sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

SOBRE HERÓIS E TUMBAS

FELIZ ANIVERSÁRIO! *** *** O Trenzinho do Caipira - Villa-Lobos ********************************** "É bom ser quem somos." ***
*** A SOCIABILIDADE DO HOMEM SIMPLES JOSÉ DE SOUZA MARTINS *** sexta-feira, 23 de dezembro de 2022 José de Souza Martins* - As instituições e seus heróis Eu & Fim de Semana / Valor Econômico A cerimônia de diplomação do presidente e do vice-presidente da República no TSE foi um rito de passagem e de reencontro do Brasil ferido com o Brasil civilizado Na calma própria da civilidade, no último dia 12 de dezembro tivemos a solene cerimônia de diplomação do presidente e do vice-presidente da República democraticamente eleitos em outubro para o próximo mandato presidencial. Mais uma vez, ganhou sentido a palavra sensata de José Gregori, que foi ministro da Justiça do governo FHC e embaixador do Brasil junto ao governo democrático de Portugal. Nos momentos de temor pelo futuro, em nossas conversas vespertinas na Academia Paulista de Letras, tem sido ele firme em nos lembrar que as instituições estão funcionando. A solenidade do dia 12 confirmou essa certeza do homem experimentado e prudente que ele é. Não por acaso e muito significativamente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes, foi o mais longamente aplaudido, de pé, pelo público presente. Um reconhecimento justo e necessário pela corajosa defesa do processo eleitoral, dele e de seus antecessores, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, contra os ataques sistemáticos da extrema direita reacionária, oportunista e antidemocrática. Esses são momentos em que pessoas personificam a sociedade inteira no que ela tem de melhor e mais significativo, em nome de todos aqueles identificados com ela. Por isso mesmo, guardiães de seus valores mais caros e decisivos, o nós que existe em todas as pessoas de bem. Aliás, não só os que têm CPF e RG. Em muitos de nossos povos indígenas, o verdadeiro nome tribal e identificador perfilha o mesmo todo de que fazem parte. Os suruí de Rondônia chamam-se a si mesmos de Paíter, que quer dizer nós. Várias outras tribos brasileiras têm autodenominações do mesmo tipo. O nós está no fundo de nossas raízes e de nossa identidade nacional. Mesmo quando tentam nos dividir e tentam mutilar a nossa alma indígena, como vem acontecendo. Esse nós grita dentro do nosso peito e fala através do voto democrático no despertar da consciência vigilante e preocupada. É bom ser quem somos. Com as diferenças de ideias próprias de uma Academia de Letras, vivemos, na APL, nestes quatro anos de tormentos e de incertezas, falando e ouvindo, e não raro silenciando para melhor ouvir, para ir polindo nosso entendimento dos fatores da tragédia brasileira. E, nela, as brechas do possível, o do retorno à missão cidadã de ampliar, aperfeiçoar e assegurar a democracia de que carecemos. José Renato Nalini, desembargador aposentado, que a presidiu durante esse tempo, assegurou a pluralidade das opiniões e dos pareceres, conciliou os opostos, relativizou as incertezas. Gabriel Chalita, sem alardear, teceu em fios de seda o encontro, em sua casa, de Lula com Geraldo Alckmin. Desbastou diferenças, convenceu-os da missão de ambos como qualificados cidadãos para aplainar o caminho do encontro do nós que nos roubaram no mais vil dos atos de corrupção política da história brasileira. É nesse sentido que a sessão do TSE foi um rito de passagem e de reencontro do Brasil ferido com o Brasil civilizado. Na Academia, a palavra preocupada de alguns foi o instrumento da consciência crítica do momento, a dos coadjuvantes de circunstância, algo que com as movimentações destes dias na constituição do novo governo deve ter ocorrido em muitos cantos do Brasil. Como na insurgência profética de pastores verdadeiramente evangélicos contra o satanismo da intolerância, que nos dois dias seguintes ao da eleição, articulados pelo pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista da Água Branca, debateram o tema da conciliação. Satanás penou. Os que Dom Hélder Câmara chamava de minorias proféticas ouviram o chamado democrático. Foi para muitíssimos o momento do exame de consciência para encontrar os fragmentos do destino e superar o desalento. Na Academia, Miguel Reale Júnior, que também foi ministro da Justiça do governo de FHC, várias vezes expôs suas inquietações em face do cenário de incertezas e de um futuro limitado a opções entre retrocessos. E nos ajudou ao ponderar sobre a proximidade do abismo. Todos supunham que a saída estava no centro e não nos extremos, um centro impossível, porque há muito ocupado e minado pelos abutres do oportunismo e do fisiologismo. Chalita tecera em silêncio os fios da convergência possível e superadora, como autor da obra de arte do retorno à democracia que começaria a ficar visível naquela cerimônia do TSE. Enquanto isso, no fim daquela tarde e no começo da noite, lá fora, os inimigos da pátria assediavam quartéis, queimavam carros e ônibus, tentavam invadir e minimizar instituições do Estado para supostamente tolher o destino do país. O governo cúmplice roncava no berço esplêndido de sua renúncia tácita. Os cães ladravam e a democracia passava. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge, e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, é autor de "As duas mortes de Francisca Júlia A Semana de Arte Moderna antes da semana" (Editora Unesp, 2022). ***********************************************
*** A Luva de Ouro é um prêmio criado pela FIFA para distinguir o melhor guarda-redes de uma Copa do Mundo.[1] 1 «Troféu Lev Yashin». Estadão.com.br. ***
*** BIOGRAFIA Lev Yashin: o Aranha Negra O Brasil teve Pelé, a Argentina Maradona e Messi, a França Justin Fontaine e Zidane, Portugal Eusébio e Cristiano Ronaldo, Peru Cubillas, a Hungria Puskás, a Alemanha Gerd Müller, a Inglaterra Charlton, a Holanda Cruijff. A missão de todos os grandes craques das principais seleções do mundo é fazer gols. Mas na Rússia, o grande nome da história do país tinha que fazer o contrário: evitá-los. Debaixo das traves, Lev Yashin era uma espécie de "o Pelé dos Goleiros". Era o "Aranha Negra", eleito por muitos como o melhor goleiro da história do futebol. *** Argentino Emiliano Martinez ganha prêmio Luva de Ouro da Copa do Mundo ***
*** Foto - Divulgação Seleção Argentina *** Emiliano Martinez foi eleito o Melhor Goleiro após a final da Copa do Mundo da FIFA Qatar 2022™, no Estádio Lusail. A Luva de Ouro adidas foi concedida pela oitava vez em uma Copa do Mundo. Entre o primeiro prêmio em 1994 até 2006, o prêmio levou o nome do lendário goleiro russo Lev Yashin. Desde 2010, o melhor goleiro passou a receber a Luva de Ouro adidas. Martinez foi destaque da Argentina ao longo de toda a competição e brilhou mais uma vez na decisão contra a França, com grandes defesas nos 120 minutos de jogo e, depois, parando uma cobrança de pênalti. A Copa de Martinez A classe individual de Messi, a vontade inesgotável da Argentina, as jogadas táticas de Scaloni – tudo isso foi destacado muitas vezes no caminho para o título mundial. Mas o que não se pode esquecer é o papel fundamental que Emiliano Martínez desempenhou no sucesso da Argentina na Copa do Mundo de 2022. Somente sua atuação nas quartas de final da Copa do Mundo contra a Holanda já é de se louvar. Dibu, como é conhecido na Argentina, se destacou em momentos-chave: houve as quartas de final contra a Holanda. No jogo emocionante, ele manteve a calma e defendeu os pênaltis de Virgil van Dijk e Steven Berghuis. Mais importante, porém, foi sua atuação na final contra a França – defendeu o pênalti de Coman e venceu o jogo dos nervos contra Tchouameni, que chutou para fora. Mas o jogador de 30 anos também pode contar com outros aspectos: salvou seu time de marcar um total de 34 vezes – e junto com Messi, a vontade da equipe e as táticas de Scaloni, é a razão pela qual a Argentina comemorou seu terceiro título da Copa do Mundo. (Conteúdo – Fifa) ******************************
*** Sobre heróis e tumbas Capa comum – 26 março 2002 Edição Português por Ernesto Sabato (Autor), Rosa Freire Aguiar (Tradutor) *** Lançado em 1961 e traduzido em vinte idiomas, Sobre heróis e tumbas é um romance magistral em que se cruzam três fios narrativos: a paixão devastadora de Martín por Alejandra, o nascimento traumático de uma nação e a história da Seita Sagrada dos Cegos, casta maléfica de poderes esotéricos e milhões de súditos no mundo todo. Martín tem dezessete anos e pavor das mulheres, até o dia em que conhece Alejandra. Ela é apenas um ano mais velha, porém já nasceu madura, caótica, torturada e tortuosa, louca talvez - como Fernando, que persegue furiosamente a Seita dos Cegos. Um século antes, o general Juan Lavalle, herói da independência argentina, caçou com a mesma fúria o tirano Juan Manuel de Rosas e teve de bater em retirada rumo à Bolívia, para salvar a própria cabeça e os sobreviventes maltrapilhos de sua famosa Legião.Sabato decompõe o ciúme corrosivo de Martín e as pulsões incestuosas de Fernando, radiografa a demência da ilustre família Olmos e o ódio fratricida dos caudilhos na luta pela emancipação da pátria, interroga as mensagens mais obscuras do inconsciente, os sonhos e pesadelos, os mitos. O cenário é Buenos Aires, metrópole dos cafés literários e dos cortiços de imigrantes, dos bares de La Boca e dos torcedores do Boca, do peronismo ainda triunfante nos anos 50. Dessa viagem, o leitor não volta ileso. Mas terá descoberto que Ernesto Sabato é um escritor apaixonadamente humano e que o reverso de sua visão trágica do mundo é a metafísica da esperança.Nascido em 1911, Sabato doutorou-se em física e, no final da década de 40, quando se obteve a fissão do átomo de urânio, tornou-se pesquisador do Laboratório Curie, em Paris. Uma visão premonitória e apocalíptica da bomba atômica o fez abandonar a ciência e dedicar-se à literatura. https://www.amazon.com.br/Sobre-Her%C3%B3is-Tumbas-Ernesto-Sabato/dp/8535902279 ******************************************************************************** *** ATHENA - FILME 2022 - TRAILER LEGENDADO NETFLIX *** *** ATHENA directed by Romain Gavras | Official Trailer | Netflix *** Netflix 1.630.602 visualizações 24 de ago. de 2022 After the death of his youngest brother following an alleged police altercation, Abdel (Dali Benssalah) is called back from the frontline to find his family torn apart. Caught between his younger brother Karim's (Sami Slimane) desire for revenge and the criminal dealings of his older brother Moktar (Ouassini Embarek), he struggles to calm the rising tensions. As the situation escalates, their community ATHENA is transformed into a fortress under siege, becoming a scene of tragedy for both the family and beyond… For his third feature, director Romain Gavras delivers an immersive modern tragedy co-written by Ladj Ly and Elias Belkeddar. Starring: Dali Benssalah (Abdel), Sami Slimane (Karim), Anthony Bajon (Jérôme), Ouassini Embarek (Moktar), Alexis Manenti (Sébastien) ****************************************************************************************** *** Z , film de Costa Gavras 1969 *** Z (1969 film) Z is a 1969 Algerian-French political thriller film, directed by Costa-Gavras, with a screenplay by Gavras and Jorge Semprún, based on the 1966 novel of the same name by Vassilis Vassilikos. The film presents a thinly-fictionalized account of the events surrounding the assassination of the democratic Greek politician Grigoris Lambrakis in 1963. With its dark view of Greek politics and its downbeat ending, the film captures the director's outrage about the junta that then ruled Greece. The film stars Jean-Louis Trintignant as the investigating magistrate, an analogue of Christos Sartzetakis, who would be the Greek president from 1985 to 1990. International stars Yves Montand