Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Ao modo de Belmiro Braga, se ele visse o próprio retrato:
Ao nobre estilo de Belmiro Braga, o grande mestre mineiro da trova, fiador do riso fino e da rima bem metrada, ponhamos lado a lado a doutrina sisuda do pensador sardo com a malandragem política denunciada por Magnoli.
Quando o governante quebra o espelho para não ver o próprio erro, ele subverte a teoria: em vez de trabalhar duro para moldar o amanhã, prefere deitar-se à sombra e culpar o povão.
Aqui estão as trovas que contrastam a gramsciana construção do futuro com a gaiata desculpa do derrotado:
I. A Expressão Original (O Dever do Estadista)
Aplicar a vontade à criação,
Exige do forte a virtude;
Mudar do destino a lição,
Moldando o real com atitude.
II. A Versão Gaiata (O Jogo de Empurra)
Mas se o plano desaba no chão,
O esperto mal muda de lado:
Aplica à vontade a criação...
De um novo e perfeito culpado!
III. O Contraste (O Diagnóstico da Urna)
Diz a tese que o mundo se altera
Com esforço e com brio profundo;
Mas na prática dessa galera,
Se perdem, a culpa é do mundo!
IV. A Graça (A Resposta ao Artigo)
Se o povo votou diferente,
O "puro" se nega o pecado:
"O erro não foi do gerente,
O freguês é que foi malcriado!"
O Fechamento da Tramoia
Como bem nota o artigo e rimaria o poeta juiz-forano: na falta de coragem para aplicar a vontade à criação de novas soluções econômicas e sociais, a militância senta-se à vontade para criar espantalhos.
Se o povo não vota como a cartilha identitária exige, decreta-se que o DNA da nação é que está estragado. Afinal, para quem sofre de soberba moral, é muito mais confortável reformar a culpa dos outros do que reformar as próprias ideias.
Released prisoner of war Lt. Col. Robert L. Stirm is greeted by his family at Travis Air Force Base in Fairfield, Calif., as he returns home from the Vietnam War, March 17, 1973.
Sal Veder/AP
Photojournalist Sal Veder, best known for his Pulitzer-Prize winning photo "Burst of Joy," depicting a U.S. Air Force lieutenant colonel reuniting with his family after spending five years in a prisoner of war camp in Vietnam, died at the age of 99 on Saturday.
According to the Associated Press, his family confirmed he died in his sleep at his home in El Dorado County, Calif., just over a week before he'd have turned 100.
In a 2015 interview with The Guardian, Veder said he was waiting with dozens of other photographers in a bullpen at Travis Air Force Base in Fairfield, California, competing for shots of other returning POWS and their loved ones, when he sensed movement off to one side. "This family came out of nowhere, got out of their car and dashed for the soldier, who'd been a POW for five years," he said in the interview.
Associated Press photographer Slava "Sal" Veder holds a copy of his Pulitzer Prize-winning picture and a congratulatory telegram from Wes Gallagher, then-AP president and general manager, in San Francisco on May 7, 1974.Anthony Camerano/AP
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
O clique da glória e da amargura, por Ruy CastroFolha de S. PauloUm soldado prisioneiro de guerra volta do Vietnã e descobre que sua esperança foi em vãoA bela foto daquele momento é premiada e liga o fotógrafo e seu personagem para sempre
A foto, excepcional, correu o mundo em 1973. Mostrava um soldado americano, prisioneiro de guerra durante cinco anos no Vietnã, desembarcando recém-libertado numa base aérea na Califórnia. O homem é um major e se chama Robert Stirm. Está fardado, de costas para a câmera, e sua bela família corre euforicamente para abraçá-lo. São duas meninas, uma já adolescente, dois garotos e a esposa. Parecem estar no ar, os pés fora do chão, e a alegria em seus rostos é indescritível. A foto é de Slava Veder, também americano, da Associated Press.
Veder morreu há um mês, aos 99 anos. Sua foto lhe rendeu o Prêmio Pulitzer e fama pelo resto da vida. Stirm morreu em 2025, aos 92, mas, para ele, ao contrário, ela só lhe provocava amargura. Não porque lhe lembrasse o longo cativeiro na selva, mas porque, ao se reunir com a família naquele momento, já sabia que seu casamento estava destruído. Dias antes de voltar, recebera uma carta da mulher contando-lhe que, na ausência dele, ela se apaixonara por outro homem e, embora aquele caso já tivesse acabado, convencera-se de que não era feliz no casamento e queria o divórcio.
