaro, teve uma loja de chocolate com faturamento atípico, nunca ficou claro como conseguiu comprar uma mansão em Brasília. Sua amizade estreita com o advogado Willer Tomaz é outro foco de incerteza. Willer é reincidente em casos de corrupção. Chegou a ser preso por envolvimento na Operação Greenfield, em 2017, que apurou fraudes com fundos de pensão, e agora é investigado no caso do INSS.
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Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:38:00 Nenhum comentário:
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Às vésperas de eleição no Brasil, Trump escancara 'interesses vitais' na América Latina, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Governador da Califórnia sugere que interferência da Casa Branca na disputa brasileira deve aumentar na reta final
Donald Trump não é de esconder o jogo. Na terça-feira, admitiu que a defesa da democracia e o combate ao narcotráfico foram só pretextos para invadir a Venezuela. “Assinamos o maior acordo de petróleo da história”, festejou, na Assembleia Geral da ONU. “Foi uma guerra, mas talvez tenha sido o maior negócio já feito. Ao vencedor, os despojos”, congratulou-se.
O presidente dos Estados Unidos avisou que não vai permitir “ameaças à América” no Hemisfério Ocidental. “Se necessário, usaremos todo o nosso poderio militar inigualável para assegurar os interesses vitais dos EUA”, informou.
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Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:33:00 Nenhum comentário:
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Distopia, por Merval Pereira
O Globo
Ambas as campanhas fazem “o diabo” para ganhar, e por isso o índice de eleitores indecisos ou desanimados está tão grande.
“A gente faz o diabo para vencer uma eleição” já dizia a ex-presidente Dilma Rousseff. Bolsonaro fez o diabo, mas perdeu. Basta lembrar a PEC Kamikaze, que injetou R$ 41,3 bilhões no orçamento alegando “estado de emergência”, com tempo limitado até o fim de seu governo, passando pelas eleições. Lula está fazendo o diabo, mas corre o risco de perder. Talvez por isso esteja tão açodado, liberando dinheiro a sete dias do primeiro turno. A proibição das bets talvez seja uma medida correta, mas se tomada no inicio de seu terceiro mandato, ou ao final dele, depois das eleições.
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Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:27:00 Nenhum comentário:
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Lula errou em 2023, por Elio Gaspari
O Globo
Em terceiro mandato, petista não cultivou arco democrático que o elegeu
Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma pequena margem de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração. Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente.
Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista.
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O baita ser humano Zuenir Ventura, por Dorrit Harazim
O Globo
Deste Brasil que tão bem entendeu e amou, ele leva mais que admiração: leva gerações inteiras de amigos
Não há idade ou hora justa para a partida de um amigo — nem para quem parte, nem para quem deve continuar a tocar a vida. “A eternidade está no momento”, ensina Walt Whitman no monumental “Folhas de relva”. É na soma de momentos compartilhados que descobrimos nossas profundezas e limites, que nos temperamos ou transcendemos. E isso ocorre mais claramente no fluir da amizade, esse complexo entrelaçamento afetivo capaz de nos proporcionar uma ventura única.
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Crença em razões razoáveis para o voto democrático, por Paulo Fábio Dantas Neto*
Volto hoje a usar como referência, nesta coluna, agora com mais ênfase, avaliações recentes do quadro das eleições presidenciais, feitas pelo cientista político Antônio Lavareda. O resumo de entrevista sua aos jornalistas Matheus Leitão, Rafael Campos e Maria Carolina Brito foi publicado na coluna do primeiro no site Metrópoles, na quarta-feira, 23.09. Lavareda avaliou, nessa entrevista, que se a eleição fosse hoje Flávio Bolsonaro seria favorito. E usou, por outro lado, a imagem da "eternidade" para se referir ao tempo hábil que ainda resta à campanha de Lula para alterar a situação que lhe seria adversa.
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Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:32:00 Nenhum comentário:
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Além de avançar sobre Supremo e PF, novo presidente pode refazer Banco Central em um ano, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Novo governo pode nomear maioria dos diretores até o início de 2028 e ter mais poder no BC
Lula 3 não deve ter tempo de preencher vagas na autoridade monetária e no STF
Quem terá mais poder de controlar ou influenciar o Supremo a partir de 2027 é assunto maior desta eleição deplorável. O novo presidente e o Senado podem entrar em acordo ou conflito para fazer a maioria no STF, o que pode ter consequências funestas para a estabilidade política ou para a democracia. No entanto, pouca gente se lembra de que o próximo presidente da República poderá ter nomeado 6 dos 9 integrantes da direção do Banco Central até janeiro de 2028, início do segundo ano do mandato, e todos até janeiro de 2030, mudanças críticas para a estabilidade econômica.
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Se Flávio Bolsonaro for eleito, Brasil vai virar Venezuela, por Celso Rocha de Barros
Folha de S. Paulo
Acordo de Trump com Maduro sobre petróleo segue a mesma lógica do que ele propõe a Flávio para o Brasil
'Madurismo entreguista' e 'bolsonarismo' são sinônimos perfeitos
Por uma dessas ironias latino-americanas, o Brasil vai virar a Venezuela se Flávio Bolsonaro for eleito presidente. Com Lula presidente, nunca virou.
Desde a invasão americana, o regime venezuelano pode ser caracterizado como um madurismo entreguista.
Ora, "madurismo entreguista" e "bolsonarismo" são sinônimos perfeitos.
Se você tirar de Maduro seu anti-imperialismo e seu bigode, ele estará a uma peruca do Jim Caviezel de distância de virar o Jair. Já poderá, inclusive, pedir dinheiro ao Vorcaro.
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'Vou falar com a turma', por Muniz Sodré
Folha de S. Paulo
Contradição entre razão e práticas político-sociais isentas de hábitos morais provoca perplexidade
Quebra dos protocolos de decoro na classe política e no Judiciário é novidade
Não deverá haver novas sessões públicas do STF, para atenuar a perplexidade nacional com as cenas chocantes da última vez. Por minúsculo que seja, entretanto, o episódio não se esgota na estupefação imediata. A sociedade civil pode estar à espera de algo como "O Guia dos Perplexos" do filósofo judeu Maimônides (1138-1204). Atualizada, a questão desse livro é como conciliar uma ordem supostamente racional com aquilo que parece estar além de seus limites. "Perplexo" hoje é aquele lançado na aflição de compreender dois sistemas contraditórios entre si: o da razão e o de práticas político-sociais isentas de hábitos morais.
