Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
CONCRETO (DES)ARMADO
laodonio Se non è vero, è molto ben trovato: se non è
cossì, è molto bene iscusato l’uno per l’altro, se stante
che dove son due forze de quali l’una non è maggior
de l’altra, bisogna che cesse l’operazion di questa e
quella: essendo che tanto questa può resistere quanto
quella insistere; non meno quella ripugna, che possa
oppugnar questa.
Giordano Bruno - De gl’eroici furori
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De gl’eroici furori
di Giordano Bruno
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Conversa
Carla Vilhena
@carlavilhenaa
A história que Lula contou da caneta do Piauí:
Se non è vero, è ben trovato.
3:15 PM · 1 de jan de 2023
https://twitter.com/carlavilhenaa/status/1609614189630201860?s=48&t=0CMwlz0O9e7_SbJ2rufh3g
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Joaquim Cardozo, o engenheiro-poeta que ergueu as maiores obras de Oscar Niemeyer
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Escrito por Romullo Baratto
13 de Junho de 2021
Conhecido no mundo todo por ter levado ao limite as exprimentações formais com concreto armado, Oscar Niemeyer contou em muitas de suas obras com a imprescindível colaboração de um engenheiro civil tão inventivo e ousado quando o próprio arquiteto: o recifense Joaquim Moreira Cardozo, formado em engenharia civil em 1930 pela Escola de Engenharia de Pernambuco, hoje integrada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Responsável pelo projeto da Escola Rural Alberto Torres, de 1936 – uma obra que, à época, já mostrava sinergia com a arquitetura moderna – Cardozo conheceu Niemeyer quando trabalhava no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), no Rio de Janeiro. À época, desenvolveu o projeto estrutural do Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, inaugurado em 1943, colaboração inicial de uma parceria que duraria 30 anos e que teve nas obras de Brasília seu momento mais prolífico.
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Joaquim Cardozo, o engenheiro-poeta que ergueu as maiores obras de Oscar Niemeyer - Imagem 1 de 3Joaquim Cardozo. Imagem: Correio da Manhã / Arquivo Nacional
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Além de engenheiro, Cardozo era um exímio poeta. De 1910 a 1913, como estudante do Ginásio Pernambucano, ajudou a fundar o jornal O Arrabalde, no qual publicou seu primeiro conto, Astronomia alegre. Foi cartunista no Diário de Pernambuco e, nos anos 1920, dirigiu a Revista do Norte, na qual publicou seus primeiros poemas.
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Joaquim Cardozo, o engenheiro-poeta que ergueu as maiores obras de Oscar Niemeyer - Imagem 2 de 3Igreja da Pampulha. Foto © Ricardo Laf, cortesia de Iphan
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O vídeo acima, produzido pela FAPESP, narra a história de Jopaquim Moreira Cardozo, o engenheiro-poeta responsável por concretizar a visão de um dos arquitetos mais prestigiados do século XX. Anos de rica colaboração levaram o poeta a homenagear o arquiteto com uma poesia:
Arquitetura Nascente & Permanente
Atraídos pelo silêncio
E pela paz noturna os homens
Chegaram; por ínvias florestas
Abriram sendas, e passaram,
Das lianas através da renda,
Através das fendas das montanhas.
Mudos de medos e arrepios,
Guiados por bandeiras de vento,
Pelo coro dos rios selvagens...
Vieram de paragens flutuantes,
Andaram passos vacilantes,
Venceram espaços incertos
E inacessíveis, mas chegaram...
Chegaram e reacenderam
A pedra fria. Abriram portas
Cavaram profundas abóbadas,
Romperam pátios, galerias...
Fonte: FAPESP
https://www.archdaily.com.br/br/963209/joaquim-cardozo-o-engenheiro-poeta-que-ergueu-as-maiores-obras-de-oscar-niemeyer
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Câmara aprova fim do rol taxativo para planos de saúde
Projeto possibilita cobertura de procedimentos e tratamentos que seriam excluídos pelas operadoras
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Projeto será analisado pelo Senado e pode ser votado na semana de esforço concentrado, de 8 a 12 de agosto
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CAROLINA NOGUEIRA
03.ago.2022 (quarta-feira) - 21h09
Os deputados aprovaram, em votação simbólica, o projeto de lei 2033/2022 que amplia a cobertura de procedimentos dos planos de saúde nesta 4ª feira (3.ago.2022). A proposta derruba o chamado rol taxativo da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) –lista de tratamentos obrigatórios e todos os serviços disponíveis cobertos pelas operadoras.
A aprovação do texto produzido pelo deputado Hiran Gonçalves (PP-RR) foi comemorada por deputados da oposição, governo e famílias que acompanhavam a sessão no plenário. Agora, o texto segue para análise do Senado e pode ser votado na semana de esforço concentrado, de 8 a 12 de agosto. Eis a íntegra do projeto (40 KB).
A proposta determina que a cobertura dos serviços pelos planos de saúde seguirá a lista atualizada pela ANS a cada nova inclusão de procedimento.
Segundo o texto, o rol servirá de referência para as operadoras contratadas a partir de 1º de janeiro de 1999 e aos contratos adaptados a partir do projeto de lei.
O texto define regras para autorizar a cobertura de tratamentos e procedimentos que não estejam incluídos na lista da agência.
Nestes casos, o plano de saúde está autorizado a cobrir serviços com:
comprovação da eficácia, baseada em evidências científicas e plano terapêutico;
recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (Sistema Único de Saúde);
indicação de órgão de avaliação de tecnologias em saúde.
JUDICIALIZAÇÃO
Em 14 de julho, a ANS disse em manifestação ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a possível mudança na cobertura de tratamentos obrigatórios pelo setor privado de saúde pode causar aumento dos preços dos planos.
O pronunciamento foi enviado para o processo que discute a formulação e a participação da agência sobre o rol de procedimentos.
No início de junho, a 2ª Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que os planos de saúde só são obrigados a cobrir tratamentos que constam no rol da ANS.
No julgamento, a corte analisou se a lista da agência é taxativa ou exemplificativa. Ou seja, se as operadoras só são obrigadas a cobrir o que consta na lista da ANS ou se procedimentos fora do rol também devem ser oferecidos, em caso de prescrição médica.
Venceu o voto do relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão, pela previsão de que o rol é taxativo.
autores
Carolina Nogueira
redatora
https://www.poder360.com.br/congresso/camara-aprova-fim-do-rol-taxativo-para-planos-de-saude/
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Senado aprova projeto que obriga planos de saúde a cobrirem tratamentos fora do rol da ANS; veja o que pode mudar
Senadores aprovaram o mesmo texto que passou pela Câmara dos Deputados e projeto seguirá para sanção presidencial. Texto prevê que a lista da ANS é apenas "exemplificativa", e não a cobertura total dos convênios médicos.
Por g1
29/08/2022 11h42 Atualizado há 3 meses
Nova lei sobre cobertura dos planos de saúde: entenda o que pode mudar
O Senado aprovou nesta segunda-feira (29) o projeto de lei que obriga planos de saúde a cobrirem tratamentos e procedimentos fora do rol da Agência Nacional da Saúde (ANS).
O projeto passou no início de agosto por votação simbólica na Câmara dos Deputados. Senadores aprovaram o mesmo texto e o projeto seguirá para sanção presidencial.
A nova lei derruba o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu, em junho, que a lista de procedimentos da ANS é "taxativa" — ou seja, que os planos só precisam cobrir o que está na lista, que atualmente é composta por 3.368 itens.
Senado vai votar projeto que obriga planos de saúde a cobrirem tratamentos fora da lista da ANS
Entenda o que está em jogo e o que muda para os segurados se a nova lei for sancionada:
Qual a diferença entre rol taxativo e exemplificativo?
A cobertura exemplificativa significa que os planos de saúde não se limitam a cobrir apenas o que está na lista da ANS, pois ela serve exatamente como exemplo de tratamento básicos.
Já a cobertura taxativa entende que o que não está nesta lista preliminar da ANS não precisa ter cobertura das operadoras.
O que está no rol da ANS?
A lista de cobertura pode ser consultada aqui. Ela depende, no entanto, do tipo de cobertura contratada: ambulatorial, internação, parto e odontológico, além das combinações entre esses tipos.
Como era antes da decisão do STJ?
A lista da ANS era considerada exemplificativa pela maior parte do Judiciário. Isso significa que pacientes que tivessem negados procedimentos, exames, cirurgias e medicamentos que não constassem na lista poderiam recorrer à Justiça e conseguir essa cobertura. Isso porque o rol era considerado o mínimo que o plano deveria oferecer.
Os planos, assim, deveriam cobrir outros tratamentos que não estão no rol, mas que tivessem sido prescritos pelo médico, tivessem justificativa e não fossem experimentais.
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A nova regra para os planos de saúdeA nova regra para os planos de saúde
O Assunto
https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/08/29/senado-deve-votar-nesta-segunda-projeto-que-obriga-planos-de-saude-a-cobrirem-tratamentos-fora-do-rol-da-ans-veja-o-que-pode-mudar.ghtml
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Lira: no Legislativo, todos os dias são atos pela democracia
“A Câmara dos Deputados é o coração e a síntese da democracia", diz presidente da Câmara
11/08/2022 - 17:20
Marina Ramos/Câmara dos Deputados
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Para Lira, a democracia é uma conquista de todos
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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que o Legislativo celebra todos os dias a democracia com atos que produzem efeitos concretos na vida do País. Lira disse que a Câmara é o coração e a síntese da democracia pela sua representatividade, diversidade e a convivência harmônica e permanente dos divergentes.
A afirmação de Lira ocorre no dia da leitura das cartas em defesa da democracia na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O presidente não citou especificamente o movimento, mas, por meio de suas redes sociais disse que a democracia é uma conquista de todos.
“A Câmara dos Deputados é o coração e a síntese da democracia. É a sua representação maior”, disse.
“No Legislativo, todos os dias são atos pela democracia, atos que produzem efeitos concretos e transformadores na vida do País e dos brasileiros”, defendeu.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que o Congresso Nacional será "o guardião da democracia" e que não aceitará retrocessos.
Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Wilson Silveira
Fonte: Agência Câmara de Notícias
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Livro Curso básico de concreto armado
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“…Um estudante de engenharia civil foi preso num aeroporto de Brasília por levar um livro, desencapado, com o título Concreto Armado…” Como a caneta do Piauí, de 1989, o causo do Concreto Armado, de 1969, pode non sè vero, mas è ben contato, segundo a competente jornalista Vilhena.
https://www.escolaengenharia.com.br/concreto-armado/
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O que é Concreto Armado?
Vantagens e Desvantagens do concreto armado. Características das estruturas em concreto armado. O que é concreto armado e o passo a passo para sua execução.
Por Caio Pereira • Atualizado em 12 de fevereiro de 2021
Concreto armado é um tipo de estrutura que utiliza armações feitas com barras de aço. Essas ferragens são utilizadas devido à baixa resistência aos esforços de tração do concreto, que tem alta resistência à compressão.
Em uma estrutura de concreto armado, o uso de aço em vigas e pilares torna-se indispensável e o dimensionamento precisa ser bem calculado seguindo as normas vigentes dos órgãos reguladores.
O projeto de uma estrutura em concreto armado é realizado por engenheiros especializados em cálculo estrutural. Também conhecidos como calculistas, eles vão dimensionar a bitola do aço a ser utilizado e os elementos que compõem a estrutura, como vigas, pilares, lajes, blocos, sapatas, etc, assim como determinar a resistência do concreto e o espaçamento entre as barras de aço.
Assim como todo tipo de estrutura, o concreto armado tem suas vantagens e desvantagens. Para que um projeto seja bem sucedido, a avaliação e comparação de alguns fatores no momento da escolha do tipo de estrutura são indispensáveis para a redução de custos e adaptação técnica para cada projeto.
Estrutura de concreto armado.
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Estrutura em concreto armado.
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Vantagens do concreto armado
O concreto armado tem uma elevada resistência à compressão em comparação aos outros materiais de construção.
Devido à armação, o concreto armado também pode suportar uma boa quantidade de esforços de tração.
O custo de manutenção do concreto armado é muito baixo.
Uma estrutura em concreto armado pode ser moldada de diversas maneiras e formatos.
Exige mão de obra menos qualificada para sua execução, em comparação com estruturas metálicas, por exemplo.
Boa resistência ao fogo e ao tempo.
Uma estrutura de concreto armado é mais durável do que qualquer outro sistema de construção.
Boa resistência ao desgaste mecânico como choques e vibrações.
Desvantagens do concreto armado
Por ser muitas vezes produzido in loco, a resistência final do concreto pode ser afetada devido a erros durante os processos de mistura e cura.
O concreto armado utiliza-se de formas de madeira ou metálicas, encarecendo o projeto.
Uma estrutura de concreto armado gera muitos resíduos e lixos de construção.
Para uma construção de um edifício de vários andares, a seção dos pilares para uma estrutura em concreto armado é maior do que a seção dos pilares em uma estrutura metálica.
O concreto armado tem grande peso próprio (2.500 kg/m3).
Tempo de execução maior do que outros sistemas de construção, devido ao tempo de cura (pode ser reduzido com uso de aditivos).
A demolição de uma estrutura em concreto armado é de difícil execução, podendo ser inviáveis devido ao custo.
Normas brasileiras para concreto armado
A principal norma referente ao concreto armado é a NBR 6118/2003 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Entretanto, várias outras normas são utilizadas no momento da concepção do projeto para atender as peculiaridades de cada obra. Algumas delas estão listadas abaixo, mas existem outras que poderiam ser listadas.
NB 1 NBR 6118 Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado
NB 2 NBR 7187 Cálculo e Execução de Pontes de Concreto Armado
NB 4 NBR 6119 Cálculo e Execução de Lajes Mistas
NB 5 NBR 6120 Cargas Para o Cálculo de Estruturas de Edificações
NB 6 NBR 7188 Cargas Móveis em Pontes Rodoviárias
NB 7 NBR 7189 Cargas Móveis em Pontes Ferroviárias
NB 8 NBR 5984 Norma Geral do Desenho Técnico
NB 16 NBR 7191 Execução de Desenhos para Obras de Concreto Simples ou Armado
NB 49 Projeto e Execução de Obras de Concreto Simples
NB 51 Projeto e Execução de Fundações
NB 116 NBR 7197 Cálculo e Execução de Obras de Concreto Protendido
NB 599 NBR 6123 Forças Devidas ao Vento em Edificações
EB 1 NBR 5732 Cimento Portland Comum
EB 3 NBR 7480 Barras e Fios de Aço Destinados a Armaduras para Concreto Armado
EB 4 NBR 7211 Agregados para Concreto
NBR 722 Execução de Concreto Dosado em Central
EB 565 Telas de Aço Soldadas para Armaduras de Concreto
EB 780 Fios de Aço para Concreto Protendido
EB 781 Cordoalhas de Aço para Concreto Protendido
MB 1 NBR 7215 Ensaio de Cimento Portland
MB 2 NBR 5738 Confecção e Cura de Corpos de Prova de Concreto Cilíndricos ou Prismáticos
MB 3 NBR 5739 Ensaio de Compressão de Corpos de Prova Cilíndricos de Concreto
MB 4 NBR 6152 Determinação das Propriedades Mecânicas à Tração de Materiais Metálicos
MB 215 Determinação do Inchamento de Agregados Miúdos para Concreto
MB 256 Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone
NBR 7187 Cálculo e Execução de Ponte em Concreto Armado
NBR 7212 Execução de Concreto Dosado em Central
NBR 7807 Símbolo Gráfico para Projeto de Estruturas – Simbologia
NBR 8681 Ações e Segurança nas Estruturas
NBR 8953 Concreto para Fins Estruturais – Classificação por Grupos de Resistência
NBR 9062 Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado
NBR 11173 Projeto e execução de Argamassas Armadas
NBR 12317 Controle Tecnológico de Materiais Componentes do Concreto
NBR 12654 Controle tecnológico dos Materiais Componentes do Concreto
NBR 12655 Concreto – Preparo, Controle e Recebimento do Concreto
https://www.escolaengenharia.com.br/concreto-armado/
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Quer citar este artigo em seu trabalho? Utilize o modelo abaixo:
PEREIRA, Caio. O que é Concreto Armado?. Escola Engenharia, 2015. Disponível em: https://www.escolaengenharia.com.br/concreto-armado/. Acesso em: 2 de janeiro de 2023.
Henrique
31 de janeiro de 2018
Gostaria de saber quanto tempo leva para se fazer um alicerce de um prédio de 27 andares?
Após feito o alicerce quanto tempo já dá pra ver o prédio?
Comprei um apartamento na planta e até agora não saiu do chão. A construção será com concreto armado.
Marcelo Monteiro
21 de fevereiro de 2018
Henrique,
A resposta depende da área em que será executado, se tem subsolo e principalmente do tipo de fundação profunda. O tipo de fundação profunda é determinado pelo estudo dos solos. Ou seja, temos várias variáveis.
Mas entendo que sua pergunta está mais relacionada à transparência da construtora em relação ao andamento dos serviços. Minha sugestão é que você questione a área de atendimento ao cliente da construtora. Certamente eles vão te esclarecer.
José Djalma
20 de janeiro de 2018
Excelente para técnico desta área!
Isgruvisk Samsans
21 de setembro de 2017
Muito bem explicado. Esclareceu a minha dúvida. Obrigado!
Deixe um comentário
https://www.escolaengenharia.com.br/concreto-armado/
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Lista de Livros: Dialética do Concreto (Parte III), de Karel Kosík
É verdade que Hegel construiu um palácio para as ideias, mas deixou as pessoas em casebres
Redação
jornalggn@gmail.com
Publicado em 6 de outubro de 2019, 11:27
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Lista de Livros: Dialética do Concreto (Parte III) – Karel Kosík
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Editora: Paz e Terra
ISBN: 978-85-2190-442-7
Tradução: Célia Neves e Alderico Toríbio
Opinião: Excelente
Páginas: 230
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“É verdade que Hegel construiu um palácio para as ideias, mas deixou as pessoas em casebres.”
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“Marx e Hegel, na construção das suas obras, partem de um motivo simbólico intelectual comum, difuso na atmosfera cultural do seu tempo. Este motivo próprio da época da obra literária, filosófica e científica é a “odisseia”. O sujeito (o indivíduo, a consciência individual, o espírito, a coletividade) deve andar em peregrinação pelo mundo e conhecer o mundo para conhecer a si mesmo. O conhecimento do sujeito só é possível na base da atividade do próprio sujeito sobre o mundo; o sujeito só conhece o mundo na proporção em que nele intervém ativamente, e só conhece a si mesmo mediante uma ativa transformação do mundo. O conhecimento de quem é o sujeito significa conhecimento da atividade do próprio sujeito no mundo. Todavia, o sujeito que retorna a si mesmo depois de ter andado em peregrinação pelo mundo é diferente do sujeito que empreendera a peregrinação. O mundo percorrido pelo sujeito é diferente, é um mundo mudado, pois a simples peregrinação do sujeito pelo mundo modificou o próprio mundo, nele deixou as suas marcas. Ao regressar, porém, o mundo ao seu redor se manifesta ao sujeito de modo diferente de como se manifestara no início da peregrinação, porque a experiência obtida modificou a sua visão do mundo e de certo modo reflete a sua posição para com o mundo, nas suas variações de conquista do mundo ou resignação no mundo.”
