domingo, 27 de setembro de 2026

27 de setembro, Cosme Damião Doum!

São Cosme e Damião. Rogai por nós que recorremos a Vós e principalmente pra crianças menos favorecidas. Bommm diaaa. 🙏🙏 Eu E O Rio Elza Soares Eu E O Rio Elza Soares Rio caminho que anda e vais resmungando talvez uma dor Ah quanta pedra levaste quando pedra deixaste sem vida e calor Vens lá do alto da serra o ventre da terra rasgando sem dó Eu também venho do amor o corpo rasgado de dor e tão só Não deixa a flor te curvar seu corpo beijar e ficar lá prá trás Tens a mania doente de andar só prá frente não voltas jamais Rio caminho que anda o mar te espera não corras assim Eu sou o mar que espera alguém que não volta prá mim. Composição: Luiz Antonio. São Cosme e São Damião Mariene de Castro Eu era criança E tinha esperança De ser um dia feliz Fiz uma promessa Dei doces à beça Para os santinhos guris Mamãe quem fazia os doces pediu Que eu lhe fizesse o favor Pedisse pro meu Papaizinho Que desse a ela o seu grande amor Cosme, Damião, Doum Crispim, Crispiniano Caboclinhos da Mata Doces pra vocês eu dei E as promessas que fiz já paguei Festas e mais festas eu fiz Desta data feliz eu me lembro Cosme, Damião, Doum 27 de Setembro Cosme e Damião Vem comer seu caruru Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu Cosme e Damião Vem comer seu caruru Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu São Cosme mandou fazer Duas camisinha azul No dia da festa dele São Cosme quer caruru São Cosme mandou fazer Duas camisinha azul No dia da festa dele São Cosme quer caruru Vadeia Cosme, vadeia Tô vadiando na areia Vadeia Cosme, vadeia Tô vadiando na areia São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar Bate palma sereia no mar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele brinca no mar São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar Bate palma sereia no mar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele brinca no mar Cosme e Damião Cadê Doum Cosme e Damião Vem comer seu caruru Cosme e Damião Cadê Doum Cosme e Damião Vem comer seu caruru Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Composição: . Ver créditos completos.
Felipe Nunes @profFelipeNunes 🧵 A eleição presidencial está empatada no agregado. Mas as pesquisas Quaest desta semana em 26 estados (e o Datafolha no PI) mostram padrões muito claros por baixo desse empate. Vou mostrar os principais. 1/18 13:01 · 27 de set. de 2026 · 👆Resumo: o empate nacional esconde um país calcificado, um eleitor independente concentrado no Centro-Sul que ainda pode se mover, e estados com pressa de resolver a eleição para governador. A última semana vai ser decisiva. 18/18
domingo, 27 de setembro de 2026 Opinião do dia – Jürgen Habermas* (Eleições) “Eleições e referendos devem não só reproduzir um espetro de preferências existentes, mas também juízos sobre os programas e sobre as pessoas que se encontram em eleição. Eles não podem expressar irrefletidamente a vontade da população, pois têm também um sentido cognitivo. O governo precisa elaborar problemas urgentes com base nessas decisões sobre diretrizes. Em uma democracia, eleições políticas não satisfazem sua determinação sistêmica se meramente registram a distribuição de preferencias e de prejuízos. Os votos eleitorais alcançam o peso institucional de decisões civis de um colegislador somente porque procedem de um processo público de formação da opinião e da vontade, no que esse processo é controlado pelos prós e contras públicos de opiniões, argumentos e tomadas de posição livremente flutuantes. As opiniões dos cidadãos devem primeiramente se constituir a partir da maré dissonante das contribuições, a luz de uma troca de opiniões publicamente articulada. De maneira ideal, a política deliberativa se enraíza em uma sociedade civil que faz um uso anarquista de suas liberdades comunicativas. Mas, em nossas esferas públicas espaçosas, produzidas primeiramente pela rede comunicativa de mídias de massa, carece-se não só de informações e impulsos da parte de uma imprensa espontânea e independente, mas, em primeira linha, da iniciativa, do esclarecimento e da capacidade de organização dos partidos políticos.” *Jürgen Habermas (1929-2026), filósofo e sociólogo alemão que participou da tradição da teoria crítica, membro da Escola de Frankfurt. Dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias do agir comunicativo, da política deliberativa e da esfera pública. “Na esteira da tecnocracia”, p.172-3. Editora Unesp, 2014. Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:10:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões É urgente rever custo de estatais dependentes Por O Globo Previsão no Orçamento de 2027 alcança R$ 36 bilhões — e grande parte disso não passa de desperdício Empresas estatais incapazes de arcar com suas despesas de pessoal, custeio e capital são classificadas como dependentes da União — e todo ano são obrigadas a declarar no Orçamento quanto consumirão em recursos públicos. É assim que o cidadão brasileiro fica sabendo que, em 2027, elas custarão R$ 36 bilhões ao Tesouro. Pode ser que parte desse custo se justifique, mas é provável que boa parte não. Quanto desse dinheiro poderia ir para outras áreas do governo onde faz falta? Eis um tema que deveria ter destaque no debate eleitoral, ainda mais em momento de deterioração da saúde fiscal e desequilíbrio nas contas públicas. Na lista das dependentes, há estatais estratégicas, comprovadamente relevantes. Outras, porém, não resistem a uma análise com base no interesse público. O primeiro grupo deveria passar por reavaliação detalhada, em busca de ganhos de eficiência e foco. Para o segundo grupo, só há duas soluções que deveriam ser tomadas com urgência: fechar ou privatizar.
Opinião - Estadão domingo, 27 de setembro de 2026 A esquerda democrática em tempo de apatia, por Luiz Sérgio Henriques* O Estado de S. Paulo Como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui? A transmissão e a recepção de uma cultura política no ocaso constituem tema espinhoso, especialmente quando “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Revisitar tais processos, no entanto, pode ser útil quando menos porque por aí ronda a tentação da novidade pela novidade. Os arautos da perdição asseveram não só que a Carta de 1988 é papel velho, mas também que existem demiurgos capazes de propor soluções para transformar maus políticos e cidadãos desavisados em figuras republicanas irretocáveis. A cultura antiga a que me refiro é a do comunismo brasileiro, em particular a do PCB. Tornada objeto histórico no seu conjunto, deixou como legado pontos de referência vivos e incontornáveis. O modo como essa cultura foi recebida – às vezes incorporada, outras tantas recusada – seria obra, entre outros atores, da formação partidária que a sucede no tempo e marca, como nenhuma outra, o nosso século 21. Por isso, a revisitação não é uma operação interna à própria esquerda – PCB e PT –, o que por si só chamaria a atenção, mas algo que afeta o entendimento da política corrente. É possível encontrar um desses marcos incontornáveis num ensaio de 1979 escrito por Carlos Nelson Coutinho, em plena saída do autoritarismo. Seu título, tornado quase canônico, na verdade vinha de Enrico Berlinguer, dirigente do Partido Comunista Italiano. A “democracia como valor universal” cancelava, ou devia cancelar, o qualificativo “burguesa” com que muitos à esquerda ainda a tratavam. Instituições, regras e procedimentos contam – e muito. Na linguagem da época, não haveria um caminho democrático para o socialismo. A democracia seria, de fato, o caminho do socialismo, com exclusão de soluções anacrônicas, como, para dar exemplo à mão, uma inadmissível “ditadura do proletariado”. A história de um país não se faz com um ensaio ou os debates que suscita. Seguiram-se movimentos de massa, a eleição de Tancredo Neves, a Constituinte e a Nova República. A troca de bastões, à esquerda, era visível a olho nu. O contraste não podia ser mais nítido: o PCB apoiara Tancredo e, reduzido a uma pequena bancada, empenhou-se na elaboração da nova Constituição; o PT expulsara os deputados que foram ao Colégio Eleitoral e, não obstante sua participação, votaria contra a redação final da Carta. No entanto, tradições envelhecem e merecem perecer. Os comunistas já eram o passado que só volta por seus pontos de luz. O que irrompia era uma nova força: o PT, seu líder inquestionável, sua teoria de Brasil em que confluíam muitos elementos díspares, inclusive a desconfiança em relação à “democracia formal”. Formas institucionais não seduzem o ator jovem tomado pela vontade de se afirmar contra todo o passado e abrir um tempo inaugural. É aqui que se insinuam algumas das muitas maneiras de viver e propagar a antipolítica, como o viés salvacionista ou a pretensão do monopólio das virtudes públicas. Numa visão benévola, seriam as dores do parto da nova formação, ainda antes de tomar a estrada do amadurecimento. Mais realisticamente, costuma-se apontar nestes casos o predomínio de um “espírito de cisão” que, deixado a si mesmo, faz cometer erros mais ou menos graves – entre eles, acreditar piamente na própria excepcionalidade e abominar o mundo comezinho de alianças e compromissos. Neste ponto é que