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Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:10:00 Nenhum comentário:
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O que aconteceu com a democracia liberal? Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Novo livro de Acemoglu defende regulação tecnológica pró-trabalhador para salvar liberalismo
Obra foi criticada por liberais de estirpe mais conservadora, que rejeitam intervencionismo estatal
O liberalismo é versátil. É compatível tanto com visões de mundo conservadoras, como a das democracias cristãs da Europa continental e a dos "tories" britânicos, quanto com políticas mais à esquerda, como a das social-democracias dos países nórdicos.
Embora os dois polos até consigam concordar em relação a princípios básicos que caracterizariam o liberalismo, como o respeito às liberdades básicas, à propriedade privada e ao império da lei, eles frequentemente se desentendem sobre os detalhes. "What Happened to Liberal Democracy?", de Daron Acemoglu, é um bom exemplo dessa tensão.
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'Amor' por Vorcaro explica omissão de Alcolumbre, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
O problema não é a amizade, mas o reflexo que essa relação tem sobre as atitudes do presidente do Senado
A negligência deliberada é evidência da atuação de Davi Alcolumbre em favor do irmão fraudador
Estava demorando para Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) entrar na dança das influências de Daniel Vorcaro. Entra não por ser amigo do vigarista —pode acontecer com qualquer um. Cai na roda do escândalo por suas atitudes como presidente do Senado.
As mensagens divulgadas pela revista Veja dizem muito a respeito da conduta passivo-agressiva de Alcolumbre no transcorrer da crise que atinge os três Poderes.
Por exemplo, fornecem ao ministro Cristiano Zanin as evidências que ele alegou inexistentes ao negar pedido do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para que o Supremo Tribunal Federal desse aval à instalação de uma CPI para investigar o caso Master.
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Seduzido e abandonado, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Nenhum dos figurões com quem Daniel Vorcaro foi tão generoso quer saber dele
Negam que foram seus amigos, que o chamavam de irmão e até que o conheceram
Daniel Vorcaro está arrependido do bem que praticou a tantos figurões em quem confiou. Vê agora que era um bando de ingratos. Ninguém quer saber mais dele. Há os que dizem tê-lo conhecido só de passagem, embora o chamassem de "irmão", ou que aceitaram seu dinheiro para ser gentis, sem saber que a grana era pública, suja e ilegal. Eu, se fosse Vorcaro, faria um caderninho com o nome de todos que beneficiou e, ao sair da cadeia, cobraria cada centavo dos zilhões que lhes repassou. À guisa de aide-mémoire, aqui vão alguns.
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Filhos da Esperança ou quando o futuro se torna refugiado, por Pablo Spinelli*
Ao amigo Paulo Pace, amigo da trincheira democrática.
Vinte anos depois de seu lançamento, Filhos da Esperança (2006), dirigido por Alfonso Cuarón, parece menos uma distopia do que um telejornal adiantado. Em 2027, a humanidade tornou-se infértil e a Inglaterra anuncia ser a última sociedade ainda de pé. Contudo, o que permanece funcionando são as jaulas para imigrantes, a propaganda oficial e as tropas nas ruas. Theo (Clive Owen), funcionário público desencantado e ex-militante, recebe a missão de conduzir Kee, uma jovem refugiada e grávida, até um lugar seguro. Os longos planos-sequência de Cuarón nos colocam dentro dos ataques e campos de refugiados. A extrema direita retratada pelo filme não precisa abolir formalmente o Estado; basta esvaziá-lo de solidariedade e conservar sua carcaça policial. A distopia, afinal, não bateu à porta: entrou, sentou-se na sala e pediu a senha da internet.
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Poesia | Não Desistas, de Mario Benedetti
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Música | Marisa Monte - Elegante Amanhecer
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sábado, 26 de setembro de 2026
Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária)
“Somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, as massas têm que ser conquistadas por meio da propaganda. Sob um governo constitucional e havendo liberdade de opinião os movimentos totalitários que lutam pelo poder podem usar o terror somente até certo ponto, como qualquer outo partido, necessitam granjear aderentes e parecer plausíveis aos olhos de um público que ainda não está rigorosamente isolado de todas as outras fontes de informação.”*Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020,
" Acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e algoritmos para obter lucroUm homem ganhou na loteria espanhola com um bilhete terminado em 48. Explicou sua escolha: sonhara com o número 7 durante sete noites; logo, 7 vezes 7 seriam 48. A conta está errada, mas o prêmio era real. O físico norte-americano Leonard Mlodinow abre o livro O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas (Zahar) com esse episódio para mostrar uma fraqueza humana: depois de conhecer o resultado, inventamos uma lógica que parece explicá-lo. Nas loterias, cada sorteio é independente; números atrasados não ficam mais próximos de sair, e uma vitória não comprova a eficácia do palpite. O vencedor aparece nas notícias. A multidão que fez contas igualmente fantasiosas e perdeu permanece invisível."
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
domingo, 27 de setembro de 2026
Crença em razões razoáveis para o voto democrático, por Paulo Fábio Dantas Neto*Volto hoje a usar como referência, nesta coluna, agora com mais ênfase, avaliações recentes do quadro das eleições presidenciais, feitas pelo cientista político Antônio Lavareda.
domingo, 27 de setembro de 2026
Seduzido e abandonado, por Ruy CastroFolha de S. PauloNenhum dos figurões com quem Daniel Vorcaro foi tão generoso quer saber deleNegam que foram seus amigos, que o chamavam de irmão e até que o conheceram
Daniel Vorcaro está arrependido do bem que praticou a tantos figurões em quem confiou. Vê agora que era um bando de ingratos. Ninguém quer saber mais dele. Há os que dizem tê-lo conhecido só de passagem, embora o chamassem de "irmão", ou que aceitaram seu dinheiro para ser gentis, sem saber que a grana era pública, suja e ilegal. Eu, se fosse Vorcaro, faria um caderninho com o nome de todos que beneficiou e, ao sair da cadeia, cobraria cada centavo dos zilhões que lhes repassou. À guisa de aide-mémoire, aqui vão alguns.
Alexandre de Moraes: Vorcaro destinou R$ 131 milhões ao escritório de advocacia da mulher do ministro, cedeu jatinhos ao casal e, agora, só tem de Moraes o silêncio. Nem uma cartinha, nem um bilhetinho, nem um alô pelo STF. Kassio Nunes Marques: mimoseado por Vorcaro com camarotes na Sapucaí, ingressos para a Fórmula 1, descontos no Fasano e, veja só, uma mesada de R$ 500 mil para seu filho Kevin, caçula de uma "Turma do KN" empenhada em destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios do seu interesse. Bem-sucedida, a operação renderia R$ 427 milhões à dita turma.