Stirm não esperava por aquilo. O que o fizera sobreviver à fome, às torturas e às execuções simuladas na prisão fora a esperança de reencontrar sua família, recuperar o tempo perdido com a mulher, acompanhar o que restava da adolescência das crianças. E, ao descer do avião, sentia-se como se o chão que pisava não existisse. O casamento acabara e eles concordaram em esperar um ano para a separação, o que aconteceu.
A história chegou à imprensa na época e, por algum tempo, foi tão conhecida quanto a foto. Para sorte de Stirm, seu rosto não aparecia na imagem, poupando-o de ser apontado nas ruas. Mas todos sabiam dela nos quartéis. Promovido a coronel, ele abandonou a vida militar.
Veder e Stirm passaram as muitas décadas seguintes ligados pela foto. Com frequência, participavam de cerimônias envolvendo os veteranos daquela guerra absurda. Mas, para Stirm, o Vietnã nunca acabou.
1973 Burst of JoyMarshall Poe
31 de mai. de 2010
A Mechanical Icon film.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
A culpa pela derrota de Lula no 1º turno é do povo, por Demétrio MagnoliO GloboJustificativas ensaiadas têm algo em comum: eximir o presidente e seu partido de qualquer responsabilidade
Quem é o culpado? Sidônio Palmeira, Janja, Alexandre de Moraes, o “imperialismo ianque”, a “imprensa entreguista”, o mordomo? Todas essas hipóteses circulam na campanha de Lula e na base militante petista. Contudo, no fundo, a teoria mais permanente é outra: a culpa seria do povo.
Há muito, quando o PT perdeu uma eleição em São Paulo, a filósofa Marilena Chauí acusou a “classe média fascista”. Era estranho, pois o PT daquele tempo triunfara várias vezes nas grandes cidades do Sudeste, inclusive com o voto majoritário dos bairros de classe média. Afinal, essa camada social tornava-se fascista apenas quando o PT perdia?
Outros tempos, novos culpados. Desde 2018, nos meios de esquerda, firmou-se uma obsessão sobre o “pobre de direita”. Os militantes tendem a imaginar que sua régua — a ideologia — é a de todos. Não entendem que a decisão de voto move-se circunstancialmente. Eleitores de Obama votam, depois, em Trump, e os mesmos pobres que sufragaram Lula podem votar em Bolsonaro.
A difusão da política identitária entre os “progressistas” degradou ainda mais os diagnósticos. No lugar de grupos (imaginários) mais ou menos demarcados, a culpa estendeu-se à sociedade inteira — ou, ao menos, à maioria dela.
Numa entrevista anterior ao primeiro turno, dedicada a divulgar o livro “O ódio como política”, que organizou, a socióloga Esther Solano sugeriu a seguinte explicação sobre o eleitorado de Bolsonaro:
— Estamos num país que tem uma sociedade muito racista e muito machista. O Brasil é o país que mais mata pessoas transgênero no mundo, tem uma alta taxa de feminicídio. Então, é um país que está construído sobre uma base de ódio contra o diferente.
Solano expressa, palavra por palavra, um diagnóstico que percorre significativa parcela da esquerda. Ela não disse que existem racismo, machismo, misoginia e transfobia, o que é óbvio. Mas, recitando a bíblia identitária, afirmou que essa é a essência da “sociedade brasileira”. Afinal, de acordo com Solano, o Brasil ergue-se “sobre uma base de ódio contra o diferente”. Se isso for verdade, desistam: Lula não tem chance. Um país esculpido nesse molde elegerá, inevitavelmente, a extrema direita. E, como não dá para mudar de povo, restaria aos “progressistas” mudar de país.
Supostamente radical, o raciocínio identitário é, na verdade, fatalista — e derrotista. Seu fulcro encontra-se na palavra que amam de paixão: estrutural. O racismo é “estrutural”, como a misoginia, a homofobia e a transfobia. Significa que estão incrustados no DNA da “sociedade”. Não havendo saídas, procura-se constranger a “sociedade” atribuindo-lhe características pecaminosas, a fim de cobrar “compensações”, na forma de cotas.