and Irene Papas also appear but, despite their star billing have very little screen time. Jacques Perrin, who coproduced the film, plays a key role as a photojournalist. The film's title refers to a popular Greek protest slogan (Greek: Ζει, IPA: [ˈzi]) meaning "he lives," in reference to Lambrakis. It was the first film and one of only a handful to be nominated by the Academy Awards for both Best Picture and Best Foreign Language Film. It won the latter as well as the Jury Prize at the Cannes Film Festival, the BAFTA Award for Best Film Music and the Golden Globe Award for Best Foreign Film. At the 27th Golden Globe Awards, its producers refused the award to protest the film's exclusion from the Best Motion Picture – Drama category. https://www.youtube.com/watch?v=qq6ky_A0k0k **********************************************
*** Atena Atena era uma divindade da religiosidade grega que ficou conhecida como a deusa da sabedoria. Ela tinha forte ligação com a guerra, sendo representada usando armaduras. Atena era reconhecida como a deusa da sabedoria, considerada uma divindade habilidosa e guerreira pelos gregos antigos. Atena era reconhecida como a deusa da sabedoria, considerada uma divindade habilidosa e guerreira pelos gregos antigos. Atena era uma divindade dentre os vários deuses dos gregos, os quais estavam presentes em sua religiosidade. Ela era considerada a deusa da sabedoria, das habilidades e dos ofícios, da guerra defensiva etc. Era reconhecida também como padroeira da tecelagem, da agricultura e da navegação, sendo ela mesma considerada uma grande tecelã. Atena era filha de Zeus, sendo que existem diferentes versões a respeito de seu nascimento, porém ela ficou marcada por ter nascido ao sair da cabeça de seu pai. Diversos mitos gregos narram suas histórias, sendo que ela participou ativamente da Guerra de Troia e apoiou Herácles e Perseu em suas aventuras. Veja também: Afrodite — a deusa tida como padrão de beleza para os gregos antigos Tópicos deste artigo 1 - Resumo sobre Atena 2 - Quem era a deusa Atena? 3 - Qual é a origem da deusa Atena? 4 - Como era o culto prestado a Atena? 5 - Videoaula sobre o legado cultural grego Resumo sobre Atena Atena era conhecida como deusa da sabedoria, das habilidades e dos ofícios, da guerra defensiva, entre outros atributos. Era filha de Zeus, e existem diferentes versões sobre o seu nascimento. Em todas elas, Atena nasceu ao sair da cabeça desse deus. Era conhecida por ser a padroeira da tecelagem e reconhecida como uma grande tecelã. Participou ativamente da Guerra de Troia, estando do lado dos aqueus e do herói Aquiles. Era a padroeira da cidade de Atenas, onde havia um templo e uma estátua em sua homenagem. Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) Quem era a deusa Atena? conflito.um da guerra defensiva, isto é, dos soldados que apenas se defendiam em também das habilidades e dos ofícios e bem comodeusa da sabedoria, a Os gregos a consideravam . grega da religiosidade divindadesuma das principais o panteão de deuses dos gregos antigos, sendo d uma deusa eraAtena Por ser a deusa das habilidades e dos ofícios, era considerada padroeira de atividades como a agricultura, a navegação e a tecelagem. Em razão de seus atributos, era tida como uma deusa sábia e guerreira, sendo que suas vestimentas eram uma armadura de guerra. Outra característica muito importante de Atena, destacada pelos gregos antigos, era o fato de que ela se manteve virgem. Atena era conhecida como uma deusa habilidosa, sendo que um de seus grandes talentos era a tecelagem, de modo que ela era considerada a melhor tecelã de todas. Uma passagem da mitologia grega narra uma ocasião em que as habilidades da deusa foram desafiadas por uma jovem mortal. Esse desafio partiu de uma tecelã chamada Aracne. Atena tentou convencer Aracne a não desafiá-la, mas a vaidade de Aracne fez com que ela mantivesse o desafio. Atena não gostou nem um pouco de ser desafiada e, durante o desafio, ela destruiu uma peça produzida pela mortal, o que envergonhou a jovem e fez com que ela tentasse se enforcar. Atena não permitiu que isso acontecesse, resgatando Aracne e a transformando em uma aranha. Além disso, Atena ficou marcada por ter sido a deusa responsável por punir Medusa, em uma das versões de seu mito. Nesso mito, Medusa era uma mortal reconhecida por ser muito bonita. Ela era sacerdotisa em um templo de Atena. Medusa teria profanado o templo ao manter relações sexuais com Poseidon no interior do local. O ato teria enfurecido Atena, que decidiu transformar Medusa em uma górgona, um ser monstruoso e feroz que transformava em pedra todos os que olhavam diretamente para ela. Outras versões do mito apontam que Medusa teria sido estuprada por Poseidon e, mesmo assim, foi punida por Atena. Essa deusa ficou marcada pela sua atuação relevante na Guerra de Troia, de acordo com o poema épico denominado Ilíada, escrito por Homero. Nessa guerra, Atena foi aliada dos aqueus, portanto inimiga dos troianos. Ela protegeu principalmente Aquiles, um dos heróis que lutaram nesse conflito. A ideia do cavalo de madeira (conhecido popularmente como Cavalo de Troia) teria sido uma inspiração que Atena obteve de Odisseu, outro importante personagem dessa batalha. A deusa também auxiliou outros heróis, como Herácles, durante os seus 12 trabalhos, e Perseu, durante sua missão para matar Medusa. Confira nosso podcast: E se os gregos não tivessem existido? Qual é a origem da deusa Atena? Na mitologia grega, existem duas versões para narrar o nascimento de Atena. Uma das versões fala que Atena era filha de Zeus com Métis, deusa da saúde e da prudência, sendo que Métis ficou conhecida como a primeira esposa de Zeus. Depois que Métis engravidou, Gaia (personificação da Terra) teria avisado Zeus que seu filho poderia se voltar contra ele. Isso perturbou Zeus, pois ele tinha feito isso contra seu pai, Cronos. Assim, Zeus decidiu enganar Métis e a engoliu por inteiro, mas a deusa conseguiu dar à luz dentro de Zeus. Atena teria nascido ao sair da cabeça de seu pai já em sua forma adulta e munida de sua armadura e armas. Outra versão apresenta a deusa como filha exclusivamente de Zeus. Fala-se que antes do nascimento de Atena, Zeus teria sentido dores de cabeça terríveis, o que fez com que Hefesto, deus da metalurgia, abrisse a cabeça do deus supremo com um machado. Atena teria nascido depois disso. Desse modo, em ambas as versões, Atena nasceu da cabeça de Zeus. Como era o culto prestado a Atena? A deusa Atena tinha forte relação com a cidade de Atenas, como o próprio nome já sugere. Ela também era a deusa padroeira de toda a Ática, região onde ficava a cidade de Atenas, sendo também importante para cidades de outras localidades da Grécia Antiga. No século VIII a.C., foram realizadas as primeiras menções escritas dessa deusa. Nesse período, o culto a ela já era bem estabelecido em toda a Grécia. ***
*** Templo Parthenon na colina da Acrópole, em Atenas, na Grécia. *** O Parthenon, templo feito em homenagem a Atena, foi construído no século V a.C. Ela também era conhecida como protetora das cidades e, por isso, era muito respeitada em outras localidades, como Lárissa e Esparta. Além disso, existiam templos construídos em homenagem à deusa, sendo que o mais conhecido deles era o Parthenon, localizado em Atenas e construído no século V a.C. Ademais, no interior do Parthenon havia uma estátua de 12 metros de altura feita em sua homenagem, construída com marfim e possuindo partes de ouro. O construtor dessa estátua foi um escultor chamado Fídias. Por fim, vale citar que uma série de festivais religiosos em celebração a Atena eram realizados na Grécia Antiga. Videoaula sobre o legado cultural grego *** *** Vídeos Por Daniel Neves Silva Professor de História https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/atenas.htm *******************************************************

domingo, 18 de dezembro de 2022

TANGO E FUTEBOL

*** "A Argentina venceu a França nos pênaltis e se sagrou tricampeã da Copa do Mundo de 2022 no Catar. E o título dos sul-americanos conseguiram uma marca surpreendente nas redes sociais: a foto de Lionel Messi levantando a taça precisou de apenas 9 minutos para atingir a marca de 100 mil curtidas. A foto foi postada pela conta oficial da Copa do Mundo. Nela, o capitão da seleção argentina, Lionel Messi, ao lado de seus companheiros, ergue pela primeira vez o troféu de campeão mundial conquistado após a vitória da Argentina na decisão por pênaltis. Messi também foi eleito o melhor jogador do torneio." https://olhardigital.com.br/2022/12/18/internet-e-redes-sociais/foto-de-messi-levantando-a-taca-da-copa-de-2022-atinge-marca-impressionante-no-twitter/ ****************************************************************** Fútbol tan nacional como nuestro tango *** *** Tango and Soccer ( Fútbol tan nacional como nuestro tango) *** Wu Michael Compartilhar 4 de jul. de 2010 A commercial that integrates tango and soccer, the two biggest passions in Argentina. The commercial was conceived by Topper to unite the Argentinians in view of the 2010 World Cup in South Africa. Música MÚSICA Quejas De Bandoneón (Instrumental) ARTISTA Aníbal Troilo ÁLBUM Quejas De Bandoneón https://www.youtube.com/watch?v=5jyfTYD4CPM *************************************************
*** Capitão da Seleção Brasileira, Bellini, do Vasco, ergue a taça Jules Rimet em 1958 Fonte: GloboEsporte.com (texto), Reprodução internet (foto) ***
*** domingo, 18 de dezembro de 2022 Luiz Sérgio Henriques* - O reacionarismo de massas em questão O Estado de S. Paulo. Ainda cabe reafirmar neste início de governo a necessidade de uma plataforma unitária que de novo conjugue esquerda e liberais – na economia e na política Daqui por diante e pelos próximos anos, a democracia brasileira tem um desafio incontornável pela frente, a saber, o de esvaziar a extraordinária dimensão de massas que adquiriu entre nós a direita autocrática. Dezenas de milhões de cidadãos, sem obviamente serem fascistas ou coisa que o valha, deram por duas vezes seguidas consentimento – em eleições inquestionáveis – a um programa de natureza autoritária, num tempo em que o autoritarismo, especialmente o de ultradireita, tem mostrado por toda parte uma inclinação acentuadamente destrutiva. Fraco consolo o de saber que não estivemos nem estamos sós neste movimento globalmente regressivo. As dificuldades das democracias ocidentais superam fronteiras e se entrelaçam de múltiplas maneiras, mostrando em cada canto suas particularidades. Não temos ainda, por exemplo, o drama da imigração massiva, o que nos poupa de fantasmagorias como o medo da “grande substituição” de populações brancas e cristãs por gente pobre de origem étnica e fé religiosa diferentes. Mas por aqui andou, já na posse presidencial de 2019, o húngaro Viktor Orbán, um dos paladinos deste tipo de xenofobia que vicissitudes quase insondáveis, neste mundo de ponta-cabeça, transformaram em guia da recessão democrática. Laços evidentes unem o reacionarismo brasileiro e o norte-americano. Admitamos que a vitória de Trump em 2016 tenha favorecido de algum modo a de Bolsonaro em 2018, quando menos por ressaltar a potência aparente de um Zeitgeist propício à demagogia populista. Se há um elemento especulativo em tal afirmação, mais plausível será afirmar que, tivesse Trump confirmado o segundo mandato, a casamata bolsonarista estaria mais bem defendida na recente eleição. Bolsonaro tem uma relação de canibalização com os partidos a que adere, enquanto Trump parece ter capturado a alma de um dos dois grandes partidos nacionais. Feita a ressalva, lá como aqui há milhões de eleitores desafeiçoados à democracia e à ideia de alternância – e eventualmente dispostos a uma mobilização perigosamente antissistêmica. Sofremos o impacto dos maus ventos externos, mas antes de mais nada temos de nos haver