nos ocorre a lembrança de uma segunda voz dotada de imensa autoridade. A vitória petista de 2002, início de um inédito ciclo que, com interrupções, vem até hoje, não foi acontecimento exótico numa democracia moderna. Luiz Werneck Vianna, no calor da hora, apontou que terminava ali, de uma vez por todas, a sedução da aventura fora da política democrática. Em resumo, não somos um país de fracassos, uma sociedade fechada aos “de baixo”, um Estado que não inclui quem aceita as regras do jogo. Ao contrário, Werneck Vianna, talvez o mais destacado formulador marxista da política de frente, indicava a possibilidade de uma absolvição da História por parte dos vencedores de 2002, seus intelectuais e a cultura que, com avanços e recuos, estavam a propor. Nesta reconciliação – e no bom combate para dirigir uma sociedade complexa e plural –, residia a esperança de superação dos traumas deixados por uma modernização aos trancos e barrancos, com as injustiças com que todos temos de nos haver cotidianamente. Uma modernização sem o moderno, ainda segundo nosso autor. Nem todas as provas foram vencidas com louvor, muito pelo contrário. As insuficiências explicam este momento de cansaço cívico e existencial. Estamos presos a uma sensação de democracia incompleta e precocemente envelhecida, estimulando os cavaleiros da fortuna a explorar os flancos expostos. Apatia e polarização “congelada” convivem numa mistura insólita, o que reforça a oportunidade de consultar as vozes que nos antecederam. Ouvi-las não significa repetir suas respostas. Preservado o núcleo de tais respostas, cabe recuperar a pergunta original: como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui? *TRADUTOR E ENSAÍSTA, COEDITOR DAS ‘OBRAS’ DE GRAMSCI NO BRASIL CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:08:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest A esquerda democrática em tempo de apatia, por Luiz Sérgio Henriques* Opinião - Nara Leão Podem me prender, podem me bater Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião. Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não. Se não tem àgua, eu furo um poço Se não tem carne, eu compro um osso e ponho na sopa E deixo andar, deixo andar Fale de mim quem quiser falar Aqui eu não pago aluguel Se eu morrer amanhã, seu doutor Estou pertinho do céu Podem me prender, podem me bater Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não... Podem me prender , podem me bater, que eu não mudo de opinião, que eu não mudo de opinião... Compositor: Zé Ketti *Nara Lofego Leão foi uma cantora, compositora e sambista brasileira. Musa da bossa nova que, aos 15 anos, promovia animadas reuniões em seu apartamento em Copacabana, frequentadas por músicos como Carlos Lyra, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, Nara deu uma guinada em 1961, aproximando-se dos sambas de morro e das atividades do Centro Popular de Cultura da UNE, o CPC. Já em seu primeiro álbum, lançado em 1964 pela Elenco, a mudança se faz notar em faixas como “Diz que fui por aí” (Hortênsio Rocha e Zé Keti) e “O sol nascerá” (Cartola e Elton Medeiros). O engajamento de Nara se tornou mais evidente a partir do golpe de 1964. Em dezembro daquele ano, subiu ao palco ao lado de Zé Keti e João do Vale para apresentar o show Opinião, um marco da música de protesto produzido pelo Teatro de Arena, com direção musical de Dori Caymmi e direção geral de Augusto Boal. A canção-tema não poderia ser mais profética quanto à violência que estava por vir: “Podem me prender / podem me bater / podem até deixar-me sem comer / que eu não mudo de opinião…”. Nara daria diversas declarações de repúdio ao regime, como numa entrevista ao Diário de Notícias, de maio de 1966, em que defendeu a extinção das Forças Armadas, o que lhe custou sucessivas ameaças de prisão, a ponto de, entre 1970 e 1971, exilar-se em Paris com o marido, o cineasta Cacá Diegues. O Estado de S. Paulo Como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui? A transmissão e a recepção de uma cultura política no ocaso constituem tema espinhoso, especialmente quando “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Revisitar tais processos, no entanto, pode ser útil quando menos porque por aí ronda a tentação da novidade pela novidade. Os arautos da perdição asseveram não só que a Carta de 1988 é papel velho, mas também que existem demiurgos capazes de propor soluções para transformar maus políticos e cidadãos desavisados em figuras republicanas irretocáveis. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:07:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest A eleição do ‘menos pior’, por Eliane Cantanhêde O Estado de S. Paulo Vença Lula ou Flávio, não há clima para festa nem grandes expectativas para o novo governo A eleição presidencial de 2026 vai chegando ao fim sem festa, alegria, esperança e bandeiras e cartazes em casas e carros, num clima de espanto e indignação em que o grande dilema, individual e nacional, não é quem é o melhor, mas quem é “o menos pior”. Está pau a pau, numa disputa ponto a ponto. Se vencer Flávio Bolsonaro, a expectativa é de fronteiras abertas para todas as loucuras de Donald Trump e volta imediata de Jair Bolsonaro, generais, almirante e os criminosos de 8 de Janeiro, com sangue nos olhos e planos de confiança na cabeça. Além de recuos graves em avanços de costumes. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:50:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Reativar o País sem desarrumar a economia, por Rolf Kuntz O Estado de S. Paulo Qualquer um dos candidatos parece capaz de perceber o atoleiro atual da economia nacional e a urgência de políticas para desemperrar o País Crescimento pífio, em torno de 2%, inflação acima de 4%, muita insegurança e investimento abaixo dos padrões internacionais compõem o quadro econômico brasileiro a poucos dias das eleições. Sem projetos claros e bem estruturados, os principais candidatos, incluído o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, raramente foram além das promessas de comícios. Houve quem apostasse em debates e pronunciamentos mais esclarecedores no final das campanhas. Falta verificar se os candidatos estão interessados em debater e preparados para isso. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:43:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O andar do bêbado, a epidemia de bets e uma aposta de alto risco de Lula, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e algoritmos para obter lucro Um homem ganhou na loteria espanhola com um bilhete terminado em 48. Explicou sua escolha: sonhara com o número 7 durante sete noites; logo, 7 vezes 7 seriam 48. A conta está errada, mas o prêmio era real. O físico norte-americano Leonard Mlodinow abre o livro O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas (Zahar) com esse episódio para mostrar uma fraqueza humana: depois de conhecer o resultado, inventamos uma lógica que parece explicá-lo. Nas loterias, cada sorteio é independente; números atrasados não ficam mais próximos de sair, e uma vitória não comprova a eficácia do palpite. O vencedor aparece nas notícias. A multidão que fez contas igualmente fantasiosas e perdeu permanece invisível. Mlodinow, autor de livros de divulgação científica, assina uma coluna para o The New York Times e escreveu roteiros das séries MacGyver e Star Trek. Com o falecido Stephen Hawking, é coautor de “Uma nova história do tempo” (Ediouro), um best-seller traduzido em 25 idiomas. Seus pais foram ambos sobreviventes do holocausto, e se conheceram em Nova York depois da guerra. Casado e pai de três crianças, entre as quais uma menina adotada na China, Leonard Mlodinow é um sortudo: estava no World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, e sobreviveu ao ataque terrorista. O Andar do Bêbado é um tratado sobre o poder do acaso em áreas da nossa vida que vão de jogar futebol, conseguir emprego e receber um diagnóstico médico. Mlodinow percorre a história das probabilidades e usa exemplos do esporte, das finanças e da vida cotidiana para explicar por que confundimos sorte com talento, coincidência com padrão e uma sequência passageira de acertos com uma regra confiável. Seu livro ajuda a entender o fascínio das bets. Quem acompanha futebol pode conhecer os times, avaliar jogadores e antecipar tendências. Ainda assim, uma partida conserva muita criatividade e imprevisibilidade; acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e programa os algoritmos para obter lucro. A loteria tradicional vende a esperança de uma mudança de vida concentrada em um sorteio. As plataformas digitais multiplicaram essa promessa. Estão no celular, aceitam pagamentos em segundos e oferecem novas oportunidades a cada jogo, lance ou rodada de cassino virtual. A derrota convida à tentativa de recuperar o dinheiro; uma pequena vitória alimenta a impressão de que o próximo grande prêmio está perto. Publicidade, influenciadores e patrocínios esportivos deram à aposta a aparência de hábito comum. O cassino entrou em casa sem precisar abrir as portas. É nesse ambiente que a epidemia das bets se tornou uma questão de saúde pública e de economia doméstica. O custo não se resume ao dinheiro transferido para as plataformas: inclui sofrimento