Funciona, mas ao reverso. O declínio eleitoral dos “progressistas” no Ocidente reflete, em larga medida, o fastio provocado por intermináveis discursos sobre a culpa proferidos do alto de uma pretensa superioridade moral.
O detalhe que escapa ao raciocínio identitário: desde 2003, os “progressistas” governaram o Brasil durante 75% do tempo. Como se explica que uma sociedade tão corrompida, violenta, odienta e odiosa tenha feito tal escolha eleitoral predominante?
Há mais. Inegavelmente, e segundo os próprios discursos de Lula, os governos “progressistas” que dominaram nossa História recente desempenharam papel significativo na edificação do Brasil atual. Seu legado é um país tão depravado?
As diversas justificativas ensaiadas para a derrota no primeiro turno, do mordomo marqueteiro ao país consumido pelo pecado, têm algo em comum: eximir o presidente e seu partido de qualquer responsabilidade. Lula, o PT e as políticas do governo nada têm a ver com o fracasso. A culpa é sempre dos outros — e, segundo a lógica identitária, do país impuro que os puros governam.
É uma repetição. No rastro do impeachment de Dilma Rousseff, inventou-se a lenda do “golpe das elites” para impedir a revisão crítica das políticas que conduziram à depressão econômica. Hoje, a imaginação “progressista” voa alto, com o mesmo objetivo. Quebrar espelho, eis o que se faz. Desse jeito, até um Flávio pode chegar ao Planalto.
A CULPA É DELE E ELE BOTA EM QUEM ELE QUISER
Essa frase é um clássico! Ela resume com perfeição o comportamento daquela pessoa que simplesmente se recusa a assumir as consequências e prefere o caminho mais fácil: apontar o dedo para os outros.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Opinião do dia – Antonio Gramsci*
“O político em ato é um criador, um suscitador, mas não cria a partir do nada nem se move na vazia agitação de seus desejos e sonhos. Toma como base a realidade efetiva: mas o que é esta realidade efetiva? Será algo estático e imóvel, ou, ao contrário, uma relação de forças em continuo movimento e mudança de equilíbrio? Aplicar a vontade à criação de um novo equilíbrio das forças realmente existentes e atuantes, baseando-se naquela determinada força que se considera progressista, fortalecendo-a para fazê-la triunfar, significa continuar movendo-se no terreno da realidade efetiva, mas dominá-la e superá-la (ou contribuir para isso). Portanto, o “dever ser” é algo concreto, ou melhor, somente ele é interpretação realista e historicista da realidade, somente ele é história em ato e filosofia em ato, somente ele é política.”
*Antonio Gramsci (1891-1937), Caderno 13 – Cadernos do Cárcere, v.3. p.35. 3ª Edição. Editora Civilização Brasileira, 2007.
terça-feira, 13 de outubro de 2026
O chicote mudou de mãos, por Carlos AndreazzaO Estado de S. Paulo
O presidente do TSE mandou derrubar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por André Janones. O deputado aplica contra o bolsonarismo aquilo que o bolsonarismo sempre aplicou contra os adversários: a difusão em massa de comandos para espalhamento de informações frequentemente mentirosas.
Lula reclamou do presidente do TSE: “Estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra nossa campanha. Não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um compromisso civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”. A fala poderia ser de Jair Bolsonaro, em 2022.
O presidente do TSE mandou derrubar o canal lulista em consonância com a doutrina gilmarmendista: ignorando o juiz natural e atropelando determinação do relator. Flávio Bolsonaro, insatisfeito com as providências ordenadas pelo ministro Cueva, decidiu escolher o juiz. Escolheu Nunes Marques, que então abriria a constituição – o Direito Eleitoral Xandônico – que a jurisprudência do TSE, chancelada pelo STF, escrevera.
Flávio elogiou a decisão e pediu mais: “Espero que a Justiça Eleitoral continue. Seja mais ágil, inclusive. Porque os caras criaram um canal de divulgação de mentiras em massa. É um absurdo”. A fala poderia ser de Lula, em 2022.
