Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
POLOCROMAGEM
27 DE SETEMBRO
A História é um entrelaçamento infinito entre o futuro e o passado.
Recordar é viver Eu ontem sonhei com você
Se você não me queria Não devia me iludir Não devia me procurar Nem deixar eu me apaixonar
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O Lamento da Lavadeira
Monsueto
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Me Deixa Em Paz
Monsueto
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Letra
Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Evitar a dor
É impossível
Evitar este amor
É muito mais
Você arruinou a minha vida
Me deixa em paz
Composição: Airton Amorim / Monsueto.
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CONVENÇÃO DAS PULGAS CACHORROPLANISTAS
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Me deixa em paz - Monsueto Menezes & Ayrton Amorim (cover de Mãnaô & as Nuvens Sonoras)
Sawi Studio
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Linda Baptista - ME DEIXA EM PAZ - Monsueto e Airton Amorim - gravação de 1951
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luciano hortencio
5 de ago. de 2014
Linda Baptista - ME DEIXA EM PAZ - Monsueto e Airton Amorim.
Gravação de 1951.
Samuel Machado Filho: Samba que se constituiu no primeiro grande sucesso de Monsueto, então baterista da orquestra do Copacabana Palace Hotel, como compositor. O que sucedeu exatamente no carnaval de 1952, por sinal repleto de hits ("Sassaricando", "Lata d'água", "Confete", "Eva", "O doutor não gosta", "Estrela do mar" etc.). Linda Batista, cuja interpretação contribuiu em muito para o sucesso deste samba, imortalizou-o na RCA Victor em 6 de agosto de 51, com lançamento ainda em outubro, disco 80-0825-A, matriz S-093017. No verso apareceu outro samba de sucesso na folia de 52, "Amor passageiro", de Zé Kéti e Jorge Abdala
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São Cosme e São Damião
Mariene de Castro
Letra
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Tradução
Significado
Eu era criança
E tinha esperança
De ser um dia feliz
Fiz uma promessa
Dei doces à beça
Para os santinhos guris
Mamãe quem fazia os doces pediu
Que eu lhe fizesse o favor
Pedisse pro meu Papaizinho
Que desse a ela o seu grande amor
Cosme, Damião, Doum
Crispim, Crispiniano
Caboclinhos da Mata
Doces pra vocês eu dei
E as promessas que fiz já paguei
Festas e mais festas eu fiz
Desta data feliz eu me lembro
Cosme, Damião, Doum
27 de Setembro
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu
São Cosme mandou fazer
Duas camisinha azul
No dia da festa dele
São Cosme quer caruru
São Cosme mandou fazer
Duas camisinha azul
No dia da festa dele
São Cosme quer caruru
Vadeia Cosme, vadeia
Tô vadiando na areia
Vadeia Cosme, vadeia
Tô vadiando na areia
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
Bate palma sereia no mar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele brinca no mar
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
São Cosme São Damião
Dois meninos quer brincar
Bate palma sereia no mar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele quer vadiar
Dois dois ele brinca no mar
Cosme e Damião
Cadê Doum
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Cosme e Damião
Cadê Doum
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vadeia dois-dois
Vadeia no mar
A casa é sua dois-dois
Eu quero ver vadiar
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Vamos levantar
O cruzeiro de Jesus
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Pro céu, pro céu
Pro céu da Santa Cruz
Composição: Mariene De Castro.
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Gilberto Alves - Recordar - 1955
VOZES DO MEU BRASIL (Alexei Cruz)
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Um artista do mundo flutuante, de Kazuo Ishiguro - Resenha
Rodrigo Villela - Leia Para Viver
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Futuro e história: análise da temporalidade atual*
História da Historiografia
https://www.historiadahistoriografia.com.br › do...
PDF
de GI de Almeida · Citado por 7 — O intervalo entre passado e futuro, fratura no meio do tempo, é o ponto em que se unem a experiência do passado e a expectativa do futuro que se
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Reinhart Koselleck - FUTURO PASSADO
ppghs-usp
https://ppghs.fflch.usp.br › ppghs.fflch.usp.br › files
PDF
A história deixa de ser a mestra da vida. É da construção de um futuro planejado que agora se trata. Nas sociedades modernas do Ocidente, o espa- ço de experiê ...
358 páginas
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Veja Quanto Tempo Demora Um Processo Em Fase De Recurso
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Lula toma posse como ministro no governo Dilma — A União - Jornal, Editora e Gráfica
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O agora presidente Lula, ex-ministro-chefe da Casa Civil FOTO:
Quem são os ministros anunciados por Lula - BBC News Brasil
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Ex-ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Braga Netto resolve ameaçar o governo Lula
17 de fevereiro de 2024
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Por que o processo do Tribunal do Júri demora tanto?
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"Mas, costuma-se dizer que, quando os jurados demoram muito, há alguma esperança para o preso. Dentro de uma semana, se não chegasse alguma carta, será que eu poderia começar a ter esperança? Podia ouvir, vindo de todos os lados, o ruído dos automóveis dos soldados e dos diplomatas, que começavam a partir: a festa estava terminada até o ano seguinte. Tinha começado a debandada de volta a Saigon - e soou o toque de recolher. Saí à procura de Pyle."
GRAHAM GREENE
O Americano Tranquilo - 1974
Tradução Brenno Silveira
Título do original The Great American - 1955
CAPÍTULO II
(1)
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"NÃO DEVEMOS NOS PRECIPITAR NOS ELOGIOS E PROCURARMOS SER CONTIDOS NAS REPULSAS."
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O que é o processo de cromagem?
A cromagem por imersão é o processo mais tradicional de revestimentos com cromo, consistindo na preparação das peças por meio de banhos quimicamente controlados capazes de remover impurezas (desengraxe), metais de base desgastados (decapagem e ativação), todas estas etapas intercaladas com lavagens, seguindo para ...13 de out. de 2021
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"Polocromagem: significado metafórico associado à adoção de vestes de determinadas cores como representação de posições ideológicas polarizadas no espectro político. Exemplo: o uso da cor vermelha, em um contexto em que se opõe ao Partido Republicano (ou à 'bolha' oposta), pode ser interpretado como reacionário. Por outro lado, a mesma cor vermelha, quando utilizada por um militante que se opõe ao Partido dos Trabalhadores, no Brasil, pode ser considerada um símbolo de radicalismo."
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"O conceito que está sendo descrito pode ser interpretado como 'policromagem ideológica', um termo que remete ao uso metafórico das cores para simbolizar posições políticas ou ideológicas polarizadas. Nesse contexto, diferentes grupos atribuem significados simbólicos específicos a certas cores, e a interpretação dessas cores pode variar significativamente de acordo com o cenário político ou as percepções culturais.
Aqui estão alguns pontos principais sobre essa dinâmica:
Cores e significados múltiplos: Uma mesma cor pode ter significados diferentes ou até opostos em contextos políticos variados. Por exemplo, o vermelho:
Nos Estados Unidos, costuma estar associado ao Partido Republicano (conservador), embora, historicamente, o vermelho simbolize movimentos de esquerda, socialistas ou comunistas em diversas partes do mundo.
No Brasil, o vermelho é frequentemente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e à esquerda, e quem o usa pode ser visto como alinhado a ideologias progressistas. No entanto, o uso do vermelho também pode ser percebido de forma negativa por aqueles que se opõem à esquerda, levando o usuário a ser rotulado como radical ou extremista.
Policromagem e polarização: O conceito de 'policromagem' sugere que essas associações de cores se tornam ferramentas de distinção e polarização política. As cores não servem apenas como identificadores de grupo, mas carregam julgamentos e estigmatizações ideológicas. Quem usa determinada cor pode ser imediatamente categorizado e, dependendo do contexto, taxado de reacionário, radical ou contraditório, sem que sua posição política seja devidamente compreendida.
Polarização de bolhas ideológicas: As bolhas ideológicas — grupos de pessoas com ideias semelhantes — reforçam suas próprias interpretações das cores, criando uma dinâmica de auto-segregação. Pessoas dentro dessas bolhas utilizam as cores para se identificarem, enquanto os de fora podem fazer julgamentos simplistas ou equivocados sobre as intenções e posições políticas de quem usa essas vestes coloridas.
Esse fenômeno reflete como símbolos visuais, como as cores, são constantemente manipulados e reinterpretados em um ambiente de polarização política."**
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Milton Nascimento - Alaíde Costa - Me Deixa Em Paz
Acquarelly
20 de mai. de 2009
Me Deixa Em Paz
[Monsueto / Aírton Amorim]
Me deixa em paz
Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Evitar a dor
É impossível
Evitar esse amor
É muito mais
Você arruinou a minha vida
Me deixa em paz
Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
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quinta-feira, 26 de setembro de 2024
UMA IDEIA
"...como os guerreiros babilônios de Nabucodonosor entraram no Templo. Disfarçados, oras."
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"Tem certos momentos em que os tempos retêm momentos."
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Uma música composta por Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) A melodia desta canção reflete o estilo introspectivo e melancólico que se alinha poeticamente com a ideia dos "momentos retidos pelo tempo".
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Cartuns de Alberto Benett - revista piauí
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Ópera Nabuco de Giuseppe Verdi com legendas em Português
Clarindo Oliveira
7 de ago. de 2023
Nabucco (pronúncia italiana: [naˈbukko], abreviação de Nabucodonosor [naˌbukoˈdɔːnozor, -donoˈzɔr]; Nabucodonosor") é uma ópera em língua italiana em quatro atos composta em 1841 por Giuseppe Verdi com libreto italiano de Temistocle Solera. O libreto é baseado nos livros bíblicos de 2 Reis, Jeremias, Lamentações e Daniel, e na peça de 1836 de Auguste Anicet-Bourgeois e Francis Cornu.
A ação da ópera conta a história do rei Nabucodonosor II da Babilônia. Foi escrita durante a época da ocupação austríaca no norte da Itália e, por meio da várias analogias, suscitou o sentimento nacionalista italiano. O Coro dos Escravos Hebreus, no terceiro ato da ópera (Va, pensiero, sull'ali dorate, "Vai, pensamento, sobre asas douradas") tornou-se uma música-símbolo do nacionalismo italiano da época. Foi estreada, a 9 de março de 1842, no Teatro alla Scala de Milão.
No entanto, a adaptação de balé de Antonio Cortês da peça (com suas simplificações necessárias), dada no La Scala em 1836, foi uma fonte mais importante para Solera do que a própria peça. Sob seu nome original de Nabucodonosor, a ópera foi apresentada pela primeira vez no La Scala, em Milão, em 9 de março de 1842.
Nabucco é a ópera que se considera ter estabelecido permanentemente a reputação de Verdi como compositor. Ele comentou que "esta é a ópera com a qual minha carreira artística realmente começa. E embora eu tivesse muitas dificuldades para lutar, é certo que o Nabucco nasceu sob uma estrela da sorte."
A ópera segue a situação dos judeus quando eles são atacados, conquistados e subsequentemente exilados de sua terra natal pelo rei babilônico Nabucco (Nabucodonosor II). Os eventos históricos são usados como pano de fundo para uma trama romântica e política. O número mais conhecido da ópera é o "Coro dos Escravos Hebreus" ("Va, pensiero, sull'ali dorate" / "Voar, pensamento, em asas douradas"), um coro que é regularmente dado um bis em muitas casas de ópera quando realizado hoje.
O sucesso da primeira ópera de Verdi, Oberto, levou Bartolomeo Merelli, empresário do La Scala, a oferecer a Verdi um contrato para mais três obras. Após o fracasso de sua segunda ópera Un giorno di regno (concluída em 1840 no final de um período brutal de dois anos durante o qual ambos os seus filhos recém-nascidos e, em seguida, sua esposa de 26 anos morreram), Verdi prometeu nunca mais compor.
Em "An Autobiographical Sketch", escrito em 1879, Verdi conta a história de como ele veio a ser duas vezes persuadido por Merelli a mudar de ideia e escrever a ópera. A duração de 38 anos desde o evento pode ter levado a uma visão um tanto romantizada; ou, como escreve o estudioso de Verdi, Julian Budden: "ele estava preocupado em tecer uma lenda protetora sobre si mesmo [uma vez que] tudo fazia parte de sua feroz independência de espírito".No entanto, em Volere è potere [it] ("Onde há uma vontade ...") – escrito dez anos mais perto do evento – o zoólogo Michele Lessona fornece um relato diferente dos eventos, como supostamente relatado pelo próprio Verdi.