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“Não é justo afirmar que cada categoria econômica de “O Capital” de Marx é ao mesmo tempo uma categoria filosófica (H. Marcuse), mas é verdade que uma análise filosófica que ultrapasse o âmbito da ciência especializada e revele o que é a realidade e como se forma a realidade humano-social, permite compreender a essência das categorias econômicas, dando-nos a chave para a sua análise crítica. As categorias econômicas não dizem por si mesmas o que são. Na vida social dão antes a impressão de misteriosos hieróglifos. Portanto, até a afirmação de que o ser social é constituído de juros, salário, dinheiro, renda, capital e mais-valia, suscita uma justificada impressão de arbítrio e absurdo. Enquanto a ciência econômica observou o movimento das categorias econômicas, ela jamais colocou o problema do que são essas categorias, nem mesmo lhe ocorreu procurar uma conexão interna entre as categorias econômicas e o ser social. Por outro lado, para que se pudesse descobrir tal conexão, tinha de haver uma concepção da realidade diferente daquela que a economia clássica pressupunha. A análise de uma determinada realidade – no caso, da economia do capitalismo – é matéria que diz respeito à ciência, à economia política. Para que tal ciência seja ciência autêntica e não fique à margem da ciência como o filosofar sobre fenômenos econômicos (Moses Hess) ou corno a sistematização doutrinária das representações da realidade econômica (economia vulgar) , ela deve derivar de um correto conceito da realidade social, que não é e não pode ser matéria de uma ciência especial.
Do mesmo modo as categorias econômicas não são categorias filosóficas; mas a descoberta do que são as categorias econômicas e, portanto, a sua análise crítica deriva necessariamente de uma concepção filosófica da realidade, da ciência e do método. A análise crítica – que demonstra que as categorias econômicas não são aquilo que aparentam nem aquilo que nos é impingido pela consciência acrítica, e nelas revela o oculto núcleo interno – deve ao mesmo tempo demonstrar, se quiser permanecer ao nível da ciência, que a sua aparência categorial é uma manifestação necessária da essência interna. Este procedimento – em que a pseudoconcreticidade é liquidada para ser demonstrada como forma fenomênica necessária – não ultrapassa ainda, de modo algum, o âmbito da filosofia (isto é, de Hegel). Só a demonstração de que as categorias econômicas são formas históricas da objetivação do homem, e que, como produtos da práxis histórica, só podem ser superadas por uma atividade prática, indica os limites da filosofia e o ponto em que tem início a atividade revolucionária. (Se Marx segue as pegadas da ciência clássica e refuta os romantismos, ainda que à primeira vista fosse mais lógico o contrário, tal acontece porque a ciência clássica ofereceu uma análise do mundo tornado objetual, enquanto os romantismos são apenas um protesto contra a desumanidade daquele mundo, e neste sentido são ao mesmo tempo um produto seu, e, portanto, algo derivado e secundário). A análise das categorias econômicas não é destituída de pressupostos: o seu pressuposto é a concepção da realidade como processo prático de produção e reprodução do homem social. Uma análise assim conduzida revela nas categorias econômicas as formas fundamentais ou elementares da objetivação, e, por conseguinte, a existência objetiva do homem como ser social.:E: evidentemente exato – e até este ponto a economia clássica tem razão contra todos os protestos românticos – que a economia como sistema ou totalidade exige e cria o homem do ponto de vista do próprio sistema; quer dizer, acolhe o homem no sistema na medida em que o homem apresenta determinadas características, vale dizer enquanto é reduzido ao “homem econômico”. Mas justamente porque a economia é a forma elementar da objetivação, é unidade objetivada e realizada de sujeito e objeto, é atividade prática objetivada do homem, justamente por isto em tal relação não se desenvolve apenas a riqueza social objetiva, mas ao mesmo tempo também as qualidades e faculdades subjetivas dos homens. “No ato mesmo da reprodução não se modificam apenas as condições objetivas – por exemplo, uma vila torna-se uma cidade, um deserto toma-se terra cultivável; modificam-se os próprios produtores, enquanto extraem novas qualidades de si mesmos, desenvolvem-se na produção e se transformam, criam novas forças e novas representações, novos modos de relações, novas exigências e uma nova linguagem.”29
As categorias econômicas exprimem as “formas do ser” ou as “determinações existenciais” do sujeito social apenas na totalidade, que não é um aglomerado de todas as categorias mas dá lugar a uma determinada estrutura dialética, constituída do “poder que tudo domina” e, portanto, daquilo que cria o “éter do ser”, como se exprime Marx. Todas as outras categorias – consideradas isoladamente em si mesmas – exprimem apenas facetas e aspectos parciais, isolados. Portanto, só se as categorias são desenvolvidas dialeticamente e a sua estrutura oferece a articulação interna da estrutura econômica de uma determinada sociedade, só em tal caso cada uma das categorias econômicas consegue o seu autêntico significado, ou seja, toma-se uma categoria concretamente histórica. Em cada uma de tais categorias é então possível descobrir, seja de modo essencial (quando se trata das categorias econômicas fundamentais), seja sob um aspecto determinado (quando se trata das categorias secundárias):
1) uma determinada forma da objetivação histórico-social do homem, visto que a produção – como observa Marx – é por sua essência objetivação do indivíduo;30
2) um determinado grau, concretamente histórico, da relação sujeito-objeto;
3) a dialética do histórico e do meta-histórico, isto é, a unidade das determinações ontológicas e existenciais.
Se na base da nova concepção da realidade (descobrimento da práxis e da práxis revolucionária) se revela o caráter das categorias econômicas e se processa a sua análise, reciprocamente se pode, partindo destas categorias, realizar a edificação do ser social. No sistema das categorias econômicas se reproduz espiritualmente a estrutura econômica da sociedade. Em seguida também é possível descobrir o que é na realidade a economia, e distinguir entre aparências reificadas e mistificadas ou necessárias manifestações exteriores da economia, e aquilo que é economia no sentido próprio da palavra. A economia não é apenas produção dos bens materiais: é a totalidade do processo de produção e reprodução do homem como ser humano-social. A economia não é apenas produção de bens materiais; é ao mesmo tempo produção das relações sociais dentro das quais esta produção se realiza.31
O que a crítica burguesa e reformista considera como a parte “especulativa”, “messiânica” ou “hegelianizante” de “O Capital” é apenas a expressão exterior do fato de que Marx, sob o mundo dos objetos, sob o movimento dos preços, das mercadorias, das várias formas de capital – cujas leis ele exprime em fórmulas exatas – descobre o mundo objetivo das relações sociais, ou seja, a dialética sujeito-objeto. A economia é o mundo objetivo dos homens e dos seus produtos sociais, e não o mundo objetivado do movimento social das coisas. O movimento social das coisas, que mascara as relações sociais dos homens e dos seus produtos, é uma determinada forma de economia, historicamente transitória. Enquanto existe tal forma histórica da economia, ou seja, enquanto a forma social do trabalho cria o valor de troca, existe também a mistificação real, prosaica, pela qual determinadas relações – nas quais entram os indivíduos no curso do processo produtivo da sua vida social – se mostram sob um aspecto subvertido, como qualidades sociais das coisas.32
Em todas estas manifestações a economia no seu conjunto e as suas categorias econômicas singulares se mostram como dialética particular da pessoa e das coisas. As categorias econômicas, que num dos seus aspectos são a fixação das relações sociais das coisas, contêm em si os homens como portadores das relações econômicas. A análise das categorias econômicas é uma crítica de duplo gênero: em primeiro lugar demonstra a insuficiência das análises feitas até então pela economia clássica, no tocante à adequada expressão do movimento social mesmo, e neste sentido a análise crítica é uma continuação da economia clássica: elimina as discordâncias e os defeitos da economia clássica e apresenta análises mais profundas e universais. Em segundo lugar – e sob este aspecto o marxismo é uma crítica da economia no sentido próprio do termo – o movimento real das categorias econômicas mostra-se como forma reificada do movimento social dos homens. Em tal crítica se descobre que as categorias do movimento social das coisas são formas existenciais – necessárias e historicamente transitórias – do movimento social dos homens. A economia marxista surge, portanto, como uma dupla crítica das categorias econômicas, ou melhor – para lhe dar uma expressão positiva – como análise da dialética histórica dos homens e das coisas na produção, a qual é concebida como produção histórico-social da riqueza objetiva e das relações sociais objetivas.
Na economia capitalista verifica-se o recíproco intercâmbio de pessoas e coisas, a personificação das coisas e a coisificação das pessoas. Às coisas se atribuem vontade e consciência, e por conseguinte o seu movimento se realiza consciente e voluntariamente; e os homens se transformam em portadores ou executores do movimento das coisas. A vontade e a consciência dos homens são determinadas pelo movimento objetivo das coisas: o movimento das coisas se realiza através da mediação da vontade e da consciência dos homens, como mediação de um elemento mediador próprio.
A lei interna das coisas, que deriva do seu movimento social, é transposta para a consciência humana como intenção e escopo; o fim subjetivo se objetiva e, independentemente da consciência individual, dá a impressão de ser uma tendência ou missão da coisa. Aquilo que, para o valor e a produção de mercadorias é a sua “missão, instinto interno e tendência”, se manifesta na consciência do capitalista – com a mediação de quem tal missão se realiza – como propósito consciente e escopo.33
Examinando-se e formalizando-se a lei interna do movimento social – da qual o homem (homo oeconomicus) é apenas o portador ou uma máscara característica – constata-se imediatamente que tal realidade é apenas uma aparência real. À primeira vista a pessoa (o homem) se mostra, na relação econômico-produtiva, apenas como personificação do movimento social das coisas, e a consciência se revela o executor (o agente) do movimento em si,34 mas logo em seguida uma análise ulterior dissolve esta aparência positiva e demonstra que o movimento real das coisas é forma histórica da relação entre os homens; e a consciência coisificada é apenas uma forma histórica da consciência humana.
As categorias econômicas, na base das quais se opera a edificação do ser social e que são formas existenciais do sujeito social, não são, portanto, expressões do movimento das coisas ou das relações sociais humanas, destacadas dos próprios homens e da sua consciência. Nas categorias econômicas fixamse as relações produtivas sociais que passam através da consciência humana, mas são independentes da própria consciência, e, portanto, se servem da consciência individual como de uma forma da própria existência e do próprio movimento. O capitalista é uma relação social dotada de vontade e de consciência, mediatizada pelas coisas, que se manifesta no movimento das próprias coisas.35
O ser social determina a consciência dos homens, mas disto não resulta que o ser social se revele adequadamente na consciência dos homens. Na práxis utilitária do dia-a-dia os homens mais facilmente tomam consciência do ser social sob cada um dos aspectos isolados ou sob aparências feitichizadas. Como se revela o ser social do homem nas categorias econômicas? Porventura enquanto se traduz na categoria econômica correspondente, como o capital, a propriedade territorial, a pequena indústria, os monopólios, isto é, numa faticidade histórico-econômica de condições e de dados? Nesta transposição, o ser social é substituído pelas suas aparências reificadas ou momentos isolados, razão por que o acréscimo de formas culturais a um ser entendido de tal modo não pode abandonar a esfera da vulgarização, mesmo que se confirmasse milhares de vezes, sob juramento, a asserção de que a conexão entre “economia” e cultura é concebida “mediatamente” e “dialeticamente”. A atitude vulgarizante não consiste na falta de mediação, mas na concepção mesma do ser social. O ser social não é uma substância rígida ou dinâmica, ou uma entidade transcendente que exista independente da práxis objetiva: é o processo de produção e reprodução da realidade social, vale dizer, é “práxis” histórica da humanidade e das formas da sua objetivação. Se de um lado a economia e as categorias econômicas são incompreensíveis sem a práxis objetiva e sem a solução do problema de como é constituída a realidade social, de outro lado, porém, as categorias econômicas – como formas fundamentais e elementares da objetivação social do homem – são os elementos constitutivos na base dos quais se realiza a edificação do ser social. “Se examinamos a sociedade burguesa no seu conjunto – assim sintetiza Marx a conexão entre ser social, práxis e economia – o que se apresenta sempre, como resultado último do processo social de produção, é a própria sociedade. Vale dizer, o próprio homem nas suas relações sociais. Tudo aquilo que tem uma forma sólida, como um produto etc., se manifesta apenas como um momento, um momento transitório daquele movimento. Até o imediato processo produtivo aqui se mostra apenas como momento. As condições e objetivações do processo são também elas, ao mesmo tempo, momentos seus, e como sujeitos do processo se mostram apenas os indivíduos, mas os indivíduos ligados por relações recíprocas que justamente eles reproduzem ou produzem ex novo. É próprio deles o incessante processo do movimento no qual justamente eles se renovam tanto quanto o mundo da riqueza, que eles mesmos criam.36 Nas categorias econômicas e na sua articulação dialética o ser social não está tanto “contido” mas, melhor dito, fixado. Portanto, a análise teórica descobre o ser social no sistema das categorias econômicas apenas quando ela “dissolve” a fixidez destas e as compreende como expressões da atividade objetiva dos homens e da conexão das suas relações sociais em determinadas etapas históricas do desenvolvimento.”
29. Marx, Grundrisse, pág. 394. Na década de 30 a publicação dos primeiros ‘“Manuscritos Econômico-Filosóficos”’ de Marx provocou viva sensação e deu origem a uma vasta literatura, enquanto a publicação dos “Grundrisse”, que são trabalhos preparatórios para “O Capital”, do Marx da época madura, da década de 50, e constituem um elo extraordinariamente importante entre os “Manuscritos” e “O Capital”, quase não mereceu atenção. É difícil exagerar o significado dos “Grundrisse”. Demonstram eles, antes de tudo, que Marx nunca abandonou a problemática filosófica, e que especialmente os conceitos de “alienação”, “reificação”, “totalidade”, relação de sujeito e objeto, que alguns canhestros marxólogos proclamariam prazerosamente como o pecado de juventude de Marx, continuam sendo, ao contrário, o constante equipamento conceitual da teoria de Marx. Sem eles “O Capital” é incompreensível.
30. “Jede Produktion ist eine Vergegenständlichung des Individuums”. Marx, Grundrisse, pág. 137. (Toda produção é uma objetivação do indivíduo).
31. “A economia burguesa, porém, vê como se produz por dentro das relações de produção capitalistas, mas não vê como se produzem essas relações mesmas”. Marx. “Archiv”, vol. II, Moscou, 1933, pág. 1 76.
32. Ver Marx, Contribuição à Crítica da Economia Política.
33. Marx, “Archiv”, pág. 6.
34. “As funções desempenhadas pelo capitalista são apenas funções do próprio capital desempenhadas com a consciência e a vontade do valor que se valoriza graças à absorção do trabalho vivo. O capitalista funciona somente como capital personificado, assim como o operário funciona como trabalho personificado.” Marx, “Archiv”, pág. 32.
35. “No conceito do capital está contido o capitalista”. Marx, Grundrisse, pág. 412.
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“O trabalho, na sua essência e generalidade, não é atividade laborativa ou emprego que o homem desempenha e que, de retorno, exerce uma influência sobre a sua psique, o seu habitus e o seu pensamento, isto é, sobre esferas parciais do ser humano. O trabalho é um processo que permeia todo o ser do homem e constitui a sua especificidade. Só o pensamento que revelou que no trabalho algo de essencial acontece para o homem e o seu ser, que descobriu a íntima, necessária conexão entre os problemas “o que é o trabalho” e “quem é o homem”, pôde também iniciar a investigação científica do trabalho em todas as suas formas e manifestações.”
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“Esclarece-se a especificidade do ser humano opondo-a ao ser dos animais e ao ser das coisas. Em que um homem difere de uma pedra, de uma lagartixa e de uma máquina? Hegel, como dialético, situa a distinção entre o homem e o animal justamente no ponto em que o homem e o animal se encontram essencialmente: no campo da animalidade. O domínio do desejo animal bruto45 e a inserção – entre este e a sua satisfação – de um termo mediador, que é o trabalho, não é apenas um processo no curso do qual o desejo animal se transforma em desejo humano46 e no qual se opera a gênese do homem; é ao mesmo tempo um modelo elementar da própria dialética. A transformação do desejo animal em desejo humano, a humanização do desejo sobre a base e no processo do trabalho, é apenas um dos aspectos do processo que se opera no trabalho. Em outras palavras: o modo de abordar o processo do trabalho, que fomos buscar na distinção entre desejo animal e humano, nos conduzirá à compreensão do próprio processo, sob a condição de que nele não se observe apenas a esporádica ou isolada metamorfose da animalidade em humanidade, mas se descubra a metamorfose em geral. O trabalho é um processo no qual se opera uma metamorfose ou mediação dialética. Na mediação dialética deste processo não se estabeleceu um equilíbrio entre as contradições, nem se formam contradições antinômicas, mas sim a unidade das contradições se estabelece como processo ou no processo de transformação. A mediação dialética é uma metamorfose na qual se cria o novo, é gênese do qualitativamente novo. No ato mesmo da mediação – no qual da animalidade nasce o humano e o desejo animal se transforma em desejo humanizado, desejo do desejo, isto é, reconhecimento – se forma também a tridimensionalidade do tempo humano: só um ser que no trabalho supere o niilismo do desejo animal descobre o futuro como dimensão do próprio ser, no próprio ato em que se domina e se contém. No trabalho e por meio do trabalho o homem domina o tempo (enquanto o animal é dominado pelo tempo), pois um ser que é capaz de resistir a uma imediata satisfação do desejo e a contê-lo “ativamente” faz do presente uma função do futuro e se serve do passado, isto é, descobre no seu agir a tridimensionalidade do tempo como dimensão do seu ser.47
O trabalho, que superou o nível da atividade instintiva e é agir exclusivamente humano, transforma aquilo que é dado natural, inumano e o adapta às exigências humanas; ao mesmo tempo realiza os fins humanos naquilo que é natural e no material da natureza. Assim, em sua relação com o homem, a natureza se manifesta sob um duplo aspecto: por um aspecto se apresenta como potência e objetividade que tem de ser respeitada, cujas leis o homem precisa conhecer a fim de que possa delas se servir em benefício próprio; por um outro aspecto, se rebaixa a mero material no qual se realizam os fins humanos. Num caso o homem deixa que as forças materiais, que existem independentemente dele, atuem em seu benefício e para as suas exigências; no outro, ele se objetiva na natureza e nos materiais da natureza, e com isto degrada a natureza a simples material das próprias intenções. O trabalho é ora transformação da natureza, ora realização dos desígnios humanos na natureza. O trabalho é procedimento ou ação em que de certo modo se constitui a unidade do homem e da natureza na base da sua recíproca transformação: o homem se objetiva no trabalho, e o objeto, arrancado do contexto natural original, é modificado e elaborado. O homem alcança no trabalho a objetivação, e o objeto é humanizado. Na humanização da natureza e na objetivação (realização) dos significados, o homem constitui o mundo humano. O homem vive no mundo (das próprias criações e significados), enquanto o animal é atado às condições naturais.
O elemento constitutivo do trabalho é a objetividade. A objetividade do trabalho significa em primeiro lugar que o resultado do trabalho é um produto que tem uma duração, que o trabalho só tem um sentido no caso em que passe “incessantemente da forma da operosidade (Unruhe) à forma do ser, da forma do movimento à forma da objetividade (Gegenständlichkeit),48 e portanto só no caso em que ele se manifeste como circulação de atividade e duração, de movimento e objetividade. Ao conduzir-se o processo do trabalho, o produto do trabalho no sentido amplo da palavra se apresenta como seu desfecho e encarnação. Aquilo que no processo do trabalho se manifestou como progressão temporal no produto do trabalho se manifesta, ao contrário, como condensação, como eliminação da sucessão temporal, como calma e duração. No processo do trabalho, são transformados, no presente, os resultados do trabalho passado e se realizam os desígnios do trabalho futuro. A tridimensionalidade do tempo humano como dimensão constitutiva do ser do homem baseia-se no trabalho como ação objetiva do homem. A tridimensionalidade do tempo e a temporalidade do homem são baseadas na objetivação. Sem a objetivação não se dá suspensão temporal.49 O trabalho como ação objetiva é um modo particular de unidade de tempo (temporalização) e de espaço (função extensiva) como dimensões essenciais da existência humana, isto é, formas específicas do movimento do homem no mundo.