com os nossos próprios males. Eles claramente mudaram de qualidade em 2018, quando, pela primeira vez desde a Nova República, um aspirante a autocrata passou a testar sistematicamente os limites escritos e não escritos da Constituição. Tratou-se de fato inédito, que fez com que se reunissem lado a lado, numa mesma trincheira, forças e personalidades que, entre outras coisas, dividiram-se acerbamente por ocasião do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Valha por todos o nome de Alexandre de Moraes, político em 2015, magistrado desde 2017, defensor indiscutível da legalidade democrática em conjuntura tempestuosa e ainda em aberto. A união de forças heterogêneas reatualizou a política de frente mais além das fronteiras da esquerda em sentido estrito. Um primeiro indício, ainda simbólico, foi a formação da chapa presidencial, demonstrando retrospectivamente a inexistência de uma muralha da China entre o líder petista e um tucano de origem controlada. Se quisermos generalizar, a história da redemocratização não pode ser contada sem a aliança do centro e da esquerda, a que se associaram os dissidentes do regime ditatorial, em nome da superação legalista e constitucional deste mesmo regime. Esta, a forma clássica de isolar e retirar a base de sustentação de um adversário comum. Bem verdade que o PT muitas vezes se pôs à margem daquela conexão, ocupado que estava com a definição da própria fisionomia. Daí para o surgimento de uma espécie de “patriotismo de partido”, duro de morrer, foi só um pulo. Agora, sinais negativos à parte, ainda cabe reafirmar neste início de governo a necessidade de uma plataforma unitária que de novo conjugue esquerda e liberais – na economia e na política. A formação de um governo frentista orientado por um programa comum teria impacto positivo nos hábitos e costumes pátrios, regenerando-os gradativamente em vários sentidos. Por si só, não levaria ao esvaziamento da extrema direita subversiva, mas seria um passo na direção correta, inserindo elementos de tolerância e cooperação entre os partidos de governo, assim como entre estes e os que se dispuserem a constituir a indispensável oposição democrática. A retirada do apoio de massas ao extremismo supõe um sistema partidário articulado que exclua a lógica binária entre esquerda e (extrema) direita, amigos e inimigos, uma lógica que imobiliza a imaginação e não faz jus à complexidade do País, para não dizer que literalmente impede qualquer hipótese mudancista. É certo dizer que aquele sistema não existe e, portanto, seguimos privados de uma das mais eficientes barreiras de contenção do extremismo. Não menos certo, porém, é que muita coisa agora depende de palavras e ações da esquerda no poder, da sua capacidade de lançar pontes e fazer alianças, diminuindo as razões, ou desrazões, que levaram tantos a escolher a regressão e, em alguns poucos casos, até a violência política. *Tradutor e ensaísta, é um dos organizadores das obras de Gramsci no Brasil ***********************************************************************************
*** domingo, 18 de dezembro de 2022 Paulo Fábio Dantas Neto* - Lula e os atalhos que retardam e embaraçam Faço um pedido aos leitores que pode ser antipático, talvez presunçoso. O de que, se tiverem tempo e disposição, leiam ou releiam, como introito ao de hoje, os três artigos imediatamente anteriores desta coluna, todos, como o atual, dedicados ao atual contexto de transição pós-eleitoral a uma nova etapa da vida política nacional. É que me vejo no risco de repetir coisas já ditas nos últimos quarenta dias, tornando o enredo demasiadamente longo. Para quem não seguir a sugestão, resumo, para propor um fio de meada, o foco de cada um dos três artigos, mas sem retornar a todos os argumentos e evidências que neles procurei reunir. Em “Frente ampla, transição, futuro governo: Lula segura as rédeas", de 12 de novembro, comentei que, passada a primeira semana após a eleição, Lula dava surpreendente freio de desarrumação num processo político que então prometia ser benigno. A retórica populista evocou um fantasma ideológico, o “tal do mercado” e, com isso, desdenhou uma “vontade geral” de cooperar, que então incluía agentes e estudiosos da economia e contaminava lideranças políticas de vários quilates, partidos dos mais diversos matizes, cujos interesses e ambições estavam sendo processados dentro da premissa, aceita por todos, da prioridade à emergência social para impedir um estelionato eleitoral. Na época do artigo mencionado, a boa vontade geral dava, ainda, ao presidente eleito, o benefício da dúvida. Sua fala poderia ter sido incontinência verbal compreendida como fruto de uma emoção de momento. Hoje, quarenta dias após aquele freio de desarrumação, “mercado” é nome-fantasia evocado com frequência para designar posições do centro liberal-democrático em matéria econômica. Esse aliado tático contra a extrema-direita é assim desqualificado como aliado prático e construído como adversário estratégico. Evito discutir se o efeito da conduta é intencional ou se resulta de erro. Mas é fato que impede, até aqui, um acordo político abrangente e transparente, pragmático e programático, que poderia levar a um governo de coalizão, com poder institucionalmente regulado e politicamente compartilhado. O presidente eleito e agora já diplomado ocupou ali o vértice de um processo que ele próprio tornara conflitivo. Dava o primeiro sinal concreto de que o Lula que se preparava para governar era o do primeiro turno da eleição, não aquele insinuado pela campanha do segundo turno. Tal sinal foi assim captado no artigo mencionado: “a mão visível do ator principal instala um contencioso em cima de uma não questão. Volta-se à reta final do primeiro turno e o que estava irresolvido, mas andando, parece voltar à estaca zero”. O processo seguiu seu curso sob a égide de uma PEC maximalista. Além de desdenhar os aliados do segundo turno na definição de diretrizes da transição e do novo governo, o partido e o campo político do presidente eleito propuseram ao Congresso uma PEC – opção já em si politicamente custosa, pelo alto quórum necessário para aprová-la – de conteúdo ambicioso e difícil aceitação nas condições concretas da situação financeira da União. Em “Sentido e limites da transição e da transigência”, de 19 de novembro, transmiti preocupações com o custo de uma escolha política como aquela, tanto para o equilíbrio orçamentário do Estado, como para a qualidade das relações políticas entre Executivo e Legislativo. Elas requerem mudança significativa de objetivos e de métodos, após a promiscuidade imperante durante os dois anos finais do governo atual. O maximalismo da PEC induz a barganhas ainda mais vultosas, para corresponderem à ambição da proposta e, com isso, estimula a ampliação de práticas intransparentes, cujo maior emblema vem sendo o orçamento secreto. Diante da magnitude da aposta da PEC, havia no horizonte o risco de ele ser legitimado, ou até mesmo constitucionalizado, pela negociação. Apesar do aumento da apreensão, o tom do artigo ainda era de indagação. A articulação política do novo governo apostaria na interdição judicial do orçamento secreto, cozinhando Arthur Lira em banho-maria ou “num entendimento e numa negociação política em bases mais razoáveis, com atores institucionalmente mais responsáveis, em especial partidos políticos?” (..) A escolha posta como questão na referida análise é sobre quem seria o interlocutor preferencial de Lula: se o campo liberal, defensor de limites de natureza fiscal, ou a turma do dito centrão, com seu saco de bondades. A escolha expressaria a diferença entre uma política de coalizão e uma de captação e cooptação. Procurei, inclusive, mensurar as possibilidades de haver, no Senado e na Câmara, espaço para essa escolha. Com base nesses dados, opinei que havia espaço, sim, contra afirmações de fontes da transição de que seria compulsório tratar Lira não só como interlocutor inicial, mas como preferencial, único capaz de garantir ao novo governo recursos emergenciais para a emergência social. E concluía que “a rota segura parece ser apostar fundo numa negociação consistente no Senado, que ligue o varejo a um pacto partidário e previna resvalo para más práticas políticas na Câmara”. Isso requeria autocontenção do PT e seus tradicionais parceiros na esquerda diante do fato de que Lula governará um país cujo eleitorado é majoritariamente conservador. Por isso, imperativo é a coalizão. E preocupante ver que não se caminha para ela, mas para um governo cujos pilares simbólicos tendem a ser a crença no carisma do líder e na mística do PT. Duas apostas de difícil êxito se se tiver em conta o perfil atual do eleitorado brasileiro. Essa consciência realista nunca esteve ausente em falas moderadas paralelas, emitidas também de dentro da equipe de transição, como a do vice-presidente eleito - que formalmente a coordena - e mesmo as de alguns próceres petistas. O paralelismo de falas em direções distintas e a demora de atos concretos que fossem além da retórica para dissolver apreensões (ainda não havia começado a divulgação de nomes do futuro governo) motivou, duas semanas depois, um terceiro artigo da coluna sobre o mesmo assunto. Em “A política voltou, a moderação ainda não”, de 3 de dezembro, quando já haviam se passado quatro semanas de transição, o foco do novo governo seguia sendo a aprovação da sua PEC, interpretada como caminho único. Uma discussão de meios foi artificialmente assumida como questão de princípio. O formato da PEC e seu conteúdo vendidos como imperativos das urnas, a configurarem compromissos eleitorais indeclináveis, quando o que era na verdade indeclinável poderia ser atendido por distintas vias. Cada vez mais vozes abalizadas vinham a público dizer que para cumprir seus compromissos eleitorais o governo não precisava de uma PEC. Aos poucos foi se erodindo, no debate público, o consenso quase automático inicialmente dado em torno da narrativa dos articuladores do presidente eleito. O artigo mencionado acima analisou dois argumentos substantivos da proposta maximalista: a urgência da fome e a inviabilidade proposta de Lei orçamentária (LOA) enviada ao Congresso pelo atual governo e os classificou como duas meias verdades. Afirmando como fato que a fome e a situação de miséria de muitos brasileiros são, sim, uma prioridade emergencial, acima de qualquer outra, no entanto, lembrou que 105 dos 175 bilhões necessários ao financiamento [do Programa Bolsa Família] estão contemplados no projeto de LOA e indagou por que retirá-los para tê-los fora do orçamento. Quanto ao projeto de LOA, seu caráter problemático não anula que “não há até aqui clareza sobre o montante das lacunas emergenciais que os cortes e manipulações causaram”. A ignorância pública sobre as lacunas provinha - e ainda hoje provém – do fato de que críticas recorrentes sobre a LOA não são acompanhadas de explicitação quantitativa dos impactos negativos concretos da irresponsabilidade do governo atual sobre as rubricas orçamentárias. Decisões sobre prioridades de mudanças no projeto ainda não foram discutidas formalmente no Congresso e são desconhecidas do público. No artigo de duas semanas atrás, este colunista comentava que a equipe de transição já havia gasto com a negociação da PEC semanas que poderiam ser usadas para avaliar o projeto de LOA e negociar mudanças e ampliação extraordinária do teto de gastos não só para o Bolsa Família como também para cobrir as lacunas identificadas. No início de dezembro, assim como hoje, não cabia julgar intenções, mas constatar um cronograma político confuso, baseado numa PEC que, tendo a ambição que tem, só teria chance de passar como está num congresso de companheiros, o que não é o caso”. Por isso estimava que “a duas semanas do recesso é quase certo não haver mais tempo hábil para a discussão mais substantiva