Depois de um encontro casual com Merelli perto do La Scala, o empresário deu-lhe uma cópia do libreto de Temistocle Solera, que havia sido rejeitado pelo compositor Otto Nicolai. Verdi descreve como ele a levou para casa e a jogou sobre a mesa com um gesto quase violento. ... Ao cair, abriu-se de si mesmo; sem que eu percebesse, meus olhos se agarraram à página aberta e a uma linha especial: 'Va, pensiero, sull'ali dorate'."
Embora tenha sido notado que "Verdi leu entusiasticamente" (e certamente ele afirma que, enquanto tentava dormir, ele foi mantido acordado e leu e releu o libreto três vezes), outros afirmaram que ele leu o libreto com muita relutância ou, como relatado por Lessona, que ele "jogou o libreto em um canto sem mais olhar para ele, e nos cinco meses seguintes continuou a ler romances maus... [quando] no final de maio ele se viu com aquela peça abençoada em suas mãos: ele leu a última cena novamente, aquela com a morte de Abigaille (que mais tarde foi cortada), sentou-se quase mecanicamente ao piano ... e musicar o cenário." No entanto, Verdi ainda se recusou a compor a música, levando o manuscrito de volta ao empresário no dia seguinte. Mas Merelli não aceitou a recusa; ele imediatamente colocou os papéis de volta no bolso de Verdi e, de acordo com o compositor, "não só me jogou para fora de seu escritório, mas bateu a porta na minha cara e se trancou". Verdi afirma que gradualmente ele trabalhou na música: "Este verso hoje, amanhã que, aqui uma nota, lá uma frase inteira, e pouco a pouco a ópera foi escrita" de modo que no outono de 1841 estava completo. No mínimo, as versões de Verdi e Lessona terminam com uma pontuação completa.
Clarindo Oliveira
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Marcelo Godoy - Lula teve uma ideia: um Exército de bombeiros
O Estado de S. Paulo
Petista quer imolar a preparação das Forças Armadas a fim de apagar a inação diante do fogo
Por que um líder político não pode propor ideias originais? Essa pergunta deve ter passado pela cabeça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Uns podem dizer que a experiência de passar mais de dez anos na Presidência da República autorizaria qualquer um a buscar soluções para problemas pungentes, como a crise do fogo que ameaça não só as florestas, mas a vida de todos, inclusive a dos confortavelmente instalados em suas salas de jantar nas metrópoles do Sudeste do País.
Foi a partir desse pressuposto que Lula resolveu dar sua contribuição à Defesa Nacional. No dia 17, em reunião no Planalto com os chefes dos demais Poderes, o petista revelou o que propôs em uma longa conversa ao ministro José Múcio (Defesa) e ao general Tomás Paiva, comandante do Exército.
“A sugestão que eu dei para ele é que, daqui para frente, todos os 70 mil recrutas que são convocados para as Forças Armadas todo ano, e a gente não tem guerra, portanto, não precisa preparar ninguém para a guerra, porque a gente não vai querer guerra, que essa meninada seja preparada para enfrentar a questão climática.” Eis a solução. Lula esquece o mundo em que vive, que a Ucrânia também não queria a guerra. Conflagrações ameaçam escalar como não se via desde a Guerra Fria, com a rivalidade estratégica entre EUA e China, o imperialismo russo e as ações de Israel no Oriente Médio. Tudo isso pode parecer distante à maioria das pessoas, assim como para Lula.
O petista parece viver sem prestar atenção à história, apesar de esta se compor dos dramas infinitos de cada pessoa. Lula devia ler a advertência do historiador Marc Ferro. “É possível se fazer um seguro contra o fogo ou contra o roubo, mas não há como se proteger da história.”
Caso não queira ler Ferro, Lula tem uma opção. Pode se dirigir ao Teatro Municipal de São Paulo e acompanhar, na próxima sexta-feira, a estreia da nova montagem da ópera Nabucco, de Verdi. Se em três mandatos não aprendeu a importância da Defesa, talvez, assistindo ao espetáculo tome ciência da tragédia que pode acompanhar um chefe incauto, como Zedequias. Lula veria o drama de Zacarias, o sumo sacerdote dos hebreus, aquele que pergunta, atônito, como os guerreiros babilônios de Nabucodonosor entraram no Templo. Disfarçados, oras.
No Brasil, o petista quer transformar soldados em bombeiros. E quem dissuadirá as ameaças à nossa soberania? Soldados com pistolas d’água? Em vez de Zacarias da ópera, Lula corre o risco de se tornar outro Zacarias, o ingênuo sorridente do quarteto Os Trapalhões... Enquanto o Brasil arde em chamas, só falta saber quem é o Dedé, o Didi e o Mussum no Planalto.
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La voz a través del personaje temporal, irrelevante
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quinta-feira, 26 de setembro de 2024
William Waack - Voz irrelevante
O Estado de S. Paulo
Com postura adotada por Lula, Brasil perdeu projeção internacional
Lula oscila entre acreditar que a ordem mundial possa funcionar por respeito a princípios mutuamente acordados entre os países ou se é apenas o terreno do uso da força bruta. Como não possui nenhum dos dois, sua opção preferencial em política externa tem sido a da irrelevância.
Na guerra da Ucrânia o princípio fundamental violado é o da integridade territorial. No caso da Venezuela, foram brutalmente pisados os princípios básicos de direitos humanos e liberdades individuais. Lula não reconhece essas violações em nenhum dos casos, e acabou ficando com pouca autoridade moral para condenar o que acontece em Gaza ou no Líbano.
É isso que torna inócuos seus apelos por “justiça” ou por “inclusão” dos países pobres em instâncias que deveriam ser de “governança global”, ou quando denuncia condutas hipócritas de países ricos. São apelos morais feitos por quem abandonou a moralidade.
Para ser levado a sério, especialmente quando sugere uma reforma de todas as instituições internacionais, o presidente brasileiro poderia ter feito uso de uma longa tradição brasileira de formulação de política externa – e que até certo ponto soube fazer uso do destino que a geografia nos impôs (a de estar longe de grandes conflitos e ter um claro entorno de influência).
Na visão tosca que o conduz pelas relações internacionais – a de que se trata de uma “luta de classes” entre o Norte rico e o Sul pobre – Lula move-se para o que supõe ser seu lugar “natural”.
É acompanhar a China e a Rússia na contestação da hegemonia americana.
O primeiro resultado prático dessa postura é diminuir e não aumentar as opções para uma potência média regional com escassa capacidade de projetar poder, como é a situação do Brasil. Ainda por cima dependente de mercados na Ásia e de insumos de todo tipo oriundos de países da ainda existente aliança ocidental capitaneada pelos Estados Unidos.
O segundo é condenar à irrelevância também o papel de “liderança global” que Lula pretendeu assumir desde o início de seu atual mandato. Por escolher um lado, jogou fora qualquer credencial de “mediador” em conflitos como o da Ucrânia – mas se acha “esperto” encostando-se no grupo de países que enxerga como “vencedores” (Rússia e China).
Por não aderir a princípios, esvaziou a pretensão de ser ouvido como uma “voz” com autoridade para exigir respeito a eles. A voz dos fracos, como ele gosta de ser visto, vitimizado pela brutalidade dos fortes. O Brasil nunca dispôs de grandes poderes de coerção. Perdeu também o de persuasão.
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terça-feira, 24 de setembro de 2024
GRÃO DE AMOR
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"Me deixe sim
mas só se for
pra ir ali
e pra voltar"
Arnaldo Antunes
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Grão de amor - Marisa Monte e Arnaldo Antunes
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"Onde resiste a democracia americana"
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Democracia ou bonapartismo: Triunfo e decadência do sufrágio universal Capa comum – 26 outubro 2004
Edição Português por Domenico Losurdo (Autor), Luiz Sérgio Henriques (Tradutor)
Obra que trata da reconstrução histórica da luta pela conquista de direitos civis, políticos, econômicos e sociais, com vitórias exaltantes e derrotas desastrosas. Com abordagens da luta pelo sufrágio universal, das origens do bonapartismo entre a América e a França, classes dominantes e subalternas, a democracia, e o século XX, entre a emancipação e a des-emancipação, ou seja, após a conquista de direitos anteriormente não desfrutados, pode se seguir a amargura da perda dos direitos tão arduamente conquistados.
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domingo, 22 de setembro de 2024
Luiz Sérgio Henriques - Democracia na América
O Estado de S. Paulo
As nações democráticas de todo o mundo, entre as quais a nossa, não podem dispensar a presença renovada dos Estados Unidos nas suas fileiras
Tão imperfeita quanto qualquer outra, e com certeza a mais assediada internamente, a democracia norte-americana hoje constitui um privilegiado observatório debruçado sobre o drama das sociedades abertas. Não há mais o sentimento de excepcionalismo de outros tempos nem a retórica dos que celebravam orgulhosamente a invicta “cidade no alto da colina”. À direita, políticos conservadores e até muito conservadores, como Ronald Reagan, deram lugar a outros cuja visão sombria enxerga um país cercado de bárbaros. E a simples presença deles ameaçaria substituir a população autóctone racialmente pura ou, no mínimo, envenenarlhe o sangue.
Para os reacionários de novo tipo, a cidade na colina, antes gloriosamente inexpugnável, agora se vê também ameaçada por “inimigos internos” que tomaram de assalto as instituições e configuraram um singular “Estado profundo”. Aliás, os tentáculos desse Estado invisível aos não iniciados já teriam se espalhado pela sociedade civil, contaminando as artes, as profissões liberais, a política e a imprensa independente. Toda essa linguagem evoca medos e paranoias dos piores regimes do século passado, e não por acaso o termo “fascismo” voltou a ser empregado até por gente insuspeita de inclinação à esquerda.
No entanto, o grosseiro espírito nativista e o apregoado antielitismo convidam-nos antes a descrever o fenômeno como uma espécie de “nacional-populismo” destes tumultuados tempos hipermodernos, sem menosprezar outras tentativas de ajustar palavras e coisas. O fato é que tal nacionalismo populista, oposto ao já passado cosmopolitismo “globalista”, requer o homem forte e o respectivo culto. O “globalismo” de outrora guardava o ingênuo otimismo pelo qual, universalizadas em marcha batida as relações econômicas, mais cedo ou mais tarde a institucionalidade democrática sobreviria como num passe de mágica. O nativismo de agora, particularista e bélico, navega sob o signo da redução da democracia ao seu elemento plebiscitário. Daí a apologia do strongman e o aplauso à sua impaciência com freios e contrapesos da dimensão liberal da democracia.
Democracia iliberal, precisamente, foi o singular nome de batismo dado ao tipo de regime cuja implantação se pretende como resposta aos sobressaltos da época. Nascida em 2014, a fórmula é de autoria do político húngaro Viktor Orbán, tornado surpreendentemente um dos estrategistas da direita populista no xadrez internacional. Convenhamos que, sem desrespeitar as excepcionais tradições da mítica Mitteleuropa, de que faz parte saliente a Hungria, só num mundo de ponta-cabeça alguém como Orbán pode estar presente com destaque inusitado na fala do ex-presidente Donald Trump, como esteve durante o recente debate com a vice-presidente Kamala Harris. De fato, paradoxos à parte, Orbán é a óbvia inspiração de Trump para sua giornata particolarissima, o grande dia de ditador que imagina para si.
O observatório norte-americano, dizíamos, é um ponto avançado em relação à Europa e mesmo ao Brasil. Lá um dos dois grandes partidos nacionais cruzou, com Trump, a linha que separa a disputa constitucionalmente regulada e o desafio aberto à transmissão pacífica de poder – e o que se sabe é que Trump só aceitará uma eventual segunda derrota se, a seu critério, a competição for justa. A transgressão da fronteira constitucional tornou-se possível quando o Partido Republicano perdeu propriamente a sua característica de partido político para se transformar num movimento populista de massas reunido em torno de um culto.
Essa metamorfose, segundo Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, requer uma teoria, e a teoria dos autores é que, no fundo, o Grand Old Party entrincheirou-se na defesa encarniçada de um contingente demográfico prestes a se tornar minoritário. Brancos, cristãos e conservadores do meio rural compõem um núcleo muito coeso, mas com reduzida capacidade expansiva, o que, de resto, explica as muitas derrotas no voto popular nas eleições presidenciais desde 1992. E instituições anacrônicas, como o Colégio Eleitoral, admitem ainda assim uma “tirania da minoria”, o que congela todo e qualquer impulso de mudança dos republicanos e há décadas interrompe a obra comum de aperfeiçoamento incessante da democracia.