Em segundo lugar, o caráter objetivo do trabalho é expressão do homem como ser prático, vale dizer, como sujeito objetivo. No trabalho o homem deixa algo permanente, que existe independentemente da consciência individual. A existência de criações objetivadas é pressuposto da história, isto é, da continuidade da existência humana. Neste contexto se torna claro por que uma visão profunda e realista da realidade humano-social coloca o instrumento acima das intenções, e confirma o seu significado central mediante a concepção de que o instrumento é a “mediação racional” entre o homem e o objeto. Na história do pensamento essa linha é representada pelos filósofos que afirmam o significado da mão do homem e a sua conexão com a racionalidade humana. Anaxágoras diz que “o homem é o mais racional de todos os viventes porque tem as mãos”. Aristóteles, e depois dele Giordano Bruno, chamam a mão “o instrumento dos instrumentos”. Hegel leva a termo tal linha. Ao contrário, a filosofia idealista do século XX (Bergson, Jaspers, Scheler, Heidegger) exprime o desprezo pela técnica e pelos instrumentos, e condena romanticamente o mundo, no qual “o homem se perde entre os instrumentos”.
A difundida opinião de que o homem é o único ser que se sabe porque só a ele se descortina o futuro, ao termo do qual ele avista a morte, é idealisticamente deturpada na interpretação existencialista, porquanto, com base na limitação da existência humana, a objetivação é considerada como uma das formas da fuga à autenticidade, que é ao contrário o serpara-a-morte. Mas o homem só sabe que é mortal na medida em que ele distribui o tempo à base do trabalho como ação objetiva e criação da realidade humano-social. Sem a ação objetiva, na qual o tempo se divide em futuro, presente e passado, o homem não poderia saber que é mortal.”
45. Neste sentido o animal e o homem são “por natureza” seres práticos. A propósito ver a polêmica de Marx com Wagner, em que ele afirma que o homem “não está” na realidade: ele age praticamente na realidade, para satisfazer as próprias exigências.
46. A distinção entre desejo animal e desejo humano nos parece linguisticamente mais apropriada do que a tradução literal dos termos hegelianos “’Begierde” e “Trieb” (“desejo físico” e “impulso instintivo”).
47. “L’animal n’existe que dans le moment, il ne voit rien au delà: l’homme vit dans le passé, le présent et l’avenir.” Diderot, Oeuvres, XVIII, edição Assézat, pág. 179. Ver Poulet, op. cit., pág. 179.
48. Marx, O Capital, vol. I, parte II, cap. V.
49. Neste ponto fundamental, em que a problemática do tempo humano é associada à atividade objetiva do homem, a filosofia materialista se diferencia essencialmente da concepção existencialista da temporalidade.
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“As análises desenvolvidas até hoje procuraram descrever o trabalho servindo-se de pares dialéticos como a causalidade e a finalidade, a animalidade e a humanidade, o sujeito e o objeto etc., enquanto o trabalho mesmo era apresentado como “centro ativo” no qual atua a unidade dialética de tais pares. Desta maneira foram traçadas as características essenciais do trabalho, mas ainda não fora captada a sua especificidade. As características descobertas até hoje compreendem o operar humano em geral, mas nele não distinguem os vários gêneros particulares.
A um soberano da Idade Média nem lhe passaria pela cabeça que reinar é um trabalho ou que, tomando decisões políticas, estivesse trabalhando. Tanto César quanto Aristóteles – observa Marx – teriam considerado ofensivo o próprio epíteto de “trabalhador”. Significa isto, então, que a ação política, a ciência e a arte não são trabalho? Uma resposta sumariamente negativa seria tão inexata quanto a afirmação oposta, que considera a ciência, a política e a arte como trabalho.50 Onde está, então, a linha de separação ou o critério de distinção? Ou os citados modos de agir humano são trabalho em certas condições, ao passo que em outras não o são?
A arte sempre foi considerada como a atividade humana e o agir humano par excelence e, como livre criação, considerada distinta do trabalho. Hegel substitui a criação artística de Schelling pelo trabalho efetivo como único gênero de práxis, o que significa tanto uma democratização como um aprofundamento da visão da realidade humana; tal diferenciação, contudo, não deve ocultar o outro aspecto do problema. Para Schelling, assim como para Augustin Smetana e Edward Dembowsky, a criação artística é “práxis” livre, isto é, um gênero de agir humano que não se submete a uma necessidade exterior e se caracteriza expressamente pela “independência de finalidades exteriores”. O agir humano resulta, pois, dividido em dois campos: num campo ele atua sob a pressão da necessidade e se chama trabalho, enquanto no outro se realiza como livre criação e se chama arte.51 Esta distinção é justa porquanto torna possível captar a especificidade do trabalho como um agir objetivo do homem, tal como suscitado e determinado constitutivamente por um fim exterior, cuja consecução se chama necessidade natural ou obrigação social. O trabalho é um agir humano que se move na esfera da necessidade. O homem trabalha enquanto o seu agir é suscitado e determinado pela pressão da necessidade exterior, cuja satisfação assegura a existência do indivíduo. Uma mesma atividade é ou não é trabalho, dependendo de que seja ou não exercida como uma necessidade natural, isto é, como um pressuposto necessário à existência. Aristóteles não trabalhava. Um professor de filosofia, porém, trabalha porque as suas traduções e interpretações da “Metafísica” de Aristóteles são um emprego, isto é, uma necessidade, socialmente condicionada, de procurar os meios materiais de sustento e de existência.
A divisão do agir humano em trabalho (esfera da necessidade) e arte (esfera da liberdade) capta a problemática do trabalho e do não-trabalho apenas aproximadamente e apenas sob certos aspectos. Esta distinção parte de uma determinada forma histórica do trabalho como de um pressuposto não analisado e, portanto, aceito acriticamente, sobre cujo fundamento se petrificou a divisão do trabalho surgida historicamente, em trabalho físico-material e trabalho espiritual. Nessa distinção fica oculta uma ulterior característica essencial da especificidade do trabalho como um agir humano que não abandona a esfera da necessidade mas ao mesmo tempo a supera e cria nela os reais pressupostos da liberdade humana.52
A liberdade não se revela ao homem além das fronteiras da necessidade, como um campo autônomo independente em face do trabalho; surge do trabalho como de um pressuposto necessário. O agir humano não está dividido em dois campos autônomos, um independente do outro e reciprocamente indiferentes, um que é a encarnação da liberdade e outro que é o campo de ação da necessidade. A filosofia do trabalho como agir humano objetivo, no qual em processo necessário são criados os reais pressupostos da liberdade, é, assim, ao mesmo tempo, também uma filosofia do não-trabalho. O agir humano objetivo que transforma a natureza e nela inscreve significados, é um processo único, cumprido por necessidade e sob a pressão de uma finalidade exterior, mas que ao mesmo tempo realiza os pressupostos da liberdade e da livre criação. A divisão deste processo único em duas esferas, aparentemente independentes uma da outra, não decorre da “natureza das coisas”; é um produto historicamente transitório. Enquanto a consciência é prisioneira desta divisão, isto é, enquanto não lhe percebe o caráter histórico, ela opõe o trabalho à liberdade, a atividade objetiva à imaginação, a técnica à poesia, como dois modos independentes de satisfazer as aspirações humanas.53
Por outro lado, é natural que a romântica absolutização dos sonhos, da imaginação e da poesia acompanhe como uma sombra fiel todo “fanatismo do trabalho”, e, por conseguinte, todas as formas históricas da produção nas quais a unidade da necessidade e da liberdade se realiza como separação entre o trabalho e o prazer (alegria, regozijo, felicidade) ou como unidade das contradições que tomam corpo no antagonismo dos grupos sociais.54 A ação humana que é determinada apenas por uma finalidade interior e não depende de uma necessidade natural ou de uma obrigação social não é um trabalho; é uma livre criação, qualquer que seja o campo em que se realize. O autêntico reino da liberdade começa, portanto, além das fronteiras do trabalho, se bem que justamente o trabalho é que constitui a sua base histórica necessária: “O reino da liberdade só tem início efetivamente no ponto em que se para de trabalhar sob a pressão da necessidade e da finalidade exterior; segundo a natureza da coisa, ele se acha, assim, fora da esfera própria da produção material”.55
As considerações feitas até hoje divulgam a aparência de que o trabalho por si mesmo pertence à economia ou que pela sua própria natureza é um conceito econômico “natural”. Até agora, no trabalho, não encontramos nada de econômico. No entanto, chegamos ao ponto em que se revela tanto a conexão interna entre economia e trabalho, quanto a natureza da economia. A economia não é exclusivamente a esfera da necessidade nem a esfera da liberdade; ela constitui um campo da realidade humana em que se cria historicamente a unidade da necessidade e da liberdade, da animalidade e da humanidade. A economia é a esfera da necessidade (do agir objetivo laborioso) na qual são criados os pressupostos históricos da liberdade humana. À base da análise do trabalho, chegamos a duas importantes noções referentes à economia. A primeira se refere ao nascimento da economia. Como empreendemos a investigação da economia partindo da análise do trabalho, a própria economia se nos manifestou originariamente não como uma estrutura econômica da sociedade, já pronta e acabada, como uma plataforma histórica já formada ou como unidade das forças produtivas e das relações de produção; manifestou-se como realidade humano-social que se vai formando e constituindo, realidade fundada sobre o agir objetivamente prático do homem. Em segundo lugar verificamos o posto que a economia ocupa na realidade humano-social: a economia ocupa o lugar central na realidade humano-social porque ela constitui a esfera da metamorfose histórica de que se cria o homem como ser racional e criatura social, a esfera onde ocorre a humanização do homem. A economia está situada no ponto em que a animalidade se humaniza, e em que se realiza a unidade de necessidade e liberdade. Neste sentido, a economia se manifesta como modo das relações humanas e fonte da realidade humana.
Duas opiniões extremas exemplificam a incompreensão do que a economia ocupa no sistema da realidade humana, que sempre buscou por trás dos fenômenos empíricos uma “necessidade superior” e a “autêntica realidade”, ficou tão perturbado pela hegemonia do “interesse econômico” no seu tempo que não pôde libertar-se da prisão desta empiricidade reificada, e por isso não procura a sua “autêntica realidade”. O que é a economia? – se interroga Schelling. Um negócio, uma beterraba, uma cervejaria, uma criação de gado?56 O outro extremo é constituído pela opinião que coloca a economia na periferia da realidade humana, considerando-a como uma zona que se refere exclusivamente às exigências físicas. A economia é a esfera da satisfação das exigências elementares do homem como ser fisiológico, biológico e animal. Ela, portanto, desempenha uma função decisiva apenas nas situações ínfimas, quando todos os interesses humanos se retiram e fica apenas a urgente necessidade de comer, agasalhar-se e vestir-se. A economia toma-se um fator determinante quando há fome, guerra e calamidades elementares. Quando é que o homem vive da economia e é determinado economia? Quando não tem o que comer e quando sente frio, responde o nosso autor.57
Enquanto indagamos a relação entre o trabalho e a criação da realidade humano-social, não descobrimos no trabalho nada de econômico. O trabalho como agir objetivo do homem, no qual se cria a realidade humano-social, é o trabalho no sentido filosófico. Ao contrário, o trabalho em sentido econômico é o criador da forma específica, histórica e social da riqueza. Do ponto de vista da economia o trabalho se manifesta como regulador e como estrutura ativa das relações sociais na produção. O trabalho como categoria econômica é a atividade produtiva social, que cria a forma específica da riqueza social.58
O trabalho em geral é o pressuposto do trabalho em sentido econômico, mas não coincide com este. O trabalho que forma a riqueza da sociedade capitalista não é o trabalho em geral; é um determinado trabalho, o trabalho abstrato-concreto ou um trabalho dotado de dupla natureza, e apenas nesta forma pertence à economia.”
50. Ver H. Marcuse, no estudo citado, pág. 273.
51. A propósito devemos advertir que Smetana, diferentemente de Schelling, não considera a arte como a única ocupação do gênio, mas, no espírito da época, democratiza fortemente toda a concepção da criação artística e concebe a arte no sentido amplo e revolucionariamente antecipador de livre criação das condições humanas. Ver Aug. Smetana, Sebr. spisy [Obras Completas] , I, Praga, 1960, págs. 186- 187.
52: A relação entre necessidade e liberdade é uma relação historicamente condicionada e historicamente variável. É portanto perfeitamente coerente, do ponto de vista materialista, que Marx reduza o problema da liberdade à redução do tempo de trabalho, isto é, à criação de tempo livre, e neste sentido traduza a problemática de necessidade e liberdade na história em relação de tempo de trabalho e tempo livre. “… O tempo livre, o tempo que está à nossa disposição, é a própria riqueza – [ destinada ] em parte à fruição do produto, em parte à livre manifestação de uma atividade que não é, como o trabalho, determinada pela coação de uma finalidade exterior, que deve ser cumprida e cujo cumprimento é uma necessidade natural ou um dever social, como se queira.” Marx, Theorien über den Mehrwert, Vol. III, pág. 305. A representação do tempo livre como férias organizadas é absolutamente estranha a Marx. É claro que a criação de um tempo livre como dimensão qualitativamente nova da vida humana se conjuga com a criação de uma sociedade livre.
53: Este é o caso do romantismo e do surrealismo. A sua apologética conduz: a conclusões imprevistas, como demonstra o seguinte trecho: “Le príncipe de la démarche surréaliste n’est pas la raison hégélienne ou le travail marxiste: c’est la liberté.” (O princípio da abordagem surrealista não é a razão hegeliana ou a obra marxista: é a liberdade) Ferd. Alquié, Philosophie du surréalisme, Paris, 1915, pág. 115.
54. “Não corresponde absolutamente ao processo de desenvolvimento da sociedade que um indivíduo, tendo satisfeito a própria necessidade, crie, a partir deste momento, o próprio excedente; pelo contrário, pelo fato de um indivíduo ou classe de indivíduos ser forçado a trabalhar mais do que o necessário à satisfação das suas próprias necessidades, o surplus de trabalho acaba, de um lado, enquanto o surplus de riqueza sobra, do outro. Na realidade, o desenvolvimento da riqueza só existe dentro destas contradições. No plano das possibilidades, exatamente o seu desenvolvimento representa a possibilidade de superar estas contradições”. Marx, Grundrisse, pág. 305
55. Marx, O Capital, III, 2, cap. XLVIII, parte 3. Ver também Grundrisse, págs. 599, 505.
56. Schelling, Werke, II, pág. 622.
57. (…) R. Caillois, Le monde vécu et l’histoire. L’homme, le monde, l’histoire, Paris-Grenoble, 1948, pág. 74.
VEJA ISSO
https://jornalggn.com.br/noticia/lista-de-livros-dialetica-do-concreto-parte-iii-karel-kosik/
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“É verdade que Hegel construiu um palácio para as ideias, mas deixou as pessoas em casebres.”
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“Marx e Hegel, na construção das suas obras, partem de um motivo simbólico intelectual comum, difuso na atmosfera cultural do seu tempo. Este motivo próprio da época da obra literária, filosófica e científica é a “odisseia”. O sujeito (o indivíduo, a consciência individual, o espírito, a coletividade) deve andar em peregrinação pelo mundo e conhecer o mundo para conhecer a si mesmo. O conhecimento do sujeito só é possível na base da atividade do próprio sujeito sobre o mundo; o sujeito só conhece o mundo na proporção em que nele intervém ativamente, e só conhece a si mesmo mediante uma ativa transformação do mundo. O conhecimento de quem é o sujeito significa conhecimento da atividade do próprio sujeito no mundo. Todavia, o sujeito que retorna a si mesmo depois de ter andado em peregrinação pelo mundo é diferente do sujeito que empreendera a peregrinação. O mundo percorrido pelo sujeito é diferente, é um mundo mudado, pois a simples peregrinação do sujeito pelo mundo modificou o próprio mundo, nele deixou as suas marcas. Ao regressar, porém, o mundo ao seu redor se manifesta ao sujeito de modo diferente de como se manifestara no início da peregrinação, porque a experiência obtida modificou a sua visão do mundo e de certo modo reflete a sua posição para com o mundo, nas suas variações de conquista do mundo ou resignação no mundo.”
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“Não é justo afirmar que cada categoria econômica de “O Capital” de Marx é ao mesmo tempo uma categoria filosófica (H. Marcuse), mas é verdade que uma análise filosófica que ultrapasse o âmbito da ciência especializada e revele o que é a realidade e como se forma a realidade humano-social, permite compreender a essência das categorias econômicas, dando-nos a chave para a sua análise crítica. As categorias econômicas não dizem por si mesmas o que são. Na vida social dão antes a impressão de misteriosos hieróglifos. Portanto, até a afirmação de que o ser social é constituído de juros, salário, dinheiro, renda, capital e mais-valia, suscita uma justificada impressão de arbítrio e absurdo. Enquanto a ciência econômica observou o movimento das categorias econômicas, ela jamais colocou o problema do que são essas categorias, nem mesmo lhe ocorreu procurar uma conexão interna entre as categorias econômicas e o ser social. Por outro lado, para que se pudesse descobrir tal conexão, tinha de haver uma concepção da realidade diferente daquela que a economia clássica pressupunha. A análise de uma determinada realidade – no caso, da economia do capitalismo – é matéria que diz respeito à ciência, à economia política. Para que tal ciência seja ciência autêntica e não fique à margem da ciência como o filosofar sobre fenômenos econômicos (Moses Hess) ou corno a sistematização doutrinária das representações da realidade econômica (economia vulgar) , ela deve derivar de um correto conceito da realidade social, que não é e não pode ser matéria de uma ciência especial.