Paulo Gonet: o procurador-geral da República parece ter saído baratinho a Vorcaro: algumas rodadas do uísque Macallan e de charutos Cohiba Behike num lounge em Londres. Mesmo assim, o PGR classificou o encontro entre eles como "breve e banal". Como "breve e banal"? Significa que Gonet tem acesso diário a uísques de 25 anos e aos charutos mais caros do mundo?
Flávio Bolsonaro: ao ser questionado pela repórter sobre ter negócios com Vorcaro, B. Jr. deu um riso nervoso e respondeu: "De onde você tirou isso?". Horas depois, vazou o áudio em que ele implora pelo resto do dinheiro que Vorcaro lhe prometera. Como B. Jr. nunca explica nada, não se sabe se a doação ficou nos R$ 61 milhões que Vorcaro mandou ou se chegou aos R$ 134 milhões combinados. E, agora, pipocaram os voos de B. Jr. no mesmo jato em que viajou Moraes, idem, negados.
O pobre Daniel também poderia render um filme: "Seduzido e Abandonado".
Samba da Cor (part. Miltinho)Elza Soares
Gota d'águaBibi Ferreira
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota dágua
sábado, 26 de setembro de 2026
A falta que faz uma causa comum, por Marco Aurélio Nogueira*O Estado de S. PauloO País está pedindo uma macrorreforma institucional, tema que não surge em nenhuma das campanhas
A oito dias das eleições, o quadro da disputa está congelado. A eleição será, mais uma vez, decidida no photochart, com Lula e Flávio Bolsonaro batendo cabeça na reta final.
Atordoado com tantos escândalos e tanta falta de sinalização, o eleitorado não sabe para onde o País irá. Desaprova o governo de Lula, mas não aprova Bolsonaro com ênfase. Tende a rejeitar quem mais o assusta ou incomoda. Voto defensivo, não programático, o que rebaixa a qualidade da disputa. Faltando ideias e propostas claras, sobram manobras eleitoreiras e jogos de cena. Bolsonaro é impulsionado pelo antipetismo, Lula pela “economia do afeto”, como fala o historiador Alberto Aggio.
Há medo do continuísmo esgotado de Lula e medo do autoritarismo perverso e mal organizado do bolsonarismo.
Os candidatos são completamente diferentes entre si. O governo Lula não é bem avaliado. Sua campanha pela reeleição é pífia, inexpressiva. Mas ele tem conseguido olhar para os mais pobres e resistir ao autoritarismo, sem transigir com a democracia. Já Bolsonaro surge inclinado para a extrema direita, “patriótica” para uns, “entreguista” para outros, sempre com tintas autoritárias e poucas ideias. Fala em “acabar com o sistema”, mas sua meta é aprisionar e desnervar a democracia.
Se a escolha é defensiva, o que mais importa é defender a democracia. A que existe por aqui está sendo sabotada pelas manobras de um Legislativo incapaz de conter seus excessos e de um Executivo incapaz de ordenar o sistema de benefícios que corrói as finanças públicas. Tais benefícios, dirigidos às grandes maiorias pobres, tornaram-se com o tempo objeto de cobiça e disputa, chegando até a pessoas que a eles não fazem jus.
O Estado brasileiro está emparedado pelo patrimonialismo histórico, pelo corporativismo e pela baixa densidade do republicanismo. Agentes privados, articulados por cima (na política) e por baixo (nos interesses particulares e familiares) aproveitam-se da dispersão e da desatenção da população para impulsionar a criação de inúmeras brechas na gestão pública e orçamentária. Abusam de gastos mal justificados, embolsam parte deles, multiplicam beneficiários de programas sociais, exploram até o osso a falta de consciência cívica da população e o atrito entre os Poderes do Estado.
A polarização política e ideológica dá sua contribuição, ao esvaziar a possibilidade de melhores debates e negociações. Ela também funciona por cima e por baixo, produzindo desentendimentos paralisantes, por vezes artificiais. Quando há excesso de “afetos”, também surgem muitos “desafetos”: pessoas que não se sentem incluídas ou que invejam os incluídos. Além disso, benefícios institucionalizados viram direitos, passam a pesar menos nas decisões eleitorais. A polarização se infiltra nesse ambiente.
A crise do Supremo Tribunal
Federal (STF) deixou evidente que a cultura baseada no favor e nas relações pessoais atingiu o âmago do Estado, escancarando-o para a venalidade e a corrupção. Hoje, a Corte se degradou. Mas, a rigor, tudo o que está instituído claudica e bloqueia qualquer avanço. O sistema não está mais funcionando a contento.
O País está pedindo uma macrorreforma institucional, tema que não surge em nenhuma das campanhas. O assunto não é eleitoralmente rentável, mas deveria estar na pauta. Bolsonaro se diz de oposição, mas nada fala a respeito de reformas. Joga atabalhoadamente no ataque. Lula deveria “despetizar” e ampliar sua campanha, de modo a torná-la declaradamente plural e firmemente embebida de saber técnico e científico. O PT está disposto a entregar seus anéis?
Chegou a hora de exigirmos uma reforma ampla e profunda, algo que mexa com os arranjos cômodos que se instalaram entre nós. Precisamos de uma causa comum. Não bastará eleger um presidente que proteja a democracia, pois ele governará comendo o pão que o diabo amassou, arando um terreno onde todos os ratos são pardos. E terá pela frente uma sociedade desorganizada, encharcada de uma indignação passiva, de informações contraditórias e de desigualdades, sem lideranças com envergadura política e apoio social.
Os venenos da polarização viraram matéria gasosa, estão na corrente sanguínea da sociedade. Continuarão a nos intoxicar mesmo depois de fechadas as urnas.
Reformas são processuais. Demandam tempo, ideias, consensos, negociações. O atual sistema está com a língua de fora, mas os interesses que o corroem podem mantêlo vivo por aparelhos. Precisará ser pressionado e confrontado com uma nova e vigorosa ideia de país. Crises e fins de ciclos também abrem janelas de oportunidades. Onde estarão as frestas pelas quais descortinaremos um novo futuro? Necessitamos de normas universais, instituições zelosas de suas funções, equalização dos poderes, contenção dos interesses e dos beneficiários de apoios estatais não sustentáveis.
Ainda não temos o combustível necessário para projetar uma reforma desse porte. Carecemos de articulações democráticas, lideranças consistentes e uma causa comum como guia.