O insight de Levitsky e Ziblatt, aqui sintetizado de modo extremo, tem o condão de deixar por ora nas mãos de democratas, independentes e republicanos never trumpers a indispensável tarefa de regeneração institucional, para não mencionar as fraturas sociais que se abriram desde a afirmação da reaganomics e sua sombra longa e incômoda. É bom voltar a ouvir falar de uma América do Norte que valoriza o trabalho, a cultura e as classes médias, e que se recusa a entrar para o heterogêneo, mas ameaçador, clube das autocracias. As nações democráticas de todo o mundo, entre as quais a nossa, não podem dispensar a presença renovada dos Estados Unidos nas suas fileiras. Se porventura tal não ocorrer, o horizonte global – e brasileiro – será o de uma luta defensiva ainda mais dura, prolongada e imprevisível."
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O artigo de Luiz Sérgio Henriques, publicado em O Estado de S. Paulo, explora a importância das democracias mundiais, incluindo o Brasil, de se manterem alinhadas à renovação da presença dos Estados Unidos como líder das sociedades democráticas. Ele analisa as transformações políticas internas dos EUA, particularmente a ascensão do nacional-populismo sob Donald Trump e suas implicações globais.
Principais Ideias:
Democracia Americana em Crise: Henriques destaca que, embora a democracia americana enfrente desafios internos, ela ainda serve como um observatório privilegiado para entender as tensões e crises que afetam as sociedades abertas em todo o mundo. Ele aponta que a visão excepcionalista dos EUA, outrora celebrada, tem sido substituída por uma narrativa sombria de ameaças internas e externas, especialmente entre a direita populista.
Nacional-populismo e Democracia Iliberal: O autor descreve o surgimento de uma nova forma de nacionalismo populista, oposta ao cosmopolitismo globalista. Esse movimento, representado por figuras como Donald Trump e Viktor Orbán, defende uma forma de democracia iliberal, que busca enfraquecer os mecanismos institucionais de freios e contrapesos em favor de líderes fortes, comprometidos com um "culto" pessoal.
Crise do Partido Republicano: Henriques menciona os autores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, que argumentam que o Partido Republicano se transformou de um partido político tradicional em um movimento populista de massas, focado na defesa de uma identidade demográfica branca, cristã e conservadora. Essa transformação teria corroído a natureza constitucional do partido, ameaçando a continuidade da transmissão pacífica de poder nos EUA.
Importância dos EUA para as Democracias Globais: O autor enfatiza que as nações democráticas, incluindo o Brasil, não podem prescindir de uma América renovada e comprometida com os valores democráticos. Se os EUA falharem em regenerar suas instituições e superar as fraturas internas, o impacto será sentido globalmente, colocando em risco a coesão das democracias e intensificando a luta contra regimes autocráticos.
O Papel dos EUA para o Brasil e o Mundo:
Henriques defende que uma América democrática e estável é crucial para o fortalecimento das democracias em todo o mundo. O Brasil, como uma das principais democracias do hemisfério sul, também depende de uma relação estreita com os EUA para enfrentar desafios globais, como a ascensão do populismo autoritário e as tensões econômicas internacionais. Sem essa presença americana renovada, o futuro global será marcado por uma luta prolongada e imprevisível pela preservação da democracia.
Reflexão:
O artigo propõe uma reflexão importante para o Brasil e outras democracias sobre a necessidade de fortalecer laços com os Estados Unidos e outras nações democráticas, em um momento em que a própria democracia americana está sendo testada por tensões internas e o avanço de correntes populistas e autoritárias.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta terça-feira (24), em Nova York, na abertura do debate de chefes de Estado e de governo da 79ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).
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Leia a íntegra do discurso de Lula na 79ª Assembleia Geral da ONU
O presidente foi o 1º a falar na parte destinada a chefes de Estado e de Governo
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O presidente Lula durante discurso na abertura da 79º Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos Reprodução - 24.set.2024 PODER360
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24.set.2024 (terça-feira) - 11h19
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta 3ª feira (24.set.2024) na abertura da 79ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). O petista está em Nova York, nos Estados Unidos, desde 4ª feira (18.set). Lula fez o seu 9º discurso como chefe de Estado no evento.
O presidente foi o 1º a falar na parte destinada a chefes de Estado e de Governo. Além de abordar o tema da fome, Lula incluiu em sua fala a necessidade de solução para a emergência climática e a defesa da reforma das instituições multilaterais, especialmente o Conselho de Segurança da ONU.
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Leia a íntegra do discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU:
“Meus cumprimentos ao presidente da Assembleia Geral, Philemon Yang. “E também quero saudar o secretário-geral António Guterres e cada um dos Chefes de Estado e de Governo e delegadas e delegados presentes. “Dirijo-me em particular à delegação palestina, que integra pela primeira vez esta sessão de abertura, mesmo que ainda na condição de membro observador. “E quero saudar a presença do presidente Mahmoud Abbas.
“Senhoras e Senhores, “Adotamos anteontem, aqui neste mesmo plenário, o Pacto para o Futuro. “Sua difícil aprovação demonstra o enfraquecimento de nossa capacidade coletiva de negociação e diálogo. “Seu alcance limitado também é a expressão do paradoxo do nosso tempo: andamos em círculos entre compromissos possíveis que levam a resultados insuficientes. “Nem mesmo com a tragédia da COVID-19, fomos capazes de nos unir em torno de um Tratado sobre Pandemias na Organização Mundial da Saúde. “Precisamos ir muito além e dotar a ONU dos meios necessários para enfrentar as mudanças vertiginosas do panorama internacional. “Vivemos momento de crescentes angústias, frustrações, tensões e medo. “Testemunhamos alarmante escalada de disputas geopolíticas e de rivalidades estratégicas. “2023 ostenta o triste recorde do maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. “Os gastos militares globais cresceram pelo nono ano consecutivo e atingiram 2,4 trilhões de dólares. “Mais de 90 bilhões de dólares foram mobilizados com arsenais nucleares. “Esses recursos poderiam ter sido utilizados para combater a fome e enfrentar a mudança do clima. “O que se vê é o aumento das capacidades bélicas. “O uso da força, sem amparo no Direito Internacional, está se tornando a regra. “Presenciamos dois conflitos simultâneos com potencial de se tornarem confrontos generalizados. “Na Ucrânia, é com pesar que vemos a guerra se estender sem perspectiva de paz. “O Brasil condenou de maneira firme a invasão do território ucraniano. “Já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar. “O recurso a armamentos cada vez mais destrutivos traz à memória os tempos mais sombrios do confronto estéril da Guerra Fria. “Criar condições para a retomada do diálogo direto entre as partes é crucial neste momento. “Essa é a mensagem do entendimento de 6 pontos que China e Brasil oferecem para que se instale um processo de diálogo e o fim das hostilidades. “Em Gaza e na Cisjordânia, assistimos a uma das maiores crises humanitárias da história recente, e que agora se expande perigosamente para o Líbano. “O que começou como ação terrorista de fanáticos contra civis israelenses inocentes, tornou-se punição coletiva de todo o povo palestino. “São mais de 40 mil vítimas fatais, em sua maioria mulheres e crianças. “O direito de defesa transformou-se no direito de vingança, que impede um acordo para a liberação de reféns e adia o cessar-fogo. “Conflitos esquecidos no Sudão e no Iêmen impõem sofrimento atroz a quase 30 milhões de pessoas. “Este ano, o número dos que necessitam de ajuda humanitária no mundo chegará a 300 milhões. “Em tempos de crescente polarização, expressões como “desglobalização” se tornaram corriqueiras. “Mas é impossível “desplanetizar” nossa vida em comum. “Estamos condenados à interdependência da mudança climática. “O planeta já não espera para cobrar da próxima geração e está farto de acordos climáticos não cumpridos. “Está cansado de metas de redução de emissão de carbono negligenciadas e do auxílio financeiro aos países pobres que não chega. “O negacionismo sucumbe ante as evidências do aquecimento global. “2024 caminha para ser o ano mais quente da história moderna. “Furacões no Caribe, tufões na Ásia, secas e inundações na África e chuvas torrenciais na Europa deixam um rastro de mortes e de destruição. “No sul do Brasil tivemos a maior enchente desde 1941. “A Amazônia está atravessando a pior estiagem em 45 anos. “Incêndios florestais se alastraram pelo país e já devoraram 5 milhões de hectares apenas no mês de agosto. “O meu governo não terceiriza responsabilidades nem abdica da sua soberania. “Já fizemos muito, mas sabemos que é preciso fazer mais. “Além de enfrentar o desafio da crise climática, lutamos contra quem lucra com a degradação ambiental. “Não transigiremos com ilícitos ambientais, com o garimpo ilegal e com o crime organizado. “Reduzimos o desmatamento na Amazônia em 50% no último ano e vamos erradicá-lo até 2030. “Não é mais admissível pensar em soluções para as florestas tropicais sem ouvir os povos indígenas, comunidades tradicionais e todos aqueles que vivem nelas. “Nossa visão de desenvolvimento sustentável está alicerçada no potencial da bioeconomia. “O Brasil sediará a COP-30, em 2025, convicto de que o multilateralismo é o único caminho para superar a urgência climática. “Nossa Contribuição Nacionalmente Determinada (a NDC) será apresentada ainda este ano, em linha com o objetivo de limitar o aumento da temperatura do planeta a um grau e meio. “O Brasil desponta como celeiro de oportunidades neste mundo revolucionado pela transição energética. “Somos hoje um dos países com a matriz energética mais limpa. “90% da nossa eletricidade provêm de fontes renováveis como a biomassa, a hidrelétrica, a solar e a eólica. “Fizemos a opção pelos biocombustíveis há 50 anos, muito antes que a discussão sobre energias alternativas ganhasse tração. “Estamos na vanguarda em outros nichos importantes como o da produção do hidrogênio verde. “É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis. “Senhor presidente, “Na América Latina vive-se desde 2014 uma segunda década perdida. “O crescimento médio da região nesse período foi de apenas 0,9%, metade do verificado na década perdida de 1980. “Essa combinação de baixo crescimento e altos níveis de desigualdade resulta em efeitos nefastos sobre a paisagem política. “Tragada por disputas, muitas vezes alheias à região, nossa vocação de cooperação e entendimento se fragiliza. “É injustificado manter Cuba em uma lista unilateral de Estados que supostamente promovem o terrorismo e impor medidas coercitivas unilaterais, que “penalizam indevidamente as populações mais vulneráveis. “No Haiti, é inadiável conjugar ações para restaurar a ordem pública e promover o desenvolvimento. “No Brasil, a defesa da democracia implica ação permanente ante investidas extremistas, messiânicas e totalitárias, que espalham o ódio, a intolerância e o ressentimento. “Brasileiras e brasileiros continuarão a derrotar os que tentam solapar as instituições e colocá-las a serviço de interesses reacionários. “A democracia precisa responder às legítimas aspirações dos que não aceitam mais a fome, a desigualdade, o desemprego e a violência. “No mundo globalizado não faz sentido recorrer a falsos patriotas e isolacionistas. “Tampouco há esperança no recurso a experiências ultraliberais que apenas agravam as dificuldades de um continente depauperado. “O futuro de nossa região passa, sobretudo, por construir um Estado sustentável, eficiente, inclusivo e que enfrenta todas as formas de discriminação. “Que não se intimida ante indivíduos, corporações ou plataformas digitais que se julgam acima da lei. “A liberdade é a primeira vítima de um mundo sem regras. “Elementos essenciais da soberania incluem o direito de legislar, julgar disputas e fazer cumprir as regras dentro de seu território, incluindo o ambiente digital. “O Estado que estamos construindo é sensível às necessidades dos mais vulneráveis sem abdicar de fundamentos macroeconômicos sadios. “A falsa oposição entre Estado e mercado foi abandonada pelas nações desenvolvidas, que voltaram a praticar políticas industriais ativas e forte regulação da economia doméstica. “Na área de Inteligência Artificial, vivenciamos a consolidação de assimetrias que levam a um verdadeiro oligopólio do saber. “Avança a concentração sem precedentes nas mãos de um pequeno número de pessoas e de empresas, sediadas em um número ainda menor de países. “Interessa-nos uma Inteligência