sobre quais alterações fazer no projeto de LOA (...) A intransparência será o outro lado da moeda do improviso”. Agora, passadas mais duas semanas, os tempos dos verbos já precisam mudar de futuro para passado e presente. Inexistiu discussão substantiva da LOA e a imprevisibilidade da cirurgia a que se vai submetê-la já é fato consumado. O tempo hábil para tal discussão acabou e só há tempo para o improviso. E a PEC – em nome da qual tudo o mais se postergou – foi aprovada com folga e algumas alterações no Senado, mas está emperrada na Câmara. Compreender como e por que isso está se dando é o desdobramento que se apresenta para a continuidade da análise do mesmo processo político. O sentido dessa discussão não é o receio de que o processo fique insolúvel. Pela política vai acabar saindo alguma solução. O sentido é avaliar os teores de oxigênio e gás carbônico que se acumulam do novo ambiente político. Recoloco, neste ponto, os dois prováveis equívocos estratégicos principais, que a meu ver foram, primeiro, desvalorizar (ou não levar na devida conta) o amplo arco de apoios formado em torno de Lula na reta final do segundo turno e ampliado ainda mais, logo após a vitória; segundo (e em conexão lógica com o primeiro), a opção e posterior insistência na forma e conteúdo da PEC. O primeiro equivoco deu mais força a Artur Lira do que aquela que ele efetivamente possuía e que já não era pouca. O segundo equívoco tornou o presidente eleito refém de uma negociação que transcende a PEC, ao estimular o apetite fisiológico de parlamentares de embutir jabotis explosivos na conversa e ao envolver, sem necessidade, a própria montagem do governo num diálogo com uma Câmara em fim de Legislatura. O reforço ainda maior da posição de barganha de Lira dá-se porque, na medida em que entendimentos com presidentes de partidos recém-aliados como Baleia Rossi, do MDB, Gilberto Kassab, do PSD e Carlos Luppi, do PDT (citei apenas os maiores) e mesmo com partidos mais próximos, como PSB, PCdoB e PSOL foram postergados por semanas enquanto Lula e seus porta-vozes abriam negociações com o presidente da Câmara. O raciocínio pragmático óbvio que passa a imperar entre parlamentares das bancadas desses partidos é que sob a batuta de Lira aumentam suas chances de obter espaço no futuro governo. O resultado é Lira apresentar-se como líder de uma centena e meia de deputados, muitos dos quais já poderiam estar na base governista se Lula concedesse prioridade e anterioridade ao objetivo de armar uma coalizão de fato e já partir com ela para a negociação com Lira, numa conversa mais reta e plenamente possível, na medida em que, na coalizão com os partidos da base, ficasse patente e fora de barganha o apoio de todos à reeleição do presidente da Casa. Mas a terceirização adicional da barganha em torno de outros temas - como a PEC e a montagem do governo - em favor de um político até ontem adversário e que preside outro Poder foi imprudência cuja explicação pode estar nos objetivos de Lula, tema sempre sob penumbra. Mais uma vez a explicação da complicação do jogo oscila entre intenção e erro. Além da imprudência tática (ou de objetivo tático alternativo ao de montar governo de coalizão) pode-se notar um equívoco estratégico, que é privilegiar parlamentares individualmente, ou mesmo bancadas, em relação a partidos numa quadra de reestruturação da política brasileira em que direções partidárias adquirem – por razões que não vêm ao caso aqui – um papel de maior protagonismo. Já o papel dificultador que a forma e o conteúdo da PEC vêm tendo sobre a organização e a orientação da base do futuro governo só agrava o problema criado com o arredamento dos partidos. Cedendo menos do que poderia ter cedido na negociação mais límpida ocorrida no Senado, o futuro governo passou a se entender com a Câmara montado numa proposta com vários fios esgarçados. As críticas que partem de personalidades e setores ligados, acadêmica ou operativamente, ao campo da economia reduzem os custos políticos de quem deseja se opor ou ao menos desidratar bastante a PEC na Câmara, incluída aí a futura oposição de direita, bolsonarista ou moderada. Ouvir um pouco mais os conselhos de senadores experientes e de espirito público, como Jose Serra, Tasso Jereissati e Simone Tebet poderia ter livrado os articuladores do futuro governo de certos constrangimentos na Câmara. O alerta de Serra foi preciso quando escreveu que a escolha preferencial pela interlocução com a liderança mais conservadora do Congresso, negociando com ela antes de se entender objetivamente sobre o mérito da coisa com qualquer outra força, daria dor de cabeça ao futuro governo. De fato, durante essa última semana, com o emperramento da PEC na Câmara, instalou-se uma sensação de que estamos entrando numa roleta russa que será decidida a favor de quem for mais esperto, se Lula ou Lira. Dá para ver que os dias mais recentes foram mais adversos para os planos de Artur Lira, graças à intervenção de terceiros atores como o STF, o presidente do Senado e segmentos da sociedade civil no desarmamento de dois petardos desqualificadores da política, armados nos setores mais fisiológicos da Câmara, em relação aos quais o presidente eleito teve conduta entre a ambiguidade e a cumplicidade. Ambiguidade quanto ao orçamento secreto, cuja sobrevivência ganhava espaço com a justificativa de que seria uma concessão inevitável dentro da lógica de que vale (quase) tudo pela PEC. Isso, entretanto, sem descartar que Lula estivesse ganhando tempo à espera da mão salvadora de Rosa Weber. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, movimentos concatenados entre o STF e o presidente do Senado fizeram com que um sólido voto da ministra ganhasse apoio suficiente para ameaçar os planos de Lira e um adiamento da decisão por alguns dias deixando pendentes os votos de dois de seus mais experientes colegas desse tempo a que Pacheco articulasse no Senado uma Resolução que abandona o essencial do orçamento secreto sem, contudo, dar de presente ao governo Lula 3 a simples anulação, que lhe devolveria o controle do orçamento em bases de uma volta ao status quo da época dos lulas 1 e 2. A votação de sexta-feira no Senado deve levar a votos conciliadores de Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes no STF. Com isso vai embora boa parte da intransparência mas preserva-se influência forte do Legislativo, uma mudança da década passada nas regras do processo orçamentário, que veio para ficar. No outro tema explosivo – o desvirtuamento da Lei das estatais – a cumplicidade flagrante das partes, no caso, a atual cúpula da Câmara e o futuro chefe do Poder Executivo, produziu resultado legislativo instantâneo, mas o suposto sucesso da conspiração não durou 24 horas. A difusa, intensa e negativa repercussão na opinião pública logo mobilizou a bancada do partido de Lula no Senado para desfazer o que a da Câmara havia feito sob bençãos do presidente eleito, a batuta de Lira e em articulação ecumênica com quase todas as demais bancadas. No Senado o PT entrou em sinergia com bancadas relevantes do centro, como as do MDB e PSDB e, juntas, respaldaram a atitude do presidente Pacheco que, também nesse episódio, agiu na contramão de Lira, jogando para diante – espera-se que para as calendas – uma matéria que seria um seríssimo retrocesso numa reconstrução institucional. A Lei das estatais é obra de elite política concreta, inspiração de um centro democrático que parecia ter se formado, como algo sólido, logo após o impeachment de Dilma Rousseff. Como se sabe, essa expectativa mais geral não se confirmou, mas no caso do tratamento das estatais, Governo e Congresso fizeram, em 2016, a coisa certa, mesmo estando (ou porque estavam) sob fogo cerrado da antipolítica da Lava Jato. Essa lei foi um dos sinais de que se começava ali a reconstruir o que se havia desmoralizado. Uma obra de política republicana que sobreviveu à onda desinstitucionalizante do governo Bolsonaro. A partir da próxima semana (a última semana útil antes da posse de Lula) parece que serão criadas condições para afastar um terceiro problema embaraçoso para o presidente eleito, qual seja o aumento da influência de Artur Lira na montagem do governo. Os revezes da última semana podem levar, ou não, o poderoso deputado a pisar mais leve nos terrenos de outros atores políticos e a valorizar, enquanto é tempo, sua alta chance de reeleição, que se mantém. Assim como os entraves e sobressaltos das últimas semanas podem levar, ou não, Lula a montar, afinal, um governo de coalizão que mereça esse nome. O argumento do realismo político vem até aqui sendo mobilizado para justificar atalhos em vez de alianças, improvisos espertos em vez de soluções políticas e até uma eventual redução das relações Executivo/ Legislativo ao tipo de interação a que elas chegaram sob Bolsonaro. Tudo isso assentado na dupla falácia de que é inevitável ser assim e de que são recuos feitos em nome da PEC. Mudar essa rota argumentativa não é (apenas) uma questão moral. É questão de, em vez de perpetrar ou consentir agressão populista à política republicana em nome de uma "verdadeira" democracia voltada aos pobres, assumir a missão sistêmica de resolver o déficit de república que faz sofrer a nossa ampla democracia. Já diplomado, não dá para Lula se ater ao palanque, por mais que saibamos que descer dele plenamente é algo que não ocorrerá, por contrariar a sua “natureza”. Mas sempre é possível moderar os instintos. *Cientista político e professor da UFBa. ***************************************************
*** domingo, 18 de dezembro de 2022 Luiz Carlos Azedo - Lula não pode ter “ilusão de classe” nem errar demais Correio Braziliense Sem base social robusta, com apoio da ampla maioria, o que segura o governo na ordem democrática são as instituições, em particular o Congresso Houve um tempo em que a expressão “ilusão de classe” era um jargão da esquerda. Caiu em desuso porque estava relacionada à ideia de que o “ser operário” era a “classe geral”, historicamente destinada a libertar todos os explorados e oprimidos. Como a classe operária está em extinção, substituída por robôs e algoritmos, a expressão perdeu o sentido que tinha antes. Mas há muitas formas de ilusão. Uma delas é acreditar que a elite política e econômica do país e a classe média estão de bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e vão apoiar uma política de combate às desigualdades sociais, num país de passado escravocrata, que fez quase todos os ciclos de modernização de forma excludente e autoritária, exceto nos governos de Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso. Não estão satisfeitas — será preciso que o governo Lula dê certo. Entretanto, quem ganhou a eleição foi Lula. No jogo democrático, seu mandato vai até 2026. Apostar no fracasso do próximo governo, num cenário de profunda crise social e dificuldades econômicas, com uma oposição feroz liderada pelo presidente Jair Bolsonaro — quando 32% dos eleitores apoiam uma intervenção militar —, é um equívoco político monumental. O “quanto pior, melhor” leva água para o moinho da extrema direita, e não para o da chamada terceira via. Lula se beneficiou da polarização para derrotar Bolsonaro, porque a consciência democrática da sociedade decidiu o segundo turno das eleições a seu favor. Mas essa polarização não interessa mais à sociedade — a eleição já passou — nem ao novo governo. Só interessa à oposição, que explora os erros de Lula na montagem de sua equipe ministerial. Vamos falar francamente: existe um “conflito distributivo” no Brasil, no qual a sociedade transfere renda para o Estado (questão fiscal) e os pobres para os mais ricos (questão social), ao lado das desigualdades de gênero (principalmente a condição feminina) e do racismo estrutural (discriminação e preconceito contra o “povo preto”), que também impactam a renda