O ato censor – sim, censura, também prévia – de Nunes Marques presta todas as homenagens à obra de Alexandre de Moraes. É uma ode a Xandão. O legado da Presidência que, em defesa da democracia, outorgou-se o poder de resolver casos omissos. Casos omissos, para solução individual do togado, serão aqueles que o xandão da vez quiser.
A resolução xandônica 23.714/2022/TSE contempla – banaliza – a suspensão temporária de perfis, contas ou canais mantidos em mídias sociais. Ao validála, o Supremo assentou que a censura prévia não seria censura prévia “em caso de produção sistemática de desinformação sobre o processo eleitoral”. Censura prévia, baixada sob conceitos vagos.
Também a Segunda Turma fora expressa a respeito das garantias para a atividade do arbítrio à baciada: “determinação de indisponibilidade de perfis mantidos em plataforma social em caso de grave ofensa ao processo eleitoral” não caracterizaria censura prévia. É por onde avançam André Mendonça e Nunes Marques, autorizados pelo plenário do STF, consagrador do mantra xandônico segundo o qual a liberdade de expressão seria balizada pelo binômio liberdade e responsabilidade, e que o seu exercício “não pode ser utilizado como verdadeiro escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”.
O ministro Cueva, desta vez, mais uma vez, removeu a censura de arrastamento. A tendência – tendência do STF – é à censura, desconsiderada a repressão individual a conteúdos ilícitos. A balança do Supremo – distorcidos os pesos da Constituição – pende à restrição integral ao funcionamento de meios de comunicação. É a regra.
O recuo de Alexandre de Moraes é para valer? | Meio-Dia em Brasília - 13/10/2026O Antagonista
Transmissão iniciada há 59 minutos Meio-Dia em Brasília | 2026
Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.Samba do Approach - Zeca Baleiro Ft. Zeca Pagodinho (legendado) HD2011Loveisall
8 de jan. de 2017 #2011Loveisall #lauratricolor #2014Loveisall
No copyright infringement intended. For fan entertainment purposes only.
Samba do Approach
Artista : Zeca Baleiro
Álbum : Vô Imbolá
Lançamento : 1999
Imagem : Casal Will & Mary em uma mini coreografia de samba.
Letra :
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
Eu tenho savoir-fare
Meu temperamento é light
Minha casa é high-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
Mas fica ligada no link
Que eu vou confessar my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho Engov
Eu tirei o meu green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser pop star
Mas já sou um nouveau riche
#2011Loveisall#lauratricolor#2014Loveisall
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INSCRIÇÃO ETERNA
CENSURA: TRACTIO — XIV/X/MMXXVI • CENSURA: PROCESSIO — A MAIS VIL CONGÉRIE
Reinaldo Azevedo evoca a sombra de Olavo apenas para refutar um Lenine fictício. O aggiornamento, esse sopro de pragmatismo pontifício, cairia oportunamente a um católico carismático que opera sob a luxuosa indulgência do sobrinho putativo do ministro Andreazza — cuja imagem surge agora reduzida a um panfleto impresso, no aberto colóquio digital desse mesmo sobrinho; património, aliás, que o tagarela do chat ousou citar.
Reinaldus Azevedus umbram Olavi evocat tantum ut Leninum fictum refellat. Aggiornamento, ille afflatus pragmatici pontificii, catholico charismatico opportune caderet, qui sub luxuriosa indulgentia nepotis putativi ministri Andreazzae operatur — cuius imago nunc ad libellum impressum redacta est, in aperto eiusdem nepotis colloquio digitali; hereditatem autem eius garrulus chatista citare ausus est.
Use o código com cuidado.
Vintage Evening Radio Jazz – 1930s 1940s Smooth Swing & Vinyl Background MusicDark Sea Ambience
Transmissão iniciada em 3 de jun. de 2026 #relaxingjazz #vintagemusic #vintagejazz
The workday is over. The light is fading. Put something warm on the radio.
This is a 24/7 live broadcast of smooth vintage evening jazz from the 1930s and 1940s. Tenor saxophone, sparse piano, walking bass and wire brushes — the sound of a quiet evening radio program from another era.
Perfect for unwinding after work, reading, cooking dinner, or simply letting the evening pass slowly.
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