Artificial emancipadora, que também tenha a cara do Sul Global e que fortaleça a diversidade cultural. “Que respeite os direitos humanos, proteja dados pessoais e promova a integridade da informação. “E, sobretudo, que seja ferramenta para a paz, não para a guerra. “Necessitamos de uma governança intergovernamental da inteligência artificial, em que todos os Estados tenham assento. “Senhor presidente, “As condições para acesso a recursos financeiros seguem proibitivas para a maioria dos países de renda média e baixa. “O fardo da dívida limita o espaço fiscal para investir em saúde e educação, reduzir as desigualdades e enfrentar a mudança do clima. “Países da África tomam empréstimo a taxas até 8 vezes maiores do que a Alemanha e 4 vezes maior que os Estados Unidos. “É um Plano Marshall às avessas, em que os mais pobres financiam os mais ricos. “Sem maior participação dos países em desenvolvimento na direção do FMI e do Banco Mundial não haverá mudança efetiva. “Enquanto os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ficam para trás, as 150 maiores empresas do mundo obtiveram, juntas, lucro de 1,8 trilhão de dólares nos últimos 2 anos. “A fortuna dos 5 principais bilionários mais que dobrou desde o início desta década, ao passo que 60% da humanidade ficou mais pobre. “Os super-ricos pagam proporcionalmente muito menos impostos do que a classe trabalhadora. “Para corrigir essa anomalia, o Brasil tem insistido na cooperação internacional para desenvolver padrões mínimos de tributação global. “Os dados divulgados há 2 meses pela FAO sobre o estado da insegurança alimentar no mundo são estarrecedores. “O número de pessoas passando fome ao redor do planeta aumentou em mais de 152 milhões desde 2019. “Isso significa que 9% da população mundial (733 milhões de pessoas) estão subnutridas. “O problema é especialmente grave na África e na Ásia, mas ele também persiste em partes da América Latina. “Mulheres e meninas são a maioria das pessoas em situação de fome no mundo. “Pandemias, conflitos armados, eventos climáticos e subsídios agrícolas dos países ricos ampliam o alcance desse flagelo. “Mas a fome não é resultado apenas de fatores externos. Ela decorre, sobretudo, de escolhas políticas. “Hoje o mundo produz alimentos mais do que suficientes para erradicá-la. “O que falta é criar condições de acesso aos alimentos. “Este é o compromisso mais urgente do meu governo: acabar com a fome no Brasil, como fizemos em 2014. “Só em 2023, retiramos 24 milhões e 400 mil pessoas da condição de insegurança alimentar severa. “A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que lançaremos no Rio de Janeiro em novembro, nasce dessa vontade política e desse espírito de solidariedade. “Ela será um dos principais resultados da presidência brasileira do G20 e está aberta a todos os países do mundo. “Todos os que queiram se somar a esse esforço coletivo são bem-vindos. “Senhor presidente, senhoras e senhores, “Prestes a completar 80 anos, a Carta das Nações Unidas nunca passou por uma reforma abrangente. “Apenas quatro emendas foram aprovadas, todas elas entre 1965 e 1973. “A versão atual da Carta não trata de alguns dos desafios mais prementes da humanidade. “Na fundação da ONU, éramos 51 países. Hoje somos 193. “Várias nações, principalmente no continente africano, estavam sob domínio colonial e não tiveram voz sobre seus objetivos e funcionamento. “Inexiste equilíbrio de gênero no exercício das mais altas funções. O cargo de Secretário-Geral jamais foi ocupado por uma mulher. “Estamos chegando ao final do primeiro quarto do século 21 com as Nações Unidas cada vez mais esvaziada e paralisada. “É hora de reagir com vigor a essa situação, restituindo à Organização as prerrogativas que decorrem da sua condição de foro universal. “Não bastam ajustes pontuais. “Precisamos contemplar uma ampla revisão da Carta. “Sua reforma deve compreender os seguintes objetivos: a transformação do Conselho Econômico e Social no principal foro para o tratamento do desenvolvimento sustentável e do combate à mudança climática, com capacidade real de inspirar as instituições financeiras. a revitalização do papel da Assembleia Geral, inclusive em temas de paz e segurança internacionais. o fortalecimento da Comissão de Consolidação da Paz. a reforma do Conselho de Segurança, com foco em sua composição, métodos de trabalho e direito de veto, de modo a torná-lo mais eficaz e representativo das realidades contemporâneas.
“A exclusão da América Latina e da África de assentos permanentes no Conselho de Segurança é um eco inaceitável de práticas de dominação do passado colonial. “Vamos promover essa discussão de forma transparente em consultas no G77, no G20, no Brics e na Celac, no Caricom, entre tantos outros espaços. “Não tenho ilusões sobre a complexidade de uma reforma como essa, que enfrentará interesses cristalizados de manutenção do status quo. “Exigirá enorme esforço de negociação. Mas essa é a nossa responsabilidade. “Não podemos esperar por outra tragédia mundial, como a Segunda Grande Guerra, para só então construir sobre os seus escombros uma nova governança global. “A vontade da maioria pode persuadir os que se apegam às expressões cruas dos mecanismos do poder. “Neste plenário ecoam as aspirações da humanidade. “Aqui travamos os grandes debates do mundo. “Neste foro buscamos as respostas para os problemas que afligem o planeta. “Recai sobre a Assembleia Geral, expressão maior do multilateralismo, a missão de pavimentar o caminho para o futuro. Muito obrigado.”
autores
PODER360
https://www.poder360.com.br/poder-governo/leia-a-integra-do-discurso-de-lula-na-79a-assembleia-geral-da-onu/
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Joe Biden, no seu último discurso perante a Assembleia-Geral das Nações Unidas enquanto presidente dos Estados Unidos da América Mike Segar - Reuters
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Mundo
atualizado 24 Setembro 2024, 19:03
"As coisas podem melhorar". O último discurso de Joe Biden na ONU
por Graça Andrade Ramos - RTP
Joe Biden, no seu último discurso perante a Assembleia-Geral das Nações Unidas enquanto presidente dos Estados Unidos da América
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O presidente dos Estados Unidos falou pela última vez perante os líderes mundiais reunidos em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, para a 79ª Assembleia Geral.
Joe Biden, que tem dado mostras de grande fragilidade e desconcentração nos últimos meses, centrou o discurso em apelos à unidade e à paz, especificamente no Médio Oriente e na Ucrânia, lembrando aos presentes que os líderes não podem "reagir com desespero".
Além de uma despedida, o discurso foi pretexto para um recapitular de décadas de ação política e uma oportunidade para apelar à confiança no futuro.
Biden não fugiu contudo aos dois grandes temas que centram a preocupação mundial e da sua Administração.
Os riscos de um conflito generalizado no Médio Oriente, que tem estado a centrar as alocuções da maioria dos líderes, foi um dos pontos altos do seu discurso.
Viver "um inferno"
Biden recordou, com palavras de lamento, de solidariedade e de crítica, o sofrimento gerado pela guerra, em Israel e em Gaza. E apontou um culpado.
"Ninguém pediu esta guerra iniciada pelo Hamas", frisou o presidente norte-americano, antes de desejar ao povo palestiniano do enclave um futuro livre da influência do grupo islamita apoiado pelo Irão, e cujo maior objetivo é destruir Israel.
"O mundo não pode esquecer o que sucedeu a 7 de outubro" de 2023, avisou ainda Biden, lembrando o cortejo de assassínios e atos de terror inflingidos nesse dia a milhares de civis israelitas. O mundo "tem a responsabilidade de fazer com que tal nunca se repita", afirmou.
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Joe Biden mencionou as centenas de mortos civis causadas pelo ataque do Hamas a Israel há 11 meses e as dezenas de pessoas sequestradas então. "Encontrei-me com as famílias desses reféns. Lamentei com elas", referiu. "Estão a viver um inferno".
Mas a resposta israelita para destruir o Hamas em Gaza, tem igualmente semeado sofrimento atroz, sublinhou.
"Também os civis inocentes em Gaza estão a viver um inferno. Milhares e milhares mortos, incluindo trabalhadores humanitários. Demasiadas famílias deslocadas, amontoadas em tendas, perante uma situação humanitária terrível", referiu Biden.
O presidente norte-americano procurou apesar de tudo palavras de encorajamento, ao falar do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, tão discutido e tão adiado.
"Chegou a hora para as partes concluírem os termos, fazer regressar a casa os reféns e garantir a segurança para Israel e Gaza livre do roteiro do Hamas, aliviar o sofrimento em Gaza e por fim a esta guerra", concluiu Biden.
Putin "falhou"
O discurso de Biden serviu igualmente para lembrar o peso da liderança mundial dos EUA, na defesa do direito internacional e do respeito pela soberania dos povos.
Apesar de estar de saída e de não poder comprometer a próxima Administração, venha ela a ser democrata ou republicana, Joe Biden prometeu prosseguir com o apoio à Ucrânia até à vitória na sua guerra contra a invasão russa instigada pelo governo do presidente Vladimir Putin.
"Os nossos aliados e parceiros NATO e mais de 50 nações ergueram-se" contra a Rússia, lembrou o presidente dos EUA, recuperando o repúdio pelas operações russas iniciadas há mais de dois anos.
"Mais importante, o povo ucraniano ergueu-se", sublinhou.
"As boas notícias são que a guerra de Putin falhou, assim como o seu objetivo fulcral", defendeu ainda Biden. "Ele pretendeu destruir a Ucrânia, mas a Ucrânia continua livre. Pretendeu enfraquecer a NATO, mas a NATO está maior, mais forte, mais unida do que nunca, com dois novos membros, a Finlândia e a Suécia".
"Mas não podemos baixar os braços", alertou igualmente, num recado tanto aos restantes líderes mundiais como aos Estados Unidos, que poderão eleger em novembro um novo presidente, Donald Trump, que poderá diminuir ou até retirar o apoio norte-americano a Kiev.
"Tenho esperança"
A esperança foi a tónica do último discurso de um político com uma carreira de mais de cinco décadas.
Recordando os diversos conflitos a que assistiu, e especificamente a guerra do Vietname, que dominou o início da sua vida política há meio século e que acabou em reconciliação, Biden deixou uma mensagem de confiança.
"As coisas podem melhorar", afirmou. "Nunca nos devemos esquecer disso. Tenho assistido a isso ao longo da minha carreira".
Joe Biden explicou que, graças a essa experiência, entre outras que testemunhou na sua longa carreira, confia que o mundo será capaz de ultrapassar mais um período difícil, como o atual, marcado pela multiplicidade e complexidade de crises sucessivas.
"Enquanto líderes, não nos podemos dar ao luxo" de "reagir com desespero" perante as dificuldades que o mundo vive, lembrou.
"Talvez por tudo o que vivi e tudo o que fizemos juntos aos logo de décadas, tenho esperança", acrescentou. "Sei que existem caminhos de progresso".
O presidente norte-americano aproveitou também para defender a democracia e para lembrar os seus pares que “algumas coisas são mais importantes do que manter-se no poder”, dando como exemplo a sua própria renúncia à reeleição.
"Apesar de amar o meu trabalho, amo mais o meu país", explicou. "É o nosso povo que mais importa", acrescentou Joe Biden, dirigindo-se aos restantes líderes sobre a importância de refrearem as suas ambições pessoais.
“Nunca se esqueçam, estamos aqui para servir o povo, não o inverso”, sublinhou o presidente daquela que é considerada a maior democracia do planeta.
"Porque o futuro, o futuro, será ganho por aqueles que libertarem o pleno potencial do seu povo para respirar livremente, para pensar livremente, para inovar, para educar, para viver e amar às claras, sem medo", acrescentou.
"Essa é a alma da democracia. Não pertence a nenhum país", rematou.
Também a urgência do combate às alterações climáticas, a eliminação do flagelo da fome mundial e os desafios das novas tecnologias, incluindo a Inteligência Artificial, foram tópicos do discurso de Joe Biden, que enalteceu os esforços da sua Administração nestes temas.
"Temos a responsabilidade de preparar os nossos cidadãos para o futuro", aconselhou, prevendo para a próxima década mais mudanças tecnológicas "do que nos últimos 50 anos", apontando tanto os benefícios como os riscos da IA.
"Nada é certo sobre a forma como irá evoluir ou como será utilizada", advertiu.
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/as-coisas-podem-melhorar-o-ultimo-discurso-de-joe-biden-na-onu_n1602233
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segunda-feira, 23 de setembro de 2024
"SENTIMENTO DO MUNDO"
O Brasil segue... Não sei para onde.
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DAS VANTAGENS DE SER BOBO - Clarice Lispector
Odilon Esteves
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'Não serei o poeta de um mundo caduco': o verso de Drummond que inspirou 'alerta' de Cármen Lúcia
Lançado em 1940, o poema faz referência ao momento político no mundo e reforça o compromisso do autor com a realidade.