Do mesmo modo as categorias econômicas não são categorias filosóficas; mas a descoberta do que são as categorias econômicas e, portanto, a sua análise crítica deriva necessariamente de uma concepção filosófica da realidade, da ciência e do método. A análise crítica – que demonstra que as categorias econômicas não são aquilo que aparentam nem aquilo que nos é impingido pela consciência acrítica, e nelas revela o oculto núcleo interno – deve ao mesmo tempo demonstrar, se quiser permanecer ao nível da ciência, que a sua aparência categorial é uma manifestação necessária da essência interna. Este procedimento – em que a pseudoconcreticidade é liquidada para ser demonstrada como forma fenomênica necessária – não ultrapassa ainda, de modo algum, o âmbito da filosofia (isto é, de Hegel). Só a demonstração de que as categorias econômicas são formas históricas da objetivação do homem, e que, como produtos da práxis histórica, só podem ser superadas por uma atividade prática, indica os limites da filosofia e o ponto em que tem início a atividade revolucionária. (Se Marx segue as pegadas da ciência clássica e refuta os romantismos, ainda que à primeira vista fosse mais lógico o contrário, tal acontece porque a ciência clássica ofereceu uma análise do mundo tornado objetual, enquanto os romantismos são apenas um protesto contra a desumanidade daquele mundo, e neste sentido são ao mesmo tempo um produto seu, e, portanto, algo derivado e secundário). A análise das categorias econômicas não é destituída de pressupostos: o seu pressuposto é a concepção da realidade como processo prático de produção e reprodução do homem social. Uma análise assim conduzida revela nas categorias econômicas as formas fundamentais ou elementares da objetivação, e, por conseguinte, a existência objetiva do homem como ser social.:E: evidentemente exato – e até este ponto a economia clássica tem razão contra todos os protestos românticos – que a economia como sistema ou totalidade exige e cria o homem do ponto de vista do próprio sistema; quer dizer, acolhe o homem no sistema na medida em que o homem apresenta determinadas características, vale dizer enquanto é reduzido ao “homem econômico”. Mas justamente porque a economia é a forma elementar da objetivação, é unidade objetivada e realizada de sujeito e objeto, é atividade prática objetivada do homem, justamente por isto em tal relação não se desenvolve apenas a riqueza social objetiva, mas ao mesmo tempo também as qualidades e faculdades subjetivas dos homens. “No ato mesmo da reprodução não se modificam apenas as condições objetivas – por exemplo, uma vila torna-se uma cidade, um deserto toma-se terra cultivável; modificam-se os próprios produtores, enquanto extraem novas qualidades de si mesmos, desenvolvem-se na produção e se transformam, criam novas forças e novas representações, novos modos de relações, novas exigências e uma nova linguagem.”29
As categorias econômicas exprimem as “formas do ser” ou as “determinações existenciais” do sujeito social apenas na totalidade, que não é um aglomerado de todas as categorias mas dá lugar a uma determinada estrutura dialética, constituída do “poder que tudo domina” e, portanto, daquilo que cria o “éter do ser”, como se exprime Marx. Todas as outras categorias – consideradas isoladamente em si mesmas – exprimem apenas facetas e aspectos parciais, isolados. Portanto, só se as categorias são desenvolvidas dialeticamente e a sua estrutura oferece a articulação interna da estrutura econômica de uma determinada sociedade, só em tal caso cada uma das categorias econômicas consegue o seu autêntico significado, ou seja, toma-se uma categoria concretamente histórica. Em cada uma de tais categorias é então possível descobrir, seja de modo essencial (quando se trata das categorias econômicas fundamentais), seja sob um aspecto determinado (quando se trata das categorias secundárias):
1) uma determinada forma da objetivação histórico-social do homem, visto que a produção – como observa Marx – é por sua essência objetivação do indivíduo;30
2) um determinado grau, concretamente histórico, da relação sujeito-objeto;
3) a dialética do histórico e do meta-histórico, isto é, a unidade das determinações ontológicas e existenciais.
Se na base da nova concepção da realidade (descobrimento da práxis e da práxis revolucionária) se revela o caráter das categorias econômicas e se processa a sua análise, reciprocamente se pode, partindo destas categorias, realizar a edificação do ser social. No sistema das categorias econômicas se reproduz espiritualmente a estrutura econômica da sociedade. Em seguida também é possível descobrir o que é na realidade a economia, e distinguir entre aparências reificadas e mistificadas ou necessárias manifestações exteriores da economia, e aquilo que é economia no sentido próprio da palavra. A economia não é apenas produção dos bens materiais: é a totalidade do processo de produção e reprodução do homem como ser humano-social. A economia não é apenas produção de bens materiais; é ao mesmo tempo produção das relações sociais dentro das quais esta produção se realiza.31
O que a crítica burguesa e reformista considera como a parte “especulativa”, “messiânica” ou “hegelianizante” de “O Capital” é apenas a expressão exterior do fato de que Marx, sob o mundo dos objetos, sob o movimento dos preços, das mercadorias, das várias formas de capital – cujas leis ele exprime em fórmulas exatas – descobre o mundo objetivo das relações sociais, ou seja, a dialética sujeito-objeto. A economia é o mundo objetivo dos homens e dos seus produtos sociais, e não o mundo objetivado do movimento social das coisas. O movimento social das coisas, que mascara as relações sociais dos homens e dos seus produtos, é uma determinada forma de economia, historicamente transitória. Enquanto existe tal forma histórica da economia, ou seja, enquanto a forma social do trabalho cria o valor de troca, existe também a mistificação real, prosaica, pela qual determinadas relações – nas quais entram os indivíduos no curso do processo produtivo da sua vida social – se mostram sob um aspecto subvertido, como qualidades sociais das coisas.32
Em todas estas manifestações a economia no seu conjunto e as suas categorias econômicas singulares se mostram como dialética particular da pessoa e das coisas. As categorias econômicas, que num dos seus aspectos são a fixação das relações sociais das coisas, contêm em si os homens como portadores das relações econômicas. A análise das categorias econômicas é uma crítica de duplo gênero: em primeiro lugar demonstra a insuficiência das análises feitas até então pela economia clássica, no tocante à adequada expressão do movimento social mesmo, e neste sentido a análise crítica é uma continuação da economia clássica: elimina as discordâncias e os defeitos da economia clássica e apresenta análises mais profundas e universais. Em segundo lugar – e sob este aspecto o marxismo é uma crítica da economia no sentido próprio do termo – o movimento real das categorias econômicas mostra-se como forma reificada do movimento social dos homens. Em tal crítica se descobre que as categorias do movimento social das coisas são formas existenciais – necessárias e historicamente transitórias – do movimento social dos homens. A economia marxista surge, portanto, como uma dupla crítica das categorias econômicas, ou melhor – para lhe dar uma expressão positiva – como análise da dialética histórica dos homens e das coisas na produção, a qual é concebida como produção histórico-social da riqueza objetiva e das relações sociais objetivas.
Na economia capitalista verifica-se o recíproco intercâmbio de pessoas e coisas, a personificação das coisas e a coisificação das pessoas. Às coisas se atribuem vontade e consciência, e por conseguinte o seu movimento se realiza consciente e voluntariamente; e os homens se transformam em portadores ou executores do movimento das coisas. A vontade e a consciência dos homens são determinadas pelo movimento objetivo das coisas: o movimento das coisas se realiza através da mediação da vontade e da consciência dos homens, como mediação de um elemento mediador próprio.
A lei interna das coisas, que deriva do seu movimento social, é transposta para a consciência humana como intenção e escopo; o fim subjetivo se objetiva e, independentemente da consciência individual, dá a impressão de ser uma tendência ou missão da coisa. Aquilo que, para o valor e a produção de mercadorias é a sua “missão, instinto interno e tendência”, se manifesta na consciência do capitalista – com a mediação de quem tal missão se realiza – como propósito consciente e escopo.33
Examinando-se e formalizando-se a lei interna do movimento social – da qual o homem (homo oeconomicus) é apenas o portador ou uma máscara característica – constata-se imediatamente que tal realidade é apenas uma aparência real. À primeira vista a pessoa (o homem) se mostra, na relação econômico-produtiva, apenas como personificação do movimento social das coisas, e a consciência se revela o executor (o agente) do movimento em si,34 mas logo em seguida uma análise ulterior dissolve esta aparência positiva e demonstra que o movimento real das coisas é forma histórica da relação entre os homens; e a consciência coisificada é apenas uma forma histórica da consciência humana.
As categorias econômicas, na base das quais se opera a edificação do ser social e que são formas existenciais do sujeito social, não são, portanto, expressões do movimento das coisas ou das relações sociais humanas, destacadas dos próprios homens e da sua consciência. Nas categorias econômicas fixamse as relações produtivas sociais que passam através da consciência humana, mas são independentes da própria consciência, e, portanto, se servem da consciência individual como de uma forma da própria existência e do próprio movimento. O capitalista é uma relação social dotada de vontade e de consciência, mediatizada pelas coisas, que se manifesta no movimento das próprias coisas.35
O ser social determina a consciência dos homens, mas disto não resulta que o ser social se revele adequadamente na consciência dos homens. Na práxis utilitária do dia-a-dia os homens mais facilmente tomam consciência do ser social sob cada um dos aspectos isolados ou sob aparências feitichizadas. Como se revela o ser social do homem nas categorias econômicas? Porventura enquanto se traduz na categoria econômica correspondente, como o capital, a propriedade territorial, a pequena indústria, os monopólios, isto é, numa faticidade histórico-econômica de condições e de dados? Nesta transposição, o ser social é substituído pelas suas aparências reificadas ou momentos isolados, razão por que o acréscimo de formas culturais a um ser entendido de tal modo não pode abandonar a esfera da vulgarização, mesmo que se confirmasse milhares de vezes, sob juramento, a asserção de que a conexão entre “economia” e cultura é concebida “mediatamente” e “dialeticamente”. A atitude vulgarizante não consiste na falta de mediação, mas na concepção mesma do ser social. O ser social não é uma substância rígida ou dinâmica, ou uma entidade transcendente que exista independente da práxis objetiva: é o processo de produção e reprodução da realidade social, vale dizer, é “práxis” histórica da humanidade e das formas da sua objetivação. Se de um lado a economia e as categorias econômicas são incompreensíveis sem a práxis objetiva e sem a solução do problema de como é constituída a realidade social, de outro lado, porém, as categorias econômicas – como formas fundamentais e elementares da objetivação social do homem – são os elementos constitutivos na base dos quais se realiza a edificação do ser social. “Se examinamos a sociedade burguesa no seu conjunto – assim sintetiza Marx a conexão entre ser social, práxis e economia – o que se apresenta sempre, como resultado último do processo social de produção, é a própria sociedade. Vale dizer, o próprio homem nas suas relações sociais. Tudo aquilo que tem uma forma sólida, como um produto etc., se manifesta apenas como um momento, um momento transitório daquele movimento. Até o imediato processo produtivo aqui se mostra apenas como momento. As condições e objetivações do processo são também elas, ao mesmo tempo, momentos seus, e como sujeitos do processo se mostram apenas os indivíduos, mas os indivíduos ligados por relações recíprocas que justamente eles reproduzem ou produzem ex novo. É próprio deles o incessante processo do movimento no qual justamente eles se renovam tanto quanto o mundo da riqueza, que eles mesmos criam.36 Nas categorias econômicas e na sua articulação dialética o ser social não está tanto “contido” mas, melhor dito, fixado. Portanto, a análise teórica descobre o ser social no sistema das categorias econômicas apenas quando ela “dissolve” a fixidez destas e as compreende como expressões da atividade objetiva dos homens e da conexão das suas relações sociais em determinadas etapas históricas do desenvolvimento.”
29. Marx, Grundrisse, pág. 394. Na década de 30 a publicação dos primeiros ‘“Manuscritos Econômico-Filosóficos”’ de Marx provocou viva sensação e deu origem a uma vasta literatura, enquanto a publicação dos “Grundrisse”, que são trabalhos preparatórios para “O Capital”, do Marx da época madura, da década de 50, e constituem um elo extraordinariamente importante entre os “Manuscritos” e “O Capital”, quase não mereceu atenção. É difícil exagerar o significado dos “Grundrisse”. Demonstram eles, antes de tudo, que Marx nunca abandonou a problemática filosófica, e que especialmente os conceitos de “alienação”, “reificação”, “totalidade”, relação de sujeito e objeto, que alguns canhestros marxólogos proclamariam prazerosamente como o pecado de juventude de Marx, continuam sendo, ao contrário, o constante equipamento conceitual da teoria de Marx. Sem eles “O Capital” é incompreensível.
30. “Jede Produktion ist eine Vergegenständlichung des Individuums”. Marx, Grundrisse, pág. 137. (Toda produção é uma objetivação do indivíduo).
31. “A economia burguesa, porém, vê como se produz por dentro das relações de produção capitalistas, mas não vê como se produzem essas relações mesmas”. Marx. “Archiv”, vol. II, Moscou, 1933, pág. 1 76.
32. Ver Marx, Contribuição à Crítica da Economia Política.
33. Marx, “Archiv”, pág. 6.
34. “As funções desempenhadas pelo capitalista são apenas funções do próprio capital desempenhadas com a consciência e a vontade do valor que se valoriza graças à absorção do trabalho vivo. O capitalista funciona somente como capital personificado, assim como o operário funciona como trabalho personificado.” Marx, “Archiv”, pág. 32.
35. “No conceito do capital está contido o capitalista”. Marx, Grundrisse, pág. 412.
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“O trabalho, na sua essência e generalidade, não é atividade laborativa ou emprego que o homem desempenha e que, de retorno, exerce uma influência sobre a sua psique, o seu habitus e o seu pensamento, isto é, sobre esferas parciais do ser humano. O trabalho é um processo que permeia todo o ser do homem e constitui a sua especificidade. Só o pensamento que revelou que no trabalho algo de essencial acontece para o homem e o seu ser, que descobriu a íntima, necessária conexão entre os problemas “o que é o trabalho” e “quem é o homem”, pôde também iniciar a investigação científica do trabalho em todas as suas formas e manifestações.”
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“Esclarece-se a especificidade do ser humano opondo-a ao ser dos animais e ao ser das coisas. Em que um homem difere de uma pedra, de uma lagartixa e de uma máquina? Hegel, como dialético, situa a distinção entre o homem e o animal justamente no ponto em que o homem e o animal se encontram essencialmente: no campo da animalidade. O domínio do desejo animal bruto45 e a inserção – entre este e a sua satisfação – de um termo mediador, que é o trabalho, não é apenas um processo no curso do qual o desejo animal se transforma em desejo humano46 e no qual se opera a gênese do homem; é ao mesmo tempo um modelo elementar da própria dialética. A transformação do desejo animal em desejo humano, a humanização do desejo sobre a base e no processo do trabalho, é apenas um dos aspectos do processo que se opera no trabalho. Em outras palavras: o modo de abordar o processo do trabalho, que fomos buscar na distinção entre desejo animal e humano, nos conduzirá à compreensão do próprio processo, sob a condição de que nele não se observe apenas a esporádica ou isolada metamorfose da animalidade em humanidade, mas se descubra a metamorfose em geral. O trabalho é um processo no qual se opera uma metamorfose ou mediação dialética. Na mediação dialética deste processo não se estabeleceu um equilíbrio entre as contradições, nem se formam contradições antinômicas, mas sim a unidade das contradições se estabelece como processo ou no processo de transformação. A mediação dialética é uma metamorfose na qual se cria o novo, é gênese do qualitativamente novo. No ato mesmo da mediação – no qual da animalidade nasce o humano e o desejo animal se transforma em desejo humanizado, desejo do desejo, isto é, reconhecimento – se forma também a tridimensionalidade do tempo humano: só um ser que no trabalho supere o niilismo do desejo animal descobre o futuro como dimensão do próprio ser, no próprio ato em que se domina e se contém. No trabalho e por meio do trabalho o homem domina o tempo (enquanto o animal é dominado pelo tempo), pois um ser que é capaz de resistir a uma imediata satisfação do desejo e a contê-lo “ativamente” faz do presente uma função do futuro e se serve do passado, isto é, descobre no seu agir a tridimensionalidade do tempo como dimensão do seu ser.47
O trabalho, que superou o nível da atividade instintiva e é agir exclusivamente humano, transforma aquilo que é dado natural, inumano e o adapta às exigências humanas; ao mesmo tempo realiza os fins humanos naquilo que é natural e no material da natureza. Assim, em sua relação com o homem, a natureza se manifesta sob um duplo aspecto: por um aspecto se apresenta como potência e objetividade que tem de ser respeitada, cujas leis o homem precisa conhecer a fim de que possa delas se servir em benefício próprio; por um outro aspecto, se rebaixa a mero material no qual se realizam os fins humanos. Num caso o homem deixa que as forças materiais, que existem independentemente dele, atuem em seu benefício e para as suas exigências; no outro, ele se objetiva na natureza e nos materiais da natureza, e com isto degrada a natureza a simples material das próprias intenções. O trabalho é ora transformação da natureza, ora realização dos desígnios humanos na natureza. O trabalho é procedimento ou ação em que de certo modo se constitui a unidade do homem e da natureza na base da sua recíproca transformação: o homem se objetiva no trabalho, e o objeto, arrancado do contexto natural original, é modificado e elaborado. O homem alcança no trabalho a objetivação, e o objeto é humanizado. Na humanização da natureza e na objetivação (realização) dos significados, o homem constitui o mundo humano. O homem vive no mundo (das próprias criações e significados), enquanto o animal é atado às condições naturais.
O elemento constitutivo do trabalho é a objetividade. A objetividade do trabalho significa em primeiro lugar que o resultado do trabalho é um produto que tem uma duração, que o trabalho só tem um sentido no caso em que passe “incessantemente da forma da operosidade (Unruhe) à forma do ser, da forma do movimento à forma da objetividade (Gegenständlichkeit),48 e portanto só no caso em que ele se manifeste como circulação de atividade e duração, de movimento e objetividade. Ao conduzir-se o processo do trabalho, o produto do trabalho no sentido amplo da palavra se apresenta como seu desfecho e encarnação. Aquilo que no processo do trabalho se manifestou como progressão temporal no produto do trabalho se manifesta, ao contrário, como condensação, como eliminação da sucessão temporal, como calma e duração. No processo do trabalho, são transformados, no presente, os resultados do trabalho passado e se realizam os desígnios do trabalho futuro. A tridimensionalidade do tempo humano como dimensão constitutiva do ser do homem baseia-se no trabalho como ação objetiva do homem. A tridimensionalidade do tempo e a temporalidade do homem são baseadas na objetivação. Sem a objetivação não se dá suspensão temporal.49 O trabalho como ação objetiva é um modo particular de unidade de tempo (temporalização) e de espaço (função extensiva) como dimensões essenciais da existência humana, isto é, formas específicas do movimento do homem no mundo.
Em segundo lugar, o caráter objetivo do trabalho é expressão do homem como ser prático, vale dizer, como sujeito objetivo. No trabalho o homem deixa algo permanente, que existe independentemente da consciência individual. A existência de criações objetivadas é pressuposto da história, isto é, da continuidade da existência humana. Neste contexto se torna claro por que uma visão profunda e realista da realidade humano-social coloca o instrumento acima das intenções, e confirma o seu significado central mediante a concepção de que o instrumento é a “mediação racional” entre o homem e o objeto. Na história do pensamento essa linha é representada pelos filósofos que afirmam o significado da mão do homem e a sua conexão com a racionalidade humana. Anaxágoras diz que “o homem é o mais racional de todos os viventes porque tem as mãos”. Aristóteles, e depois dele Giordano Bruno, chamam a mão “o instrumento dos instrumentos”. Hegel leva a termo tal linha. Ao contrário, a filosofia idealista do século XX (Bergson, Jaspers, Scheler, Heidegger) exprime o desprezo pela técnica e pelos instrumentos, e condena romanticamente o mundo, no qual “o homem se perde entre os instrumentos”.
A difundida opinião de que o homem é o único ser que se sabe porque só a ele se descortina o futuro, ao termo do qual ele avista a morte, é idealisticamente deturpada na interpretação existencialista, porquanto, com base na limitação da existência humana, a objetivação é considerada como uma das formas da fuga à autenticidade, que é ao contrário o serpara-a-morte. Mas o homem só sabe que é mortal na medida em que ele distribui o tempo à base do trabalho como ação objetiva e criação da realidade humano-social. Sem a ação objetiva, na qual o tempo se divide em futuro, presente e passado, o homem não poderia saber que é mortal.”
45. Neste sentido o animal e o homem são “por natureza” seres práticos. A propósito ver a polêmica de Marx com Wagner, em que ele afirma que o homem “não está” na realidade: ele age praticamente na realidade, para satisfazer as próprias exigências.
