quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Tolamente, um parlamentar

E talvez — com a modéstia dos antigos — apenas um homem da velha guarda.
Lula perde favoritismo e Flávio consolida a candidatura da oposição Publicado em 26/02/2026 - 08:07 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, Goiás, Governo, Justiça, Memória, Paraná, Partidos, Política, Política, Rio Grande do Sul Cenários reforçam essa percepção. Em três simulações contra Flávio Bolsonaro, Lula oscila entre 45% e 45,3%, enquanto o senador varia entre 39,1% e 39,5% A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25), confirma aquilo que já vinha se desenhando nos levantamentos mais recentes: a eleição presidencial de 2026 está aberta, o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva deixou de ser confortável e Flávio Bolsonaro consolida-se como o polo da direita na disputa, cristalizando novamente uma polarização dura, de alta rejeição dos dois lados. Os números falam por si. No principal cenário testado, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 37,9% de Flávio. O importante é o movimento: em relação à rodada anterior, Lula perdeu 3,8 pontos percentuais, enquanto Flávio cresceu 2,9. No segundo turno, Flávio Bolsonaro alcança 46,3% das intenções de voto, e Lula registra 46,2%, dentro da margem de erro de um ponto percentual. Em comparação ao levantamento anterior, o presidente recuou três pontos, enquanto o senador avançou 1,4 ponto. Trata-se de uma inflexão relevante, sobretudo porque ocorre em um momento em que o governo ainda colhe indicadores econômicos menos negativos e mantém políticas populares, como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e a proposta de redução da jornada de trabalho. A oposição já sentiu o cheiro de animal ferido na floresta: Lula segue liderando, mas já não transmite a sensação de vitória antecipada. O “prêmio de incumbência”, isto é, a expectativa natural de poder associada ao exercício da Presidência, começa a se dissipar. A eleição deixa de ser percebida como um referendo confortável sobre o governo e passa a ser vista como uma disputa real, competitiva, em que cada erro de comunicação, cada tropeço simbólico e cada ruído institucional contam muito. Os cenários alternativos reforçam essa percepção. Em três simulações diferentes contra Flávio Bolsonaro, Lula oscila entre 45% e 45,3%, enquanto o senador varia entre 39,1% e 39,5%. A distância permanece, mas é estável e estreita, dentro de um ambiente de polarização máxima. Já no cenário em que entra Tarcísio de Freitas, Lula cai para 43,3%, e o governador paulista aparece com 36,2%, acompanhado de um crescimento expressivo de Romeu Zema. Esse quadro indica que a direita, quando consegue apresentar nomes competitivos, reduz ainda mais a margem do presidente. Lweia também: Atlas/Bloomberg: Lula e Flávio empatam no segundo turno O quinto cenário, no qual Lula amplia a vantagem para 47,1% contra 33,1% de Flávio, mostra que a base lulista permanece sólida, graças à “economia do afeto”, mas também revela a volatilidade do eleitorado intermediário, aquele que decide eleições apertadas, refratário à “cultura de rechaço” do PT. No sexto cenário, com a substituição de Lula, Haddad aparece com 39,1%, tecnicamente empatado com Flávio, que marca 37,1%. Esse empate revela que Haddad se tornou eleitoralmente viável, algo impensável poucos anos atrás; e mostra que Lula continua sendo o grande fiador eleitoral do campo governista. Sem ele, a disputa fica ainda mais imprevisível. “Nós com nós” Flávio Bolsonaro alcançou seu objetivo central: herdou o antipetismo, bloqueou o surgimento de uma terceira via robusta e se tornou o nome natural da direita. É impressionante a sua capacidade de “absunção” do capital eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Mesmo sem o carisma do pai, o sobrenome, o apoio do núcleo duro bolsonarista e a convergência quase automática da direita não lulista em torno de sua candidatura fazem de sua candidatura a expressão de um movimento orgânico na sociedade. Leia mais: Flávio monta palanques no Rio, em SC e no DF A pesquisa mostra também que governadores como Caiado, Zema, Ratinho Júnior ou Eduardo Leite terão que comer muito feijão com arroz para saírem da condição periférica no primeiro turno, incapazes, até aqui, de romper a lógica binária. Nesse escalão, destaca-se a resiliência do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que tem mais gana de ser candidato do que os governadores do Paraná, Ratinho Jr, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apesar das simpatias da Faria Lima e dos que sonham com a “terceira via”. Lula continua competitivo, lidera todos os cenários e dispõe da máquina federal, de políticas públicas populares e de uma economia que dá sinais de melhora marginal. Mas está entrando numa faixa muito perigosa, que pode lhe custar a aura de invencibilidade natural em quem concorre à reeleição. De agora em diante, cada gesto passa a ser escrutinado. O PT precisa tirar o boizinho da sombra e ir à luta, buscar mais protagonismo no Congresso e tecer alianças amplas nos estados. Em um país dividido quase ao meio, como indicam reiteradamente as pesquisas, a vitória em 2026 dependerá menos de ampliar bases já consolidadas e mais da capacidade de dialogar com um eleitorado cético, volátil e cansado da política. Nesse contexto, não há margem para erros nem para soberba. Episódios do tipo “nós com nós”, como desfile da Acadêmicos de Niterói, por exemplo, que mexeram com a autoestima de Lula e seu partido, e ao mesmo tempo seguiram a lógica da narrativa do “nós contra eles”, têm o outro lado da moeda: não ampliam a base política e dão munição aos adversários. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo O CARNAVAL DOS PENDURICALHOS: TETO SALARIAL FURADO, VERBAS SEM IMPOSTO E BOLADAS MILIONÁRIAS MyNews Ensaio sociológico Polarização política e o equilíbrio degradado do sistema brasileiro 1. Introdução A política brasileira contemporânea pode ser interpretada como um sistema de equilíbrio instável entre polos antagonistas. A disputa recorrente entre lideranças como Luiz Inácio Lula da Silva e o campo político associado a Jair Bolsonaro — atualmente representado eleitoralmente por figuras como Flávio Bolsonaro — revela menos uma alternância de projetos nacionais e mais um mecanismo de neutralização recíproca. Esse fenômeno pode ser analisado sociologicamente por meio de uma metáfora ambiental inspirada na história do Rio Tietê, cuja degradação urbana se tornou símbolo das contradições do desenvolvimento brasileiro. Assim como o rio atravessa a maior metrópole do país carregando diferentes tipos de poluição, o sistema político brasileiro transporta conflitos históricos, desigualdades sociais e narrativas ideológicas concorrentes, produzindo um equilíbrio funcional, porém profundamente deteriorado. 2. Polarização como estrutura do sistema político A polarização política não é apenas um fenômeno eleitoral. Trata-se de uma estrutura de organização do conflito social. Desde meados da década de 2010, o sistema político brasileiro passou a operar segundo uma lógica de bipolaridade identitária, na qual os campos políticos se definem menos por programas e mais por antagonismos. Nesse modelo: cada polo fortalece sua identidade ao rejeitar o outro; o eleitorado é mobilizado por sentimentos de pertencimento e repulsa; alternativas intermediárias encontram grande dificuldade de consolidação. O resultado é um sistema em que a disputa política se transforma em confronto simbólico permanente, reduzindo o espaço para consensos institucionais. 3. A metáfora ambiental: o rio como sistema social Estudos ambientais conduzidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostram que a poluição do Tietê resulta da convergência de múltiplas fontes: esgoto doméstico urbano; resíduos industriais; sedimentação histórica da urbanização. Paradoxalmente, certos processos químicos entre esses poluentes podem produzir neutralizações parciais, impedindo a morte completa do ecossistema. Contudo, essa sobrevivência não significa recuperação. O rio continua degradado, sustentado por um equilíbrio tóxico. Essa lógica oferece uma poderosa analogia sociológica: o sistema político também pode sobreviver em condições degradadas quando forças antagonistas se neutralizam mutuamente sem resolver as causas estruturais do conflito. 4. Neutralização política e estabilidade precária Na dinâmica política brasileira recente, a rivalidade entre os principais polos ideológicos produz um efeito semelhante. Cada campo político mobiliza sua base social por meio da rejeição ao adversário. Assim, a existência de um polo radicalizado legitima e fortalece o outro. Essa interação cria um circuito de retroalimentação: o antipetismo fortalece o bolsonarismo; o antibolsonarismo fortalece o lulismo; ambos se sustentam politicamente pela permanência do conflito. O sistema permanece operacional — eleições acontecem, instituições continuam funcionando — mas o ambiente político torna-se cada vez mais saturado por tensões e ressentimentos. 5. Urbanização, crise social e rios subterrâneos A metáfora pode ser ampliada para além da política eleitoral. Nas grandes cidades brasileiras, rios foram canalizados, ocultados ou comprimidos sob o crescimento urbano. Em períodos de pressão climática ou saturação da infraestrutura, esses cursos d’água reaparecem na forma de enchentes e deslizamentos. De modo semelhante, conflitos sociais frequentemente permanecem latentes sob a superfície institucional: desigualdade estrutural; precarização do trabalho; crise de representação política; descrédito nas instituições. Essas tensões funcionam como rios subterrâneos da vida social, acumulando pressão ao longo do tempo. 6. Democracia em equilíbrio degradado Do ponto de vista sociológico, o Brasil pode ser compreendido como uma democracia que opera em equilíbrio degradado. O sistema não colapsa, mas também não resolve suas contradições fundamentais. Ele continua funcionando porque seus antagonismos se estabilizam mutuamente. Esse tipo de equilíbrio apresenta três características principais: alta polarização política; instituições resilientes, porém tensionadas; dificuldade de renovação estrutural. Tal configuração não significa necessariamente decadência irreversível, mas indica que mudanças profundas dependem de transformações sociais que ultrapassem o campo eleitoral. Conclusão A política brasileira, assim como certos rios urbanos, continua a fluir mesmo sob condições adversas. O desafio sociológico consiste em compreender que a estabilidade de um sistema não implica necessariamente sua saúde. Enquanto antagonismos políticos se neutralizam e mantêm o fluxo institucional, as águas da vida social seguem carregando sedimentos históricos, conflitos não resolvidos e expectativas de mudança que, em algum momento, poderão alterar novamente o curso do rio democrático brasileiro. Oposição quebra sigilo de Lulinha e PT parte para agressão | Narrativas #569 Madeleine Lacsko O Antagonista
"Putin mergulhou numa situação que dá razão aos que foram mais realistas do que ele e que sabem que a Rússia está perdendo, pois não conseguiu ganhar, e a Ucrânia está ganhando, pois não perdeu." CPMI do INSS quebra sigilo de Lulinha | Fim dos ... YouTube · O Antagonista · 26 de fev. de 2026

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