Por Emily Santos, g1
29/02/2024 13h22 Atualizado há 6 meses
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Poeta Carlos Drummond de Andrade — Foto: Reprodução/ EPTV
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Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
É assim que começa o poema ‘Mãos dadas’, de Carlos Drummond de Andrade, que foi citado pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quarta-feira (28).
Durante entrevista exclusiva para o Conexão GloboNews e publicada Blog da Daniela Lima, a ministra faz uma adaptação dos versos ao alertar sobre o motivo de ter buscado a aprovação de regras contra uso de inteligência artificial nas eleições.
"Estamos trabalhando no mundo de hoje. Então, o que posso lhe dizer, à maneira de [Carlos] Drummond, que disse: 'Não serei o poeta de um mundo caduco', é que também eu não serei juíza de um mundo caduco".
A versão original do poema foi publicada em 1940, como parte do livro "Sentimento do mundo". Mas, para Saulo Gomes Thimoteo, professor de Literaturas de Língua Portuguesa do campus Realeza (PR) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), a obra de Drummond permanece atual.
Segundo o professor, a obra do poeta é marcada por conflitos, seja dele consigo mesmo ou dele com o mundo. Neste caso, não é diferente, já que ele renega expectativas que possam ter sobre ele e se reafirma como um expectador da realidade.
Isso, segundo Thimoteo, é uma resposta direta ao momento político que o mundo vivia, diante do início da Segunda Guerra Mundial.
Era esperado que poetas escrevessem sobre mulheres, sobre amores ou paisagens, mas Drummond se nega a fazer isso. Ele deixa claro que sua matéria é o presente – presente esse que vê os regimes autoritários em ascensão, prestes a se consolidar –, e diz que não vai fugir ou ficar alheio a isso.
— Saulo Gomes Thimoteo, professor da UFFS.
Para José Wellington Dias Soares, coordenador do curso de Letras da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc) da Universidade Estadual do Ceará (UECE), o livro de 1940 marca o início da segunda fase do trabalho de Drummond, "muito mais preocupada com as questões sociais."
Em seu artigo “O particular e o universal na poética de Carlos Drummond de Andrade”, Soares considera que é a partir dessa obra que o poeta passa a refletir sobre o “destino do homem em face do mundo” e a questionar a existência humana.
Reflexão essa que ele quer manter no presente, já que se nega a ficar no passado (“mundo caduco”) ou idealizar o futuro (“mundo futuro”). E é no presente que ele percebe os companheiros introspectivos, “taciturnos”, mas esperançosos, e declara: “vamos de mãos dadas”.
O poema é curto, possui apenas duas estrofes, mas Saulo Thimoteo acredita que é do tamanho perfeito para Drummond deixar sua mensagem.
“Ele diz que não vai ser o que não é e não vai escrever sobre algo que não seja o presente, e ainda entende a importância do coletivo para aquele momento. E conclui o poema com a metáfora de que aquilo é o verdadeiro presente", conclui o professor.
Abaixo, leia o poema:
Mãos dadas
(Carlos Drummond de Andrade)
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
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segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Fernando Gabeira - Cadeirada, explosão de pagers e muita fumaça
O Globo
Os brasileiros precisam obter licença para comprar caixa de fósforo. Eles as transformam facilmente em armas de fogo
O avião decolou à noite, em Brasília, e, ao ganhar altura, seus motores produziram um som regular e monótono. “Dez mil pés”, diz o piloto ao microfone. Encostei a cabeça na cadeira e me preparei para entrar naquele longo túnel escuro, sabendo que, no fim dele, encontraria os refugiados venezuelanos e os maltratados ianomâmis, que, nas aulas de antropologia, são vistos como povo cheio de orgulho.
Esperava uma nova onda migratória depois que a oposição ganhou, mas não levou, a eleição na Venezuela. Vejo famílias caminhando pela BR-174, em busca de água para banho. É a nova leva, pós-eleitoral, que chega aos milhares a uma Roraima exausta. Minha ideia era me concentrar só nisso. Faria também uma curta viagem a Lethem, na Guiana, e me atualizaria sobre os ianomâmis.
Um cego vendendo balas nas filas enormes, crianças brincando de fazer casa com pedaços de papelão, velhos sonhando com o asilo para trazer suas mulheres doentes e conseguir salvá-las no Brasil, um arquiteto chorando de emoção diante da chance de recomeçar. É o quadro em Pacaraima.
Essas multidões em trânsito — tangidas pelas guerras, ditaduras e desastres naturais — são a humanidade em movimento e o tema recorrente da política na Europa e nos Estados Unidos. O mundo nem sempre reconhece seu drama, envolto no espetáculo cotidiano. O Brasil não percebe tanta gente batendo à porta, porque a discussão central é a cadeirada de Datena em Pablo Marçal. Lado político, ético, jurídico e até fisiológico, a imagem da cadeira quebrando no peito de Marçal eletriza o país.
Fora, a trama tecnológica da espionagem intriga o mundo. Explodem os pagers do Hezbollah, os walkie-talkies, não se sabe o que pode explodir mais no Líbano, terra dos meus antepassados. Talvez liquidificadores, micro-ondas, aparelhos de audição, máquinas de lavar, marca-passos, próteses de titânio, todo artefato sólido se desfaça em mil fragmentos.
A discussão sobre a cadeirada iria mais longe se a fumaça dos incêndios nos desse mais fôlego, se não tivéssemos de cuidar dos pulmões ameaçados em grande parte do país. Deveríamos ter levado a sério os conselhos de Tom Jobim. Os brasileiros precisam obter licença para comprar caixa de fósforo. Eles as transformam facilmente em armas de fogo, incendiando matas e lavouras.
É preciso cavar espaço para falarmos de uma ditadura que mata, tortura, comete violência sexual e faz fronteira com o Brasil. Não estou me baseando apenas em relatos de gente que foge da Venezuela. A violência do governo Maduro foi tema de um relatório da ONU que, a julgar pela descrição dos seus crimes, põe a Venezuela entre as ditaduras mais cruéis do planeta.
E, se pudermos nos sentar na cadeira, seria interessante falar sobre eleições, sobretudo na grande metrópole. É arrogância dar sugestões, posso apenas perguntar. Num lugar tão poluído e com tantas doenças respiratórias, não seria razoável um projeto para reduzir esses males? Numa cidade com tanto asfalto e cimento, não seria interessante construir, por meio das plantas, esponjas para absorver as águas, como já fazem os chineses? Com tantas ilhas de calor, não seria interessante um projeto para atenuar a vida nesses espaços? O planeta só esquenta.
O calor aqui em Roraima é muito forte. Os incêndios vieram e se foram mais cedo. Quando começa a noite, chove intensamente, a tempestade quebra o vidro dos hospitais, corta a luz, ouvimos apenas o barulho da água caindo e vemos relâmpagos, tudo no escuro, o que nos dá uma sensação de tempos ancestrais e um desejo de recomeço do mundo, sobretudo daqui para baixo, no lugar que um dia se chamou Vera Cruz, Santa Cruz — vocês sabem do que estou falando.
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MÃOS DADAS - Carlos Drummond de Andrade
Odilon Esteves
(este poema faz parte do livro "Sentimento do mundo", publicado em 1940, originalmente pela editora Pongetti.)
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Há seca em grande parte da Amazônia, os incêndios aqui produzem mais emissões de CO2 que a Noruega. E aqui estava a esperança do mundo, que, por sinal, emudeceu diante de sua tragédia."
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Se Fernando Gabeira e Carlos Drummond de Andrade compartilham a alma mineira e o “sentimento do mundo”, o texto de Gabeira poderia se transformar em algo mais contemplativo e lírico, na voz de Drummond. O tom jornalístico daria espaço a uma reflexão poética mais introspectiva, carregada de uma melancolia contida e de uma visão crítica do mundo, sempre temperada pelo peso da história e das experiências humanas.
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Segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Carlos Drummond de Andrade – O golpe da cadeira e a fumaça que nos sufoca
Brasileiros... Somos uma gente que, para tocar fogo, talvez precisássemos de uma licença. Mas não. O fósforo dorme quieto no bolso e, ao menor estalo, vira chama. Chama que arde nos pulmões da mata e da cidade. Nos sonhos de quem foge, nas lágrimas de quem fica.
A noite caiu em Brasília, e o avião subiu aos céus como um ritual. O piloto anuncia, “dez mil pés”. Fecho os olhos e sinto-me deslizando nesse túnel sem fim. A cada metro de altitude, um pensamento. Lá embaixo, na terra, os homens caminham em busca de água, de abrigo. São venezuelanos, são ianomâmis, são rostos anônimos que caminham sem serem notados por um país que se esquece de sentir.
Ah, Pacaraima... ali o tempo não corre, escorre. Esgueira-se entre a poeira da estrada e os restos de papelão que viram brinquedo nas mãos de uma criança. O arquiteto chora, mas não por um prédio derrubado. Seu pranto é pelo edifício de sua vida, que tenta reerguer num chão estrangeiro. Há uma angústia familiar na fuga. Gente que, como eu, carregou pedras nas costas por outros motivos, mas sempre no mesmo fardo pesado da humanidade.
Mas o Brasil, distraído, eletriza-se por outra briga. Uma cadeira que quebra no peito de um candidato, e o país todo prende a respiração como se fosse ali, naquele ato, que repousasse o destino de nossa história. Enquanto isso, o fogo lambe as florestas, a fumaça enrola-se nas casas e nossos pulmões imploram por ar. Os olhos de Tom Jobim, talvez, enxergassem o absurdo: precisamos de licença, sim, para comprar fósforos. Porque aqui o menor estalo vira incêndio. A mata grita, e a cidade silencia.
No Líbano, explodem pagers. E eu, que trago no sangue a terra dos meus avós, fico a pensar: que mais vai explodir nesse mundo sem aviso? Micro-ondas, marca-passos, próteses? Explosões que não são de pólvora, mas de vida fragmentada. Porque é isso que somos: pedaços de uma história esparramada pelo tempo, entre bombas e cadeiras quebradas.
E o calor, esse calor que não nos deixa respirar. Roraima, no escuro, é um cenário de fim do mundo. A tempestade, no seu furor, quebra vidros, arranca a luz. E nós, sentados no escuro, ouvimos a água cair. Talvez seja assim que o mundo se reinicia, no silêncio entre um trovão e outro. Quem sabe, daqui, debaixo desse céu sem estrelas, nasça alguma coisa nova. Uma vez nos chamaram Vera Cruz, Santa Cruz... mas agora, será que há cruz que baste para carregar nosso fardo?
E enquanto queimamos, a Amazônia chora. Uma seca devora suas veias, e a fumaça que dela escapa atravessa o céu como uma prece sufocada. Lá se foi nossa esperança, perdida na correria do mundo que, ocupado demais, nem percebeu que a mata, aquela que um dia carregava a promessa de salvação, agora arde em silêncio.
Fico a pensar se, nesse caos de gente que corre, que foge, que luta por espaço, se há ainda tempo para pensar. Para replantar o mundo. Para fazer das cidades esponjas que sorvem a água, como fazem os chineses, e devolver algum frescor ao planeta. Mas quem ouve? Quem, nesse tumulto de cadeiras e fumaça, ainda sente?
O Brasil segue... Não sei para onde.
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MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Google Arts & Culture
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A Alemanha segue... Não sei para onde. Com seu problema migratório e a ascensão de partidos de extrema-direita, o mundo treme só de imaginar os artefatos que, um dia, espalharam fogo e terror, frutos do engenho e da técnica que aquele povo dominou tão bem.
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Na Segunda Guerra Mundial, o Brasil também viveu a incerteza entre alinhar-se ao Eixo ou ceder ao chamado do Estado de Direito civilizatório. O país oscilava entre o flerte com regimes autoritários e o compromisso com as democracias. Já disseram que, quando a tragédia se repete, da primeira vez é tragédia, e da segunda, uma farsa — e no nosso caso, uma farsa tortuosa. Um eco distorcido da história, onde as escolhas difíceis se apresentam, mas com máscaras diferentes e consequências igualmente sombrias.
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Opinion | Israel's Pager Bombs Have No Place in a Just War - The New York Times
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Israel’s Pager Bombs Have No Place in a Just War
Michael Walzer ⋮ ⋮ 21/09/2024
The exploding pagers and walkie-talkies targeting members of Hezbollah in Lebanon were certainly an
espionage and technological coup. Few people on the spot or reading about them from far away could
fail to be amazed. But the explosions on Tuesday and Wednesday were also very likely war crimes —
terrorist attacks by a state that has consistently condemned terrorist attacks on its own citizens.