psíquico, conflitos familiares, perda de produtividade e tratamento. Estudo citado pelo Ministério da Saúde estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões estariam ligados à saúde. É uma estimativa que não deve ser confundida com o total apostado ou com a perda financeira direta dos jogadores. Chegou atrasado O governo demorou a acordar para o problema. Regulamentou o mercado, autorizou empresas, cobrou outorgas e tentou impor mecanismos de fiscalização e proteção ao apostador. Foram concedidas 85 autorizações, com pagamento total de R$ 2,55 bilhões em outorgas. Agora, abruptamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encerrar a atividade por meio da Medida Provisória nº 1.394, assinada na sexta-feira, 25 de setembro. A decisão impede novos depósitos e prevê o bloqueio dos sites e aplicativos a partir de 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno. O governo associou a proibição a um pacote de renegociação de dívidas. Faltam nove dias para a votação. A proximidade das urnas torna a decisão uma aposta política de alto risco, embora seus fundamentos sociais sejam sérios. Para famílias atingidas pela dependência, Lula poderá aparecer como o presidente que enfrentou um negócio poderoso. Para quem aposta sem identificar prejuízo na própria rotina, a proibição poderá soar como perda de liberdade e abuso de poder. Clubes, empresas de comunicação e outros setores que recebem dinheiro das plataformas têm motivos para resistir e capacidade de levar essa reação ao debate eleitoral. O eleitor também poderá perguntar: por que o governo autorizou a expansão de um mercado que agora considera intolerável? Há um risco prático por trás do cálculo eleitoral. Proibir a oferta legal não elimina a vontade de apostar. Sites clandestinos continuam acessíveis. O governo anunciou bloqueios de acesso e de pagamentos, mas a eficácia dessas medidas dependerá de fiscalização contínua. Operações da Polícia Federal já identificaram plataformas ilegais divulgadas por influenciadores, inclusive com sinais falsos de regularidade. E como reagirá o Congresso, onde o lobby das bets tem sua própria bancada? Uma medida provisória produz efeitos imediatos, mas precisa ser aprovada para se tornar definitiva. Entre a assinatura e a eleição, porém, haverá pouco tempo para medir seus resultados. Defender as famílias do vício pode render apoio. Convencer o país de que a proibição funcionará, depois de ter regulamentado as bets, é a parte mais difícil dessa aposta. Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:40:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Falta uma carta nesta campanha, por Míriam Leitão O Globo Não é exigido de Flávio Bolsonaro o compromisso com a democracia, como em 2002 se exigiu de Lula uma carta garantindo a estabilização econômica O senador Flávio Bolsonaro nunca assinou uma carta compromisso com a democracia, nem dele foi exigido. Devia ter sido. Estamos a uma semana do primeiro turno. Ele tem chances reais de ser eleito e carrega um enorme passivo autoritário, decorrente dos atos e palavras dele e da família toda. Em 2002, o país exigiu do então candidato Lula da Silva que se comprometesse com as bases econômicas do Plano Real. Havia dúvidas razoáveis sobre o programa econômico do PT. Lula escreveu a “Carta aos Brasileiros” e a cumpriu. Há dúvidas razoáveis sobre o candidato do PL. O senador teve relações com integrantes da facção criminosa conhecida como milícia, está sendo investigado pelo dinheiro recebido do ex-banqueiro corruptor Daniel Vorcaro, teve uma loja de chocolate com faturamento atípico, nunca ficou claro como conseguiu comprar uma mansão em Brasília. Sua amizade estreita com o advogado Willer Tomaz é outro foco de incerteza. Willer é reincidente em casos de corrupção. Chegou a ser preso por envolvimento na Operação Greenfield, em 2017, que apurou fraudes com fundos de pensão, e agora é investigado no caso do INSS. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:38:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! 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CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:33:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Distopia, por Merval Pereira O Globo Ambas as campanhas fazem “o diabo” para ganhar, e por isso o índice de eleitores indecisos ou desanimados está tão grande. “A gente faz o diabo para vencer uma eleição” já dizia a ex-presidente Dilma Rousseff. Bolsonaro fez o diabo, mas perdeu. Basta lembrar a PEC Kamikaze, que injetou R$ 41,3 bilhões no orçamento alegando “estado de emergência”, com tempo limitado até o fim de seu governo, passando pelas eleições. Lula está fazendo o diabo, mas corre o risco de perder. Talvez por isso esteja tão açodado, liberando dinheiro a sete dias do primeiro turno. A proibição das bets talvez seja uma medida correta, mas se tomada no inicio de seu terceiro mandato, ou ao final dele, depois das eleições. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:27:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Lula errou em 2023, por Elio Gaspari O Globo Em terceiro mandato, petista não cultivou arco democrático que o elegeu Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma pequena margem de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração. Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:21:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O baita ser humano Zuenir Ventura, por Dorrit Harazim O Globo Deste Brasil que tão bem entendeu e amou, ele leva mais que admiração: leva gerações inteiras de amigos Não há idade ou hora justa para a partida de um amigo — nem para quem parte, nem para quem deve continuar a tocar a vida. “A eternidade está no momento”, ensina Walt Whitman no monumental “Folhas de relva”. É na soma de momentos compartilhados que descobrimos nossas profundezas e limites, que nos temperamos ou transcendemos. E isso ocorre mais claramente no fluir da amizade, esse complexo entrelaçamento afetivo capaz de nos proporcionar uma ventura única. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:16:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! 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CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:14:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Se Flávio Bolsonaro for eleito, Brasil vai virar Venezuela, por Celso Rocha de Barros Folha de S. Paulo Acordo de Trump com Maduro sobre petróleo segue a mesma lógica do que ele propõe a Flávio para o Brasil 'Madurismo entreguista' e 'bolsonarismo' são sinônimos perfeitos Por uma dessas ironias latino-americanas, o Brasil vai virar a Venezuela se Flávio Bolsonaro for eleito presidente. Com Lula presidente, nunca virou. Desde a invasão americana, o regime venezuelano pode ser caracterizado como um madurismo entreguista. Ora, "madurismo entreguista" e "bolsonarismo" são sinônimos perfeitos. Se você tirar de Maduro seu anti-imperialismo e seu bigode, ele estará a uma peruca do Jim Caviezel de distância de virar o Jair. Já poderá, inclusive, pedir dinheiro ao Vorcaro. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:12:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest 'Vou falar com a turma', por Muniz Sodré Folha de S. Paulo Contradição entre razão e práticas político-sociais isentas de hábitos morais provoca perplexidade Quebra dos protocolos de decoro na classe política e no Judiciário é novidade Não deverá haver novas sessões públicas do STF, para atenuar a perplexidade nacional com as cenas chocantes da última vez. Por minúsculo que seja, entretanto, o episódio não se esgota na estupefação imediata. A sociedade civil pode estar à espera de algo como "O Guia dos Perplexos" do filósofo judeu Maimônides (1138-1204). Atualizada, a questão desse livro é como conciliar uma ordem supostamente racional com aquilo que parece estar além de seus limites. "Perplexo" hoje é aquele lançado na aflição de compreender dois sistemas contraditórios entre si: o da razão e o de práticas político-sociais isentas de hábitos morais. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:10:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O que aconteceu com a democracia liberal? Por Hélio Schwartsman Folha de S. Paulo Novo livro de Acemoglu defende regulação tecnológica pró-trabalhador para salvar liberalismo Obra foi criticada por liberais de estirpe mais conservadora, que rejeitam intervencionismo estatal O liberalismo é versátil. É compatível tanto com visões de mundo conservadoras, como a das democracias cristãs da Europa continental e a dos "tories" britânicos, quanto com políticas mais à esquerda, como a das social-democracias dos países nórdicos. Embora os dois polos até consigam concordar em relação a princípios básicos que caracterizariam o liberalismo, como o respeito às liberdades básicas, à propriedade privada e ao império da lei, eles frequentemente se desentendem sobre os detalhes. "What Happened to Liberal Democracy?", de Daron Acemoglu, é um bom exemplo dessa tensão. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:08:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest 'Amor' por Vorcaro explica omissão de Alcolumbre, por Dora Kramer Folha de S. Paulo O problema não é a amizade, mas o reflexo que essa relação tem sobre as atitudes do presidente do Senado A negligência deliberada é evidência da atuação de Davi Alcolumbre em favor do irmão fraudador Estava demorando para Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) entrar na dança das influências de Daniel Vorcaro. Entra não por ser amigo do vigarista —pode acontecer com qualquer um. Cai na roda do escândalo por suas atitudes como presidente do Senado. As mensagens divulgadas pela revista Veja dizem muito a respeito da conduta passivo-agressiva de Alcolumbre no transcorrer da crise que atinge os três Poderes. Por exemplo, fornecem ao ministro Cristiano Zanin as evidências que ele alegou inexistentes ao negar pedido do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para que o Supremo Tribunal Federal desse aval à instalação de uma CPI para investigar o caso Master. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:06:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Seduzido e abandonado, por Ruy Castro Folha de S. Paulo Nenhum dos figurões com quem Daniel Vorcaro foi tão generoso quer saber dele Negam que foram seus amigos, que o chamavam de irmão e até que o conheceram Daniel Vorcaro está arrependido do bem que praticou a tantos figurões em quem confiou. Vê agora que era um bando de ingratos. Ninguém quer saber mais dele. Há os que dizem tê-lo conhecido só de passagem, embora o chamassem de "irmão", ou que aceitaram seu dinheiro para ser gentis, sem saber que a grana era pública, suja e ilegal. Eu, se fosse Vorcaro, faria um caderninho com o nome de todos que beneficiou e, ao sair da cadeia, cobraria cada centavo dos zilhões que lhes repassou. À guisa de aide-mémoire, aqui vão alguns. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:04:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Filhos da Esperança ou quando o futuro se torna refugiado, por Pablo Spinelli* Ao amigo Paulo Pace, amigo da trincheira democrática. Vinte anos depois de seu lançamento, Filhos da Esperança (2006), dirigido por Alfonso Cuarón, parece menos uma distopia do que um telejornal adiantado. Em 2027, a humanidade tornou-se infértil e a Inglaterra anuncia ser a última sociedade ainda de pé. Contudo, o que permanece funcionando são as jaulas para imigrantes, a propaganda oficial e as tropas nas ruas. Theo (Clive Owen), funcionário público desencantado e ex-militante, recebe a missão de conduzir Kee, uma jovem refugiada e grávida, até um lugar seguro. Os longos planos-sequência de Cuarón nos colocam dentro dos ataques e campos de refugiados. A extrema direita retratada pelo filme não precisa abolir formalmente o Estado; basta esvaziá-lo de solidariedade e conservar sua carcaça policial. A distopia, afinal, não bateu à porta: entrou, sentou-se na sala e pediu a senha da internet. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:02:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Poesia | Não Desistas, de Mario Benedetti Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 05:56:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Música | Marisa Monte - Elegante Amanhecer Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 05:55:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest sábado, 26 de setembro de 2026
Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária) “Somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, as massas têm que ser conquistadas por meio da propaganda. Sob um governo constitucional e havendo liberdade de opinião os movimentos totalitários que lutam pelo poder podem usar o terror somente até certo ponto, como qualquer outo partido, necessitam granjear aderentes e parecer plausíveis aos olhos de um público que ainda não está rigorosamente isolado de todas as outras fontes de informação.” *Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020,
" Acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e algoritmos para obter lucro Um homem ganhou na loteria espanhola com um bilhete terminado em 48. Explicou sua escolha: sonhara com o número 7 durante sete noites; logo, 7 vezes 7 seriam 48. A conta está errada, mas o prêmio era real. O físico norte-americano Leonard Mlodinow abre o livro O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas (Zahar) com esse episódio para mostrar uma fraqueza humana: depois de conhecer o resultado, inventamos uma lógica que parece explicá-lo. Nas loterias, cada sorteio é independente; números atrasados não ficam mais próximos de sair, e uma vitória não comprova a eficácia do palpite. O vencedor aparece nas notícias. A multidão que fez contas igualmente fantasiosas e perdeu permanece invisível."