46. A distinção entre desejo animal e desejo humano nos parece linguisticamente mais apropriada do que a tradução literal dos termos hegelianos “’Begierde” e “Trieb” (“desejo físico” e “impulso instintivo”).
47. “L’animal n’existe que dans le moment, il ne voit rien au delà: l’homme vit dans le passé, le présent et l’avenir.” Diderot, Oeuvres, XVIII, edição Assézat, pág. 179. Ver Poulet, op. cit., pág. 179.
48. Marx, O Capital, vol. I, parte II, cap. V.
49. Neste ponto fundamental, em que a problemática do tempo humano é associada à atividade objetiva do homem, a filosofia materialista se diferencia essencialmente da concepção existencialista da temporalidade.
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“As análises desenvolvidas até hoje procuraram descrever o trabalho servindo-se de pares dialéticos como a causalidade e a finalidade, a animalidade e a humanidade, o sujeito e o objeto etc., enquanto o trabalho mesmo era apresentado como “centro ativo” no qual atua a unidade dialética de tais pares. Desta maneira foram traçadas as características essenciais do trabalho, mas ainda não fora captada a sua especificidade. As características descobertas até hoje compreendem o operar humano em geral, mas nele não distinguem os vários gêneros particulares.
A um soberano da Idade Média nem lhe passaria pela cabeça que reinar é um trabalho ou que, tomando decisões políticas, estivesse trabalhando. Tanto César quanto Aristóteles – observa Marx – teriam considerado ofensivo o próprio epíteto de “trabalhador”. Significa isto, então, que a ação política, a ciência e a arte não são trabalho? Uma resposta sumariamente negativa seria tão inexata quanto a afirmação oposta, que considera a ciência, a política e a arte como trabalho.50 Onde está, então, a linha de separação ou o critério de distinção? Ou os citados modos de agir humano são trabalho em certas condições, ao passo que em outras não o são?
A arte sempre foi considerada como a atividade humana e o agir humano par excelence e, como livre criação, considerada distinta do trabalho. Hegel substitui a criação artística de Schelling pelo trabalho efetivo como único gênero de práxis, o que significa tanto uma democratização como um aprofundamento da visão da realidade humana; tal diferenciação, contudo, não deve ocultar o outro aspecto do problema. Para Schelling, assim como para Augustin Smetana e Edward Dembowsky, a criação artística é “práxis” livre, isto é, um gênero de agir humano que não se submete a uma necessidade exterior e se caracteriza expressamente pela “independência de finalidades exteriores”. O agir humano resulta, pois, dividido em dois campos: num campo ele atua sob a pressão da necessidade e se chama trabalho, enquanto no outro se realiza como livre criação e se chama arte.51 Esta distinção é justa porquanto torna possível captar a especificidade do trabalho como um agir objetivo do homem, tal como suscitado e determinado constitutivamente por um fim exterior, cuja consecução se chama necessidade natural ou obrigação social. O trabalho é um agir humano que se move na esfera da necessidade. O homem trabalha enquanto o seu agir é suscitado e determinado pela pressão da necessidade exterior, cuja satisfação assegura a existência do indivíduo. Uma mesma atividade é ou não é trabalho, dependendo de que seja ou não exercida como uma necessidade natural, isto é, como um pressuposto necessário à existência. Aristóteles não trabalhava. Um professor de filosofia, porém, trabalha porque as suas traduções e interpretações da “Metafísica” de Aristóteles são um emprego, isto é, uma necessidade, socialmente condicionada, de procurar os meios materiais de sustento e de existência.
A divisão do agir humano em trabalho (esfera da necessidade) e arte (esfera da liberdade) capta a problemática do trabalho e do não-trabalho apenas aproximadamente e apenas sob certos aspectos. Esta distinção parte de uma determinada forma histórica do trabalho como de um pressuposto não analisado e, portanto, aceito acriticamente, sobre cujo fundamento se petrificou a divisão do trabalho surgida historicamente, em trabalho físico-material e trabalho espiritual. Nessa distinção fica oculta uma ulterior característica essencial da especificidade do trabalho como um agir humano que não abandona a esfera da necessidade mas ao mesmo tempo a supera e cria nela os reais pressupostos da liberdade humana.52
A liberdade não se revela ao homem além das fronteiras da necessidade, como um campo autônomo independente em face do trabalho; surge do trabalho como de um pressuposto necessário. O agir humano não está dividido em dois campos autônomos, um independente do outro e reciprocamente indiferentes, um que é a encarnação da liberdade e outro que é o campo de ação da necessidade. A filosofia do trabalho como agir humano objetivo, no qual em processo necessário são criados os reais pressupostos da liberdade, é, assim, ao mesmo tempo, também uma filosofia do não-trabalho. O agir humano objetivo que transforma a natureza e nela inscreve significados, é um processo único, cumprido por necessidade e sob a pressão de uma finalidade exterior, mas que ao mesmo tempo realiza os pressupostos da liberdade e da livre criação. A divisão deste processo único em duas esferas, aparentemente independentes uma da outra, não decorre da “natureza das coisas”; é um produto historicamente transitório. Enquanto a consciência é prisioneira desta divisão, isto é, enquanto não lhe percebe o caráter histórico, ela opõe o trabalho à liberdade, a atividade objetiva à imaginação, a técnica à poesia, como dois modos independentes de satisfazer as aspirações humanas.53
Por outro lado, é natural que a romântica absolutização dos sonhos, da imaginação e da poesia acompanhe como uma sombra fiel todo “fanatismo do trabalho”, e, por conseguinte, todas as formas históricas da produção nas quais a unidade da necessidade e da liberdade se realiza como separação entre o trabalho e o prazer (alegria, regozijo, felicidade) ou como unidade das contradições que tomam corpo no antagonismo dos grupos sociais.54 A ação humana que é determinada apenas por uma finalidade interior e não depende de uma necessidade natural ou de uma obrigação social não é um trabalho; é uma livre criação, qualquer que seja o campo em que se realize. O autêntico reino da liberdade começa, portanto, além das fronteiras do trabalho, se bem que justamente o trabalho é que constitui a sua base histórica necessária: “O reino da liberdade só tem início efetivamente no ponto em que se para de trabalhar sob a pressão da necessidade e da finalidade exterior; segundo a natureza da coisa, ele se acha, assim, fora da esfera própria da produção material”.55
As considerações feitas até hoje divulgam a aparência de que o trabalho por si mesmo pertence à economia ou que pela sua própria natureza é um conceito econômico “natural”. Até agora, no trabalho, não encontramos nada de econômico. No entanto, chegamos ao ponto em que se revela tanto a conexão interna entre economia e trabalho, quanto a natureza da economia. A economia não é exclusivamente a esfera da necessidade nem a esfera da liberdade; ela constitui um campo da realidade humana em que se cria historicamente a unidade da necessidade e da liberdade, da animalidade e da humanidade. A economia é a esfera da necessidade (do agir objetivo laborioso) na qual são criados os pressupostos históricos da liberdade humana. À base da análise do trabalho, chegamos a duas importantes noções referentes à economia. A primeira se refere ao nascimento da economia. Como empreendemos a investigação da economia partindo da análise do trabalho, a própria economia se nos manifestou originariamente não como uma estrutura econômica da sociedade, já pronta e acabada, como uma plataforma histórica já formada ou como unidade das forças produtivas e das relações de produção; manifestou-se como realidade humano-social que se vai formando e constituindo, realidade fundada sobre o agir objetivamente prático do homem. Em segundo lugar verificamos o posto que a economia ocupa na realidade humano-social: a economia ocupa o lugar central na realidade humano-social porque ela constitui a esfera da metamorfose histórica de que se cria o homem como ser racional e criatura social, a esfera onde ocorre a humanização do homem. A economia está situada no ponto em que a animalidade se humaniza, e em que se realiza a unidade de necessidade e liberdade. Neste sentido, a economia se manifesta como modo das relações humanas e fonte da realidade humana.
Duas opiniões extremas exemplificam a incompreensão do que a economia ocupa no sistema da realidade humana, que sempre buscou por trás dos fenômenos empíricos uma “necessidade superior” e a “autêntica realidade”, ficou tão perturbado pela hegemonia do “interesse econômico” no seu tempo que não pôde libertar-se da prisão desta empiricidade reificada, e por isso não procura a sua “autêntica realidade”. O que é a economia? – se interroga Schelling. Um negócio, uma beterraba, uma cervejaria, uma criação de gado?56 O outro extremo é constituído pela opinião que coloca a economia na periferia da realidade humana, considerando-a como uma zona que se refere exclusivamente às exigências físicas. A economia é a esfera da satisfação das exigências elementares do homem como ser fisiológico, biológico e animal. Ela, portanto, desempenha uma função decisiva apenas nas situações ínfimas, quando todos os interesses humanos se retiram e fica apenas a urgente necessidade de comer, agasalhar-se e vestir-se. A economia toma-se um fator determinante quando há fome, guerra e calamidades elementares. Quando é que o homem vive da economia e é determinado economia? Quando não tem o que comer e quando sente frio, responde o nosso autor.57
Enquanto indagamos a relação entre o trabalho e a criação da realidade humano-social, não descobrimos no trabalho nada de econômico. O trabalho como agir objetivo do homem, no qual se cria a realidade humano-social, é o trabalho no sentido filosófico. Ao contrário, o trabalho em sentido econômico é o criador da forma específica, histórica e social da riqueza. Do ponto de vista da economia o trabalho se manifesta como regulador e como estrutura ativa das relações sociais na produção. O trabalho como categoria econômica é a atividade produtiva social, que cria a forma específica da riqueza social.58
O trabalho em geral é o pressuposto do trabalho em sentido econômico, mas não coincide com este. O trabalho que forma a riqueza da sociedade capitalista não é o trabalho em geral; é um determinado trabalho, o trabalho abstrato-concreto ou um trabalho dotado de dupla natureza, e apenas nesta forma pertence à economia.”
50. Ver H. Marcuse, no estudo citado, pág. 273.
51. A propósito devemos advertir que Smetana, diferentemente de Schelling, não considera a arte como a única ocupação do gênio, mas, no espírito da época, democratiza fortemente toda a concepção da criação artística e concebe a arte no sentido amplo e revolucionariamente antecipador de livre criação das condições humanas. Ver Aug. Smetana, Sebr. spisy [Obras Completas] , I, Praga, 1960, págs. 186- 187.
52: A relação entre necessidade e liberdade é uma relação historicamente condicionada e historicamente variável. É portanto perfeitamente coerente, do ponto de vista materialista, que Marx reduza o problema da liberdade à redução do tempo de trabalho, isto é, à criação de tempo livre, e neste sentido traduza a problemática de necessidade e liberdade na história em relação de tempo de trabalho e tempo livre. “… O tempo livre, o tempo que está à nossa disposição, é a própria riqueza – [ destinada ] em parte à fruição do produto, em parte à livre manifestação de uma atividade que não é, como o trabalho, determinada pela coação de uma finalidade exterior, que deve ser cumprida e cujo cumprimento é uma necessidade natural ou um dever social, como se queira.” Marx, Theorien über den Mehrwert, Vol. III, pág. 305. A representação do tempo livre como férias organizadas é absolutamente estranha a Marx. É claro que a criação de um tempo livre como dimensão qualitativamente nova da vida humana se conjuga com a criação de uma sociedade livre.
53: Este é o caso do romantismo e do surrealismo. A sua apologética conduz: a conclusões imprevistas, como demonstra o seguinte trecho: “Le príncipe de la démarche surréaliste n’est pas la raison hégélienne ou le travail marxiste: c’est la liberté.” (O princípio da abordagem surrealista não é a razão hegeliana ou a obra marxista: é a liberdade) Ferd. Alquié, Philosophie du surréalisme, Paris, 1915, pág. 115.
54. “Não corresponde absolutamente ao processo de desenvolvimento da sociedade que um indivíduo, tendo satisfeito a própria necessidade, crie, a partir deste momento, o próprio excedente; pelo contrário, pelo fato de um indivíduo ou classe de indivíduos ser forçado a trabalhar mais do que o necessário à satisfação das suas próprias necessidades, o surplus de trabalho acaba, de um lado, enquanto o surplus de riqueza sobra, do outro. Na realidade, o desenvolvimento da riqueza só existe dentro destas contradições. No plano das possibilidades, exatamente o seu desenvolvimento representa a possibilidade de superar estas contradições”. Marx, Grundrisse, pág. 305
55. Marx, O Capital, III, 2, cap. XLVIII, parte 3. Ver também Grundrisse, págs. 599, 505.
56. Schelling, Werke, II, pág. 622.
57. (…) R. Caillois, Le monde vécu et l’histoire. L’homme, le monde, l’histoire, Paris-Grenoble, 1948, pág. 74.
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Giordano Bruno - Eroici furori
Giuseppe A. Perri - Lezioni di Filosofia e Storia
Filosofia moderna (XV-XVIII secolo)
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Seconda risposta del core a gli occhi
Sciocco è colui che sol per quanto appare
al senso, et oltre a la raggion non crede:
il fuoco mio non puote alto volare,
e l’infinito incendio non si vede,
perché de gli occhi ban sopraposto il mare,
e un infinito l’altro non eccede:
la natura non vuol ch’il tutto pera,
se basta tanto fuoco a tanta sfera.
Ditemi, occhi, per dio,
qual mai partito prenderemo noi,
onde far possa aperto o io, o voi,
per scampo suo, de l’alma il fato rio,
se l’un e l’altro ascoso
mai potrà fargli il bel nume piatoso?
laodonio Se non è vero, è molto ben trovato: se non è
cossì, è molto bene iscusato l’uno per l’altro, se stante
che dove son due forze de quali l’una non è maggior
de l’altra, bisogna che cesse l’operazion di questa e
quella: essendo che tanto questa può resistere quanto
quella insistere; non meno quella ripugna, che possa
oppugnar questa. Se dumque è infinito il mare et inmensa la forza de le lacrime che sono ne gli occhi,
non faranno giamai ch’apparir possa Cavillando o
isvampando l’impeto del fuoco ascoso nel petto; né
quelli mandar potranno il gemino torrente al mare, se
con altretanto di vigore gli fa riparo il core: però accade che il bel nume per apparenza di lacrima che stile Seconda risposta del core a gli occhi
Sciocco è colui che sol per quanto appare
al senso, et oltre a la raggion non crede:
il fuoco mio non puote alto volare,
e l’infinito incendio non si vede,
perché de gli occhi ban sopraposto il mare,
e un infinito l’altro non eccede:
la natura non vuol ch’il tutto pera,
se basta tanto fuoco a tanta sfera.
Ditemi, occhi, per dio,
qual mai partito prenderemo noi,
onde far possa aperto o io, o voi,
per scampo suo, de l’alma il fato rio,
se l’un e l’altro ascoso
mai potrà fargli il bel nume piatoso?
laodonio Se non è vero, è molto ben trovato: se non è
cossì, è molto bene iscusato l’uno per l’altro, se stante
che dove son due forze de quali l’una non è maggior
de l’altra, bisogna che cesse l’operazion di questa e
quella: essendo che tanto questa può resistere quanto
quella insistere; non meno quella ripugna, che possa
oppugnar questa. Se dumque è infinito il mare et inmensa la forza de le lacrime che sono ne gli occhi,
non faranno giamai ch’apparir possa Cavillando o
isvampando l’impeto del fuoco ascoso nel petto; né
quelli mandar potranno il gemino torrente al mare, se
con altretanto di vigore gli fa riparo il core: però accade che il bel nume per apparenza di lacrima che stile da gli occhi, o favilla che si spicche dal petto, non
possa esser invitato ad esser piatoso a l’alma afflitta.
[liberio] Or notate la conseguente risposta de gli occhi:
domingo, 1 de janeiro de 2023
DEMOCRACIA DO CONCRETO
viva a democracia
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Lula conclui montagem de governo; veja quem são os 37 ministros
https://epbr.com.br/lula-conclui-montagem-de-governo-veja-quem-sao-os-37-ministros/
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Viva o povo brasileiro
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Lula, na montagem do governo e em sua mensagem inicial, indica trabalhar por uma gestão ampla, que, de fato, ajude a reconciliar os “dois Brasis”?
O desafio do Lula não é nem reconciliar os dois Brasis logo de cara, é ter governabilidade, ter maioria no Congresso com aqueles números básicos: 171 votos para não sofrer o impeachment na Câmara, 257 votos para não ser refém de uma pauta-bomba - como aconteceu com a Dilma Rousseff com Eduardo Cunha - e 308 votos para fazer reformas. Sobretudo a reforma tributária, que está pronta para votar e que pode significar uma grande diferença. Para reconciliar o presidente da República vai ter que ser muito diligente em relação à corrupção. Como se diz: faz a fama e deita na cama. Lula não pode transigir com relação à corrupção, porque essa é a base do antipetismo. E vai ter que desenvolver fortemente a economia, rapidamente diminuir o desemprego, conter a inflação e, portanto, aumentar o sentimento de bem-estar econômico. E também a reconstruir a imagem do Brasil no exterior, sobretudo a partir da questão do meio ambiente.
31/12/22 09:43
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☝🏿Anônimo disse...
171.257.308-26
'CPF' do Governo LULA
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“Este país”, diz um grande político a respeito do país dele, “é
um exemplo eloqüente de distorção eleitoral. Por que, em verdade
vos digo, senhores, a composição do Parlamento não reflete a
composição da sociedade, pois nele as verdadeiras tendências do
povo não estão representadas!” Invente um contexto em que esse
político tenha ou não razão.
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Pequeña Serenata Diurna - Silvio Rodrigues e Chico Buarque
Silvio Rodrígues e Chico Buarque cantam Pequeña Serenata Diurna, de Silvio Rodrígues, no programa Chico e Caetano, da rede Globo, em 1986.
https://www.youtube.com/watch?v=FnGCouT_pno
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sábado, 31 de dezembro de 2022
Luiz Werneck Vianna* - Concretizar democraticamente o nacional-desenvolvimentismo
Até aqui, tudo bem, teriam sido, no registro anedótico de Millor Fernandes, as palavras proferidas por um desastrado ao cair do 10º de um prédio ao passar pelo 9º, tal como podemos conjeturar a poucos dias da investidura presidencial de Lula e Alkmin, cerrando os olhos para não ver os amotinados que ainda sonham com uma intervenção militar acampados nas cercanias da Praça dos Três Poderes esperando a solução mágica de um golpe militar. Verdade que, furando a bolha dos conspiradores contra a ordem democrática, o que ainda nos resta entre seus defensores se apresta a tomar medidas que a defendam. Nessa mesma direção, conta-se com que a imensa participação popular que se espera para cerimônia da posse presidencial atue como força dissuasória dos tresloucados.
Fora o imprevisto, sempre uma possibilidade face a insânia que medrou livre nos últimos quatro anos, pode-se, ao fim e ao cabo, realizar uma celebração cívica para o recomeço da vigência dos rituais próprios à democracia. Mas que ninguém se engane, finda a festa, a inana dos conspiradores antidemocráticos seguirá seu curso, em certos setores ainda mais enraivecida pelo infortúnio dos seus propósitos, e que têm em mãos posições nos poderes legislativos e nas máquinas estaduais de várias cidades e estados, além do fato de terem expressão partidária.
A imposição do governo democrático não deverá ser obra fácil, vai demandar tempo e muito jogo de cintura por parte da coalizão que assume agora as rédeas do Estado, que, aliás, não lhe tem faltado desde o início da campanha eleitoral, a própria obra da composição dos ministérios do novo governo tão ampla quanto possível atesta que não se ignora os riscos da situação presente.