das famílias. O que elegeu Lula foi a junção da questão social com a questão democrática (política), em detrimento da fiscal. Ou seja, uma disputa política na qual a parcela pobre da população — negros e mulheres majoritariamente, mas muito majoritariamente — confrontou a elite política e econômica do país, e a classe média — profissionais liberais e empreendedores, principalmente. Lula venceu com apoio dos assalariados e dos sem renda. Por isso mesmo, não pode perder esse apoio. Quando faz sua opção preferencial pelos pobres, define um rumo político para o governo e busca uma solução para o conflito, que não é possível no cenário atual. Ou retomamos o caminho do desenvolvimento e aumentamos a produção de riquezas, de maneira a enfrentar o problema das desigualdades, ou será impossível morder o bolso dos mais ricos e enriquecer a classe média emergente para ter seu apoio. O governo precisa ampliar sua sustentação social. Novo governo A concentração de poder nas mãos do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), coincide com a formação de uma “partidocracia” por meio de fusões e federações partidárias, que distanciará e provocará mais ojeriza aos políticos na sociedade. Esse é o caldo de cultura dos movimentos antissistema e do golpismo. Lula acertou mais do que errou na campanha eleitoral, mas está errando mais do que acerta na arquitetura de seu governo. Por exemplo: com 1,4 bilhão de habitantes, a China tem 26 ministérios; os Estados Unidos, com 337 milhões de habitantes, têm 15 departamentos executivos, que equivalem a ministérios; o Paquistão, com 234 milhões, tem 24 ministros; a Nigéria, com 216 milhões de habitantes, tem 28 ministérios e 48 ministros; e a Índia, com 1,4 bilhão de habitantes, 61 ministérios, o mais recente o da Ioga e Homeopatia. Lula está montando uma estrutura administrativa mais próxima dos modelos da Índia e da Nigéria, perto de 40 ministérios. O critério não é a qualidade e produtividade da gestão: é o arranjo e a acomodação políticas, mesmo que não aumente o número de cargos. Além disso, a conciliação com o orçamento secreto terá um custo político mais alto a longo prazo. Lula está cedendo à chantagem do Centrão quanto aos compromissos assumidos por Bolsonaro e não cumpridos. Cometeu o erro de comandar a condução política do seu governo antes da posse. Não precisava aumentar o teto de gastos por emenda constitucional, para garantir o Bolsa Família. Deveria deixar o fechamento das contas de 2022 para o atual governo, empurrar com a barriga a aprovação do Orçamento da União e resolver o problema dos R$ 600 do Bolsa Família, mais R$ 150 por criança até seis anos, por medida provisória, no primeiro dia de mandato. A Lei Orçamentária diz que o Executivo pode gastar até 1/12 por mês até a aprovação do Orçamento. ********************************
*** domingo, 18 de dezembro de 2022 Lourival Sant’Anna - Ataques à democracia O Estado de S. Paulo Nos anos 20, grupos excêntricos também mergulharam a política alemã na violência A invasão do Capitólio se tornou uma espécie de dia da marmota nas democracias ocidentais. O flagelo americano do dia 6 de janeiro de 2021 se repetiu três vezes nos últimos dias: na Alemanha, no Peru e no Brasil. Em todos os casos, a democracia venceu. Mas, o que a História nos ensina sobre o efeito de ataques às instituições democráticas no longo prazo? A Alemanha assistiu no dia 7 à maior operação de contraterrorismo desde a 2.ª Guerra. Três mil policiais cumpriram mandados em 150 endereços, resultando na prisão de 25 pessoas e investigação de mais de 50. Foram apreendidas armas, munição, explosivos, óculos de visão noturna e coletes à prova de bala. MONARQUIA. Os presos são acusados de conspirar para derrubar a república alemã e reinstalar a monarquia, que vigorou até 1918. Eles tinham uma lista de 18 pessoas para matar, incluindo o chanceler Olaf Scholz, a ministra das Relações Exteriores Annalena Bärbock e outros políticos e jornalistas. O plano era invadir o Parlamento, com a ajuda de uma ex-deputada do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD). Segundo os investigadores, dois terços dos suspeitos têm ligação com as Forças Armadas, sobretudo a reserva. O movimento, chamado Reichsbürger (Cidadãos do Império), conta com 21 mil seguidores, de acordo com o serviço de inteligência interna, BfV. VIOLÊNCIA. Em outubro de 2016, um integrante dos Reichsbürger fortemente armado em sua casa abriu fogo contra agentes das forças especiais que cumpriam um mandado para prendê-lo. Um agente foi morto. O movimento foi criado nos anos 80 por um ferroviário demitido que perdeu na Justiça o direito à aposentadoria de funcionário público e passou a propagar a tese de que a Alemanha é uma empresa a serviço dos aliados que a ocuparam em 1945. Durante a pandemia, ele cresceu, alimentado pela ideia de que as vacinas e lockdowns eram parte da conspiração dessa suposta empresa a serviço dos interesses americanos e europeus, para dominar os cidadãos e fazê-los de cobaias de laboratórios. NAZISMO. Alguns aderiram também à seita americana QAnon, para a qual Donald Trump é um anjo que veio libertar os americanos de uma suposta rede de prostituição infantil comandada pelos democratas. Para os Reichsbürger, Trump também salvaria a Alemanha do domínio americano. Nos anos 1920, a Alemanha mergulhou na violência política, propulsionada por grupos que pareciam tão excêntricos quanto esses. Enquanto os liberais reagiam para conter esses revisionistas, criou-se um ambiente de polarização que culminou na ascensão do nazismo na década seguinte. *****************
*** sábado, 17 de dezembro de 2022 Oscar Vilhena Vieira* - Democracia combatente Folha de S. Paulo Grupos reunidos em frente a quartéis não parecem conscientes de que estão cometendo um crime A democracia liberal é um regime político que se caracteriza pelo pluralismo e pela ampla esfera de proteção à liberdade de expressão e manifestação. Isso não significa, porém, que a democracia deva ser indiferente àqueles que contra ela conspiram. Da perspectiva jurídica, o maior desafio é estabelecer fronteiras objetivas entre as formas de manifestação protegidas pela Constituição e aquelas que podem ser legitimamente coibidas, especialmente quando estamos nos referindo a manifestações discursivas. A nova Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (lei 14.197/2021) inseriu no Código Penal brasileiro, em substituição à velha Lei de Segurança Nacional, diversas categorias jurídicas que impõem às instituições de aplicação da lei a defesa vigorosa da democracia em face de seus inimigos. Foram tipificadas a tentativa de "abolir o Estado democrático de Direito", o "golpe de Estado", caracterizado como tentativa de "depor... o governo legitimamente constituído", assim como a tentativa de "impedir ou perturbar a eleição ou a aferição de seu resultado". Nos três casos, não é necessário que o resultado seja consumado. A conduta criminosa só se concretizará, no entanto, se envolver emprego de "violência ou grave ameaça". Trata-se de uma exigência rigorosa por parte do legislador. A Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito também definiu como crime o ato de "incitar publicamente a animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os Poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade". Para não deixar dúvida sobre a submissão da nova lei ao robusto regime de proteção da liberdade de expressão e manifestação adotado pela Constituição de 1988, o legislador deixou expresso que "não constitui crime" contra as instituições democráticas "a manifestação crítica aos Poderes constitucionais" ou "a reivindicação de direitos... por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações...". Imagino que muitos daqueles que têm se reunido à frente dos quartéis, munidos de suas bandeiras e palavras de ordem, clamando por intervenção militar, para impedir a posse do presidente eleito, pedindo o fechamento do STF ou prisão de alguns de seus ministros, não têm consciência de que podem estar cometendo um crime. Creem sinceramente estar agindo dentro de suas esferas de liberdade de expressão e manifestação. De fato, todos têm o direito fundamental de expressar suas opiniões e críticas às instituições, ao resultado das eleições e mesmo expressar suas insatisfações com o sistema democrático, econômico ou social. Podem ir às ruas e reivindicar mudanças no sistema, mesmo que isso cause incômodos (dentro de determinadas balizas) ou que essas mudanças sejam consideradas ilegais. Os cidadãos não podem, no entanto, empregar violência ou grave ameaça contra as instituições democráticas. Da mesma forma, não podem incitar as Forças Armadas contra essas instituições. Importante que se diga que o crime de incitação se aplica tanto ao presidente da República como ao aposentado embandeirado de porta do quartel, passando pelo general de pijama ou pelo empresário radicalizado. A democracia combatente é uma postura necessária a ser assumida pelas instituições em momentos em que o regime democrático se veja ameaçado. Trata-se de uma tarefa delicada, que deve ser cumprida na mais absoluta conformidade com a lei. A leniência com grupos radicais, no entanto, tende a ser fatal para a democracia. *Professor da FGV Direito SP, mestre em direito pela Universidade Columbia (EUA) e doutor em ciência política pela USP. **********************************************
*** sábado, 17 de dezembro de 2022 João Gabriel de Lima* - A mão que rabisca um mapa O Estado de S. Paulo Livro mostra grupos organizados que pavimentaram o caminho para o atual presidente Um mapa de Brasília publicado no site do Estadão mostra os lugares onde extremistas que apoiam o presidente Jair Bolsonaro queimaram ônibus, explodiram carros e depredaram prédios – entre eles, a 5.ª delegacia da Polícia Civil. A navegação digital permite assistir aos vídeos que mostram os vândalos bolsonaristas em ação. São cenas de horror. É inevitável lembrar de outro mapa – este do Rio de Janeiro, rabiscado há mais de 30 anos, à mão. Nele, um militar desenha o sistema de abastecimento hidráulico da cidade, com destaque para a adutora do Guandu. Diante de uma repórter incrédula, ameaça colocar uma bomba na adutora caso uma reivindicação de reajuste salarial não fosse atendida. A repercussão da reportagem, publicada na revista Veja, atrapalhou os planos do militar. Um livro nos ajuda a entender o percurso entre o horror que não chegou a acontecer e o que tomou as ruas de Brasília: O ovo da serpente, da jornalista Consuelo Dieguez. É uma obra essencial, que entrevista bolsonaristas e mergulha nas entranhas do fenômeno. Consuelo mostra que o atual presidente não é produto apenas do universo paralelo das fake news. Vários grupos organizados pavimentaram seu caminho. “Eles viram em Bolsonaro o único que poderia derrotar o PT, e acharam que seria possível controlá-lo no governo”, diz Consuelo, entrevistada no minipodcast da semana. Entre esses grupos estão militares que se sentiram ameaçados com a Comissão da Verdade, pecuaristas amedrontados com o MST e evangélicos que se opunham a uma pauta mais liberal na área dos costumes. Bolsonaro, no entanto, mostrou que era – e ainda é – incontrolável. O livro conta que, durante a campanha eleitoral, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz ouviu de um historiador amigo: “Quem vai segurar esse doidão, esse cavalão?” Santos Cruz respondeu: “Eu vou segurar. Sou diferente de vocês, da esquerda, que não seguraram o doidão de vocês, o Lula”. Santos Cruz ocupou a Secretaria de Governo. Foi um dos primeiros a ser exonerado. Consuelo calcula que os bolsonaristas raiz somem uns 10% da população e que os extremistas que queimam ônibus sejam uma pequena fração disso. Trata-se de uma minoria – uma minoria perigosa. Bolsonaro, o indomável, não parece apto a controlá-la nem interessado. Como observou o