Yes, the devices most probably were being used by Hezbollah operatives for military purposes. This
might make them a legitimate target in the continuous cross-border battles between Israel and Hezbollah.
But the attacks, which killed at least 37 people and wounded thousands of others, came when the
operatives were not operating; they had not been mobilized and they were not militarily engaged. Rather,
they were at home with their families, sitting in cafes, shopping in food markets — among civilians who
were randomly killed and injured.
Israel has neither confirmed nor denied responsibility for the attacks but is widely believed to be behind
them. If those allegations are true, it is important for friends of Israel to say: This was not right.
The theory of just war depends heavily on the distinction between combatants and civilians. In
contemporary warfare, these two groups are often mixed together in the same spaces — often, indeed,
deliberately mixed together, because the killing of civilians invites moral condemnation. The war that
Hamas designed in Gaza is a grim illustration of the strategy of putting civilians at risk for political gain.
Still, a military responding to this strategy has to do everything it can to avoid or minimize civilian
casualties. Israel claims to be doing that in Gaza, although serious criticism of its conduct there has
appeared in media around the world, not to mention a case brought against Israeli and Hamas officials
alike at the International Criminal Court alleging war crimes and crimes against humanity.
No similar claim of minimizing risk to civilians can be made for the decision to explode the devices. They
were not distributed by Hezbollah in order to put its people at risk. This was not a plot to force Israel to kill
or injure civilians. The plot was Israel’s, and the plotters had to know that at least some of the people hurt
would be innocent men, women and children.
Israel’s recent assassinations of Hamas and Hezbollah leaders requires a more complicated, but still
critical, political and moral response. These were men actively supporting terrorist attacks on Israel, who
certainly knew themselves to be targets — I would say legitimate targets — of assassins who could be
operating from close up or far away. But when a government authorizes the killing of men it is directly or
indirectly negotiating with, such as the Hamas leader Ismail Haniyeh in July, we have to conclude that the
government isn’t committed to the negotiations’ success. That is politically and morally wrong, not only
from the standpoint of the large number of Israeli citizens (including my friends in Israel) who are strongly,
2/2
even desperately, committed to ending the war and bringing the hostages home, but also from the
standpoint of all the victims of the Gaza war.
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Guerra e Paz são dois painéis de, aproximadamente, 14 x 10 m cada um produzidos pelo pintor brasileiro Candido Portinari, entre 1952 e 1956. Wikipédia
Autor: Candido Portinari
Localização: Assembleia Geral das Nações Unidas
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Obra do pintor brasileiro Candido Portinari foi inaugurada em 1957 na sede da ONU em Nova Iorque; Nações Unidas ressaltaram obra monumental mais importante doada à organização.
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Se o texto de Michael Walzer fosse reescrito por Leon Tolstói, o tom seria mais meditativo, quase filosófico, imbuído de um profundo questionamento moral e existencial. Tolstói, com sua alma russa, ampliaria o foco para refletir sobre a condição humana, o sofrimento causado pela guerra e a incapacidade de qualquer justificativa política ou militar redimir a violência cometida.
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Israel e Suas Bombas-Pager Não Têm Lugar em Uma Guerra Justa
Leon Tolstói – 21/09/2024
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A explosão dos pagers e walkie-talkies no Líbano, ceifando vidas de membros do Hezbollah e de muitos civis, marca mais um capítulo sombrio na história da humanidade. E aqui estou, na vastidão da estepe espiritual da guerra, refletindo sobre o absurdo desta tragédia. A tecnologia, que poderia ser uma expressão do gênio humano, transforma-se em arma, espalhando morte entre os homens. Mas o que resta quando o engenho, dominado por vaidades e ódios, destrói o próprio espírito da vida?
Sim, há quem se maravilhe com o engenho técnico, o estratagema de explodir esses aparelhos nas mãos de operativos do Hezbollah, escondidos entre suas famílias. Mas que utilidade tem a admiração diante de um ato que toma o sangue dos inocentes? Esses homens, alvos da fúria de Israel, não estavam em combate. Sentados entre seus entes queridos, em casas, em mercados, ou mesmo em cafés, foram destruídos por uma força invisível, impiedosa, que não fez distinção entre o culpado e o inocente.
E aqui, a culpa não se divide. Israel, o Estado que sempre se ergueu contra o terror, agora recorre ao mesmo expediente que tanto condena. Nada em uma guerra justifica a transformação de lares em campos de batalha. A teoria de uma guerra justa exige que combatentes e civis sejam claramente diferenciados. No entanto, em nossa época, os dois se misturam, tornando o julgamento moral cada vez mais difícil e obscurecendo o que resta de justiça no campo de batalha. No entanto, até mesmo na escuridão, é possível ver: o sofrimento de inocentes é uma marca que não pode ser ignorada.
Mas, por mais que as forças de Israel tentem justificar suas ações, não há como escapar da verdade amarga. Essas explosões não aconteceram no calor do combate, não foram provocadas por uma emboscada de homens em armas. Não. Elas foram planejadas, deliberadas, contra pessoas desarmadas, contra homens, mulheres e crianças que nada sabiam dos atos de guerra ao seu redor, e suas vidas foram arrancadas sem aviso.
Na guerra, sempre há o pretexto da necessidade. Vejo isso há tanto tempo. Os homens que apoiam o terror, que justificam as mortes e os massacres, também estão marcados pela sombra da guerra. Mas quando um Estado, que se afirma superior moralmente, toma a vida de civis com o mesmo descuido que seus inimigos, estamos diante de algo ainda mais profundo, um abismo de dor e corrupção espiritual.
Lembro-me dos líderes que caíram recentemente nas mãos de Israel, mortos em suas casas, em seus esconderijos, enquanto negociavam nas sombras. Eram homens que, sem dúvida, apoiavam ataques terroristas contra Israel, mas sabiam que suas vidas estavam sob ameaça. No entanto, quando um governo decide matar aqueles com quem se negocia, como ocorreu com Ismail Haniyeh em julho, é evidente que este governo já não está comprometido com o sucesso das negociações. Isso é um erro, tanto político quanto moral, para Israel e para o mundo.
Em nome de quem essas mortes foram autorizadas? Das vítimas de Gaza, dos soldados israelenses, ou dos civis em suas casas? Não. Foram autorizadas pelo espírito da guerra, que se alimenta da tragédia e do sofrimento humano. As consequências são claras: mais guerra, mais dor, mais mortes.
Se o mundo continua a caminhar nesse caminho, pergunto-me o que restará de nós, da nossa humanidade, quando a última bomba explodir e o último homem cair.
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Social-democratas freiam ultradireita alemã em Brandemburgo – DW – 22/09/2024
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PolíticaAlemanha
Social-democratas freiam ultradireita alemã em Brandemburgo
Jean-Philip Struck
22/09/202422 de setembro de 2024
Partido Social-Democrata do chanceler Scholz fica levemente à frente dos ultradireitistas da AfD em eleição estadual no Leste alemão. Ainda assim, partidos populistas abocanharam mais de 40% do eleitorado local.
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Dietmar Woidke
O governador de Brandemburgo, o social-democrata Dietmar Woidke (centro), após o anúncio das primeiras projeçõesFoto: Fabrizio Bensch/REUTERS
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Castigado por uma onda de maus resultados eleitorais, o Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, a sigla do chanceler federal Olaf Scholz, obteve algum alívio neste domingo (22/09) ao terminar na liderança na eleição estadual de Brandemburgo, no Leste alemão.
Numa reviravolta eleitoral, o SPD ficou na primeira posição na disputa, com 30,9% dos votos, levemente à frente da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que terminou com 29,2%.
Com a contagem finalizada, o SPD não apenas se mostrou capaz de barrar uma vitória da ultradireita – que permaneceu à frente nas pesquisas durante toda a campanha –, mas também garantiu a manutenção da sua liderança em Brandemburgo, estado que é um bastião do partido há mais de três décadas.
Nos últimos dias, o SPD conseguiu reverter sua desvantagem em relação à AfD graças a uma campanha personalista que focou no atual governador, o social-democrata Dietmar Woidke, cuja aprovação entre os eleitores contrasta com a impopularidade nacional da administração do chanceler Scholz. Em relação ao último pleito, em 2019, o SPD até mesmo conseguiu crescer 4,7 pontos percentuais.
A eleição era vista como um termômetro para a situação do SPD como um todo. Uma potencial derrota provavelmente seria colocada na conta do impopular chanceler federal – reprovado por 67% dos alemães – e teria adicionado ainda mais pressão sobre a fragilizada tríplice coalizão do governo federal, formada pelo SPD, Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão).
Vários membros do SPD não escondiam que pretendiam usar um potencial mau resultado em Brandemburgo e uma vitória da AfD para fortalecer a ideia de que os social-democratas precisam adotar um caminho "Kamala no lugar de Biden" nas eleições federais de 2025 e substituir Scholz por outra figura.
Ainda assim, a vitória deve ser creditada ao popular governador Woidke, que ao longo da campanha evitou exibir o apoio de Scholz, apesar de o atual chanceler ter sua residência e seja deputado pelo distrito de Potsdam, que fica em Brandemburgo. Dessa forma, o resultado ainda deve reforçar o argumento de que a SPD só se mostra competitivo quando se afasta do impopular governo federal. "O partido da chanceler venceu, o chanceler perdeu", sentenciou uma análise da revista Der Spiegel.
Após a divulgação das primeiras projeções, o secretário-geral do SPD, Kevin Kühnert, celebrou de maneira cautelosa o resultado em entrevista à emissora ZDF, apontando que os problemas do partido ainda persistem, mas que pelo menos eles não aumentaram. Kühnert, por outro lado, evitou responder sobre se o resultado terá impacto na manutenção de Scholz como candidato ano que vem.
As atenções da campanha também estavam voltadas para o desempenho combinado das populistas da AfD e da Aliança Sahra Wagenknecht – Razão e Justiça (BSW), um partido de esquerda com viés socialmente conservador criado em janeiro e que leva o nome da sua fundadora. No final, as duas siglas somaram 42,7% dos votos, o que deve mudar a paisagem política local.
O pleito ocorreu três semanas depois de as duas siglas conseguirem quase 50% dos votos na Turíngia e 42% na vizinha Saxônia, dois estados que, assim como Brandemburgo, também ficam no Leste alemão. Na Turíngia, a AfD conquistou 32,8% dos votos, e o resultado marcou a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um partido de ultradireita terminou um pleito estadual alemão em primeiro lugar. A sigla esperava obter sua segunda vitória justamente em Brandemburgo e usar o resultado para se fortalecer para a eleição federal de 2025.
Ainda em Brandemburgo, os primeiros resultados mostraram um declínio significativo dos verdes e do partido oposicionista A Esquerda, sendo que este último foi aparentemente canibalizado pela ascensão da BSW. As duas siglas ficaram abaixo da cláusula de barreira de 5% e arriscam ficar sem bancada local.
Já a União Democrata-Cristã (CDU, o partido da ex-chanceler Angela Merkel), também sofreu um declínio, obtendo 12,1% – 3,5 pontos percentuais a menos do que em 2019 e o pior resultado histórico da sigla no estado.
O comparecimento eleitoral foi alto. De acordo com as autoridades eleitorais, 72,9% dos eleitores do estado votaram, uma porcentagem significativamente maior do que em 2019, de 61,3%.
Eleitoras com roupas típicas em frente à seção eleitoral em BrandemburgoEleitoras com roupas típicas em frente à seção eleitoral em Brandemburgo
Eleitoras com roupas típicas em frente à seção eleitoral em BrandemburgoFoto: Frank Hammerschmidt/dpa/picture alliance
Raio-X de Brandemburgo
Com pouco menos de 2,6 milhões de habitantes, Brandemburgo fica no território que compunha a antiga Alemanha Oriental comunista. Mais de 30 anos após a reunificação do país, essa região ainda apresenta padrões de votação distintos do restante da Alemanha, e nos últimos anos tem sido o principal reduto da ultradireita do país.
Apesar de ser uma eleição local, a campanha em Brandemburgo abordou temas nacionais como política de imigração e a continuidade do auxílio alemão à Ucrânia, que são vistos de forma mais crítica por parte da população do Leste, onde há proporcionalmente menos estrangeiros e, segundo pesquisas, uma maior prevalência de opiniões favoráveis à Rússia. Pouco menos de 12% da população de Brandemburgo têm raízes imigrantes, em comparação com a média nacional de quase 30%.