À frente do governo que começa tudo é novo, em particular no cenário internacional onde se intensificam as disputas geopolíticas entre as grandes potências, assim como na nossa demografia política em que os estados do centro-sul, tradicionalmente hegemônicos, têm seu papel diminuído pela emergência dos nordestinos, evidente na composição ministerial. Experiências em administrações passadas, no caso consistem em apenas credenciais válidas para a seleção dos novos dirigentes dos aparelhos públicos, mas por si sós não afiançam aos seus dirigentes o êxito em suas intervenções.
Não se trata simplesmente de repor o que foi destruído pelo regime anterior, conquanto isso importe, mas de buscar a inovação num país que deprimiu a atividade científica e ignorou a indústria, convertendo-se anacronicamente à situação de exportador de commodities, trocando o eixo urbano-industrial, ponto de partida da sua bem-sucedida modernização, pelo agrário, incapaz, mesmo que se releve o papel destacado que vem cumprindo, de edificar as bases para a construção do futuro.
Fora da questão social, onde se fizeram boas opções, procura-se em vão, nos quadros ministeriais selecionados, os portadores de novas promessas para um país com mais de duzentos milhões de habitantes sedentos de novas oportunidades de vida. A timidez nessa busca parece decorrer do receio de se incorrer na fórmula do nacional-desenvolvimentismo, tornada pela pregação neoliberal estigma a ser evitado como o diabo foge da cruz.
Esse mesmo receio é alimentado pela conjura contrária às ações estatais no sentido de alavancar o desenvolvimento, outro estigma a interditar a busca de inovações criativas para a mudança social. A inércia que acometeu o país é fruto da ideologia neoliberal, reinante há décadas nas elites reinantes, cevada, em grande parte, pelo fato de que as orientações nacionais- desenvolvimentistas terem sido, entre nós, levadas a cabo por regimes autoritários.
A dissociação entre nacional-desenvolvimentismo e autoritarismo é, observando bem, mandamento constitucional ao afirmar que a sociedade se deve pautar pelos ideais de justiça e solidariedade, plantas que não nascem como mato no mercado e que demandam obras continuadas de jardinagem. Cabe ao governo democrático que acabamos de conquistar exercer esses cuidados, somente possíveis a ele se compreende que esta é uma missão a ser compartilhada com a sua sociedade cível,
Na indústria da saúde, por exemplo, para a qual estamos prontos para alçar voos ambiciosos, o agrupamento em redes dos equipamentos já constituídos, dos centros de pesquisas universitários ou não, contamos com uma base segura para sua alavancagem com recursos públicos e privados. De outra parte, a valorização do sindicalismo, tal como em países avançados, sobretudo na Alemanha, pode se converter em parceiro significativo nas atividades produtivas, desde que seus estatutos legais prevejam suas formas de participação. A engenharia institucional, sob o império de uma política democrática, com os recursos humanos de que já dispomos, pode ser o instrumento de concretização dos valores que consagramos em nossa Constituição em ruptura com nossas tradições de exclusão.
*Luiz Werneck Vianna. Sociólogo, PUC Rio
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RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.Carlos Drummond de Andrade , "Receita de Ano Novo". Editora Record. 2008.
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sábado, 31 de dezembro de 2022
Bolívar Lamounier* - Programa de governo sem projeto de país?
O Estado de S. Paulo.
Precisamos nos alçar até o degrau superior de uma escada para de lá delinear um horizonte que nos sirva como meta e aspiração
Se o número de ministérios do governo que ora se inicia for uma boa indicação da qualidade do programa que ele pretende implementar, estamos feitos; teremos um governo supimpa.
Infelizmente, no Brasil, em geral acontece o contrário; o presidente quebra a cabeça para encaixar três dúzias de aliados nos ministérios e depois cada um sai à cata de um programa. Ignorando, na maioria dos casos, quais deveriam ser os afazeres de cada um, prefiro me manter a uma prudente distância do emaranhado programático. Abro uma exceção para a Educação. Pelo menos nessa área, atrevo-me a pensar que o governo entrante têm ciência de que a situação brasileira é catastrófica, não comportando reforminhas encabuladas como as que temos tido há séculos.
É patente que não temos – nem o governo nem nós, cá na planície –, sequer um esboço aceitável do que precisa ser feito. Mas, relembrando o saboroso conselho de Lewis Carroll, “para quem não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve”. Esse, realmente, é o problema. Faz décadas que martelamos uma verdade elementar – não conhecemos o Brasil. Verdade já enunciada em incontáveis versões, mas hoje peço vênia para oferecer mais uma. Sugiro que não sabemos aonde queremos ir porque não nos debruçamos sobre questões inarredáveis como a de nossa capacidade de agir como povo, de nos organizarmos, de nos alçarmos até o degrau superior de uma escada para de lá delinear de forma realista um horizonte que nos sirva como meta e aspiração.
Admitamos, para abreviar a conversa, que não temos chance alguma de atingir o nível de vida da Alemanha ou dos Estados Unidos. Compreensivo, relembro o ideal do “Brasil Grande Potência” dos tempos do general Ernesto Geisel, mas apresso-me a fugir dele, pois meu medo, no momento, é o de que venhamos a perder mais uma ou duas décadas. Os economistas talvez possam estimar de uma maneira mais precisa o lapso de tempo de que precisaríamos para nos igualarmos à Alemanha de hoje. Uns 300 anos, suponho, mas ela já estará bem à frente se e quando lá chegarmos. Especular sobre os Estados Unidos parece mais simples. Nesta década, nossa renda anual por habitante deve estar em torno de um quarto da do Mississippi, o Estado mais pobre da federação norte-americana. Não tenho em mãos os dados necessários para uma comparação adequada, mas lembro que os 10% mais ricos do Brasil detêm algo como 55% da riqueza e da renda de nosso país. Essa marca, desconfio que nem o Alabama é capaz de atingir.
Estamos, pois, numa encruzilhada. Podemos insistir no projeto do Brasil Grande Potência – pelo menos é certo que podemos suprir alimentos e outras commodities para o mundo todo. O problema é que no mínimo metade de nossa população em idade escolar está num nível provavelmente inferior ao do Alabama e do Mississippi; e esse problema nem um milagre resolveria, pois de nada adiantaria educarmos tal multidão em poucos anos, se não tivermos como oferecer-lhe empregos estáveis e razoavelmente bem remunerados. Nesse particular, convém lembrar que nossa pujante agricultura já não cria tantos empregos, e que o setor industrial, que já representou 27% do PIB, hoje anda pela casa dos 11%.
Para não fechar este texto num timbre soturno, ocorreme rascunhar alguma coisa sobre o sistema político. Se lográssemos aprimorar rapidamente as instituições de governo e a relação delas com a sociedade, quem sabe poderíamos cogitar um futuro um pouco mais ambicioso? Vejamos alguns números. Em sua valiosa publicação sobre o grau de “democraticidade” de todo o mundo relativo a 2020, a Economist Intelligence Unit (afiliada à revista The Economist) colocou o Brasil e a Argentina mais ou menos no meio da escala, numa categoria que a revista designa como “democracias defeituosas”. Referindose a um período de queda generalizada, devido à pandemia, a estrela do mencionado levantamento foi Taiwan, que subiu 20 posições na classificação, do 31.º para o 11.º lugar, e mudou de categoria, passando da condição de “democracia defeituosa” para a de “democracia plena”. Na direção oposta – ou seja, um desempenho notavelmente vexaminoso – sobressaíram os casos da França e dos Estados Unidos, que permaneceram bem colocados na classificação geral, mas caíram do status de “democracia plena” para a de “democracia defeituosa”. A América Latina obviamente não sai bem na foto, mas com uma importante exceção: o Uruguai, único país “plenamente democrático” da região, ocupando o 8.º lugar.
Quem sabe por aí poderíamos nos certificar se há mesmo alguma luz no fim do túnel? Esquecendo a Alemanha, os Estados Unidos e a grande potência do general Geisel, poderíamos encarar com realismo a hipótese de um país capaz de propiciar melhores condições de vida aos cidadãos, garantindo-lhes saúde e saneamento? Para tanto, o que se faz mister é reduzir drasticamente as desigualdades sociais e regionais, recuperar a indústria, a fim de assegurar um nível adequado de emprego e defesa, e manter, como o Uruguai, o devido apreço pelo regime democrático. •
*Cientista político, Sócio-Diretor da Augurium Consultoria, é membro das Academias Paulista de Letras e Brasileira de Ciências
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Se liga nas eleições | Sistema eleitoral brasileiro - Brasil Escola
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Brasil Escola
11.948 visualizações Estreou em 15 de jun. de 2022 #Eleições2022 #BrasilEscola
De quatro em quatro anos temos sempre a mesma missão: exercer nossa cidadania através do voto, mas você sabe como funciona o sistema eleitoral brasileiro? Se não, venha assistir a este vídeo para aprender! Se sim, assista mesmo assim para entender melhor como funcionam nossas eleições!
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13
Sistemas eleitorais
Basicamente existem dois tipos de sistema eleitoral: o majoritário
(comumente chamado de voto distrital) e o proporcional. Estes dois
sistemas pretendem responder à seguinte pergunta: o que se quer como
resultado de uma eleição? Se o que se quer é uma eleição que gere
maiorias, prefere-se o voto distrital; se o que se quer é que a eleição reflita
a diversidade política, econômica, social e cultural existente numa
sociedade, prefere-se o voto proporcional.
O sistema majoritário é o que ocorre mais facilmente à imaginação
e também o que parece, à primeira vista, mais justo, racional e lógico,
pois o princípio que o orienta pode ser resumido de maneira bastante
simples: quem tem mais votos, ganha. Mas na prática a coisa não fica aí, e
há diversas complicações envolvidas, algumas das quais vamos ver em
seguida. Antes, contudo, cabe lembrar dois modelos de escrutínio
majoritário de aplicação muito difundida, cujo entendimento nos será útil.
O sistema majoritário pode ser uninominal, plurinominal ou por
listas. É uninominal quando se vota em um só nome para um só cargo. É
plurinominal quando se vota em mais de uma pessoa para o mesmo cargo;
por exemplo, para duas vagas de senador. É por listas quando se vota em
vários nomes para um órgão qualquer composto de várias pessoas. É o
que chamamos de chapa, nas eleições para grêmios, centros acadêmicos,
sindicatos, clubes e outras entidades. A chapa, por sua vez, pode ser
fechada ou aberta. É aberta quando nomes de uma chapa podem ser
combinados com nomes de outras chapas: posso votar no candidato a
presidente da chapa A, no candidato a tesoureiro da chapa B e no
candidato a secretário da chapa C. Já na chapa fechada ou bloqueada, o
eleitor não pode compor sua própria chapa: ou vota em bloco na chapa
de sua escolha ou não vota em nenhuma.
O sistema majoritário apresenta uma desvantagem grave: não
permite que as minorias sejam representadas, o que pode render
problemas sérios. Criando uma hipótese exagerada, mas que serve de
boa ilustração, suponhamos que, num país qualquer, a chapa A ganha da
chapa B por um milhão contra 999.990 votos. A diferença, sendo
somente de dez votos, tornaria esse país muito difícil de governar, com tão
marcada diferença entre a realidade da opinião pública e a composição
do governo. Não seria justo nem prático que metade do país mandasse na
outra metade, a qual não teria voz alguma nos negócios públicos. A
metade sem representação poderia frustrar-se e revoltar-se.
Deve-se levar em consideração também a possibilidade teórica de
que, em tal sistema, uma minoria relativamente pequena venha a
governar a maioria, traindo-se, assim, os objetivos do sistema majoritário.
Admita-se, por exemplo, que concorram às eleições quatro listas,
disputando um total de quatro milhões de votos. Se, por exemplo, a lista
A ganhar com 1 milhão e 50 mil votos, os votos das outras chapas,
evidentemente, somarão quase o triplo dos da eleita. Assim, a minoria
representada pela chapa A governaria a maioria representada pelas
outras. Ou seja, basta obter a maioria simples dos votos para ganhar
todos os cargos em disputa.
Por essas e outras razões, o sistema majoritário tem que ser usado
com grande cautela e, em muitas circunstâncias, é mesmo aconselhável
que não seja empregado. Não obstante, pode-se pensar em listas abertas,
o que parece melhorar bastante a situação. Mas somente parece, porque
a realidade é diferente. Vamos supor um país em que houvesse cem
vagas para o Parlamento e cada partido apresentasse sua lista de cem
candidatos. Isto quereria dizer que as áreas mais populosas do país seriam
super-representadas e as menos populosas sub-representadas, ou até não
representadas. Se um sistema como este fosse adotado no Brasil, por
exemplo, o Acre não teria deputados, já que dificilmente um candidato
acreano teria condições de reunir um número de votos maior do que o
menos votado dos candidatos paulistas.
Além disso, a depender das circunstâncias do país em questão, as
listas abertas poderiam ainda suscitar outro problema. Caso houvesse um
número muito grande de partidos, não seria impossível que a composição
do Parlamento ficasse tão fracionada entre dezenas de tendências que a
obtenção do consenso ou mesmo de uma simples maioria numa votação
poderia tornar-se virtualmente impossível, dificultando sobremaneira a
ação do governo. Em eleições para diretorias de entidades esse fenômeno
é comum, razão por que é quase universal a adoção de listas bloqueadas
ou chapas fechadas; eis que o funcionamento de um corpo dirigente
composto por pessoas antagônicas e rivais — conseqüência previsível das
listas abertas — será, no mínimo, tumultuado ou errático.
Muito bem, então introduzamos um aperfeiçoamento. Já que o
Brasil é uma federação, vamos dividir as listas pelos estados,
aproveitando a divisão política existente. Neste caso, haveria um conjunto
de listas para cada estado, conjunto este composto pelas listas
individuais de cada partido concorrente. Cada estado seria, portanto,
uma circunscrição eleitoral. Mas isto também requer refinamentos. Em
primeiro lugar, se houvesse o mesmo número de deputados para cada
estado, a população do país, como um todo, estaria desigualmente
representada. Por exemplo, havendo dez deputados para o Acre e dez
para São Paulo, é claro que o deputado paulista precisaria de muito mais
votos para eleger-se que o acreano, já que o número de eleitores paulistas
dividido por dez seria bem maior do que o número de eleitores acreanos
dividido por dez. O que quer dizer que um voto acreano valeria muito
mais do que um voto paulista, com evidentes e gravíssimas distorções na
representação. E, de mais a mais, onde o número de representantes é
igual para todos os estados é o Senado, porque o senador é um
representante da federação. Assim, o Acre (para ficarmos no exemplo) tem
os mesmos três senadores que São Paulo, não importa a diferença
populacional entre ambos.
Para evitar esses problemas, países como a Inglaterra, o Japão e os
Estados Unidos, por exemplo, adotaram a idéia de distritos, isto é,
pequenas circunscrições eleitorais, com populações idealmente iguais.
Idealmente, porque todos os países adotam uma certa compensação. Nos
Estados Unidos, por exemplo, é preciso compensar, caso contrário estados
como a Califórnia e Nova York ficariam super-representados e Nebraska e
Arkansas ficariam sub-representados.
Com a criação dos distritos, o problema fica consideravelmente
abrandado, mas não deixam de existir problemas, pois nenhum sistema
eleitoral pode aspirar a ser livre de defeitos de maior ou menor
gravidade. Para começar, é necessário uma constante vigilância quanto à
composição populacional dos distritos. Em alguns anos, uma área
densamente povoada pode passar a ter menos gente, ou vice-versa. A
autoridade eleitoral, por conseguinte, tem que exercer uma permanente
fiscalização e providenciar a reformulação dos distritos, toda vez que o
censo demográfico indicar que houve alteração populacional significativa,
para cima ou para baixo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o que se faz é
um processo de redistritamento (nova divisão) ao final de cada eleição, isto
é, de dois em dois anos, que é a duração dos mandatos dos deputados
americanos. Esta divisão é sempre realizada pela Assembléia Legislativa
de cada um dos cinqüenta estados americanos.
Entretanto, mesmo com a adoção dos distritos as minorias são
sub-representadas, porque a tendência, historicamente observável, é de
que o eleitorado se polarize em duas posições, excluindo os chamados
terceiros partidos. Para ilustrar, vamos supor que haja três distritos e três
partidos. No distrito 1, a votação para o partido A é de 2 mil, para o B
1.500, para o C 1.200; no 2, para o A 1.600, para o B 1.700 e para o C
também 1.600; no 3, para o A novamente 2 mil, para o B 1.400 e para o
C 1.800. Como se vê aí, o partido A fez dois deputados, o B um e o C
nenhum. No entanto, existem muitas pessoas que votaram no partido C,
mas que, pelas circunstâncias do sistema, não têm representação.
Além de com isso obter-se um retrato falso da realidade, com o
tempo os eleitores se cansam de nunca conseguirem eleger ninguém e se
aproximam do partido A ou B — do que menos desgosta, enfim. Isto é,
efetivamente, o que tem acontecido na maioria dos países que praticam o
voto distrital, onde terceiros partidos são inexpressivos, engolidos pela
lógica eleitoral bipartidária.
A existência de distritos se presta também a muitas manipulações,
pelo menos uma das quais deve ser sublinhada. Imaginemos que, num
determinado país, os trabalhadores votem maciçamente no partido A e os
agricultores no partido B. Vamos supor também que haja dois distritos
contíguos, num dos quais o partido A ganhe por margem folgada e no
outro perca por uma margem muito pequena. Se o partido A estiver
no poder, ele pode manipular as coisas (dando uma das desculpas
“técnicas” possíveis), trocando um pedaço do território do distrito
“seguro” onde morem trabalhadores (votos certos para ele) por um
pedaço do distrito “inseguro” onde morem agricultores. Basta
rearranjar os limites geográficos com alguma imaginação e fazer as
contas certas, que o partido A, em vez de ganhar num só distrito,
como antes, passa a ganhar nos dois. No primeiro, dispensa apenas
um pouco da “folga”, que não chega a ser coberta pelo ingresso dos
agricultores, cuja saída de seu distrito original retira a pequena
vantagem que lá possuía o distrito B, assim como, com a troca, ainda
chegam mais votos para o partido A. Isto não é tão complicado quanto
pode parecer e é também um dos aspectos mais interessantes do
sistema majoritário por distritos.
Na França, o presidente Charles de Gaulle promoveu, em 1958,
a divisão do país em distritos, arranjados de forma tal que seu
partido aumentou a votação de 4% em 1956 para 20,5% em 1958,
enquanto os partidos de esquerda caíram de 56,3% em 1956 para
16,6% em 1958. Aliás, na França, pluripartidária, vigora uma variante
do sistema majoritário conhecida como “de dois turnos”. Através
desse sistema os candidatos precisam obter maioria absoluta
(metade mais um) de todos os votos dados. Se nenhum dos
candidatos obtiver essa maioria, faz-se um segundo turno, para o
qual concorrem somente os dois primeiros colocados no turno
anterior.
Isto é visto como um aperfeiçoamento em relação ao sistema
majoritário simples, porque não bloqueia a existência de terceiros (ou
quartos, ou quintos) partidos, sendo, portanto, mais sensível ao perfil
do eleitorado e mais flexível diante das alterações nas circunstâncias
políticas. Contudo, não deixa de criar problemas especiais. Um deles é
que, sob sua influência, os partidos políticos tendem a convergir,
ideológica ou programaticamente.