*Professor titular de teoria política da Unesp
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O Eco dos Festivais: Entre o Desencanto de 1968 e a Apatia de 2026
O ano de 1968 inscreveu-se na memória global como o epicentro de uma fratura geracional e política. Enquanto as ruas de Paris, Praga e Rio de Janeiro ferviam sob o signo da contestação e do confronto direto com as estruturas de poder, a Itália vivia o seu próprio Sessantotto — um período de intensas greves operárias, ocupações universitárias e questionamento radical dos valores burgueses. Ironicamente, foi nesse mesmo ano de convulsão que a melancolia intimista de "Canzone Per Te", interpretada por Sergio Endrigo e Roberto Carlos, sagrou-se vencedora do prestigiado Festival de Sanremo. Em vez dos hinos de marcha ou do tom panfletário que ditavam o espírito da época, a canção triunfou ao traduzir o luto de um fim, o isolamento afetivo e a dolorosa constatação de que "a festa mal começou e já terminou". Havia, por trás do lirismo amoroso, a captura sutil de um desencanto coletivo: a percepção de que as grandes promessas de modernidade e comunhão pareciam claudicar diante da realidade.
Quase seis décadas depois, o Brasil de 2026 projeta um reflexo invertido, mas igualmente melancólico, daquela atmosfera. Às vésperas de uma eleição presidencial crucial, o país não experimenta a efervescência utópica de 1968, mas o seu exato oposto: uma apatia generalizada e um profundo esvaziamento do debate público. O paralelo histórico não se dá pelo excesso de paixão das massas, mas pela institucionalização do silêncio e pela mercantilização da política de rua. Se em 1968 a música popular servia de refúgio lírico contra a saturação do ruído ideológico, em 2026 o lirismo melancólico de Endrigo ressoa como metáfora de um sistema representativo exaurido. As calçadas coloridas por bandeiras pagas e a polarização movida pelo medo, e não por projetos de futuro, evidenciam que a mística democrática nacional transformou-se em pura engrenagem processual — uma festa que parece ter terminado antes mesmo que o cidadão comum pudesse nela se reconhecer.
O Vazio por Trás das Bandeiras: A Fantasia da Plausibilidade e o Esvaziamento do Voto
Entre a propaganda totalitária de Arendt, a apatia mercadológica das ruas e a urgência de uma causa comum nas Eleições 2026.
A poucos dias do pleito de outubro, a paisagem urbana das cidades brasileiras ganhou uma profusão de cores artificiais trazida pelos abanadores de bandeiras assalariados. A análise do cientista político Jairo Nicolau no blog Política & Dados expõe uma realidade intrigante: em um pleito marcado pelo silêncio, pelo desinteresse generalizado e pelo desânimo do eleitorado, a rua se faz notar quase que exclusivamente por meio de uma força de trabalho contratada com recursos do Fundo Eleitoral. O antigo engajamento voluntário e ideológico cedeu espaço a uma engrenagem pragmática de subsistência econômica, sintetizada no lema popularizado pelos próprios cabos eleitorais: "é melhor pingar do que faltar".
Essa onipresença das bandeiras nas esquinas e sinais de trânsito não reflete o convencimento de ideias, mas uma estratégia de sinalização de sobrevivência. Diante de um calendário eleitoral oficial encurtado, os candidatos recorrem às bandeiras como os últimos recursos visuais disponíveis para fixar seus números na memória do eleitor. Esse cenário conecta-se diretamente ao diagnóstico severo de Marco Aurélio Nogueira sobre o impasse institucional brasileiro. A polarização defensiva — onde o eleitor vota para rejeitar quem o assusta em vez de apoiar um projeto — blinda as mazelas históricas do Estado, como o patrimonialismo e o corporativismo. Sem a costura de uma causa comum que uma a sociedade civil, o país corre o risco de sair das urnas mantendo o sistema operando "por aparelhos", intoxicado pelos gases de uma polarização que promete persistir muito além da apuração dos votos.
Esse esvaziamento do debate é o terreno fértil para dinâmicas históricas mais profundas. Como advertiu Hannah Arendt em sua obra seminal Origens do Totalitarismo, a engrenagem da dominação política não se inicia com a violência explícita, mas com a conquista das massas pela propaganda. Antes de isolar por completo uma sociedade sob o jugo do autoritarismo, os movimentos ideológicos buscam "parecer plausíveis" aos olhos de um público que ainda tem acesso a outras fontes de informação. Quando a política de rua se transforma em pura coreografia mecânica mercantilizada e o eleitorado abdica do pensamento crítico em prol do afeto ou do medo, a linha que separa a propaganda democrática da manipulação totalitária torna-se perigosamente tênue.
A ilusão das calçadas coloridas mascara a melancolia de um sistema que se esvaziou de sentido próprio. "A festa mal começou e já terminou", como se a mística democrática tivesse perdido o brilho, restando apenas o automatismo do processo. Diante desse ciclo que claudica, o ato de insistir na reflexão escrita e na vigilância cívica torna-se o nosso próprio manifesto particular: "per questo canto e canto te" — um registro de resistência e afeto pelo que resta de republicanismo, cultivando a consciência crítica como uma flor na solidão dos tempos áridos, na esperança de que um novo sonho, finalmente, nos pegue pela mão.
Opúsculo, à Guisa de Conclusão: Macunaíma no Poder
O diagnóstico sombrio sobre as engrenagens que movem a política e a sociedade encontra o seu desfecho analítico na tese do sociólogo José de Souza Martins. Ao evocar o clássico personagem de Mário de Andrade, o autor demonstra que os representantes políticos brasileiros, historicamente, operam como representantes de si mesmos, organizados em uma estrutura partidária fluida e sem compromisso programático — um verdadeiro "partido nacional macunaímico".
Não se trata de uma ausência de ideologia, mas da consolidação de uma deformação estrutural: o Brasil acabou por criar um "capitalismo anticapitalista", cuja dinâmica principal reside no lucro privado baseado no prejuízo coletivo. A coreografia vazia das ruas, a manipulação retórica das propagandas e o impasse institucional que paralisa o Estado são apenas os sintomas superficiais desse capitalismo do herói sem nenhum caráter. Sem que se confronte essa matriz patrimonialista e predatória, qualquer alternância de poder corre o risco de perpetuar uma sociabilidade do faz de conta, mantendo a sociedade civil alienada do verdadeiro pacto republicano.