Mas Brandemburgo também apresenta diferenças em relação a outros estados do Leste. Embora tenha se deparado com problemas similares a de outros após a reunificação, Brandemburgo não sofreu o mesmo êxodo populacional como outros estados da região.
Brandemburgo ainda viu o renascimento de cidades, como a capital estadual, Potsdam, que se tornou um concorrido subúrbio para a classe média berlinense. Nos últimos anos, a economia estadual foi reforçada com a abertura do Aeroporto de Berlim-Brandemburgo e a inauguração de uma fábrica da Tesla, que rapidamente se tornou a maior empregadora privada do estado.
Popularidade de governador leva partido de Scholz a resistir
Brandemburgo é considerado um bastião do SPD. O partido lidera o governo estadual há 34 anos, desde a reunificação da Alemanha em 1990.
De acordo com os primeiros prognósticos, o SPD deve conquistar 30,9% dos votos, acima do registrado no pleito de 2019, quando o partido conquistou 26,2%.
Boa parte desse bom desempenho deve ser creditada ao desempenho do atual governador, o social-democrata Dietmar Woidke, de 61 anos, que está no cargo desde 2013.
Durante sua campanha, Woidke, manteve distância do impopular Scholz e também procurou se diferenciar do governo federal se mostrando crítico à política migratória dos últimos anos, defendendo mais rigor contra a entrada de migrantes irregulares. Em Brandemburgo, pesquisas mostraram que a política migratória aparecia no topo das preocupações dos eleitores durante a campanha.
Outra pesquisa mostrou que 55% dos eleitores de Brandemburgo afirmaram que gostariam que Woidke permanecesse à frente do governo - um percentual mais alto do que o dos votos recebidos pelo SPD.
Woidke decidiu usar isso para pressionar parte do eleitorado, fazendo uma aposta arriscada ao afirmar durante a campanha que não pretendia continuar à frente do governo se o SPD ficasse em segundo lugar. A tática parece ter tido efeito, já que o SPD local conseguiu reverter a desvantagem em relação à AfD na reta final da campanha.
A vitória do SPD em Brandemburgo também contrasta com os maus resultados do partido nos pleitos da Turíngia e Saxônia três semanas atrás, nos quais os social-democratas amargaram a quinta e quarta posições respectivamente.
Olaf ScholzOlaf Scholz
O chanceler federal Olaf Scholz é deputado federal por um distrito de Brandemburgo, mas permaneceu distante da campanha estadualFoto: Thomas Koehler/photothek/IMAGO
AfD cresce, mas deixa escapar primeiro lugar
Fundada em 2013, inicialmente como uma sigla eurocética de tendência liberal, a AfD rapidamente passou a pender para a ultradireita, especialmente após a crise dos refugiados de 2015-2016. Com posições radicalmente anti-imigração, membros que se destacam por falas incendiárias ou racistas, a legenda é rotineiramente acusada de abrigar neonazistas.
A AfD é especialmente forte no Leste. Em Brandemburgo, o partido elegeu seus primeiros deputados estaduais ainda em 2014 e em 2019 conquistou 23,5% dos votos.
Neste domingo, o partido registrou crescimento mais uma vez entre o eleitorado, conquistando 29,2%, segundo as primeiras projeções, mas deixou escapar o primeiro lugar entre todos os partidos na disputa, em contraste com o diretório da AfD na Turíngia.
O colíder do diretório nacional da AfD, Tino Chrupalla, lamentou que o partido não tenha conseguido terminar a disputa em Brandemburgo em primeiro lugar, mas celebrou o crescimento. "Obtivemos um apoio significativo e, acima de tudo, tivemos grandes ganhos entre os eleitores jovens”, disse ele. Uma pesquisa mostrou que a AfD conquistou 32% do eleitorado entre 16 e 24 anos, maior percentual entre todas as siglas.
O diretório da AfD em Brandemburgo foi liderado durante a campanha por Hans-Christoph Berndt, um dentista de 68 anos. Antes de entrar para a AfD em 2018, ele foi cofundador de uma associação chamada Zukunft Heimat (Pátria Futura), que organiza protestos contra refugiados e que é vigiada como extremista por autoridades policiais, que apontaram a influência de neonazistas no grupo.
Hans-Christoph Berndt, Alice Weidel e Tino ChrupallaHans-Christoph Berndt, Alice Weidel e Tino Chrupalla
Hans-Christoph Berndt (esq.), o líder da AfD em Brandemburgo, ao lado dos colíderes nacionais da AfD, Alice Weidel e Tino ChrupallaFoto: Liesa Johannssen/REUTERS
Na campanha de 2024, Berndt e o diretório brandemburguês da AfD defenderam o fim da instalação de novas turbinas eólicas e a exclusão de refugiados de eventos públicos, além de fazer promessas que fogem da alçada dos governos estaduais, como retirar as sanções econômicas impostas pela Alemanha contra a Rússia.
Novo partido populista de esquerda forma sua terceira bancada estadual
O pleito de Brandemburgo também marcou o terceiro teste da BSW em eleições estaduais alemãs. Fundada em janeiro pela deputada federal Sahra Wagenknecht, uma das figuras mais controversas da esquerda alemã, a legenda se apresentou para o eleitorado com uma agenda bastante heterodoxa: esquerdista em assuntos econômicos, porém mais próxima da ultradireita em questões como imigração e diversidade.
Antes de lançar a BSW, Wagenknecht era uma figura proeminente da legenda A Esquerda, formado em 2007 em parte por remanescentes do antigo partido comunista da Alemanha Oriental. No entanto, Wagenknecht vivia às turras com seus antigos correligionários por causa da sua oposição à imigração ilegal e ao "identitarismo". Ao lançar sua legenda, Wagenknecht não escondeu seu desejo de tentar atrair eleitores da classe trabalhadora que debandaram para a AfD nos últimos anos.
Em Brandemburgo, o candidato oficial da BSW ao cargo de governador foi o juiz trabalhista e ex-social-democrata Robert Crumbach, de 61 anos, um desconhecido. Nos cartazes eleitorais da legenda no estado, Sahra Wagenknecht foi a grande estrela da BSW, que conduziu uma campanha recheada de críticas ao apoio do governo alemão à Ucrânia.
A BSW obteve em sua estreia em Brandemburgo 13,5% dos votos, ficando à frente de siglas tradicionais, como a União Democrata-Cristã (CDU, o partido da ex-chanceler Angela Merkel) e os Verdes.
No início de setembro, nos pleitos estaduais da Saxônia e Turíngia, a BSW já havia conquistando 11,8% e 15,8% respectivamente, indicando que havia mesmo um filão de eleitores interessados no tipo de "mistura" que Wagenknecht vem oferecendo.
Sahra WagenknechtSahra Wagenknecht
Sahra Wagenknecht fundou partido em janeiro e já acumula vários sucessos eleitorais com programa de esquerda "antiwoke"Foto: Anja Koch/DW
Verdes, liberais e Esquerda agonizam em Brandemburgo
Se os social-democratas de Brandemburgo ainda demonstraram força, o mesmo não pode ser dito sobre os verdes e liberais, que compõem a tríplice coalizão partidária federal que governa a Alemanha.
Os resultados mostraram que os verdes amargaram 4,1% dos votos no estado – 6,6 pontos a menos do que em 2019. Com esse desempenho, o partido ficou abaixo da cláusula de barreira de 5% e deve ficar sem deputados no Parlamento estadual.
Os liberais de Brandemburgo, por sua vez, não conseguem superar a cláusula de barreira desde 2014. Agoram eles receberam ínfimos 0,8% dos votos. Os percentuais devem se somar aos maus resultados que as duas siglas registraram na Saxônia e na Turíngia.
Já o partido A Esquerda, que vem sangrando com a saída de Wagenknecht, aparece à beira da extinção em Brandemburgo, com 3% dos votos – bem abaixo dos 10,7% conquistados no último pleito estadual, em 2019.
Dietmar WoidkeDietmar Woidke
Dietmar Woidke durante a eleição neste domingoFoto: Fabrizio Bensch/REUTERS
Mudanças na coalizão de governo?
Na Alemanha, o sistema para a formação de governos estaduais também é parlamentarista. O partido que obtém mais da metade dos assentos no parlamento local conquista o posto de governador do estado. Mas, como nem sempre um partido sozinho conquista tantos assentos, muitas vezes é preciso que as legendas mais votadas costurem coalizões com outras siglas para garantir governabilidade.
Mesmo que a AfD terminasse a eleição em primeiro lugar, era considerado certo que a sigla não teria condições de liderar o governo de Brandemburgo, já que todos os outros partidos haviam excluído a possibilidade de formar alianças com os ultradireitistas.
Analistas apontam que o cenário se desenha para que o SPD continue à frente do governo. No momento, Woidke lidera uma tríplice coalizão formada pelo SPD, a CDU e os Verdes, que contam com 50 das 88 cadeiras no Parlamento de Brandemburgo. No entanto, tanto a CDU quanto os Verdes perderam votos em relação ao pleito de 2019, o que deve levar a rearranjos na coalizão.
O encolhimento dos verdes, que devem perder toda a sua bancada de dez deputados, será o principal fator que deve levar a rearranjos na coalizão.
Nesse cenário, a BSW de Wagenknecht aparece como o partido mais propenso a assumir o lugar. Se isso for confirmado, Wagenknecht reforçará sua posição de "fazedora de reis" em nível estadual. Na Saxônia e na Turíngia, o partido da populista de esquerda já está em negociações com outras siglas para integrar coalizões que visam isolar a ultradireitista AfD.
Jean-Philip StruckJean-Philip Struck
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A reportagem sobre as eleições em Brandemburgo destaca um cenário político cada vez mais complexo na Alemanha, especialmente no Leste do país. O Partido Social-Democrata (SPD) conseguiu uma vitória apertada, liderado pelo governador Dietmar Woidke, que se distanciou da impopular administração nacional de Olaf Scholz. Embora a AfD tenha tido um crescimento significativo, capturando 29,2% dos votos, o SPD permaneceu no poder com 30,9%, uma vitória que alivia momentaneamente a pressão sobre o partido em meio a uma sequência de maus resultados.
A ascensão da AfD, assim como a chegada de novos partidos populistas como o BSW de Sahra Wagenknecht, reflete uma mudança nas dinâmicas políticas locais. Ambos captaram uma fatia substancial do eleitorado, com preocupações focadas em temas como imigração e apoio à Ucrânia. Apesar de o SPD manter sua liderança, a forte presença de forças populistas evidencia uma crescente fragmentação política, que já é visível em outros estados da antiga Alemanha Oriental, como Turíngia e Saxônia.
A perda de apoio dos Verdes e o declínio dos liberais apontam para a necessidade de rearranjos nas coalizões de governo, e a possível inclusão do BSW no governo de Brandemburgo reforçaria ainda mais a influência de Wagenknecht. A situação evidencia como a política alemã no Leste está cada vez mais marcada por debates em torno da identidade, imigração e questões nacionais, refletindo um panorama em transformação para as próximas eleições federais em 2025.
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Sob o olhar arguto de Thomas Mann, o cenário político de Brandemburgo, revelado pela vitória frágil dos social-democratas sobre a ultradireita, assumiria uma aura quase sombria, como as penumbras que envolvem os personagens de "A Montanha Mágica". O ritmo lento e inexorável da política alemã, tal como a doença que gradualmente toma conta do sanatório de Davos, seria descrito com uma profunda consciência da decadência e da busca por sentido em meio à desordem.
Neste contexto, a vitória de Dietmar Woidke não seria um triunfo retumbante, mas um fôlego temporário, um suspiro que mascara as fissuras mais profundas na sociedade alemã. A figura do chanceler Olaf Scholz, em sua impopularidade, ecoaria o embotamento moral que aflige uma nação que ainda busca encontrar seu caminho entre os ecos do passado e as incertezas do futuro. A liderança de Woidke, isolada da figura do chanceler, seria vista como um esforço solitário de um homem que, à semelhança de Hans Castorp, navega um mar revolto de tensões sociais, sem rumo claro, mas com a persistência de quem conhece bem os ventos traiçoeiros da política.