Estadão em editorial, até incentiva seus apoiadores extremistas, ao avalizar as supostas razões para os atos de vandalismo. Talvez isso ocorra porque a mão que hoje segura a caneta presidencial é a mesma que, em 1987, rabiscou o mapa de um atentado a bomba. *Escritor, professor da Faap e doutorando em ciência política na Universidade de Lisboa *******************
*** sábado, 17 de dezembro de 2022 Marcus Pestana - A dinâmica política pós-2022 As eleições de 2022 determinaram uma nova correlação de forças. A eleição presidencial foi a mais apertada de todos os tempos, reforçando a polarização entre o petismo e seus aliados de esquerda e o bolsonarismo. Nas eleições parlamentares, a direita ampliou sua presença na Câmara e no Senado, mas não deverá ter comportamento monolítico. A estabilidade política para governar e fazer avançar a agenda dos desafios nacionais depende de formação de maioria parlamentar. Embora a proibição das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho tenham racionalizado o quadro de representação parlamentar, a fragmentação ainda é grande, dificultando a recuperação do chamado “presidencialismo de coalisão”. Lula tem grande experiência e habilidade política, acumuladas em seus dois mandatos anteriores e durante toda sua trajetória. Acompanhou de perto a crise do governo Dilma Rousseff e sabe que não conseguirá êxito na superação da crise sem maioria parlamentar. É natural que as forças que pretendem compor a base de sustentação parlamentar do novo governo queiram participar do Ministério e da administração. Lula, até a última quinta, havia anunciado apenas nomes ligados ao PT e seus aliados de esquerda. Aguarda o desenlace da votação da “PEC da Transição” e a definição sobre o “orçamento secreto”. A dinâmica política se dará, grosso modo, em torno de cinco vetores: o PT e a esquerda, o bolsonarismo e a direita, o centro democrático, o centro independente e o Centrão. O bolsonarismo, tudo indica, finalmente fará uma aposta numa construção partidária orgânica. As declarações do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, apontam para a estratégia de consolidar Bolsonaro como líder da oposição, mirando 2026. Mas os primeiros sinais revelam que o PP e os Republicanos não acompanharão este movimento. Também governadores como Tarcísio de Freitas, Zema e Ratinho Jr adotarão uma postura de distencionamento da polarização e convivência administrativa cooperativa com o Governo Federal. O Centrão, subtraído o PL, deve manter sua tradição de movimento pendular e, a partir do parlamento, defender seus interesses, mas sem uma postura oposicionista radical. O centro independente, onde se situam MDB, União Brasil e PSD, negocia adesão à base do governo e posições no novo ministério. O centro democrático, formado por PSDB, Cidadania e Podemos, apesar da perda de peso eleitoral e parlamentar, optou por uma postura independente e de construção de uma alternativa tanto à Lula, quanto à Bolsonaro. Terá a complexa tarefa de recuperar elos efetivos com a sociedade, ampliar sua militância e sua capacidade de mobilização, fortalecer suas redes sociais, aumentar sua visibilidade com atuação parlamentar vigorosa e reconstruir suas bases programáticas. O caminho poderia ser outro com uma aliança com o MDB e Simone Tebet ou com as forças socialdemocratas do PSB e PDT, através do vice-presidente Geraldo Alckmin. Mas isto implicaria em rever sua postura de oposição à Lula e ao PT. Por último, cabe à Lula, ao PT e à esquerda mostrarem que fizeram a leitura correta das urnas, adotando uma postura ampla e agregadora e abandonando sua postura histórica um tanto exclusivista e hegemonista. A sorte está lançada. O Brasil precisa urgentemente de paz, crescimento, superação da crise, avanços e reformas. *****************************
*** sábado, 17 de dezembro de 2022 Adriana Fernandes - Corrida para salvar o orçamento secreto O Estado de S. Paulo A corrida para liberação das emendas de relator pode interferir na votação da PEC da Transição Antes do veredicto do julgamento do STF, o governo Jair Bolsonaro correu para acelerar a liberação do saldo total de cerca de R$ 1,9 bilhão de emendas do orçamento secreto na área de Saúde. Essa liberação a jato ajuda o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), nos compromissos de distribuição das emendas de relator, antes da decisão do STF. É uma verdadeira corrida para salvar as emendas de relator de 2022 do modo como elas funcionam hoje, sem transparência nenhuma. O roteiro até chegar a esse desfecho teve os seguintes passos: o governo acelerou a concessão de benefícios previdenciários antes da eleição, motivo de seguidas queixas ao longo da semana do futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O Orçamento ficou insuficiente para fechar o ano, e Bolsonaro teve de fazer o bloqueio das despesas discricionárias (as de livre destinação). O governo, então, pediu ao TCU para editar uma medida provisória para a edição de crédito extraordinário (fora do teto de gastos). O TCU autorizou. Uma MP de R$ 7,5 bilhões foi editada por Bolsonaro para abrir esse espaço no teto. O governo alegou um aumento extraordinário da procura por benefícios previdenciários no pós-pandemia para pedir mais recursos e apontou riscos para o funcionamento do INSS. Correu, então, imediatamente para liberar o limite, incluindo as RP9, até pelo receio da decisão do STF. Este é o resumo. Há um entendimento de que, mesmo que o modelo do orçamento secreto seja alterado, o que já tiver empenhado fica valendo. É certo que Bolsonaro poderia ter utilizado todo o espaço aberto com a MP aos ministérios, deixando as RP9 para depois. O Orçamento de 2022 está com R$ 15,4 bilhões de despesas bloqueadas. Cerca de R$ 7,9 bilhões desse valor são emendas do orçamento secreto. O resultado desse enredo é que a corrida para liberação das emendas de relator, permitida com a MP, pode interferir na votação da PEC da Transição, prevista para semana que vem. Os parlamentares já vão estar abastecidos pelas suas emendas de relator, o que diminui o atrativo que consta na PEC que permite liberar até R$ 23 bilhões de despesas bloqueadas do Orçamento de 2022. Não foi à toa que Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, cobrou o compromisso de Lira com a votação. O ponto central é o governo correndo para pagar as RP9. Parte é a incerteza em relação ao resultado do STF. Mas parte, não. É o compromisso mesmo de Bolsonaro com Lira. ************************************************************************************

sábado, 17 de dezembro de 2022

No Serviço Cristão

*** Pão Nosso #00 - No serviço cristão *** NEPE Paulo de Tarso Transmitido ao vivo em 3 de fev. de 2022 Pão Nosso Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. *****************************************************************************************
*** “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito, estando no corpo, o bem ou o mal.” Paulo (II Coríntios, 5:10) Não falta quem veja no Espiritismo mero campo de experimentação fenomênica, sem qualquer significação de ordem moral para as criaturas. Muitos aprendizes da consoladora Doutrina, desse modo, limitam­se às investigações de laboratório ou a discussões filosóficas. É imperioso reconhecer, todavia, que há tantas categorias de homens desencarnados, quantas são as dos encarnados. Entidades discutidoras, levianas, rebeldes e inconstantes transitam em toda parte. Além disso, incógnitas e problemas surgem para os habitantes dos dois planos. Em vista de semelhantes razões, os adeptos do progresso efetivo do mundo, distanciados da vida física, pugnam pelo Espiritismo com Jesus, convertendo-nos o intercâmbio em fator de espiritualidade santificante. Acreditamos que não se deve atacar outro círculo de vida, quando não nos encontramos interessados em melhorar a personalidade naquele em que respiramos. Não vale pesquisar recursos que não nos dignifiquem. Eis por que para nós outros, que supomos trazer o coração acordado para a responsabilidade de viver, Espiritismo não expressa simples convicção de imortalidade: é clima de serviço e edificação. Não adianta guardar a certeza na sobrevivência da alma, além da morte, sem o preparo terrestre na direção da vida espiritual. E nesse esforço de habilitação, não dispomos de outro guia mais sábio e mais amoroso que o Cristo. Somente à luz de suas lições sublimes é possível reajustar o caminho, renovar a mente e purificar o coração. Nem tudo o que é admirável é divino. Nem tudo o que é grande é respeitável. Nem tudo o que é belo é santo. Nem tudo o que é agradável é útil. O problema não é apenas de saber. É o de reformar-se cada um para a extensão do bem. Afeiçoemo-nos, pois, ao Evangelho sentido e vivido, compreendendo o imperativo de nossa iluminação interior, porque, segundo a palavra oportuna e sábia do Apóstolo, “todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, a fim de recebermos, de acordo com o que realizamos, estando no corpo, o bem ou o mal”. Emmanuel Pedro Leopoldo, 22 de fevereiro de 1950. No Serviço Cristão http://grupoama.org.br/books/Chico%20Xavier%20(Emmanuel)%20-%20Pao%20Nosso.pdf *********************************************************************************
*** 14 - EURÍPEDES, HOMEM PÚBLICO A parábola dos talentos (Mateus, XXIV: 14 a 30) que o Divino Educador apresenta à Humanidade como programa simbólico de estrutura educativa, evidencia as oportunidades de serviços no plano terreno, como norma imprescindível à evolução espiritual. EURÍPEDES O HOMEM E A MISSÃO CORINA NOVELINO pp. 167-172 **************************************************************************************
*** À hora de dormir 38. Prefácio. O sono tem por fim dar repouso ao corpo; o Espírito, porém, não precisa de repousar. Enquanto os sentidos físicos se acham entorpecidos, a alma se desprende, em parte, da matéria e entra no gozo das faculdades do Espírito. O sono foi dado ao homem para reparação das forças orgânicas e também para a das forças morais. Enquanto o corpo recupera os elementos que perdeu por efeito da atividade da vigília, o Espírito vai retemperar-se entre os outros Espíritos. Haure, no que vê, no que ouve e nos conselhos que lhe dão, ideias que, ao despertar, lhe surgem em estado de intuição. É a volta temporária do exilado à sua verdadeira pátria. É o prisioneiro restituído por momentos à liberdade. Como se dá com o presidiário perverso, acontece que nem sempre o Espírito aproveita dessa hora de liberdade para seu adiantamento. Se conserva instintos maus, em vez de procurar a companhia de Espíritos bons, busca a de seus iguais e vai visitar os lugares onde possa dar livre curso aos seus pendores. Eleve, pois, aquele que se ache compenetrado desta verdade, o seu pensamento a Deus, quando sinta aproximar-se o sono, e peça o conselho dos bons Espíritos e de todos cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham juntar-se-lhe, nos curtos instantes de liberdade que lhe são concedidos, e, ao despertar, sentir-se-á mais forte contra o mal, mais corajoso diante da adversidade. 