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 domingo, 27 de setembro de 2026 Crença em razões razoáveis para o voto democrático, por Paulo Fábio Dantas Neto* Volto hoje a usar como referência, nesta coluna, agora com mais ênfase, avaliações recentes do quadro das eleições presidenciais, feitas pelo cientista político Antônio Lavareda. domingo, 27 de setembro de 2026 Seduzido e abandonado, por Ruy Castro Folha de S. Paulo Nenhum dos figurões com quem Daniel Vorcaro foi tão generoso quer saber dele Negam que foram seus amigos, que o chamavam de irmão e até que o conheceram Daniel Vorcaro está arrependido do bem que praticou a tantos figurões em quem confiou. Vê agora que era um bando de ingratos. Ninguém quer saber mais dele. Há os que dizem tê-lo conhecido só de passagem, embora o chamassem de "irmão", ou que aceitaram seu dinheiro para ser gentis, sem saber que a grana era pública, suja e ilegal. Eu, se fosse Vorcaro, faria um caderninho com o nome de todos que beneficiou e, ao sair da cadeia, cobraria cada centavo dos zilhões que lhes repassou. À guisa de aide-mémoire, aqui vão alguns. Alexandre de Moraes: Vorcaro destinou R$ 131 milhões ao escritório de advocacia da mulher do ministro, cedeu jatinhos ao casal e, agora, só tem de Moraes o silêncio. Nem uma cartinha, nem um bilhetinho, nem um alô pelo STF. Kassio Nunes Marques: mimoseado por Vorcaro com camarotes na Sapucaí, ingressos para a Fórmula 1, descontos no Fasano e, veja só, uma mesada de R$ 500 mil para seu filho Kevin, caçula de uma "Turma do KN" empenhada em destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios do seu interesse. Bem-sucedida, a operação renderia R$ 427 milhões à dita turma. Paulo Gonet: o procurador-geral da República parece ter saído baratinho a Vorcaro: algumas rodadas do uísque Macallan e de charutos Cohiba Behike num lounge em Londres. Mesmo assim, o PGR classificou o encontro entre eles como "breve e banal". Como "breve e banal"? Significa que Gonet tem acesso diário a uísques de 25 anos e aos charutos mais caros do mundo? Flávio Bolsonaro: ao ser questionado pela repórter sobre ter negócios com Vorcaro, B. Jr. deu um riso nervoso e respondeu: "De onde você tirou isso?". Horas depois, vazou o áudio em que ele implora pelo resto do dinheiro que Vorcaro lhe prometera. Como B. Jr. nunca explica nada, não se sabe se a doação ficou nos R$ 61 milhões que Vorcaro mandou ou se chegou aos R$ 134 milhões combinados. E, agora, pipocaram os voos de B. Jr. no mesmo jato em que viajou Moraes, idem, negados. O pobre Daniel também poderia render um filme: "Seduzido e Abandonado". Samba da Cor (part. Miltinho) Elza Soares

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