A ascensão da AfD e o crescimento do BSW de Sahra Wagenknecht seriam tratados como sintomas de uma doença espiritual que consome o corpo político alemão, refletindo o espírito inquieto e febril que Mann descreve com tanta maestria. O eleitorado jovem, capturado pela AfD, poderia ser comparado aos jovens do sanatório, perdidos em sua busca por identidade, facilmente seduzidos por promessas radicais que oferecem um alívio imediato, mas que, como o ar rarefeito das montanhas, são enganadoramente sufocantes.
Mann não deixaria de sublinhar a ironia cruel do renascimento de forças políticas que, como sombras do passado, ressurgem para atormentar a memória de uma Alemanha que já viu os perigos de sua própria fraqueza. O dilema moral de Brandemburgo – entre a continuidade de uma liderança desgastada e a tentação de um populismo avassalador – ecoaria a luta de Settembrini e Naphta, em que a racionalidade e o idealismo colidem com o fatalismo e a destruição.
Nas entrelinhas dessa política fragmentada, Mann revelaria o desconforto existencial de um país que, mesmo em tempos de progresso e modernização, encontra-se perdido em sua própria história, repetindo ciclos de crise e redenção. Brandemburgo, com sua tensão entre o passado comunista e o presente capitalista, seria uma microcosmo de um corpo político maior, doente e cansado, que busca, em meio a dores e delírios, encontrar uma cura que talvez nunca chegue.
Assim como "A Montanha Mágica" oferece uma reflexão sobre o destino da civilização, Mann transformaria esse momento eleitoral em uma meditação sobre a fragilidade da democracia, a eterna luta contra o irracional e o peso das escolhas políticas que, como o tempo em Davos, pairam sobre a Alemanha com uma lenta, mas implacável, gravidade.
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O chanceler federal Olaf Scholz é deputado federal por um distrito de Brandemburgo, mas permaneceu distante da campanha estadualFoto: Thomas Koehler/photothek/IMAGO
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A recente eleição estadual de Brandemburgo, na Alemanha, trouxe à tona profundas fissuras sociais e políticas que refletem tanto as tensões locais quanto os desafios nacionais. Embora castigado por uma série de derrotas eleitorais, o Partido Social-Democrata (SPD), sob a liderança do governador Dietmar Woidke, conseguiu manter uma frágil vantagem sobre a ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). Este aparente triunfo, no entanto, é menos uma vitória e mais um sintoma de uma crise política e espiritual que tem assolado a Alemanha e, particularmente, sua antiga região oriental. Ao tecermos a narrativa dessa disputa, podemos vislumbrar um cenário que evoca as sombrias reflexões de Thomas Mann em A Montanha Mágica, onde a política, como a doença, se manifesta lentamente, corroendo o corpo social e deixando marcas profundas no espírito de uma nação em declínio.
A eleição de Brandemburgo foi mais do que uma simples disputa local; ela foi um termômetro para a situação do SPD no cenário político alemão. O governador Woidke, uma figura popular entre os eleitores de Brandemburgo, conseguiu, com uma campanha personalista e estratégica, reverter a desvantagem que seu partido vinha enfrentando nas pesquisas. Sua vitória, com 30,9% dos votos, superou por uma margem estreita os 29,2% da AfD. No entanto, este resultado, embora celebrado por alguns como um alívio temporário, está longe de resolver os problemas mais profundos que afetam tanto o SPD quanto o sistema político alemão como um todo.
Nas entrelinhas dessa vitória, emerge um contraste gritante: enquanto o SPD de Woidke conseguiu resistir às investidas da ultradireita, o chanceler Olaf Scholz, representante máximo do partido, continua atolado em uma profunda impopularidade. As eleições em Brandemburgo revelam uma desconexão entre a política local e a nacional, onde a figura de Scholz parece mais um peso do que uma vantagem para os social-democratas. Woidke, astutamente, evitou exibir o apoio de Scholz durante sua campanha, reconhecendo que, para vencer, era necessário distanciar-se do governo federal, que enfrenta rejeição entre 67% da população. Esta dicotomia entre o governador local e o chanceler federal ressoa com a complexa trama de A Montanha Mágica, onde os personagens, presos em suas realidades individuais, lutam para encontrar sentido em um mundo cada vez mais fragmentado.
Essa fragmentação não é exclusividade do SPD. A ascensão da AfD, que tem feito avanços significativos nas regiões do leste da Alemanha, indica uma inquietação mais profunda, uma desilusão com as políticas tradicionais e uma busca por soluções radicais que prometem restaurar uma ordem perdida. A AfD, com seu discurso inflamado e muitas vezes racista, conseguiu canalizar a frustração de parte da população, especialmente entre os jovens, conquistando 32% dos votos entre eleitores de 16 a 24 anos. Essa juventude, que deveria representar o futuro da Alemanha, mostra-se seduzida por um populismo perigoso que evoca as sombras do passado. Thomas Mann, se vivesse hoje, veria nisso um reflexo da lenta corrosão espiritual de uma nação que, como os doentes de Davos, se deixa seduzir por ilusões enquanto a verdadeira cura permanece distante e inalcançável.
Por outro lado, a BSW de Sahra Wagenknecht, um novo partido populista de esquerda, conseguiu formar sua terceira bancada estadual com 13,5% dos votos. A mistura heterodoxa de uma plataforma economicamente esquerdista, mas socialmente conservadora, atraiu eleitores desencantados com os partidos tradicionais de esquerda, como A Esquerda, que, dilacerado pela partida de Wagenknecht, ficou à beira da extinção em Brandemburgo. Tal como Settembrini e Naphta em A Montanha Mágica, os partidos políticos da Alemanha moderna travam um embate entre o racional e o irracional, entre o progresso e o retrocesso, mas sem um verdadeiro vencedor, apenas a constante erosão da fé na política como meio de redenção.
Nesse contexto, os verdes e os liberais, membros da tríplice coalizão que governa a Alemanha no nível federal, sofreram declínios dramáticos em Brandemburgo, com os verdes caindo para 4,1% dos votos, arriscando-se a ficar sem representação no parlamento local. Já os liberais receberam meros 0,8%, consolidando seu papel como meros figurantes em uma cena política onde os extremos ganham cada vez mais espaço. Este é um sintoma de uma crise mais ampla, uma quebra de confiança nos partidos tradicionais que, como o sistema político em A Montanha Mágica, parecem perder relevância e vigor diante de uma sociedade cada vez mais polarizada e desiludida.
Brandemburgo, com suas raízes na antiga Alemanha Oriental comunista, permanece um bastião de diferenças políticas e sociais. Embora tenha sofrido menos com o êxodo populacional que outras regiões do leste, ainda carrega consigo uma memória coletiva distinta, marcada pelas cicatrizes da divisão do país. A reunificação não curou essas feridas, e as tensões sociais, particularmente em relação à imigração e ao apoio à Ucrânia, continuam a alimentar a retórica tanto da extrema direita quanto da nova esquerda populista. Thomas Mann descreveria essa situação como um estado de febre, uma doença do espírito nacional que se alimenta das incertezas do presente e das sombras do passado.
O que se desenha em Brandemburgo e no resto da Alemanha não é apenas uma luta política, mas uma batalha pelo espírito da nação. A erosão das instituições democráticas, a ascensão do populismo de direita e esquerda, e o colapso da confiança nas elites políticas são sinais de uma crise mais profunda, que toca na alma alemã. A política, como a febre que consome os doentes de A Montanha Mágica, avança lentamente, corroendo as fundações da democracia e deixando em seu rastro uma sensação de desespero e desencanto.
Assim, a eleição de Brandemburgo, que à primeira vista poderia parecer um evento local de pouca relevância, revela-se, sob uma análise mais atenta, como um microcosmo das tensões que ameaçam dilacerar o tecido social alemão. Thomas Mann, com sua capacidade de revelar as profundezas da alma humana, veria nisso um reflexo da eterna luta entre razão e irracionalidade, entre a busca por progresso e a tentação do retrocesso. E como em A Montanha Mágica, a Alemanha de hoje parece estar em uma encruzilhada, onde cada escolha carrega consigo o peso do passado e as incertezas do futuro.
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A reflexão sobre a recente eleição em Brandemburgo, com toda a complexidade política e social que ela evoca, pode ser enriquecida quando conectamos os temas discutidos com os textos de autores como Fernando Gabeira e Carlos Drummond de Andrade, que, em diferentes contextos, também exploraram a tensão entre o indivíduo, a sociedade e a política.
Fernando Gabeira, em sua obra, frequentemente se debruça sobre as contradições da política brasileira e global, a luta pela liberdade individual e a perplexidade diante da degradação do sistema político. Em seu livro O que é isso, companheiro?, Gabeira narra a turbulência de um período marcado por lutas ideológicas extremas, o que encontra paralelo na ascensão da extrema-direita na Alemanha e nos movimentos populistas de esquerda. Tanto no Brasil quanto na Alemanha, há uma busca por respostas radicais às crises do sistema democrático, seja através do autoritarismo ou da desconstrução política. Gabeira aborda o dilema entre o idealismo e a realidade do pragmatismo político, algo que também ecoa na figura de Dietmar Woidke, que, ao buscar se distanciar da liderança nacional de seu partido, parece replicar o distanciamento emocional que Gabeira descreve em relação às suas antigas lutas ideológicas.
Já Carlos Drummond de Andrade, especialmente em sua poesia, oferece uma lente mais introspectiva e existencial sobre as crises do homem em sociedade. Em "A Flor e a Náusea", por exemplo, Drummond captura o sentimento de impotência e alienação diante de um mundo degradado, com versos como: "O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente." Assim como os personagens de Thomas Mann em A Montanha Mágica, Drummond nos apresenta figuras presas em suas realidades pessoais, tentando resistir às forças esmagadoras do tempo e da política. As paisagens sombrias da poesia de Drummond encontram ressonância na Alemanha de hoje, onde o avanço de movimentos extremistas, como a AfD, e a desconexão entre líderes locais e federais apontam para uma sociedade que, tal qual a flor sufocada de Drummond, busca sobreviver em meio à náusea do desencanto político.
Ambos, Gabeira e Drummond, em suas diferentes abordagens, abordam o tema da desilusão e da luta constante do ser humano diante de forças históricas e sociais que parecem esmagadoras. A política de Brandemburgo, com suas vitórias efêmeras e o crescimento dos extremos, pode ser lida como um eco dessas reflexões, onde o ser humano, ao se deparar com uma realidade implacável, precisa encontrar formas de resistir, seja através do engajamento político ou do recuo introspectivo. A solidão política de Dietmar Woidke, assim como o isolamento de Hans Castorp em A Montanha Mágica, é, em última instância, uma metáfora para a fragilidade humana diante da história.
Assim, a complexidade do cenário político alemão e a ascensão de movimentos populistas ecoam a reflexão constante de autores como Gabeira e Drummond sobre as limitações da política tradicional e a busca por alternativas que sejam capazes de resgatar o ser humano das crises de fé na democracia. Em ambos os casos, a solução parece cada vez mais distante, assim como o horizonte nebuloso de Mann em sua montanha mágica.
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Juízo final/Final Judgment - Nelson Cavaquinho - English Lyrics
Leonardo Costa
30 de jul. de 2022
Juízo Final/Final Judgment
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Letra em português:
O sol
Há de brilhar mais uma vez
A luz
Há de chegar aos corações
Do mal
Será queimada a semente
O amor
Será eterno novamente
É o juizo final
A história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer
É o juizo final
A história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer
O sol
Há de brilhar mais uma vez
A luz
Há de chegar aos corações
Do mal
será queimada a semente
O amor
Será eterno novamente
O amor
Será eterno novamente
O amor
Será eterno novamente
English Translation:
The sun
Will shine another time
The light
will reach the hearts
The evil
Will have the seed burned
The love
Will be eternal once again
It's the last judgment
The story of the good
And the evil
I wanna have eyes to see
The evil disappear
It's the last judgment
The story of the good
And the evil
I wanna have eyes to see
The evil disappear
The sun
Will shine another time
The light
will reach the hearts
The evil
Will have the seed burned
The love
Will be eternal once again
The love
Will be eternal once again
The love
Will be eternal once again
Música
1 músicas
Juízo Final
Nelson Cavaquinho
Nelson Cavaquinho
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O avião era de José Dirceu, afirma Lava Jato
Parte do ex-ministro na aeronave, segundo a Procuradoria da República, foi comprada com propina de R$ 1,071 milhão; valor foi pago por empresa de lobista
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Esperando Godot
There's a disconnection.
"Essa aí estou, assistindo de camarote."
De
O Cessna Aircraft 560XL
do Estadão
O aviãozinho na estante
da Folha
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