39. Prece. – Minha alma vai estar por alguns instantes com os outros Espíritos. Venham os bons ajudar-me com seus conselhos. Faze, meu anjo guardião, que, ao despertar, eu conserve durável e salutar impressão desse convívio. https://febnet.org.br/wp-content/themes/portalfeb-grid/obras/evangelho-guillon.pdf **************************************************************************************
*** Muito você pode fazer. Quando você acredita que pode fazer, as coisas ficam fáceis. *****************************************
*** Heisenberg, o filósofo da mecânica quântica Por Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira -maio 20, 2017 10 MECÂNICA QUÂNTICA E FILOSOFIA KANTIANA 1930-1932 Meu círculo de companheiros em Leipzig aumentou muito depressa naqueles anos. Jovens talentosos, oriundos de muitos países diferentes, vieram juntar-se a nós, fosse para participar do desenvolvimento da mecânica quântica, fosse para aplicar a nova teoria à estrutura da matéria. CONTRAPONTO A PARTE E O TODO HEISENBERG **********************
*** "Na ciência, a melhor política é ser o mais conservador possível, e só fazer ampliações se as observações forem inexplicáveis de outro modo." *** Diálogos sobre la física atómica www.librosmaravillosos.com Werner Heisenber *** Capítulo 10 La mecánica cuántica y la filosofía de Kant (1930-1932) Mi nuevo círculo en Leipzig iba ampliándose rápidamente en aquellos años. Jóvenes muy inteligentes de los países más diversos se reunieron con nosotros para participar en el desarrollo de la mecánica cuántica o para aplicarla a la estructura de la materia. Estos físicos activos y abiertos a todo lo nuevo enriquecieron las discusiones de nuestro seminario y extendieron mes a mes el campo explorado gracias a las nuevas investigaciones. El suizo Félix Bloch fundamentó la comprensión de las propiedades eléctricas de los metales; Landau, de Rusia, y Peierls discutieron los problemas matemáticos de la electrodinámica cuántica; Friedrich Hund desarrolló la teoría del enlace químico; Edward Teller calculó las propiedades ópticas de las moléculas. A la edad de apenas dieciocho años, Carl Friedrich von Weizsacker se sumó a este grupo e introdujo un cierto aire filosófico en sus diálogos; aunque estudiaba física, se advertía claramente que siempre que los problemas físicos de nuestro seminario tocaban cuestiones filosóficas o epistemológicas, prestaba especial atención e interés y participaba en las discusiones con extraordinaria intensidad. Una ocasión singular para las conversaciones de carácter filosófico se nos presentó un año o dos más tarde cuando una joven filósofa, Grete Hermann, vino a Leipzig para discutir con los físicos atómicos acerca de las afirmaciones filosóficas de éstos, afirmaciones de cuya falsedad en principio estaba firmemente convencida. Grete Hermann había estudiado y colaborado en la escuela del filósofo de Gotinga Nelson, y se había nutrido allí con el pensamiento de la filosofía kantiana tal como ésta había sido interpretada por el filósofo y científico Fries a principios del siglo XIX. Pertenecía a los postulados de la escuela de Fries, y, por consiguiente, también a los del equipo de Nelson, el criterio de que las reflexiones filosóficas debían poseer el mismo grado de rigor que corresponde singularmente a la matemática moderna. Grete Hermann creía poder demostrar con este grado de precisión que la forma que Kant había dado al principio de causalidad era algo incontrovertible, y, como la nueva mecánica cuántica ponía en tela de juicio—al menos en cierta medida—esta forma kantiana de la ley de la causalidad, la joven filósofa estaba decidida a llevar la lucha hasta el final. Nuestra primera charla, en la que ella discutió con Carl Friedrich von Weizsacker y conmigo, creo que comenzó, más o menos, con la siguiente exposición: «En la filosofía de Kant, la ley de la causalidad no es una aserción empírica que pueda comprobarse o negarse por la experiencia, sino que es, por el contrario, la condición de toda experiencia, pertenece a las categorías del pensamiento que Kant denominó a priori. Las impresiones sensoriales con las cuales percibimos el mundo no serían más que un juego subjetivo de sensaciones, a las que no correspondería objeto alguno si no hubiera una regla según la cual las sensaciones provienen de un proceso antecedente. Esta regla, a saber, la vinculación unívoca entre la causa y el efecto, debe ser por ello presupuesta, si queremos objetivar las percepciones, si queremos afirmar que hemos experimentado algo, una cosa o un suceso. Por su parte, las ciencias naturales tratan de experiencias, y, más exactamente, de experiencias objetivas; sólo las experiencias que pueden ser controladas también por otros y son objetivas en este sentido preciso, pueden constituir el objeto de las ciencias naturales. Pues bien, de esto se sigue necesariamente que toda ciencia de la naturaleza debe presuponer la ley de la causalidad, y que solamente puede haber ciencia en tanto en cuanto haya ley de causalidad. Por tanto, esta ley es, en cierto sentido, un instrumento de nuestro pensar con el cual tratamos de transformar la materia prima de nuestras impresiones sensoriales en experiencia. Y tan sólo en la medida en que logramos esto poseemos también un objeto para las ciencias positivas. ¿Cómo puede entenderse, pues, que la mecánica cuántica quiera borrar esta ley de la causalidad, y, sin embargo, al mismo tiempo pretenda mantenerse como ciencia?» Intenté lo primero explicar las experiencias que habían conducido a la interpretación estadística de la teoría cuántica. «Supongamos que tenemos que trabajar con un átomo aislado de la sustancia radio B. Sin duda, es más fácil experimentar a la vez con muchos átomos de esta clase, es decir, con una pequeña cantidad de radio B, que con un solo átomo; pero en principio no hay obstáculo alguno para estudiar también el comportamiento de un único átomo de esta clase. Lo que sabemos es que, tarde o temprano, el átomo de radio B emitirá un electrón en determinada dirección, y con ello se transformará en un átomo de radio C. Por término medio, esto tendrá lugar después de haber pasado apenas media hora, pero el átomo individual podrá desintegrarse después de un segundo o después de varios días. Al decir ‘término medio’ queremos significar en este caso que, si trabajamos con muchos átomos de radio B, después de media hora se habrá desintegrado, aproximadamente, la mitad de los átomos. Sin embargo, no podemos indicar, y aquí precisamente se manifiesta cierto fallo de la ley de la causalidad, en el caso de un solo átomo individual de radio B, causa alguna por virtud de la cual se transforme en este preciso momento y no más temprano o más tarde, y emita el electrón precisamente en esta dirección y no en cualquier otra. Por muchas razones, estamos convencidos de que tales causas no existen». Grete Hermann replicó; «Precisamente en ese punto puede demostrarse el error de la actual física atómica. Del hecho de no haber encontrado todavía causa alguna para una determinada experiencia, no se puede deducir en buena lógica que no exista semejante causa. Yo sólo deduciría como conclusión que tenemos aquí un problema sin solución, lo cual sólo quiere decir que los físicos atómicos deben seguir investigando hasta encontrar la causa. El conocimiento que tienen del estado del átomo de radio B antes de la emisión del electrón es, sin duda, incompleto hasta ahora, porque de lo contrario podría determinarse cuándo y en qué dirección se emitirá el electrón. Por todo ello es menester continuar las investigaciones hasta que se logre un conocimiento perfecto». «No, nosotros juzgamos que este conocimiento es completo—intenté explicarle—. Porque de otros experimentos que también podemos hacer con el átomo de radio B se sigue que no hay otras determinaciones del átomo en cuestión fuera de las que ya conocemos. Me explicaré. Acabamos de afirmar que no se sabe en qué dirección se emitirá el electrón; y usted ha contestado que, en consecuencia, deberíamos seguir buscando los parámetros que determinen esta dirección. Pero, en el supuesto de que hayamos encontrado tales parámetros, incidimos en la siguiente dificultad: el electrón que tiene que ser emitido, puede ser considerado también como una onda material que emana del núcleo atómico. Una onda de este tipo puede causar fenómenos de interferencia. Supongamos, además, que las partes de la onda irradiadas del núcleo en direcciones opuestas son sometidas a interferencias mediante un aparato adecuado, y que la consecuencia es la supresión del movimiento ondulatorio en una determinada dirección. Esto significaría que se puede predecir con certeza que el electrón no será emitido en esa misma dirección. Pero, si hubiésemos conocido nuevos parámetros responsables de la emisión del electrón en una dirección exactamente determinada, entonces no habría interferencia alguna. No se daría el fenómeno de extinción de las oscilaciones ondulatorias, y no se podría sostener la conclusión antedicha. Sin embargo, esa extinción se ha observado realmente como resultado experimental. La naturaleza nos informa con ello que no existen los parámetros ocultos y que nuestro conocimiento es completo ya sin esos nuevos parámetros». «Pero esto es terrible—dijo Grete Hermann—. Por un lado, usted dice que nuestro conocimiento del átomo de radio B es incompleto, porque no sabemos cuándo y en qué dirección será emitido el electrón; por otro lado, usted dice que el conocimiento es completo, porque caeríamos en una contradicción con otros experimentos si se diesen factores determinantes. Ahora bien, nuestro conocimiento no puede ser a la vez completo e incompleto. Esto es absurdo». Carl Friedrich empezó entonces a analizar los presupuestos de la filosofía de Kant. «La aparente contradicción—dijo—que aquí encontramos proviene, probablemente, de que procedemos como si se pudiese hablar de un átomo de radio B ‘en sí’. Pero esto no es evidente y en sentido estricto tampoco resulta correcto. Ya en el propio Kant la ‘cosa en sí’ es un concepto problemático. Kant sabe que no se puede predicar nada de la ‘cosa en sí’; lo que se nos da son únicamente objetos de la percepción. Pero Kant supone que estos objetos de la percepción se pueden entrelazar u ordenar según el modelo de una ‘cosa en sí\ En el fondo, presupone que esa estructura de la experiencia nos viene dada como un a priori, al cual nos hemos acostumbrado en nuestra vida diaria, y que constituye exactamente el fundamento de la física clásica. Según esta concepción, el mundo consta de cosas en el espacio que se transforman en el tiempo, consiste en procesos que se siguen según una regla determinada. Pero en la física atómica hemos aprendido que no es ya posible vincular u ordenar las percepciones según el modelo de la ‘cosa en sí’. Por lo cual no hay ningún átomo de radio B ‘en sí’». Grete Hermann le interrumpió: «La forma con que usted usa el concepto de ‘cosa en sí’ no me parece corresponder exactamente al espíritu de la filosofía kantiana. Hay que distinguir claramente entre la cosa en sí y el objeto físico. Según Kant, la cosa en sí no se representa en el fenómeno ni siquiera de modo indirecto. Este concepto tiene, en las ciencias naturales y en toda la filosofía teórica, la sola función de designar aquello acerca de lo que no se puede saber absolutamente nada. Porque todo nuestro saber depende de la experiencia, y la experiencia no tiene otro significado que conocer las cosas tales como se nos aparecen. Tampoco el conocimiento a priori se dirige a las ‘cosas como pueden ser en sí’, porque su única función es hacer posible la experiencia. Si usted habla del átomo ‘en sí’ del radio B en el sentido de la física clásica, se refiere más bien a lo que Kant llama Gegenstand u objeto. Objetos son las partes del mundo de los fenómenos: sillas y mesas, estrellas y átomos». «¿Incluso aunque no sean visibles, como, por ejemplo, los átomos?» «Incluso entonces, porque los inferimos de los fenómenos. El mundo fenoménico es una totalidad coherente, y nunca es posible—ni siquiera en la percepción diaria—distinguir netamente entre lo inmediatamente visto y lo deducido de ello. Usted ve esta silla; por el momento no ve el otro lado de ella, pero lo reconoce con la misma certidumbre con que percibe la parte delantera. Esto quiere decir que la ciencia es objetiva; es objetiva porque no habla de percepciones, sino de objetos». «Pero del átomo no vemos ni la parte delantera ni la de atrás. ¿Por qué ha de tener las mismas propiedades que las sillas y las mesas?» «Porque es un objeto. Sin objetos no hay ciencia objetiva. Y lo que el objeto es se determina por las categorías