Assista à apresentação histórica da música vencedora do Festival de Sanremo de 1968, ano profundamente simbólico para a história política ocidental, e acompanhe o lirismo melancólico que ecoa os impasses da nossa própria atualidade:
Sergio Endrigo – Canzone per te (Festival di Sanremo del 1968) - liveSanremo and more
24 de out. de 2024
Sergio Endrigo – Canzone per te (Festival di Sanremo del 1968 la seconda e la terza serata) - live, stereo. Presenters - Pippo Baudo and Luisa Rivelli. Written-By – Sergio Bardotti, Sergio Endrigo. Directed By [Orchestra] – Giancarlo Chiaramello. "Canzone per te" ("A song for you"), written by Italian composer Sergio Endrigo and sung by Brazilian singer Roberto Carlos, was the Italian entrant to and winner of the 1968 edition of the Sanremo Music Festival.
On the night of the contest, held in Sanremo, Italy, the song was performed by both Endrigo and Carlos. Construction from permitted video fragments, restoring by Vladimir Mastica (VM).
Use o código com cuidado.*Você também pode conferir e ler a composição poética completa acessando a Letra de Canzone Per Te no Letras.mus.br.
O artigo está formatado e pronto para o ambiente de produção do seu blog. Se precisar de ajuda com as **tags/marcadores de indexação** (Ex: *Eleições 2026, Teoria Política, Cultura*) ou com a criação de uma **chamada curta** para divulgar o link nos seus canais, me avise!
Per questo canto e canto tePER SEMODUS FACIENDI
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DOCUMENTO HISTÓRICO AUDIOVISUAL
Estádio do Jornal da Noite: A Entrevista de Gilmar Mendes por Renata Lo Prete
(Som de fundo: o burburinho tenso das grandes decisões. Entra no ar a voz cadenciada, musical e inconfundível do mestre Waldir Amaral, direto do Estádio do Jornal da Noite...)
WALDIR AMARAL: Deixa eu ver... o relógio corre! No gramado iluminado dos estúdios da Globo, o decano da Corte Suprema, o camisa 10 Gilmar Mendes, avança com a bola no pé. Mas atenção, amigos! Na cobertura, colada nele, vem a zagueira de ferro Renata Lo Prete, com uma marcação cerradíssima, sem dar espaço para o atacante respirar! Ela aperta o cerco, estica o microfone e lança o bote: "Ministro, esse inquérito não virou uma ferramenta política?"
É o momento da verdade no Estádio da Notícia! Gilmar domina no peito... e o que é que ele faz? Olha para o tempo... O atacante estuda o lance, puxa a bola para a perna esquerda e começa o contra-ataque:
— "Eu... eu tenho a impressão... de que o inquérito... continua necessário."
E agora Gilmar faz aquela paradinha de Pelé! Ele amortece a bola, deixa a zagueira na saudade e solta uma bomba:
— "...E... ele vai acabar... quando terminar!"
Renata Lo Prete dá um leve sorriso de canto, aquele tique jornalístico de quem diz "estou de olho na jogada", e ameaça interromper. Mas Gilmar Mendes é raposa felpuda! Ele percebe o movimento da marcadora e emenda em alto e bom som, sem dar o rebote:
— "...E é preciso que isso seja dito... em alto e bom som. [Suspiro rápido] E o tribunal... o tribunal tem sido... vilipendiado."
Que categoria! Que frieza do camisa 10! Deixa eu pedir o comentário rápido de quem entende de tática... Fala daí, meu garoto, João Saldanha! O Gilmar passou pela marcação ou o inquérito tá em impedimento?
JOÃO SALDANHA: Olha, Waldir... o Gilmar é malandro, joga com o regulamento debaixo do braço! A Renata foi muito bem na marcação, apertou ali na lateral do campo perguntando da longevidade de um inquérito que já dura anos. Qualquer garoto novo ali espanava e chutava a bola para o mato. Mas o decano não. Ele usou a experiência, segurou o jogo com essas paradinhas e jogou a pressão de volta para a torcida. Só que a Renata não se entrega, Waldir! Veja que ela já está se posicionando para fechar o ângulo dele de novo!
WALDIR AMARAL: Tem toda razão, João! O jogo é lá e cá! Gilmar Mendes sente o cansaço, dá uma respirada profunda... e o ritmo cai. Ele baixa o tom de voz, esconde a jogada, quase num cochicho tático para enganar a marcação de Lo Prete, que só observa a linha de impedimento:
— "...Sem se fazer alarde disso. [Mudança brusca de direção] A questão... a questão aí... é o modus faciendi."
Renata Lo Prete ergue uma sobrancelha! Ela tenta o bote por baixo, quer saber quem manda na área do tribunal se o clima é de crise. Mas Gilmar dá um drible de corpo espetacular, divide as responsabilidades e solta a tese do jogo coletivo:
— "O presidente... o presidente não decide. [Outra paradinha de Pelé... ele olha bem nos olhos da zagueira] Aqui... aqui rege um parlamentarismo. [O silêncio ecoa no estádio] Presidente... não decide per se."
Fim de jogo na grande área jurídica! O atacante usou todo o repertório de pausas para prender a bola no ataque! Mas para selar essa transmissão com chave de ouro, o apito final é dele! O homem que já comandou clássicos e não esconde nada de ninguém. O nosso analista de arbitragem, o ex-juiz Mario Vianna! Com a palavra, o mestre do apito!
MARIO VIANNA: (Voz rascante, enérgica, batendo na mesa)
"O JUIZ ERROU!!! O JUIZ ERROU, WALDIR!!!"
O Gilmar Mendes quis apitar o jogo sozinho e inventar uma regra que não tá no livro da Constituição! Inventou uma 'paradinha' no meio do tribunal! Na minha época, se o presidente do Supremo não decide nada sozinho e o tribunal é um parlamentarismo, então o juiz da partida perdeu o controle do jogo! Não pode ter dois pesos e duas medidas! A Renata Lo Prete foi na bola, foi legítima, cobrou o tempo de jogo e o Gilmar saiu de campo jogando bonito com o latim, mas sem resolver a encrenca do inquérito! O JUIZ ERROU!!!
Documento otimizado para plataformas Blogger/Blogspot. Formatação preservada de forma perene.
Use o código com cuidado.
Aqui está o texto formatado em sua versão final, aplicando a correção formal das aspas e mantendo o conteúdo e a digitação exatamente iguais ao original:
"Eu tenho a impressão de que o inquérito continua necessário. E ele vai acabar quando terminar. E é preciso que isso seja dito em alto e bom som. E o tribunal tem sido vilipendiado.
Sem se fazer alarde disso.
A questão é o modus faciendi. O presidente não decide.
Aqui rege um parlamentarismo.