Em primeiro lugar, isto se deve a que a possibilidade de
participação no segundo turno faz com que nenhum partido deseje
alienar excessivamente os eleitores dos outros partidos. Afinal, os votos
desses eleitores vão ser necessários, caso seus partidos não concorram ao
segundo turno. Há, portanto, uma espécie de aproximação em direção ao
centro, uma espécie de repúdio a posições que poderiam ser consideradas
extremas ou radicais.
Em segundo lugar — e paralelamente —, é comum que sejam
necessárias concessões e alianças com os partidos que “sobraram” no
primeiro turno. É como se um partido que sobrou dissesse a um dos dois
que vão disputar o segundo turno: “Olhe, eu não posso mais eleger meu
candidato, mas ainda tenho votos, que são muito importantes. Se você
me prometer tal e tal coisa, meus votos vão para você, caso contrário vão
para o outro.”
E, por fim, a tendência centrista é efetivamente reforçada pelo
sistema, como podemos ver num raciocínio simplificado, mas indicativo
do que pode acontecer. Supondo que haja um partido de esquerda, um de
direita e um de centro, e o de direita “sobre”, o que acontece? No segundo
turno os eleitores da direita vão preferir votar no centro (para eles, o
menos ruim) do que na esquerda. Se sobrar o partido da esquerda, a
mesma coisa acontece, invertida. Já aí, o centro conta com duas chances
contra uma. Se, por outro lado, sobrar o centro, é claro que ambas as
outras correntes vão procurar aproximar-se dele (como, de certa forma,
procuravam antes, só que sem a necessidade de concessões e alianças),
para ganhar seus eleitores. O sistema de dois turnos introduz, assim,
uma espécie de distorção embutida no processo político, um propositado
favorecimento do centro, que pode ser muito útil para o Estado e para a
obtenção de consensos, mas permanece, não obstante, uma distorção.
Os problemas relacionados com a representação das minorias, que,
como vimos, podem ser bastante agudos sob qualquer tipo de sistema
majoritário, levaram à elaboração de novos esquemas, destinados a
superá-los. Foi esta a razão, acrescida à extensão dos limites do sufrágio
universal, para o surgimento da representação proporcional, sistema
muito conhecido dos brasileiros, pois a eleição de deputados (federais e
estaduais) e vereadores é feita através dele.
No sistema de voto proporcional, cada partido apresenta sua
relação de candidatos e os eleitores ou votam em um candidato ou
simplesmente no partido de sua escolha, o chamado “voto de legenda”.
Existem três tipos de voto proporcional:
a) por listas inteiramente abertas, como é o caso do Brasil, em que
os eleitores votam no candidato ou no partido;
b) por listas fechadas, em que os partidos apresentam uma lista de
candidatos, e o eleitor vota nesta ou naquela lista partidária. Ou
seja, só existe voto de legenda; os candidatos serão eleitos por
ordem de apresentação na lista, e
c) a lista semilivre, em que o eleitor pode compor sua própria lista,
retirando nomes de várias listas partidárias diferentes.
Vamos ver agora como se processa uma eleição sob o voto
proporcional. Em primeiro lugar, é preciso conhecer os conceitos de
quociente eleitoral e de número fixo, essenciais para o funcionamento do
sistema: são expressões que designam o número necessário de votos para
eleger um deputado. Por exemplo, no país X, a legislação pode fixar este
número em, vamos dizer, 10 mil. Assim, se o partido A tiver 150 mil votos,
elegerá 15 deputados, por ordem de votação. Este é o caminho para
entendermos os tais votos de legenda. Se, por uma hipótese absurda, o
candidato mais votado do partido tiver 140 mil e os restantes 10 mil
forem divididos pelos outros candidatos do mesmo partido, o primeiro só
vai precisar de 10 mil para sua eleição. Os votos restantes passarão para
os candidatos seguintes, por ordem de votação. É por isso que se diz, no
Brasil, que um candidato muito votado é um puxador de votos para a
legenda.
No entanto, o Brasil utiliza um sistema ligeiramente diferente do
número fixo, que é o do quociente eleitoral, que leva em conta as variações
do número de habitantes e votantes do país, em cada eleição. Para se
calcular o quociente eleitoral, é indispensável, em primeiro lugar, que
saibamos a quantos habitantes “equivale” um deputado. Por exemplo, a lei
pode estabelecer que, para cada 100 mil habitantes, haverá um deputado.
Assim, numa federação como a nossa, o estado-membro que abrigue uma
população de um milhão de habitantes terá direito a eleger dez deputados
— ou seja, tem dez vagas a preencher na Câmara dos Deputados.
Procede-se então à eleição. Apurados os votos válidos (que, no caso
brasileiro, são os votos dados a candidatos individuais, mais os dados só
ao partido; ficam de fora brancos e nulos), divide-se esse número de votos
pelo número de vagas. O resultado é o quociente eleitoral. Tantas vezes
esteja o quociente eleitoral contido na votação de cada partido, tantos
deputados ele elege — até o limite de vagas, é claro.
E, por fim, para concluir os cálculos, divide-se o número de votos
que cada partido obteve (valendo, é claro, os votos dados diretamente a
seus candidatos e os votos dados somente à legenda) pelo quociente
eleitoral. O resultado dessa operação recebe o nome de quociente
partidário e vai indicar o número de deputados que o partido elegerá
inicialmente, também por ordem de votação. Por exemplo, no caso
imaginado, o partido teve 120 mil votos, e o quociente eleitoral foi de 3 mil
votos, o quociente partidário é igual a 4 e, portanto, os quatro primeiros
votados desse partido já estão eleitos.
A mesma operação é feita em relação aos votos obtidos por cada
um dos partidos que concorreram, excetuando-se, é claro, aqueles que por
acaso não tenham chegado a alcançar o quociente eleitoral. Devemos, por
outro lado, tornar a observar que não é necessário, para que um
candidato se eleja, que sua votação individual alcance o quociente
eleitoral. Na verdade, pode até ser muito inferior, a depender dos votos da
legenda.
Vamos imaginar outro exemplo exagerado: o candidato W teve 70
mil votos, o X 22 mil, o Y 2.998 e o Z apenas 2 (os tradicionais “dele e da
mulher dele”). A soma é 95 mil, e Y e Z se elegem, arrastados pelos
outros. Vê-se que somente W teve um número de votos superior ao
quociente eleitoral, que vamos fixar hipoteticamente em 22 mil votos; as
sobras passaram para os candidatos seguintes.
Contudo, na vida real os números nunca são tão certinhos assim, e
há sempre, na prática, sobras, ou seja, vagas não preenchidas e votos não
usados, seja pelos partidos que não alcançaram o quociente eleitoral para
eleger um deputado sequer, seja pelos partidos que conseguiram alcançar
o quociente e elegeram alguns deputados. Para resolver isso, faz-se o
cálculo das sobras, segundo várias fórmulas possíveis. No Brasil, a fórmula
empregada chama-se “das maiores médias” e favorece um pouco os
partidos majoritários, porque o que se faz é dividir o número de votos
obtidos por cada legenda pelo número de cadeiras (vagas preenchidas)
obtidas na primeira operação, mais um. O partido que obtiver maior
resultado nessa divisão leva a próxima vaga, e assim sucessivamente, até
que todas as vagas se preencham. Há outros métodos, mas para nós é
suficiente que compreendamos o que foi explicado acima, porque assim
ficamos sabendo o essencial sobre o funcionamento da representação
proporcional.
Existem, entretanto, alguns aspectos que devem ainda ser tocados,
mesmo que rapidamente. Em primeiro lugar, como o voto proporcional foi
criado tendo-se em mente facilitar a representação das minorias, isto de
fato acontece. A conseqüência é a propensão para que se forme um
grande número de partidos — e partidos que não apresentam aquela
vocação centrista vista no sistema majoritário de dois turnos. Isto, a
depender do ponto de vista que se tome, exibe facetas interessantes. Uma
delas é a de que as tendências políticas básicas (vamos dizer, esquerda e
direita) ficam com suas facções internas mais intransigentes, menos
dispostas a fazer concessões. Se a representação proporcional, como
acontece com outros sistemas, forçasse, em benefício de resultados
eleitorais, a aglutinação dessas tendências num só ou em poucos
partidos, as divergências permaneceriam no âmbito interno desses
partidos. Como, entretanto, acontece o contrário, essas correntes
divergentes tendem a originar novos partidos, pois o sistema eleitoral lhes
dá uma boa chance de obter votos suficientes para eleger alguns
representantes.
Ou seja, o que acontece com a utilização do voto proporcional é que
as facções e divisões das tendências básicas terminam por encontrar
oportunidades concretas de constituir seus próprios partidos — o que,
como se pode imaginar, torna muito complexo o panorama político, a
começar pelo fato de que fica muito mais difícil que um só partido
consiga uma sólida maioria parlamentar.
Por outro lado, esta característica do voto proporcional — a de fazer
proliferar partidos numerosos e independentes entre si — gera às vezes
situações curiosas. No Brasil, por exemplo, depois de 64, os antigos
partidos foram extintos, passando a haver somente dois, mas o sistema
eleitoral não foi alterado, declarando-se de certa forma uma contradição
entre o sistema eleitoral e o sistema de partidos. O sistema bipartidário
casa melhor com um sistema eleitoral de escrutínio majoritário (distrital),
enquanto um sistema pluripartidário casa melhor com a representação
proporcional. Daí o surgimento das sublegendas, nada mais do que os
antigos partidos disfarçados sob siglas abrangentes, porque forçados pelo
sistema imposto. Assim, um dos primeiros passos para a
redemocratização foi a volta ao sistema pluripartidário, que o Brasil adota
até hoje.
A partir de suas experiências nacionais, os vários países
começaram a introduzir alterações no sistema eleitoral, com o objetivo de
atenuar seus efeitos distorsivos na representação e, portanto, no
próprio sistema político, adotando sistemas eleitorais derivados. As
principais alterações introduzidas no sistema proporcional têm por
objetivo reforçar a estabilidade das maiorias governamentais. Este
processo denomina-se fabricação de maiorias. Independentemente do
sistema partidário que se esteja analisando, a lei eleitoral sempre beneficia
os grandes partidos.
Uma das formas utilizadas para reforçar as maiorias diz respeito ao
mecanismo de distribuição das sobras eleitorais, que passam a ser
atribuídas ao partido (ou coligação) que obteve o maior número de votos.
Aliás, o Brasil adotou este mecanismo até 1950. Mas a lei eleitoral votada
naquele ano e repetida, neste particular, até hoje, modificou o
mecanismo, passando a adotar o princípio das maiores médias.
Uma segunda possibilidade de correção das distorções provocadas
pelo sistema eleitoral é a votação mínima, também chamada de cláusula
de exclusão. Exige-se que o partido tenha obtido, no mínimo, 5 ou 10%
dos votos em todo o território nacional, para que sua representação seja
reconhecida no Parlamento. Portanto, mais uma vez são contemplados os
maiores partidos.
A terceira possibilidade adota o sistema de lista incompleta: a lista
partidária que obteve maioria simples leva 2/3 das cadeiras. O outro
terço vai para a segunda lista mais votada. Esta é a forma adotada na
Argentina (criando, portanto, um bipartidarismo “de fato”).
Entre os sistemas eleitorais mistos, o mais famoso é o adotado na
Alemanha, onde 50% do Bundestag (Parlamento) é eleito pelo voto distrital
em colégios uninominais por maioria absoluta (portanto, em dois turnos,
porque a Alemanha é pluripartidária) e os outros 50% em eleição
proporcional, com listas partidárias fechadas. Portanto o eleitor vota duas
vezes, uma no candidato (distrital) e a outra na lista partidária.
Dependendo do número de votos obtidos na eleição proporcional, o
partido conquista quocientes eleitorais para eleger um determinado
número de representantes. Deduzidos aqueles eleitos nos distritos, o
restante das vagas é ocupado pelos primeiros colocados na lista
partidária. As sobras são distribuídas aos partidos que, nos distritos
uninominais, tiveram seus candidatos eleitos.
O número de deputados obtidos com as sobras partidárias é
retirado dos lugares seguintes na lista partidária. Dessa forma, o número
total de deputados do Bundestag varia ligeiramente de eleição para
eleição. Além disso, os partidos têm de obter no mínimo 5% dos votos no
total nacional ou eleger pelo menos três deputados distritais para
poderem ter representação no Bundestag.
Abaixo apresentamos uma pequena tabela, listando alguns países
do mundo e seus sistemas eleitorais e partidários, para você ter uma idéia
de quão múltiplas são as opções.
Sistemas Eleitorais e Sistemas Partidários
Partidos Países Sistemas
eleitorais
2 Estados Unidos majoritário
Reino Unido majoritário
Nova Zelândia majoritário/misto
Bahamas majoritário
Congo proporcional
Costa do Marfim proporcional
3-5 Austrália majoritário
Canadá majoritário
Japão majoritário/misto
Austria proporcional
El Salvador proporcional
Honduras proporcional
Indonésia proporcional
Suécia proporcional
Egito misto
Espanha majoritário/
proporcional
Alemanha majoritário/
proporcional/misto
6-10 Costa Rica proporcional
Guatemala proporcional
Luxemburgo proporcional
Rep. Dominicana proporcional
Islândia misto
Grécia majoritário/
proporcional
Itália majoritário/
proporcional/misto
Noruega majoritário/
proporcional
França majoritário/
proporcional/
majoritário
Suíça majoritário/
proporcional
+ 10 Argentina proporcional
Bolívia proporcional
Chile proporcional
Equador proporcional
Finlândia proporcional
Índia majoritário
Rep. da Irlanda proporcional
Bélgica majoritário/
proporcional
Holanda majoritário/
proporcional
Brasil majoritário/
proporcional
1 Consiga os dados sobre a votação nas últimas eleições para
deputados estaduais no seu estado (você também terá que dispor
dos elementos para o cálculo do quociente eleitoral) e faça você
mesmo as contas para ver quem terminou sendo eleito. Qualquer
maquininha de calcular quebra o galho.
2 “O sistema da representação proporcional é bom, inclusive
porque possibilita que um candidato ‘intelectual’, que não tem
penetração popular, seja eleito pela força da legenda, o que
beneficia o partido e o povo.” Comente.
3 Na sua opinião, qual seria a maneira mais fácil de obter um
governo eficiente para um clube, um grêmio, uma associação de
moradores ou semelhante (preferivelmente uma associação de que
você participe ou possa participar): fazer a eleição por listas
fechadas ou abertas? Pense nos “governantes” e nos “governados”,
tentando assumir ambos os pontos de vista em sua análise.
4 Que é que você acha da utilização do sistema majoritário
uninominal (voto distrital) para a eleição de deputados no Brasil,
em substituição ao sistema atualmente usado, que é a
representação proporcional?
5 No Brasil, tanto senadores quanto deputados são eleitos pelo
voto direto, mas os primeiros pelo sistema majoritário e os últimos
pelo sistema proporcional. Há um número fixo de senadores por
estado-membro e um número variável de deputados, de acordo
com a população. Experimente comentar as implicações práticas
disto, usando lógica e imaginação.
6 Você é capaz de melhorar o sistema eleitoral brasileiro? Faça o
seu projeto.
7 Uma das conseqüências do sistema majoritário (distrital) é que
os deputados ficam “presos” aos seus distritos. Ou seja, não
adianta eles serem bem-vistos pelo resto do estado, se não ficarem
bem com os eleitores de seu distrito — porque, do contrário, perdem
as eleições. Isto é bom ou mau?
8 Um deputado deve representar as pessoas ou as idéias?
9 No Brasil ainda existem muitos currais eleitorais e muitos
eleitores “de cabresto”, principalmente nas áreas rurais. Levando
isto em consideração, comente as implicações da implantação de
um sistema majoritário (distrital) ou mesmo misto, em comparação
com a representação proporcional.
10 O sistema de número fixo é melhor que o sistema de quociente
eleitoral?
11 Neste capítulo foi dito que a maneira de aproveitar as sobras, no
sistema eleitoral brasileiro, favorece os partidos majoritários. Você
concorda ou discorda?
12 “Este país”, diz um grande político a respeito do país dele, “é
um exemplo eloqüente de distorção eleitoral. Por que, em verdade
vos digo, senhores, a composição do Parlamento não reflete a
composição da sociedade, pois nele as verdadeiras tendências do
povo não estão representadas!” Invente um contexto em que esse
político tenha ou não razão.
https://mpassosbr.files.wordpress.com/2013/03/joc3a3o-ubaldo-ribeiro-polc3adtica-quem-manda-porque-manda-como-manda.pdf
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Dialectics of the Concrete: A Study on Problems of Man and World
Capa comum – 27 novembro 2012
Edição Inglês por Karel Kosik (Autor)
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Kosik writes that the history of a text is in a certain sense the history of its interpretations. In the fifteen years that have passed since the first (Czech) edition of his Dialectics of the Concrete, this book has been widely read and interpreted throughout Europe, in diverse centers of scholarship as well as in private studies. A faithful English language edition is long overdue. This publication of KosIk's work will surely provoke a range of new interpretations. For its theme is the characterization of science and of rationality in the context of the social roots of science and the social critique which an appropriately rational science should afford. Kosik's question is: How shall Karl Marx's understanding of science itself be understood? And how can it be further developed? In his treatment of the question of scientific rationality, KOSIK drives bluntly into the issues of gravest human concern, not the least of which is how to avoid the pseudo-concrete, the pseudo-scientific, the pseudo-rational, the pseudo- historical. Starting with Marx's methodological approach, of ascending from the abstract to the concrete, KOSIK develops a critique of positivism, of phenomenalist empiricism, and of metaphysical rationalism, counter- posing them to dialectical rationalism. He takes the category of the concrete in the dialectical sense of that which comes to be known by the active transformation of nature and society by human purposive activity.
https://www.amazon.com.br/Dialectics-Concrete-Study-Problems-World/dp/9401197687
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Pequeña Serenata Diurna
Silvio Rodriguez
Ouça Pequeña Serenata Di…
Vivo en un país libre
Cuál solamente puede ser libre
En esta tierra, en este instante
Y soy feliz porque soy gigante
Amo a una mujer clara
Que amo y me ama
Sin pedir nada
O casi nada
Que no es lo mismo
Pero es igual
Y si esto fuera poco
Tengo mis cantos
Que poco a poco
Muelo y rehago
Habitando el tiempo
Como le cuadra
A un hombre despierto
Soy feliz
Soy un hombre feliz
Y quiero que me perdonen
Por este día
Los muertos de mi felicidad
Y si esto fuera poco
Tengo mis cantos
Que poco a poco
Muelo y rehago
Habitando el tiempo
Como le cuadra
A un hombre despierto
Soy feliz
Soy un hombre feliz
Y quiero que me perdonen
Por este día
Los muertos de mi felicidad
Ouça Pequeña Serenata Di…
Composição: Silvio Rodríguez.
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É possível ser anônimo na era da internet? - BBC News Brasil
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Anônimo disse...
171.257.308-26
'CPF' do Governo LULA
31/12/22 09:43
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sábado, 31 de dezembro de 2022
Entrevista | Carlos Melo: ‘Bolsonaro preferiu liderar os radicais ao invés de uma base social mais ampla’
Por Eduardo Kattah / O Estado de S. Paulo
O cientista político Carlos Melo, professor do Insper, avalia que o presidente Jair Bolsonaro ficou “refém de uma parte dos seus eleitores, os mais radicais”. Para Melo, a última live do presidente antes de deixar o cargo simbolizou o seu dilema, traduzido em um silêncio de dois meses desde que foi derrotado nas urnas pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva. Leia a entrevista:
O presidente Jair Bolsonaro fez uma live, a última antes de deixar o Palácio do Planalto, marcada por justificativas ao seu público pelo silêncio de dois meses enquanto apoiadores se manifestavam contra a vitória de Lula. Como avalia esse discurso final?