de sustancia, causalidad, etc. Si usted renuncia al empleo riguroso de estas categorías, desiste de la posibilidad de la experiencia en cuanto tal». Pero Carl Friedrich no quería cejar en su empeño. «En la teoría cuántica se trata de un nuevo modo de objetivar las percepciones, cosa que Kant no podía entonces adivinar. Toda percepción es referida a una situación de observación, que debe ser indicada, si hemos de llegar desde la percepción a la experiencia. Hoy día no es posible ya objetivar el resultado de las percepciones en la forma que lo hacía la física clásica. Cuando se ha llevado a cabo un experimento del que se puede concluir que aquí y ahora se encuentra un átomo de radio B, el conocimiento entonces adquirido es completo para esa determinada situación de observación; pero para otra situación que, por ejemplo, admitiría observaciones acerca de un electrón emitido, ya no es completo. Cuando dos situaciones de observación están entre sí en la relación que Bohr ha llamado complementaria, un conocimiento completo de una significa al mismo tiempo un conocimiento incompleto de la otra». «¿Y con ello quiere usted destruir todo el análisis de la experiencia que ha llevado a cabo Kant?» «De ninguna manera, porque, a mi modo de ver, tal pretensión no sería posible. Kant ha observado con todo rigor cómo realmente se adquiere la experiencia, y creo que su análisis en lo esencial es correcto. Pero cuando Kant declara que las formas de la intuición espacio y tiempo y la categoría causalidad son a priori con respecto a la experiencia, corre el riesgo de absolutizarlas afirmando que necesariamente deberían entrar también de la misma forma en el contenido de cualquier teoría física de los fenómenos. Pero no es así, como lo demuestran la teoría de la relatividad y la teoría cuántica. A pesar de ello, Kant tiene toda la razón en el siguiente sentido: los experimentos que hace el físico, por principio tienen que describirse siempre en el lenguaje de la física clásica, porque de lo contrario no sería posible comunicar a los demás físicos qué es lo que se ha medido. Sólo así quedan los demás en condiciones de controlar los resultados. El a priori kantiano, por tanto, no está derogado en la nueva física, pero sí, en cierto modo, relativizado. Los conceptos de la física clásica, es decir, también los conceptos de ‘espacio’, ‘tiempo’, ‘causalidad’, son, en este sentido, a priori en la teoría de la relatividad y en la teoría cuántica, porque tienen que emplearse al describir los experimentos—o, expresándolo con mayor cuidado, porque se utilizan de hecho—. Pero su contenido queda modificado en estas nuevas teorías». Grete Hermann respondió: «Con todo lo dicho no he obtenido todavía una contestación clara a mi pregunta, que hemos tomado como punto de partida. Quería saber por qué en los casos en que aún no hemos encontrado las causas suficientes para calcular un evento, por ejemplo, la emisión de un electrón, no deberíamos seguir buscando. Ustedes no prohíben tal búsqueda; pero añaden que no puede llevar a nada, porque no puede haber ulteriores factores de determinación; porque es la indeterminación, que puede formularse en precisos términos matemáticos, la que facilita predicciones determinadas para otras situaciones experimentales. Y también esto se verifica en los experimentos. Hablando así, la indeterminación aparece casi como una realidad física, alcanza un carácter objetivo, siendo así que comúnmente la indeterminación se interpreta como incertidumbre, y en cuanto tal es algo meramente subjetivo». Intenté entonces intervenir en la conversación, y dije: «Con lo dicho ha descrito usted exactamente el rasgo característico de la actual teoría cuántica. Si queremos inducir leyes a partir de los fenómenos atómicos, resulta que no podemos ya vincular regularmente procesos objetivos en espacio y tiempo, sino—para usar una expresión más cuidadosa—situaciones de observación. Tan sólo para éstas obtenemos leyes empíricas. Los símbolos matemáticos con que describimos tales observaciones representan más bien lo posible que lo fáctico. Quizá se podría decir que representan algo intermedio entre lo posible y lo fáctico, que puede llamarse objetivo a lo sumo, en el mismo sentido que damos a la temperatura en la termo- logia estadística. Este conocimiento determinado de lo posible permite algunos pronósticos exactos y precisos, pero generalmente tan sólo facilita conclusiones acerca de la probabilidad de un futuro evento. Kant no podía prever que en los campos de la experiencia que se encuentran más allá de la experiencia diaria no es ya posible llevar a cabo una ordenación de lo percibido según el modelo de la ‘cosa en sí’ o—si usted lo prefiere—del ‘objeto’; o bien, expresándolo con una fórmula sencilla, que los átomos no son cosas u objetos». «¿Pero qué son en definitiva?» «Para esto apenas hay una expresión lingüística, porque nuestro lenguaje se ha formado con las experiencias diarias, y los átomos no son precisamente objetos de nuestra vida diaria. Pero, si usted se contenta con circunlocuciones, los átomos son partes de situaciones de observación, partes que poseen un alto valor explicativo para un análisis físico de los fenómenos». Carl Friedrich añadió: «Puestos a hablar sobre las dificultades de la expresión lingüística, acaso sea la lección más importante que se puede aprender de la física moderna lo siguiente: todos los conceptos de que nos servimos para describir las experiencias sólo tienen un campo limitado de aplicación. Las nociones como ‘cosa’, ‘objeto de la percepción’, ‘punto temporal’, ‘simultaneidad’, ‘extensión’, etc., nos sirven para reflejar situaciones experimentales en las que con tales conceptos encontramos dificultades. Esto no significa que tales nociones no sean condiciones de todas las experiencias, pero sí que se trata de condiciones que exigen un análisis crítico en cada situación y que no permiten deducir postulados absolutos». Al parecer, Grete Hermann se sintió decepcionada con este giro de nuestra charla. Había esperado que con los métodos de la filosofía kantiana podría rechazar con todo rigor las pretensiones de los físicos atómicos, o que, al revés, se podría demostrar que Kant en algún punto hubiese cometido un error decisivo. Ahora, en cambio, parecía haber algo así como un empate aburrido, que no satisfacía su ansia de claridad. Continuó preguntando: «Esta relativización del a priori kantiano e incluso del lenguaje mismo, ¿no significa una completa resignación en el sentido de ‘sabemos que no podemos saber nada’? Según el criterio de ustedes, ¿no hay un fundamento del conocimiento, sobre el cual podamos apoyarnos firmemente?» Carl Friedrich respondió entonces de modo muy alentador que él en el desarrollo de las ciencias de la naturaleza encontraba justificación para una concepción algo más optimista: «Cuando decimos que Kant con su a priori ha analizado correctamente la situación del conocimiento científico de su época, pero que en la física atómica de hoy estamos ante una nueva situación de ese conocimiento, presenta esta afirmación una cierta similitud con la tesis de que Arquímedes con sus leyes de la palanca ha formulado correctamente las reglas prácticas de importancia para la técnica de su tiempo, pero que tales leyes no son suficientes para la técnica de hoy; por ejemplo, la técnica electrónica. Las leyes de la palanca de Arquímedes contienen auténtica ciencia, no vagas opiniones. Mantendrán su vigencia para todos los tiempos en tanto se trate de palancas; y si en los planetas de cualesquier sistemas estelares muy remotos existen palancas, necesariamente también allí las afirmaciones de Arquímedes resultarán correctas. La segunda parte de mi exposición dice que los hombres, al ampliar el campo de sus conocimientos, han penetrado en esferas de la técnica para las cuales el concepto de palanca ya no es suficiente. En el fondo, esto no significa ni una relativización ni una historización de las leyes de la palanca, sino tan sólo quiere decir que estas leyes se convierten, con la evolución histórica, en partes de un sistema más amplio de la técnica, y que, por lo mismo, pierden posteriormente la importancia central que al principio poseían. De modo parecido, creo que el análisis kantiano del conocimiento contiene auténtica ciencia, no simple opinión; y que resulta correcto, cuando se trata de seres vivos, capaces de reflexionar, que entran en esa relación con su medio ambiental a la que, desde el punto de vista del hombre, hemos denominado ‘experiencia’. Sin embargo, también el a priori kantiano puede ser desplazado más tarde de su posición central, para convertirse en parte de un análisis mucho más amplio del proceso del conocimiento. Sin duda alguna, en este contexto sería falso el pretender debilitar el saber científico o filosófico con la frase ‘Cada época tiene su propia verdad*. Pero al mismo tiempo hay que tener presente que con el desarrollo histórico se modifica también la estructura del pensar humano. El progreso de la ciencia no sólo se realiza con el conocimiento y la comprensión de nuevos hechos por parte del hombre, sino que también se efectúa porque aprendemos de nuevo y sin cesar el genuino significado de la palabra entender». Con esta contestación, que en parte era de Bohr, Grete Hermann pareció conformarse modestamente. Temamos la impresión de haber entendido mejor la relación de la filosofía kantiana con la ciencia moderna. http://www.librosmaravillosos.com/dialogossobrelafisicaatomica/index.html ************************************************************************************ NÃO HÁ NADA OCULTO Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz. Lucas 8:17 *** Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz. Lucas 8:17 *** *** As Curvas Da Estrada De Santos Elis Regina *** Se você pretende saber quem eu sou Eu posso lhe dizer Entre no meu carro na estrada de santos E você vai me conhecer Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim E que na minha idade só a velocidade Anda junto a mim Só ando sozinho E no meu caminho o tempo é cada vez menor Preciso de ajuda Por favor me acuda Eu vivo muito só Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo Eu piso mais fundo Corrijo num segundo Não posso parar Eu prefiro as curvas da estrada de santos Onde eu tento esquecer Um amor que eu tive E vi pelo espelho na distância se perder Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar As curvas se acabam E na estrada de santos não vou mais passar Não, não vou mais passar compositores: Erasmo Carlos, Roberto Carlos Em Pleno Verão (1970) - Elis Regina Gravadora: Polygram Ano: 1970 Faixa: 6 https://www.kboing.com.br/elis-regina/as-curvas-da-estrada-de-santos/ *************************************************************************
*** Nas vias não vias a via Na via não via as vias *** https://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2022/12/nao-ha-nada-oculto.html ****************************************************************************
*** "Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais porque agora tornou-se um novo instante-já que também não é mais. Cada coisa tem um instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa”. ( em "Água viva".)Clarice Lispector ****************************************************************** *** Texto de Clarisse Lispector / Luz Da Noite (Medley - Live) *** Maria Bethânia - Tema Compartilhar 4.660 visualizações 30 de jul. de 2018 Provided to YouTube by Universal Music Group Texto de Clarisse Lispector / Luz Da Noite (Medley - Live) · Maria Bethânia Drama - Luz Da Noite ℗ 1973 Universal Music Ltda Released on: 1973-01-01 Producer: Benil Santos Composer Lyricist: Clarice Lispector Composer Lyricist: Caetano Veloso Composer Lyricist: Maria Bethânia https://www.youtube.com/watch?v=KwmPD_xGyAQ ***********************************************