Presidente não decide per se."
Deseja que eu formate este texto em algum padrão específico, como bloco de citação (itálico) ou em um arquivo para download?
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sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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https://gilvanmelo.blogspot.com/
O artigo de Marcus Pestana analisa a grave crise de credibilidade enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a polarização em torno da Corte no debate político atual. Para solucionar o desgaste institucional e resgatar a legitimidade do Judiciário, o texto propõe medidas como mandatos de dez anos, o fim de decisões monocráticas e a aprovação de um Código de Ética. Você pode ler o artigo completo no texto original de Marcus Pestana.
Humildade e Liberdade de Pensamento: Homilton expressa sua modéstia diante da tarefa de falar sobre a vida de Eurípedes, afirmando que não busca revelar fatos que dificilmente se escreveriam tal qual foram na realidade. Ele destaca que seu principal título — e que lhe pertence por direito divino — é o da liberdade de pensamento e de ação concedido por Deus, permitindo-lhe falar livre de preconceitos e do convencionalismo social, seguindo apenas a sua consciência.
“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” — Jesus. (JOÃO, 5.29)
O versículo João 5:29 traz um ensinamento de Jesus sobre a responsabilidade das escolhas humanas e o destino após a morte:
A ressurreição da vida: Destinada àqueles que praticaram o bem e creram na mensagem do Mestre.
A ressurreição da condenação: Referente àqueles que persistiram de forma consciente na prática do mal.
O Contexto da PassagemA voz do Filho do Homem: Pouco antes, no versículo 28, Jesus afirma que virá a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz.
O critério do julgamento: O texto aponta para a universalidade da ressurreição, abrangendo tanto justos quanto injustos, tendo as obras e a atitude do coração como reflexo do caráter de cada pessoa.
Diferentes correntes religiosas interpretam o trecho de formas particulares:
No Cristianismo Tradicional: Vê-se a passagem como a confirmação de um juízo final onde os salvos (pela fé demonstrada em frutos de justiça) herdam a vida eterna, e os perdidos enfrentam a separação de Deus. Você pode acompanhar reflexões devocionais sobre o tema na Bíblia Online.
No Espiritismo: O trecho é frequentemente associado à lei de causa e efeito e à reencarnação, onde o espírito colhe em novas experiências aquilo que construiu em jornadas anteriores, conforme abordado em comentários literários como no Livro Pão Nosso.
Passagens relacionadas na BíbliaDaniel 12:2 – Fala sobre os que dormem no pó da terra despertarem para a vida eterna ou para a vergonha eterna.
Mateus 25:31 – Descreve a vinda do Filho do Homem em sua glória para o julgamento.
Atos 24:15 – Menciona a esperança da ressurreição tanto dos justos quanto dos injustos.
Pão Nosso #127 - Lei de retornoNEPE Paulo de Tarso | Evangelho e EspiritismoTransmitido ao vivo em 14 de set. de 2023Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.1 Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação.
2 Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível?
3 As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. 4 Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz.
5 Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.
6 É a volta à lição ou ao remédio.
Não lhes surge diferente alternativa.
7 A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.
8 Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas.
9 Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina muito mais rica e magnânima que parece.
10 Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos.
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.127Lei de retorno
Creia no seu poder interno.A energia positiva que há
dentro de você é a
felicidade em ação.Cuidar do corpo e do Espírito - O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Item 11Canal CEICVocê está em: O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVII — Sede perfeitos > Instruções dos Espíritos. > Cuidar do corpo e do Espírito. > 11
11. Consistirá na maceração do corpo a perfeição moral? Para resolver essa questão, apoiar-me-ei em princípios elementares e começarei por demonstrar a necessidade de cuidar-se do corpo que, segundo as alternativas de saúde e de enfermidade, influi de maneira muito importante sobre a alma, que cumpre se considere cativa da carne. Para que essa prisioneira viva, se expanda e chegue mesmo a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar são, disposto, forte. Façamos uma comparação: Eis se acham ambos em perfeito estado; que devem fazer para manter o equilíbrio entre as suas aptidões e as suas necessidades tão diferentes? Inevitável parece a luta entre os dois e difícil achar-se o segredo de como chegarem a equilíbrio.
Dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma quanto a outra. Ao lado desses dois grandes partidos, formiga a numerosa tribo dos indiferentes que, sem convicção e sem paixão, são mornos no amar e econômicos no gozar. Onde, então, a sabedoria? Onde, então, a ciência de viver? Em parte alguma; e o grande problema ficaria sem solução, se o Espiritismo não viesse em auxílio dos pesquisadores, demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma e dizendo-lhes que, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa. Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso: está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito. Dobrai-o, submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: esse o meio de o tornardes dócil à vontade de Deus e o único de alcançardes a perfeição.
Jorge, Espírito Protetor.
Paris, 1863.
O texto da imagem é o início do capítulo "15 - Testemunho e Definição", pertencente ao livro "Eurípedes - o Homem e a Missão" (página 173).
Abaixo está o resumo dos pontos principais do trecho:
Elogio à obra de Homilton Wilson: O texto se inicia com uma reflexão sobre os escritos de Homilton Wilson (irmão consangüíneo e discípulo de Eurípedes Barsanulfo), destacando como ele define com brilhantismo e fidelidade a posição de Eurípedes como um verdadeiro Espírita consciente de seus deveres perante a Doutrina de Salvação e o Cristo.
O contexto de incompreensão: É mencionado que, em uma época de desmandos religiosos em que a pureza da Codificação Kardequiana enfrentava velhas fraudes, era natural que os adeptos do Espiritismo enfrentassem as sanções e a incompreensão do cotidiano.
O testemunho de Homilton (1945): É citado o trecho de uma palestra proferida por Homilton Wilson em 28/06/1945, no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Ribeirão Preto (SP). Nela, ele afirma categoricamente: "Eurípedes foi Espírita" e que ele realizou diante de todos tudo o que é ressaltado no estudo e na meditação da Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec.
Humildade e Liberdade de Pensamento: Homilton expressa sua modéstia diante da tarefa de falar sobre a vida de Eurípedes, afirmando que não busca revelar fatos que dificilmente se escreveriam tal qual foram na realidade. Ele destaca que seu principal título — e que lhe pertence por direito divino — é o da liberdade de pensamento e de ação concedido por Deus, permitindo-lhe falar livre de preconceitos e do convencionalismo social, seguindo apenas a sua consciência.