Bolsonaro ficou refém de uma de uma parte dos eleitores mais radicais, que vieram com ele até o final e não queriam que ele assumisse a posição civilizada e democrática. Para não desprezar esse leitor radical então ele vem com uma live no final pedindo desculpas, que não pôde atendê-los com um golpe. Bolsonaro preferiu liderar os radicais ao invés de liderar uma base social mais ampla que lhe deu quase 50% dos votos agora.
Até que ponto o recolhimento do presidente foi calculado?
Sim, o recolhimento foi calculado justamente por ele não poder se posicionar. Se se posicionar em relação aos radicais perde o eleitor mais amplo; se se posicionar de uma forma democrática perde os radicais. Esse é o seu dilema.
Bolsonaro foi o primeiro presidente no exercício do cargo que não conquistou a reeleição. Mas ele obteve cerca de 400 mil votos a mais no segundo turno de 2022 na comparação com 2018. Qual a força do bolsonarismo com Bolsonaro fora do poder?
Quando você olha 49,1% dos votos do Bolsonaro, você tem que pensar na teoria dos conjuntos. O conjunto maior chama-se antipetismo. Depois temos o governismo. O governismo é muito forte no Brasil quando ele passa dos limites da lei, como aconteceu agora com aprovação de medidas econômicas e gastos em pleno período eleitoral. E tem o bolsonarismo, com seus 25% (do eleitorado), que não é pouco, é muito, Com o poder do governismo e do antipetismo Bolsonaro só não se reelegeu porque o antibolsonarismo foi maior. Não foi o petismo que ganhou. A rejeição do Bolsonaro foi maior e por isso que não veio a reeleição, também por todos os erros que ele cometeu, pelo seu estilo, pelos erros que cometeu na pandemia e também na economia.
Lula, na montagem do governo e em sua mensagem inicial, indica trabalhar por uma gestão ampla, que, de fato, ajude a reconciliar os “dois Brasis”?
O desafio do Lula não é nem reconciliar os dois Brasis logo de cara, é ter governabilidade, ter maioria no Congresso com aqueles números básicos: 171 votos para não sofrer o impeachment na Câmara, 257 votos para não ser refém de uma pauta-bomba - como aconteceu com a Dilma Rousseff com Eduardo Cunha - e 308 votos para fazer reformas. Sobretudo a reforma tributária, que está pronta para votar e que pode significar uma grande diferença. Para reconciliar o presidente da República vai ter que ser muito diligente em relação à corrupção. Como se diz: faz a fama e deita na cama. Lula não pode transigir com relação à corrupção, porque essa é a base do antipetismo. E vai ter que desenvolver fortemente a economia, rapidamente diminuir o desemprego, conter a inflação e, portanto, aumentar o sentimento de bem-estar econômico. E também a reconstruir a imagem do Brasil no exterior, sobretudo a partir da questão do meio ambiente.
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sábado, 31 de dezembro de 2022
Entrevista | Sérgio Abranches cientista político: Sem o orçamento secreto, Lula poderá dispensar o Centrão
Por Rayanderson Guerra / O Estado de S. Paulo
RIO — Com o poder do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), limitado pela decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional o orçamento secreto, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva precisa de MDB, União Brasil e PSD como fiadores da sua coalizão para levar seu governo para o centro, avalia o cientista político Sérgio Abranches.
Autor de Presidencialismo de coalizão: raízes e evolução do modelo político brasileiro, ele diz que, com esse movimento, Lula pode prescindir do apoio do Centrão. Para Abranches, sem o instrumento derrubado pelo Supremo, o chefe da Câmara perde a força que teve no governo de Jair Bolsonaro. “Sem fontes espúrias de poder, ele (Lira) é um presidente (da Câmara) como outro qualquer.”
Eleito, Lula abriu diálogo com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para a aprovação da PEC da Transição. A articulação é uma prévia de como deve ser a relação entre o novo governo e o comando da Casa?
Não é necessariamente o modelo que deve se perpetuar no novo governo porque a correlação de forças na Câmara vai mudar. Temos cerca de 200 deputados que não vão voltar. Vai haver uma mudança no plenário que afeta a relação entre o presidente da República e o presidente da Câmara. O presidente precisa ter uma maioria, e aceitar determinadas modificações que não comprometam o teor de suas propostas. O que aconteceu com a PEC da Transição? No final, ele (Lula) conseguiu o que queria. Fizeram concessões. Esse é o modelo de relacionamento. Com esse Ministério, ele tem uma maioria dentro da coalizão majoritária, que prescinde dos partidos que apoiaram Bolsonaro ou mesmo o Centrão. Precisará de poucos acenos.
O presidente da Câmara assumiu protagonismo no governo Bolsonaro. Ele manterá o poder de barganha no mandato petista?
A maior parte do poder de Arthur Lira se divide em dois pontos. Um era a quantidade de pedidos de impeachment contra Bolsonaro. O segundo ponto é o orçamento secreto, que permitiu que o relator do Orçamento manipulasse recursos para seus apoiadores. Esse poder foi reduzido com as mudanças que o Supremo determinou. Sobrou um pedaço, mas com regras que já não têm tanta capacidade discricionária. O poder dele (Lira) daqui para frente deverá sair da sua própria capacidade de articular apoios e de defender os interesses da Câmara. Sem essas fontes espúrias de poder, ele é um presidente como outro qualquer. O poder do regimento não é desprezível. O Congresso tem vários componentes de distribuição de benesses que vão desde a distribuição de cargos até as salas na Casa. Isso define prestígio. Como o Lira vai se comportar? Ele é um político muito pragmático, muito oportunista e ambicioso que não vai confrontar um presidente forte.
Lula busca o apoio de Lira e de partidos de centro-direita para garantir a governabilidade. Qual o custo desses apoios para as pretensões do novo governo?
Temos que considerar se o governo será um governo petista ou da frente democrática. Lula tem dito que vai ser de frente democrática. Mostra uma tentativa razoável de aproximação de uma coalizão da frente, não apenas um governo do PT. Embora tenha uma grande participação do partido nos ministérios, o presidente não abrirá mão de colocar pessoas de confiança em postos-chave. O presidente não consegue governar sem uma coalizão. Com essa nova correlação de forças do novo Congresso, os partidos da coligação formal do Lula, que o apoiaram na eleição, não são suficientes para garantir a governabilidade. É absolutamente indispensável que ele agregue o MDB, o PSD e o União Brasil para poder fazer a maioria e levar o governo mais para o centro e, com isso, poder prescindir do Centrão, que ainda está muito contaminado pelo bolsonarismo. Essa maioria não significa necessariamente custo. Significa pré-requisito. Ele tem que fazer as concessões necessárias, mas dentro de um projeto central.
Quais devem ser as prioridades do governo neste primeiro ano de mandato?
Hoje está muito claro que Lula pretende colocar o combate à fome e à miséria como prioridade. Será o eixo organizador da ação governamental. A popularidade de Lula e o apoio social dele serão fundamentais para chegar ao final de 2023 com bons resultados na redução da fome, da pobreza e na recomposição da estrutura de transferência de renda e de assistência social. Essa área depende muito pouco do Congresso. Já na área ambiental, ele vai ter que mexer na legislação que afrouxou a grilagem e o desmatamento. Lula e Marina (Silva, futura ministra do Meio Ambiente) vão precisar de apoio no Congresso e negociação interna no governo. E a terceira área é a educação. Ele diz que quer focar na educação fundamental. O que ele está dizendo, na verdade, é que ele quer mexer na estrutura da escola pública. O governo vai enfrentar muita dificuldade e vai precisar de muito diálogo com o Congresso na área da saúde. O fortalecimento do SUS implica discussões técnicas que impactam na ponta, nos hospitais e postos de saúde, onde os políticos gostam de mexer.
Serão tomadas iniciativas para reverter medidas do governo Bolsonaro?
Ele (Bolsonaro) destruiu estruturas com tradições que perpassam os governos desde Fernando Henrique Cardoso. Esse primeiro ano será tomado por um trabalho de reconstrução.
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Conversa
Sergio Abranches
@abranches
Tem episódio especial no podcast Sérgio Abranches Conversa de Política Sérgio Abranches fala sobre as missões do novo governo. Aqui:
@jornaldacbn
https://m.cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES-CONVERSA-DE-POLITICA ou aqui:
open.spotify.com
'Brasil teve a pior experiência da sua história com um presidente completamente desmazelado'
Listen to this episode from Sérgio Abranches - Conversa de Política on Spotify. Sérgio Abranches fala sobre as missões do novo governo, que assume neste domingo. Uma delas é 'a reunificação do país...
9:18 AM · 1 de jan de 2023
https://twitter.com/abranches/status/1609524543013388291?s=48&t=0CMwlz0O9e7_SbJ2rufh3g
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1 de jan.
21min 33 s
Descrição do episódio
Sérgio Abranches fala sobre as missões do novo governo, que assume neste domingo. Uma delas é 'a reunificação do país que ficou dividido e politraumatizado com ataques violentos da extrema direita e com o desrespeito institucional por parte do próprio presidente da República e seus ministros'. Comentarista destaca ainda o ‘final melancólica e vergonhoso’ de Bolsonaro e a situação econômica do país. 'As expectativas do Brasil são baseadas no alívio da normalidade'.
https://open.spotify.com/episode/0YiDX2euHVRhqvldW9yhCP
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sábado, 31 de dezembro de 2022
Marcus Pestana - O que nos reserva o amanhã?
Poucas vezes no Brasil tantas interrogações povoaram uma passagem de ano. As transições de poder, nestes 38 anos de Nova República, sempre foram tranquilas, exceto nos dois extremos temporais. O General Figueiredo se negou a passar a faixa presidencial à José Sarney, a quem chamava de traidor e pulha. Mas, certamente o faria se o destino não nos tivesse roubado Tancredo Neves. Era uma questão mais pessoal do que institucional. De Sarney e Collor à Michel Temer e Bolsonaro, todos os mandatários cumpriram o rito republicano.
Amanhã, 01 de janeiro de 2023, uma vez mais o gesto da passagem da faixa não ocorrerá. Mas, desta vez, a questão é um pouco mais séria. Jair Bolsonaro, 38º. presidente do Brasil, optou por um silêncio sepulcral após as eleições e por uma ausência eloquente nos dois últimos meses de poder, deixando um vácuo de liderança a partir do qual brotaram iniciativas estapafúrdias de setores radicalizados do bolsonarismo, envolvendo os atos de vandalismo no dia da diplomação dos eleitos e a preparação de atos terroristas antidemocráticos.
Melhor teria sido que Bolsonaro tivesse reconhecido os resultados, apesar de suas críticas ao processo eleitoral, reivindicado a liderança da oposição ao Governo Lula, prometendo uma ação política oposicionista forte no Congresso Nacional e nas ruas, estimulado a participação da sua militância no PL e nas eleições municipais, mantendo a chama acesa, mas dentro das quatro linhas constitucionais.
Vamos acender uma vela e cruzar os dedos para que nenhum insano tente ofuscar a posse do novo governo com atos inspirados na cultura do ódio e do golpismo violento. As próprias lideranças institucionais do bolsonarismo deveriam renovar sua opção pelo jogo democrático e se posicionar para capitalizar um eventual fracasso do projeto liderado pelo PT, dentro do princípio da alternância do poder. O terrorismo, na história do Brasil e do mundo, só semeia pânico e o isolamento político de seus protagonistas.
Pode-se gostar ou não de Lula, mas ninguém pode negar que seja um líder político habilidoso e experiente. Nos últimos dois meses, pacificou a convivência com as Forças Armadas, baixou a temperatura do relacionamento entre os Poderes, construiu uma ampla base de apoio parlamentar. Tudo indica que haverá apenas a oposição de direita liderada por Bolsonaro e o PL, a oposição de centro democrático capitaneada pela federação PSDB/Cidadania e o relacionamento pragmático do PP de Arthur Lira e dos Republicanos.
A situação é grave e os desafios são enormes. O foco tem que ser a mais rápida possível retomada do desenvolvimento inclusivo e sustentável.
Na política monetária e cambial não temos grandes problemas. O Banco Central independente e o sistema de metas inflacionárias, por um lado, e o câmbio flutuante com reservas internacionais confortáveis, por outro, ancoram fundamentos sólidos nestas áreas. O grande “Calcanhar de Aquiles” se encontra no plano fiscal. E as decisões tomadas nas últimas semanas demonstram claramente uma baixíssima consciência do problema. Sem estabilidade econômica e confiança não haverá crescimento econômico, combate às desigualdades e políticas públicas qualificadas duradouras.
Mas que venha 2023! Vamos na onda de nosso genial octogenário baiano: “Andá com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”. Feliz Ano Novo.
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O Amanhã
Quinho
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A cigana leu o meu destino
Eu sonhei bola de cristal
Jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã
Como vai ser o meu destino
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como
Deus quiser
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O Barão de Itararé - A Verdade
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AO VIVO: WW - Edição especial | Posse presidencial - 01/01/2023
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CNN Brasil
Transmissão iniciada há 40 minutos #CNNBrasil
Assista AO VIVO ao programa WW deste domingo, 1º de janeiro de 2023, apresentado por William Waack.
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"Lula fala mais verdade sobre Bolsonaro do que sobre si mesmo."
"Bolsonaro fala mais verdade sobre Lula do que sobre si mesmo."
Felipe Moura Brasil
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“As consequências vêm depois” (Barão de Itararé)
Raiou, resplandeceu, iluminou
***
***
Menino Deus
Clara Nunes
***
Raiou, resplandeceu, iluminou
Na barra do dia o canto do galo ecoou
A flor se abriu
A gota de orvalho brilhou
Quando a manhã surgiu
Nos dedos de nosso senhor
A paz amanheceu sobre o país
E o povo até pensou que já era feliz
Mas foi porque pra tudo mundo pareceu
Que o Menino Deus nasceu
A tristeza se abraçou com a felicidade
Entoando cantos de alegria e liberdade
Parecia um carnaval no meio da cidade
Que me deu vontade de cantar pro meu amor
Raiou, resplandeceu, iluminou
Na barra do dia o canto do galo ecoou
A flor se abriu
A gota de orvalho brilhou
Quando a manhã surgiu
Nos dedos de nosso senhor
A paz amanheceu sobre o país
E o povo até pensou que já era feliz
Mas foi porque pra tudo mundo pareceu
Que o Menino Deus nasceu
compositores: Aldir Blanc Mendes, Gabriela Marques Da Costa Leite, Joao Bosco De Freitas Mucci
álbum
Eu Sou O Samba - Clara Nunes - Clara Nunes
Gravadora: EMI
Ano: 2006
Faixa: 7
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PELÉ • Melhores Gols, Dribles e Passes
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Futebol Nacional
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Pelé, Edson Arantes do Nascimento ou simplesmente o Rei. O principal jogador da História do Futebol Brasileiro. Por incrivel que pareça muitas vezes é mal falado pelos próprios brasileiros.
Como JOGADOR foi um craque fora de série e muito a frente do seu tempo... Rápido, forte, ambidestro e com uma precisão fora do comum. Ganhou 3 Copas do Mundo, Libertadores, Mundial e inúmeros títulos pelo Santos.
Os números de gols são absurdos mesmo contando só os oficiais: mais de 800 e com média de 0,98. Não oficiais (que jamais podemos descartar já que naquela época os alguns amistosos eram muito importante) são mais de 1200 gols, com média perto de 1 por jogo.
Enfim, o futebol mudou mas o fato dele ser um gênio, isso nunca mudará.
Salve rei!
Maioria dos lances do Canal Romano:
https://www.youtube.com/channel/UCEs3...
E documentários!
-
ALGUNS PRÊMIOS E NÚMEROS DO REI:
- Mais de 700 gols em jogos oficiais. Com média absurda de 0.98
- Mais de 1200 gols contando os gols não oficiais. Com média de 0.99
- Maior Artilheiro da História da Seleção Brasileira
- Ballon d'Or: 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1964 e 1970[63]
- Craque do time das estrelas da Copa do Mundo: 1958
- Melhor jogador Sul-americano do ano: 1973
- Atleta do Século, eleito por jornalistas do mundo todo, na pesquisa realizada pelo jornal L'Équipe: 1981
- Atleta do Século, eleito pelo Comitê Olímpico Internacional: 1999
- Atleta do Século, eleito pelos jornalistas da Agência de Notícias Reuters: 1999
- Jogador de Futebol do Século, eleito pelos vencedores da Bola de Ouro da revista France Football: 1999
- Maior jogador do Século XX pela IFFHS: 1999
- Melhor Jogador do Século da FIFA: 2000
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MÚSICAS:
1 - The Sound Defects - Theme From The Iron Horse
2 - Flame Shapes - Motion
3 - Flame Shapes - Time
4 - Wizard x AyePee - Swarve
https://www.youtube.com/watch?v=ioA0DwrriWM
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Reprodução/Botafogo TV
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Pelé exaltou ídolos, valorizou legado e fez pedido aos jovens torcedores: ‘Botafogo deu alegria para todos os brasileiros. Tomem conta disso’
29/12/22 às 19:00
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Carlos Eduardo Sangenetto
Carlos Eduardo Sangenetto
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Pelé visitou General Severiano em 2013 e exaltou ídolos e história do Botafogo
Reprodução/Botafogo TV
Rei do Futebol, Pelé morreu aos 82 anos de idade nesta quinta-feira (29/12) e já recebe justos tributos de todos os lugares do mundo. Adversário diversas vezes do Botafogo dentro de campo com a camisa do Santos, ele sempre mostrou muito respeito pelo Glorioso. Mais do que isso, chegou a exaltar craques que passaram pelo clube e com quem conviveu na carreira.
Em visita pé-quente à sede social de General Severiano, em abril de 2013, temporada que o Botafogo voltaria a se classificar para Libertadores depois de 18 anos, Pelé enalteceu ídolos do Fogão e destacou que eles foram parte importante para o tricampeonato da Copa do Mundo da Seleção Brasileira em 1970.
– Os caras falam de bons jogadores, mas não chegaram a ver Quarentinha, Garrincha, Amarildo, Zagallo… (risos). Aí comecei a falar de Carlos Alberto (Torres), falei dez em um segundo. Eram os dois melhores times do Brasil (Botafogo e Santos), que foram a base da Copa de 1970, né? É uma muita alegria estar por aqui – disse o Rei à Botafogo TV.
Quando teve o espaço aberto pela reportagem para deixar uma mensagem aos botafoguenses, Pelé sugeriu que os mais jovens “tomem conta” do legado deixado pela Estrela Solitária ao futebol brasileiro.
– Não só para torcida do Botafogo, mas pela alegria que o Botafogo deu para todos os brasileiros. Tem uma coisinha também que é bom os mais jovens saberem: no nosso tempo a gente não tinha todo esse apoio dos patrocinadores, a gente tinha que ralar mesmo. Então, Santos e Botafogo viviam viajando por todo o mundo. Só faltou jogar na Lua. Isso o Brasil deve para nós, porque fizemos essa promoção do time brasileiro. Para vocês que são mais jovens, tomem conta disso, tá? Não vão perder essa oportunidade, não – concluiu.
Veja o vídeo abaixo no Instagram do @fogaonet:
Fonte: Redação FogãoNET
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