Na canção popular brasileira, a palavra lenitivo carrega seu significado literal e poético mais puro: um bálsamo, um alívio ou consolo para as dores do corpo, da mente e da alma. Como a música popular é um dos campos mais sofisticados da nossa literatura, esse termo erudito é frequentemente usado por compositores para ilustrar aquilo que abranda o sofrimento diante das durezas da vida.
O uso dessa palavra e o seu conceito aparecem na música brasileira de três formas principais:
1. A música e a arte como o próprio "lenitivo
"Em muitas composições, o próprio ato de cantar, sambar ou ouvir música é colocado como o remédio para as frustrações cotidianas.
Meu LenitivoManu Dias
Um exemplo claro está no samba "Meu Lenitivo", interpretado por Manu Dias, onde a letra diz abertamente: "Somente o samba / Ameniza as dores que a vida nos traz / Eterniza amores que não temos mais / Quando as dificuldades me tiram a paz / Vou sambar". Aqui, o samba assume o papel de um fomento curativo para a falta de paz.
2. Elementos do cotidiano operando como alívio
Os compositores costumam transformar elementos da cultura e do dia a dia no lenitivo necessário para suportar a realidade.
Sem a cachaça, ninguém segura esse rojão | LITERATURA BRASILEIRA & CACHAÇAOutras PalavrasChico Buarque: Na clássica música "Meu Caro Amigo" (composta com Francis Hime), Chico narra a situação difícil do Brasil da década de 1970. Na letra, a cachaça é descrita poeticamente por analistas e críticos como o lenitivo da dureza — uma válvula de escape e um conforto físico e emocional contra o sufoco do período.
BonançaGrupo MalíciaArt Popular: No pagode "Bonança" (composição de Tauã Paiva Alves), a palavra aparece explicitamente para falar de superação amorosa: "Mas quem espera alcançar, pode confiar / A bonança irá despertar / Trazendo lenitivo pra dor / Renascendo um amor de raiz".
O livro dos Espíritos Parte 2 Capítulo 6 P 320 329 Comemoração dos mortos FuneraisEstudos EspíritasVocê está em: O Livro dos Espíritos > Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos > Capítulo VI — Da vida espírita > Comemoração dos mortos. Funerais.Comemoração dos mortos. Funerais.
320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra?
“Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade. Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.”
321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias?
Prestam-se para ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?
“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”
a) – Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?
“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”
b) – Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis?
“Sob a que tinham quando encarnados.”
322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles?
“Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o universo inteiro.”
323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?
“Aquele que visita um túmulo pode manifestar, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior desse pensamento. Já vos disse que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que seja feita com o coração.”
324. Os Espíritos das pessoas a quem se erigem estátuas ou monumentos assistem à sua inauguração, e experimentam algum prazer nisso?
“Muitos comparecem a tais solenidades, quando podem; porém, menos os sensibiliza a homenagem que lhes prestam do que a lembrança que deles guardam os homens.”
325. Qual a origem do desejo que certas pessoas exprimem de ser enterradas antes num lugar do que noutro? Será que preferirão, depois de mortas, vir a tal lugar? E essa importância dada a uma coisa tão material constitui indício de inferioridade do Espírito?
“Afeição particular do Espírito por determinados lugares; inferioridade moral. Que importa este ou aquele
pedaço de terra a um Espírito elevado? Não sabe ele que sua alma se reunirá às dos que lhe são caros, embora fiquem separados os seus respectivos ossos?”
a) – Deve-se considerar futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família?
“Não; é um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os Espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.”
326. Comovem a alma que volta à vida espiritual as honras que lhe prestem aos despojos mortais?
“Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o Espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade de todas essas coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que nos primeiros momentos que se seguem à sua morte material experimentam grande prazer com as honras que lhes tributam, ou se aborrecem com o pouco caso que façam de seus envoltórios corporais. É que ainda conservam alguns dos preconceitos desse mundo.”
327. O Espírito assiste ao seu enterro?
“Frequentemente assiste, mas algumas vezes não percebe o que se passa, se ainda está perturbado.”
a) – Lisonjeia-o a concorrência de muitas pessoas ao seu enterro?
“Mais ou menos, conforme o sentimento que as anime.”
328. O Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros?
“Quase sempre. Para seu ensinamento e castigo dos culpados, Deus permite que assim aconteça. Nessa ocasião, o Espírito julga do valor dos protestos que lhe faziam. Todos os sentimentos se lhe patenteiam e a decepção que lhe causa a rapacidade dos que entre si partilham os bens por ele deixados o esclarece acerca daqueles sentimentos. Chegará, porém, a vez dos que lhe motivam essa decepção.”
329. O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura?
“É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.”
Paciência - Lenine | LETRA3. A associação poética com o nome de batismo
É impossível falar de "lenitivo" e canção popular sem pensar na figura de Lenine. Embora o nome do cantor pernambucano seja uma homenagem direta ao líder político russo Vladimir Lenin, a sonoridade de seu nome evoca imediatamente os verbos lenir e o adjetivo lenitivo.
Essa coincidência poética se reflete perfeitamente na sua obra. Músicas como "Paciência" (onde ele canta "mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma...") funcionam exatamente como um lenitivo para a velocidade e o caos do mundo moderno.
Uma mulher, uma loira e os mortos que ainda tocam
Música, poesia, memória e democracia para passar a régua — sem jamais fechar a conta
E agora podemos, enfim, passar a régua.
Mas não fechar a conta.
Porque certas contas — sobretudo as da música — continuam abertas depois da morte dos seus autores. Talvez seja esse o único espiritismo em que vale acreditar: aquele em que os mortos voltam não para assombrar os vivos, mas para serem novamente interpretados.
Imagine-se a cena.
No escuro, um violão.
A voz de uma mulher gaúcha.
E Una Mujer reaparece.
Não é Agustín Lara, como a memória apressada poderia sugerir. A canção vem de outro lugar, e justamente por isso a viagem fica ainda mais extraordinária. Paul Misraki, nascido em Constantinopla, em família judaica, tornou-se em Paris compositor, pianista e arranjador ligado ao jazz e à canção francesa. Sua obra atravessou França, América do Sul, Estados Unidos e cinema.
A canção atravessou ainda outra fronteira quando João Gilberto a gravou em João, de 1991, ao lado de um repertório que misturava samba, bolero, música italiana, Cole Porter, Noel Rosa e Charles Trenet.
E então, décadas depois, aparece Adriana Calcanhotto.
A loira gaúcha.
O violão.
A voz.
E a canção volta a respirar.
Não como relíquia, mas como matéria contemporânea.
É aí que a história fica maior do que uma simples genealogia musical. Não estamos diante de uma brasileira copiando uma francesa, nem de uma gaúcha imitando um mexicano, nem de João Gilberto reproduzindo uma canção estrangeira. Estamos diante daquela coisa misteriosa que a música popular faz melhor do que qualquer tratado cultural: ela incorpora o estrangeiro até que ele deixe de ser estrangeiro.
Misraki atravessou o Atlântico. João Gilberto o trouxe para dentro da gramática da bossa. Adriana o devolveu ao mundo com outra respiração.
E, ao lado dessa mulher, pode perfeitamente surgir uma loira.
A Uma Loira de Hervê Cordovil — compositor mineiro, parceiro de Noel Rosa em canções como Triste Cuíca e Não Resta a Menor Dúvida.
E então a brincadeira fica séria.
Porque Cordovil também pertence a esse estranho clube dos compositores que parecem continuar compondo depois de mortos. Basta Noel Rosa entrar pela porta.
Não é preciso imaginar uma sessão espírita.
É só colocar o disco para tocar.
Noel chega primeiro.
Cordovil responde.
João Gilberto aparece com aquele violão que parece ter inventado uma nova maneira de fazer silêncio.
E, de repente, lá está Adriana Calcanhotto, sozinha com seu instrumento, retomando Una Mujer.
O próprio percurso de Adriana confirma essa vocação para fazer a tradição conversar com o presente: seu trabalho com poesia inclui Mário Quintana, e Quintana pertence às suas memórias de infância em Porto Alegre.
É aqui que o Rio Grande do Sul entra — não como folclore, mas como atitude.
Adriana não precisa vestir o gaúcho como fantasia regional. Não precisa de bombacha, chimarrão ou monumento. Seu gaúcho está em outra parte: na independência, na desconfiança diante do óbvio, na capacidade de atravessar o Brasil sem pedir autorização a nenhum centro cultural.
E talvez seja justamente aí que Mário Quintana reconheceria a sua conterrânea.
Quintana, o poeta que gostava de deslocar o mundo alguns centímetros para que pudéssemos enxergá-lo melhor. Adriana, a cantora que faz operação semelhante com as canções: desloca-as um pouco, troca-lhes a luz, devolve-as ao público como se fossem recém-descobertas.
Ela não precisa ser apenas a intérprete de uma tradição.
É uma de suas continuadoras.
E isso vale reconhecer também por sua trajetória como mulher, compositora, cantora, instrumentista, artista e cidadã que assumiu posições públicas e políticas. Mas o mais interessante talvez seja que sua obra nunca precisou escolher entre o local e o universal.
O gaúcho, nela, não fecha portas: abre janelas.
Por isso a cena final poderia ser esta:
Hervê Cordovil sentado ao piano.
Noel Rosa encostado no balcão.
João Gilberto, silencioso, afinando o violão.
Paul Misraki chegando de Paris — ou talvez de Constantinopla, ninguém sabe mais.
Agustín Lara passando pela porta — porque, afinal, ele não pode faltar a este cabaré.
E, no palco, Adriana.
Uma mulher.
Uma loira.
Uma gaúcha.
Cantando uma canção que não é mexicana, não é brasileira, não é francesa, não é argentina — e, justamente por isso, é de todos nós.
Talvez seja essa a verdadeira vida eterna.
Não a permanência do corpo, mas a possibilidade de uma voz encontrar outra voz muitos anos depois. Um verso encontrar outro século. Um violão encontrar outro ouvido. Uma canção atravessar fronteiras, governos, modas, ideologias e mortes sem perder a capacidade de nos reunir.
Os mortos continuam vivos quando alguém ainda os canta.
Os poetas continuam entre nós quando seus versos ainda conseguem abrir uma janela.
E a democracia também é isso: o direito de continuar ouvindo, reinterpretando, discordando, criando e cantando juntos.
Porque nenhuma cultura permanece viva se for transformada em monumento. Ela permanece viva quando pode ser reinventada.
E talvez por isso a música seja uma das formas mais bonitas de liberdade: ela não exige que os mortos concordem com os vivos. Basta que os vivos tenham liberdade para fazê-los cantar novamente.
Pode passar a régua.
A conta não fecha.
A música ficou devendo.
E é exatamente por isso que amanhã alguém ainda vai voltar para ouvi-la.
Música. Poesia. Memória. Democracia.
Porque celebrar a vida eterna é também celebrar aquilo que continua vivo em nós.
Para o Blogger: cole esse conteúdo na aba HTML do editor, não na aba “Escrever/Compor”. Ele não contém page-break, iframe, CSS externo ou elementos que normalmente provoquem quebra artificial de páginas. O texto fica em fluxo contínuo, como uma crônica de blog, e o próprio Blogger fará a adaptação para celular.
E o último movimento, acho que ficou no tom certo: não é um epitáfio para os artistas mortos; é justamente o contrário — é uma celebração de que eles continuam trabalhando entre nós toda vez que alguém abre um piano, pega um violão, lê um poema ou canta uma canção.
Adriana Calcanhotto - Una Mujer (Ao Vivo)Una MujerAdriana CalcanhottoPaixão e identidade feminina em “Una Mujer” de Adriana Calcanhotto
“Una Mujer”, interpretada por Adriana Calcanhotto, questiona e provoca os conceitos tradicionais de feminilidade ao afirmar que uma mulher que não se entrega ao amor não merece ser chamada de mulher. A letra utiliza comparações diretas, como “una flor que no da aroma” (uma flor que não exala perfume) e “una leña que no sabe arder” (uma lenha que não sabe queimar), para reforçar a ideia de que a essência feminina estaria ligada à capacidade de viver e expressar a paixão. O texto destaca qualidades como ser sonhadora, coquete e ardente, sugerindo que a entrega ao amor é vista como uma característica fundamental da mulher idealizada na canção.
A canção também traz a metáfora do “idioma mágico” da paixão, que só pode ser aprendido “con besos” (com beijos), indicando que o amor e o desejo são experiências sensoriais e intuitivas, não apenas racionais. Ao manter a letra original em espanhol, Adriana Calcanhotto demonstra respeito à obra e sua habilidade de transitar entre culturas musicais, valorizando a intensidade e a entrega sugeridas na letra. “Una Mujer” pode ser entendida tanto como uma celebração da paixão feminina quanto como uma provocação aos padrões sociais, questionando o que realmente define uma mulher e sugerindo uma crítica à repressão dos desejos e sentimentos.
Identidade feminina
Intensidade do amor
Crítica social-política
Composição: Misraki, Roos Georges.